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  • O que é melhor para os filhos?
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • O que é melhor para os filhos?

      DIVORCIAR-se ou não divorciar-se? Esta é uma grande questão na mente de muitos casais infelizes. Anos atrás, por razões morais e religiosas, o divórcio, quando não condenado, não era visto com bons olhos. E casais infelizes geralmente permaneciam juntos por causa dos filhos. Contudo, em tempos mais recentes, os padrões do mundo mudaram radicalmente. Hoje, o divórcio é amplamente aceito.

      Mas, apesar da aceitação do divórcio, é cada vez maior o número de pais, juízes, cientistas sociais e outros que expressam preocupação com os efeitos adversos que a separação causa aos filhos. Ouvem-se mais vozes de cautela. Crescentes evidências mostram que o divórcio pode ter um impacto devastador sobre uma criança. Os pais são incentivados a pensar nas conseqüências da separação, tanto para eles como para os filhos. A socióloga Sara McLanahan, da Universidade de Princeton, diz que ‘entre dois terços e três quartos dos casais que se divorciam fariam bem em analisar melhor se estão fazendo a coisa certa’.

      Estudos recentes mostram que os filhos do divórcio estão mais sujeitos à gravidez na adolescência, a sair da escola, à depressão, ao divórcio e a engrossar a lista dos que dependem de assistência social. No mundo ocidental, 1 em cada 6 crianças é afetada pelo divórcio. A historiadora Mary Ann Mason, no seu livro sobre a guarda dos filhos nos Estados Unidos, disse: “Uma criança nascida em 1990 tinha cerca de 50% de chance de vir a ter a sua guarda decidida em tribunal.”

      Infelizmente, as hostilidades nem sempre terminam com o divórcio, visto que os pais talvez continuem a brigar nos tribunais pela guarda e direitos de visita, infligindo mais estresse nos filhos. Esses confrontos exaltados nos tribunais colocam à prova a lealdade dos filhos aos pais e com freqüência os faz sentir-se desamparados e com medo.

      Certa conselheira de assuntos de família disse: “O divórcio não é uma solução para as crianças. É uma solução, às vezes, para os adultos.” O fato é que, através do divórcio, os pais talvez resolvam seus próprios problemas, mas, ao mesmo tempo, podem desferir um golpe nos filhos, que talvez passem o resto da vida procurando compensar o prejuízo.

      Opções de guarda dos filhos

      Em meio à hostilidade e ao estresse emocional da dissolução do matrimônio, é extremamente difícil negociar a guarda dos filhos de forma calma e racional. Para minimizar a confrontação parental e evitar o litígio, algumas jurisdições oferecem uma forma alternativa de resolver disputas, como a mediação fora do tribunal.

      Quando tratada de maneira apropriada, a mediação permite aos pais elaborar um acordo, em vez de deixar que o juiz decida com quem os filhos vão ficar. Quando a mediação não é possível, os pais talvez consigam um arranjo de guarda e visitação mediante seus advogados. Uma vez que os pais cheguem a um acordo e o coloquem por escrito, o juiz pode assinar um mandado que expressa os desejos deles.

      Quando os pais não conseguem chegar a um acordo na questão da guarda, o sistema legal na maioria dos países provê meios de tentar assegurar que se protejam os melhores interesses dos filhos. A principal preocupação do juiz são os filhos, não os pais. O juiz leva em conta muitos fatores relevantes, como o desejo dos pais, o relacionamento da criança com cada um deles, as preferências da criança e a capacidade de cada parte de prover os cuidados diários. Daí o juiz determina onde e com quem a criança vai morar, bem como de que forma os pais tomarão decisões importantes sobre o futuro da criança.

      Nos casos em que a guarda é unilateral, talvez apenas um tenha a autoridade de tomar decisões. Quando a guarda é conjunta, tanto o pai como a mãe devem estar de acordo nas decisões importantes, como a assistência médica e a educação dos filhos.

      Questões que podem surgir

      Quando confrontados com um litígio de guarda de filhos, pais que são Testemunhas de Jeová têm de considerar também o que é melhor para a espiritualidade dos filhos. Por exemplo, e se o ex-cônjuge, que não é Testemunha de Jeová, faz objeção a que se ensine a Bíblia aos filhos? E se ele é um desassociado da congregação cristã?

