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Consolo para os oprimidosA Sentinela — 1996 | 1.° de novembro
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Consolo para os oprimidos
JÁ NOTOU que ao longo de sua vida certas palavras sempre aparecem nas manchetes? Está cansado de ler palavras como guerra, crime, desastre, fome e sofrimento? Existe uma, porém, cuja ausência nas notícias é notória; uma palavra que representa algo de que o homem necessita muito. É a palavra “consolo”.
“Consolar” significa “aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento, o padecimento”. Ou ainda “dar ânimo ou conforto”. Em vista de todas as reviravoltas pelas quais o mundo já passou no século 20, é enorme a necessidade de esperança e de alívio do sofrimento. É bem verdade que alguns de nós hoje em dia vivem com mais conforto do que nossos ancestrais jamais imaginaram ser possível, sobretudo graças ao progresso científico. Mas a ciência e a tecnologia não nos dão o conforto que resulta da eliminação de todas as causas do sofrimento do homem. Quais são essas causas?
Há muitos séculos, o sábio Salomão falou sobre uma causa básica do sofrimento, ao dizer: “Homem tem dominado homem para seu prejuízo.” (Eclesiastes 8:9) A ciência e a tecnologia não conseguiram mudar a tendência do homem de querer dominar seu semelhante. No século 20, isso já produziu ditaduras opressivas e guerras horrendas.
Desde 1914, mais de cem milhões de pessoas já foram mortas em resultado de guerras. Pense na angústia humana que esse número representa: milhões de famílias enlutadas, necessitando de consolo. E as guerras geram outros tipos de sofrimento além da morte violenta. No fim da Segunda Guerra Mundial havia mais de 12 milhões de refugiados na Europa. Em anos mais recentes, mais de um milhão e meio de pessoas fugiram das zonas de guerra no Sudeste da Ásia. A guerra nos Bálcãs já obrigou mais de dois milhões de pessoas a abandonar suas moradias — em muitos casos para escapar da “purificação étnica”.
Os refugiados com certeza necessitam de consolo, especialmente aqueles que fogem levando só o que conseguem carregar, sem saber para onde ir ou o que o futuro reserva para eles e suas famílias. Eles estão entre as mais lastimáveis vítimas da opressão; precisam de consolo.
Em regiões mais pacíficas da Terra, milhões de pessoas vivem, a bem dizer, escravizadas ao sistema econômico mundial. É fato que alguns têm bens materiais em abundância, mas a maioria enfrenta uma luta diária para ganhar a vida. Muitos procuram moradia adequada. É cada vez maior o número de desempregados. Segundo prevê um jornal da África, “o mundo ruma para uma crise de empregos sem precedentes, e, até o ano 2020, mais de 1,3 bilhão de pessoas se somarão ao número dos que procuram emprego”. Os oprimidos em sentido financeiro com certeza necessitam de forças e de esperança. Necessitam de consolo.
Em reação a circunstâncias desesperadoras, há pessoas que entram na vida do crime. É claro que isso só cria dificuldades para as suas vítimas, e os altos índices de criminalidade aumentam a sensação de opressão. Recentemente, uma manchete no jornal The Star, de Johannesburgo, África do Sul, dizia: “Um dia na vida do ‘país mais assassino do mundo’”. O artigo descrevia um dia típico em Johannesburgo e redondezas. Naquele único dia, quatro pessoas foram assassinadas e oito tiveram o carro roubado. Num bairro de classe média relataram-se 17 casas arrombadas. E ainda ocorreram vários assaltos a mão armada. Segundo o jornal, a polícia descreveu esse dia como um dia “relativamente tranqüilo”. É fácil entender por que pessoas cujos parentes são assassinados, cuja casa é arrombada e cujo carro é roubado sentem-se tremendamente oprimidas. Elas necessitam de segurança e esperança. Necessitam de consolo.
Em certos países, alguns pais vendem os filhos à prostituição. Relata-se que em certo país asiático, visitado por muitos turistas em “excursões sexuais”, existem dois milhões de prostitutas, muitas das quais foram compradas ou raptadas ainda crianças. Existiriam pessoas mais oprimidas do que essas deploráveis vítimas? Falando sobre esse comércio sórdido, a revista Time mencionou uma conferência de organizações feministas do Sudeste da Ásia, realizada em 1991. Nessa conferência chegou-se à estimativa de que “30 milhões de mulheres haviam sido vendidas, no mundo todo, desde meados da década de 70”.
Naturalmente, as crianças não precisam ser vendidas à prostituição para ser vítimas. É cada vez maior o número de crianças que sofrem abusos físicos ou até chegam a ser estupradas na própria casa pelos pais e por outros parentes. Essas crianças podem ficar com cicatrizes emocionais por muito tempo. Não há dúvida de que, como vítimas trágicas da opressão, elas necessitam de consolo.
Ciente da opressão já na antiguidade
O Rei Salomão ficou horrorizado com as dimensões da opressão humana. Ele escreveu: “Eu mesmo retornei, a fim de ver todos os atos de opressão que se praticam debaixo do sol, e eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder, de modo que não tinham consolador.” — Eclesiastes 4:1.
Se há 3.000 anos esse rei sábio deu-se conta de que os oprimidos necessitavam desesperadamente de um consolador, o que ele diria hoje? No entanto, Salomão sabia que nenhum ser humano imperfeito, nem ele mesmo, poderia proporcionar o consolo de que a humanidade necessitava. Era preciso alguém superior para pôr fim ao poder dos opressores. Existe esse alguém?
Na Bíblia, o Salmo 72 fala de um grandioso consolador para todas as pessoas. Esse salmo foi escrito pelo pai de Salomão, o Rei Davi. O cabeçalho diz: “Referente a Salomão.” Evidentemente foi escrito pelo idoso Rei Davi sobre Alguém que herdaria seu trono. Esse Alguém, segundo o salmo, proporcionaria alívio permanente da opressão. “Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua. E terá súditos de mar a mar e . . . até os confins da terra.” — Salmo 72:7, 8.
