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  • Preste constante atenção ao seu ensino
    A Sentinela — 1999 | 15 de março
    • Preste constante atenção ao seu ensino

      “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” — 1 TIMÓTEO 4:16.

      1, 2. Por que há hoje necessidade urgente de instrutores zelosos?

      “IDE . . . e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mateus 28:19, 20) Em vista desta ordem de Jesus Cristo, todos os cristãos devem esforçar-se a ser instrutores. Há necessidade de instrutores zelosos para ajudar os sinceros a obter conhecimento de Deus antes de ser tarde demais. (Romanos 13:11) O apóstolo Paulo instou: “Prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa.” (2 Timóteo 4:2) Isto requer que se dê ensino tanto dentro como fora da congregação. Deveras, até mesmo a própria comissão de pregar já envolve mais do que apenas anunciar a mensagem de Deus. O ensino eficaz é necessário se os interessados hão de tornar-se discípulos.

      2 Vivemos em “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) As pessoas sofreram uma lavagem cerebral por filosofias seculares e ensinos falsos. Muitas estão “mentalmente em escuridão” e “além de todo o senso moral”. (Efésios 4:18, 19) Alguns têm dolorosas feridas emocionais. Deveras, as pessoas são mesmo “esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) No entanto, por usarmos a arte de ensino, podemos ajudar os sinceros a fazer as necessárias mudanças.

      Instrutores na congregação

      3. (a) O que está incluído na comissão de ensino dada por Jesus? (b) Quem primariamente tem a responsabilidade de ensinar na congregação?

      3 Milhões de pessoas estão recebendo instrução pessoal por meio da provisão do estudo bíblico domiciliar. No entanto, os novos, depois do seu batismo, precisam de ajuda adicional para ficar “arraigados e estabelecidos sobre o alicerce”. (Efésios 3:17) Ao cumprirmos a comissão dada por Jesus em Mateus 28:19, 20, e encaminharmos os novos à organização de Jeová, eles tiram proveito do ensino dentro da própria congregação. Segundo Efésios 4:11-13, foram designados homens para servir “como pastores e instrutores, visando o reajustamento dos santos para a obra ministerial, para a edificação do corpo do Cristo”. Às vezes, a sua arte de ensino envolve a necessidade de ‘repreender, advertir e exortar com toda a longanimidade’. (2 Timóteo 4:2) O serviço dos instrutores era tão importante que Paulo, ao escrever aos coríntios, alistou os instrutores logo após os apóstolos e os profetas. — 1 Coríntios 12:28.

      4. Como nos ajuda a capacidade de ensinar a obedecer à exortação de Paulo, registrada em Hebreus 10:24, 25?

      4 É verdade que nem todos os cristãos servem como anciãos ou superintendentes. Não obstante, todos são incentivados a estimularem uns aos outros “ao amor e a obras excelentes”. (Hebreus 10:24, 25) Fazer isso nas reuniões envolve comentários bem preparados e sinceros que podem edificar e incentivar outros. Experientes publicadores do Reino podem também ‘estimular obras excelentes’ por compartilharem seu conhecimento e sua experiência com os novos, ao trabalhar com eles no ministério de campo. Em tais momentos e em ocasiões informais podem-se transmitir instruções valiosas. Por exemplo, mulheres maduras são incentivadas a ser “instrutoras do que é bom”. — Tito 2:3.

      Persuadidos a crer

      5, 6. (a) Como se contrasta o verdadeiro cristianismo com a adoração falsa? (b) Como ajudam os anciãos os novos a tomar decisões sábias?

      5 O verdadeiro cristianismo destaca-se assim em nítido contraste com as religiões falsas, muitas das quais procuram controlar o modo de pensar dos seus membros. Quando Jesus estava na Terra, os líderes religiosos procuravam controlar praticamente todos os aspectos da vida das pessoas por meio de tradições opressivas de homens. (Lucas 11:46) Os clérigos da cristandade muitas vezes têm feito o mesmo.

