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  • Cidades de refúgio, provisão misericordiosa de Deus
    A Sentinela — 1995 | 15 de novembro
    • Cidades de refúgio, provisão misericordiosa de Deus

      “Estas seis cidades servirão de refúgio . . . , a fim de fugir para lá aquele que sem querer tenha golpeado fatalmente uma alma.” — NÚMEROS 35:15.

      1. Como encarava Deus a vida e a culpa de sangue?

      JEOVÁ DEUS considera sagrada a vida humana. E a vida está no sangue. (Levítico 17:11, 14) Caim, o primeiro humano nascido na Terra incorreu assim em culpa de sangue quando assassinou seu irmão Abel. Por conseguinte, Deus disse a Caim: “O sangue de teu irmão está clamando a mim desde o solo.” O sangue que manchava o solo no lugar do assassinato dava testemunho silencioso, mas eloqüente, de que se cortara brutalmente uma vida. O sangue de Abel clamava a Deus pedindo vingança. — Gênesis 4:4-11.

      2. Como foi o respeito que Jeová tem pela vida enfatizado após o Dilúvio?

      2 O respeito de Deus pela vida humana foi enfatizado depois de o justo Noé e sua família terem emergido da arca como sobreviventes do Dilúvio global. Naquela época, Jeová aumentou a alimentação da humanidade para incluir carne animal, mas não o sangue. Decretou também: “Exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gênesis 9:5, 6) Jeová reconheceu o direito do parente mais chegado da vítima de matar o homicida ao encontrá-lo. — Números 35:19.

      3. Que ênfase dava a Lei mosaica à santidade da vida?

      3 Na Lei dada a Israel por meio de Moisés, enfatizou-se repetidas vezes a santidade da vida. Por exemplo, Deus ordenou: “Não deves assassinar.” (Êxodo 20:13) O respeito pela vida evidenciou-se também no que a Lei mosaica dizia sobre uma fatalidade que envolvesse uma mulher grávida. A Lei especificava que, se ela ou seu filho por nascer sofressem um acidente fatal em resultado duma luta entre dois homens, os juízes deviam avaliar as circunstâncias e até que ponto foi proposital, mas a penalidade podia ser “alma por alma”, ou vida por vida. (Êxodo 21:22-25) No entanto, era possível que um assassino israelita escapasse das conseqüências do seu ato violento?

      Asilo para assassinos?

      4. Fora de Israel, que lugares de asilo existiam no passado?

      4 Em outras nações, fora de Israel, concedia-se santuário, ou asilo, a assassinos e a outros criminosos. Era assim em lugares tais como o templo da deusa Ártemis, na antiga Éfeso. Relata-se a respeito de lugares similares: “Alguns santuários eram viveiros de criminosos; e muitas vezes tornou-se necessário limitar o número de asilos. Em Atenas, apenas certos santuários eram reconhecidos por lei como refúgios (por exemplo, o templo de Teseu, para escravos); no tempo de Tibério, os agrupamentos de facínoras nos santuários tornaram-se tão perigosos, que o direito ao asilo foi limitado a poucas cidades (no ano 22).” (The Jewish Encyclopedia [Enciclopédia Judaica], 1909, Volume II, página 256) Mais tarde, igrejas da cristandade tornaram-se lugares de asilo, mas isso tendia a transferir o poder das autoridades civis para o sacerdócio e contrariava a administração correta da justiça. Os abusos resultaram por fim na abolição desta providência.

      5. Qual é a evidência de que a Lei não permitia a alegação de negligência para se reivindicar misericórdia quando alguém tivesse sido morto?

      5 Entre os israelitas, não se concedia santuário ou asilo a assassinos deliberados. Até mesmo o sacerdote levita devia ser retirado do serviço no altar de Deus para ser executado por ter cometido um assassinato deliberado. (Êxodo 21:12-14) Além disso, a Lei não permitia a alegação de negligência para se reivindicar misericórdia quando alguém tivesse sido morto. Por exemplo, o homem devia construir um parapeito para o terraço de cobertura da sua casa nova. Do contrário, recaía culpa de sangue sobre a casa, se alguém caísse do terraço e morresse. (Deuteronômio 22:8) Além disso, se o dono de um touro que tinha o hábito de escornar tivesse sido avisado, mas não tivesse mantido o animal sob guarda e este tivesse matado alguém, o dono do touro tinha culpa de sangue e podia ser morto. (Êxodo 21:28-32) Prova adicional da elevada consideração que Deus tem pela vida se evidencia em que aquele que golpeasse fatalmente um ladrão à luz do dia, quando este podia ser visto e identificado, era culpado de sangue. (Êxodo 22:2, 3) Portanto, é evidente que os regulamentos perfeitamente equilibrados de Deus não permitiam que assassinos deliberados escapassem da pena capital.

