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É enfadonha a sua vida? Você pode mudar isso!Despertai! — 1995 | 22 de janeiro
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É enfadonha a sua vida? Você pode mudar isso!
DO CORRESPONDENTE DE DESPERTAI! NA ESPANHA
MARGARET e Brian estavam na casa dos 50 quando tiveram uma oportunidade de ouro: aposentar-se cedo na vida, com um bom salário. Decidiram ir para o sul, ao encontro do sol e das praias do Mediterrâneo. Fim das ansiedades, fim das preocupações — aguardava-os uma vida tranqüila, no seu chalé à beira-mar.
Dois anos depois, o sonho virou pesadelo. Brian explicou: “Tudo parecia fútil — dias seguidos sem ter o que fazer. Naturalmente, eu nadava, jogava um pouco de golfe, um pouco de tênis, e falava o tempo todo com quem quisesse ouvir. Sobre quê? Trivialidades.”
Gisela, uma mãe de 20 e poucos anos, tem uma bela menininha. À tarde, mãe e filha, como de costume, vão ao parque, onde a filha brinca na areia, plenamente absorta, construindo alegremente bolos e castelos de areia. Enquanto isso, a mãe se senta num banco próximo, observando a filha. Observando mesmo? Na realidade, ela está com os ouvidos colados no seu rádio portátil. A fumaça do cigarro quase a impede de ver a sua filhinha. O tédio lhe provoca lágrimas nos olhos.
Pedro, um aluno do segundo grau, de 17 anos, está sentado no seu quarto, rodeado de um moderno equipamento eletrônico. Ele liga um de seus videogames, mas logo descobre que isso simplesmente não o interessa mais. Ele já brincou com ele centenas de vezes, e já sabe como derrotar a máquina. Ouvir música? Ele já ouviu dezenas de vezes todas as gravações que possui. Morto de tédio, ele lamenta: “Não sei o que fazer.”
Está matando tempo?
Com certeza, nem todos acham seus dias tediosos e maçantes. Muitos ainda levam uma vida feliz e significativa, derivando contentamento de aprender coisas novas, de satisfazer seu instinto criativo e de cultivar boas relações com outros — e, ainda mais importante, com Deus.
Contudo, o tédio afeta pessoas de todos os níveis — 1 dentre cada 3 alemães, segundo pesquisa recente. Os ambiciosos yuppies, desassossegados freqüentadores das casas de diversões, o jovem desempregado que mata o tempo ouvindo música alta e bebendo cerveja barata, o trabalhador de meia-idade que passa o fim de semana vendo televisão, o executivo que se sente deslocado fora do escritório — todos sofrem de um mal comum: o tédio.
Os filósofos antigos chamavam-no de taedium vitae (tédio da vida, em latim). Em alemão é Langeweile (demora, monotonia). O tempo que se arrasta, trabalho que parece ser sem sentido e a vontade de “largar tudo” são sinais de tédio extremamente comuns.
Nem mesmo os ricos escapam. Depois de descrever o estilo de vida esbanjador dos grandes consumidores, Roger Rosenblatt, da revista Time, observou: “Depois da mansão, do grande jardim, dos animais de porte, das grandes festas e dos grandes convidados, que mais anunciam os grandes gastadores do mundo? Que estão entediados. Entediados.”
Pensava-se outrora que aumentar o lazer seria uma panacéia para o tédio. Presumia-se que criar condições de trabalho mais humanas, acabando com o trabalho maçante do passado, e acrescentar uma generosa quota de lazer, tornaria recompensadora a vida da pessoa comum. Mas, infelizmente, isso não é tão simples assim. Decidir o que fazer com todo esse tempo livre mostrou ser mais difícil do que se previa. Muitos sonham a semana inteira com um agradável fim de semana, só para descobrir que, quando chega, simplesmente não corresponde às suas expectativas.
Efeitos negativos do tédio
Alguns tentam fugir do tédio mergulhando na hiperatividade. Há os que se fanatizam no trabalho simplesmente porque não sabem como passar o tempo fora do escritório. Outros afogam seu tédio na bebida, ou buscam emoção usando drogas. Muitos dissolutos astros do mundo do entretenimento preenchem o vazio, quando terminam os aplausos, com drogas tais como a cocaína. O tédio é apontado como uma das razões do crescente número de mães adolescentes, solteiras, muitas das quais talvez imaginassem que um bebê preencheria o vazio nas suas vidas.
