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  • A ceifa da cristandade na África
    A Sentinela — 1992 | 1.° de setembro
    • “O cristianismo”, afirma o Dr. J. H. Kane, em A Concise History of the Christian World Mission (História Concisa da Missão Cristã Mundial), “fez mais conversos na África Negra do que em todo o resto do Terceiro Mundo”. Todavia, são esses conversos realmente cristãos? “Um grande perigo na igreja africana”, admite o Dr. Kane, “é o cristopaganismo”. Também a sua expressão “igreja africana” é um termo errado. Há literalmente milhares de igrejas africanas, cada qual com seu próprio modo de adorar. Por quê?

      Lançadas Sementes de Desunião

      As sementes de desunião foram lançadas mesmo já antes de missionários navegarem para a África. A Sociedade Missionária de Londres reuniu membros de diferentes igrejas, e houve acesas disputas doutrinais entre os missionários em viagem para os seus postos designados. Os conflitos forçosamente iam piorar depois de eles se estabelecerem nos seus postos missionários.

      “Os missionários”, escreve o Professor Robert Rotberg no seu livro Christian Missionaries and the Creation of Northern Rhodesia 1880-1924 (Missionários Cristãos e a Criação da Rodésia do Norte 1880-1924), “lutaram amargamente uns com os outros e com seus diretores do além-mar, usualmente em prejuízo dos seus objetivos evangélicos. . . . Missionários pareciam gastar tanto tempo e energia em escrever sobre as suas altercações como gastavam em fazer conversões”.

      Às vezes, as altercações dos missionários resultavam na formação de missões rivais. As missões católicas e protestantes competiam ferozmente para conseguir conversos. Esta mesma falta de união forçosamente iria refletir-se nos seus conversos. Com o tempo, milhões de africanos abandonaram as igrejas das missões e formaram suas próprias.

      “As Igrejas Independentes da África”, escreve o historiador missionário Dr. Kane, “podem ser encontradas em toda a África . . . Ao todo, há uns sete mil grupos separados neste movimento”. As competições entre os missionários de crenças conflitantes não eram a única causa disso. Geoffrey Moorhouse, no seu livro The Missionaries (Os Missionários), explica que outra causa da “reforma negra” era “o ressentimento contra a superioridade branca”.

      Cristãos ou Racistas Europeus?

      “Os missionários”, admite o Dr. Kane, “tinham complexo de superioridade”. Eles “acreditavam que a religião cristã tinha de vir acompanhada pela cultura européia e pela liderança européia”, diz Adrian Hastings no seu livro African Christianity (Cristianismo Africano).

      O francês Charles Lavigerie foi um dos líderes missionários com tal conceito. Outro foi John Philip, superintendente das missões da Sociedade Missionária de Londres no sul da África. “Nossos missionários”, gabou-se ele em 1828, “estão . . . ampliando os interesses britânicos, a influência britânica e o império britânico. Onde quer que o missionário arme seu estandarte no meio duma tribo de selvagens, o preconceito destes sobre o governo colonial cessa; sua dependência da colônia aumenta pela criação de necessidades artificiais; . . . surgem indústrias, comércio e agricultura; e todo genuíno converso dentre eles . . . torna-se aliado e amigo do governo colonial”.

      É de admirar que os governos europeus considerassem esses missionários como agentes úteis para a expansão colonial? Os missionários, por sua vez, acolhiam bem a conquista colonial da África. Conforme declararam na Conferência Missionária Mundial de 1910 em Edimburgo: “Seria impossível . . . sempre indicar a linha divisória entre o objetivo do missionário e o objetivo do Governo.”

      Dominavam Como Reis na África

      Alguns missionários, para fazer valer a sua autoridade, recorriam ao poderio militar colonial. Cidades costeiras às vezes eram demolidas por canhoneiras britânicas porque os aldeões se negavam a aceitar a autoridade dos missionários. Em 1898, Dennis Kemp, missionário wesleyanista na África Ocidental, expressou sua “firme convicção de que o Exército e a Marinha Britânicos são hoje usados por Deus na realização do Seu objetivo”.

      Depois de se estabelecerem, os missionários às vezes assumiam o poder secular dos chefes tribais. “Os missionários [da Sociedade Missionária] de Londres”, escreve o Professor Rotberg, “freqüentemente usavam a força para manter sua lei teocrática. Um instrumento favorito por meio do qual davam a conhecer sua desaprovação era o cikoti, um chicote comprido de couro curtido de hipopótamo. Com este, os africanos eram sem hesitação chicoteados por quase qualquer pretexto”. “Um converso africano”, observa David Lamb no seu livro The Africans (Os Africanos), “lembra-se dum missionário anglicano, em Uganda, conhecido como Bwana Botri, que freqüentemente descia do púlpito durante o ofício para vergastar africanos que se haviam atrasado”.