      6. Como se cumpria a lei de ‘vida por vida’ no antigo Israel?

      6 Quando se cometia um assassinato no antigo Israel, o sangue da vítima tinha de ser vingado. A lei de ‘vida por vida’ era cumprida quando o assassino era morto pelo “vingador do sangue”. (Números 35:19) O vingador era o parente masculino mais próximo da pessoa assassinada. Mas, que dizer do homicida desintencional?

      A provisão misericordiosa de Jeová

      7. Que provisão fez Deus para os que sem querer matassem alguém?

      7 Para os que acidentalmente ou sem querer matassem alguém, Deus providenciou amorosamente cidades de refúgio. Sobre estas, Moisés foi informado: “Fala aos filhos de Israel, e tens de dizer-lhes: ‘Estais atravessando o Jordão para a terra de Canaã. E tendes de escolher cidades convenientes para vós. Servirão para vós de cidades de refúgio, e para lá terá de fugir o homicida que sem querer golpear fatalmente uma alma. E as cidades têm de servir-vos de refúgio contra o vingador do sangue, para que o homicida não morra até comparecer perante a assembléia para julgamento. E as cidades que dareis, as seis cidades de refúgio, estarão à vossa disposição. Dareis três cidades deste lado do Jordão e dareis três cidades na terra de Canaã. Servirão de cidades de refúgio . . . a fim de fugir para lá aquele que sem querer tenha golpeado fatalmente uma alma.’” — Números 35:9-15.

      8. Onde ficavam as cidades de refúgio e como se ajudava os homicidas desintencionais a chegar a elas?

      8 Quando os israelitas entraram na Terra Prometida, constituíram obedientemente seis cidades de refúgio. Três delas — Quedes, Siquém e Hébron — encontravam-se ao oeste do rio Jordão. Ao leste do Jordão, havia as cidades de refúgio de Golã, Ramote e Bezer. As seis cidades de refúgio estavam convenientemente situadas junto a estradas bem conservadas. Em lugares apropriados ao longo delas havia placas com a palavra “refúgio”. Estas placas indicavam a direção da cidade de refúgio, e o homicida desintencional corria até a mais próxima para salvar a vida. Ali podia achar proteção contra o vingador do sangue. — Josué 20:2-9.

      9. Por que providenciou Jeová as cidades de refúgio, e em benefício de quem?

      9 Por que providenciou Deus cidades de refúgio? Foram providenciadas para que a terra não ficasse poluída com sangue inocente e o povo não tivesse culpa de sangue. (Deuteronômio 19:10) Em benefício de quem foram providenciadas essas cidades de refúgio? A Lei declarava: “Estas seis cidades servirão de refúgio para os filhos de Israel e para o residente forasteiro, e para o colono no meio deles, a fim de fugir para lá aquele que sem querer tenha golpeado fatalmente uma alma.” (Números 35:15) Assim, para ser justo e para servir ao objetivo da justiça, ao mesmo tempo permitindo misericórdia, Jeová mandou que os israelitas separassem cidades de refúgio para os homicidas desintencionais que fossem (1) israelitas nativos, (2) residentes forasteiros em Israel ou (3) colonos de outros países que moravam nesta terra.

      10. Por que se pode dizer que as cidades de refúgio eram uma provisão misericordiosa de Deus?

      10 É digno de nota que, mesmo quando alguém sem querer se tornasse homicida, ele devia ser morto segundo o decreto de Deus: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue.” Portanto, era somente pela provisão misericordiosa de Jeová Deus que o homicida desintencional podia fugir para uma das cidades de refúgio. Pelo visto, as pessoas em geral se condoíam daquele que fugia do vingador do sangue, pois todas elas se davam conta de que, sem querer, podiam cometer um delito similar, e precisar de refúgio e de misericórdia.