É provável que, ao escrever essas palavras, Davi pensasse em seu filho, Salomão. Mas Salomão entendia que servir à humanidade como descreve esse salmo era algo que estava além do seu poder. Ele podia cumprir as palavras do salmo apenas de forma limitada e para o bem da nação de Israel, não em benefício de toda a Terra. É evidente que esse salmo profético e inspirado apontava para alguém muito superior a Salomão. Quem? Só pode ser Jesus Cristo.
Ao anunciar o nascimento de Jesus, um anjo disse: “Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.” (Lucas 1:32) Além disso, Jesus referiu-se a si mesmo como “algo mais do que Salomão”. (Lucas 11:31) Desde que foi ressuscitado para ocupar uma posição à mão direita de Deus, Jesus está no céu, o lugar de onde poderá cumprir as palavras do Salmo 72. E ele recebeu o poder e a autoridade de Deus para quebrar o jugo dos opressores humanos. (Salmo 2:7-9; Daniel 2:44) Portanto, Jesus é quem cumprirá as palavras do Salmo 72.
Em breve acabará a opressão
O que isso significará? Que em breve terão fim todas as formas de opressão do homem. O sofrimento e a opressão sem precedentes, como se vê no século 20, foram preditos por Jesus como parte do sinal que identificaria a “terminação do sistema de coisas”. (Mateus 24:3) Entre outras coisas, ele predisse: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino.” (Mateus 24:7) Esse aspecto da profecia começou a cumprir-se por volta da época em que irrompeu a Primeira Guerra Mundial, em 1914. “Por causa do aumento do que é contra a lei”, acrescentou Jesus, “o amor da maioria se esfriará”. (Mateus 24:12) O desrespeito à lei e a falta de amor produziram uma geração perversa e opressiva. Assim, evidentemente está próxima a hora de Jesus Cristo intervir como novo Rei da Terra. (Mateus 24:32-34) O que isso significará para os oprimidos que têm fé em Jesus Cristo e esperam nele como o Consolador da humanidade nomeado por Deus?
Para obtermos a resposta a essa pergunta, vamos ler mais algumas palavras do Salmo 72 que se cumprem em Cristo Jesus: “Livrará ao pobre que clama por ajuda, também ao atribulado e a todo aquele que não tiver ajudador. Terá dó daquele de condição humilde e do pobre, e salvará as almas dos pobres. Resgatará sua alma da opressão e da violência, e o sangue deles será precioso aos seus olhos.” (Salmo 72:12-14) Assim, o Rei nomeado por Deus, Jesus Cristo, garantirá que ninguém sofra por causa da opressão. Ele tem poder para pôr fim a todas as formas de injustiça.
‘A idéia é maravilhosa’, alguém talvez diga, ‘mas e o presente? Que consolo há para quem está sofrendo agora?’ Na verdade, existe consolo para os oprimidos. Os dois artigos que se seguem nesta edição mostrarão que milhões de pessoas já são consoladas por cultivarem uma relação achegada com o Deus verdadeiro, Jeová, e com Seu amado Filho, Jesus Cristo. Essa relação pode consolar-nos nestes tempos opressivos em que vivemos e pode conduzir a pessoa à vida eterna, livre da opressão. Jesus disse em oração a Deus: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.
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Recorra a Jeová em busca de consoloA Sentinela — 1996 | 1.° de novembro
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Recorra a Jeová em busca de consolo
“O Deus que provê perseverança e consolo vos conceda terdes entre vós próprios a mesma atitude mental que Cristo Jesus teve.” — ROMANOS 15:5.
1. Por que aumenta cada dia a necessidade de consolo?
CADA dia que passa, aumenta a necessidade de consolo. Conforme observou um escritor bíblico há mais de 1.900 anos, “toda a criação junta persiste em gemer e junta está em dores até agora”. (Romanos 8:22) No tempo em que vivemos, os ‘gemidos’ e as “dores” são maiores do que nunca antes. Desde a Primeira Guerra Mundial, a humanidade sofre uma crise após outra na forma de guerras, crimes e desastres naturais, muitas vezes relacionados com a má administração da Terra pelo homem. — Revelação (Apocalipse) 11:18.
2. (a) Quem tem mais culpa pela atual aflição da humanidade? (b) Que fato nos dá uma base para termos consolo?
2 Por que há tantos sofrimentos no nosso tempo? A Bíblia responde ao descrever a expulsão de Satanás do céu, depois do nascimento do Reino em 1914: “Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.” (Revelação 12:12) A evidência clara do cumprimento desta profecia significa que quase já chegamos ao fim do domínio iníquo de Satanás. Como é consolador saber que a vida na Terra voltará em breve a ter a condição pacífica que existia antes de Satanás induzir nossos primeiros pais a se rebelarem!
3. Quando foi que os humanos não tinham necessidade de consolo?
3 No começo, o Criador do homem providenciou um belo parque como lar para o primeiro casal humano. Ficava numa região chamada Éden, que significa “Deleite” ou “Prazer”. (Gênesis 2:8, nota, NM com Referências) Além disso, Adão e Eva tinham saúde perfeita, com a perspectiva de nunca morrer. Imagine as muitas áreas em que poderiam ter desenvolvido suas habilidades: jardinagem, arte, construção e música. Pense também nas muitas obras da criação que poderiam ter estudado, ao cumprirem sua comissão de subjugar a Terra e de transformá-la num paraíso. (Gênesis 1:28) Deveras, a vida de Adão e de Eva poderia ter sido cheia de prazer e deleite, não de gemidos e de dor. É evidente que não teriam tido necessidade de consolo.
4, 5. (a) Por que falharam Adão e Eva quando sua obediência foi provada? (b) Como passou a humanidade a ter necessidade de consolo?
4 No entanto, o que Adão e Eva precisavam mesmo era cultivar um profundo amor e apreço pelo seu bondoso Pai celestial. Esse amor os teria motivado a obedecer a Deus em todas as circunstâncias. (Note João 14:31.) Lamentavelmente, os nossos pais originais deixaram de obedecer ao seu Soberano legítimo, Jeová. Em vez disso, deixaram-se subjugar ao domínio iníquo dum anjo decaído, Satanás, o Diabo. Foi Satanás quem instigou Eva a pecar e a comer do fruto proibido. Daí, Adão pecou quando também comeu do fruto da árvore sobre a qual Deus advertira claramente: “No dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” — Gênesis 2:17.
