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  • O que é arte?
    Despertai! — 1995 | 8 de novembro
    • O que é arte?

      DO CORRESPONDENTE DE DESPERTAI! NA ESPANHA

      QUAL foi o cenário mais bonito que você já viu? Um pôr-do-sol tropical, montanhas cobertas de neve, flores num deserto, as cores majestosas duma floresta no outono?

      A maioria de nós recorda com carinho algum momento especial em que se sentiu cativado pela beleza da Terra. Quando possível, gostamos de passar férias em lugares de cenário paradísico, e procuramos fotografar ou filmar as vistas mais inesquecíveis.

      Na próxima vez que contemplar esse esplendor imaculado, talvez queira considerar: não acha que estaria faltando algo numa galeria de arte se todos os quadros estivessem identificados como “anônimo”? Se ficasse extasiado com a qualidade e a beleza dos quadros numa exposição, não gostaria de saber quem foi o artista? Deveríamos nos contentar em admirar as belas maravilhas da Terra mas ignorar o Artista que as criou?

      Há quem afirme que não existe arte na natureza — que arte exige criatividade e interpretação humana. Mas essa definição de arte pode ser estreita demais. Exatamente o que é arte?

      A definição de arte

      Definir arte de modo a satisfazer a todos é provavelmente impossível. Mas há uma definição bastante boa no Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary, como segue: “Uso consciente da habilidade e imaginação criativa, esp[ecialmente] na produção de objetos estéticos.” Nessa base, pode-se dizer que o artista precisa tanto de habilidade como de imaginação criativa. Colocando essas duas aptidões a funcionar, ele pode produzir algo que os outros considerem prazeroso ou atraente.

      Restringem-se as expressões de habilidade e imaginação às obras de arte humanas? Ou manifestam-se elas também no mundo natural que nos cerca?

      As soberbas sequóias da Califórnia, os vastos recifes de coral do Pacífico, as poderosas cachoeiras das florestas tropicais e as majestosas manadas nas savanas africanas, são, de diferentes maneiras, mais valiosas para a humanidade do que a “Mona Lisa”. Por essa razão, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) designou o Parque Nacional Redwood, EUA; as Cataratas do Iguaçu, Argentina/Brasil; a Grande Barreira, Austrália, e o Parque Nacional Serengeti, Tanzânia, como parte do “Patrimônio do Mundo” da humanidade.

      Esses tesouros naturais são incluídos junto com monumentos feitos pelo homem. Por quê? O objetivo é preservar o que quer que tenha “excepcional valor universal”. A UNESCO argumenta que, seja a beleza do Taj Mahal, Índia, ou a do Grand Canyon, EUA, elas merecem proteção por causa das gerações futuras.

      Mas não é preciso viajar a um parque nacional para ver de perto a habilidade criativa. Um exemplo superlativo é o seu próprio corpo. Os escultores da Grécia antiga viam na forma humana o epítome da excelência artística, e eles labutaram para retratá-lo o mais perfeitamente possível. Com o nosso atual conhecimento dos mecanismos do corpo, podemos avaliar ainda melhor a suprema habilidade exigida para a sua criação e projeto.

      Que dizer da imaginação criativa? Considere os magníficos tons e desenhos no leque de penas do pavão, o delicado desabrochar de uma rosa ou o veloz balé de um reluzente beija-flor. Tais toques artísticos sem dúvida eram arte, mesmo antes de serem captados em telas ou em filmes. Certo redator da National Geographic, intrigado com os filamentos da cor de lavanda de certo tipo de lírio, perguntou a um jovem cientista qual era o objetivo daquilo. A sua resposta singela foi: “Eles revelam a capacidade imaginativa de Deus.”

      A habilidade e a imaginação criativa não só são abundantes no mundo natural, mas têm sido uma fonte constante de inspiração para artistas humanos. Auguste Rodin, o famoso escultor francês, disse: “O artista é o confidente da natureza. As flores dialogam com ele através da graciosa curvatura de suas hastes e da harmoniosa coloração de seu florido.”