      Fuga em busca de refúgio

      11. No antigo Israel, o que podia um homem fazer quando havia matado acidentalmente um colega de trabalho?

      11 Uma ilustração talvez aumente seu apreço pela provisão misericordiosa de Deus para haver um refúgio. Imagine que você seja um homem rachando lenha no antigo Israel. Suponhamos que o ferro do machado se soltasse do cabo e atingisse fatalmente um colega de trabalho. O que faria você? Pois bem, a Lei abrangia exatamente esta situação. Você, sem dúvida, se aproveitaria desta provisão de Deus: “Este é o caso do homicida que fugir para [a cidade de refúgio] e que há de viver: Quando ele, sem saber, golpear seu próximo e não o tiver anteriormente odiado; ou quando for com o seu próximo à floresta para ajuntar lenha e sua mão se tiver levantado para golpear com o machado para cortar a árvore, e o ferro tiver saltado do cabo de madeira e atingido seu próximo, e este tiver morrido, ele mesmo deve fugir para uma destas cidades e terá de viver.” (Deuteronômio 19:4, 5) No entanto, mesmo chegando à cidade de refúgio, você não estaria livre de toda a responsabilidade pelo que aconteceu.

      12. Que procedimento se adotava depois de o homicida desintencional ter chegado a uma cidade de refúgio?

      12 Embora fosse recebido hospitaleiramente, teria de explicar o caso aos anciãos no portão da cidade de refúgio. Depois de ter entrado na cidade, seria mandado de volta para ser julgado pelos anciãos representativos da congregação de Israel nos portões da cidade com jurisdição sobre a região em que ocorreu a morte. Ali teria a oportunidade de provar a sua inocência.

      O julgamento de homicidas

      13, 14. Quais são algumas das coisas que os anciãos deviam verificar durante o julgamento dum homicida?

      13 Durante o julgamento perante os anciãos no portão da cidade da jurisdição, sem dúvida, notaria com gratidão que se dava muita ênfase à sua conduta anterior. Os anciãos avaliariam cuidadosamente seu relacionamento com a vítima. Odiava você aquele homem, estava de tocaia e o matou deliberadamente com um golpe? Neste caso, os anciãos teriam de entregá-lo ao vingador do sangue, e você teria de morrer. Estes homens de responsabilidade estariam a par do requisito da Lei, de se “eliminar de Israel a culpa pelo sangue inocente”. (Deuteronômio 19:11-13) De forma comparável, numa ação judicativa hoje em dia, os anciãos cristãos precisam conhecer bem as Escrituras, agindo em harmonia com elas ao levarem em conta a atitude e conduta anteriores do transgressor.

      14 Investigando com bondade, os anciãos da cidade desejariam saber se você andava tocaiando a vítima. (Êxodo 21:12, 13) Atacou-a dum esconderijo? (Deuteronômio 27:24) Tinha você tanta raiva dela, que recorreu a uma trama para matá-la? Neste caso, mereceria a morte. (Êxodo 21:14) Os anciãos precisariam saber especialmente se tinha havido inimizade, ou ódio, entre você e a vítima. (Deuteronômio 19:4, 6, 7; Josué 20:5) Digamos que os anciãos o achassem inocente e o devolvessem à cidade de refúgio. Você seria muito grato pela misericórdia demonstrada!

      A vida na cidade de refúgio

      15. Que requisitos se impunham ao homicida desintencional?

      15 O homicida desintencional tinha de permanecer na cidade de refúgio ou dentro dum raio de 1.000 côvados (uns 440 metros) fora das muralhas. (Números 35:2-4) Se ele ultrapassasse este limite, poderia encontrar-se com o vingador do sangue. Nestas circunstâncias, o vingador mataria o homicida com impunidade. Mas o homicida não ficava acorrentado ou encarcerado. Sendo morador da cidade de refúgio, tinha de aprender um ofício, ser trabalhador e servir como membro útil da comunidade.

      16. (a) Quanto tempo tinha de ficar o homicida desintencional na cidade de refúgio? (b) Por que possibilitava a morte do sumo sacerdote que o homicida deixasse a cidade de refúgio?