5 Foi assim que o casal pecador começou a morrer. Quando Deus decretou a sentença de morte, ele declarou também a Adão: “Maldito é o solo por tua causa. Em dor comerás dos seus produtos todos os dias da tua vida. E ele fará brotar para ti espinhos e abrolhos, e terás de comer a vegetação do campo.” (Gênesis 3:17, 18) Adão e Eva perderam assim a perspectiva de transformar a Terra não cultivada num paraíso. Expulsos do Éden, tiveram de concentrar suas energias na tarefa árdua de conseguir alimentos dum solo que fora amaldiçoado. Seus descendentes, por terem herdado esta condição de pecado e de morte, passaram a ter muita necessidade de consolo. — Romanos 5:12.
Cumprida uma promessa consoladora
6. (a) Que promessa consoladora fez Deus depois de a humanidade ter caído no pecado? (b) Que profecia referente ao consolo proferiu Lameque?
6 Quando Jeová sentenciou o instigador da rebelião do homem, ele mostrou ser ‘o Deus que provê consolo’. (Romanos 15:5) Fez isso por prometer enviar um “descendente [ou semente]”, que por fim libertaria a prole de Adão dos efeitos desastrosos da rebelião dele. (Gênesis 3:15) Com o tempo, Deus forneceu também vislumbres desta libertação. Por exemplo, ele inspirou Lameque, descendente distante de Adão através de seu filho Sete, a profetizar sobre o que o filho de Lameque iria fazer: “Este nos trará consolo do nosso trabalho e da dor das nossas mãos, que resulta do solo que Jeová amaldiçoou.” (Gênesis 5:29) Em harmonia com esta promessa, o menino recebeu o nome de Noé, cujo significado se entende ser “Descanso” ou “Consolo”.
7, 8. (a) Que situação induziu Jeová a deplorar ter criado o homem, e o que determinou Ele fazer para corrigi-la? (b) Como viveu Noé à altura do significado do seu nome?
7 No ínterim, Satanás conseguiu adeptos dentre alguns dos anjos celestiais. Estes materializaram corpos humanos e tomaram bonitas descendentes de Adão como esposas. Essas uniões desnaturais corromperam ainda mais a sociedade humana e produziram uma raça ímpia de nefilins, ou “derrubadores”, que encheram a Terra de violência. (Gênesis 6:1, 2, 4, 11; Judas 6) “Por conseguinte, Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra . . . E Jeová deplorou ter feito os homens na terra e sentiu-se magoado no coração.” — Gênesis 6:5, 6.
8 Jeová determinou destruir aquele mundo iníquo por meio dum dilúvio global, mas primeiro fez Noé construir uma arca para preservar alguma vida. Assim foram salvas a raça humana e as espécies de animais. Como Noé e sua família se devem ter sentido aliviados após o Dilúvio, ao saírem da arca para a Terra purificada! Que consolo era ver que a maldição sobre o solo tinha sido retirada, tornando a atividade agrícola muito mais fácil! Deveras, a profecia de Lameque mostrou ser veraz, e Noé viveu à altura do significado do seu nome. (Gênesis 8:21) Noé, como servo fiel de Deus, serviu de instrumento para dar certa medida de “consolo” à humanidade. Mas, a influência iníqua de Satanás e de seus anjos demoníacos não acabou junto com o Dilúvio, e a humanidade continua a gemer sob o fardo do pecado, da doença e da morte.
Alguém maior do que Noé
9. Como tem mostrado Jesus Cristo ser ajudador e consolador da humanidade arrependida?
9 Com o tempo, no fim de cerca de 4.000 anos da história humana, chegou o Descendente (Semente) prometido. Jeová Deus, induzido pelo grande amor à humanidade, enviou seu Filho unigênito à Terra, a fim de morrer como resgate pela humanidade pecadora. (João 3:16) Jesus Cristo dá muito alívio aos pecadores arrependidos que exercem fé na sua morte sacrificial. Todos os que dedicam sua vida a Jeová e se tornam discípulos batizados do seu Filho sentem duradouro revigoramento e consolo. (Mateus 11:28-30; 16:24) Apesar da sua imperfeição, têm muita alegria em servir a Deus com uma consciência limpa. Como os consola saber que, se continuarem a ter fé em Jesus, serão recompensados com vida eterna! (João 3:36; Hebreus 5:9) Se por causa de fraqueza cometem um pecado grave, eles têm um ajudador, ou consolador, na pessoa do ressuscitado Senhor Jesus Cristo. (1 João 2:1, 2) Por confessarem tal pecado e tomarem as medidas bíblicas para evitar ser praticantes de pecado, eles obtêm alívio, sabendo que ‘Deus é fiel e justo para perdoar os seus pecados’. — 1 João 1:9; 3:6; Provérbios 28:13.
10. Que aprendemos dos milagres realizados por Jesus enquanto esteve na Terra?
10 Enquanto Jesus esteve na Terra, ele também deu revigoramento por libertar os possessos por demônios, por curar toda sorte de doença e por ressuscitar entes queridos falecidos. É verdade que esses milagres eram apenas de benefício temporário, visto que os assim abençoados depois envelheceram e morreram. No entanto, Jesus mostrou assim as futuras bênçãos permanentes que derramará sobre toda a humanidade. Agora, como poderoso Rei celestial, em breve fará muito mais do que apenas expulsar os demônios. Lançará a eles, junto com o seu líder, Satanás, num abismo de inatividade. Começará então o glorioso Reinado Milenar de Cristo. — Lucas 8:30, 31; Revelação 20:1, 2, 6.
11. Por que disse Jesus que ele era o “Senhor do sábado”?
11 Jesus disse que ele era o “Senhor do sábado”, e muitas das suas curas foram realizadas no sábado. (Mateus 12:8-13; Lucas 13:14-17; João 5:15, 16; 9:14) Por que agiu assim? Acontece que guardar o sábado fazia parte da Lei que Deus deu a Israel e servia assim de “sombra das boas coisas vindouras”. (Hebreus 10:1) Os seis dias de trabalho da semana lembram-nos os últimos 6.000 anos da escravidão do homem ao domínio opressivo de Satanás. O sábado, no fim da semana, faz lembrar o consolador descanso que a humanidade terá durante o Reinado Milenar do Noé Maior, Jesus Cristo. — Note 2 Pedro 3:8.
