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  • Os anos de formação — quando mais se precisa do melhor
    Despertai! — 1992 | 22 de setembro
    • Os anos de formação — quando mais se precisa do melhor

      JÁ SE disse que os filhos são “uma herança da parte de Jeová”. E também que são “como mudas de oliveiras ao redor da tua mesa”. (Salmo 127:3; 128:3) Os pais são instruídos a ‘prosseguir em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová’. — Efésios 6:4.

      Se há de controlar o crescimento de oliveiras para que produzam bem, o tempo para isso é enquanto são ‘como mudas ao redor da sua mesa’. A árvore cresce conforme a mudinha é direcionada. Se pretende instruir os filhos para que se ajustem aos caminhos de Deus, a melhor época para isso é desde a infância. “Ensina a criança no caminho que deve andar, e mesmo quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22:6, A Bíblia de Jerusalém; 2 Timóteo 3:15) Na infância, o cérebro assimila informações com grande rapidez, mais depressa do que jamais fará novamente. É a ocasião oportuna para você fazer o melhor pelos filhos.

      Masaru Ibuka, fundador da Companhia Sony, escreveu o livro Kindergarten is Too Late! (O Jardim-de-Infância já É Tarde Demais!). Na capa, havia as palavras: “O potencial de aprendizagem do seu filho é maior nos primeiros dois ou três anos de vida. Portanto, não espere . . . O Jardim-de-Infância já É Tarde Demais!”

      No prefácio, Glenn Doman, diretor dos Institutos para a Plena Utilização do Potencial Humano, diz: “O livro maravilhoso e não dogmático do Sr. Ibuka de forma alguma faz declarações sensacionais. Ele simplesmente sugere que as criancinhas têm dentro de si a capacidade de aprender praticamente qualquer coisa enquanto são pequeninas. Sugere que aquilo que aprendem sem nenhum esforço consciente aos dois, três ou quatro anos só pode ser aprendido, mais tarde, com grande esforço, ou talvez nunca. Sugere que o que os adultos aprendem com dificuldade as crianças aprendem com prazer. Sugere que as coisas que os adultos aprendem lentamente as criancinhas aprendem quase num piscar de olhos. Sugere que os adultos às vezes evitam aprender, ao passo que as criancinhas preferem aprender em vez de comer.”

      O motivo de Ibuka dizer que o jardim-de-infância é tarde demais é que nessa época já passaram os melhores anos para a criança aprender. Mas há outro motivo. Atualmente, o colapso moral já chegou ao jardim-de-infância, e, antes de a criança passar a freqüentá-lo, os pais precisam incutir nela um forte código de moral para protegê-la da contaminação.

      Essa necessidade fica evidente diante do que relatam os pais dum menino de seis anos, que havia acabado de ingressar no jardim-de-infância. “Na primeira semana de jardim-de-infância, nosso filho era assediado sexualmente por outro menino durante os 15 minutos de viagem no ônibus escolar. Isso continuou por vários dias. Não era só brincadeira de criança ou brincar de médico, mas era um comportamento anormal e explícito.

      “Muitas crianças da classe do nosso filho assistem com os pais a filmes proibidos para menores. Talvez os pais achem mais seguro levá-las ao cinema do que deixá-las em casa aos cuidados questionáveis duma babá. Algumas crianças assistem a esses filmes na televisão a cabo ou nas fitas de vídeo que os pais mantêm em casa.

      “Algo chocante que aconteceu em nossa própria casa marcou-nos muito com respeito ao valor de incutir princípios de moral em nosso filho nos anos de formação, desde a infância. Junto com alguns convidados adultos, havia uma menina de quatro anos. Ela e nosso filho, que fora cuidadosamente instruído para saber que sexo é apenas para adultos casados, estavam na sala de brinquedos. Ela quis brincar de namorados e disse que ele devia deitar-se. Quando ele inocentemente fez isso, ela se deitou em cima dele. Ele ficou assustado e exclamou: ‘Isto é só para os casados!’ Enquanto ele se livrava dela e saía correndo da sala de brinquedos, ela falou alto: ‘Não conte a ninguém!’” — Veja Gênesis 39:12.