      Chocado por tais atos, James Mackay, missionário, apresentou queixa aos diretores da Sociedade Missionária de Londres. “Em vez de sermos considerados como homens brancos que lhes trazem as boas novas do amor de Deus”, advertiu ele, “somos conhecidos e temidos”.

      As Guerras Mundiais

      “Durante um século, ou mais”, declara o livro The Missionaries, “dissera-se persistente e veementemente [aos africanos] que as lutas e todos os instintos selvagens que elas desencadeavam eram tanto infrutíferos como iníquos”. Daí, em 1914, irrompeu a Primeira Guerra Mundial entre as chamadas nações cristãs da Europa.

      “Os missionários de quase todas as nacionalidades ficaram envolvidos na Grande Guerra”, explica Moorhouse. Para a vergonha deles, os missionários exortavam seus conversos africanos a tomar partido. Alguns missionários até mesmo levavam tropas africanas à batalha. O efeito da guerra é bem expresso pelo Professor Stephen Neill, em History of Christian Missions (História de Missões Cristãs): “As nações européias, com suas altamente proclamadas afirmações de terem o monopólio do cristianismo e da civilização, mergulharam cega e confusamente numa guerra civil que as havia de deixar economicamente empobrecidas e sem um resquício de virtude.” “A Segunda Guerra Mundial”, prossegue Neill, “apenas rematou o que a primeira já realizara. Mostrou-se que as pretensões morais do Ocidente eram uma farsa; expôs-se a ‘cristandade’ como não sendo mais do que um mito. Não era mais possível falar do ‘Ocidente cristão’”.

      É compreensível que a reforma negra acelerasse após a Primeira Guerra Mundial. Mas que dizer dos africanos que continuaram a aderir às igrejas da cristandade? Ensinaram-lhes dali em diante a verdade baseada na Bíblia?

      Crenças dos Africanos em Ancestrais

      Os missionários da cristandade condenavam as práticas religiosas africanas, tais como consultar adivinhos para apaziguar ancestrais falecidos. Ao mesmo tempo, os missionários insistiam em dizer que todos os humanos têm uma alma imortal. Promoviam também a veneração de Maria e dos “santos”. Esses ensinos confirmavam a crença africana de que os ancestrais falecidos estavam vivos. Igualmente, por venerarem imagens religiosas, tais como a cruz, os missionários davam aos africanos a justificativa para usar amuletos como meio de proteção contra espíritos maus.

      O Professor C. G. Baëta explica no seu livro Christianity in Tropical Africa (Cristianismo na África Tropical): “É possível que um africano cante animadamente na Igreja: ‘Não tenho outro refúgio’, ao passo que ainda usa um amuleto em alguma parte de seu corpo ou sai da igreja e vai diretamente para o seu adivinho, sem achar que esteja violando algum princípio.” — Compare com Deuteronômio 18:10-12; e 1 João 5:21.

      Muitos missionários disseram aos africanos que os ancestrais pagãos destes estavam sendo atormentados num inferno de fogo e que lhes sobreviria a mesma sorte se se negassem a aceitar os ensinos dos missionários. Mas a doutrina do tormento eterno está em conflito com as declarações explícitas da própria Bíblia que os missionários tanto se esforçaram em traduzir para línguas africanas. — Gênesis 3:19; Jeremias 19:5; Romanos 6:23.

      Na realidade, a Bíblia declara que as almas pecadoras humanas morrem e que “os mortos . . . não estão cônscios de absolutamente nada”. (Eclesiastes 9:5, 10; Ezequiel 18:4) Quanto aos africanos que não tiveram a oportunidade de ouvir a verdade bíblica, eles têm a perspectiva de ser incluídos na vindoura “ressurreição tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15) A esses ressuscitados ensinar-se-á a provisão de salvação feita por Deus. Daí, se aceitarem com apreço o amor de Deus, serão recompensados com a vida eterna na Terra paradísica. — Salmo 37:29; Lucas 23:43; João 3:16.

      Em vez de a cristandade ensinar essas maravilhosas verdades bíblicas, ela tem desencaminhado os africanos com ensinos falsos e hipocrisia religiosa. O papel desempenhado pelos missionários da cristandade na conquista colonial da África certamente não encontra respaldo na Bíblia. Ao contrário, Jesus disse que seu Reino ‘não faz parte deste mundo’ e que seus verdadeiros seguidores igualmente ‘não fazem parte do mundo’. (João 15:19; 18:36) Os primitivos cristãos eram embaixadores de Jesus Cristo, não dos governos do mundo. — 2 Coríntios 5:20.

