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A autoridade no conceito cristãoA Sentinela — 1994 | 1.° de julho
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A autoridade no conceito cristão
“Não há autoridade exceto por Deus.” — ROMANOS 13:1.
1. Por que se pode dizer que Jeová é a Autoridade Suprema?
A AUTORIDADE está ligada à capacidade de criar. O Supremo que causou toda a criação, animada e inanimada, é Jeová Deus. Inegavelmente, ele é a Autoridade Suprema. Os verdadeiros cristãos compartilham o sentimento das criaturas celestiais que declaram: “Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.” — Revelação (Apocalipse) 4:11.
2. Como admitiram alguns dos primeiros governantes humanos, em certo sentido, que eles não tinham nenhum direito natural de dominar seu próximo, e o que disse Jesus a Pôncio Pilatos?
2 O mero fato de que muitos dos primeiros governantes humanos tentaram legitimar sua autoridade por afirmar serem um deus ou o representante de um deus era o reconhecimento tácito de que nenhum humano tem o direito inerente de governar outros humanos.a (Jeremias 10:23) A única fonte legítima de autoridade é Jeová Deus. Cristo disse a Pôncio Pilatos, governador romano da Judéia: “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima.” — João 19:11.
“Não há autoridade exceto por Deus”
3. O que declarou o apóstolo Paulo a respeito das “autoridades superiores”, e que perguntas suscitam as declarações de Jesus e de Paulo?
3 O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos que viviam sob o domínio do Império Romano: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, pois não há autoridade exceto por Deus; as autoridades existentes acham-se colocadas por Deus nas suas posições relativas.” (Romanos 13:1) O que queria Jesus dizer ao declarar que a autoridade de Pilatos lhe fora concedida “de cima”? E em que sentido considerava Paulo as autoridades políticas dos seus dias colocadas nas suas posições por Deus? Queriam eles dizer que Jeová é pessoalmente responsável pela nomeação de cada governante político deste mundo?
4. De que chamaram Jesus e Paulo a Satanás, e que afirmação de Satanás não foi negada por Jesus?
4 Como poderia ser assim, visto que Jesus chamou a Satanás de “governante deste mundo”, e o apóstolo Paulo o classificou de “deus deste sistema de coisas”? (João 12:31; 16:11; 2 Coríntios 4:4) Além disso, quando Satanás tentou Jesus, ofereceu-lhe “autoridade” sobre “todos os reinos da terra habitada”, afirmando que esta autoridade lhe fora concedida. Jesus rejeitou a oferta dele, mas não negou que Satanás tivesse autoridade para dá-la. — Lucas 4:5-8.
5. (a) Como devemos entender as palavras de Jesus e de Paulo a respeito da autoridade humana? (b) Em que sentido acham-se as autoridades superiores “colocadas por Deus nas suas posições relativas”?
5 Jeová entregou o governo deste mundo a Satanás por permitir que vivesse depois da rebelião dele e após ter tentado Adão e Eva, e os ter feito rebelar-se contra a Sua soberania. (Gênesis 3:1-6; note Êxodo 9:15, 16.) Portanto, as palavras de Jesus e de Paulo têm de significar que Jeová, depois de o primeiro casal humano no Éden ter rejeitado a teocracia, ou o governo de Deus, permitiu que humanos alheados criassem estruturas de autoridade que lhes permitissem viver numa sociedade ordeira. Ocasionalmente, a fim de realizar seu propósito, Jeová causou a queda de certos governantes ou governos. (Daniel 2:19-21) Permitiu que outros continuassem no poder. A respeito dos governantes cuja existência Jeová tolera pode-se dizer que eles ‘acham-se colocados por Deus nas suas posições relativas’.
Os primitivos cristãos e as autoridades romanas
6. Como foram as autoridades romanas encaradas pelos primitivos cristãos, e por quê?
6 Os primitivos cristãos não se juntaram às seitas judaicas que conspiravam e lutavam contra os romanos que ocupavam Israel. Visto que as autoridades romanas, com seu codificado sistema jurídico, mantinham a ordem em terra e no mar; construíam muitos aquedutos, estradas e pontes úteis; e de modo geral atuavam para o bem-estar geral, os cristãos as consideravam ‘ministro [ou: “servo”, nota de rodapé] de Deus para seu bem’. (Romanos 13:3, 4) Lei e ordem resultaram num ambiente que habilitou os cristãos a pregar as boas novas em toda a parte, conforme ordenado por Jesus. (Mateus 28:19, 20) Em boa consciência, podiam pagar os impostos cobrados pelos romanos, mesmo que parte do dinheiro fosse usada para fins não aprovados por Deus. — Romanos 13:5-7.