      Relatamos a seguir algumas das coisas que acontecem tanto no centro como na periferia das cidades — coisas contra as quais seus filhos pequenos devem ser protegidos desde a infância.

      Dois meninos de sete anos foram acusados de estuprar uma menina de seis anos no banheiro duma escola pública. Três garotos, de seis, sete e nove anos, fizeram investidas sexuais contra uma menina de seis anos. Um garoto de oito anos abusou sexualmente de um menino do jardim-de-infância. Um garoto de 11 anos foi acusado de estuprar uma menininha de dois anos. Alguns terapeutas dizem que esses pequenos delinqüentes muitas vezes foram vítimas de abusos sexuais quando bem novos.

      Isso foi confirmado no caso de um garotinho. Quando era bebê, sua tia, de 20 anos, usava-o para praticar sexo oral. Ele sofreu esse abuso sexual desde que tinha um ano e meio até dois anos e meio. Dois ou três anos depois, ele já molestava menininhas. Ao entrar na escola, continuou fazendo isso e foi expulso na primeira série e novamente na segunda série.

      A Necessidade de Orientação Precoce

      Não darem os pais a devida orientação nos anos de formação prepara o terreno para a delinqüência, que pode abrir caminho para crimes ainda mais graves: vandalismo, assalto a residências e assassinato. Seguem-se alguns exemplos disso.

      Três meninos de seis anos saquearam a casa de um coleguinha, danificando praticamente todos os aposentos. Um vândalo de nove anos foi acusado de danos criminosos, além de assalto a residências, de ameaçar outro menino com faca e de atear fogo nos cabelos duma menina. Dois garotos de 11 anos meteram um revólver de nove milímetros na boca de outro de 10 anos e roubaram-lhe o relógio. Um menino de 10 anos atirou numa menina de sete anos, matando-a, porque discutiram a respeito dum videogame. Outro, também de 10 anos, atirou no coleguinha e escondeu o corpo debaixo da casa. Um menino de cinco anos matou um bebê, empurrando-o do quinto andar, no vão das escadas. Um rapazinho de 13 anos juntou-se a dois jovens para raptar um menino de sete anos a fim de tirar dinheiro da família, mas, mesmo antes de telefonarem à família pedindo o resgate, eles enterraram a criança, viva.

      Além disso, como último exemplo, há o horror causado por gangues de adolescentes, armadas, perambulando pelas ruas, travando tiroteios, balas zunindo, matando não só uns aos outros, mas também crianças e adultos inocentes pegos no fogo cruzado. Elas terrorizam muitos bairros nas grandes cidades — só no condado de Los Angeles, “há mais de 100.000 integrantes de mais de 800 gangues identificáveis”. (Revista Seventeen, agosto de 1991) Muitos vêm de lares desfeitos. A gangue se torna sua família. Muitos acabam presos. Muitos outros morrem. Os seguintes trechos de três cartas escritas na prisão são típicos.

      Primeiro: ‘Estou no reformatório por tentativa de assalto. Estávamos em quatro. Daí vieram os homens [policiais]. Dois manos [membros da gangue] correram para um lado, eu e outro mano fomos noutra direção, mas os pastores-alemães que nos pegaram foram mais rápidos. Quando eu sair daqui, espero um dia ser alguém especial. Para mim sempre foi muito difícil ir à escola e tirar nota boa. Mas, cara, não tem nada pior do que ficar na cadeia!’

      Segundo: ‘Cheguei do México com apenas oito anos. Com 12, eu era duma gangue. Com 15, estava nisso até o pescoço. Eu costumava atirar nos outros ao passar de carro. Andava sempre armado. Com 16 anos, fui baleado e quase morri. Dou graças ao Senhor que não me quis ainda, porque eu não estava preparado para encontrá-lo. Agora mesmo tenho buracos de bala nas pernas. Por isso meu conselho é: não entre numa gangue!!! ou então vai ficar sozinho e aleijado numa cela, como eu!’