      16 Quanto tempo teria de permanecer o homicida desintencional na cidade de refúgio? Possivelmente pelo resto da vida. De qualquer modo, a Lei declarava: “Devia morar na sua cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote, e depois da morte do sumo sacerdote o homicida pode voltar à terra de sua propriedade.” (Números 35:26-28) Por que permitia a morte do sumo sacerdote que o homicida desintencional deixasse a cidade de refúgio? Acontece que o sumo sacerdote era uma das pessoas mais destacadas da nação. Portanto, sua morte se tornaria um acontecimento tão notável, que ficaria conhecido em todas as tribos de Israel. Todos os refugiados, nas cidades de refúgio, poderiam assim voltar aos seus lares, livres do perigo das mãos dos vingadores do sangue. Por quê? Porque a Lei de Deus decretava que a oportunidade de o vingador matar o homicida cessava com a morte do sumo sacerdote, e todos sabiam disso. Se o parente próximo vingasse a morte depois disso, ele seria assassino e por fim teria de pagar a penalidade pelo assassinato.

      Efeitos duradouros

      17. Quais eram os prováveis efeitos das restrições impostas ao homicida desintencional?

      17 Quais eram os prováveis efeitos das restrições impostas ao homicida desintencional? Eram um lembrete de que ele causara a morte de alguém. É provável que depois disso sempre considerasse a vida humana como sagrada. Além disso, dificilmente esqueceria que tinha sido tratado com misericórdia. Visto que foi tratado com misericórdia, certamente desejaria ser misericordioso com outros. A provisão das cidades de refúgio, com suas restrições, beneficiava também os do povo em geral. De que forma? Certamente deve ter incutido neles que não deviam ser descuidados ou indiferentes para com a vida humana. Isso deve lembrar aos cristãos a necessidade de evitarem o descuido que poderia causar uma morte acidental. Por outro lado, também, a provisão misericordiosa de Deus, de ter cidades de refúgio, deve induzir-nos a ter misericórdia quando ela se justifica. — Tiago 2:13.

      18. De que forma era vantajosa a provisão de Deus para haver cidades de refúgio?

      18 A provisão de Jeová Deus, de cidades de refúgio, era também vantajosa em outros sentidos. Não se formavam grupos de vigilantes para ir atrás dum homicida, presumindo sua culpa antes de ele ter sido julgado. Em vez disso, o povo o considerava inocente dum assassinato deliberado, até mesmo ajudando-o a chegar à segurança. Além disso, a provisão das cidades de refúgio era bem contrária às atuais provisões de colocar assassinos em cadeias e em penitenciárias, onde são financeiramente sustentados pelo público e muitas vezes se tornam criminosos piores, por causa da associação íntima com outros delinqüentes. A provisão das cidades de refúgio tornava desnecessário construir, manter e guarnecer dispendiosas prisões muradas, com grades de ferro, de que os presos freqüentemente procuram escapar. Na realidade, o homicida procurava a “prisão” e ficava ali durante o tempo especificado. Também tinha de ser trabalhador, fazendo assim algo que beneficiava seu próximo.

      19. Que perguntas surgem a respeito das cidades de refúgio?

      19 A provisão das cidades de refúgio para Israel, por Jeová, foi deveras misericordiosa para a proteção dos homicidas desintencionais. Esta provisão certamente promovia o respeito pela vida. No entanto, será que as antigas cidades de refúgio têm algum significado para os que vivem no século 20? Poderíamos ter culpa de sangue perante Jeová Deus e não nos dar conta de que precisamos da sua misericórdia? Há para nós hoje algum significado nas cidades de refúgio de Israel?

  • Cidades de refúgio, provisão misericordiosa de Deus
    A Sentinela — 1995 | 15 de novembro
    • [Mapa na página 12]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      As cidades de refúgio de Israel tinham localização conveniente

      QUEDES Rio Jordão GOLÃ

      SIQUÉM RAMOTE

      HÉBRON BEZER

  • Permaneça na “cidade de refúgio” e continue vivo!
    A Sentinela — 1995 | 15 de novembro
    • Permaneça na “cidade de refúgio” e continue vivo!

      “[Ele] devia morar na sua cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote.” — NÚMEROS 35:28.

      1. Quem é o Vingador do sangue, e que ação tomará em breve?

      JESUS CRISTO, o Vingador do sangue da parte de Jeová, está prestes a agir. Este Vingador, junto com suas forças angélicas, agirá em breve contra todos os impenitentes culpados de derramamento de sangue. Deveras, Jesus servirá como Executor da parte de Deus durante a “grande tribulação” que rapidamente se aproxima. (Mateus 24:21, 22; Isaías 26:21) A humanidade terá de enfrentar então a sua culpa de sangue.