      Alguns artistas reconhecem abertamente as suas limitações quando tentam emular com a beleza natural. “A verdadeira obra de arte nada mais é do que a sombra da perfeição divina”, admitiu Miguel Ângelo, tido como um dos maiores artistas de todos os tempos.

      Cientistas e artistas talvez se assombrem com a beleza do mundo natural. Um professor de Física Matemática, Paul Davies, em seu livro The Mind of God (A Mente de Deus), explica que “até mesmo ateus empedernidos muitas vezes têm o que se chama de senso de reverência pela natureza, um fascínio e respeito pela sua profundidade, beleza e sutileza, respeito este comparável à reverência religiosa”. O que isso nos deve ensinar?

      O artista por trás das artes

      O estudante de arte aprende a respeito do artista a fim de entender e apreciar a sua arte. Ele sabe que a obra do artista é um reflexo do indivíduo. A arte da natureza também reflete a personalidade do originador da natureza, o Deus Todo-Poderoso. “As suas qualidades invisíveis são claramente vistas . . . por meio das coisas feitas”, explicou o apóstolo Paulo. (Romanos 1:20) E, além do mais, o Criador da Terra de modo algum é anônimo. Como Paulo disse a filósofos atenienses de seus dias, ‘Deus não está longe de cada um de nós’. — Atos 17:27.

      As obras de arte na criação de Deus não são sem objetivo ou fortuitas. Além de enriquecer a nossa vida, elas revelam as habilidades, a imaginação e a grandeza do maior Artista, o Projetista Universal, Jeová Deus. O próximo artigo mostrará como essa arte nos pode ajudar a conhecer melhor o Artista Supremo.

      [Crédito da foto na página 3]

      Musei Capitolini, Roma

  • O mais desprezado artista dos nossos tempos
    Despertai! — 1995 | 8 de novembro
    • O mais desprezado artista dos nossos tempos

      “A natureza é a arte de Deus.” — Sir Thomas Browne, médico do século 17.

      LEONARDO DA VINCI, Rembrandt, Van Gogh — são nomes conhecidos por milhões. Mesmo que talvez nunca tenha visto uma de suas pinturas originais, você considera esses homens grandes artistas. A sua arte, em certo sentido, os imortalizou.

      Eles captaram em tela um sorriso enigmático, um retrato expressivo, um vislumbre da beleza da criação, que ainda estimulam a imaginação do observador. Sentimo-nos cativados pelo que cativou a eles — embora séculos talvez nos separem.

      Mesmo não sendo artistas ou críticos de arte, podemos discernir a excelência artística. Como o artista cuja obra admiramos, nós também possuímos um senso do que é belo. A nossa sensibilidade a cores, formas, padrões e luz pode passar um tanto despercebida, mas é parte da nossa vida. Sem dúvida gostamos de decorar a nossa casa com objetos ou quadros agradáveis à vista. Embora os gostos variem, essa sensibilidade à beleza é uma dádiva compartilhada pela maioria das pessoas. E é uma dádiva que nos pode atrair ao nosso Criador.

      A dádiva da beleza

      O senso do que é belo é um dos muitos atributos que distinguem os homens dos animais. A obra Summa Artis—Historia General del Arte diz que “o homem pode ser definido como animal dotado de capacidade estética”. Visto que somos diferentes dos animais, nós enxergamos a criação numa luz diferente. Será que um cachorro admira um belo pôr-do-sol?

      Quem nos fez assim? A Bíblia explica que “Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou”. (Gênesis 1:27) Isso não significa que nossos primeiros pais eram literalmente parecidos com Deus, mas sim que Deus os dotou de atributos que Ele mesmo possui. Um destes é a capacidade de apreciar a beleza.