      Terceiro: ‘Sou bem conhecido como membro duma gangue desde os 11 anos. Já fui esfaqueado quatro vezes, baleado três vezes, e jogado na cadeia e espancado tantas vezes que perdi a conta. Para mim só falta a morte, mas estou preparado para isso todo dia desde que fiz 13 anos, e agora tenho 16. Estou cumprindo oito meses e daqui a uns dois anos vou estar morto, mas você pode evitar tudo isso se não entrar numa gangue.’

      Aproveite o Tempo Oportuno

      O objetivo de tudo isso, porém, não é dizer que não instruir os filhos durante os anos de formação resultará necessariamente nesses crimes terríveis. Mas não o fazer pode levar à conduta desordeira, que pode chegar à delinqüência, e, se isso não for reprimido, a delinqüência pode acabar em conduta criminosa, prisão e morte.

      E é bem mais fácil reprimir quaisquer dessas tendências nos filhos na pré-adolescência do que esperar até que sejam adolescentes. De fato, a época de começar é antes do jardim-de-infância, nos anos de formação, quando ficam a maior parte do tempo com você, antes que influências externas disputem a atenção deles. Se você não se achegar a eles na infância, eles talvez não permitam que você se achegue a eles na adolescência. Talvez descubra que outros jovens o substituem. Portanto, o conselho para os pais é: não negligenciem os filhos nos anos de formação, época em que fazer o melhor por eles produzirá os mais excelentes frutos, para a sua bênção e a deles. — Veja Mateus 7:16-20.

  • Os anos de formação — o que você semear agora, colherá depois
    Despertai! — 1992 | 22 de setembro
    • Os anos de formação — o que você semear agora, colherá depois

      O CÉREBRO do bebê é como uma esponja que absorve o que o cerca. Em dois anos, o bebê aprende uma língua complexa só de ouvir. Se ouve duas, aprende ambas. Não só línguas, mas também habilidades musicais e artísticas, coordenação muscular, valores morais e consciência, fé e amor, o impulso de adorar — tudo se origina de capacidades e potenciais pré-programados no cérebro do bebê. O cérebro apenas aguarda informações procedentes do meio exterior para se desenvolver. Além disso, existe o momento certo para essas informações serem introduzidas, de modo que se obtenham os melhores resultados, e essa época vantajosa é durante os anos de formação.

      O processo começa por ocasião do nascimento. Chama-se vinculação. A mãe olha com amor para os olhinhos do bebê, fala ternamente com ele, o abraça e acaricia. Os instintos maternos são estimulados à medida que o bebê olha fixamente para ela e se sente seguro. Se nesse momento ela o amamenta, tanto melhor para ambos. O contato da pele do bebê provoca a liberação de hormônios que reduzem a hemorragia pós-parto da mãe. O leite materno contém anticorpos que protegem o bebê de infecções. Ocorre a vinculação. É o começo dum relacionamento de amor. Mas só o começo.

      A dupla logo se torna um trio, quando o pai entra em cena, como certamente deve fazer. “Toda criança precisa . . . de pai”, diz o Dr. T. Berry Brazelton, “e todo pai pode fazer diferença. . . . As mães tendiam a ser meigas e ternas com os bebês. Os pais, por outro lado, eram mais brincalhões, fazendo cócegas e cutucando os bebês mais do que as mães o faziam”. Os bebês reagem a essas brincadeirinhas do pai com entusiasmados gritinhos e gargalhadas de prazer, divertindo-se animadamente e pedindo mais. É uma continuação da vinculação iniciada por ocasião do nascimento, ‘uma ligação de amor entre os pais e o filho que se faz ou se perde com a maior naturalidade nos primeiros dezoito meses de vida do bebê’, diz o Dr. Magid, co-autor do livro High Risk: Children Without a Conscience (Alto Risco: Crianças sem Consciência). Se essa ligação for perdida, diz ele, as crianças talvez cresçam sem a habilidade de desenvolver relacionamentos pessoais e sem a capacidade de amar.

