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  • ‘Se for obrigado a prestar serviço’
    A Sentinela — 2005 | 15 de fevereiro
    • ‘Se for obrigado a prestar serviço’

      “VOCÊ aí! Pare o que está fazendo e carregue esta sacola para mim.” Qual poderia ter sido a reação de um judeu atarefado no primeiro século caso um soldado romano lhe tivesse dito? No seu Sermão do Monte, Jesus recomendou: “Se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil.” (Mateus 5:41) Como os ouvintes de Jesus entenderiam esse conselho? E o que deve significar para nós hoje?

      Para obtermos as respostas precisamos entender o que era o serviço compulsório nos tempos antigos. Os habitantes de Israel nos dias de Jesus conheciam bem esse costume.

      Serviço compulsório

      As evidências indicam que o serviço compulsório (ou corvéia) no Oriente Médio existia desde o século 18 AEC. Documentos administrativos da antiga cidade síria de Alalakh fazem referência a grupos de corvéia recrutados pelo governo para prestar serviços pessoais. Em Ugarit, na costa síria, lavradores arrendatários eram sujeitos a deveres similares, a menos que o rei lhes concedesse imunidade.

      É claro que povos conquistados ou subjugados freqüentemente tinham de prestar serviço forçado. Autoridades egípcias obrigavam os israelitas a trabalhar como escravos na fabricação de tijolos. Mais tarde, os israelitas sujeitaram os cananeus, que habitavam na Terra Prometida, a trabalho escravo, e Davi e Salomão continuaram com práticas similares. — Êxodo 1:13, 14; 2 Samuel 12:31; 1 Reis 9:20, 21.

      Quando os israelitas pediram um rei, Samuel explicou quais seriam as exigências feitas pelo rei. Seus súditos teriam de servir como cocheiros, cavaleiros, lavradores, ceifeiros, fabricantes de armas e assim por diante. (1 Samuel 8:4-17) No entanto, durante a construção do templo de Jeová, ao passo que estrangeiros foram sujeitos a trabalhos forçados de escravo, ‘a nenhum dos filhos de Israel constituiu Salomão em escravo; pois eram os guerreiros, seus servos, seus príncipes, seus ajudantes-de-ordens, e os chefes dos seus condutores de carros e dos seus cavaleiros’. — 1 Reis 9:22.

      Quanto aos israelitas empregados em projetos de construção, 1 Reis 5:13, 14 diz: “O Rei Salomão fazia subir de todo o Israel os recrutados para trabalho forçado; e os recrutados para trabalho forçado somaram trinta mil homens. E ele os enviava ao Líbano em turnos de dez mil por mês. Continuavam por um mês no Líbano e por dois meses nos seus lares.” Certo erudito disse: “Não há dúvida de que reis israelitas e judeus usavam a corvéia como meio de garantir que tanto suas construções como o trabalho nas terras da Coroa fossem feitas por trabalhadores não remunerados.”

      O fardo que havia sido imposto sob o reinado de Salomão era tão pesado e opressivo que, quando Roboão ameaçou aumentá-lo, todo o Israel se revoltou e apedrejou o oficial designado para supervisionar os recrutados para trabalho forçado. (1 Reis 12:12-18) No entanto, o trabalho forçado não foi abolido. Asa, neto de Roboão, ‘não isentou ninguém’ quando convocou pessoas de Judá para construir as cidades de Geba e Mispá. — 1 Reis 15:22.

      Sob o domínio romano

      O Sermão do Monte mostra que os judeus do primeiro século sabiam da possibilidade de serem ‘obrigados a prestar serviço’. Essa expressão traduz a palavra grega aggareúo, originalmente relacionada com a atividade dos correios ou mensageiros persas. Eles tinham autoridade para obrigar a prestar serviços tanto homens como cavalos, navios e tudo o mais que fosse preciso para realizar os serviços públicos.

      Nos dias de Jesus, a nação de Israel era dominada pelos romanos, que haviam adotado um sistema similar. Nas províncias orientais, além dos impostos comuns, o trabalho compulsório poderia ser exigido da população, regularmente ou em situações excepcionais. Com certeza esses serviços eram malvistos. Além disso, a apreensão não-autorizada de animais, cocheiros e carruagens, para prestar serviço ao Estado, era comum. Segundo o historiador Michael Rostovtzeff, os administradores “tentaram regularizar e sistematizar [a instituição], mas sem êxito, porque enquanto essa prática existiu, seus efeitos sem dúvida eram ruins. Muitos decretos foram emitidos pelos prefeitos, que sinceramente se esforçavam para acabar com a arbitrariedade e a opressão pertencentes ao sistema  . . . Mas a instituição permaneceu opressiva”.

      “Qualquer um podia ser obrigado a carregar a bagagem do exército por uma certa distância”, diz um erudito grego, e “qualquer um podia ser forçado a realizar certo serviço que os romanos lhe impusessem”. Isso aconteceu com Simão de Cirene, a quem os soldados romanos “obrigaram a prestar serviço” por levar a estaca de tortura de Jesus. — Mateus 27:32.

      Textos rabínicos também mencionam essa instituição impopular. Por exemplo, um rabino foi obrigado a transportar murtas até o palácio. Trabalhadores podiam ser tirados dos empregadores e mandados fazer outra tarefa, e os empregadores ainda tinham de pagar-lhes o salário. Animais de carga ou bois podiam ser apreendidos. Se fossem devolvidos, provavelmente não estariam mais em condições de trabalhar. Dá para entender por que apreensão era sinônimo de confiscação. Por isso, um provérbio judeu afirmava: “A angária (ceder animais de carga para prestar serviço ao Estado) é como a morte.” Certo historiador diz: “Uma aldeia poderia ficar arruinada quando, por causa da angária, aprendiam-se bois usados para arar em vez de animais de tração, que eram mais próprios para trabalho pesado.”

      Pode-se imaginar como eram impopulares tais serviços, especialmente porque muitas vezes eram tornados obrigatórios com arrogância e injustiça. Em vista do ódio que os judeus tinham às autoridades gentias que os dominavam, eles ficavam muito indignados com a humilhação a que eram submetidos por serem obrigados a prestar tal serviço opressivo. Não há lei existente que nos informe de maneira exata até que ponto um cidadão era obrigado a prestar certo serviço. É provável que muitos não estivessem dispostos a ir além daquilo que a lei exigia.

      No entanto, essa foi a instituição a que Jesus se referiu quando disse: “Se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil.” (Mateus 5:41)

  • ‘Se for obrigado a prestar serviço’
    A Sentinela — 2005 | 15 de fevereiro
    • [Quadro na página 25]

      O ABUSO NO PASSADO

      Que o recrutamento forçado era muitas vezes usado abusivamente como pretexto para exigir serviços, nota-se pelo fato de que havia regulamentos para evitar tais abusos. Em 118 AEC, Ptolomeu Evergetes II, do Egito, decretou que os seus oficiais “não deveriam impor serviços particulares a nenhum dos habitantes do país, nem requisitar (aggareuein) o gado destes para algum objetivo pessoal”. Além disso: “Ninguém deve exigir . . . barcos para o seu próprio uso sob absolutamente nenhum pretexto.” Numa inscrição datada 49 EC, no Templo do Grande Oásis, no Egito, o prefeito romano Virgílio Capito reconheceu que soldados haviam feito requerimentos ilegais, e determinou que “ninguém deve tomar ou requisitar . . . algo, a menos que tenha uma autorização por escrito da minha parte”.

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