      6 A verdadeira adoração, porém, é “um serviço sagrado” que oferecemos com nossa “faculdade de raciocínio”. (Romanos 12:1) Os servos de Jeová ficam ‘persuadidos a crer’. (2 Timóteo 3:14) Às vezes, os que tomam a dianteira talvez tenham de introduzir algumas orientações e procedimentos para o funcionamento suave da congregação. No entanto, em vez de procurar tomar decisões para os concristãos, os anciãos lhes ensinam a “distinguir tanto o certo como o errado”. (Hebreus 5:14) Os anciãos fazem isso primariamente por nutrir a congregação “com as palavras da fé e do ensino excelente”. — 1 Timóteo 4:6.

      Preste atenção ao seu ensino

      7, 8. (a) Como podem pessoas de habilidades modestas servir quais instrutores? (b) O que indica que requer esforço para se tornar um instrutor eficaz?

      7 Mas, voltemos a falar da nossa comissão geral de ensinar. Requer alguma habilidade, educação ou capacidade especial para participarmos neste serviço? Não necessariamente. Na maior parte, esta obra de ensino mundial é realizada por pessoas comuns de habilidades modestas. (1 Coríntios 1:26-29) Paulo explica: “Temos este tesouro [do ministério] em vasos de barro [corpos imperfeitos], para que o poder além do normal seja o de Deus e não o de nós mesmos.” (2 Coríntios 4:7) O enorme êxito que a pregação global do Reino tem tido dá testemunho do poder do espírito de Jeová.

      8 No entanto, requer grande esforço pessoal para alguém se tornar “obreiro que não tem nada de que se envergonhar, manejando corretamente a palavra da verdade”. (2 Timóteo 2:15) Paulo instou com Timóteo: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” (1 Timóteo 4:16) Como é que alguém presta atenção ao seu ensino, quer dentro quer fora da congregação? Será que isso requer que se dominem certas habilidades ou técnicas de ensino?

      9. O que é mais importante do que as habilidades naturais?

      9 Jesus certamente mostrou no seu famoso Sermão do Monte que tinha uma compreensão extraordinária de métodos de ensino. Depois de acabar de falar, “as multidões ficaram assombradas com o seu modo de ensinar”. (Mateus 7:28) Naturalmente, nenhum de nós consegue ensinar tão bem como Jesus. Mas, não precisamos ser oradores eloqüentes para ser instrutores eficazes. Ora, segundo Jó 12:7, até mesmo “animais domésticos” e “criaturas aladas” podem ensinar calados! Além das habilidades ou aptidões naturais que possamos ter, o que vale mais é “que sorte de pessoas” somos — que qualidades temos e que hábitos espirituais cultivamos, os quais os estudantes podem imitar. — 2 Pedro 3:11; Lucas 6:40.

      Estudantes da Palavra de Deus

      10. Que excelente exemplo deu Jesus como estudante da Palavra de Deus?

      10 O instrutor eficaz das verdades bíblicas tem de ser estudante da Palavra de Deus. (Romanos 2:21) Neste respeito, Jesus Cristo deu um exemplo extraordinário. Durante o seu ministério, Jesus mencionou ou expressou pensamentos paralelos a passagens em cerca de metade dos livros das Escrituras Hebraicas.a Sua familiaridade com a Palavra de Deus era evidente à idade de 12 anos, quando foi encontrado “sentado no meio dos instrutores, e escutando-os e interrogando-os”. (Lucas 2:46) Como adulto, Jesus tinha por costume ir à sinagoga, onde se lia a Palavra de Deus. — Lucas 4:16.

      11. Que bons hábitos de estudo deve o instrutor cultivar?

      11 É você um ávido leitor da Palavra de Deus? Pesquisá-la é a maneira pela qual ‘entenderá o temor a Jeová e achará o próprio conhecimento de Deus’. (Provérbios 2:4, 5) Portanto, desenvolva bons hábitos de estudo. Procure ler todos os dias um trecho da Palavra de Deus. (Salmo 1:2) Tome por hábito ler cada número de A Sentinela e de Despertai! assim que o receber. Preste detida atenção nas reuniões congregacionais. Aprenda a fazer cuidadosa pesquisa. Por aprender a ‘pesquisar todas as coisas com exatidão’, poderá evitar exageros e inexatidões no seu ensino. — Lucas 1:3.

