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Um perigo que preocupa todos os paisDespertai! — 2007 | outubro
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Um perigo que preocupa todos os pais
JÉSSICA e Lucas são um casal animado e feliz, que cuida bem de seu filho de três anos, um menino esperto e saudável.a No mundo atual, essa tarefa não é fácil, pois envolve muitas preocupações e responsabilidades. Há tantas coisas que é preciso ensinar às crianças! Jéssica e Lucas sentem o peso de uma responsabilidade específica: a de proteger o filho contra os perigos do abuso sexual. Por quê?
“Meu pai era um alcoólatra insensível e bravo”, diz Jéssica. “Ele me batia muito e molestava tanto a mim como a minhas irmãs.”b A maioria das pessoas concorda que esse tipo de abuso pode deixar profundas cicatrizes emocionais. Não é de admirar que Jéssica esteja decidida a proteger seu filho. Lucas também tem essa determinação.
Muitos pais estão preocupados com a questão do abuso de crianças. Pode ser que você também esteja. Talvez não tenha enfrentado pessoalmente esse tipo de abuso e seus efeitos como no caso de Lucas e Jéssica, mas sem dúvida já ouviu notícias chocantes sobre como essa prática repulsiva é comum. Pais amorosos em todo o mundo ficam horrorizados de saber o que está acontecendo com as crianças em sua região.
Não surpreende que um pesquisador no campo do abuso sexual tenha chamado os índices de abuso infantil de “uma das descobertas mais desalentadoras de nossa época”. Saber isso com certeza nos entristece, mas será que esses acontecimentos devem causar surpresa? Não para quem estuda a Bíblia. A Palavra de Deus explica que vivemos num período cheio de problemas, chamado de “últimos dias”, quando prevalece um comportamento ‘feroz’ e as pessoas são ‘amantes de si mesmas’ e não têm “afeição natural”. — 2 Timóteo 3:1-5.
O abuso sexual é um problema assustador. De fato, alguns pais ficam perplexos quando param para pensar na absoluta maldade daqueles que ficam à procura de crianças para abusar sexualmente delas. Mas será que lidar com esse problema é uma tarefa grande demais para os pais? Ou existem algumas medidas práticas que eles podem tomar para proteger os filhos? Os artigos a seguir abordarão essas perguntas.
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Como proteger seus filhosDespertai! — 2007 | outubro
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Como proteger seus filhos
POUCAS pessoas se sentem à vontade quando o assunto é o abuso sexual de crianças. Os pais tremem só de pensar nisso! Mas esse tipo de abuso é uma realidade assustadora e desagradável no mundo atual, e seus efeitos nas crianças podem ser devastadores. Será que vale a pena considerar esse assunto? Pense bem: quanto você estaria disposto a pagar pela segurança de seu filho?a Conhecer as tristes realidades do abuso sexual com certeza não é um preço alto demais. Esse conhecimento pode realmente fazer a diferença.
Não permita que a praga do abuso o faça perder a coragem de encarar esse assunto. Para dizer o mínimo, você tem algo que seu filho não tem — habilidades que ele levará anos, até mesmo décadas, para desenvolver. Com o passar do tempo, você acumulou bastante conhecimento, experiência e sabedoria. O segredo é aprimorar essas qualidades e usá-las para proteger seu filho. Vamos considerar três passos básicos que podem ser dados pelos pais: (1) ser a primeira linha de defesa para proteger o filho contra o abuso, (2) fornecer ao filho a necessária educação sobre sexo e (3) ensinar ao filho algumas medidas básicas de proteção.
Você é a primeira linha de defesa?
A responsabilidade primária de proteger as crianças contra abusos é dos pais e não delas mesmas. Assim, os pais precisam primeiro se informar sobre o assunto para depois ensinar os filhos. Se você é pai ou mãe, existem algumas coisas que precisa saber sobre o abuso infantil. Precisa saber que tipo de pessoas abusam de crianças e como agem. Os pais costumam achar que os molestadores são estranhos que ficam à espreita, buscando maneiras de raptar e violentar crianças. Esses monstros existem mesmo, e os noticiários muitas vezes falam a respeito deles. Mas eles são relativamente poucos. Em cerca de 90% dos casos de abuso sexual infantil, o culpado é alguém que a criança já conhece e em quem confia.
Naturalmente, você acha difícil acreditar que alguém bondoso, como um vizinho, professor, profissional de saúde, treinador ou parente possa sentir atração sexual por seu filho. Na verdade, em sua maioria, as pessoas não são assim. Não é preciso suspeitar de todos ao seu redor. Apesar disso, você pode proteger seu filho por aprender como age um típico abusador. — Veja o quadro na página 6.