12. Que acontecimentos consoladores podemos esperar?
12 Quanto alívio sentirão os súditos terrestres do domínio de Cristo quando, por fim, estiverem totalmente livres da influência iníqua de Satanás! Terão consolo adicional ao passarem a ter a cura de seus padecimentos físicos, emocionais e mentais. (Isaías 65:17) Imagine o êxtase deles quando começarem a acolher seus entes queridos de volta da morte! Destas maneiras, Deus “enxugará dos seus olhos toda lágrima”. (Revelação 21:4) Ao passo que os benefícios do sacrifício resgatador de Jesus forem progressivamente aplicados, os súditos obedientes do Reino de Deus aos poucos chegarão à perfeição, ficando totalmente livres de todos os efeitos maus do pecado de Adão. (Revelação 22:1-5) Satanás será então solto “por um pouco”. (Revelação 20:3, 7) Todos os humanos que apoiarem fielmente a soberania legítima de Jeová serão recompensados com a vida eterna. Imagine a indizível alegria e o alívio de serem completamente ‘libertos da escravização à corrupção’! Assim, a humanidade obediente usufruirá “a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. — Romanos 8:21.
13. Por que precisam todos os verdadeiros cristãos do consolo dado por Deus?
13 No ínterim, continuamos a estar sujeitos aos gemidos e às dores comuns a todos os que vivem no meio do sistema iníquo de Satanás. O aumento das doenças físicas e dos distúrbios emocionais afeta todos os tipos de pessoas, até mesmo os cristãos fiéis. (Filipenses 2:25-27; 1 Tessalonicenses 5:14) Além disso, nós, cristãos, sofremos muitas vezes as zombarias injustas e a perseguição que Satanás lança sobre nós por ‘obedecermos a Deus como governante antes que aos homens’. (Atos 5:29) Portanto, se havemos de perseverar em fazer a vontade de Deus até o fim do mundo de Satanás, precisamos do consolo, da ajuda e da força dados por Deus.
Onde se encontra consolo
14. (a) Que promessa fez Jesus na noite antes da sua morte? (b) Que precisamos fazer para tirar pleno proveito do consolo do espírito santo de Deus?
14 Na noite antes da sua morte, Jesus esclareceu aos seus fiéis apóstolos que ele logo iria deixá-los e retornar ao Pai. Isto os perturbou e contristou. (João 13:33, 36; 14:27-31) Reconhecendo que eles tinham necessidade de contínuo consolo, Jesus prometeu: “Eu solicitarei ao Pai e ele vos dará outro consolador para estar convosco para sempre.” (João 14:16, nota, NM com Referências) Jesus referiu-se ali ao espírito santo de Deus, que foi derramado sobre os seus discípulos 50 dias depois da ressurreição dele.a Entre outras coisas, o espírito de Deus consolou-os durante suas provações e fortaleceu-os para que continuassem a fazer a vontade de Deus. (Atos 4:31) Todavia, essa ajuda não deve ser encarada como automática. Para tirar pleno benefício dela, cada cristão precisa continuar a orar, pedindo a ajuda consoladora que Deus dá por meio do seu espírito santo. — Lucas 11:13.
15. Quais são alguns dos modos de Jeová nos dar consolo?
15 Outro modo de Deus dar consolo é por meio da sua Palavra, a Bíblia. Paulo escreveu: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” (Romanos 15:4) Isto mostra que é preciso que regularmente estudemos as coisas escritas na Bíblia e nas publicações bíblicas, e que meditemos nelas. Precisamos também ser regulares em assistir às reuniões cristãs, em que se compartilham pensamentos consoladores da Palavra de Deus. Um dos principais objetivos dessas reuniões é que nos encorajemos uns aos outros. — Hebreus 10:25.
16. As provisões consoladoras de Deus devem motivar-nos a fazer o quê?
16 A carta que Paulo escreveu aos romanos passa a mostrar o bom resultado que derivamos de fazer uso das provisões consoladoras de Deus. “O Deus que provê perseverança e consolo”, escreveu Paulo, “vos conceda terdes entre vós próprios a mesma atitude mental que Cristo Jesus teve, para que, de comum acordo, com uma só boca, glorifiqueis o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Romanos 15:5, 6) De fato, por aproveitarmos plenamente as provisões consoladoras de Deus, ficaremos mais parecidos ao nosso corajoso Líder, Jesus Cristo. Isto nos motivará a continuar a usar a boca para glorificar a Deus no testemunho que damos, nas reuniões, nas conversas particulares com concrentes e nas orações.
Em épocas de severas provas
17. Como consolou Jeová seu Filho, e com que resultado?
17 Jesus ficou “muito aflito” e “profundamente contristado” na noite antes da sua agonizante morte. (Mateus 26:37, 38) Distanciou-se assim um pouco dos seus discípulos e orou ao Pai por ajuda. “Ele foi ouvido favoravelmente pelo seu temor piedoso.” (Hebreus 5:7) A Bíblia relata que “apareceu [a Jesus] um anjo do céu e o fortaleceu”. (Lucas 22:43) A forma corajosa e varonil em que Jesus passou a enfrentar seus opositores evidencia que o modo de Deus consolar seu Filho foi muito eficaz. — João 18:3-8, 33-38.
18. (a) Que período na vida do apóstolo Paulo foi especialmente provador para ele? (b) Como podemos dar consolo aos anciãos trabalhadores e compassivos?