O tédio tem sido relacionado até mesmo com o aumento do crime. A revista Time observou que bom número de jovens sai da escola aos 16 anos e fica sem ter o que fazer; e que os desempregados da Europa Ocidental, em comparação com seus pares que trabalham, “têm mais probabilidade de se suicidar, são mais suscetíveis ao abuso de drogas, mais propensos à gravidez fora do casamento e mais inclinados a violar a lei”. Isto parece confirmar mais uma vez o velho adágio de que “mente ociosa é oficina do Diabo”. — Note Efésios 4:28.
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Existe solução fácil para o tédio?Despertai! — 1995 | 22 de janeiro
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Existe solução fácil para o tédio?
SUPRIR um infindável fluxo de diversões para milhões de consumidores entediados é hoje um grande negócio. Viagens ou passeios exóticos, sofisticada parafernália eletrônica, passatempos sofisticados, tudo isso concorre para ajudar a matar o tempo do consumidor. Mas a presença do tédio ainda é grande. Mesmo de férias, entediados veranistas precisam de animadores para manter seu entusiasmo. E muitos praticantes de corrida se sentem incompletos sem a companhia de seu rádio portátil.
Não há dúvida de que o entretenimento, como a televisão, cria emoção e dissipa o tédio, mas, por quanto tempo? Para alguns é como uma droga viciadora. É preciso sempre mais estímulo e emoção — senão a melancólica sensação de já-vi-isso-antes ataca de novo. Em vez de ser a solução, tal entretenimento pode acabar sendo um dos fatores contribuintes do tédio.
A TV em si não causa tédio, mas ver televisão demais tampouco banirá o tédio. Pior ainda, quanto mais ‘ligado’ na TV você estiver, tanto mais desligado estará da realidade. No caso de crianças, isto é muito comum acontecer. Num certo estudo, em que crianças de quatro e cinco anos foram indagadas se preferiam ficar sem a TV ou sem o seu pai, 1 de cada 3 decidiram que a vida seria mais tolerável sem o pai!
Gratificar todo desejo tampouco é a solução. Muitos jovens são agora “criados num período de bem-estar material, com direito a todo tipo de brinquedo, de férias e de nova moda”, observou um deputado social-democrata do parlamento alemão. Existe ainda algo que os anima? É bem possível que pais bem intencionados, que cumulam seus filhos com todas as últimas novidades, estejam realmente pavimentando o caminho para uma vida adulta afligida pelo tédio crônico.
As causas básicas do tédio
Fugir totalmente do tédio é um alvo irreal. A vida no mundo como é agora jamais poderá ser de emoção e felicidade contínuas. Tal expectativa irreal pode muito bem causar desnecessário descontentamento. Há também fatores definidos que agravam as coisas.
Por exemplo, existe hoje uma crescente desintegração da família. Poderia o pai e a mãe estar tão absortos no seu próprio entretenimento que não mais passam tempo suficiente com os filhos? Não é de admirar que os adolescentes procurem seu próprio divertimento nas discotecas, fliperamas, shopping centers, e assim por diante. Assim, em muitas famílias, os passeios em família e outras atividades em conjunto viraram coisas do passado.
Ainda outros ficam tão descontentes com a monotonia de sua vida que inconscientemente se recolhem ao seu próprio casulo, fazendo o que lhes agrada, sem considerar quem quer que seja. E ao se isolarem sempre mais, eles alimentam a vã esperança de alcançar o que se pode chamar de auto-realização. Mas isso simplesmente não acontece. Afinal, nenhum homem é uma ilha. Necessitamos de companhia e de comunicação. Portanto, é inevitável que os individualistas que se isolam espalhem o tédio, sem se darem conta de que tornam a vida enfadonha para si e para os que os cercam.
Mas o problema é bem mais profundo, como bem disse Blaise Pascal, filósofo francês do século 17: “O enfado [surge] das entranhas do coração, onde tem as suas raízes naturais e [enche] a mente com o seu veneno.” Uma grande verdade!
Enquanto o coração estiver cheio de dúvidas atormentadoras sobre os porquês da vida, o tédio persistirá. A pessoa precisa ter convicção profunda de que a sua vida tem significado. Mas como pode a pessoa encarar a vida com um conceito positivo sem saber a razão de sua existência, sem ter objetivos, sem ter bem-fundadas esperanças para o futuro?
Aí surgem as perguntas fundamentais: Qual é o significado da vida? Qual é o objetivo da minha existência? Para onde vou? “O empenho para dar à vida algum significado é a principal força motivadora do homem”, observou o Dr. Viktor Frankl. Mas, onde se pode encontrar tal significado? Onde se podem encontrar respostas satisfatórias a essas perguntas?
Menos tédio — como?