7, 8. (a) O que revela a leitura cuidadosa de Romanos 13:1-7, e o que mostra o contexto? (b) Em que circunstâncias não atuavam as autoridades romanas como “ministro de Deus”, e que atitude adotavam os primitivos cristãos neste caso?
7 A leitura cuidadosa dos primeiros sete versículos do capítulo 13 de Romanos revela que as “autoridades superiores” políticas eram “ministro de Deus” para louvar os que fazem o que é bom e punir os que praticam o que é mau. O contexto mostra que é Deus, não as autoridades superiores, quem determina o que é bom e o que é mau. Portanto, se o imperador romano ou qualquer outra autoridade política exigisse algo que Deus proibia, ou, inversamente, se proibisse algo que Deus exigia, eles não mais atuariam como ministro de Deus. Jesus declarou: “Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 22:21) Quando o Estado romano exigia algo que pertencia a Deus, tal como a adoração ou a vida duma pessoa, os verdadeiros cristãos seguiam o conselho apostólico: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.
8 A recusa dos primitivos cristãos de praticar a adoração do imperador e a idolatria, de abandonar as reuniões cristãs e de parar de pregar as boas novas resultou em perseguição. Acredita-se em geral que o apóstolo Paulo foi executado às ordens do Imperador Nero. Outros imperadores, notavelmente Domiciano, Marco Aurélio, Setímio Severo, Décio e Diocleciano também perseguiram os primitivos cristãos. Quando esses imperadores e as autoridades subordinadas a eles perseguiram os cristãos, certamente não agiram como “ministro de Deus”.
9. (a) O que se aplica ainda às autoridades superiores políticas, e de quem recebe a fera política o poder e a autoridade? (b) O que se pode dizer logicamente da submissão cristã às autoridades superiores?
9 Tudo isso ilustra que, embora as autoridades superiores políticas em alguns sentidos sirvam como “arranjo de Deus” para manter a sociedade humana em ordem, elas continuam a ser parte do sistema mundial de coisas de que Satanás é deus. (1 João 5:19) Pertencem à organização política mundial simbolizada pela “fera” de Revelação 13:1, 2. Esta fera recebe seu poder e sua autoridade do “grande dragão”, Satanás, o Diabo. (Revelação 12:9) Portanto, é lógico que a submissão dos cristãos a essa autoridade é relativa, não absoluta. — Note Daniel 3:16-18.
O devido respeito pela autoridade
10, 11. (a) Como mostrou Paulo que devemos ter respeito por homens em autoridade? (b) Como e por que se podem fazer orações “com respeito a reis e a todos os em altos postos”?
10 Isto não significa, porém, que os cristãos devam adotar uma atitude insolente, desafiadora, para com as autoridades superiores políticas. É verdade que muitos desses homens não são especialmente dignos de respeito na sua vida particular ou mesmo pública. No entanto, os apóstolos mostraram com seu exemplo e seu conselho que os homens em autoridade devem ser tratados com respeito. Quando Paulo compareceu perante o incestuoso Rei Herodes Agripa II, dirigiu-se a ele com a devida deferência. — Atos 26:2, 3, 25.
11 Paulo declarou até mesmo ser apropriado mencionar as autoridades mundanas em nossas orações, especialmente quando se quer que tomem decisões que envolvem nossa vida e as atividades cristãs. Ele escreveu: “Exorto, portanto, em primeiro lugar, a que se façam súplicas, orações, intercessões e se dêem agradecimentos com respeito a toda sorte de homens, com respeito a reis e a todos os em altos postos, a fim de que continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade. Isto é excelente e aceitável à vista de nosso Salvador, Deus, cuja vontade é que toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade.” (1 Timóteo 2:1-4) Nossa atitude respeitosa para com essas autoridades pode resultar em elas permitirem que prossigamos mais livremente com a nossa obra de tentar salvar “toda sorte de homens”.