      Para os pais cristãos, situações assim podem tornar mais difíceis as decisões. Eles querem agir de forma sábia e razoável, e também manter uma boa consciência perante Jeová, ao passo que consideram em oração o que é melhor para os filhos.

      Nos artigos seguintes, abordaremos perguntas como estas: Ao conceder a guarda dos filhos, como a lei encara a religião? Como posso me sair bem ao enfrentar um processo de guarda de filhos? E se eu perder a guarda de meus filhos? Como encarar um acordo de guarda conjunta com um desassociado?

  • Guarda dos filhos: a religião e a lei
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • Guarda dos filhos: a religião e a lei

      NOS processos de divórcio e guarda dos filhos, a religião pode ser um fator importante — e complexo. Por exemplo, podem surgir perguntas como as seguintes:

      Deve o juiz considerar a alegação de que uma das partes não é apta para ter a guarda dos filhos porque é membro de determinada religião, especialmente uma religião minoritária? Deve ele considerar depoimentos sobre as crenças e práticas religiosas dos pais para decidir que religião, em sua opinião, seria melhor para os filhos? Deve ordenar, então, que os filhos sejam criados nessa religião e proibir que sejam expostos a outras religiões?

      Hoje em dia, é cada vez maior o número dos que se casam com pessoas de diferente religião e etnia. Assim, quando tais casais se divorciam, os filhos talvez já tenham vínculos nas duas comunidades religiosas. Às vezes, quando ocorre um processo de separação, uma das partes havia mudado recentemente de religião. A nova associação religiosa talvez seja um fator estabilizante na sua vida, sendo-lhe muito importante, porém desconhecida aos filhos. Isso leva a uma outra pergunta: Será que o tribunal pode proibir o pai ou a mãe de levar os filhos para os ofícios religiosos dessa nova religião só porque não é a que o casal praticava antes?

      São perguntas difíceis. Requerem que o juiz considere não só as necessidades da criança, mas também os interesses e os direitos dos pais.

      Direitos fundamentais dos pais e dos filhos

      É verdade que os juízes podem ser influenciados por seus próprios conceitos religiosos. Mas é improvável que, em muitos países, os direitos religiosos dos pais ou dos filhos sejam desconsiderados. Esses países talvez tenham leis que proíbem o juiz de restringir o direito fundamental dos pais de educar um filho, o que inclui a instrução escolar e religiosa.

      Por sua vez, a criança tem o direito de receber tal instrução dos pais. Antes que um juiz possa interferir judicialmente na instrução religiosa de uma criança, o tribunal precisa se convencer de que “determinadas práticas religiosas constituem ameaça imediata e substancial para o bem-estar físico da criança”. (O grifo é nosso.) Meras diferenças de religião, ou mesmo a hostilidade dos pais na questão religiosa, não são suficientes para justificar a intervenção do Estado.

      Em Nebraska, EUA, a posição razoável de uma mãe Testemunha de Jeová numa disputa de guarda ilustra como essas provisões legais protegem tanto os pais como os filhos. O pai, não-Testemunha, não queria que a filha assistisse aos ofícios religiosos das Testemunhas de Jeová no Salão do Reino. Uma corte de menor instância deu ganho de causa a ele.

      A mãe apelou para a Suprema Corte de Nebraska. Ela argumentou que não havia evidência de ameaça imediata ou substancial ao bem-estar da filha em nenhuma das atividades das Testemunhas de Jeová. A mãe atestou que “o comparecimento e a participação nas atividades religiosas de ambos os pais iria . . . prover uma base para a menina determinar que religião escolher ao atingir uma idade suficiente para poder decidir”.

      A corte superior reverteu a decisão da corte inferior e decidiu que “a corte [de menor instância] tinha abusado de seu poder de decisão ao restringir o direito da mãe, que detém a guarda, de ter controle sobre a educação religiosa de sua filha menor”. Não havia absolutamente nenhuma evidência de que a criança estava sendo prejudicada por assistir a ofícios religiosos no Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

      Direitos dos pais que não detêm a guarda

      Às vezes, pais divorciados tentam usar as disputas sobre educação religiosa como meio de obter controle sobre os filhos. Por exemplo, no caso Khalsa versus Khalsa, no estado do Novo México, EUA, ambos os pais praticavam a religião sique durante o tempo em que estiveram casados. Mas logo após o divórcio, a mãe converteu-se ao catolicismo e começou a dissuadir os filhos de praticar o siquismo.