      2. Qual é o único lugar verdadeiro de refúgio, e que perguntas exigem respostas?

      2 O caminho para a segurança é tomar a estrada para a antitípica cidade de refúgio e correr para salvar a vida! O refugiado, se for admitido na cidade, terá de permanecer nela, porque é o único lugar verdadeiro de refúgio. Mas, você talvez se pergunte: ‘Visto que a maioria de nós nunca matou ninguém, temos realmente culpa de sangue? Por que é Jesus o Vingador do sangue? Qual é a atual cidade de refúgio? Pode-se alguma vez sair dela com segurança?’

      Temos mesmo culpa de sangue?

      3. Que particularidade da Lei mosaica nos ajudará a entender que os bilhões de habitantes da terra têm parte na culpa de sangue?

      3 Uma particularidade da Lei mosaica nos ajudará a entender que os bilhões de habitantes da terra têm parte na culpa de sangue. Deus impôs aos israelitas uma responsabilidade comunal pelo derramamento de sangue. Quando se encontrava alguém que tinha sido morto sem se saber quem o tinha matado, os juízes tinham de medir a distância até às cidades vizinhas para determinar qual era a mais próxima. Para eliminar a culpa, os anciãos desta cidade, aparentemente culpada de sangue, tinham de quebrar o pescoço duma novilha com que não se trabalhara ainda, fazendo-o num vale de torrente sem cultivo. Fazia-se isso diante de sacerdotes levitas, ‘porque Jeová os escolheu para resolver disputas sobre atos de violência’. Os anciãos da cidade lavavam as mãos sobre a novilha e diziam: “Nossas mãos não derramaram este sangue, nem o viram nossos olhos ser derramado. Não o lances na conta do teu povo Israel, que remiste, ó Jeová, e não ponhas a culpa pelo sangue inocente no meio do teu povo Israel.” (Deuteronômio 21:1-9) Jeová Deus não queria que a terra de Israel ficasse poluída com sangue ou que seu povo compartilhasse da culpa de sangue.

      4. Que antecedentes de culpa de sangue tem Babilônia, a Grande?

      4 Sim, existe mesmo uma culpa de sangue compartilhada ou comunal. Pense na imensa culpa de sangue que recai sobre Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Ora, ela está embriagada com o sangue dos servos de Jeová! (Revelação [Apocalipse] 17:5, 6; 18:24) As religiões da cristandade afirmam seguir o Príncipe da Paz, mas as guerras, as Inquisições religiosas e as Cruzadas mortíferas tornaram-na culpada de sangue perante Deus. (Isaías 9:6; Jeremias 2:34) Na realidade, cabe-lhe a maior parte da culpa pela morte de milhões de pessoas nas duas guerras mundiais deste século. Portanto, os adeptos da religião falsa, bem como os apoiadores e os participantes das guerras humanas têm culpa de sangue perante Deus.

      5. Em que sentido têm sido alguns como o homicida desintencional em Israel?

      5 Alguns têm causado a morte de pessoas deliberadamente ou por negligência. Outros têm participado em matanças coletivas, talvez persuadidos por líderes religiosos, de que esta era a vontade de Deus. Ainda outros têm perseguido e matado servos de Deus. Mesmo que não tenhamos feito algo assim, porém, compartilhamos a responsabilidade comunal pela perda de vidas humanas porque não conhecíamos a lei e a vontade de Deus. Somos como o homicida desintencional ‘que, sem saber, matou seu próximo e não o tinha anteriormente odiado’. (Deuteronômio 19:4) Tais pessoas deviam implorar a Deus misericórdia e deviam correr para a antitípica cidade de refúgio. Do contrário, terão um encontro fatal com o Vingador do sangue.

      Os papéis vitais de Jesus

      6. Por que se pode dizer que Jesus é o parente mais próximo da humanidade?

      6 Em Israel, o vingador do sangue era o parente mais próximo da vítima. Para vingar todos os mortos na Terra e especialmente os servos de Jeová que foram mortos, o atual Vingador do sangue tem de ser parente de toda a humanidade. Este papel tem sido desempenhado por Jesus Cristo. Ele nasceu como homem perfeito. Jesus, na morte, entregou sua vida sem pecado como sacrifício resgatador, e depois da sua ressurreição para o céu, apresentou o valor dela a Deus em favor dos pecaminosos descendentes morredouros de Adão. Cristo tornou-se assim o Resgatador da humanidade, nosso parente mais próximo — o legítimo Vingador do sangue. (Romanos 5:12; 6:23; Hebreus 10:12) Jesus é identificado como irmão dos ungidos seguidores dos seus passos. (Mateus 25:40, 45; Hebreus 2:11-17) Como Rei celestial, ele se torna o “Pai Eterno” dos que se beneficiarem do seu sacrifício como seus súditos terrestres. Estes viverão para sempre. (Isaías 9:6, 7) De modo que Jeová designou apropriadamente este Parente da humanidade como Vingador do sangue.