18 O apóstolo Paulo também passou por períodos de severas provações. Por exemplo, seu ministério em Éfeso foi marcado por “lágrimas e provações, que [lhe] sobrevieram pelas conspirações dos judeus”. (Atos 20:17-20) Por fim, Paulo saiu de Éfeso depois de apoiadores da deusa Ártemis terem alvoroçado a cidade por causa da pregação dele. (Atos 19:23-29; 20:1) Na viagem de Paulo para o norte, à cidade de Trôade, outra coisa o preocupava muito. Algum tempo antes do alvoroço em Éfeso, ele recebera uma notícia perturbadora. A jovem congregação em Corinto era afligida por divisões e tolerava fornicação. De modo que Paulo, de Éfeso, escrevera uma carta de forte repreensão, na esperança de corrigir essa situação. Não lhe foi fácil fazer isso. “Eu vos escrevi em muita tribulação e angústia de coração, com muitas lágrimas”, revelou mais tarde numa segunda carta. (2 Coríntios 2:4) Anciãos compassivos, assim como se dava com Paulo, não acham fácil dar conselho e repreensão corretivos, em parte por estarem bem cônscios das suas próprias fraquezas. (Gálatas 6:1) Portanto, demos consolo aos que tomam a dianteira entre nós, aceitando prontamente o conselho amoroso baseado na Bíblia. — Hebreus 13:17.
19. Por que foi Paulo de Trôade para a Macedônia, e como obteve por fim alívio?
19 Enquanto Paulo estava em Éfeso, ele não somente escreveu aos irmãos em Corinto, mas também enviou Tito para ajudá-los, comissionando-o a informá-lo depois sobre a reação deles à sua carta. Paulo esperava encontrar Tito em Trôade. Ali Paulo foi abençoado com uma excelente oportunidade de fazer discípulos. Mas isto não o aliviou da ansiedade por Tito ainda não ter chegado. (2 Coríntios 2:12, 13) De modo que seguiu viagem para a Macedônia, esperando encontrar-se ali com Tito. A ansiedade de Paulo foi agravada pela intensa oposição ao seu ministério. “Quando chegamos à Macedônia”, explica ele, “nossa carne não teve alívio, mas continuamos a ser afligidos de toda maneira — havia lutas por fora, temores por dentro. Não obstante, Deus, que consola os abatidos, consolou-nos com a presença de Tito”. (2 Coríntios 7:5, 6) Que alívio foi quando Tito finalmente chegou para contar a Paulo a reação positiva dos coríntios à carta dele!
20. (a) Como no caso de Paulo, de que outra maneira importante dá Deus consolo? (b) Que será considerado no próximo artigo?
20 O que Paulo passou consola hoje os servos de Deus, porque muitos deles também se confrontam com provações, que os fazem ficar “abatidos” ou “desanimados”. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) Deveras, ‘o Deus que provê consolo’ sabe quais são as nossas necessidades individuais e pode usar-nos para nos consolarmos mutuamente, assim como Paulo foi consolado pelo relatório de Tito a respeito da atitude arrependida dos coríntios. (2 Coríntios 7:11-13) No nosso próximo artigo, consideraremos a calorosa resposta de Paulo aos coríntios e como ela pode ajudar-nos a ser eficazes em compartilhar o consolo de Deus hoje em dia.
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Compartilhe o consolo dado por JeováA Sentinela — 1996 | 1.° de novembro
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Compartilhe o consolo dado por Jeová
“A nossa esperança por vós é inalterada, sabendo que, assim como sois parceiros nos sofrimentos, do mesmo modo também participareis do consolo.” — 2 CORÍNTIOS 1:7.
1, 2. O que se tem dado com muitos dos que nos tempos atuais se têm tornado cristãos?
MUITOS dos atuais leitores de A Sentinela não tinham antes conhecimento da verdade de Deus. Talvez isto se dê também com você. Neste caso, lembre-se de como se sentiu quando seus olhos de entendimento começaram a se abrir. Por exemplo, quando começou a entender que os mortos não sofrem, mas estão inconscientes, não se sentiu aliviado? E quando soube da esperança para os mortos, de que bilhões deles serão ressuscitados para a vida no novo mundo de Deus, não se sentiu consolado? — Eclesiastes 9:5, 10; João 5:28, 29.
2 Que dizer da promessa de Deus, de acabar com a iniqüidade e de transformar a Terra num paraíso? Quando soube disso, não se sentiu consolado e cheio de ansiosa expectativa? Como se sentiu quando soube pela primeira vez da possibilidade de nunca morrer, mas de sobreviver para esse vindouro Paraíso terrestre? Sem dúvida, ficou emocionado. De fato, tornou-se ouvinte da consoladora mensagem de Deus, agora pregada em todo o mundo pelas Testemunhas de Jeová. — Salmo 37:9-11, 29; João 11:26; Revelação (Apocalipse) 21:3-5.
3. Por que sofrem também tribulação aqueles que compartilham a mensagem consoladora de Deus com outros?
3 No entanto, quando você tentou compartilhar a mensagem da Bíblia com outros, também se deu conta de que “a fé não é propriedade de todos”. (2 Tessalonicenses 3:2) Talvez alguns dos seus anteriores amigos zombaram de você por expressar fé nas promessas da Bíblia. É possível que até mesmo tenha sido perseguido por continuar a estudar a Bíblia junto com as Testemunhas de Jeová. A oposição talvez se tenha intensificado quando começou a fazer mudanças na sua vida, em harmonia com os princípios bíblicos. Começou a sentir a tribulação que Satanás e seu mundo causam a todos os que aceitam o consolo de Deus.
4. De que formas diferentes talvez reajam os recém-interessados à tribulação?
4 Lamentavelmente, assim como Jesus predisse, a tribulação faz com que alguns tropecem e deixem de se associar com a congregação cristã. (Mateus 13:5, 6, 20, 21) Outros suportam a tribulação por manterem a mente fixa nas consoladoras promessas de que ficam sabendo. Por fim, dedicam a vida a Jeová e são batizados como discípulos do Filho dele, Jesus Cristo. (Mateus 28:19, 20; Marcos 8:34) É claro que a tribulação não pára quando o cristão é batizado. Por exemplo, manter-se casto pode ser uma luta dura para alguém que teve um passado imoral. Outros têm de lidar constantemente com a oposição de membros descrentes da família. Qualquer que seja a tribulação, todos os que fielmente levam uma vida dedicada a Deus podem ter certeza de uma coisa: terão o consolo e a ajuda de Deus de forma bem pessoal.