      O pai não gostou disso e levou o caso ao tribunal na tentativa de conseguir maior autoridade para educar os filhos na religião sique. Qual foi a decisão da corte de primeira instância? Recusou o pedido do pai. Ela determinou que “quando os filhos estivessem com [ele], eles não poderiam, de forma voluntária ou involuntária, participar em nenhuma atividade sique, incluindo atividades da igreja, acampamento dos siques, ou creche mantida pelos siques”.

      O pai recorreu dessa decisão na Corte de Apelação do Novo México. Essa corte superior concordou com o pai e reverteu a decisão da corte de primeira instância. A corte de apelação declarou: “Os tribunais devem ater-se à diretriz de imparcialidade entre as religiões, e devem intervir nessa área delicada e protegida constitucionalmente somente quando existe evidência clara e afirmativa de dano aos filhos. Restrições nessa área apresentam o perigo de que limitações impostas por um tribunal violem, inconstitucionalmente, a liberdade de adoração de um pai ou mãe, ou ser consideradas como tendo esse efeito.”

      Tal decisão segue um longo precedente de princípios bem estabelecidos em muitos países. Um pai ou mãe razoável considerará esses princípios. Além disso, o cristão refletirá com cuidado na necessidade dos filhos de se relacionar com ambos os pais, bem como na obrigação do filho de honrar tanto a mãe como o pai. — Efésios 6:1-3.

      Mediação fora do tribunal

      Embora a mediação fora do tribunal possa ser menos formal do que uma audiência perante um juiz, não deve ser encarada como menos importante. Quaisquer acordos ou estipulações mútuas feitas nesse processo de guarda podem ser tornados obrigatórios por subseqüentes ordens do tribunal. Portanto, seria aconselhável a pessoa consultar um advogado de família experiente, para assegurar-se de que todos os assuntos pertinentes à guarda sejam tratados de forma apropriada e justa.

      Cada uma das partes deve tomar tempo para preparar-se para o processo de mediação. O comportamento e a conduta da pessoa durante o processo de mediação pode influir bastante no resultado. Com muita freqüência, casais em processo de separação estão emocionalmente tão envolvidos no divórcio em si que despercebem questões importantes como: O que é melhor para os filhos? De que os filhos precisam para o seu bom desenvolvimento mental, emocional e físico?

      Lembre-se de que, do ponto de vista legal, a questão primária na mediação é como os pais podem encontrar um denominador comum e elaborar um acordo para o bem dos filhos — não diferenças religiosas ou outras pessoais. É possível que a pessoa se depare com preconceitos religiosos ou outros, perguntas inesperadas, ou manipulações destinadas a perturbar e a confundir. As falhas de cada parte podem ser expostas ou mesmo exageradas. Quando os envolvidos mantêm a razoabilidade, contudo, pode-se chegar a um acordo.

      Às vezes, a mediação pode parecer demorada e frustrante. A alternativa é o processo moroso no tribunal, que significa publicidade embaraçosa, fardo financeiro e efeito prejudicial sobre os filhos. Isso com certeza é menos desejável. Como diante de todos os grandes problemas da vida, o cristão deve pedir ajuda a Deus ao entrar num processo de mediação, lembrando-se da exortação inspirada de ‘rolar seu caminho sobre Jeová e confiar nele, pois ele mesmo agirá’. — Salmo 37:5.

      Mas, e se não se conseguir chegar a uma solução e o juiz der guarda para o seu ex-cônjuge? E se este é alguém desassociado da congregação cristã? Também, como encarar a guarda conjunta e a unilateral? Essas perguntas e princípios bíblicos relacionados serão considerados no artigo seguinte.

  • Guarda dos filhos: a religião e a lei
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • Três qualidades importantes

      Um juiz da vara de família entrevistado por Despertai! disse que ele procura ver se a pessoa tem entre outras qualidades importantes, as seguintes três:

      Razoabilidade: disposição de permitir à outra parte o máximo acesso aos filhos (quando não existe ameaça de dano moral ou físico aos filhos).

      Sensibilidade: percepção das necessidades emocionais da criança.

      Autocontrole: capacidade de proporcionar um ambiente doméstico equilibrado e tranqüilo, que irá contribuir para o bom desenvolvimento da criança.