      Amor e respeito pelos ensinados

      12. Qual era a atitude de Jesus para com seus discípulos?

      12 Outra qualidade importante é a atitude correta para com aqueles que você instrui. Os fariseus desprezavam os que escutavam a Jesus. “Esta multidão, que não sabe a Lei, são pessoas amaldiçoadas”, diziam eles. (João 7:49) Mas Jesus tinha profundo amor e respeito pelos seus discípulos. Ele disse: “Não mais vos chamo de escravos, porque o escravo não sabe o que seu amo faz. Mas, eu vos chamei de amigos, porque todas as coisas que tenho ouvido do meu Pai vos tenho deixado saber.” (João 15:15) Isto indicava como os discípulos de Jesus deviam realizar sua atividade de ensino.

      13. O que achava Paulo dos que ele ensinava?

      13 Por exemplo, Paulo não mantinha um relacionamento frio, impessoal, com os estudantes. Ele disse aos coríntios: “Embora tenhais dez mil tutores em Cristo, certamente não tendes muitos pais; porque eu me tornei vosso pai em Cristo Jesus por intermédio das boas novas.” (1 Coríntios 4:15) Ocasionalmente, Paulo até mesmo vertia lágrimas ao admoestar os que ele ensinava! (Atos 20:31) Ele demonstrava também extraordinária paciência e bondade. Por isso, podia dizer aos tessalonicenses: “Tornamo-nos meigos entre vós, como a mãe lactante que acalenta os seus próprios filhos.” — 1 Tessalonicenses 2:7.

      14. Por que é muito importante que tenhamos interesse pelos que estudam a Bíblia conosco? Queira ilustrar isso.

      14 Imita você a Jesus e a Paulo? O amor sincero aos nossos estudantes pode mais do que compensar a falta de algumas habilidades naturais que talvez tenhamos. Acham os que estudam a Bíblia conosco que estamos sinceramente interessados neles? Tomamos tempo para conhecê-los melhor? Quando certa cristã teve dificuldades em ajudar uma estudante a progredir em sentido espiritual, ela perguntou bondosamente: “Está preocupada com alguma coisa?” A senhora desabafou-se, falando sobre várias preocupações e ansiedades que tinha. Essa conversa amorosa mudou a senhora. Em casos assim, são apropriados pensamentos e palavras bíblicas de consolo e de encorajamento. (Romanos 15:4) Mas é preciso ter cautela, porque o estudante da Bíblia talvez progrida rapidamente, mas ainda pode ter de superar alguns modos não-cristãos. Portanto, talvez não seja sábio associar-se socialmente demais com a pessoa. Devem-se manter as corretas limitações cristãs. — 1 Coríntios 15:33.

      15. Como podemos mostrar respeito pelos que estudam a Bíblia conosco?

      15 O respeito que temos pelos nossos estudantes inclui não tentarmos controlar a vida particular deles. (1 Tessalonicenses 4:11) Por exemplo, talvez estejamos estudando com uma senhora que vive com um homem sem estar casada com ele. Talvez tenham tido filhos. A senhora, por ter chegado a ter conhecimento exato de Jeová Deus, deseja endireitar a situação com Ele. (Hebreus 13:4) Devia casar-se com o homem ou separar-se dele? Nós talvez estejamos convencidos de que casar-se ela com um homem que tem pouco ou nenhum interesse espiritual estorvaria o futuro progresso dela. Por outro lado, talvez nos preocupemos com o bem-estar dos filhos dela e achemos que seria melhor que ela se casasse com o homem. De qualquer modo, é desrespeitoso e desamoroso intrometer-se na vida da estudante e tentar impor nossas próprias opiniões sobre tais assuntos. Afinal, é ela quem terá de viver com as conseqüências da decisão. Então, não seria melhor treinar tal estudante a usar suas próprias “faculdades perceptivas” e decidir por si mesma o que fazer? — Hebreus 5:14.

      16. Como podem os anciãos mostrar amor e respeito pelos do rebanho de Deus?

      16 É especialmente importante que os anciãos congregacionais tratem o rebanho com amor e com respeito. Escrevendo a Filêmon, Paulo disse: “Embora eu tenha muita franqueza no falar em conexão com Cristo para te ordenar a fazer o que é correto, exorto-te antes à base do amor.” (Filêmon 8, 9) Às vezes podem surgir situações frustradoras na congregação. Talvez seja necessário usar de firmeza. Paulo exortou Tito a ‘persistir em repreender os errantes com severidade, para que sejam sãos na fé’. (Tito 1:13) Mesmo assim, os superintendentes devem ter cuidado de não falar com dureza à congregação. “O escravo do Senhor não precisa lutar, porém, precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal.” — 2 Timóteo 2:24; Salmo 141:3.

