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Consolo para o “espírito abatido”A Sentinela — 1995 | 1.° de novembro
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E o suposto molestador?
Quem de fato abusa sexualmente de uma criança é um estuprador e deve ser encarado assim. A vítima desse tipo de abuso tem o direito de denunciar o molestador. Mesmo assim, não se deve fazer precipitadamente uma acusação formal se “recordações reprimidas” forem a única base para isso. Nesse caso, o mais importante é que a pessoa recobre certo grau de estabilidade emocional. Passado algum tempo, ela talvez fique em melhores condições de avaliar as “recordações” e decidir o que fazer a respeito, se é que fará alguma coisa.
Veja o caso de Donna. Consta que ela sofria de distúrbios alimentares e procurou a ajuda de um conselheiro — pelo visto alguém de competência duvidosa. Em pouco tempo já acusava o pai de incesto e levou-o a juízo. O júri ficou num impasse, de modo que o pai não foi condenado à prisão, mas teve de pagar 100.000 dólares em honorários jurídicos. E, depois de tudo, Donna disse aos pais que já não acreditava que o abuso tivesse mesmo ocorrido!
Salomão, em sua sensatez, disse: “Não saias para pleitear apressadamente uma causa jurídica.” (Provérbios 25:8) Se há algum motivo válido para suspeitar de que o suposto molestador ainda esteja abusando sexualmente de crianças, talvez seja necessário chamar atenção para isso. Os anciãos da congregação podem ajudar num caso assim. Caso contrário, não se apresse. Com o tempo você talvez se contente em deixar o assunto morrer. No entanto, se quiser confrontar o suposto molestador (depois de avaliar primeiro como reagiria às possíveis reações dessa pessoa), esse é um direito que lhe cabe.
Podem surgir situações embaraçosas durante o período de recuperação da pessoa que está tendo essas “recordações”. Talvez lhe venham à mente, por exemplo, imagens vívidas de estar sendo molestada por alguém que ela vê todo dia. Não há como estabelecer regras para lidar com isso. “Cada um levará a sua própria carga.” (Gálatas 6:5) A pessoa talvez ache que um parente ou um membro da família imediata está envolvido. Lembre-se da natureza duvidosa de algumas “recordações reprimidas” com respeito à identificação do suspeito. Numa situação dessas, enquanto a questão não fica definitivamente resolvida, o contato com a família — pelo menos numa ou noutra visita, por carta ou por telefone — mostra que a pessoa está procurando comportar-se como sugerem as Escrituras. — Note o que diz Efésios 6:1-3.
O que os anciãos podem fazer?
Quando os anciãos são procurados por um membro da congregação que esteja tendo “recordações” repentinas e vívidas ou “recordações reprimidas” de algum abuso sexual que tenha sofrido, em geral dois deles ficam incumbidos de ajudá-lo. Com toda a bondade, esses anciãos devem incentivar a pessoa aflita a se concentrar, primeiro, em lidar com o sofrimento emocional. O nome de quaisquer molestadores de que essa pessoa se “lembre” devem ser mantidos em sigilo absoluto.
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Consolo para o “espírito abatido”A Sentinela — 1995 | 1.° de novembro
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E se a pessoa decidir fazer uma acusação formal?b Nesse caso, os dois anciãos poderão lembrar-lhe que, em harmonia com o princípio em Mateus 18:15, ela deverá conversar pessoalmente com o acusado sobre o assunto. Se não estiver em condições emocionais de confrontar o acusado, poderá telefonar-lhe ou enviar-lhe uma carta. Assim ele tem a oportunidade de defender-se da acusação, perante Jeová. E pode até apresentar evidências de que é impossível que tenha cometido o abuso de que é acusado. Ou talvez confesse o erro e possa haver uma reconciliação, o que seria muito positivo! Se ele confessar a culpa, os dois anciãos poderão tratar do assunto em conformidade com os princípios bíblicos.
Se o acusado negar a culpa, os anciãos deverão explicar a quem fez a acusação que nada mais poderá ser feito em termos judicativos. E a congregação continuará a considerar o acusado como inocente. A Bíblia diz que é preciso haver duas ou três testemunhas para que alguma ação judicativa seja tomada. (2 Coríntios 13:1; 1 Timóteo 5:19) Mesmo que mais de uma pessoa se “lembre” de ter sido abusada sexualmente pelo mesmo indivíduo, a natureza dessas lembranças, se não há outras evidências, é incerta demais para servir de base para decisões judicativas. Isso não significa que essas “recordações” sejam encaradas como falsas (ou como verdadeiras). Simplesmente os princípios bíblicos precisam ser acatados ao se resolver um assunto judicativamente.
E se o acusado — embora negue a transgressão — for realmente culpado? Será que ele vai “se livrar dessa”? De jeito nenhum! A questão de ele ser ou não culpado pode ficar, com toda a segurança, nas mãos de Jeová. “Os pecados de alguns homens manifestam-se publicamente, conduzindo diretamente ao julgamento, mas, quanto a outros homens, os pecados deles também se tornam manifestos mais tarde.” (1 Timóteo 5:24; Romanos 12:19; 14:12) O livro de Provérbios diz: “A expectativa dos justos é alegria, mas a própria esperança dos iníquos perecerá.” “Quando morre um homem iníquo, perece a sua esperança.” (Provérbios 10:28; 11:7) Em última análise, Jeová Deus e Cristo Jesus proferirão com justiça a sentença eterna. — 1 Coríntios 4:5.
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