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Jeová — ‘o Deus que dá paz’A Sentinela — 2011 | 15 de agosto
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Jeová — ‘o Deus que dá paz’
“O Deus, que dá paz, esteja com todos vós.” — ROM. 15:33.
1, 2. Que situação tensa é relatada nos capítulos 32 e 33 de Gênesis, e com que final?
O LOCAL é próximo a Penuel, perto do vale da torrente do Jaboque, na margem leste do rio Jordão. Esaú soube que seu irmão gêmeo, Jacó, está voltando para casa. Mesmo já tendo passado 20 anos desde que Esaú lhe vendeu a primogenitura, Jacó teme que seu irmão ainda sinta por ele ódio mortal. Junto com 400 homens, Esaú marcha ao encontro de seu irmão com quem há muito rompera relações. Prevendo uma recepção hostil, Jacó envia a Esaú uma leva atrás de outra de presentes que chegam a mais de 550 animais domésticos. A cada grupo de animais enviados, os servos de Jacó informam a Esaú que se trata de um presente de seu irmão.
2 Chega o tão esperado momento! Caminhando corajosamente na direção de Esaú, Jacó se curva — não apenas uma vez, mas sete vezes. Jacó já havia feito a coisa mais importante que poderia ter feito para abrandar o coração de seu irmão — orar a Jeová para que o livrasse das mãos de Esaú. Jeová atendeu a oração? Sim. “Esaú foi correndo ao encontro dele”, diz a Bíblia, “e começou a abraçá-lo e a lançar-se ao pescoço dele, e a beijá-lo”. — Gên. 32:11-20; 33:1-4.
3. O que aprendemos do relato de Jacó e Esaú?
3 O relato de Jacó e Esaú mostra que devemos tomar medidas sérias e práticas para resolver problemas que ameacem a paz na congregação cristã. Jacó procurou fazer as pazes com Esaú, mas não porque tivesse prejudicado seu irmão e lhe devesse um pedido de desculpas. Não, Esaú havia desprezado sua primogenitura e a vendeu a Jacó por um prato de lentilhas. (Gên. 25:31-34; Heb. 12:16) No entanto, o modo como Jacó se aproximou de Esaú ilustra o quanto devemos nos empenhar para preservar a paz com os irmãos cristãos. Mostra também que, quando oramos pela paz e nos empenhamos por ela, o Deus verdadeiro abençoa os nossos esforços. Na Bíblia há muitos outros exemplos que nos ensinam a ser pacíficos.
O maior exemplo de todos
4. Que provisão Deus fez para salvar a humanidade do pecado e da morte?
4 O maior exemplo de alguém que busca a paz é Jeová — ‘o Deus que dá paz’. (Rom. 15:33) Pense em até que ponto Jeová foi para tornar possível termos uma relação pacífica com ele. Como pecaminosos descendentes de Adão e Eva, nós merecemos “o salário pago pelo pecado”. (Rom. 6:23) Ainda assim, com base no seu grande amor, Jeová providenciou a nossa salvação por enviar, do céu, seu Filho amado para nascer como humano perfeito. E o Filho colaborou voluntariamente. Ele concordou em ser morto pelos inimigos de Deus. (João 10:17, 18) O Deus verdadeiro ressuscitou seu Filho querido, que depois apresentou ao Pai o valor de seu sangue derramado, que resgataria da morte eterna os pecadores arrependidos. — Leia Hebreus 9:14, 24.
5, 6. Como o sangue derramado de Jesus afeta a estremecida relação entre Deus e a humanidade pecaminosa?
5 Como o sacrifício de resgate do Filho de Deus afeta a estremecida relação entre Deus e a humanidade pecaminosa? “O castigo intencionado para a nossa paz estava sobre ele”, diz Isaías 53:5, “e por causa das suas feridas tem havido cura para nós”. Em vez de serem considerados inimigos de Deus, os humanos obedientes podem agora ter uma relação pacífica com ele. “Mediante [Jesus] temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do sangue desse, sim, o perdão de nossas falhas.” — Efé. 1:7.