      17. Que erro cometeu Moisés, e o que podem os anciãos aprender disso?

      17 Os superintendentes precisam lembrar-se continuamente de que estão lidando com “o rebanho de Deus”. (1 Pedro 5:2) Moisés, embora fosse humilde, perdeu por um pouco esta perspectiva. Os israelitas “amarguraram-lhe o espírito e ele começou a falar precipitadamente com os seus lábios”. (Salmo 106:33) A Deus desagradou muito que se maltratasse assim os do Seu rebanho, embora esses não fossem nada inculpes. (Números 20:2-12) Os anciãos, quando se confrontam com desafios similares, devem esforçar-se a ensinar e a instruir com perspicácia e bondade. Nossos irmãos reagem melhor quando são tratados com consideração e como alguém que precisa de ajuda, não como alguém que não tem jeito. Os anciãos precisam manter o conceito positivo de Paulo, quando ele disse: “Temos confiança no Senhor, quanto a vós, de que fazeis e continuareis a fazer as coisas que ordenamos.” — 2 Tessalonicenses 3:4.

      Compreenda as necessidades deles

      18, 19. (a) Como devemos reagir às necessidades dos estudantes da Bíblia que têm habilidades limitadas? (b) Como podemos ajudar os estudantes que têm dificuldade com certos assuntos específicos?

      18 O instrutor eficaz está disposto a se adaptar às habilidades e às limitações dos seus estudantes. (Note João 16:12.) Na ilustração que Jesus deu dos talentos, o amo concedeu privilégios “a cada um segundo a sua própria capacidade”. (Mateus 25:15) Podemos seguir um modelo similar ao dirigir estudos bíblicos. Naturalmente, é desejável abranger uma publicação bíblica dentro dum período razoavelmente curto. No entanto, é preciso reconhecer que nem todos têm boa leitura ou a capacidade de assimilar rapidamente novas idéias. Por isso, precisa-se de discernimento para saber quando passar de um ponto para outro no estudo, quando pessoas acessíveis têm dificuldades em acompanhar o passo rápido. Mais importante do que cobrir a matéria num ritmo fixo é ajudar os estudantes a entender o sentido do que aprendem. — Mateus 13:51.

      19 O mesmo se pode dizer dos estudantes da Bíblia que têm dificuldades com certos assuntos específicos, tais como a Trindade ou os feriados religiosos. Embora em geral não seja necessário incluir matéria de pesquisa bíblica nos nossos estudos, ocasionalmente podemos fazer isso se for evidente que é benéfico. Deve-se usar de bom critério para impedir que haja desnecessariamente uma diminuição no progresso do estudante.

      Seja entusiástico!

      20. Que exemplo deu Paulo em demonstrar entusiasmo e convicção no seu ensino?

      20 “Sede fervorosos de espírito”, disse Paulo. (Romanos 12:11) Deveras, quer dirijamos um estudo bíblico domiciliar, quer participemos numa reunião congregacional, devemos fazê-lo com zelo e entusiasmo. Paulo disse aos tessalonicenses: “As boas novas que pregamos não se apresentaram entre vós apenas em palavra, mas também com poder e com espírito santo, e com forte certeza.” (1 Tessalonicenses 1:5) Por isso, Paulo e seus companheiros ‘não só conferiram as boas novas de Deus, mas também as suas próprias almas’. — 1 Tessalonicenses 2:8.

      21. Como podemos manter uma atitude entusiástica para com nossa tarefa de instruir?

      21 O entusiasmo genuíno é resultado da firme convicção de que nossos estudantes da Bíblia precisam ouvir o que temos a dizer. Nunca devemos encarar como rotina a tarefa de instruir. O escriba Esdras, neste respeito, certamente deu atenção ao seu ensino. Ele “tinha preparado seu coração para consultar a lei de Jeová e para praticá-la, e para ensinar . . . em Israel”. (Esdras 7:10) Devemos fazer o mesmo por nos preparar cabalmente e por refletir na importância da matéria. Oremos a Jeová para nos encher de fé e de convicção. (Lucas 17:5) Nosso entusiasmo pode ajudar os estudantes da Bíblia a desenvolver verdadeiro amor pela verdade. Naturalmente, prestarmos atenção ao nosso ensino pode envolver usar técnicas específicas de ensino. Nosso próximo artigo tratará de algumas delas.

