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CronologiaEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1
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Jerusalém passou a sofrer o sítio final no 9.º ano de Zedequias (609 AEC), e a cidade caiu no seu 11.º ano (607 AEC), correspondendo ao 19.º ano de governo real de Nabucodonosor (contado a partir do seu ano de ascensão, em 625 AEC). (2Rs 25:1-8) No quinto mês daquele ano (o mês de ab, correspondente a partes de julho e de agosto), a cidade foi incendiada, as muralhas foram demolidas e a maioria do povo foi levada ao exílio. No entanto, permitiu-se que “alguns do povo da terra, de condição humilde”, permanecessem ali, e estes ficaram até o assassínio de Gedalias, a quem Nabucodonosor designou, fugindo depois para o Egito, deixando assim, por fim, Judá completamente desolada. (2Rs 25:9-12, 22-26) Isto ocorreu no sétimo mês, etanim (ou tisri, correspondendo a partes de setembro e de outubro).
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CronologiaEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1
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Desde 997 AEC até a desolação de Jerusalém. Uma ajuda útil para se saber a duração geral deste período dos reis é encontrada em Ezequiel 4:1-7, na simulação do sítio de Jerusalém, realizada pelo profeta Ezequiel a mando de Deus. Ezequiel devia deitar-se sobre o seu lado esquerdo por 390 dias, a fim de “levar o erro da casa de Israel”, e sobre o seu lado direito por 40 dias, a fim de “levar o erro da casa de Judá”, e mostrou-se que cada dia representava um ano. Os dois períodos (de 390 anos e de 40 anos) assim simbolizados evidentemente representavam a duração da tolerância de Jeová para com os dois reinos no proceder idólatra deles. O entendimento judaico desta profecia, conforme apresentado na obra Soncino Books of the Bible (Livros da Bíblia, de Soncino; comentário sobre Ezequiel, pp. 20, 21), é: “A culpa do Reino Setentrional se estendeu por um período de 390 anos ([de acordo com] Seder Olam [a crônica pós-exílica mais antiga preservada na língua hebraica], [e os Rabinos] Rashi e Ibn Ezra). Abarbanel, citado por Malbim, calcula o período da culpa de Samaria desde o tempo em que ocorreu o cisma, sob Roboão . . . até a queda de Jerusalém. . . . O direito [lado em que Ezequiel se deitou] indica o sul, i.e., o Reino de Judá, situado ao sul ou à direita. . . . A corrupção de Judá durou quarenta anos, começando logo depois da queda de Samaria. De acordo com Malbim, o tempo é contado a partir do décimo terceiro ano do reinado de Josias . . . quando Jeremias começou seu ministério. (Jer. i. 2).” — Editada por A. Cohen, Londres, 1950.
Desde a divisão do reino, em 997 AEC, até a queda de Jerusalém, em 607 AEC, passaram-se 390 anos. Embora seja verdade que Samaria, a capital do reino setentrional, já tinha caído diante da Assíria em 740 AEC, no sexto ano de Ezequias (2Rs 18:9, 10), é provável que parte da população já tivesse fugido para o reino meridional antes do avanço dos assírios. (Note também a situação em Judá depois da divisão do reino, conforme descrita em 2Cr 10:16, 17.) No entanto, o que é mais importante, o fato de que Jeová Deus continuou a manter em vista os israelitas do exilado reino setentrional, e que as mensagens dos Seus profetas continuaram a incluí-los muito tempo depois da queda de Samaria, mostra que os interesses deles ainda estavam sendo representados na capital, Jerusalém, e que a queda desta, em 607 AEC, foi expressão do julgamento de Jeová não apenas contra Judá, mas contra a nação de Israel como um todo. (Je 3:11-22; 11:10-12, 17; Ez 9:9, 10) Quando a cidade caiu, a esperança da nação inteira (com exceção dos poucos que mantiveram a verdadeira fé) entrou em colapso. — Ez 37:11-14, 21, 22.
Na tabela que segue, adere-se a este período de 390 anos como válido guia cronológico. A soma dos anos alistados referentes a todos os reinos dos reis de Judá, desde Roboão até Zedequias, apresenta o total de 393 anos. Ao passo que alguns cronólogos bíblicos procuram sincronizar os dados a respeito dos reis por meio de numerosas corregências e “interregnos” do lado de Judá, parece necessário mostrar apenas uma corregência. Trata-se do caso de Jeorão, a respeito de quem se declara (pelo menos no texto massorético e em alguns dos manuscritos mais antigos da Bíblia) ter-se tornado rei “enquanto Jeosafá era rei de Judá”, fornecendo assim alguma base para se presumir uma corregência. (2Rs 8:16) Deste modo, o período geral cai dentro do limite dos 390 anos.
Não se pretende que a tabela seja encarada como cronologia absoluta, mas, antes, como apresentação sugerida dos reinados dos dois reinos. Os antigos escritores inspirados tratavam de fatos e de números bem conhecidos por eles e pelo povo judeu de então, e os diferentes conceitos cronológicos adotados pelos escritores em certos pontos não apresentavam problema. Isso não se dá hoje, e por isso podemos satisfazer-nos com simplesmente apresentar um arranjo que se harmoniza razoavelmente com o registro bíblico.
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