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  • Uma lição de humildade na última Páscoa
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus lava os pés dos apóstolos e os ensina sobre humildade

      CAPÍTULO 116

  • A Ceia do Senhor
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus institui a Ceia do Senhor com seus 11 apóstolos fiéis

      CAPÍTULO 117

      A Ceia do Senhor

      MATEUS 26:21-29 MARCOS 14:18-25 LUCAS 22:19-23 JOÃO 13:18-30

      • JUDAS É IDENTIFICADO COMO UM TRAIDOR

      • JESUS INSTITUI UMA CELEBRAÇÃO

      Mais cedo naquela noite, Jesus ensinou aos apóstolos uma lição de humildade por lavar os pés deles. Agora, pelo visto depois da refeição pascoal, ele cita as palavras proféticas de Davi: “O homem que estava em paz comigo e em quem eu confiava, que comia do meu pão, se voltou contra mim.” Então explica: “Um de vocês me trairá.” — Salmo 41:9; João 13:18, 21.

      Os apóstolos olham uns para os outros, e cada um pergunta: “Senhor, por acaso sou eu?” Até Judas Iscariotes faz isso. Pedro pede que João, que está ao lado de Jesus, descubra de quem ele está falando. Assim, João se inclina, aproximando-se de Jesus, e pergunta: “Senhor, quem é?” — Mateus 26:22; João 13:25.

      Jesus responde: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão que vou molhar na tigela.” Ele molha um pedaço de pão numa tigela e o entrega a Judas, dizendo: “O Filho do Homem vai embora, assim como está escrito a respeito dele, mas ai daquele que trai o Filho do Homem! Seria melhor para esse homem que não tivesse nascido.” (João 13:26; Mateus 26:24) Então Satanás entra em Judas, que já havia se corrompido. Agora ele se entrega ao Diabo para fazer sua vontade, tornando-se “o filho da destruição”. — João 6:64, 70; 12:4; 17:12.

      Jesus diz a Judas: “Faça mais depressa o que você está fazendo.” Os apóstolos acham que Jesus está dizendo a Judas, que cuida da caixa de dinheiro: “‘Compre o que precisamos para a festividade’, ou que devia dar algo aos pobres.” (João 13:27-30) Mas Judas sai para trair Jesus.

      Nessa noite da refeição pascoal, Jesus inicia algo totalmente novo. Ele pega um pão, dá graças, parte-o e dá para os apóstolos comerem: “Isto representa o meu corpo, que será dado em benefício de vocês. Persistam em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19) Os apóstolos passam o pão e comem dele.

      Agora Jesus pega um cálice de vinho, dá graças e o passa entre eles. Cada um bebe um pouco. Jesus diz: “Este cálice representa o novo pacto com base no meu sangue, que será derramado em seu benefício.” — Lucas 22:20.

      Assim, Jesus estabelece a celebração de sua morte, que seus seguidores devem realizar todos os anos em 14 de nisã. Essa celebração relembra o que Jesus e seu Pai fizeram para que humanos fiéis se livrassem do pecado e da morte. Essa celebração tem um significado maior do que a Páscoa dos judeus, pois destaca que a verdadeira libertação não é apenas para eles, mas para a humanidade que exerce fé.

      Jesus diz que seu sangue “será derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados”. Entre os muitos que receberão esse perdão estão os apóstolos fiéis e outros discípulos como eles. Esses são os que estarão com Jesus no Reino de seu Pai. — Mateus 26:28, 29.

      • Que profecia bíblica Jesus cita sobre alguém próximo dele, e que aplicação ele faz?

      • O que Jesus pede para Judas fazer, e como os outros apóstolos entendem as palavras de Jesus?

      • A que celebração totalmente nova Jesus dá início, e qual é o objetivo dela?

  • Uma discussão sobre quem é o maior
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Os apóstolos de Jesus discutem sobre quem é o maior

      CAPÍTULO 118

      Uma discussão sobre quem é o maior

      MATEUS 26:31-35 MARCOS 14:27-31 LUCAS 22:24-38 JOÃO 13:31-38

      • JESUS DÁ CONSELHOS CONTRA QUERER SER O MAIOR

      • É PREDITO QUE PEDRO NEGARIA A JESUS

      • O AMOR IDENTIFICA OS SEGUIDORES DE JESUS

      Durante sua última noite com os apóstolos, Jesus lhes deu uma excelente lição sobre humildade ao lavar os pés deles. Por que isso foi apropriado? Por causa da fraqueza deles. Eles são devotados a Deus, mas ainda se preocupam com qual deles é o maior. (Marcos 9:33, 34; 10:35-37) Nesta noite, mais uma vez demonstram essa fraqueza.

      Os apóstolos se envolvem numa ‘discussão acalorada sobre qual deles é o maior’. (Lucas 22:24) Jesus deve estar muito triste por vê-los discutindo novamente. O que ele faz?