  • Ensine com perspicácia e com persuasão
    A Sentinela — 1999 | 15 de março
    • Ensine com perspicácia e com persuasão

      “O coração do sábio faz que a sua boca mostre perspicácia e acrescenta persuasão aos seus lábios.” — PROVÉRBIOS 16:23.

      1. Por que ensinar a Palavra de Deus envolve mais do que apenas transmitir informações?

      NOSSO objetivo como instrutores da Palavra de Deus é iluminar não só a mente de nossos estudantes, mas também o seu coração. (Efésios 1:18) Por isso, o ensino envolve mais do que apenas transmitir informações. Provérbios 16:23 diz: “O coração do sábio faz que a sua boca mostre perspicácia e acrescenta persuasão aos seus lábios.”

      2. (a) O que significa persuadir? (b) Como é possível que todos os cristãos sejam instrutores persuasivos?

      2 O apóstolo Paulo certamente aplicava este princípio no seu ensino. Quando estava em Corinto, “cada sábado, ele dava um discurso na sinagoga e persuadia judeus e gregos”. (Atos 18:4) Segundo certa autoridade, a palavra grega aqui traduzida “persuadia” significa “fazer mudar de idéia pela influência da razão ou de considerações morais”. Paulo, por meio de argumentos convincentes, conseguiu induzir pessoas a mudar até de modo de pensar. Sua habilidade de persuadir era tão enorme, que ele era temido pelos inimigos. (Atos 19:24-27) No entanto, o ensino de Paulo não era uma demonstração de habilidade humana. Ele disse aos coríntios: “A minha linguagem e aquilo que preguei não foram em palavras persuasivas de sabedoria, mas numa demonstração de espírito e de poder, para que a vossa fé não fosse na sabedoria de homens, mas no poder de Deus.” (1 Coríntios 2:4, 5) Visto que todos os cristãos têm a ajuda do espírito de Jeová Deus, todos podem tornar-se instrutores persuasivos. Mas como? Examinemos algumas das eficazes técnicas de ensino.

      Seja bom ouvinte

      3. Por que se precisa de perspicácia quando se ensina outros, e como podemos tocar o coração dum estudante da Bíblia?

      3 A primeira técnica de ensino não envolve o falar, mas o ouvir. Conforme notado em Provérbios 16:23, para sermos persuasivos temos de ser perspicazes. Jesus certamente tinha perspicácia relativo às pessoas que ele ensinava. João 2:25 diz: “Ele mesmo sabia o que havia no homem.” Mas, como podemos nós saber o que há no coração daqueles que ensinamos? Um modo é ser bom ouvinte. Tiago 1:19 diz: “Todo homem tem de ser rápido no ouvir, vagaroso no falar.” É verdade que nem todos expressam logo as suas idéias. Quando os que estudam a Bíblia conosco ficam convencidos de que temos genuíno interesse neles, talvez fiquem mais inclinados a expressar seus verdadeiros sentimentos. Perguntas bondosas, mas discernentes, muitas vezes podem ajudar-nos a tocar o coração e ‘puxar para fora’ tais expressões. — Provérbios 20:5.

      4. Por que devem os anciãos cristãos ser bons ouvintes?

      4 É especialmente importante que os anciãos cristãos sejam bons ouvintes. Só assim podem realmente ‘saber como responder a cada um’. (Colossenses 4:6) Provérbios 18:13 adverte: “Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação.” Certa vez, dois irmãos bem-intencionados deram a uma irmã conselho sobre o mundanismo, por ela ter perdido algumas reuniões. A irmã ficou muito magoada por não lhe terem perguntado por que ela não esteve nas reuniões. Ela se estava recuperando duma recente cirurgia. Então, como é importante que escutemos antes de dar conselho!