12, 13. (a) Que conselho equilibrado a respeito da autoridade deu Pedro? (b) Como podemos neutralizar “a conversa ignorante dos homens desarrazoados” que suscitam preconceito contra as Testemunhas de Jeová?
12 O apóstolo Pedro escreveu: “Pela causa do Senhor, sujeitai-vos a toda criação humana: quer a um rei, como sendo superior, quer a governadores, como enviados por ele para infligir punição a malfeitores, mas para louvar os que fazem o bem. Pois a vontade de Deus é que, por fazerdes o bem, possais açaimar a conversa ignorante dos homens desarrazoados. Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade, mas como escravos de Deus. Honrai a homens de toda sorte, tende amor à associação inteira dos irmãos, tende temor de Deus, dai honra ao rei.” (1 Pedro 2:13-17) Que conselho equilibrado! Devemos submissão total a Deus como seus escravos, e estamos em submissão relativa e respeitosa às autoridades políticas enviadas para punir malfeitores.
13 Verificou-se que muitas autoridades seculares têm as idéias mais estranhas a respeito das Testemunhas de Jeová. Isto se deve usualmente a terem sido mal informadas por inimigos maliciosos do povo de Deus. Ou pode ser que tudo o que sabem sobre nós ouviram dos veículos noticiosos, que nem sempre são imparciais nas suas reportagens. Às vezes conseguimos vencer este preconceito por nossa atitude respeitosa e, quando possível, por fornecer às autoridades uma descrição correta da obra e das crenças das Testemunhas de Jeová. Para autoridades atarefadas, a brochura As Testemunhas de Jeová no Século Vinte fornece uma explicação concisa. Poderão obter mais informações no livro Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus, um excelente instrumento que merece um lugar nas estantes de bibliotecas locais e nacionais.
Autoridade nos lares cristãos
14, 15. (a) Qual é a base da autoridade na família cristã? (b) Qual deve ser a atitude da esposa cristã para com o marido, e por quê?
14 É óbvio que os cristãos, de quem Deus requer que mostrem o devido respeito pelas autoridades do mundo, devem igualmente respeitar a estrutura da autoridade estabelecida por Deus na família cristã. O apóstolo Paulo delineou em termos precisos o princípio da chefia prevalecente entre o povo de Jeová. Ele escreveu: “Quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.” (1 Coríntios 11:3) Este é o princípio da teocracia, ou do governo de Deus. O que está envolvido nisso?
15 O respeito pela teocracia começa em casa. A esposa cristã que não mostra o devido respeito pela autoridade do marido — quer ele seja concrente, quer não — não é teocrática. Paulo aconselhou os cristãos: “Estai sujeitos uns aos outros, no temor de Cristo. As esposas estejam sujeitas aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação, sendo ele salvador deste corpo. De fato, assim como a congregação está sujeita ao Cristo, também as esposas estejam sujeitas aos seus maridos, em tudo.” (Efésios 5:21-24) Assim como os homens cristãos têm de submeter-se à chefia de Cristo, as mulheres cristãs devem reconhecer a sabedoria de se submeterem à autoridade que Deus concedeu ao marido. Isto lhes dará profunda satisfação íntima e, o que é mais importante, a bênção de Jeová.
16, 17. (a) Como podem os filhos criados em lares cristãos distinguir-se de muitos dos jovens atuais, e que incentivo têm para isso? (b) Como foi Jesus um exemplo excelente para os jovens atuais, e o que se incentiva que eles façam?
16 Os filhos teocráticos sentem-se felizes de mostrar o devido respeito pelos pais. Foi predito a respeito dos da geração jovem nos últimos dias que eles seriam “desobedientes aos pais”. (2 Timóteo 3:1, 2) Mas a Palavra inspirada de Deus diz aos filhos cristãos: “Vós, filhos, em tudo sede obedientes aos vossos pais, pois isso é bem agradável no Senhor.” (Colossenses 3:20) O respeito pela autoridade parental agrada a Jeová e traz a sua bênção.