      Por meio de algum processo insondável, o cérebro humano percebe a beleza. Primeiro, os nossos sentidos transmitem ao cérebro informações sobres sons, odores, cores e formas de objetos que atraem a nossa atenção. Mas a beleza é muito mais do que a soma desses impulsos eletroquímicos, que meramente nos dizem o que ocorre ao nosso redor. Não enxergamos uma árvore, uma flor ou uma ave assim como um animal as enxerga. Ainda que esses objetos talvez não nos ofereçam algum benefício prático imediato, nos dão prazer. Nosso cérebro nos habilita a discernir seu valor estético.

      Essa capacidade toca as nossas emoções e enriquece a nossa vida. Mary, que mora na Espanha, lembra-se vividamente de certa tardinha de novembro, anos atrás, em que, à beira de um lago remoto, observava o pôr-do-sol. “Voando na minha direção vinham levas e mais levas de grous grasnando uns para os outros”, diz ela. “Milhares de aves enfileiradas formavam longas linhas no céu rubro. A sua jornada migratória anual da Rússia e da Escandinávia as havia trazido àquele recanto espanhol. Era tão bonito que chorei.”

      Por que a dádiva da beleza?

      Para muitos, o senso de beleza indica claramente a existência de um Criador amoroso, desejoso de que a sua criação inteligente aprecie as suas obras de arte. Quão lógico e satisfatório é atribuir o nosso senso de beleza a um Criador amoroso! A Bíblia explica que “Deus é amor”, e a essência do amor é partilhar. (1 João 4:8; Atos 20:35) Jeová se deleita em partilhar conosco a sua arte criativa. Se uma obra-prima musical nunca fosse ouvida, ou se uma pintura magnífica nunca fosse vista, a sua beleza seria vã. Cria-se arte para ser partilhada e apreciada — ela é estéril sem espectadores.

      Da mesma maneira, Jeová criou coisas belas para um objetivo — serem partilhadas e desfrutadas. De fato, o lar de nossos primeiros pais era um vasto parque paradísico chamado Éden — que significa “Prazer”. Deus não só lotou a Terra com as suas obras de arte mas também deu à humanidade a capacidade de observá-las e apreciá-las. E que riqueza de beleza existe para ser vista! Como observou Paul Davies, “às vezes parece que a natureza ‘se excede’ em produzir um interessante e frutífero Universo”. Achamos interessante e frutífero o Universo precisamente porque Jeová ‘se excedeu’ em nos criar com a capacidade de estudá-lo e apreciá-lo.

      Não é de admirar que o reconhecimento da beleza natural — e o desejo de imitá-la — seja comum em todas as culturas, dos artistas de caverna aos impressionistas. Milhares de anos atrás, habitantes do norte da Espanha pintaram vívidos retratos de animais nas cavernas de Altamira, na província de Cantábria. Há mais de um século, pintores impressionistas saíram de seus ateliês e tentaram captar a fulgência das cores num campo florido ou os jogos de luzes que incidem sobre a água. Até as criancinhas se empolgam por coisas bonitas. De fato, a maioria delas, quando recebe lápis de cor e papel, gostam de desenhar o que quer que capte a sua imaginação.

      Hoje, muitos adultos preferem fotografar para guardar como lembrança um belo panorama que os impressionou. Mas mesmo sem câmera, a nossa mente pode recordar cenas de beleza que tenhamos visto talvez décadas atrás. Obviamente, Deus nos dotou da capacidade de fruir de nosso lar terrestre, que tão magnificamente decorou. (Salmo 115:16) Mas há ainda outra razão pela qual Deus nos deu o senso de beleza.

      ‘Suas qualidades são claramente vistas’

      Aprofundar o nosso apreço pela arte na natureza pode ajudar-nos a conhecer o nosso Criador, cujas obras nos rodeiam. Jesus disse certa vez aos seus discípulos que atentassem às flores silvestres que cresciam na Galiléia. “Aprendei uma lição dos lírios do campo”, disse ele, “como eles crescem; não labutam nem fiam; mas eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um destes”. (Mateus 6:28, 29) A beleza duma insignificante flor silvestre pode fazer-nos lembrar que Deus não é indiferente para com as necessidades da família humana.