Conhecer essas táticas pode fazer com que você, pai ou mãe, fique mais preparado para agir como a primeira linha de defesa. Por exemplo, imagine que alguém que parece se interessar mais por crianças do que por adultos comece a dar atenção especial ou presentes a seu filho, ou se ofereça para tomar conta dele de graça ou para levá-lo em passeios a sós. O que você faria? Concluiria que ele é um molestador? Não. Não tire conclusões precipitadas. A pessoa pode estar agindo sem más intenções. Apesar disso, é melhor ficar atento. A Bíblia diz: “Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos.” — Provérbios 14:15.
Lembre-se de que qualquer oferta que parece boa demais para ser verdade provavelmente é falsa. Fique atento a qualquer pessoa que se ofereça para ficar com seu filho, em especial a sós. Diga que você pode aparecer a qualquer momento. Melissa e Brad, jovens pais de três meninos, são cuidadosos quanto a deixar uma criança a sós com um adulto. Quando um de seus filhos tinha aulas de música em casa, Melissa dizia ao professor: “Enquanto estiver aqui, eu entrarei na sala de vez em quando.” Esse tipo de cuidado pode parecer exagerado, mas esses pais acharam melhor prevenir do que remediar.
Tenha interesse ativo nas atividades, nas amizades e nos trabalhos escolares de seus filhos. Procure saber todos os detalhes a respeito de qualquer passeio planejado. Um profissional no campo da saúde mental, que trabalhou 33 anos com casos de abuso sexual, disse que muitos dos casos que viu poderiam ter sido evitados por um simples cuidado da parte dos pais. Ele citou as palavras de um homem condenado por abuso: “Os pais literalmente nos entregam seus filhos. . . . Eles com certeza facilitaram as coisas para mim.” Lembre-se de que a maioria dos molestadores preferem alvos fáceis. Os pais que se envolvem ativamente na vida dos filhos fazem deles alvos difíceis.
Outro modo de agir como a primeira linha de defesa de seu filho é ser um bom ouvinte. É pouco provável que uma criança fale do abuso de forma direta; ela fica com muita vergonha e medo da reação dos outros. Por isso, preste bastante atenção ao que a criança diz, mesmo que ela fale indiretamente.b Se o seu filho disser algo que deixe você preocupado, de modo calmo, faça perguntas que o incentivem a se expressar. Se não quiser mais que certa pessoa tome conta dele, pergunte o motivo. Se disser que um adulto faz brincadeiras estranhas com ele, pergunte: “Que tipo de brincadeira? O que ele faz?” Se reclamar que alguém fez cócegas nele, pergunte: “Em que lugar ele fez cócegas em você?” Não descarte logo as respostas de uma criança. Os abusadores dizem à criança que ninguém vai acreditar nela, e muitas vezes é isso que acontece. E, quando uma criança sofre abuso, ter a confiança e o apoio dos pais é muito importante para sua recuperação.
Seja a primeira linha de defesa contra o abuso
Forneça ao seu filho educação sobre sexo
Uma obra de referência sobre abuso infantil cita as palavras de um homem condenado por abuso sexual: “Uma criança que não sabe nada sobre sexo, poderá facilmente se tornar minha próxima vítima.” Essas palavras assustadoras são um lembrete útil para os pais. Crianças que não aprenderam sobre sexo são enganadas com mais facilidade por molestadores. A Bíblia diz que o conhecimento e a sabedoria podem nos livrar “do homem que fala perversidades”. (Provérbios 2:10-12) Não é isso o que você quer para seu filho? Então, como segundo passo básico para protegê-lo, não hesite em lhe ensinar sobre esse assunto importante.
Mas como você pode fazer isso? Muitos pais acham embaraçoso falar sobre sexo com os filhos. Pode ser que seu filho ache mais embaraçoso ainda e é provável que não inicie uma conversa sobre esse assunto. Portanto, tome a iniciativa. Melissa diz: “Começamos cedo, identificando as partes do corpo por nome. Usamos as palavras corretas, e não nomes infantis, para mostrar a eles que não há nada estranho ou vergonhoso a respeito de nenhuma parte do corpo.” Daí, a instrução sobre o abuso vem de forma natural. Muitos pais simplesmente dizem aos filhos que as partes do corpo que ficam cobertas pela roupa de banho são íntimas e especiais.