“O Deus de todo o consolo”
5. Além das muitas provações que Paulo sofreu, o que sentiu também?
5 Um dos que apreciaram profundamente o consolo dado por Deus foi o apóstolo Paulo. Depois de um período especialmente provador na Ásia e na Macedônia, ele sentiu grande alívio ao saber que a congregação coríntia havia aceitado bem a sua carta de repreensão. Isto o induziu a escrever-lhe uma segunda carta, que contém a seguinte expressão de louvor: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo, que nos consola em toda a nossa tribulação.” — 2 Coríntios 1:3, 4.
6. Que aprendemos das palavras de Paulo encontradas em 2 Coríntios 1:3, 4?
6 Estas palavras inspiradas nos dizem muita coisa. Analisemo-las. Quando Paulo expressa louvor e agradecimentos a Deus, ou pede-lhe algo nas suas cartas, usualmente vemos que ele inclui também profundo apreço por Jesus, Cabeça da congregação cristã. (Romanos 1:8; 7:25; Efésios 1:3; Hebreus 13:20, 21) Assim, Paulo dirige essa expressão de louvor ao “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Depois, pela primeira vez nos seus escritos, ele usa um substantivo grego que, traduzido, significa “ternas misericórdias”. Este substantivo deriva duma palavra usada para expressar pesar diante do sofrimento de outros. Paulo descreve assim os ternos sentimentos de Deus por quaisquer dos Seus servos fiéis que sofrem tribulação — ternos sentimentos que induzem Deus a agir com misericórdia a favor deles. Por fim, Paulo considerava ser Jeová a fonte desta qualidade desejável, chamando-o de “o Pai de ternas misericórdias”.
7. Por que se pode dizer que Jeová é “o Deus de todo o consolo”?
7 As “ternas misericórdias” de Deus dão alívio a quem sofre tribulação. Por isso, Paulo passa a descrever a Jeová como “o Deus de todo o consolo”. Portanto, não importa que consolo recebamos em resultado da bondade de concrentes, podemos considerar que procede de Jeová. Não há consolo verdadeiro e duradouro que não se origine de Deus. Além disso, foi ele quem criou o homem à sua imagem, habilitando-nos assim a ser consoladores. E é o espírito santo de Deus que motiva os servos dele a mostrar terna misericórdia para com os que precisam de consolo.
Treinados para ser consoladores
8. Embora Jeová não seja o causador de nossas provações, que efeito benéfico podemos obter pela nossa perseverança em tribulação?
8 Embora Jeová Deus permita as diversas provações que sobrevêm aos seus servos fiéis, ele nunca é o causador dessas provações. (Tiago 1:13) No entanto, o consolo que ele dá quando suportamos tribulação pode treinar-nos para que sejamos mais sensíveis às necessidades de outros. Para que fim? “Para que possamos consolar os que estiverem em qualquer sorte de tribulação, por intermédio do consolo com que nós mesmos estamos sendo consolados por Deus.” (2 Coríntios 1:4) Jeová treina-nos assim a fim de compartilharmos eficazmente seu consolo com concrentes e com os que encontramos no nosso ministério, ao passo que imitamos a Cristo e ‘consolamos a todos os que pranteiam’. — Isaías 61:2; Mateus 5:4.
9. (a) O que nos ajudará a aturar sofrimentos? (b) Como são outros consolados quando nós aturamos fielmente tribulações?
9 Paulo aturou seus muitos sofrimentos graças ao abundante consolo que Deus lhe deu por meio de Cristo. (2 Coríntios 1:5) Nós também podemos receber uma abundância de consolo por meditar nas preciosas promessas de Deus, por orar pedindo o apoio do Seu espírito santo e por sentir como Deus responde às nossas orações. Seremos assim fortalecidos para continuar a defender a soberania de Jeová e para provar que o Diabo é mentiroso. (Jó 2:4; Provérbios 27:11) Depois de termos aturado fielmente alguma forma de tribulação, devemos, assim como Paulo, dar todo o crédito a Jeová, cujo consolo habilita os cristãos a permanecer fiéis sob provação. A perseverança dos cristãos fiéis tem efeito consolador sobre a fraternidade, fazendo com que outros fiquem determinados a “aturar os mesmos sofrimentos”. — 2 Coríntios 1:6.
10, 11. (a) Quais são algumas das coisas que causaram sofrimentos à congregação da antiga Corinto? (b) Como consolou Paulo a congregação coríntia e que esperança expressou ele?
10 Os coríntios tiveram a sua parte dos sofrimentos que sobrevêm a todos os verdadeiros cristãos. Além disso, tiveram de ser aconselhados a desassociar um fornicador impenitente. (1 Coríntios 5:1, 2, 11, 13) Não terem feito isso, nem terem acabado com as rixas e as divisões, era uma vergonha para a congregação. Mas eles finalmente aplicaram o conselho de Paulo e mostraram genuíno arrependimento. Por isso, ele os elogiou cordialmente e declarou que a boa reação deles à sua carta o tinha consolado. (2 Coríntios 7:8, 10, 11, 13) Pelo visto, o desassociado também se tinha arrependido. De modo que Paulo aconselhou que ‘lhe perdoassem e o consolassem, para que tal homem não fosse de algum modo tragado pela sua excessiva tristeza’. — 2 Coríntios 2:7.
11 A segunda carta de Paulo certamente deve ter consolado a congregação coríntia. E essa foi uma das suas intenções. Ele explicou: “A nossa esperança por vós é inalterada, sabendo que, assim como sois parceiros nos sofrimentos, do mesmo modo também participareis do consolo.” (2 Coríntios 1:7) Na conclusão da sua carta, Paulo exortou: “Continuai . . . a ser consolados, . . . e o Deus de amor e de paz estará convosco.” — 2 Coríntios 13:11.
12. Que necessidade têm todos os cristãos?
12 Como é importante a lição que podemos aprender disso! Todos os membros da congregação cristã precisam ‘participar do consolo’ que Deus dá por meio da sua Palavra, do seu espírito santo e da sua organização terrestre. Até mesmo os desassociados podem precisar de consolo, se se arrependeram e desistiram do seu proceder errado. Por isso, “o escravo fiel e discreto” instituiu uma provisão misericordiosa para ajudá-los. Uma vez por ano, dois anciãos podem visitar certos desassociados. Estes talvez não tenham mais uma atitude rebelde, nem se empenhem em grave pecado, e podem necessitar de ajuda para tomar as medidas necessárias para ser readmitidos. — Mateus 24:45; Ezequiel 34:16.