6 A Bíblia diz: “Deus achou bom que morasse [em Cristo] toda a plenitude.” Isso é porque Cristo é a peça central no cumprimento do propósito de Jeová. E qual é esse propósito? É “reconciliar novamente todas as outras coisas consigo mesmo, por fazer a paz por intermédio do sangue [derramado]” de Jesus Cristo. “Todas as outras coisas” que Deus desse modo faz com que entrem numa relação pacífica com ele são “as coisas nos céus” e “as coisas na terra”. Que coisas são essas? — Leia Colossenses 1:19, 20.
7. O que são “as coisas nos céus” e “as coisas na terra” que são levadas a uma relação pacífica com Deus?
7 A provisão do resgate torna possível que os cristãos ungidos, que ‘são declarados justos’ como filhos de Deus, ‘gozem de paz com Deus’. (Leia Romanos 5:1.) Eles são classificados de “as coisas nos céus” porque têm a esperança celestial e “hão de reinar sobre a terra” e servir como sacerdotes de Deus. (Rev. 5:10) A expressão “as coisas na terra”, por sua vez, refere-se a humanos arrependidos que por fim ganharão a vida eterna na Terra. — Sal. 37:29.
8. Como você se sente ao refletir sobre até que ponto Jeová foi para que a humanidade pudesse ter paz com ele?
8 Como expressão de sua sincera gratidão pela provisão de Jeová, Paulo escreveu aos cristãos ungidos em Éfeso: “Deus, que é rico em misericórdia, . . . vivificou-nos junto com o Cristo, mesmo quando estávamos mortos nas falhas — por benignidade imerecida é que fostes salvos.” (Efé. 2:4, 5) Quer tenhamos esperança celestial, quer terrestre, estamos muito endividados com Deus por sua misericórdia e bondade imerecida. Ficamos cheios de gratidão quando consideramos até que ponto Jeová foi para possibilitar que a humanidade tenha paz com ele. Assim, não é verdade que refletir com apreço no exemplo de Deus deveria nos mover a buscar a paz caso surjam situações que ameacem a união na congregação?
O que aprendemos das atitudes de Abraão e Isaque
9, 10. Como Abraão mostrou ser um homem de paz ao lidar com Ló quando surgiram desavenças entre os pastores deles?
9 A Bíblia diz sobre o patriarca Abraão: “‘[Ele] depositou fé em Jeová, e isso lhe foi contado como justiça’, e ele veio a ser chamado ‘amigo de Jeová’.” (Tia. 2:23) As atitudes pacíficas de Abraão provaram que ele era um homem de fé. Por exemplo, com o aumento de seus rebanhos, surgiram desavenças entre seus pastores e os pastores de seu sobrinho Ló. (Gên. 12:5; 13:7) A solução óbvia seria Abraão e Ló se separarem. Como Abraão lidou com essa situação difícil? Em vez de usar sua idade e posição perante Deus para impor sua vontade ao sobrinho, Abraão mostrou ser um verdadeiro homem de paz.
10 “Por favor, não continue qualquer altercação entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores”, Abraão disse a seu sobrinho, “pois nós homens somos irmãos”. O patriarca continuou: “Não te está disponível todo o país? Por favor, separa-te de mim. Se fores para a esquerda, então hei de ir para a direita; mas se fores para a direita, então hei de ir para a esquerda.” Ló escolheu a parte mais fértil do país, mas Abraão não ficou ressentido com ele. (Gên. 13:8-11) Mais tarde, quando Ló foi aprisionado por exércitos invasores, Abraão não hesitou em libertar seu sobrinho. — Gên. 14:14-16.
11. Como Abraão empenhou-se pela paz com seus vizinhos filisteus?
11 Lembre-se também de como Abraão empenhou-se pela paz com os vizinhos filisteus na terra de Canaã. Os filisteus ‘tomaram à força’ um poço de água cavado pelos servos de Abraão em Berseba. Qual foi a reação desse homem que havia libertado seu sobrinho vencendo os quatro reis que o haviam capturado? Em vez de brigar pela posse do poço, Abraão preferiu o silêncio. Com o tempo, o rei filisteu visitou Abraão para fazer um acordo de paz. Ele conseguiu que Abraão lhe jurasse que os descendentes do rei seriam tratados com bondade. Foi só então que Abraão trouxe à tona o assunto do poço roubado. Chocado com essa notícia, o rei lhe devolveu o poço. Abraão continuou a viver pacificamente como forasteiro no país. — Gên. 21:22-31, 34.