      Mãe e Pai Participam da Vinculação

      Assim, quão importante é que a mãe e o pai colaborem em fortalecer essa ligação de amor, a vinculação e o apego entre os pais e o filho nos anos de formação, antes do jardim-de-infância! Que o pai e a mãe lhe dêem muitos abraços e beijos. Sim, os papais também! A revista Men’s Health, de junho de 1992, diz: “Abraços e afeição física dos pais são forte indício de que no futuro a criança terá amizades, casamento e carreira bem-sucedidos, diz um estudo de 36 anos, publicado na revista Journal of Personality and Social Psychology. Setenta por cento das crianças cujos pais eram afetuosos saíram-se bem socialmente, em comparação com apenas 30 por cento das crianças cujos pais eram distantes; e se constatou que os abraços do papai eram tão importantes como os da mamãe.”

      Além disso, segurem o bebê ao se balançarem numa cadeira de balanço. Leiam para ele enquanto ele se sente seguro no colo. Conversem com ele e escutem-no, instruam-no no que é certo e errado, e certifiquem-se de ser bons exemplos, praticando esses princípios. E sempre se lembrem da idade da criança. Mantenham as coisas simples e interessantes, tornem-nas divertidas.

      Seu filho tem uma curiosidade natural, um desejo de explorar, de aprender tudo sobre o que o cerca. Para satisfazer essa ânsia de saber, ele o assedia com uma enxurrada de perguntas. O que provoca o vento? Por que o céu é azul? Por que fica vermelho quando o sol se põe? Responda. Nem sempre é fácil. Essas perguntas são um convite para você influenciar a mente do filho, para lhe transmitir informações, talvez para incutir apreço por Deus e sua criação. É uma joaninha a rastejar numa folha que o fascina? Ou uma florzinha? Ou observar uma aranha tecer a teia? Ou apenas cavar na terra? E não deixe de ensinar com historinhas, como Jesus fez com suas parábolas. Isso torna agradável o aprendizado.

      Em muitos casos, ambos os pais precisam trabalhar fora para arcar com as despesas. Podem fazer um esforço especial para passar algumas horas da noite e dos fins de semana com os filhos? É possível a mãe trabalhar apenas meio período para ficar mais tempo com os filhos? Existem muitos pais e mães sem cônjuge hoje, e eles têm de trabalhar para sustentar a si e aos filhos. Podem ser constantes em dedicar aos filhos tantas horas da noite e fins de semana quanto possível? Em muitos casos, as mães precisam passar uma parte do tempo longe dos filhos. Mesmo quando são válidos os motivos para esse distanciamento, a criancinha não entende isso e pode sentir-se abandonada. Portanto, é preciso fazer esforço especial para arranjar tempo para o filho.

      Mas o que é, exatamente, esse “tempo de qualidade” de que se ouve falar? Pais ocupados talvez passem 15 ou 20 minutos, dia sim dia não, com o filho, talvez uma hora no fim de semana, e acham que isso é tempo de qualidade. É isso adequado para as necessidades da criança? Ou visa tranqüilizar a consciência do pai ou da mãe? Ou é um desencargo de consciência da mãe que trabalha fora em busca de auto-realização, enquanto deixa o filho não realizado? Mas você diz: ‘Francamente, sou tão ocupado que simplesmente não tenho esse tempo todo.’ É uma pena, e é muito lamentável para você e para seu filho, porque não há atalhos. Arrume tempo durante os anos de formação, ou prepare-se para ceifar um conflito de gerações na adolescência.

      Não se trata só dos possíveis prejuízos causados à criança deixada na creche, mas também da perda que os pais sofrem por não desfrutarem a companhia da criança à medida que cresce. A criança nem sempre entende os motivos de ser deixada só; talvez se sinta negligenciada, rejeitada, abandonada, desamada. Na adolescência, talvez já se tenha apegado a outros jovens para substituir os pais, que estão ocupados demais para ela. O jovem talvez até passe a ter vida dupla, uma para tranqüilizar os pais e outra para agradar a si mesmo. Palavras, explicações, desculpas — nada supera o conflito. Falarem os pais sobre amor já não tem genuinidade para o adolescente, negligenciado nos anos em que mais precisava deles. Uma conversa sobre amor soa agora falsa, as palavras parecem insinceras. Assim como a fé, o amor da boca para fora, sem obras, está morto. — Tiago 2:26.

