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Sozinha diante dos múltiplos desafiosDespertai! — 2002 | 8 de outubro
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A necessidade de ser razoável
Depois do divórcio, é bom que os filhos tenham contato regular tanto com o pai como com a mãe. Quando os pais têm diferentes crenças religiosas — digamos que a mãe seja Testemunha de Jeová e o pai não —, a comunicação regular e franca impedirá que haja conflitos desnecessários. “Tenham a reputação de ser razoáveis”, escreveu o apóstolo Paulo. (Filipenses 4:5, Phillips) Ensine os filhos a respeitar o direito de ambos os pais de praticar sua própria religião.
O pai que não é Testemunha de Jeová talvez insista em que o filho compareça aos ofícios religiosos de sua igreja. Como a mãe Testemunha de Jeová deve agir nesses casos? Ela também poderá transmitir suas crenças religiosas ao filho. Com o tempo, ele mesmo terá condições de tomar sua própria decisão na questão religiosa, assim como fez o jovem Timóteo, cuja mãe e avó provavelmente lhe ensinaram os princípios bíblicos. (2 Timóteo 3:14, 15) Se o filho se sente constrangido de participar de ofícios religiosos de outra religião, poderá lembrar-se do personagem bíblico Naamã. Este homem, depois de se tornar adorador do verdadeiro Deus, continuou a cumprir com suas atribuições, acompanhando o rei que prestava culto na casa de Rimom. O relato pode ajudar a criança a entender que Jeová a ama e compreende sua situação, mesmo que seja obrigada pelas circunstâncias a comparecer a cerimônias religiosas às quais não está acostumada. — 2 Reis 5:17-19.
A mãe bem-sucedida consegue moldar o pensamento dos filhos e entender seus sentimentos. (Deuteronômio 6:7) É verdade que mães solteiras talvez se sintam envergonhadas do seu passado. No entanto, elas precisam lembrar-se de que os filhos têm dois pais biológicos. Os filhos querem conhecer os dois pais e precisam sentir que são amados, não que são uma carga. A mãe pode reafirmar seu amor por falar-lhes com respeito sobre o pai e fornecer respostas apropriadas para a idade ou que eles precisam saber.
É preciso lembrar que as primeiras impressões da criança sobre amor, autoridade e poder são moldadas por sua relação com os pais. Por exercer sua autoridade de forma amorosa e firme, a mãe cristã pode contribuir muito para que a criança desenvolva amor por Jeová e respeito pelos procedimentos congregacionais. — Gênesis 18:19.
É essencial a cooperação dos filhos
Os filhos também precisam entender que sua cooperação é essencial para a felicidade e o bem-estar da família. (Efésios 6:1-3) Por respeitarem a autoridade da mãe, demonstram que apreciam e valorizam o esforço adicional que ela faz para prover certa medida de conforto e felicidade no lar. E visto que a comunicação envolve interação, devem lembrar-se de que precisam estar dispostos a corresponder ao esforço da mãe de manter uma boa comunicação na família. — Provérbios 1:8; 4:1-4.
Tais filhos com freqüência precisam assumir responsabilidades mais cedo do que em famílias onde o pai e a mãe estão presentes. Quando a instrução é dada com amor e paciência, eles podem adquirir as habilidades necessárias para a vida, ganhando autoconfiança e amor-próprio. Também, algumas tarefas domésticas podem ser delegadas a eles para que possam colaborar para o suave andamento da rotina no lar.
Isso não significa fazer dos filhos pequenos adultos auto-suficientes, que não precisem de orientação parental. Certamente, é imprudente deixar a criança só e sem supervisão.
Mães que criam os filhos sozinhas às vezes cometem o erro de tratar os filhos como amigos e companheiros da mesma idade. Embora seja importante ter uma relação achegada com eles, ela deve lembrar-se de que os filhos precisam de uma mãe e não têm madureza emocional para ser confidentes de igual para igual. Seus filhos precisam que você aja como mãe!