12, 13. (a) Como Isaque seguiu o exemplo de seu pai? (b) Como Jeová abençoou a atitude pacífica de Isaque?
12 Isaque, filho de Abraão, adotou o comportamento pacífico de seu pai. Isso ficou evidente no modo como lidou com os filisteus. Isaque morava em Beer-Laai-Roi, na região árida do Negebe. Daí, por causa de uma fome no país, ele havia se mudado com a família para o norte, a Gerar, um território mais fértil na terra dos filisteus. Ali Jeová o abençoou com grandes colheitas e aumentou seus rebanhos. Os filisteus ficaram com inveja. Não querendo que Isaque prosperasse como seu pai havia prosperado, os filisteus taparam os poços que os servos de Abraão haviam cavado na região. Por fim, o rei filisteu pediu a Isaque que ‘se mudasse da vizinhança deles’. Como homem de paz, Isaque concordou. — Gên. 24:62; 26:1, 12-17.
13 Depois que Isaque mudou seu acampamento para mais longe, seus pastores cavaram outro poço. Pastores filisteus alegaram que a água era deles. Assim como seu pai, Abraão, Isaque não brigou por causa de um poço. Em vez disso, mandou seus homens cavarem outro poço. De novo os filisteus disseram que a água era deles. Para manter a paz, Isaque mudou seu grande acampamento para outro lugar. Ali seus servos cavaram um poço que Isaque chamou de Reobote. Com o tempo, ele se mudou para Berseba, uma região mais fértil, onde Jeová o abençoou e lhe disse: “Não tenhas medo, porque estou contigo, e vou abençoar-te e multiplicar a tua descendência por causa de Abraão, meu servo.” — Gên. 26:17-25.
14. Como Isaque mostrou ser um homem pacífico quando o rei filisteu o procurou para fazer um acordo de paz?
14 Isaque sem dúvida tinha como lutar pelo direito de usar os poços que seus servos haviam cavado. Evidência disso é a visita que o rei filisteu e seus dignitários lhe fizeram em Berseba para tentar um acordo de paz com ele, dizendo: “Temos visto inconfundivelmente que Jeová mostrou estar contigo.” Mesmo assim, para manter a paz, Isaque mais de uma vez preferiu mudar-se para outra região, em vez de lutar. Também nessa ocasião Isaque mostrou ser um homem pacífico. O registro histórico diz: ‘Fez um banquete para seus visitantes, e comeram e beberam. Na manhã seguinte levantaram-se cedo e fizeram um ao outro declarações juramentadas. Depois, Isaque os despediu em paz.’ — Gên. 26:26-31.
O que aprendemos do filho mais amado de Jacó
15. Por que os irmãos de José não eram capazes de falar pacificamente com ele?
15 O filho de Isaque, Jacó, tornou-se um “homem inculpe”. (Gên. 25:27) Como vimos no início deste artigo, Jacó procurou fazer as pazes com seu irmão, Esaú. Jacó com certeza deve ter aprendido do exemplo pacífico de seu pai Isaque. Que dizer dos filhos de Jacó? Dentre seus 12 filhos, José era o mais amado por ele. José era um filho obediente e respeitoso que zelava muito pelos interesses de seu pai. (Gên. 37:2, 14) Mas os irmãos mais velhos de José ficaram tão enciumados que não eram capazes de falar pacificamente com ele. Sem piedade, venderam José como escravo e levaram seu pai a crer que ele havia sido morto por um animal selvagem. — Gên. 37:4, 28, 31-33.
16, 17. Como José mostrou a seus irmãos que era um homem pacífico?