Jéssica, mencionada no artigo anterior, diz: “Lucas e eu dissemos a nosso filho que seu pênis é algo íntimo e pessoal, não um brinquedo. Não é para ninguém brincar com ele — nem mamãe, nem papai, nem mesmo um médico. Quando o levamos para uma consulta, explicamos que o médico só vai verificar se está tudo bem, e é por isso que talvez o toque ali.” Tanto o pai como a mãe devem ter essas breves conversas com o filho de vez em quando, deixando claro que sempre pode falar com eles caso alguém o toque de modo errado ou lhe cause constrangimento. Especialistas em cuidados infantis e prevenção de abusos recomendam a todos os pais que tenham conversas desse tipo com os filhos.
Muitas pessoas acham que o livro Aprenda do Grande Instrutorc é uma excelente ajuda para ensinar esse assunto aos filhos. O capítulo 32, “Como Jesus foi protegido”, contém uma mensagem direta, mas consoladora, para as crianças sobre os perigos do abuso e a importância de se proteger contra ele. “O livro nos dá um modo perfeito de reforçar o que nós mesmos dizemos aos nossos filhos”, diz Melissa.
No mundo atual, as crianças precisam saber que existem pessoas que querem tocá-las e ser tocadas de maneiras erradas. Isso não é para assustar as crianças nem fazer com que deixem de confiar nos adultos em geral. “É apenas uma informação de segurança”, diz Jéssica. “É só mais uma informação entre muitas outras que na maior parte não têm nada a ver com abuso. Essa instrução não deixou meu filho nem um pouco assustado.”
A educação de seu filho deve incluir um conceito equilibrado sobre obediência. Ensinar um filho a obedecer é uma lição importante e ao mesmo tempo difícil. (Colossenses 3:20) Mas essas lições podem passar do limite. Uma criança que aprende que sempre deve obedecer a qualquer adulto, seja qual for a circunstância, fica vulnerável ao abuso. Os molestadores logo percebem quando uma criança é submissa demais. Pais sensatos ensinam aos filhos que a obediência é relativa. Para os cristãos, ensinar isso não é tão complicado quanto parece. Basta dizer aos filhos: “Se alguém mandar você fazer alguma coisa que Jeová Deus diz que é errado, não faça. Nem mesmo o papai nem a mamãe devem mandar você fazer coisas que Jeová diz que são erradas. E você sempre pode contar para o papai ou para a mamãe se alguém quiser que você faça algo errado.”
Por fim, fale com seu filho que não é certo alguém pedir que ele esconda algo dos pais. Diga a ele que sempre deve contar para vocês se alguém pedir que esconda algum segredo. Não importa o que tenha acontecido — quer tenha ouvido ameaças assustadoras, quer ele mesmo tenha feito algo errado — nunca precisa ter medo de procurar o papai ou a mamãe para contar tudo o que aconteceu. Esse tipo de instrução não é para assustar seu filho. Deixe claro que a maioria das pessoas nunca fazem coisas como tocá-lo em lugares que não devem, pedir que ele desobedeça a Deus ou que guarde algum segredo. Assim como um plano de fuga em caso de incêndio, essas instruções são só como prevenção e provavelmente nunca serão necessárias.
Forneça ao seu filho educação sobre sexo
Ensine ao seu filho algumas medidas básicas de proteção
O terceiro passo a ser considerado é ensinar a seu filho algumas atitudes simples que poderá tomar caso alguém tente se aproveitar dele quando você não está por perto. Um método recomendado com freqüência é um tipo de jogo em que os pais perguntam o que a criança faria em certa situação e ela responde. Por exemplo: “O que faria se estivéssemos num supermercado e você se perdesse de mim? Como me encontraria?” A resposta dela talvez não seja exatamente o que você esperava, mas poderá orientá-la usando outras perguntas, como: “Consegue pensar numa coisa mais segura que você poderia fazer?”
Você pode usar perguntas parecidas para saber que reação ela acha ser a mais segura caso alguém tente tocá-la de modo errado. Se ela se assusta facilmente com perguntas assim, tente contar uma história sobre outra criança. Por exemplo: “Uma menininha está com um parente que ela gosta, mas daí ele tenta tocá-la num lugar que é errado. O que você acha que ela deve fazer para se proteger?”
Ensine ao seu filho medidas básicas de proteção
O que você deve ensinar seu filho a fazer numa situação como a mencionada acima? Um escritor disse: “Um firme ‘não!’, ‘não faça isso!’ ou ‘tire as mãos de mim!’ é muito eficaz para intimidar o abusador que tenta seduzir a criança, fazendo-o recuar e pensar duas vezes antes de escolher uma vítima.” Ajude seu filho a encenar breves situações em que ele diz ‘não’ em voz alta e de modo confiante, sai rapidamente do local e conta para você tudo o que aconteceu. Uma criança que parece entender bem o treinamento pode esquecê-lo com facilidade em algumas semanas ou meses. Portanto, repita o treinamento de modo regular.