      7. O que faz Jesus, como grande Sumo Sacerdote, a favor dos humanos?

      7 Jesus é também um Sumo Sacerdote sem pecado, provado e compassivo. (Hebreus 4:15) Nesta qualidade, ele aplica à humanidade o mérito do seu sacrifício expiatório de pecados. As cidades de refúgio foram estabelecidas “para os filhos de Israel e para o residente forasteiro, e para o colono no meio deles”. (Números 35:15) De modo que o grande Sumo Sacerdote aplicou o mérito de seu sacrifício primeiro aos seus seguidores ungidos, “os filhos de Israel”. Agora está sendo aplicado aos ‘residentes forasteiros’ e aos ‘colonos’ na antitípica cidade de refúgio. Estas “outras ovelhas” do Senhor Jesus Cristo esperam viver para sempre na Terra. — João 10:16; Salmo 37:29, 34.

      A atual cidade de refúgio

      8. Qual é a antitípica cidade de refúgio?

      8 Qual é a antitípica cidade de refúgio? Não é algum lugar geográfico tal como Hébron, uma das seis cidades levíticas de refúgio e lugar de residência do sumo sacerdote de Israel. A atual cidade de refúgio é a provisão de Deus para proteger-nos da morte por causa da violação do seu mandamento a respeito da santidade do sangue. (Gênesis 9:6) Quer deliberado, quer desintencional, todo violador deste mandamento precisa buscar o perdão de Deus e a anulação do seu pecado pela fé no sangue do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. Cristãos ungidos, com esperança celestial, e os da “grande multidão”, com perspectivas terrestres, valeram-se dos benefícios do sacrifício expiatório de pecado provido por Jesus e se encontram na antitípica cidade de refúgio. — Revelação 7:9, 14; 1 João 1:7; 2:1, 2.

      9. Como violou Saulo de Tarso o mandamento de Deus a respeito do sangue, mas como demonstrou uma mudança de atitude?

      9 O apóstolo Paulo, antes de se tornar cristão, tinha violado o mandamento a respeito do sangue. Como Saulo de Tarso, perseguia os seguidores de Jesus e até mesmo aprovava o assassinato deles. “Não obstante”, disse Paulo, “foi-me concedida misericórdia, porque eu era ignorante e agi com falta de fé”. (1 Timóteo 1:13; Atos 9:1-19) Saulo teve uma atitude arrependida, mais tarde provada por muitas obras de fé. No entanto, requer mais do que fé no resgate para se entrar na antitípica cidade de refúgio.

      10. Como se consegue uma boa consciência e o que se precisa fazer para mantê-la?

      10 O homicida desintencional podia ficar numa das cidades de refúgio de Israel apenas se pudesse provar que tinha boa consciência para com Deus referente ao derramamento de sangue. Para termos uma boa consciência temos de ter fé no sacrifício de Jesus, arrepender-nos dos nossos pecados e mudar de proceder. Precisamos pedir uma boa consciência na dedicação a Deus por meio de Cristo, feita em oração, simbolizando-a pelo batismo em água. (1 Pedro 3:20, 21) Esta boa consciência nos permite conseguir uma relação limpa com Jeová. A única maneira de manter uma boa consciência é cumprir os requisitos de Deus e realizar a obra que nos é designada na antitípica cidade de refúgio, assim como os refugiados nas antigas cidades de refúgio tinham de obedecer à Lei e realizar as tarefas que lhes eram designadas. A obra principal do povo de Jeová hoje em dia é a de proclamar a mensagem do Reino. (Mateus 24:14; 28:19, 20) Esta obra nos ajudará a sermos moradores úteis da atual cidade de refúgio.