16 Jeová sempre apoiou José. Com o tempo, ele tornou-se primeiro-ministro do Egito — a pessoa mais poderosa depois de Faraó. Quando uma fome severa obrigou os irmãos de José a ir ao Egito, eles não reconheceram seu irmão, vestido com roupa oficial egípcia. (Gên. 42:5-7) Como teria sido fácil para José retribuir a crueldade de seus irmãos para com ele e seu pai! Em vez de se vingar, porém, José procurou fazer as pazes com eles. Quando ficou evidente que seus irmãos haviam se arrependido, ele se revelou a eles, dizendo: “Não vos sintais magoados e não estejais irados com vós mesmos, por me terdes vendido para cá; porque foi para a preservação de vida que Deus me enviou na vossa frente.” Daí ele passou a beijar a todos os seus irmãos e a chorar sobre eles. — Gên. 45:1, 5, 15.
17 Depois da morte de seu pai, Jacó, os irmãos de José pensaram que ele agora se vingaria deles. Quando lhe expressaram seus temores, José “rompeu em pranto” e disse: “Não tenhais medo. Eu mesmo suprirei alimento a vós e às vossas criancinhas.” O pacífico José “os consolou e falou tranquilizadoramente com eles”. — Gên. 50:15-21.
“Escritas para a nossa instrução”
18, 19. (a) Que benefício você tirou de considerar os exemplos de homens pacíficos estudados neste artigo? (b) O que será considerado no próximo artigo?
18 “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução”, escreveu Paulo, “para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança”. (Rom. 15:4) Como nos beneficia o estudo tanto do exemplo superlativo de Jeová como dos relatos bíblicos sobre Abraão, Isaque, Jacó e José?
19 Podemos refletir com apreço sobre o que Jeová fez para restabelecer a estremecida relação entre ele e a humanidade pecaminosa. Não é verdade que tal reflexão nos move a fazer o possível para nos empenhar pela paz com outros? Os exemplos de Abraão, Isaque, Jacó e José mostram que os pais podem exercer uma boa influência sobre os filhos. Esses relatos mostram também que Jeová abençoa os que se empenham pela paz. Não é de admirar que Paulo se refira a Jeová como ‘o Deus que dá paz’! (Leia Romanos 15:33; 16:20.) O próximo artigo mostrará por que Paulo acentuou a necessidade de nos empenharmos pela paz e como podemos fazer isso.
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Empenhe-se pela pazA Sentinela — 2011 | 15 de agosto
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Empenhe-se pela paz
“Empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz.” — ROM. 14:19.
1, 2. O que explica a paz que existe entre as Testemunhas de Jeová?
A PAZ verdadeira é raridade no mundo atual. São comuns as divisões religiosas, políticas e sociais até mesmo entre pessoas da mesma nacionalidade e mesmo idioma. Em contraste, o povo de Jeová é unido, apesar de se originar ‘de todas as nações, tribos, povos e línguas’. — Rev. 7:9.
2 As condições pacíficas que em geral prevalecem no nosso meio não são por acaso. Elas existem principalmente porque ‘gozamos de paz com Deus’ mediante nossa fé em seu Filho, cujo sangue derramado encobre nossos pecados. (Rom. 5:1; Efé. 1:7) Além disso, o Deus verdadeiro dá espírito santo a seus servos leais, e o fruto que esse espírito produz inclui a paz. (Gál. 5:22) Outra coisa que contribui para nossa união pacífica é ‘não fazermos parte do mundo’. (João 15:19) Em vez de tomar partido em assuntos políticos, nós somos neutros. Visto que ‘forjamos das nossas espadas relhas de arado’, não nos envolvemos em guerras civis ou internacionais. — Isa. 2:4.
3. O que a paz que podemos ter nos permite fazer, e o que estudaremos neste artigo?
3 A paz que podemos ter entre nós vai muito além de apenas não prejudicar nossos irmãos. Embora a congregação das Testemunhas de Jeová a que pertencemos talvez se componha de pessoas de diferentes etnias e culturas, nós ‘amamos uns aos outros’. (João 15:17) A nossa paz permite que “façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé”. (Gál. 6:10) Devemos prezar e preservar nosso pacífico paraíso espiritual. Vejamos então como nos empenhar pela paz na congregação.