17 Isto é ilustrado no caso de Jesus. O relato de Lucas declara: “Ele desceu com eles [os pais] e chegou a Nazaré, e continuou a estar-lhes sujeito. . . . E Jesus progredia em sabedoria e em desenvolvimento físico, e no favor de Deus e dos homens.” (Lucas 2:51, 52) Na época, Jesus tinha 12 anos de idade, e a forma verbal grega usada aqui enfatiza que ele ‘continuou a estar sujeito’ aos pais. De modo que sua submissão não terminou quando se tornou adolescente. Se vocês, jovens, quiserem progredir em espiritualidade, e no favor de Jeová e de homens piedosos, mostrarão respeito pela autoridade dentro e fora do seu lar.
Autoridade na congregação
18. Quem é Cabeça da congregação cristã, e a quem delegou autoridade?
18 Falando sobre a necessidade de ordem na congregação cristã, Paulo escreveu: “Deus não é Deus de desordem, mas de paz. . . . Que todas as coisas ocorram decentemente e por arranjo [ou: “segundo a ordem”, nota de rodapé].” (1 Coríntios 14:33, 40) A fim de que todas as coisas ocorram de modo ordeiro, Cristo, Cabeça da congregação cristã, delegou autoridade a homens fiéis. Lemos: “Ele deu alguns como apóstolos, alguns como profetas, alguns como evangelizadores, alguns como pastores e instrutores, visando o reajustamento dos santos para a obra ministerial . . . Mas, falando a verdade, cresçamos pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo.” — Efésios 4:11, 12, 15.
19. (a) A quem designou Cristo sobre todos os seus bens terrestres, e a quem concedeu autoridade especial? (b) Que delegação de autoridade há na congregação cristã, e o que exige isso da nossa parte?
19 Neste tempo do fim, Cristo designou o coletivo “escravo fiel e discreto” sobre “todos os seus bens”, ou os interesses do Reino na Terra. (Mateus 24:45-47) Assim como no primeiro século, este escravo é representado por um corpo governante de homens cristãos, ungidos, aos quais Cristo deu autoridade para fazer decisões e designar outros superintendentes. (Atos 6:2, 3; 15:2) O Corpo Governante, por sua vez, delega autoridade às Comissões de Filial, a superintendentes de distrito e de circuito, e a anciãos em cada uma das mais de 73.000 congregações das Testemunhas de Jeová em toda a Terra. Todos estes cristãos devotos merecem nosso apoio e respeito. — 1 Timóteo 5:17.
20. Que exemplo mostra que Jeová se desagrada dos que mostram falta de respeito para com os concristãos em autoridade?
20 No que se refere ao respeito que devemos aos que estão em autoridade na congregação cristã, pode-se fazer uma interessante comparação com a submissão que devemos às autoridades seculares. Quando alguém viola uma lei humana que Deus aprova, a punição aplicada pelos “que governam”, na realidade, é uma expressão indireta do furor de Deus “para com o que pratica o que é mau”. (Romanos 13:3, 4) Se Jeová fica irado com alguém que viola leis humanas e que falta com o devido respeito pelas autoridades do mundo, quanto mais deve desagradar-se quando um cristão despreza os princípios bíblicos e mostra desrespeito para com os concristãos em autoridade!
21. Que conselho bíblico teremos prazer em acatar, e o que será considerado no próximo artigo?
21 Em vez de incorrermos no desagrado de Deus por adotar uma atitude rebelde e independente, seguiremos o conselho que Paulo deu aos cristãos em Filipos: “Conseqüentemente, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não somente durante a minha presença, mas agora muito mais prontamente durante a minha ausência, persisti em produzir a vossa própria salvação com temor e tremor; pois Deus é aquele que, por causa do seu beneplácito, está agindo em vós, para que tanto queirais como atueis. Persisti em fazer todas as coisas livres de resmungos e de argüições, para que venhais a ser inculpes e inocentes, filhos de Deus sem mácula no meio duma geração pervertida e deturpada, entre a qual estais brilhando como iluminadores no mundo.” (Filipenses 2:12-15) Dessemelhantes da atual geração pervertida e deturpada, que causou a si mesma uma crise de autoridade, os do povo de Jeová submetem-se prontamente à autoridade. Colhem assim grandes benefícios, conforme veremos no artigo que segue.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o artigo precedente.
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Submissão alegre à autoridadeA Sentinela — 1994 | 1.° de julho
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Submissão alegre à autoridade
“[Vós] vos tornastes obedientes de coração.” — ROMANOS 6:17.
1, 2. (a) Que espírito é hoje evidente no mundo, e qual é sua origem e seu efeito? (b) Como mostram os servos dedicados de Jeová que eles são diferentes?