      11. O que temos de evitar se quisermos permanecer a salvo dentro da atual cidade de refúgio?

      11 Sair da atual cidade de refúgio significa expor-nos à destruição, porque o Vingador do sangue agirá em breve contra todos os culpados de sangue. Não é hora de ser apanhado fora desta cidade protetora ou numa área perigosa perto do limite externo dos seus pastios. Acabaríamos fora da antitípica cidade de refúgio se perdêssemos a fé no sacrifício expiatório de pecados, provido pelo Sumo Sacerdote. (Hebreus 2:1; 6:4-6) Tampouco estaríamos a salvo se adotássemos os modos do mundo, ficássemos à margem da organização de Jeová ou nos desviássemos das normas justas de nosso Pai celestial. — 1 Coríntios 4:4.

      Liberados da cidade de refúgio

      12. Quanto tempo têm de permanecer na antitípica cidade de refúgio os anteriormente culpados de sangue?

      12 O homicida desintencional, em Israel, tinha de permanecer numa cidade de refúgio “até a morte do sumo sacerdote”. (Números 35:28) Então, quanto tempo têm de permanecer na antitípica cidade de refúgio os anteriormente culpados de sangue? Até não precisarem mais dos serviços do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. “Ele é também capaz de salvar completamente os que se aproximam de Deus por intermédio dele”, disse Paulo. (Hebreus 7:25) Enquanto continuar a haver alguma mancha dum pecado e de anterior culpa de sangue, precisa-se dos serviços do Sumo Sacerdote, a fim de que humanos imperfeitos tenham uma posição correta perante Deus.

      13. Quem são os atuais “filhos de Israel” e quanto tempo têm de permanecer na “cidade de refúgio”?

      13 Lembre-se de que as antigas cidades de refúgio foram estabelecidas para “os filhos de Israel”, os residentes forasteiros e os colonos. “Os filhos de Israel” são israelitas espirituais. (Gálatas 6:16) Eles têm de ficar na antitípica cidade de refúgio enquanto viverem na Terra. Por quê? Porque ainda estão na carne imperfeita e por isso precisam do mérito expiatório de seu Sumo Sacerdote celestial. Mas quando estes cristãos ungidos morrem e são ressuscitados para a vida espiritual no céu, não mais precisam dos serviços expiatórios do Sumo Sacerdote; terão abandonado para sempre a carne e a culpa de sangue ligada a ela. Para esses ungidos ressuscitados, o Sumo Sacerdote terá morrido numa qualidade expiatória, protetora.

      14. O que mais requer que os que têm perspectivas celestiais permaneçam na atual cidade de refúgio?

      14 A própria natureza humana requer que os que serão celestiais “co-herdeiros de Cristo” permaneçam na antitípica cidade de refúgio até terminar fielmente sua carreira terrestre na morte. Ao morrerem, sacrificarão para sempre a natureza humana. (Romanos 8:17; Revelação 2:10) O sacrifício de Jesus aplica-se apenas aos que têm natureza humana. Portanto, o Sumo Sacerdote morre para com esses do Israel espiritual quando eles são ressuscitados como criaturas espirituais que residirão eternamente no céu como “parceiros na natureza divina”. — 2 Pedro 1:4.

      15. Quem são os hodiernos ‘residentes forasteiros’ e os ‘colonos’, e que fará por eles o grande Sumo Sacerdote?

      15 Quando ‘morrerá’ o Sumo Sacerdote pelos hodiernos ‘residentes forasteiros’ e os ‘colonos’, permitindo-lhes deixar a antitípica cidade de refúgio? Estes membros da grande multidão não poderão sair desta cidade de refúgio imediatamente depois da grande tribulação. Por que não? Porque ainda estarão na carne imperfeita, pecaminosa, e terão de continuar sob a proteção do Sumo Sacerdote. Por se aproveitarem dos serviços expiatórios dele durante o seu reinado e sacerdócio milenar, obterão a perfeição humana. Jesus os apresentará então a Deus para uma decisiva prova final, de efeito eterno, da sua integridade, soltando por pouco tempo a Satanás e seus demônios. Ao passarem por esta prova com aprovação divina, Jeová os declarará justos. Alcançarão assim a plenitude da perfeição humana. — 1 Coríntios 15:28; Revelação 20:7-10.a

      16. Quando será que os sobreviventes da grande tribulação não terão mais necessidade dos serviços expiatórios do Sumo Sacerdote?