Quando tropeçamos
4. O que podemos fazer no empenho pela paz quando ofendemos alguém?
4 “Todos nós tropeçamos muitas vezes”, escreveu o discípulo Tiago. “Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito.” (Tia. 3:2) Portanto, é certo que surgirão divergências e desentendimentos entre cristãos. (Fil. 4:2, 3) Mas é possível resolver problemas entre pessoas sem perturbar a paz da congregação. Por exemplo, analise o conselho que temos de aplicar caso nos dermos conta de que talvez tenhamos ofendido alguém. — Leia Mateus 5:23, 24.
5. Como podemos nos empenhar pela paz quando somos prejudicados?
5 E se alguém nos prejudicou em algo relativamente pequeno? Deveríamos esperar que o ofensor venha se desculpar? “[O amor] não leva em conta o dano”, diz 1 Coríntios 13:5. Quando somos ofendidos, empenhar-nos pela paz significa perdoar e esquecer, isto é, ‘não levar em conta o dano’. (Leia Colossenses 3:13.) Esse é o melhor modo de lidar com as pequenas transgressões no dia a dia, visto que contribui para relações pacíficas com os irmãos e nos dá paz mental. Diz um sábio provérbio: ‘É beleza passar por alto a transgressão.’ — Pro. 19:11.
6. O que devemos fazer se não conseguimos passar por alto uma ofensa?
6 Que dizer se acharmos que determinada ofensa é demais para ser passada por alto? Com certeza, não é sábio espalhar o assunto a todo mundo que quiser ouvir. Tal falatório só serve para arruinar a paz na congregação. O que deve ser feito para resolver o assunto pacificamente? Mateus 18:15 diz: “Se o teu irmão cometer um pecado, vai expor a falta dele entre ti e ele só. Se te escutar, ganhaste o teu irmão.” Embora Mateus 18:15-17 se aplique a pecados graves, com base no princípio declarado no versículo 15 deveríamos bondosamente procurar o ofensor, em particular, e tentar restabelecer a paz com ele.a
7. Por que devemos resolver logo os desentendimentos?
7 O apóstolo Paulo escreveu: “Ficai furiosos, mas não pequeis; não se ponha o sol enquanto estais encolerizados, nem deis margem ao Diabo.” (Efé. 4:26, 27) “Resolve prontamente os assuntos com aquele que se queixa de ti em juízo”, disse Jesus. (Mat. 5:25) Portanto, empenhar-se pela paz exige resolver logo as dificuldades. Por quê? Porque evita que as divergências se agravem, assim como uma ferida não tratada inflama. Não permitamos que o orgulho, a inveja ou o excessivo apego a coisas materiais nos impeçam de resolver prontamente os possíveis desentendimentos. — Tia. 4:1-6.
Quando uma controvérsia envolve muitas pessoas
8, 9. (a) Que diferentes pontos de vista existiam na congregação de Roma no primeiro século? (b) O que o apóstolo Paulo aconselhou aos cristãos romanos com relação à controvérsia deles?
8 Às vezes, as divergências na congregação não são apenas entre duas pessoas, mas entre muitas. Foi o que aconteceu aos cristãos em Roma, a quem o apóstolo Paulo escreveu uma carta inspirada. Havia uma disputa entre cristãos judeus e cristãos gentios. Pelo visto, alguns naquela congregação menosprezavam os que tinham uma consciência muito sensível ou restritiva demais. Aquelas pessoas julgavam outros de forma indevida em assuntos de escolha pessoal. Que conselhos Paulo deu à congregação? — Rom. 14:1-6.
9 Pessoas de ambos os lados da controvérsia foram aconselhadas por Paulo. Aos que compreendiam que não estavam mais sujeitos à Lei mosaica, ele disse que não menosprezassem seus irmãos. (Rom. 14:2, 10) Essa atitude poderia fazer tropeçar os irmãos que ainda achavam repulsivo comer as coisas proibidas na Lei. “Parai de demolir a obra de Deus só por causa do alimento”, Paulo os admoestou. “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.” (Rom. 14:14, 15, 20, 21) Por outro lado, Paulo aconselhou os cristãos que tinham uma consciência mais restritiva a não considerar infiéis os que adotavam um ponto de vista mais abrangente. (Rom. 14:13) Ele disse ‘a cada um deles que não pensasse mais de si mesmo do que era necessário pensar’. (Rom. 12:3) Depois de aconselhar os dois lados da controvérsia, Paulo escreveu: “Assim, pois, empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz e pelas coisas que são para a edificação mútua.” — Rom. 14:19.