  • Guarda dos filhos: a religião e a lei
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • Diretrizes judiciais

      Estabelecendo diretrizes, alguns juízes têm tentado evitar disputas desnecessárias por causa de convicções religiosas. Por exemplo:

      1. Deve-se incentivar um relacionamento significativo entre a criança e ambos os pais. O ministro John Sopinka, da Suprema Corte do Canadá, disse que se deve permitir que tanto o pai como a mãe “se envolvam em atividades que contribuem para identificar a cada um deles pelo que realmente é [incluindo a prática de sua religião]. Não se espera que aquele que não tem a guarda desempenhe um papel ou assuma um estilo de vida que não reflete a realidade, durante os períodos que passa com os filhos”.

      2. Proibir que a parte que tem direito de visita ensine aos filhos suas crenças religiosas é uma violação de sua liberdade religiosa, exceto quando existe uma clara e afirmativa evidência de dano iminente e substancial aos filhos.

  • Guarda dos filhos: o conceito equilibrado
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • Guarda dos filhos: o conceito equilibrado

      COM freqüência, o verdadeiro desafio vem depois do divórcio, quando surge a disputa pela afeição e controle dos filhos. O ditado “Quando um não quer, dois não brigam”, nem sempre se aplica. Às vezes, para que surja uma disputa, basta que uma das partes seja dominadora e queira as coisas ao seu modo. Uma advogada da vara de família, de Toronto, Canadá, disse: “Tudo que se relaciona com direito de família é altamente emocional e mexe muito com os sentimentos.”

      Em vez de pensar no que é melhor para os filhos, há pais que continuam a brigar na justiça. Por exemplo, alguns tentaram provar que a guarda deveria ser tirada do ex-cônjuge por este ser Testemunha de Jeová, alegando que isso privaria a criança de ‘ter uma vida normal’.

      O ex-cônjuge que não é Testemunha de Jeová pode criar uma grande questão por causa de aniversários natalícios, Natal ou mesmo Dia das Bruxas. Alguns talvez aleguem que a associação e a integração social da criança será restringida se ela decidir não fazer continência à bandeira. Ou outros talvez sugiram que a criança sofrerá danos psicológicos por acompanhar o pai ou a mãe que fala a outros sobre a Bíblia. Alguns chegaram a alegar que a vida da criança seria colocada em perigo porque o ex-cônjuge, Testemunha de Jeová, não consentiria que a criança recebesse transfusão de sangue.

      Como deve o cristão enfrentar tais argumentos exaltados? Responder à altura e retribuir as farpas não leva a nada. Se o assunto for levado perante um juiz, ambas as partes terão oportunidade de se expressar e de ser ouvidas. É muito importante lembrar-se do conselho bíblico: “Lança teu fardo sobre o próprio Jeová, e ele mesmo te susterá. Nunca permitirá que o justo seja abalado.” (Salmo 55:22) Por meditar nisso e por aplicar princípios bíblicos, os pais podem, com a ajuda de Jeová, lidar com qualquer eventualidade que envolva a guarda de filhos. — Provérbios 15:28.

      Razoabilidade

      O importante é ter em mente o que é melhor para os filhos. Se a pessoa é muito exigente, ela pode perder a guarda e seus direitos de visita podem ser restringidos. A pessoa prudente se comporta de forma pacífica, lembrando-se do conselho bíblico: “Não retribuais a ninguém mal por mal. . . . Cedei lugar ao furor. . . . Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem.” (Romanos 12:17-21) Seja no tribunal, no escritório de um advogado ou diante de um avaliador de guarda de filhos, os pais precisam tornar sua ‘razoabilidade conhecida a todos os homens’. — Filipenses 4:5.

      Às vezes acontece que o ex-cônjuge tenta enganar outros apresentando distorções ou situações hipotéticas. É prudente controlar a tendência humana de reagir à altura desses ataques verbais. Saúde, religião e educação são assuntos favoritos que ex-cônjuges usam para fomentar discórdia numa audiência para conseguir a guarda dos filhos. — Provérbios 14:22.

      A razoabilidade inclui a habilidade de considerar os fatos e negociar um acordo justo. Nenhuma das partes deve esquecer-se de que, mesmo após o divórcio, os filhos são dos dois. Os pais se divorciaram um do outro, mas não dos filhos. Assim sendo, exceto em circunstâncias extremas, cada parte deve ter a liberdade de agir como pai ou mãe quando está com os filhos. Ambos devem ter a liberdade de expressar seus sentimentos e valores, e levar os filhos para participar de atividades lícitas, religiosas ou não, na sua companhia.