“O ESPÍRITO que agora opera nos filhos da desobediência” evidencia-se hoje de modo chocante. É um espírito de irrestrita independência que emana de Satanás, “o governante da autoridade do ar”. Este espírito, este “ar”, ou atitude dominante de egoísmo e desobediência, exerce “autoridade”, ou poder, sobre a maioria da humanidade. Este é um dos motivos de o mundo hoje passar por aquilo que tem sido chamado de crise de autoridade. — Efésios 2:2.
2 Felizmente, os servos dedicados de Jeová não enchem hoje seus pulmões espirituais com este “ar” poluído, ou espírito de rebelião. Sabem que “o furor de Deus [vem] sobre os filhos da desobediência”. O apóstolo Paulo acrescenta: “Portanto, não vos torneis co-participantes deles.” (Efésios 5:6, 7) Antes, os verdadeiros cristãos esforçam-se a ficar ‘cheios do espírito de Jeová’, e assimilam “a sabedoria de cima” que é “casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer”. — Efésios 5:17, 18; Tiago 3:17.
Submissão voluntária à soberania de Jeová
3. Qual é a chave da submissão voluntária, e que grande lição nos ensina a História?
3 A chave para a submissão voluntária é o reconhecimento da autoridade legítima. A história da humanidade mostra que rejeitar a soberania de Jeová não traz felicidade. Essa rejeição não deu felicidade a Adão e Eva, nem ao instigador da sua rebelião, Satanás, o Diabo. (Gênesis 3:16-19) Satanás, na sua atual condição rebaixada, tem “grande ira”, porque sabe que seu tempo é curto. (Revelação [Apocalipse] 12:12) A paz e a felicidade da humanidade, sim, do Universo inteiro, dependem do reconhecimento universal da soberania justa de Jeová. — Salmo 103:19-22.
4. (a) Que tipo de submissão e de obediência requer Jeová dos seus servos? (b) De que devemos estar convencidos, e como expressa isso o salmista?
4 Todavia, Jeová, por causa das suas qualidades maravilhosamente equilibradas, não se satisfaz com uma obediência apática. Ele é poderosíssimo, sim, mas não é tirano. É Deus de amor, e quer que suas criaturas inteligentes lhe obedeçam voluntariamente por amor. Deseja que se submetam à sua soberania por escolherem de todo o coração colocar-se sob a Sua autoridade justa e legítima, convencidos de que não poderia haver nada melhor para eles do que obedecer-lhe para sempre. O tipo de pessoa que Jeová quer no seu Universo compartilha os sentimentos do salmista que escreveu: “A lei de Jeová é perfeita, fazendo retornar a alma. A advertência de Jeová é fidedigna, tornando sábio o inexperiente. As ordens de Jeová são retas, fazendo o coração alegrar-se; O mandamento de Jeová é limpo, fazendo os olhos brilhar. O temor de Jeová é puro, permanecendo de pé para todo o sempre. As decisões judiciais de Jeová são verdadeiras; mostraram-se inteiramente justas.” (Salmo 19:7-9) Confiança absoluta na retidão e na justiça da soberania de Jeová — esta deverá ser a nossa atitude se quisermos viver no novo mundo de Jeová.
Submissão alegre ao nosso Rei
5. Como foi Jesus recompensado pela sua obediência, e o que reconhecemos de bom grado?
5 O próprio Cristo Jesus é um excelente exemplo de submissão ao seu Pai celestial. Lemos que ele “humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura”. Paulo acrescenta: “Por esta mesma razão, também, Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, a fim de que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão, e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.” (Filipenses 2:8-11) Sim, dobramos alegremente os joelhos diante de nosso Líder e Rei reinante, Cristo Jesus. — Mateus 23:10.
6. Como tem Jesus mostrado que é testemunha e líder de grupos nacionais, e de que modo continuará seu “domínio principesco” após a grande tribulação?