A tribulação de Paulo na Ásia
13, 14. (a) Como descreveu Paulo uma ocasião de severa tribulação que teve na Ásia? (b) A que incidente talvez se referisse Paulo?
13 O tipo de sofrimento da congregação coríntia até aquele ponto não podia ser comparado com as muitas tribulações que Paulo teve de agüentar. De modo que podia lembrar-lhes: “Irmãos, não queremos que sejais ignorantes da tribulação que nos sobreveio no distrito da Ásia, que estávamos sob extrema pressão, além de nossa força, de modo que estávamos muito incertos até mesmo quanto às nossas vidas. De fato, sentimos em nosso íntimo que tínhamos recebido a sentença de morte. Isto se deu para que tivéssemos confiança, não em nós mesmos, mas no Deus que levanta os mortos. Ele nos resgatou e nos resgatará de uma coisa tão grande como a morte; e temos esperança nele de que nos resgatará também ainda mais.” — 2 Coríntios 1:8-10.
14 Alguns eruditos bíblicos acreditam que Paulo se referiu ao distúrbio em Éfeso, que poderia ter custado não só a vida de Paulo, mas também a de seus dois companheiros macedônios de viagem, Gaio e Aristarco. Estes dois cristãos foram levados à força a um teatro cheio de uma turba que gritou “por cerca de duas horas: ‘Grande é a [deusa] Ártemis dos efésios!’” Por fim, um funcionário municipal conseguiu acalmar a multidão. Esta ameaça à vida de Gaio e de Aristarco deve ter angustiado muito a Paulo. De fato, ele queria entrar e argumentar com a turba fanática, mas foi impedido de arriscar assim a sua vida. — Atos 19:26-41.
15. Que situação extrema talvez se descreva em 1 Coríntios 15:32?
15 Todavia, Paulo talvez estivesse descrevendo uma situação muito mais extrema do que o incidente mencionado. Na sua primeira carta aos coríntios, Paulo perguntou: “Se eu, igual aos homens, tenho lutado com feras em Éfeso, que me aproveita isso?” (1 Coríntios 15:32) Isto pode significar que a vida de Paulo foi ameaçada não só por homens animalescos, mas literalmente por animais ferozes no estádio de Éfeso. Às vezes, os criminosos eram punidos por serem obrigados a lutar contra feras, ao passo que multidões sanguinárias presenciavam o espetáculo. Se Paulo quis dizer que enfrentara feras literais, no último momento ele deve ter sido milagrosamente salvo duma morte cruel, assim como Daniel foi salvo da boca de leões literais. — Daniel 6:22.
Exemplos dos dias atuais
16. (a) Por que podem muitas Testemunhas de Jeová compreender as tribulações sofridas por Paulo? (b) Que certeza podemos ter quanto aos que morreram por causa da sua fé? (c) Que bom efeito tem havido quando cristãos escaparam da morte por um triz?
16 Muitos cristãos, nos dias atuais, podem compreender as tribulações sofridas por Paulo. (2 Coríntios 11:23-27) Também hoje em dia, cristãos têm sofrido “extrema pressão, além de [sua] força”, e muitos têm enfrentado situações em que estiveram ‘muito incertos quanto às [suas] vidas’. (2 Coríntios 1:8) Alguns foram mortos por genocidas e por perseguidores cruéis. Podemos ter certeza de que o poder consolador de Deus os habilitou a suportar isso e que morreram com o coração e a mente fixos no cumprimento da sua esperança, quer celeste, quer terrestre. (1 Coríntios 10:13; Filipenses 4:13; Revelação 2:10) Em outros casos, Jeová manobrou a situação, e nossos irmãos foram salvos da morte. Sem dúvida, os que receberam tal socorro desenvolveram uma confiança maior “no Deus que levanta os mortos”. (2 Coríntios 1:9) Depois disso puderam falar com maior convicção ao compartilharem a mensagem consoladora de Deus com outros. — Mateus 24:14.
17-19. Que experiências mostram que nossos irmãos em Ruanda receberam consolo de Deus?
17 Há pouco tempo, nossos queridos irmãos em Ruanda passaram por algo similar ao que aconteceu com Paulo e seus companheiros. Muitos perderam a vida, mas os esforços de Satanás não conseguiram destruir a sua fé. Em vez disso, nossos irmãos naquele país têm sentido o consolo de Deus de muitas formas pessoais. Durante o genocídio de tutsis e hutus em Ruanda, houve hutus que arriscaram a vida para proteger tutsis, e tutsis que protegeram hutus. Alguns foram mortos por extremistas por terem protegido seus concrentes. Por exemplo, uma Testemunha hutu, de nome Gahizi, foi morta depois de ter escondido uma irmã tutsi, de nome Chantal. O marido tutsi de Chantal, Jean, foi escondido em outro local por uma irmã hutu, de nome Charlotte. Por 40 dias, Jean e mais um irmão tutsi ficaram escondidos numa grande chaminé, saindo apenas por uns instantes durante a noite. Durante todo este tempo, Charlotte deu-lhes alimentos e proteção, embora morasse perto dum acampamento militar hutu. Nesta página, pode ver uma foto de Jean e Chantal, novamente juntos, gratos de que co-adoradores hutus ‘arriscaram o pescoço’ por eles, assim como fizeram Prisca e Áquila pelo apóstolo Paulo. — Romanos 16:3, 4.
18 Outra Testemunha hutu, Rwakabubu, foi elogiado pelo jornal Intaremara por ter protegido concrentes tutsis.a O jornal declarou: “Há também Rwakabubu, uma das Testemunhas de Jeová, que continuou a ocultar gente aqui e ali entre seus irmãos (é assim que os concrentes chamam um ao outro). Costumava passar o dia inteiro carregando para eles alimentos e água potável, embora ele seja asmático. Mas Deus o fez extraordinariamente forte.”