Todos os responsáveis imediatos da criança, incluindo os do sexo masculino — o pai, o padrasto ou outros parentes — devem participar dessas conversas. Por quê? Porque todos os envolvidos nesse treinamento estão, na verdade, prometendo à criança que nunca cometerão tais atos de abuso. É uma pena que muitos casos de abuso sexual ocorram exatamente na família. O artigo seguinte considerará como você pode fazer com que seu lar seja um abrigo seguro neste mundo abusivo.
a Especialistas dizem que muitas crianças que sofreram abuso dão sinais de que algo está errado. Por exemplo, se uma criança de uma hora para a outra volta a ter comportamentos que já tinha superado, como urinar na cama, apego exagerado aos pais ou medo de ficar sozinha, talvez esteja dando um sinal de que algo grave a incomoda. Esses sintomas não devem ser considerados como prova definitiva de que ela sofreu abuso. Com calma, ajude seu filho a se expressar para que você possa descobrir por que ele está angustiado e então lhe dar consolo, encorajamento e proteção.
b Por uma questão de simplicidade, tanto ao falar sobre o abusador como sobre a vítima, usamos o gênero masculino. Mas os princípios se aplicam a ambos os sexos.
c Publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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Faça de seu lar um abrigo seguroDespertai! — 2007 | outubro
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Faça de seu lar um abrigo seguro
“SEM afeição natural.” Dessa forma triste, a Bíblia descreve como seriam muitas pessoas em nossa época, período chamado de “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1, 3, 4) A praga do abuso de crianças na família é uma forte prova de como essa profecia é verdadeira. De fato, a palavra grega original á·stor·gos, traduzida em português pela expressão “sem afeição natural”, indicava a falta do tipo de amor que deveria existir entre os membros da família, especialmente entre pais e filhos.a Mas muitas vezes é no ambiente familiar que ocorre o abuso infantil.
Alguns pesquisadores dizem que em geral quem comete o abuso sexual é o pai ou um homem que exerce esse papel. Também é muito comum que o molestador seja outro parente do sexo masculino. Embora a maior parte das vítimas sejam meninas, muitos meninos também são abusados. Ao contrário do que você possa pensar, muitas mulheres também cometem abusos. Talvez a forma menos relatada seja o incesto entre irmãos. Nesse caso, uma criança mais velha ou mais forte intimida ou seduz um irmão ou irmã mais jovem ou com menos força a realizar atos sexuais. Sendo pai ou mãe, você com certeza encara tudo isso com repugnância.
Como evitar que esses problemas surjam em sua família? Sem dúvida, todos os membros de todas as famílias precisam aprender e valorizar alguns princípios que impedem a conduta abusiva. O melhor lugar para encontrar esse tipo de orientação é na Palavra de Deus, a Bíblia.
A Palavra de Deus e as relações sexuais
Para estarem protegidas, todas as famílias precisam seguir os padrões de moral da Bíblia. Ela não trata de sexo com falso pudor. Fala disso de modo digno, mas franco e direto. Mostra que Deus criou a intimidade sexual para ser uma verdadeira bênção para o marido e a esposa. (Provérbios 5:15-20) A Bíblia, porém, é contra práticas sexuais fora do casamento. Por exemplo, ela condena abertamente o incesto. Em Levítico, capítulo 18, vários tipos de relações incestuosas são proibidas. Considere estas palavras em especial: “Não vos deveis chegar, nenhum de vós, a qualquer parente carnal que lhe seja chegado, para descobrir a nudez [ter relações sexuais]. Eu sou Jeová.” — Levítico 18:6.
Jeová alistou o incesto entre as “coisas detestáveis” sujeitas a pena de morte. (Levítico 18:26, 29) Fica evidente que o Criador tem padrões bem elevados sobre esse assunto. Atualmente, muitos governos têm um conceito parecido, classificando o abuso sexual infantil na família como crime. Em geral, quando um adulto tem relações sexuais com uma criança, a lei considera isso um estupro. Por que usar uma palavra tão forte mesmo que o abuso não tenha envolvido força física?
Muitas autoridades estão reconhecendo o que a Bíblia sempre disse a respeito das crianças — que elas, por natureza, não são capazes de raciocinar como um adulto. Por exemplo, Provérbios 22:15 diz: “A tolice está ligada ao coração do rapaz.” E o apóstolo Paulo foi inspirado a escrever: “Quando eu era pequenino, costumava . . . pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas agora que me tornei homem, eliminei as características de pequenino.” — 1 Coríntios 13:11.