Mães e filhos que estabelecem uma relação de cooperação e amor podem contribuir muito para que a família seja bem-sucedida e feliz. Ao passo que aumenta o número de filhos criados só pela mãe, todos devem se conscientizar dos desafios inerentes a essa situação e estar dispostos a dar-lhes bondoso apoio e encorajamento.
[Quadro/Foto na página 9]
Efeitos sobre os filhos
Os filhos que são criados só pela mãe em geral recebem menos tempo e atenção em comparação com filhos criados em famílias convencionais. Às vezes a mãe vive com um companheiro que não é o pai biológico de seus filhos. Uma vez que relacionamentos desse tipo são menos estáveis do que casamentos, é mais provável que os filhos acabem convivendo com diversos “padrastos” durante a sua vida.
Segundo alguns estudos, “crianças em famílias uniparentais possivelmente terão vidas menos saudáveis, em média, do que crianças em famílias intactas”. Mas uma análise mais detida desses estudos mostra que a renda é “o fator que mais contribui para a disparidade entre crianças de diferentes estruturas familiares”. Isso naturalmente não quer dizer que filhos criados só pela mãe estejam destinados ao fracasso. Com a devida orientação e educação, eles podem superar suas dificuldades e ser bem-sucedidos na vida.
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Sozinhos, mas não solitáriosDespertai! — 2002 | 8 de outubro
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Sozinhos, mas não solitários
“Não há nada que se compare à alegria de ver meus filhos chegar em casa, me dar um abraço e dizer: ‘Mãe, eu amo você.’” — DORIS, MÃE QUE CRIA DOIS FILHOS SOZINHA.
QUEM está só na tarefa de criar filhos pode encontrar consolo na seguinte declaração da Bíblia: “Os filhos são um presente do Deus Eterno.” (Salmo 127:3, Bíblia na Linguagem de Hoje) Os filhos criados em famílias uniparentais também são preciosos aos olhos de Deus. O Criador deseja que essas famílias também sejam felizes. A Bíblia diz a respeito dele: “Alivia o menino órfão de pai e a viúva.” (Salmo 146:9) O pai ou a mãe que criam os filhos sozinhos podem estar certos de que Deus está pronto a ajudá-los.
Toda criança tem o direito de crescer num ambiente de amor e segurança, que lhe permita desenvolver-se física, emocional e espiritualmente. Educar os filhos é tanto um dever como um privilégio que Deus concede aos pais.
Muitas mulheres chefes de família constataram que criar os filhos sozinhas requer fervorosas orações, constante aplicação dos princípios bíblicos e total confiança em Jeová. Isso está em harmonia com a exortação da Bíblia que se acha no Salmo 55:22: “Lança teu fardo sobre o próprio Jeová, e ele mesmo te susterá.”
Vez por outra, avós, anciãos locais e pais experientes da congregação cristã podem dar apoio a famílias sem pai ou sem mãe que estejam passando por situações muito provadoras. Sem dúvida nenhuma, familiares e companheiros de adoração podem ser de grande ajuda, mas, em última análise, a responsabilidade recai sobre o genitor.a
Felizmente, muitas mães e pais sem cônjuge conseguiram superar as dificuldades peculiares à sua situação e criar filhos responsáveis, bem-comportados e que temem a Deus. Despertai! entrevistou várias pessoas nessa situação. Veja a seguir o que elas têm em comum:
• Boa administração da casa. Elas se esforçam a ser bem-organizadas e conciliar as diversas responsabilidades. Planejamento adequado e boa organização são essenciais. A Bíblia diz: “Os planos do diligente seguramente resultam em vantagem.” — Provérbios 21:5.
• Comprometimento. A vida familiar é sua prioridade. Colocam as necessidades dos filhos acima das suas. — 1 Timóteo 5:8.
• Equilíbrio. Não minimizam nem exageram os problemas, mas buscam soluções. Aceitam as dificuldades e procuram lidar com elas sem ter pena de si mesmas nem ressentimento.