19 Considere também um casal hutu, de nome Nicodeme e Athanasie, interessados na verdade. Antes do irrompimento do genocídio, este casal estudava a Bíblia com uma Testemunha tutsi, de nome Alphonse. Arriscando a vida, esconderam Alphonse na sua casa. Mais tarde, deram-se conta de que sua casa não era um lugar seguro, porque seus vizinhos hutus sabiam do seu amigo tutsi. De modo que Nicodeme e Athanasie esconderam Alphonse num buraco no seu quintal. Isto foi bom, porque os vizinhos começaram a procurar Alphonse quase que todo dia. Deitado neste buraco por 28 dias, Alphonse passou a meditar em relatos bíblicos tais como o de Raabe, que escondeu dois israelitas no terraço da sua casa em Jericó. (Josué 6:17) Atualmente, Alphonse continua no seu serviço em Ruanda como pregador das boas novas, grato de que seus estudantes hutus da Bíblia arriscaram a vida por ele. E que dizer de Nicodeme e Athanasie? Eles são agora Testemunhas de Jeová batizadas e dirigem mais de 20 estudos bíblicos para pessoas interessadas.
20. De que forma consolou Jeová nossos irmãos em Ruanda, mas que necessidade continuam a ter muitos deles?
20 Quando o genocídio em Ruanda começou, havia no país 2.500 proclamadores das boas novas. Embora centenas tenham perdido a vida ou se viram obrigados a deixar o país, o número de Testemunhas aumentou para mais de 3.000. Isto é prova de que Deus realmente consolou nossos irmãos. Que dizer dos muitos órfãos e das viúvas entre as Testemunhas de Jeová? Naturalmente, esses ainda sofrem tribulação e continuam a ter necessidade de consolo. (Tiago 1:27) Suas lágrimas só serão completamente enxugadas quando ocorrer a ressurreição no novo mundo de Deus. Não obstante, eles conseguem enfrentar a vida graças ao auxílio de seus irmãos e por serem adoradores do “Deus de todo o consolo”.
21. (a) Em que outros lugares têm tido nossos irmãos grande necessidade do consolo de Deus, e de que forma podemos todos nós ajudar? (Veja o quadro “Consolo durante quatro anos de guerra”.) (b) Quando será plenamente satisfeita nossa necessidade de consolo?
21 Em muitos outros lugares, tais como a Eritréia, Cingapura e a antiga Iugoslávia, nossos irmãos continuam a servir fielmente a Jeová, apesar de tribulações. Ajudemos a tais irmãos por fazer súplicas regulares para que sejam consolados. (2 Coríntios 1:11) E perseveremos fielmente até a ocasião em que Deus, por meio de Jesus Cristo, no mais pleno sentido, ‘enxugará dos nossos olhos toda lágrima’. Sentiremos então de forma completa o consolo que Jeová dará no seu novo mundo de justiça. — Revelação 7:17; 21:4; 2 Pedro 3:13.
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Consolo durante quatro anos de guerraA Sentinela — 1996 | 1.° de novembro
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Consolo durante quatro anos de guerra
DURANTE os quatro anos de guerra no território da antiga Iugoslávia, muitos sofreram dificuldades e grandes necessidades. Entre eles estavam centenas de Testemunhas de Jeová, que continuaram fielmente a adorar “o Deus de todo o consolo”. — 2 Coríntios 1:3.
Em Sarajevo, o povo sofreu a dificuldade adicional de viver numa cidade grande que ficou sitiada durante a guerra. Havia escassez de eletricidade, de água, de lenha e de alimentos. Como funcionava a Congregação Sarajevo das Testemunhas de Jeová em tais condições extremamente difíceis? Cristãos de países vizinhos arriscaram a vida para levar-lhes grandes quantidades de suprimentos de socorro. (Veja A Sentinela de 1.º de novembro de 1994, páginas 23-7.) Também os irmãos em Sarajevo partilhavam entre si o que possuíam, dando ênfase primária a compartilhar coisas espirituais. Durante o sítio, um superintendente cristão daquela cidade fez o seguinte relatório:
“Damos muito valor às nossas reuniões. Minha esposa e eu, junto com mais 30 pessoas, andamos 15 quilômetros [9 milhas] na ida e na volta para ir às reuniões. Às vezes se anunciava que se forneceria água na hora das reuniões. O que fariam os irmãos? Ficariam em casa ou assistiriam às reuniões? Nossos irmãos preferiam assistir às reuniões. Os irmãos sempre ajudam uns aos outros; compartilham o que têm. Uma irmã da nossa congregação mora fora da cidade, perto da floresta; assim, para ela é um pouco mais fácil conseguir lenha. Ela trabalha também numa padaria, e seu salário é pago com farinha. Quando possível, ela assa um grande pão e o leva à reunião. Depois da reunião, na saída, ela dá um pedaço a cada um.
“É importante que nenhum irmão, ou irmã, jamais se sinta abandonado. Ninguém sabe quem de nós será o próximo a precisar de ajuda numa situação desagradável. Quando nossas estradas estavam cobertas de gelo e uma irmã ficou doente, irmãos jovens e fortes a levavam num trenó às reuniões.
“Todos nós participamos na pregação, e Jeová tem abençoado nossos esforços. Ele tem visto nossa situação aflitiva na Bósnia, mas nos tem abençoado dando aumentos — aumentos como nunca tivemos antes da guerra.”
Do mesmo modo, em outras partes da antiga Iugoslávia, dilaceradas por guerra, as Testemunhas de Jeová têm tido aumentos apesar de grandes dificuldades. O escritório das Testemunhas de Jeová na Croácia enviou este relatório sobre um grupo de Testemunhas: “Os irmãos que moram em Velika Kladus̆a passaram por tempos extremamente difíceis. A cidade foi atacada diversas vezes. Os irmãos tiveram de explicar sua neutralidade a exércitos croatas, sérvios e muçulmanos. Tiveram mesmo de suportar muito — encarceramentos, espancamentos, fome, perigos mortais. Ainda assim, todos eles permaneceram fiéis e têm o notável privilégio de ver que Jeová abençoa suas atividades.”
Apesar dessas dificuldades, as Testemunhas de Jeová na cidade de Velika Kladus̆a e na vizinha Bihać continuam a ter aumentos, ao passo que zelosamente transmitem aos seus vizinhos a mensagem de consolo da parte de Deus. Uns 26 publicadores do Reino destes dois lugares dirigem 39 estudos bíblicos domiciliares!
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