      Consideremos os possíveis resultados de uma audiência: (1) guarda conjunta, (2) guarda unilateral e (3) restrições dos privilégios de visita. Qual a diferença entre a guarda conjunta e a guarda unilateral? Como lidar com a situação quando se perde a guarda? E se uma das partes é alguém desassociado?

      Guarda conjunta

      Alguns juízes acham que é importante a criança manter contato com ambos os pais. O raciocínio deles se baseia em estudos que mostram que o divórcio dos pais pode ser menos estressante e doloroso para a criança quando os pais conseguem compartilhar a guarda. Em vez de sentir-se abandonada por um deles, a criança se sentiria amada por ambos e se relacionaria com duas famílias. “A guarda conjunta é uma maneira de manter ambos os pais envolvidos”, diz um advogado da vara de família.

      Contudo, a Dra. Judith Wallerstein, diretora executiva do Centro para a Família em Transição, em Corte Madera, Califórnia, avisa que, para que a guarda conjunta funcione, é preciso que os pais sejam cooperadores e a criança seja flexível e tenha facilidade de se relacionar com pessoas. Essas qualidades são essenciais porque na guarda conjunta ambos os pais retêm o direito legal de participar de decisões em questões importantes que envolvem saúde, instrução, educação religiosa e vida social da criança. Mas isso só funciona quando ambas as partes mantêm a razoabilidade em considerar o que é melhor para a criança, em vez de visar interesses pessoais.

      Guarda unilateral

      O tribunal pode conceder guarda unilateral àquele que, em sua opinião, está em melhores condições de cuidar da criança. O juiz pode decidir que a parte que detém a guarda tome todas as decisões sobre assuntos importantes visando o bem-estar da criança. Com freqüência, o tribunal decide depois de ouvir a avaliação dos assessores — em geral psicólogos, psiquiatras ou assistentes sociais.

      Os proponentes da guarda unilateral acham que esta dá maior estabilidade à criança. Quando os pais não conseguem, ou provavelmente não vão, manter uma boa comunicação entre si, muitos juízes do tribunal de primeira instância preferem este tipo de guarda. Naturalmente, a outra parte não fica excluída da vida dos filhos. Em geral lhe são concedidos direitos de visita, e ambas as partes podem continuar a prover à criança a necessária orientação, amor e afeto.

      Privilégios de visita

      Na questão da guarda de filhos, é irrealístico os pais acharem que há um lado “vencedor” e outro “perdedor”. Pais bem-sucedidos e “vencedores” são aqueles que vêem seus filhos se tornarem adultos maduros, competentes e respeitáveis. O sucesso na criação de filhos não está diretamente ligado à guarda legal. Por acatar as estipulações ordenadas pelo tribunal na questão da guarda, mesmo quando parecem injustas, o cristão mostra ‘sujeição às autoridades superiores’. (Romanos 13:1) É importante lembrar-se também de que não é hora de competir pela afeição ou lealdade dos filhos menosprezando o outro, numa tentativa de destruir o relacionamento dele com os filhos.

      Há exemplos bíblicos de pais tementes a Deus que, por diversos motivos, foram separados dos filhos. Por exemplo, Anrão e Joquebede, pais de Moisés, pensando no melhor para o seu filho, colocaram-no numa pequena arca flutuante “entre os juncos à beira do rio Nilo”. (Êxodo 2:3) Quando o menino foi salvo das águas pela filha de Faraó, eles continuaram a confiar em Jeová. Esses pais sábios e fiéis foram recompensados com generosos privilégios de “visita” que foram bem empregados para instruir o menino nos caminhos de Jeová. Moisés cresceu, vindo a se tornar um notável servo do verdadeiro Deus. — Êxodo 2:1-10; 6:20.

      E no caso de seu ex-cônjuge ser alguém desassociado? Deve o cristão permitir que ele visite os filhos? O processo de desassociação da congregação altera apenas a relação espiritual entre o indivíduo e a congregação cristã. De fato, rompe os laços espirituais. Mas a relação entre pais e filhos permanece. A parte que tem a guarda precisa respeitar os direitos de visita do desassociado. No entanto, se este constitui ameaça iminente ou substancial para o bem-estar físico ou emocional dos filhos, então o tribunal (não a parte que tem a guarda) poderá providenciar que os filhos sejam visitados com a supervisão de uma terceira pessoa.