      5. Como podem os anciãos lidar com disputas surgidas entre irmãos?

      5 No caso dos anciãos, o ensino muitas vezes envolve dar conselhos a outros. Nisso também é importante ser bom ouvinte. Ficar ouvindo é especialmente necessário quando surgem disputas entre cristãos. Apenas depois de ouvirem é que os anciãos podem imitar “o Pai que julga imparcialmente”. (1 Pedro 1:17) Em tais situações, as emoções muitas vezes ficam exaltadas, e o ancião faria bem em lembrar-se do conselho de Provérbios 18:17: “O primeiro na sua causa jurídica é justo; entra seu próximo e certamente o esquadrinha.” O instrutor eficaz escutará ambas as partes. Por fazer uma oração, ele ajuda a acalmar o ambiente. (Tiago 3:18) Quando os ânimos ficam exaltados, ele pode sugerir que cada irmão fale diretamente com ele sobre suas preocupações, em vez de os dois altercarem entre si. Por fazer perguntas apropriadas, o ancião talvez possa esclarecer as questões em consideração. Em muitos casos, péssima comunicação, não maldade, provoca disputas. Mas quando houve uma violação de princípios bíblicos, o instrutor amoroso pode então instruir com perspicácia, tendo ouvido ambos os lados.

      O valor da simplicidade

      6. Que exemplo deram Paulo e Jesus em ensinar com simplicidade?

      6 Simplificar as coisas é outra valiosa habilidade do ensino. É verdade que queremos que os estudantes da Bíblia ‘sejam cabalmente capazes de compreender, junto com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade’ da verdade. (Efésios 3:18) Há aspectos de doutrinas bíblicas que são fascinantes e muitas vezes desafiantes. (Romanos 11:33) No entanto, quando Paulo pregava aos gregos, ele enfocava a mensagem simples de ‘Cristo pregado numa estaca’. (1 Coríntios 2:1, 2) De forma similar, Jesus pregava de modo claro e agradável. Ele usou um vocabulário simples no seu Sermão do Monte. Todavia, este contém algumas das verdades mais profundas já proferidas. — Mateus, capítulos 5-7.

      7. Como podemos manter as coisas simples ao dirigir estudos bíblicos?

      7 Do mesmo modo, nós podemos manter as coisas simples ao ensinar nos estudos bíblicos. De que forma? Por enfocar as “coisas mais importantes”. (Filipenses 1:10) Ao abrangermos assuntos profundos, devemos tentar expressar-nos em linguagem clara. Devemos destacar os textos-chave, em vez de tentar ler e considerar todo texto bíblico mencionado numa publicação. Isto requer boa preparação da nossa parte. Temos de evitar sobrecarregar o estudante com pormenores, não permitindo que sejamos desviados por assuntos de importância menor. Quando um estudante tem uma pergunta não diretamente relacionada com a lição, podemos sugerir com tato que ela seja considerada depois de terminar a lição.

      Uso eficaz de perguntas

      8. Como Jesus usou perguntas com eficiência?

      8 Outra habilidade útil de ensino envolve fazer perguntas eficazes. Jesus Cristo usava extensamente perguntas no seu ensino. Por exemplo, Jesus perguntou a Pedro: “‘O que achas, Simão? De quem recebem os reis da terra os direitos ou o imposto por cabeça? Dos seus filhos ou dos estranhos?’ Quando ele disse: ‘Dos estranhos’, Jesus disse-lhe: ‘Realmente, então, os filhos estão isentos de impostos.’” (Mateus 17:24-26) Sendo Jesus o Filho unigênito Daquele que era adorado no templo, ele não era obrigado a pagar o imposto do templo. Mas Jesus fez entender essa verdade por meio do uso eficaz de perguntas. Ele ajudou assim a Pedro a tirar a conclusão certa, baseada nas informações que já possuía.

      9. Como podemos usar perguntas durante estudos bíblicos?

      9 Podemos fazer bom uso de perguntas durante os estudos bíblicos. Quando um estudante dá uma resposta errada, talvez seja tentador dar a correta, mas será que ele se lembrará depois da informação? Muitas vezes é melhor tentar induzir o estudante a chegar à conclusão certa por fazer perguntas. Por exemplo, se ele tiver dificuldade em compreender por que devia usar o nome divino, podemos perguntar: ‘É seu nome importante para você? . . . Por quê? . . . Como se sentiria se alguém se negasse a usar seu nome? . . . Não é razoável que Deus requeira que usemos o nome próprio dele?’