      Jesus disse também que é possível julgar uma pessoa pelos seus “frutos”, ou trabalhos. (Mateus 7:16-20) É somente lógico, pois, que as obras de arte de Deus nos dêem uma boa idéia de sua personalidade. Quais são algumas de ‘suas qualidades que podem ser claramente vistas da criação do mundo em diante’? — Romanos 1:20.

      “Quantos são os teus trabalhos, ó Jeová!”, exclamou o salmista. “A todos eles fizeste em sabedoria.” (Salmo 104:24) A sabedoria de Deus percebe-se até nas cores que ele usou para “pintar” a flora e fauna terrestre. “A cor dá grande prazer ao espírito e aos olhos”, ressaltam Fabris e Germani em seu livro Colore, Disegno ed estetica nell’arte grafica. Cores harmoniosas e contrastantes, que deleitam os olhos e enlevam o espírito, estão em toda a parte. Mas talvez o mais cativante sejam os efeitos de cor produzidos pela iridescência — cores resplandecentes semelhantes às do arco-íris — um notável atestado de sábio projeto.

      Cores iridescentes são especialmente comuns em beija-flores.a O que torna a sua plumagem tão deslumbrante? O terço superior de suas penas peculiares dispersa a luz do sol em diferentes cores do arco-íris — mais ou menos como o prisma o faz. Nomes comuns de beija-flores, como rubi, safira e esmeralda, atestam a presença dos reluzentes vermelho, azul e verde que adornam esses pássaros que parecem jóias preciosas. “Qual é o objetivo do majestoso encanto dessas magníficas criaturas?”, pergunta Sara Godwin em seu livro Hummingbirds (Beija-flores). “Pelo que a ciência pode determinar, não tem objetivo algum senão deslumbrar o observador”, ela responde. Certamente, nenhum artista humano jamais empunhou tal paleta!

      Podemos perceber o poder de Deus numa trovejante queda d’água, no fluxo e refluxo das marés, na rebentação das ondas ou nas altaneiras árvores de uma floresta balançando num vento tempestuoso. Essas dinâmicas obras de arte podem causar tanto impacto quanto um cenário tranqüilo. O famoso naturalista americano John Muir certa vez descreveu o efeito de uma tempestade sobre um grupo de abetos de Douglas (espécie de pinheiro) de Sierra Nevada, na Califórnia:

      “Embora relativamente novos, tinham uns 30 metros de altura, seus topos flexíveis, parecendo vassouras, balouçavam e rodopiavam num êxtase louco. . . . Os esguios topos se agitavam e chicoteavam o ar no violento aguaceiro, curvando-se e rodopiando para frente e para trás, girando, girando, formando indescritíveis combinações de curvas verticais e horizontais.” Como o salmista escreveu milhares de anos atrás, ‘o vento tempestuoso louva a Jeová’ — dá-nos um exemplo de Seu extraordinário poder. — Salmo 148:7, 8.

      Certa ave há muito é símbolo do amor para os japoneses. Trata-se do belo grou japonês, cujas primorosas danças nupciais são tão graciosas como o balé. Esses bailarinos alados são tão festejados que têm sido classificados no Japão de “monumento natural especial”. Visto que os grous formam pares que vivem juntos a vida inteira, e eles chegam a viver 50 anos ou mais, os japoneses os têm como epítome da fidelidade marital.

      Que dizer sobre o amor de Deus? É interessante que a Bíblia compara a proteção amorosa que Jeová dispensa aos que lhe são leais à de uma ave que, com as suas asas, protege os filhotes contra os rigores do tempo. Deuteronômio 32:11 fala da águia que “remexe seu ninho, paira sobre os seus filhotes, estende as suas asas, toma-os, carrega-os nas suas plumas”. Ela faz isso para encorajar o filhote a deixar o ninho e voar. Embora raramente visto, há relatos de águias que ajudam o filhote carregando-o nas suas asas. — Salmo 17:8.