Uma criança não entende bem o que está envolvido nos atos sexuais nem imagina as conseqüências que virão ao longo dos anos. Assim, muitas pessoas concordam que as crianças não têm condições de consentir, de forma consciente, em ter relações sexuais. Em outras palavras, se um adulto (ou um jovem um tanto mais velho) tiver relações com uma criança, ele não pode se desculpar dizendo que ela não tentou evitar ou que foi ela quem pediu. O adulto é culpado de estupro. Isso é crime, muitas vezes passível de prisão. O estuprador é o culpado pelo estupro e não a vítima relutante.
Infelizmente, porém, a maior parte desses crimes hoje em dia não são punidos pelas autoridades. Na Austrália, por exemplo, estima-se que apenas 10% dos que cometem esses crimes são julgados, e poucos são condenados. Outros países têm um índice parecido. Embora os governos talvez consigam dar certa proteção à família, a aplicação de princípios bíblicos pode protegê-la muito mais.
Os cristãos verdadeiros sabem que o Deus que fez com que esses princípios fossem registrados em sua Palavra não mudou. Ele vê tudo o que fazemos, mesmo as coisas que a maioria dos humanos não vêem. A Bíblia diz: “Todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas.” — Hebreus 4:13.
Quando violamos as ordens de Deus e ferimos outras pessoas, ele nos considera responsáveis por isso. Por outro lado, ele nos abençoa quando obedecemos às suas ordens benéficas relacionadas à vida familiar. Quais são algumas delas?
Uma família unida pelo amor
A Bíblia nos diz que o “amor . . . é o perfeito vínculo de união”. (Colossenses 3:14) Como ela descreve, o amor não é um simples sentimento. É definido como algo que motiva nossas ações — incentivando algumas e proibindo outras. (1 Coríntios 13:4-8) Na família, mostrar amor significa tratar uns aos outros com dignidade, respeito e bondade. Significa viver em harmonia com o modo de Deus encarar cada membro da família. Ele dá a cada um deles um papel honroso e importante.
Como cabeça da família, o pai deve tomar a iniciativa em mostrar amor. Ele reconhece que o pai cristão não deve ser tirano, abusando de sua autoridade sobre a esposa ou os filhos. Em vez disso, encara a Cristo como exemplo de liderança. (Efésios 5:23, 25) Portanto, é carinhoso e amoroso com a esposa, paciente e gentil com os filhos. Nunca deixa de protegê-los e faz o máximo para evitar que aconteça qualquer coisa que poderia lhes tirar a paz, a inocência ou o senso de confiança e de segurança.
Como esposa e mãe, a mulher também tem um papel digno e muito importante. A Bíblia usa o instinto materno no reino animal para ilustrar quanto Jeová e Jesus se preocupam em dar proteção. (Mateus 23:37) A mãe também deve estar determinada a proteger os filhos. De modo amoroso, ela não hesita em colocar a segurança e o bem-estar deles à frente dos seus. Os pais não permitem que abuso de poder ou intimidações se infiltrem no modo em que tratam um ao outro ou aos filhos; nem permitem que os filhos usem essas táticas um contra o outro.
Na família em que todos se tratam com respeito e dignidade prevalece a boa comunicação. O autor William Prendergast declarou: “Os pais devem ter conversas diárias, freqüentes e francas com os filhos, tanto crianças como adolescentes.” E disse também: “Essa parece ser a melhor solução para o problema do abuso sexual.” De fato, é exatamente esse tipo de comunicação constante e amorosa que a Bíblia recomenda. (Deuteronômio 6:6, 7) Quando essa orientação é aplicada, o lar se torna um ambiente em que todos podem expressar o que sentem, de modo franco e sem qualquer receio.
Temos de reconhecer que vivemos num mundo perverso e que nem todos os abusos podem ser evitados. Mesmo assim, um lar seguro pode fazer muita diferença. Se um dos membros da família tiver problemas fora de casa, ele sabe muito bem onde buscar consolo e compreensão. Tal ambiente é um verdadeiro refúgio, um abrigo seguro neste mundo cheio de problemas. Que Deus abençoe seus esforços de fazer com que seu lar seja exatamente assim!
a Essa palavra grega antiga é definida como “frieza em relação à família”. Assim, uma versão da Bíblia traduz esse versículo da seguinte forma: “Eles não terão . . . afeição natural pela família.”
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