O mais antigo dos livros lança luz sobre essas perguntas fundamentais. Disse Heinrich Heine, poeta alemão do século 19: “Devo meu esclarecimento simplesmente à leitura de um livro.” Que livro? A Bíblia. Charles Dickens disse também: “É o melhor livro que já existiu ou existirá no mundo, porque lhe ensina as melhores lições pelas quais qualquer criatura humana . . . poderá ser guiada.”
Não há dúvida sobre isso. A Bíblia é um guia seguro para uma vida significativa. Do começo ao fim, ela mostra com clareza que Deus deu ao homem um trabalho a realizar. O homem havia de cuidar da Terra, embelezá-la, supervisionar amorosamente a vida animal e, acima de tudo, louvar o Criador, Jeová. Uma tarefa e tanto, que não deixaria espaço para o tédio! Milhões de cristãos ativos já constataram que apoiar a causa de Deus, estar dedicado e plenamente devotado a ele, com certeza acrescenta significado à vida e expulsa o tédio.
O tédio generalizado pode ser um fenômeno moderno — parece que a maioria dos idiomas antigos não tem uma palavra para ele. Mesmo assim, a Bíblia, além de nos mostrar o significado da vida, contém sugestões práticas para combater o tédio. Por exemplo, ela diz que ‘quem se isola estourará contra toda a sabedoria prática’. (Provérbios 18:1) Em outras palavras, não se recolha a um casulo!
O homem é gregário por natureza. Ele necessita relacionar-se com outras pessoas, e tem necessidade inata de companhia. Sufocar este desejo normal de se misturar com outros — ser solitário, mero espectador — é insensato. Similarmente, limitar-nos apenas a relações pessoais superficiais equivale a ignorar toda sabedoria prática.
Naturalmente, é muito mais fácil passivamente ver filmes ou limitar nossa comunicação a dar entrada de dados num computador. Adaptar-se a outras pessoas é um desafio e tanto. Mas, ter algo digno para dizer e partilhar pensamentos e sentimentos com outros é recompensador e deixa pouco espaço para o tédio. — Atos 20:35.
Salomão, que foi um arguto observador da natureza humana, fez esta recomendação de peso: “É melhor ficar satisfeito com o que se tem diante dos olhos do que dar rédeas ao desejo.” (Eclesiastes 6:9, The New English Bible) Em outras palavras, aproveite ao máximo as suas circunstâncias do presente. Concentre-se no que vê agora. Isso é muito melhor do que anelar irrealisticamente largar tudo ou “dar rédeas ao desejo”, como colocou Salomão.
Dias bem programados, alvos específicos e um desejo ardente de continuar aprendendo também o ajudará a vencer o tédio. Ora, mesmo depois de se aposentar a pessoa ainda pode realizar muita coisa. Uma Testemunha de Jeová das ilhas Baleares, um aposentado de 70 e poucos anos, está animadamente aprendendo a falar alemão. Seu objetivo? Falar sobre a Palavra de Deus a muitos entediados turistas da Alemanha. O tédio com certeza não é um problema para ele!
Por fim, que dizer de realizar um trabalho manual? Que tal aprender algum artesanato, a pintar, a tocar um instrumento musical? A auto-estima aumenta quando há um senso de realização. Por que não arregaça as mangas e se oferece para ajudar em alguma coisa na casa? Em quase todas as casas há muitas coisinhas que precisam ser consertadas. Em vez de ficar remoendo a respeito do tédio na vida, coloque-se à disposição, faça algum serviço significativo em casa, torne-se hábil em alguma profissão. Você não deixará de ser recompensado. — Provérbios 22:29.
Ademais, a Bíblia aconselha trabalharmos de toda a alma em qualquer projeto que venhamos a empreender. (Colossenses 3:23) Isto, naturalmente, significa envolver-se, interessar-se no que se faz. Pode ser útil lembrar que “interesse” é uma palavra latina que literalmente significa “estar entre, no meio”, em outras palavras, estar absorto na tarefa em andamento. Isto a tornará interessante.
Esses bons conselhos escritos há muitos anos, se forem aplicados, farão uma diferença crucial para as vítimas de melancolia das horas de folga. Por conseguinte, absorva-se no que faz. Envolva-se com outras pessoas. Faça coisas pelos outros. Continue a aprender. Comunique-se abertamente com outros. Descubra o real objetivo da vida. Se fizer isso, você não tenderá a suspirar: ‘Por que a vida é tão enfadonha?’
[Quadro na página 7]
Como vencer o tédio
1. Não permita que o entretenimento ‘pronto para o consumo’ atrofie a iniciativa pessoal. Escolha bem as distrações e o entretenimento.
2. Relacione-se com pessoas.
3. Continue a aprender. Tenha alvos pessoais.
4. Seja criativo. Faça algum trabalho manual.
5. Tenha um objetivo na vida. Leve Deus em consideração.
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