      10. Como podem os anciãos usar perguntas ao ajudarem pessoas que sofreram traumas emocionais?

      10 Os anciãos podem também fazer bom uso de perguntas ao pastorearem o rebanho. Muitos na congregação sofreram traumas emocionais e foram maltratados pelo mundo de Satanás e podem sentir-se impuros e achar que não merecem ser amados. O ancião poderia argumentar com tal pessoa por dizer: ‘Embora diga que se sente impuro, o que acha que Jeová pensa de você? Se o nosso amoroso Pai celestial permitiu que seu Filho morresse e fornecesse um resgate por você, não significa isso que Deus o ama?’ — João 3:16.

      11. Qual é o objetivo das perguntas retóricas e como podem ser usadas ao se falar em público?

      11 Perguntas retóricas são outra técnica útil de ensino. Não se espera que os ouvintes respondam a elas, mas eles são assim ajudados a raciocinar sobre os assuntos. Os profetas da antiguidade muitas vezes fizeram tais perguntas para induzir seus ouvintes a raciocinar. (Jeremias 18:14, 15) Jesus usava eficazmente perguntas retóricas. (Mateus 11:7-11) Essas perguntas são especialmente eficazes ao se falar em público. Em vez de simplesmente dizer aos ouvintes que eles têm de servir a Jeová de toda a alma para agradá-lo, pode ser mais eficaz perguntar: ‘Será que Jeová se agradará de nós se não o servirmos de toda a alma?’

      12. Que valor tem fazer perguntas sobre a opinião da pessoa?

      12 Perguntas sobre a opinião do estudante da Bíblia são úteis para se saber se ele realmente crê aquilo que aprende. (Mateus 16:13-16) O estudante talvez responda corretamente que a fornicação é errada. Mas, por que não acompanhar isso com perguntas tais como: O que você acha das normas de moralidade de Deus? Acha que são restritivas demais? Diria que realmente faz diferença você seguir ou não seguir as normas de Deus?

      Ilustrações que tocam o coração

      13, 14. (a) O que significa ilustrar alguma coisa? (b) Por que ilustrações boas são eficazes?

      13 Outra maneira de tocar o coração de ouvintes e de estudantes da Bíblia é usar ilustrações eficazes. A expressão grega traduzida “ilustração” significa literalmente “colocar ao lado ou junto”. Quando ilustra algo, você o está explicando por ‘colocá-lo ao lado’ de outra coisa similar. Por exemplo, Jesus perguntou: “A que compararemos o reino de Deus, ou com que ilustração o definiremos?” Em resposta, Jesus mencionou o conhecido grão de mostarda. — Marcos 4:30-32.

      14 Os profetas de Deus usavam muitas fortes ilustrações. Quando os assírios, que haviam servido como instrumento de Deus para punir os israelitas, recorreram a uma crueldade gratuita, Isaías expôs a sua presunção com a seguinte ilustração: “Realçar-se-á o machado sobre aquele que corta com ele, ou magnificar-se-á a própria serra sobre aquele que a move para lá e para cá?” (Isaías 10:15) Ao instruir outros, Jesus também usava extensamente ilustrações. Relata-se que “não lhes falava sem ilustração”. (Marcos 4:34) Boas ilustrações são eficazes porque envolvem tanto a mente como o coração. Permitem que os ouvintes absorvam prontamente novas informações por compará-las com algo que já conhecem.

      15, 16. O que torna as ilustrações mais eficazes? Cite exemplos.

      15 Como podemos usar ilustrações que realmente tocam o coração? Em primeiro lugar, a ilustração tem de ter uma semelhança razoável ao que se explica. Se a comparação realmente não for apropriada, a ilustração distrairá em vez de esclarecer os ouvintes. Um orador bem-intencionado certa vez tentou transmitir a idéia da submissão dos do restante ungido a Jesus Cristo por compará-los a um fiel cachorro de estimação. Mas, será que tal comparação humilhante é realmente apropriada? A Bíblia transmite a mesma idéia de forma muito mais atraente e dignificante. Ela compara os 144.000 seguidores ungidos de Jesus a uma “noiva adornada para seu marido”. — Revelação (Apocalipse) 21:2.