      Você nunca está sozinho

      O divórcio e as subseqüentes disputas pela guarda dos filhos são experiências emocionalmente desgastantes. Uma união que começou de forma tão promissora se desfez, junto com os sonhos, os planos e as expectativas do casal. Por exemplo, a infidelidade ou abusos extremos podem forçar uma esposa leal a buscar proteção legal para ela e para os filhos. No entanto, sentimentos de culpa e incompetência podem persistir, quando ela pensa no que deu errado ou como o assunto poderia ter sido resolvido melhor. Muitos casais se preocupam com a reação dos filhos ao rompimento da família. A luta no tribunal pela guarda pode se transformar numa gangorra emocional, que não só coloca à prova a integridade da pessoa que se preocupa com os filhos, mas também a fé e a confiança da pessoa em Jeová. — Note Salmo 34:15, 18, 19, 22.

      O cônjuge inocente que resolve tomar ação porque o outro maltrata os filhos ou por ser vítima de abusos extremos — ou mesmo para proteger-se do risco de contrair do cônjuge infiel doenças sexualmente transmissíveis — não precisa sentir-se culpado ou abandonado por Jeová. (Salmo 37:28) O cônjuge infiel ou abusivo é que violou o contrato sagrado do matrimônio e ‘agiu traiçoeiramente’. — Malaquias 2:14.

      Continue a ‘ter uma boa consciência’ perante os homens e Jeová aplicando princípios bíblicos, sendo honesto nos tratos com o ex-cônjuge e mostrando flexibilidade nos acordos de guarda. “É melhor sofrerdes por fazer o bem, se for a vontade de Deus, do que por fazer o mal.” — 1 Pedro 3:16, 17.

      Quanto aos filhos, assegure-lhes que o rompimento da família não ocorreu por culpa deles. Às vezes, as coisas simplesmente não acontecem conforme planejamos. Mas a aplicação de princípios bíblicos pode amenizar o impacto do divórcio, incentivando um diálogo aberto e solidário entre pais e filhos. Por exemplo, pode-se fazer isso por se permitir aos filhos uma participação ativa no planejamento da vida familiar após o divórcio. Para ajudar os filhos a se ajustar aos novos esquemas de vida e moradia, é muito importante tratá-los com paciência e bondade, e interessar-se nos seus sentimentos, sendo bom ouvinte.

      Como outros podem ajudar

      Os pais não são os únicos que podem ajudar a criança quando ocorre o rompimento da família. Parentes, professores e amigos podem fazer muito para dar ajuda e apoio aos filhos do divórcio. Em especial, avós podem contribuir bastante para a estabilidade e o bem-estar emocional da criança.

      Os avós que são cristãos podem proporcionar à criança instrução espiritual e atividades saudáveis, mas precisam respeitar as decisões dos pais sobre educação religiosa, pois são os pais, não os avós, que têm autoridade moral e legal para tomar tais decisões. — Efésios 6:2-4.

      Com tal apoio, os filhos do divórcio podem sobreviver ao rompimento do casamento dos pais. E podem continuar a aguardar as bênçãos do novo mundo de Deus, onde todas as famílias estarão livres da ‘escravização à corrupção e terão a liberdade gloriosa dos filhos de Deus’. — Romanos 8:21; 2 Pedro 3:13.

  • Guarda dos filhos: o conceito equilibrado
    Despertai! — 1997 | 8 de dezembro
    • Corrigindo mal-entendidos

      “A língua dos sábios faz bem com o conhecimento”, e o pai ou a mãe cristãos têm uma excelente oportunidade de corrigir mal-entendidos e meias verdades. (Provérbios 15:2) Por exemplo, “as Testemunhas de Jeová aceitam tratamento médico e cirúrgico” para seus filhos, mas a Testemunha que tem a guarda dos filhos se reserva o direito ao consentimento esclarecido, para qualquer procedimento médico.a — The Journal of the American Medical Association.

      As Testemunhas de Jeová levam a sério sua religião baseada na Palavra de Deus, a Bíblia. Isso as torna melhores pais, mães, filhos, amigos, vizinhos e cidadãos. Os pais cristãos dão disciplina com amor, edificando respeito pela autoridade e instilando nos filhos valores corretos e bem alicerçados.b — Provérbios 13:18.

      A instrução secular é uma parte importante de educação dos filhos, e as Testemunhas de Jeová querem que seus filhos tenham o melhor que há disponível.c —Provérbios 13:20.

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