6 Jeová profetizou a respeito de Cristo, nosso Líder: “Eis que o dei como testemunha para os grupos nacionais, como líder e comandante para os grupos nacionais.” (Isaías 55:4) Jesus, por meio do seu ministério terrestre e por dirigir a pregação desde o céu, após a sua morte e ressurreição, mostrou ser “testemunha fiel e verdadeira” de seu Pai perante pessoas de todas as nações. (Revelação 3:14; Mateus 28:18-20) Esses grupos nacionais estão agora representados em crescente número pela “grande multidão”, a qual, sob a liderança de Cristo, sobreviverá à “grande tribulação”. (Revelação 7:9, 14) Mas a liderança de Jesus não termina com isso. Seu “domínio principesco” durará mil anos. Para os humanos obedientes, ele viverá à altura do seu nome de “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. — Isaías 9:6, 7; Revelação 20:6.
7. Se quisermos que Cristo Jesus nos guie a “fontes de águas da vida”, o que teremos de fazer sem demora, e o que fará que sejamos amados por Jesus e por Jeová?
7 Se quisermos tirar proveito das “fontes de águas da vida”, às quais o Cordeiro, Cristo Jesus, guia os humanos justos, teremos de provar sem demora, pelo nosso proceder, que nos submetemos alegremente à sua autoridade como Rei. (Revelação 7:17; 22:1, 2; note Salmo 2:12.) Jesus declarou: “Se me amardes, observareis os meus mandamentos. Quem tem os meus mandamentos e os observa, este é o que me ama. Por sua vez, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei.” (João 14:15, 21) Quer ser amado por Jesus e pelo Seu Pai? Então seja submisso à autoridade deles.
Os superintendentes obedecem com alegria
8, 9. (a) O que providenciou Cristo para a edificação da congregação, e em que sentido devem estes homens ser exemplos para o rebanho? (b) Como se simboliza no livro de Revelação a submissão dos superintendentes cristãos, e como devem procurar ter “um coração obediente” ao tratar de assuntos judicativos?
8 “A congregação está sujeita ao Cristo.” Como Superintendente dela, ele deu “dádivas em homens” para “a edificação” da congregação. (Efésios 4:8, 11, 12; 5:24) Manda-se que estes homens espiritualmente mais idosos ‘pastoreiem o rebanho de Deus, que está aos seus cuidados’, não ‘como que dominando sobre os que são a herança de Deus, mas tornando-se exemplos para o rebanho’. (1 Pedro 5:1-3) O rebanho é de Jeová, e Cristo é seu “pastor excelente”. (João 10:14) Visto que os superintendentes esperam corretamente a cooperação voluntária das ovelhas que Jeová e Cristo entregaram aos seus cuidados, eles mesmos devem ser exemplos excelentes de submissão. — Atos 20:28.
9 No primeiro século, os superintendentes ungidos foram simbolicamente representados como estando “na” mão direita de Cristo ou “sobre” ela, indicando sua submissão a Ele como Cabeça da congregação. (Revelação 1:16, 20; 2:1) Assim também hoje, os superintendentes nas congregações das Testemunhas de Jeová devem submeter-se à direção de Cristo e ‘humilhar-se sob a mão poderosa de Deus’. (1 Pedro 5:6) Quando precisam cuidar de assuntos judicativos, devem orar a Jeová assim como Salomão fazia durante os anos em que era fiel: “Tens de dar ao teu servo um coração obediente para julgar teu povo, para discernir entre o que é bom e o que é mau.” (1 Reis 3:9) O coração obediente induzirá o ancião a encarar as coisas do ponto de vista de Jeová e de Cristo Jesus, a fim de que uma decisão feita na Terra seja o mais perto possível à feita no céu. — Mateus 18:18-20.
10. Que empenho devem fazer todos os superintendentes para imitar a Jesus no modo em que ele tratou as ovelhas?
10 Também os superintendentes viajantes e os anciãos congregacionais se esforçarão a imitar a Cristo no modo de lidar com as ovelhas. Dessemelhante dos fariseus, Jesus não impôs muitas regras difíceis de acatar. (Mateus 23:2-11) Ele disse aos que eram semelhantes a ovelhas: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mateus 11:28-30) Embora seja verdade que todo cristão tem de ‘levar a sua própria carga’, os superintendentes devem lembrar-se do exemplo de Jesus e ajudar os irmãos a sentir que sua carga de responsabilidade cristã para com eles é “benévola”, “leve”, e que dá alegria de levá-la. — Gálatas 6:5.
Submissão teocrática
11. (a) Como poderia alguém respeitar a chefia e ainda assim não ser realmente teocrático? Ilustre isso. (b) O que significa ser verazmente teocrático?