      Mesmo Agora Ceifamos o Que Semeamos

      Nesta geração de primeiro-eu, o egoísmo está em alta, e é evidente em especial no abandono dos filhos. Nós os trazemos ao mundo e depois os colocamos em creches. Algumas creches talvez sejam boas para crianças, mas muitas não são, especialmente não para criancinhas. Algumas chegam a ser investigadas por abuso sexual de crianças. Certo pesquisador disse: “No futuro, sem dúvida alguma, teremos problemas que farão os de hoje parecer uma reuniãozinha para tomar chá.” A “reuniãozinha para tomar chá”, hoje em dia, já é horrenda, como revelam estatísticas apresentadas pelo Dr. David Elkind, em 1992:

      “Houve um aumento de 50 por cento em obesidade em crianças e adolescentes nas últimas duas décadas. Perdemos uns dez mil adolescentes por ano em acidentes provocados pelo uso de substâncias viciadoras, sem incluir os feridos e os mutilados. Um em quatro adolescentes bebe em excesso a cada duas semanas, e há dois milhões de adolescentes alcoólatras.

      “As adolescentes nos Estados Unidos engravidam à razão de um milhão por ano, duas vezes o índice do país ocidental que ocupa a segunda posição nessa estatística, a Inglaterra. O suicídio triplicou entre os adolescentes nos últimos 20 anos; entre cinco e seis mil adolescentes tiram sua vida anualmente. Estima-se que uma em cada quatro moças manifesta pelo menos um sintoma de distúrbio alimentar, mais comumente um rigoroso regime. De todas as faixas etárias, o grupo de 14 a 19 anos tem a segunda maior taxa de homicídio.”

      Acrescente a essas assustadoras estatísticas a matança de mais de 50 milhões de bebês ainda no útero, e a atual “reuniãozinha para tomar chá” desafia qualquer descrição. Considerando o colapso das famílias, o Dr. Elkind disse: “A rápida mudança social é uma catástrofe para crianças e jovens, que precisam de estabilidade e segurança para um crescimento e desenvolvimento saudáveis.” Certo escritor sobre o egoísmo do primeiro-eu clamou em protesto: “Mas ninguém está disposto a dizer aos casais: Vocês devem permanecer casados. Se têm filhos, permaneçam casados!”

      Amar um filho exige tempo. Anos atrás, Robert Keeshan, comunicador infantil conhecido como Capitão Canguru, alertou para as conseqüências de não dedicar tempo aos filhos. Ele disse:

      “Uma menininha, com dedão na boca, boneca nos braços, aguarda com certa impaciência a chegada de um dos pais. Ela quer contar alguma pequena experiência que teve no caixote de areia. Sente-se empolgada para partilhar a emoção que teve naquele dia. Dá a hora, o pai chega. Arrasado pelo estresse do local de trabalho, o pai muitas vezes diz à menininha: ‘Agora não, querida. Estou ocupado, vá ver televisão.’ Essas são as palavras mais faladas em muitas famílias americanas: ‘Estou ocupado, vá ver televisão.’ Se agora não, quando? ‘Mais tarde.’ Mas esse mais tarde raramente acontece . . .

      “Passam-se os anos, e a menininha cresce. Damos-lhe brinquedos e roupas. Damos-lhe roupas de marca e um aparelho de som, mas não lhe damos aquilo que ela mais quer, nosso tempo. Ela agora tem quatorze anos, seus olhos estão vidrados, ela está envolvida em alguma coisa. ‘Querida, o que está acontecendo? Fale comigo, fale comigo.’ Tarde demais. Tarde demais. O amor já passou por nós e se foi. . . .

      “Quando dizemos a um filho: ‘Agora não, mais tarde’; quando dizemos: ‘Vá ver TV’; quando dizemos: ‘Não faça tantas perguntas’; quando deixamos de dar aos nossos jovens a única coisa que eles requerem de nós, nosso tempo; quando deixamos de amar um filho; não é que não nos importamos, simplesmente estamos ocupados demais para amar um filho.”

      É Preciso Tempo em Quantidade

      O ideal não é simplesmente dedicar “tempo de qualidade” em parcelas restritas; tem de incluir também “tempo em quantidade”. A Bíblia, que contém muito mais sabedoria do que todos os livros já escritos sobre psicologia, diz em Deuteronômio 6:6, 7: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” Você tem de incutir no coração dos filhos os genuínos valores da Palavra de Deus que estão no seu coração. Se você vive de acordo com eles, seu filho o imitará.