      Observando mais de perto o mundo natural que nos rodeia, vemos em ação certos princípios que também revelam aspectos da personalidade de Deus.

      A variedade é o sabor da vida

      A diversidade nas obras de Deus é prontamente percebível. A variedade de plantas, aves, animais e insetos é estonteante. Apenas um hectare de floresta tropical pode conter 300 espécies de árvore e 41.000 espécies de inseto; três quilômetros quadrados podem ser o habitat de 1.500 tipos de borboleta; e uma única árvore pode abrigar 150 espécies de besouro! E assim como não existem duas pessoas exatamente iguais, não existem dois carvalhos ou dois tigres exatamente iguais. A originalidade, uma qualidade apreciada entre artistas humanos, é parte intrínseca da natureza.

      Naturalmente, mencionamos brevemente apenas alguns dos aspectos da arte na natureza. Observando-a mais de perto podemos discernir muitas outras facetas da personalidade de Deus. Mas para isso temos de exercitar a nossa sensibilidade artística, com que Deus nos dotou. Como podemos aprender a apreciar melhor a arte do maior Artista?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Muitas borboletas, como a borboleta-azul da América tropical, têm escamas iridescentes nas asas.

      [Quadro na página 7]

      Temos de saber quem nos colocou aqui

      Ronald Knox, um tradutor da Bíblia, certa vez participava de uma discussão teológica com o cientista John Scott Haldane. “Num Universo de milhões de planetas”, arrazoou Haldane, “não é inevitável que a vida surgisse em pelo menos um deles?”

      “Sir”, respondeu Knox, “se a Scotland Yard encontrasse um cadáver no baú de sua casa, diria a eles: ‘Existem milhões de baús no mundo — certamente um deles tem de conter um cadáver?’ Penso que, mesmo assim, eles desejariam saber quem colocou aquele cadáver ali.” — The Little, Brown Book of Anecdotes.

      Além de satisfazer a nossa curiosidade, existe outra razão pela qual devemos saber quem nos colocou aqui: dar a Ele o crédito devido. Como reagiria um artista talentoso se um crítico arrogante chamasse a sua obra de mero acidente num ateliê? Similarmente, haveria afronta maior ao Criador do Universo do que atribuir a sua arte ao mero acaso?

      [Crédito]

      Cortesia de ROE/Anglo-Australian Observatory, foto de David Malin

      [Fotos na página 8]

      Grous em vôo

      Pinturas em caverna, em Altamira, Espanha

      [Fotos na página 9]

      Golfinhos, beija-flores e quedas d’água revelam aspectos da personalidade do Grande Artista

      [Créditos]

      Godo-Foto

      Godo-Foto

      G. C. Kelley, Tucson, AZ

  • Como enxergar a beleza que nos rodeia
    Despertai! — 1995 | 8 de novembro
    • Como enxergar a beleza que nos rodeia

      “Em todos os idiomas, uma das nossas primeiras expressões é: ‘Deixe-me ver!’” — William White, Jr.

      A CRIANCINHA que acompanha com os olhos o adejar de uma borboleta, o casal idoso que contempla um pôr-do-sol magnífico, a dona-de-casa que admira seu arranjo de rosas — todos estão momentaneamente centrando sua atenção na beleza.

      Visto que a beleza da criação de Deus se manifesta em toda a parte, não é preciso viajar centenas de quilômetros para admirá-la. Cenários imponentes talvez estejam distantes, mas é possível encontrar arte de impressionante beleza ali mesmo onde você mora, se você a procurar e, o que é mais importante, se souber enxergá-la.