      16 As ilustrações são mais eficazes quando se relacionam com a vida das pessoas. A ilustração de Natã a respeito da cordeira que foi abatida tocou o coração do Rei Davi, porque ele amava as ovelhas, tendo servido como pastor na juventude. (1 Samuel 16:11-13; 2 Samuel 12:1-7) Se a ilustração tivesse envolvido um touro, talvez não fosse nem de perto tão eficaz. De modo similar, as ilustrações baseadas em fenômenos científicos ou em obscuros incidentes históricos podem ter pouco significado para nossos ouvintes. Jesus usava ilustrações da vida cotidiana. Falava de coisas tão comuns como uma lâmpada, as aves do céu e os lírios do campo. (Mateus 5:15, 16; 6:26, 28) Os ouvintes de Jesus podiam facilmente relacionar-se com essas coisas.

      17. (a) Em que podemos basear nossas ilustrações? (b) Como podemos adaptar ilustrações usadas nas nossas publicações à situação de nossos estudantes?

      17 No nosso ministério, temos muitas oportunidades para usar ilustrações simples, mas eficazes. Esteja atento. (Atos 17:22, 23) Uma ilustração talvez possa basear-se nos filhos, no lar, no emprego ou num passatempo do ouvinte. Ou podemos usar o que sabemos a respeito do estudante da Bíblia para realçar as ilustrações já fornecidas a nós na matéria do estudo. Por exemplo, tome a ilustração eficaz usada no parágrafo 14 do capítulo 8 do livro Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna. Ela envolve um pai amoroso que é caluniado por um vizinho. Faríamos bem em refletir em como adaptar esta ilustração à situação dum estudante da Bíblia que é pai.

      Leia os textos bíblicos com habilidade

      18. Por que devemos esforçar-nos a ser leitores fluentes?

      18 Paulo exortou a Timóteo: “Continua a aplicar-te à leitura pública, à exortação, ao ensino.” (1 Timóteo 4:13) Visto que a Bíblia é fundamental para o nosso ensino, é proveitoso saber lê-la com fluência. Os levitas tinham o privilégio de ler a Lei mosaica para o povo de Deus. Será que a liam gaguejando ou com monotonia? Não, pois a Bíblia diz em Neemias 8:8: “Continuaram a ler alto no livro, na lei do verdadeiro Deus, fornecendo-se esclarecimento e dando-se o sentido dela; e continuaram a tornar a leitura compreensível.”

      19. Como podemos melhorar nossa leitura de textos bíblicos?

      19 Alguns cristãos que são oradores fluentes falham na leitura. Como podem melhorar? Pela prática. Sim, por lerem vez após vez em voz alta, até que o possam fazer com fluência. Se na sua língua houver disponíveis audiocassetes da Bíblia, é sábio prestar atenção à ênfase e à modulação usadas pelo leitor, e notar como se pronunciam nomes e palavras incomuns. Aqueles que tiverem a Tradução do Novo Mundo em português podem também tirar proveito dela por seguir a pronúncia indicada pela grafia fonética. Com a prática, até nomes tais como Maer-Salal-Hás-Baz podem ser lidos com relativa facilidade. — Isaías 8:1.

      20. Como podemos ‘prestar atenção ao nosso ensino’?

      20 Que privilégio temos, como povo de Jeová, de ser usados como instrutores! Que cada um de nós tome a sério esta responsabilidade. ‘Prestemos constante atenção a nós mesmos e ao nosso ensino.’ (1 Timóteo 4:16) Podemos ser bons instrutores por ser bons ouvintes, por manter as coisas simples, fazendo perguntas perspicazes, usando ilustrações eficazes e lendo bem os textos bíblicos. Que todos nós tiremos proveito do treinamento dado por Jeová por meio da sua organização, porque isso pode ajudar-nos a ter “a língua dos instruídos”. (Isaías 50:4) Por aproveitarmos plenamente todos os instrumentos fornecidos para o nosso ministério, inclusive brochuras, audiocassetes e videocassetes, podemos aprender a ensinar com perspicácia e com persuasão.

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