11 A teocracia é o governo de Deus. Envolve o princípio da chefia expresso em 1 Coríntios 11:3. Todavia, significa mais do que isso. Alguém talvez aparente ter respeito pela chefia e ainda assim não seja teocrático no pleno sentido da palavra. Como é isso possível? Para ilustrar, a democracia é o governo pelo povo, e o democrata é definido como “pessoa que professa princípios democráticos”. Um homem talvez afirme ser democrático, participe nas eleições e até mesmo seja político. Mas se ele, no seu comportamento geral, fizer pouco caso do espírito democrático e de todos os princípios envolvidos, será que se pode dizer que ele é realmente democrático? De modo similar, para ser verazmente teocrático, é preciso fazer mais do que submeter-se à chefia apenas de modo nominal. É preciso imitar os modos e as qualidades de Jeová. Terá de ser realmente governado por Jeová em todos os sentidos. E visto que Jeová investiu seu Filho de plena autoridade, ser teocrático significa também copiar a Jesus.
12, 13. (a) O que está especificamente envolvido em se ser teocrático? (b) Envolve a submissão teocrática a obediência a muitas regras? Ilustre isso.
12 Lembre-se de que Jeová quer uma submissão voluntária motivada pelo amor. Este é seu modo de governar o Universo. Ele é a própria personificação do amor. (1 João 4:8) Cristo Jesus é “o reflexo da sua glória e a representação exata do seu próprio ser”. (Hebreus 1:3) Requer que seus verdadeiros discípulos amem uns aos outros. (João 15:17) De modo que ser teocrático não só envolve ser submisso, mas também ser amoroso. O assunto poderia ser resumido do seguinte modo: a teocracia é o governo de Deus; Deus é amor; portanto, a teocracia é o governo exercido por amor.
13 Um ancião poderia pensar que, para os irmãos serem teocráticos, eles deveriam obedecer a toda uma série de regras. Alguns anciãos transformaram em regras as sugestões de vez em quando dadas pelo “escravo fiel e discreto”. (Mateus 24:45) Por exemplo, sugeriu-se certa vez que, para se chegar a conhecer mais facilmente os irmãos na congregação, seria bom nem sempre sentar-se no mesmo lugar no Salão do Reino. Era para ser uma sugestão prática, não uma regra fixa. Mas alguns anciãos talvez estejam inclinados a transformá-la numa regra e a achar que aqueles que não a seguem não são teocráticos. No entanto, pode haver muitas razões boas pelas quais um irmão ou uma irmã prefiram sentar-se em certo lugar. Se o ancião não tomar isso em consideração com amor, será que ele mesmo é realmente teocrático? Para ser teocrático, faça com ‘que todos os seus assuntos se realizem com amor’. — 1 Coríntios 16:14.
Servir com alegria
14, 15. (a) Como poderia um ancião privar certos irmãos ou irmãs da sua alegria em servir a Jeová, e por que não seria isso teocrático? (b) Como mostrou Jesus que ele aprecia o amor expresso por meio de nosso serviço, em vez de pela quantidade dele? (c) O que devem os anciãos levar em consideração?
14 Ser teocrático significa também servir a Jeová com alegria. Jeová é o “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Deseja que seus adoradores o sirvam com alegria. Aqueles que se obstinam em regras deviam lembrar-se de que entre os regulamentos que Israel tinha de “cuidar em cumprir” estava o seguinte: “Tens de alegrar-te perante Jeová, teu Deus, em todo empreendimento teu.” (Deuteronômio 12:1, 18) Não importa o que façamos no serviço de Jeová, deve ser para nós uma alegria, não um peso. Os superintendentes podem contribuir muito para fazer os irmãos sentirem-se felizes com o que podem fazer para servir a Jeová. Inversamente, se os anciãos não tiverem cuidado, poderão privar alguns irmãos da sua alegria. Por exemplo, se fizerem comparações, elogiando os que alcançaram ou excederam a média de horas da congregação em dar testemunho, dando assim a entender que criticam os que não a alcançaram, como se sentirão aqueles que tiveram motivos válidos para relatar muito menos tempo? Não poderia isso fazê-los sentir-se desnecessariamente culpados e privá-los da sua alegria?