10. Como na congregação em Roma no primeiro século, o que é necessário para resolver possíveis divergências atuais?
10 Podemos ter certeza de que a congregação em Roma acatou o conselho de Paulo e fez os ajustes necessários. Devemos nos perguntar: quando surgem divergências entre irmãos, não deveríamos nós também resolvê-las com gentileza, procurando e aplicando humildemente os conselhos bíblicos? Como no caso dos romanos, ambos os lados de uma controvérsia talvez tenham de fazer ajustes para ‘manter a paz entre si’. — Mar. 9:50.
Quando anciãos são chamados para ajudar
11. Que cuidado o ancião deve ter se um cristão deseja lhe falar sobre um desentendimento com um irmão?
11 Que dizer se um cristão deseja falar com um ancião sobre um problema com um parente ou com um irmão na congregação? Provérbios 21:13 diz: ‘Aquele que tapa seu ouvido contra o clamor queixoso do de condição humilde, ele mesmo também clamará e não se lhe responderá.’ Um ancião certamente não ‘taparia seu ouvido’. Mas outro provérbio alerta: “O primeiro a apresentar a sua causa parece ter razão, até que outro venha à frente e o questione.” (Pro. 18:17, Nova Versão Internacional) O ancião deve ouvir bondosamente, mas precisa cuidar para não tomar o lado da pessoa que conta o problema. Após ouvir o assunto, é provável que ele pergunte se o ofendido falou com a pessoa que causou o mal-estar. O ancião talvez recapitule também os passos bíblicos que o ofendido pode dar em favor da paz.
12. Cite exemplos do perigo de agir precipitadamente ao ouvir uma queixa.
12 Três exemplos da Bíblia salientam o perigo de agir precipitadamente depois de ouvir apenas um lado duma controvérsia. Potifar acreditou quando sua esposa lhe disse que José tentou violentá-la. Com ira injustificada, ele mandou prender José. (Gên. 39:19, 20) O Rei Davi acreditou em Ziba, que disse que seu amo, Mefibosete, havia passado para o lado dos inimigos de Davi. “Eis que é teu tudo o que pertence a Mefibosete” foi a resposta precipitada de Davi. (2 Sam. 16:4; 19:25-27) Disseram ao Rei Artaxerxes que os judeus estavam reconstruindo as muralhas de Jerusalém e estavam prestes a se rebelar contra o Império Persa. O rei acreditou nesse relato falso e mandou parar a obra de reconstrução em Jerusalém. Com isso, os judeus interromperam a obra no templo de Deus. (Esd. 4:11-13, 23, 24) Os anciãos cristãos sensatamente seguem o conselho de Paulo a Timóteo, de não fazer julgamentos prematuros. — Leia 1 Timóteo 5:21.
13, 14. (a) Que limitações todos nós temos quanto a desentendimentos de outros? (b) Com que ajuda os anciãos podem contar para fazer julgamentos corretos em casos de irmãos cristãos?
13 Mesmo quando parece que os dois lados de um desentendimento já foram apresentados, é vital entender que “se alguém pensa que tem adquirido conhecimento de algo, ele ainda não o conhece como devia conhecer”. (1 Cor. 8:2) Será que sabemos todos os detalhes que originaram o desentendimento? Somos capazes de entender a fundo a formação dos envolvidos? Se forem chamados para julgar, é extremamente importante que os anciãos não se deixem enganar por falsidades, táticas escusas ou boatos. O Juiz designado por Deus, Jesus Cristo, julga com justiça. Ele não ‘julga pelo que meramente parece aos seus olhos, nem repreende simplesmente segundo a coisa ouvida pelos seus ouvidos’. (Isa. 11:3, 4) Em vez disso, Jesus é guiado pelo espírito de Jeová. Os anciãos cristãos também se beneficiam da direção do espírito santo de Deus.