      16 Portanto, os sobreviventes da grande tribulação terão de manter uma boa consciência por permanecer na antitípica cidade de refúgio até o fim do Reinado Milenar de Cristo. Como humanos aperfeiçoados, não terão mais necessidade dos serviços expiatórios do Sumo Sacerdote e sairão da sua proteção. Jesus morrerá então para eles como Sumo Sacerdote, porque não precisará mais agir a favor deles com o sangue purificador do seu sacrifício. Naquela ocasião, sairão da antitípica cidade de refúgio.

      17. Por que não será necessário que os ressuscitados durante o Reinado Milenar de Cristo entrem na antitípica cidade de refúgio e permaneçam ali?

      17 Será que os ressuscitados durante o Reinado Milenar de Jesus terão de entrar na antitípica cidade de refúgio e permanecer ali até a morte do sumo sacerdote? Não, porque pela morte eles já pagaram a pena da sua pecaminosidade. (Romanos 6:7; Hebreus 9:27) Não obstante, o Sumo Sacerdote os ajudará a alcançar a perfeição. Se passarem com êxito pela prova final após o Milênio, Deus os declarará também justos, dando-lhes a garantia de vida eterna na terra. Naturalmente, não cumprir os requisitos de Deus resultará num julgamento condenatório e na destruição de qualquer humano que não passar pela prova final, por não manter a integridade.

      18. Referente ao reinado e sacerdócio de Jesus, o que continuará para sempre com a humanidade?

      18 Os sumos sacerdotes israelitas, por fim, morriam. Mas Jesus “se tornou sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”. (Hebreus 6:19, 20; 7:3) Portanto, o fim do cargo de Jesus como Sumo Sacerdote mediador para com a humanidade não é o fim da sua vida. Os bons efeitos do seu serviço como Rei e como Sumo Sacerdote continuarão para sempre com a humanidade, e os humanos ficarão eternamente gratos a ele por ter servido nestas funções. Além disso, durante toda a eternidade, Jesus tomará a dianteira na adoração pura de Jeová. — Filipenses 2:5-11.

      Lições valiosas para nós

      19. Que lição sobre o ódio e o amor se pode aprender da provisão das cidades de refúgio?

      19 Podemos aprender diversas lições da provisão das cidades de refúgio. Por exemplo, não se permitia a nenhum homicida com ódio assassino pela vítima morar na cidade de refúgio. (Números 35:20, 21) Portanto, como poderia alguém na antitípica cidade de refúgio deixar surgir no coração ódio a um irmão? “Todo aquele que odeia seu irmão é homicida”, escreveu o apóstolo João, “e vós sabeis que nenhum homicida tem permanecente nele a vida eterna”. Portanto, “continuemos a amar-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus”. — 1 João 3:15; 4:7.

      20. O que têm de fazer os que estão dentro da antitípica cidade de refúgio para ficar protegidos contra o Vingador do sangue?

      20 Para ficarem protegidos contra o vingador do sangue, os homicidas desintencionais tinham de permanecer numa cidade de refúgio e não ir além dos pastios dela. Que dizer dos que estão na antitípica cidade de refúgio? Para ficarem a salvo do grande Vingador do sangue, não devem sair da cidade. De fato, por assim dizer, precisam precaver-se contra engodos de ir até o limite dos pastios. Precisam ter cuidado para não permitir que se desenvolva no seu coração um amor ao mundo de Satanás. Isto pode exigir oração e esforço, mas a sua vida depende disso. — 1 João 2:15-17; 5:19.

      21. Que obra satisfatória está sendo feita pelos que estão na atual cidade de refúgio?

      21 Os homicidas desintencionais nas antigas cidades de refúgio tinham de ser trabalhadores produtivos. De modo similar, os ungidos “filhos de Israel” têm dado um excelente exemplo como trabalhadores na colheita e proclamadores do Reino. (Mateus 9:37, 38; Marcos 13:10) Como ‘residentes forasteiros’ e ‘colonos’, na atual cidade de refúgio, os cristãos com perspectivas terrestres têm o privilégio de fazer esta obra salvadora de vidas ao lado dos ungidos que ainda estão na Terra. E como é satisfatória esta obra! Os que trabalham fielmente na antitípica cidade de refúgio escaparão da morte eterna às mãos do Vingador do sangue. Derivarão benefícios eternos do serviço dele como grande Sumo Sacerdote de Deus. Permanecerá você na cidade de refúgio e viverá assim para sempre?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja A Sentinela de 15 de dezembro de 1991, página 12, parágrafos 15, 16.

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