      É comum dizer que “a beleza está nos olhos de quem a vê”. No entanto, embora a beleza esteja presente, nem todos a reconhecerão. Talvez seja necessária uma pintura ou uma foto para nos fazer interessar. De fato, muitos artistas acreditam que seu sucesso depende mais de sua habilidade de ver do que de desenhar. O livro The Painter’s Eye (O Olho do Pintor), de Maurice Grosser, explica que “o pintor desenha com os olhos, não com as mãos. O que quer que ele veja, se o vir claramente, ele poderá retratar. . . . O importante é ver claramente”.

      Artistas ou não, nós podemos aprender a ‘enxergar’ mais claramente, a notar a beleza que nos rodeia. Em outras palavras, temos de sair e ver as coisas sob uma nova luz.

      Neste respeito, John Barrett, articulista de história natural, frisa o valor do envolvimento pessoal. “Nada substitui o ver por si mesmo, tocar, cheirar e ouvir animais e plantas vivos com todas as forças da natureza incidindo sobre eles”, diz ele. “Permita que a beleza penetre fundo . . . Onde quer que você esteja, primeiro olhe, deleite-se e olhe de novo.”

      Mas o que devemos procurar? Pode-se começar por aprender a notar os quatro elementos básicos da beleza. É possível discernir esses elementos em quase toda faceta da criação de Jeová. Quanto mais vezes pararmos para observá-las, tanto mais usufruiremos de sua arte.

      Como identificar os elementos da beleza

      Formas e Padrões. Vivemos num mundo de múltiplas formas. Algumas são lineares, como as varas de bambu, ou geométricas, como a teia de aranha, e ainda outras são sem forma, como a nuvem sempre mutante. Muitas formas são atraentes, sejam elas uma exótica orquídea, os espirais de uma concha marinha, ou mesmo os ramos de uma árvore que perdeu as folhas.

      Quando a mesma forma se repete, cria-se um padrão que pode também ter um visual atraente. Por exemplo, imagine um grupo de troncos de árvore numa floresta. As suas formas — cada qual diferente, porém similares — criam um padrão agradável. Mas, para discernir as formas e os padrões que eles criam, é preciso haver luz.

      Luz. A distribuição da luz dá um toque especial às formas que nos atraem. Os detalhes são realçados, a textura é colorida e cria-se um clima. A luz varia segundo a hora do dia, a estação do ano, o tempo, e até mesmo o lugar em que vivemos. Um dia nublado, com a sua luz difusa, é ideal para se apreciar os tons sutis de flores silvestres ou de folhas do outono, ao passo que os penhascos e picos de uma cadeia de montanhas exibem as suas formas espetaculares quando são esculturados pelo sol nascente ou poente. A suave e invernal luz do sol no Hemisfério Norte empresta um toque romântico à paisagem campestre. Por outro lado, o sol brilhante dos trópicos transforma o mar raso num reino encantado dos mergulhadores.

      Mas falta ainda um elemento importante.

      Cor. Dá vida aos diferentes objetos que vemos ao nosso redor. Ao passo que a forma talvez os distinga, a cor realça a sua singularidade. Ademais, a distribuição de cor em padrões harmoniosos cria a sua própria beleza. Pode ser uma cor vibrante, como vermelho ou laranja, que demanda a nossa atenção, ou uma cor relaxante, como azul ou verde.

      Imagine um canteiro natural de flores amarelas num claro na floresta. A luz atinge o florido amarelo, que parece se incandescer no ar da manhã, ao passo que os troncos escuros banhados pelo sol matutino formam uma perfeita tela de fundo. Agora temos um quadro. Falta apenas “emoldurá-lo”, e é aqui que entra a composição.

      Composição. A maneira pela qual os três elementos básicos — a forma, a luz e a cor — se combinam determina a composição. E nisso nós, como observadores, temos um papel crucial a desempenhar. Por simplesmente movimentar-nos um pouco para a frente, para trás, para um lado, para cima ou para baixo, podemos ajustar os elementos ou a iluminação no nosso quadro. Podemos assim podar o quadro de modo a incluir apenas os elementos desejados.