      Lembra-se do provérbio citado no segundo parágrafo do artigo anterior? É este: “Ensina a criança no caminho que deve andar, e mesmo quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22:6, A Bíblia de Jerusalém) Isso só ocorre quando a instrução em valores é interiorizada, isto é, colocada dentro dele, tornada parte do seu modo de pensar, de seus sentimentos íntimos, do que ele é interiormente. Acontece apenas se esses valores não só lhe são ensinados pelos pais, mas também praticados.

      Ele os assimila como modo de vida. Este se torna seu padrão pessoal, que faz parte de si. Contrariar esses valores não seria contrariar o que seus pais lhe ensinaram, mas o que ele próprio se tornou. Seria desonesto consigo. Negaria a si mesmo. (2 Timóteo 2:13) Há uma profunda relutância a fazer isso a si mesmo. Assim, é bem menos provável que ele ‘se desvie do caminho’ que se incutiu nele. Portanto, deixe que seus filhos assimilem sua conduta excelente. Ensine bondade mostrando bondade; boas maneiras, praticando-as; meiguice, sendo meigo; honestidade e veracidade, exemplificando-as.

      O Arranjo de Jeová

      A unidade familiar foi o arranjo de Jeová para o homem desde o princípio. (Gênesis 1:26-28; 2:18-24) Depois de seis mil anos de história humana, ele ainda é reconhecido como o melhor para adultos e crianças, como confirma o livro Secrets of Strong Families (Segredos das Famílias Fortes) nas seguintes palavras:

      “Talvez algo bem no nosso íntimo se dê conta de que a família é o alicerce da civilização. Talvez saibamos instintivamente, ao chegarmos a uma conclusão sobre a vida, que as coisas importantes não são dinheiro, carreira, fama, uma boa casa, terras ou bens materiais — são as pessoas em nossa vida, que nos amam e se importam conosco. O que realmente conta são as pessoas em nossa vida, que estão envolvidas conosco e em quem podemos confiar para ter apoio e ajuda. Em nenhum lugar o potencial para amor, apoio, atenção e desvelo, pelos quais todos nós ansiamos, é maior do que na família.”

      Assim, é importante ser diligente em semear instrução excelente agora, nos anos de formação, para que a colheita no futuro, para você e seus filhos, seja uma vida feliz em família. — Compare com Provérbios 3:1-7.

      [Quadro na página 10]

      Que Pai ou Mãe Serei?

      “Tirei duas notas 10”, gritou o menininho, com a voz cheia de alegria. O pai respondeu rudemente: “Por que não tirou mais?” “Mamãe, lavei os pratos”, falou a garotinha na porta da cozinha. A mãe disse com calma: “Já levou o lixo para fora?” “Cortei a grama”, disse o rapazinho esguio, “e guardei o cortador de grama”. Dando de ombros, o pai lhe perguntou: “Aparou também a cerca viva?”

      As crianças do vizinho parecem felizes e satisfeitas. As mesmas coisas aconteceram lá, assim:

      “Tirei duas notas 10”, gritou o menininho, com a voz cheia de alegria. O pai disse, orgulhoso: “Ótimo; fico feliz por você ter-se saído tão bem.” “Mamãe, lavei os pratos”, falou a garotinha na porta da cozinha. A mãe sorriu e disse ternamente: “Cada dia eu a amo mais.” “Cortei a grama”, disse o rapazinho esguio, “e guardei o cortador de grama”. O pai disse alegremente: “Estou orgulhoso de você.”

      As crianças merecem pequenos elogios pelas tarefas que realizam todo dia. Para que sejam felizes na vida, muito depende de você.

      [Fotos na página 7]

      O pai se junta à mãe no processo de vinculação.

      [Foto na página 8]

      À medida que a imaginação se desenvolve, um menino correndo com os braços abertos é um avião nas alturas, uma caixa de papelão vira uma casa para brincar de casinha, um cabo de vassoura se torna um corcel fogoso, uma cadeira é o assento do piloto de um carro de corrida.

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