15 As poucas horas que alguns podem dedicar ao testemunho público talvez representem um esforço maior do que as muitas horas que outros gastam na pregação, em vista de serem mais jovens, de melhor saúde e de outras circunstâncias. Neste respeito, os anciãos não devem julgá-los. Na realidade, foi a Jesus que o Pai deu “autoridade para julgar”. (João 5:27) Criticou Jesus a viúva pobre porque a oferta dela foi inferior à média? Não, ele entendeu o que essas duas pequenas moedas realmente significavam para ela. Eram “tudo o que tinha, todo o seu meio de vida”. Que profundo amor elas representavam! (Marcos 12:41-44) Devem os anciãos ser menos compreensivos para com os esforços amorosos daqueles cujo tudo é numericamente inferior à “média”? Em termos de amor a Jeová, esses esforços talvez estejam bem acima da média!
16. (a) Se os superintendentes usarem dados nos seus discursos, por que precisarão de discernimento e de bom equilíbrio? (b) Como se pode ajudar melhor os irmãos a aumentarem seu serviço?
16 Devem estas observações agora ser convertidas numa nova “regra”, segundo a qual nunca se devem mencionar números — nem mesmo médias? De modo algum! O ponto é que os superintendentes precisam usar de equilíbrio entre incentivar os irmãos a ampliar seu ministério e ajudá-los a fazer com alegria o que podem realizar. (Gálatas 6:4) Na ilustração de Jesus a respeito dos talentos, o amo confiou seu bens aos seus escravos, “a cada um segundo a sua própria capacidade”. (Mateus 25:14, 15) Os anciãos também devem tomar em consideração as possibilidades de cada publicador do Reino. Isto exige discernimento. Pode ser que alguns precisem mesmo de encorajamento para fazer mais. Talvez apreciem receber ajuda para organizar melhor suas atividades. Seja como for, se puderem ser ajudados a fazer com alegria aquilo de que são capazes, esta alegria provavelmente os fortalecerá para ampliarem sua atividade cristã conforme for possível. — Neemias 8:10; Salmo 59:16; Jeremias 20:9.
A paz resultante de submissão com alegria
17, 18. (a) Como pode a submissão com alegria resultar para nós em paz e justiça? (b) O que poderemos conseguir se realmente prestarmos atenção aos mandamentos de Deus?
17 A submissão com alegria à soberania legítima de Jeová resulta para nós em grande paz. O salmista disse em oração a Jeová: “Paz abundante pertence aos que amam a tua lei, e para eles não há pedra de tropeço.” (Salmo 119:165) Somos beneficiados por obedecer à lei de Deus. Jeová disse a Israel: “Assim disse Jeová, teu Resgatador, o Santo de Israel: ‘Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar. Oh! se tão-somente prestasses realmente atenção aos meus mandamentos! A tua paz se tornaria então como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.’” — Isaías 48:17, 18.
18 O sacrifício resgatador de Cristo resulta para nós em paz com Deus. (2 Coríntios 5:18, 19) Se tivermos fé no sangue resgatador de Cristo, e se nos esforçarmos conscienciosamente a lutar contra as nossas fraquezas e fizermos a vontade de Deus, teremos alívio do sentimento de culpa. (1 João 3:19-23) Esta fé, apoiada por obras, proporciona-nos uma condição justa perante Jeová, bem como a esperança maravilhosa de sobreviver à “grande tribulação” e de viver para sempre no novo mundo de Jeová. (Revelação 7:14-17; João 3:36; Tiago 2:22, 23) Podemos ter tudo isso ‘se tão-somente prestarmos realmente atenção aos mandamentos de Deus’.
19. De que depende a nossa felicidade agora e a nossa esperança de vida eterna, e como expressou Davi a nossa convicção de coração?
19 Sim, nossa felicidade agora e nossa esperança de vida eterna numa terra paradísica giram em torno de nossa submissão alegre à autoridade de Jeová como Soberano Senhor do Universo. Compartilhemos sempre os sentimentos de Davi, que disse: “Tuas, ó Jeová, são a grandeza, e a potência, e a beleza, e a excelência, e a dignidade; pois teu é tudo nos céus e na terra. Teu é o reino, ó Jeová, que te ergues como cabeça sobre todos. E agora, ó nosso Deus, te agradecemos e louvamos o teu belo nome.” — 1 Crônicas 29:11, 13.
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