      Muitas vezes compomos automaticamente um quadro, quando nos deparamos com uma vista magnífica, emoldurada por árvores ou vegetação adjacentes. Mas, muitos quadros primorosos, em escala menor, talvez estejam sob os nossos pés.

      Observando o pequeno e o grande

      Nas obras de Deus, tanto as grandes como as pequenas são belas, e o nosso prazer se desdobrará se aprendermos a enxergar os detalhes, que também se combinam agradavelmente. Eles formam quadros em miniatura, que se espalham pelas grandes telas da natureza. Para apreciá-los, basta nos curvar e olhar mais de perto.

      O fotógrafo John Shaw descreve esses quadros dentro de um quadro em seu livro Closeups in Nature: “Sempre me surpreende o fato de que olhar de perto um detalhe na natureza é invariavelmente um convite para olhar ainda mais de perto. . . . Primeiro vemos o panorama geral, daí umas áreas coloridas num canto da imagem. Mais de perto vêem-se flores e, sobre uma flor, uma borboleta. As suas asas revelam um padrão distinto, produzido por um meticuloso arranjo de escamas, sendo cada escama perfeita em si mesma. Se realmente entendêssemos a perfeição daquela única escama de asa da borboleta, seria concebível que passássemos também a entender a perfeição de projeto, que é a natureza.”

      À parte do prazer estético que nos proporciona, a arte da natureza — imponente ou pequena — pode aproximar-nos mais do Criador. “Levantai ao alto os vossos olhos e vede”, exortou Jeová. Quando paramos para ver, para contemplar, e para admirar, quer a nossa vista se fixe no céu estrelado, quer em qualquer outra das criações de Deus, somos lembrados Daquele ‘que criou estas coisas’. — Isaías 40:26.

      Homens que aprenderam a enxergar

      Nos tempos bíblicos, os servos de Deus demonstraram interesse especial pela criação. Segundo 1 Reis 4:30, 33, “a sabedoria de Salomão era mais vasta do que a sabedoria de todos os orientais . . . [Ele] falava sobre as árvores, desde o cedro que há no Líbano até o hissopo que brota no muro; e falava sobre os animais e sobre as criaturas voadoras, e sobre as coisas moventes, e sobre os peixes”.

      Talvez o interesse de Salomão pelas glórias da criação se devesse em parte ao exemplo de seu pai, Davi. Este, que passou muitos de seus anos formativos como pastor, muitas vezes meditava sobre as obras de Deus. Em especial a beleza do céu o impressionava. No Salmo 19:1, ele escreveu: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos.” (Note o Salmo 139:14.) Evidentemente, seu contato com a criação aproximou-o mais de seu Deus. Pode acontecer o mesmo conosco.a

      Como esses homens piedosos sabiam, reconhecer e apreciar as obras de Deus enleva o espírito e enriquece a nossa vida. Neste mundo moderno, infestado de diversão pré-embalada que muitas vezes é degradante, observar a criação de Jeová pode ser uma atividade sadia para nós e a nossa família. Para quem anela o novo mundo prometido por Deus, contemplar a criação de Jeová é um passatempo que tem futuro. — Isaías 35:1, 2.

      Quando não apenas vemos a arte ao nosso redor, mas também discernimos as qualidades do Artista Mestre que a fez, sem dúvida nos sentimos induzidos a repetir as palavras de Davi: “Não há nenhum igual a ti . . . ó Jeová, nem há quaisquer trabalhos iguais aos teus.” — Salmo 86:8.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Outros escritores bíblicos, como Agur e Jeremias, também eram profundos observadores da história natural. — Provérbios 30:24-28; Jeremias 8:7.

      [Fotos na página 10]

      Exemplos de padrão e forma, luz, cor e composição

      [Crédito]

      Godo-Foto

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