14 Antes de julgar casos de irmãos cristãos, os anciãos precisam orar pela ajuda do espírito de Jeová e confiar na orientação divina por consultar a Palavra de Deus e as publicações do escravo fiel e discreto. — Mat. 24:45.
Paz a qualquer preço?
15. Em que caso devemos relatar um pecado grave de que tomamos conhecimento?
15 Os cristãos são exortados a se empenhar pela paz. Mas a Bíblia também diz: “A sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica.” (Tia. 3:17) Ser pacífico não é mais importante do que ser casto, o que significa respeitar os sagrados padrões de moral de Deus e viver à altura de seus requisitos justos. Se um cristão souber de um pecado sério cometido por um irmão, ele deve incentivá-lo a confessar o erro aos anciãos. (1 Cor. 6:9, 10; Tia. 5:14-16) Se o transgressor não fizer isso, o cristão que soube do erro deve relatá-lo. Deixar de fazer isso, num mal-orientado esforço de manter a paz com o pecador, faz com que a pessoa se torne cúmplice do pecado. — Lev. 5:1; leia Provérbios 29:24.
16. O que aprendemos do encontro de Jeú com o Rei Jeorão?
16 Certo relato, envolvendo Jeú, mostra que a paz não é mais importante do que a justiça divina. Deus enviara Jeú para executar Seu julgamento na casa do Rei Acabe. O perverso Rei Jeorão, filho de Acabe e Jezabel, foi com seu carro de guerra ao encontro de Jeú e perguntou: “Há paz, Jeú?” Como Jeú reagiu? Ele respondeu: “Que paz pode haver enquanto há as fornicações de Jezabel, tua mãe, e as suas muitas feitiçarias?” (2 Reis 9:22) Com isso, Jeú armou seu arco e atingiu Jeorão no coração. Jeú agiu. Da mesma forma, os anciãos não devem, só para manter a paz, transigir com pecadores não arrependidos e deliberados. Eles expulsam pecadores não arrependidos para que a congregação continue em paz com Deus. — 1 Cor. 5:1, 2, 11-13.
17. O que todos os cristãos podem fazer em favor da paz?
17 A maioria das discórdias entre irmãos não envolve transgressões sérias que exijam uma ação judicativa. Portanto, é elogiável amorosamente desconsiderar os pequenos erros de outros. “Esquecer uma ofensa cria laços de amizade”, diz a Palavra de Deus, e “insistir nela separa os maiores amigos”. (Pro. 17:9, Sociedade Bíblica Portuguesa) Acatar essas palavras nos ajudará a preservar a paz na congregação e uma boa relação com Jeová. — Mat. 6:14, 15.
Empenhar-se pela paz traz bênçãos
18, 19. Que benefícios resultam de se empenhar pela paz?
18 Empenhar-nos por “coisas que produzem paz” traz muitas bênçãos. Resulta numa relação achegada com Jeová à medida que imitamos seus modos e contribuímos para a união pacífica do nosso paraíso espiritual. Além do mais, empenhar-nos pela paz na congregação nos ajuda a ver maneiras de fazer isso com aqueles a quem pregamos as “boas novas de paz”. (Efé. 6:15) Estamos mais bem preparados para ‘ser meigos para com todos, restringindo-nos sob o mal’. — 2 Tim. 2:24.
19 Lembre-se também de que haverá “uma ressurreição tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15) Quando essa esperança se realizar aqui na Terra, milhões de pessoas de diferentes formações, temperamentos e personalidades — e de todas as épocas desde “a fundação do mundo” — serão ressuscitadas! (Luc. 11:50, 51) Será um grande privilégio ensinar aos ressuscitados os caminhos da paz. Que enorme ajuda para nós será então o treinamento que recebemos agora como amantes da paz!
[Nota(s) de rodapé]
a Para orientação bíblica sobre lidar com pecados graves como calúnia e fraude, veja A Sentinela de 15 de outubro de 1999, páginas 17-22.
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