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Pérsia, PersasEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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O governo de Xerxes costuma ser contado a partir de 486 AEC, quando faleceu Dario, seu pai.
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Pérsia, PersasEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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Dario I (chamado Dario Histaspes ou Dario, o Grande) evidentemente arquitetou ou instigou o assassinato daquele que ocupava o trono persa e tomou o trono para si mesmo. Durante o seu governo, a construção do templo em Jerusalém recomeçou com aprovação real, e o templo foi completado durante o seu sexto ano de governo (no começo de 515 AEC). (Esd 6:1-15) O reinado de Dario foi de expansão imperial. Ele estendeu o domínio persa para o L até a Índia, e para o O até a Trácia e a Macedônia.
Pelo menos até esta época, os governantes persas haviam cumprido os simbolismos proféticos de Daniel 7:5 e 8:4, nos quais, sob os símbolos dum urso e também dum carneiro, o Império Medo-Persa é representado como tomando territórios em três direções principais: ao N, ao O e ao S. No entanto, numa campanha contra a Grécia, as forças de Dario sofreram uma derrota em Maratona, em 490 AEC. Dario faleceu em 486 AEC. — Veja DARIO N.º 2.
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Pérsia, PersasEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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Se Dario morreu em 486 AEC e Xerxes faleceu em 475 AEC, como se pode explicar que alguns documentos antigos atribuam a Xerxes um reinado de 21 anos? É bem conhecido que um rei e seu filho talvez governassem juntos num reinado duplo, ou numa corregência. Se este foi o caso com Dario e Xerxes, os historiadores poderiam contar os anos do reinado de Xerxes quer a partir do começo duma corregência com seu pai, quer a partir da morte de seu pai. Se Xerxes governou 10 anos junto com seu pai e 11 anos sozinho, algumas fontes poderiam atribuir a ele 21 anos de governo, ao passo que outras talvez lhe concedessem 11 anos.
Há sólida evidência da corregência de Xerxes com seu pai Dario. O historiador grego Heródoto (VII, 3) diz: “Dario achou-as [as razões do pedido do reinado por Xerxes] justas e nomeou-o seu sucessor. Acho, porém, que Xerxes teria reinado de qualquer maneira.” Isto indica que Xerxes foi feito rei durante o reinado do seu pai Dario.
Evidência de fontes persas. A corregência de Xerxes com Dario pode ser vista especialmente em baixos-relevos persas descobertos. Em Persépolis encontraram-se diversos baixos-relevos que representam Xerxes em pé atrás do trono de seu pai, trajado de roupa idêntica à do pai e com a cabeça no mesmo nível. Isto é incomum, visto que costumeiramente a cabeça do rei ficaria num nível mais elevado do que todas as outras. Em A New Inscription of Xerxes From Persepolis (Uma Nova Inscrição de Xerxes, de Persépolis; de Ernst E. Herzfeld, 1932) nota-se que tanto inscrições como edifícios encontrados em Persépolis dão a entender uma corregência de Xerxes com seu pai Dario. Herzfeld escreveu na página 8 da sua obra: “O teor peculiar das inscrições de Xerxes em Persépolis, a maioria das quais não faz distinção entre a sua própria atividade e a de seu pai, bem como a relação igualmente peculiar dos seus edifícios, impossíveis de alocar quer a Dario, quer a Xerxes individualmente, têm sempre dado a entender um tipo de corregência de Xerxes. Além disso, duas esculturas em Persépolis ilustram esta relação.” Com respeito a uma destas esculturas, Herzfeld salientou: “Dario é representado usando todos os atributos régios, entronizado numa elevada plataforma-leito, sustentada por representantes das várias nações do seu império. Atrás dele, no relevo, quer dizer, realmente à sua direita, está de pé Xerxes com os mesmos atributos régios, com a mão esquerda pousada no alto encosto do trono. Este é um gesto que claramente indica mais do que mera sucessão; significa corregência.”
Quanto à data dos relevos que retratam Dario e Xerxes deste modo, Ann Farkas declara, em Achaemenid Sculpture (Escultura Aquemênida; Istambul, 1974, p. 53), que “os relevos talvez tenham sido instalados na Tesouraria em certa ocasião durante a construção do primeiro anexo, 494/493–492/491 AEC; este certamente teria sido o tempo mais conveniente para transportar essas enormes peças de pedra. Mas, qualquer que tenha sido a data em que foram levadas para a Tesouraria, as esculturas talvez tenham sido feitas nos anos 490”.
Evidência de fontes babilônicas. Evidência de que Xerxes começou uma corregência com seu pai durante os anos 490 AEC foi encontrada em Babilônia. Escavações feitas ali descobriram um palácio de Xerxes completado em 496 AEC. Neste respeito, A. T. Olmstead escreveu em History of the Persian Empire (p. 215): “Por volta de 23 de outubro de 498, ficamos sabendo que a casa do filho do rei [isto é, do filho de Dario, Xerxes] estava sendo construída em Babilônia; sem dúvida, esta é o palácio de Dario na parte central que já descrevemos. Dois anos mais tarde [em 496 AEC], num documento comercial da vizinha Borsipa, temos uma referência ao ‘novo palácio’ já terminado.”
Duas incomuns tabuinhas de argila talvez forneçam testemunho adicional da corregência de Xerxes com Dario. Uma é um texto comercial sobre a contratação dum prédio no ano de acessão de Xerxes. A tabuinha tem a data do primeiro mês do ano, nisã. (A Catalogue of the Late Babylonian Tablets in the Bodleian Library, Oxford (Catálogo das Tabuinhas Babilônicas Posteriores na Biblioteca Bodleiana, Oxford; de R. Campbell Thompson, Londres, 1927, p. 13, tabuinha chamada A. 124.) Outra tabuinha leva a data do “mês de ab(?), ano de acessão de Xerxes”. O que é notável é que esta última tabuinha não atribui a Xerxes o título de “rei de Babilônia, rei de terras”, costumeiro naquela época. — Neubabylonische Rechts- und Verwaltungsurkunden übersetzt und erläutert (Documentos Jurídicos e Administrativos traduzidos e esclarecidos), de M. San Nicolò e A. Ungnad, Leipzig, 1934, Vol. I, parte 4, p. 544, tabuinha N.º 634, chamada VAT 4397.
Estas duas tabuinhas são intrigantes. Ordinariamente, o ano de acessão dum rei começa após a morte do seu predecessor. No entanto, há evidência de que o predecessor de Xerxes (Dario) viveu até o sétimo mês do seu último ano, ao passo que estes dois documentos do ano de acessão de Xerxes levam datas anteriores ao sétimo mês (uma menciona o primeiro mês, a outra, o quinto). Portanto, estes documentos não se referem a um período de acessão de Xerxes após a morte de seu pai, mas indicam um ano de acessão durante a sua corregência com Dario. Se este ano de acessão foi 496 AEC, quando o palácio para Xerxes, em Babilônia, já fora completado, seu primeiro ano como corregente começaria no próximo nisã, em 495 AEC, e seu 21.º e último ano começaria em 475 AEC. Neste caso, o reinado de Xerxes incluiu 10 anos de governo junto com Dario (de 496 a 486 AEC) e 11 anos de reinado sozinho (de 486 a 475 AEC).
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