      Portanto, a ceifa africana da cristandade, como um todo, tem sido infeliz, caracterizada por chocante desunião, desconfiança e “cristopaganismo”. A violência que tem marcado muitas partes “cristãs” da África certamente não está em harmonia com os ensinos do “Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6) Os frutos das obras da cristandade na África contrastam nitidamente com as palavras de Jesus a respeito de seus verdadeiros seguidores. Jesus, numa oração dirigida a seu Pai celestial, pediu que eles “sejam aperfeiçoados em um, para que o mundo tenha conhecimento de que tu me enviaste”. — João 17:20, 23; 1 Coríntios 1:10.

      Significa isso que toda obra missionária na África tem sido um fracasso? De modo algum. Os excelentes frutos da verdadeira obra missionária cristã na África e no mundo inteiro serão considerados nos artigos que começam na página 10.

      [Foto na página 6]

      Líderes missionários do século passado, tais como John Philip, acreditavam que a civilização européia e o cristianismo fossem a mesma coisa.

      [Crédito]

      Cape Archives M450

      [Foto na página 7]

      Os missionários da cristandade incentivaram as crenças dos africanos em ancestrais por divulgarem ensinos falsos, tais como a imortalidade da alma.

      [Crédito]

      Cortesia do Africana Museum, Johanesburgo

  • A cristandade e o tráfico de escravos
    A Sentinela — 1992 | 1.° de setembro
    • A cristandade e o tráfico de escravos

      DURANTE o século 19, missionários católicos e protestantes estavam unidos na sua oposição ao tráfico de escravos. No entanto, nem sempre fora esta a sua atitude. Nos séculos anteriores, aprovavam o tráfico de escravos e participavam nele, apesar dos horrendos sofrimentos que isto causava.

      Missionários passaram a ir tanto à costa leste como à costa oeste da África quando se descobriu a rota comercial em torno do Cabo da Boa Esperança, no século 15. Todavia, depois de três séculos, a obra missionária na África chegara quase ao fim. Havia poucos conversos africanos. Um motivo deste fracasso era o envolvimento da cristandade no tráfico de escravos. C. P. Groves explica em The Planting of Christianity in Africa (O Plantio do Cristianismo na África):

      “O empenho ativo no tráfico de escravos acompanhava a missão cristã e não era considerado errado. Deveras, as próprias missões possuíam escravos; um mosteiro jesuíta em Loanda [agora Luanda, capital de Angola] possuía 12.000. Quando se iniciou o tráfico de escravos entre Angola e o Brasil, o bispo de Loanda, sentado numa cadeira de pedra junto ao cais, dava sua bênção episcopal às levas que partiam, prometendo-lhes felicidade futura quando acabassem as provações tempestuosas da vida.”

      Os missionários jesuítas não levantavam nenhuma “objeção à escravização dos negros”, confirma C. R. Boxer, conforme citado no livro Africa From Early Times to 1800 (África dos Primórdios a 1800). Em Luanda, antes de os escravos embarcarem com destino às colônias espanholas e portuguesas, acrescenta Boxer, “eles eram levados a uma igreja por perto . . . e ali eram batizados por um pároco, em grupos de cem por vez”. Daí, depois de serem aspergidos com “água benta”, dizia-se aos escravos: “Sabei que já sois filhos de Deus; ides para a terra dos espanhóis, onde aprendereis coisas da Fé. Não penseis mais no lugar de onde viestes . . . Ide de boa vontade.”

      Naturalmente, os missionários da cristandade não eram os únicos a aprovar o tráfico de escravos. “Até a última metade do século dezoito”, explica Geoffrey Moorhouse no seu livro The Missionaries (Os Missionários), “este era o modo de agir do mundo em geral”. Moorhouse cita o exemplo dum missionário protestante do século 18, Thomas Thompson, que escreveu um tratado intitulado em inglês Indicações de que o Tráfico Africano de Escravos Negros É Coerente com os Princípios de Humanismo e as Leis da Religião Revelada.

      No entanto, a cristandade, pela sua participação nisso, compartilha a responsabilidade pelos terríveis sofrimentos infligidos a milhões de escravos africanos. “Excluindo-se os escravos que morriam antes de partirem da África”, declara The Encyclopædia Britannica, “121/2% eram perdidos durante a viagem para as Índias Ocidentais; em Jamaica, 41/2% morriam nos portos ou antes de serem vendidos, e mais um terço deles durante o seu ‘acondicionamento’”.

      Dentro em breve, Jeová Deus chamará às contas tanto a cristandade como as outras formas de religião falsa por todos os terríveis atos de derramamento de sangue que toleraram e até mesmo abençoaram. — Revelação (Apocalipse) 18:8, 24.

      [Diagrama na página 8]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Diagrama de como os escravos eram apinhados num navio negreiro.

      [Crédito]

      Schomburg Center for Research in Black Cultura/The New York Public Library/Astor, Lenox and Tilden Foudations

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