• Boa comunicação. Promovem a comunicação. Incentivam os filhos a se expressar de forma franca e aberta sobre o que pensam e sentem. Certo pai que cria os filhos sozinho diz: “Converso com eles em todas as oportunidades. A hora de preparar o jantar é um momento de grande intimidade. É nessas horas que eles se abrem comigo.”
• Cuidar de si mesmo. Apesar de sempre disporem de pouco tempo, reconhecem que é importante cuidar de suas próprias necessidades espirituais, emocionais e físicas. Ethel, que é divorciada e tem dois filhos, explicou: “Procuro reservar um tempo para mim. Por exemplo, enquanto uma amiga dá aulas de música para meus filhos, tenho uma hora só para mim. Eu me sento e deixo a TV desligada.”
• Atitude positiva. Têm uma atitude positiva para com os filhos e a vida em geral. Conseguem enxergar o lado bom das coisas mesmo em situações de estresse. Uma mãe que cria os filhos sozinha diz: “Eu me dei conta de que ser chefe de família não é nenhum bicho-de-sete-cabeças.”
Histórias de sucesso
Será que esses princípios funcionam? Sem dúvida. O depoimento de muitas pessoas que foram bem-sucedidas em criar os filhos sozinhas comprova isso. Gloria, a mãe divorciada da Inglaterra mencionada no primeiro artigo, criou sozinha dois filhos e uma filha. Os três se tornaram ministros cristãos por tempo integral, dedicando sua vida a promover a educação bíblica. Quando indagada sobre o que a ajudou a ser bem-sucedida, ela explicou: “O primeiro desafio foi manter um estudo familiar da Bíblia regular e interessante. Eu queria que meus filhos fossem felizes, tivessem paz mental, contentamento e estivessem protegidos dos perigos. Arrumei um emprego em que trabalhava de noite. Eu queria estar na companhia dos meus filhos sempre que possível. Antes de ir ao trabalho, orávamos em família e eu os levava para a cama. Minha tia ficava em casa enquanto eu estava no trabalho.”
Como Gloria ajudou os filhos a estabelecer prioridades corretas? “Meu maior alvo era colocar as coisas espirituais em primeiro lugar. Não tínhamos muito dinheiro e eu falava francamente com meus filhos sobre isso. E também nunca exigia deles o que eu mesma não fizesse, e todos colaboravam.” Lembrando-se do que a ajudou a manter a família unida, Gloria diz: “O segredo era fazermos as coisas juntos. Ninguém ficava trancado no quarto. Cozinhávamos, fazíamos a limpeza e a decoração juntos. Procurávamos manter uma rotina equilibrada. E também nunca deixei de prover recreação.”
Carolyn cria sozinha o filho Joseph. Ela está feliz com o progresso dele. Qual é o seu segredo? “Lemos a Bíblia juntos na hora de ir para a cama”, diz ela, “e pergunto a ele o que aprendeu. Além disso, consideramos alguns parágrafos selecionados de publicações baseadas na Bíblia e analisamos que proveito podemos tirar deles. Isso ajuda Joseph quando ele está enfrentando problemas, como, por exemplo, a intimidação de colegas na escola”. Carolyn admite que sua vida não é nada fácil, mas não se sente solitária. “É uma batalha constante, mas sinto que Jeová tem me ajudado muito. Além disso, recebo bastante encorajamento da congregação cristã.”
As histórias de milhares de pessoas que são bem-sucedidas em criar os filhos sozinhas, como no caso de Gloria e Carolyn, provam que os que são pais podem confiar nos princípios eternos e infalíveis sobre como criar filhos ótimos e espiritualmente fortes. (Provérbios 22:6) É possível ser bem-sucedido! Ser o único esteio da família apresenta muitos desafios que podem ser encarados como oportunidades para a pessoa crescer espiritualmente. A melhor maneira de lidar com as diversas pressões peculiares a essa situação é depositar plena confiança em Deus e na certeza de que ele proverá a necessária ajuda. — Salmo 121:1-3.
[Nota(s) de rodapé]
a Para mais informações sobre como ter êxito nesse empreendimento, veja O Segredo de Uma Família Feliz, capítulo 9, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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