      Em vez de repreender os apóstolos pela sua atitude e comportamento, Jesus pacientemente raciocina com eles: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas são chamados de ‘benfeitores’. Vocês, porém, não devem ser assim. . . . Pois quem é maior: aquele que está à mesa ou aquele que serve?” Então, lembrando a eles do exemplo que sempre lhes dá, Jesus diz: “Mas eu estou no meio de vocês como quem serve.” — Lucas 22:25-27.

      Apesar de suas imperfeições, os apóstolos têm estado com Jesus em muitas situações desafiadoras. Por isso, ele diz: “Eu faço com vocês um pacto para um reino, assim como o meu Pai fez um pacto comigo.” (Lucas 22:29) Esses homens são leais seguidores de Jesus. Com esse pacto, Jesus lhes garante que eles estarão no Reino e reinarão junto com ele.

      Embora os apóstolos tenham essa maravilhosa perspectiva, ainda são humanos imperfeitos. Jesus lhes diz: “Satanás exigiu que todos vocês fossem peneirados como trigo”, que se espalha quando é peneirado. (Lucas 22:31) Jesus também lhes dá um aviso: “Esta noite, todos vocês tropeçarão no que diz respeito a mim, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão espalhadas.’” — Mateus 26:31; Zacarias 13:7.

      Pedro não concorda com isso e diz de modo confiante: “Ainda que todos os outros tropecem no que diz respeito ao senhor, eu nunca tropeçarei!” (Mateus 26:33) Jesus diz a Pedro que, antes de o galo cantar duas vezes naquela noite, ele o negará. Mas Jesus acrescenta: “Tenho feito súplicas por você para que a sua fé não fraqueje; e você, quando tiver voltado, fortaleça os seus irmãos.” (Lucas 22:32) Ainda assim, Pedro afirma sem hesitar: “Mesmo que eu tenha de morrer com o senhor, de modo algum o negarei.” (Mateus 26:35) Os outros apóstolos dizem a mesma coisa.

      Jesus diz a seus discípulos: “Estou com vocês mais um pouco. Vocês me procurarão e, assim como eu disse aos judeus, agora digo também a vocês: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir.’” Então ele acrescenta: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” — João 13:33-35.

      Ao ouvir Jesus dizer que estará com eles apenas mais um pouco, Pedro pergunta: “Senhor, para onde vai?” Jesus responde: “Para onde eu vou, você não pode me seguir agora, mas me seguirá depois.” Intrigado, Pedro diz: “Senhor, por que não posso segui-lo agora? Eu darei a minha vida pelo senhor.” — João 13:36, 37.

      Agora Jesus se refere a quando enviou os apóstolos para pregar na Galileia. Naquela ocasião, eles não deviam levar nem bolsa de dinheiro nem bolsa de provisões. (Mateus 10:5, 9, 10) Ele pergunta: “Será que lhes faltou alguma coisa?” Eles respondem: “Não!” Mas o que devem fazer nos dias à frente? Jesus dá a seguinte orientação: “Quem tiver bolsa de dinheiro, leve-a consigo, e também uma bolsa de provisões; e quem não tiver espada, venda a sua capa e compre uma. Pois eu lhes digo que tem de se cumprir em mim aquilo que foi escrito: ‘Ele foi contado entre os transgressores.’ Sim, isso está se cumprindo em mim.” — Lucas 22:35-37.

      Jesus está se referindo à ocasião em que será pregado numa estaca ao lado de malfeitores, ou transgressores. Depois disso, seus seguidores serão duramente perseguidos. Eles acham que estão preparados e dizem: “Senhor, temos aqui duas espadas.” Ele responde: “É o suficiente.” (Lucas 22:38) O fato de terem espadas em breve dará a Jesus uma oportunidade de ensinar outra lição importante.

      • Por que os apóstolos estão discutindo, e como Jesus lida com a situação?

      • O que será realizado por meio do pacto que Jesus faz com seus apóstolos?

      • Como Jesus lida com a autoconfiança de Pedro?

  • Jesus é o caminho, a verdade e a vida
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus com seus 11 apóstolos na sala do andar de cima

      CAPÍTULO 119

      Jesus é o caminho, a verdade e a vida

      JOÃO 14:1-31

      • JESUS VAI EMBORA PARA PREPARAR UM LUGAR

      • ELE PROMETE UM AJUDADOR A SEUS SEGUIDORES

      • O PAI É MAIOR DO QUE JESUS

      A refeição terminou, e Jesus ainda está na sala do andar de cima com os apóstolos. Ele lhes dá um encorajamento: “Não fiquem com o coração aflito. Exerçam fé em Deus; exerçam fé também em mim.” — João 13:36; 14:1.

      Jesus dá a seus fiéis apóstolos um motivo para não ficarem aflitos com sua partida: “Na casa do meu Pai há muitas moradas. . . . Depois que eu for embora e lhes preparar um lugar, virei novamente e os levarei comigo, para que, onde eu estiver, vocês também estejam.” Mas os apóstolos não entendem que ele está falando sobre ir para o céu. Tomé pergunta: “Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos saber o caminho?” — João 14:2-5.

      Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Apenas por aceitar Jesus e seus ensinamentos e por imitar seu modo de vida é que alguém pode entrar na casa celestial do seu Pai. Jesus diz: “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” — João 14:6.

      Filipe, que está ouvindo atentamente, faz um pedido: “Senhor, mostre-nos o Pai, e isso é suficiente para nós.” Parece que Filipe quer alguma manifestação da parte de Deus, como as visões que Moisés, Elias e Isaías tiveram. Mas os apóstolos têm algo melhor do que visões. Jesus destaca isso ao responder: “Já faz tanto tempo que estou com vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me vê, vê também o Pai.” Jesus reflete perfeitamente a personalidade do Pai; por isso, conviver com Jesus e observá-lo é como ver o Pai. Naturalmente, o Pai é superior ao Filho, pois Jesus comenta: “O que eu lhes digo não se origina de mim.” (João 14:8-10) Os apóstolos percebem que Jesus dá todo o crédito de seus ensinamentos a seu Pai.

      Os apóstolos de Jesus já presenciaram suas obras maravilhosas e já o ouviram anunciar as boas novas sobre o Reino de Deus. Agora ele lhes diz: “Quem exercer fé em mim fará também as obras que eu faço. E ele fará obras maiores do que essas.” (João 14:12) Jesus não está dizendo que eles farão milagres maiores do que ele. No entanto, realizarão o ministério por muito mais tempo, cobrindo uma área muito maior e atingindo muito mais pessoas.

      Mas eles não ficarão abandonados quando Jesus for embora, pois ele promete: “Qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome, eu farei.” Além disso, ele diz: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro ajudador para estar com vocês para sempre: o espírito da verdade.” (João 14:14, 16, 17) Ele garante que eles receberão o espírito santo, esse outro ajudador. Isso acontece no dia de Pentecostes.

      Jesus diz: “Em breve o mundo não me verá mais, contudo vocês me verão, porque eu vivo e vocês viverão.” (João 14:19) Após sua ressurreição, Jesus vai aparecer a eles em corpo físico e, com o tempo, vai ressuscitá-los para estarem com ele no céu como criaturas espirituais.

      Agora Jesus diz uma verdade simples: “Quem aceita os meus mandamentos e obedece a eles é o que me ama. Por sua vez, quem me ama será amado pelo meu Pai, e eu o amarei e me mostrarei claramente a ele.” Com isso, o apóstolo Judas, também chamado Tadeu, pergunta: “Senhor, o que aconteceu que o senhor pretende se mostrar claramente a nós e não ao mundo?” Jesus responde: “Se alguém me amar, obedecerá à minha palavra, e o meu Pai o amará . . . Quem não me ama não obedece às minhas palavras.” (João 14:21-24) Diferentemente dos seus seguidores, o mundo não reconhece Jesus como o caminho, a verdade e a vida.

      Quando Jesus for embora, como os discípulos vão se lembrar de tudo o que ele lhes ensinou? Ele explica: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará todas as coisas a vocês e os fará lembrar de todas as coisas que eu lhes disse.” Os apóstolos viram como o espírito santo é poderoso. Por isso, essa garantia é consoladora para eles. Jesus acrescenta: “Deixo-lhes a paz; dou-lhes a minha paz. . . . Não fiquem com o coração aflito, nem com medo.” (João 14:26, 27) Os discípulos têm motivos para não ficar aflitos, pois terão a orientação e a proteção do Pai de Jesus.

      Logo a proteção de Deus ficará evidente. Jesus diz: “O governante do mundo está chegando, e ele não tem nenhum poder sobre mim.” (João 14:30) O Diabo conseguiu entrar em Judas e influenciá-lo. Mas, como Jesus não é pecador, ele não tem nenhuma fraqueza que possa ser usada por Satanás para desviá-lo de servir a Deus. E o Diabo também não conseguirá prender Jesus na morte para sempre. Por que não? Jesus diz: “Faço assim como o Pai me ordenou.” Ele tem certeza de que o seu Pai o ressuscitará. — João 14:31.

      • Para onde Jesus está indo, e qual é sua resposta a Tomé sobre o caminho para esse lugar?

      • Pelo visto, o que Filipe quer que Jesus faça?

      • Em que sentido os seguidores de Jesus farão obras maiores do que as dele?

      • Por que é consolador saber que o Pai é maior do que Jesus?

  • Eles devem dar fruto e ser amigos de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus conversa com seus apóstolos ao saírem da sala do andar de cima

      CAPÍTULO 120

      Eles devem dar fruto e ser amigos de Jesus

      JOÃO 15:1-27

      • A VERDADEIRA VIDEIRA E OS RAMOS

      • COMO PERMANECER NO AMOR DE JESUS

      Jesus está encorajando seus apóstolos fiéis numa conversa sincera. Está tarde, talvez já passe da meia-noite. Agora ele conta uma ilustração motivadora.

      Ele começa: “Eu sou a verdadeira videira, e o meu Pai é o lavrador.” (João 15:1) Sua ilustração relembra o que foi dito séculos antes sobre a nação de Israel, que foi chamada de videira de Jeová. (Jeremias 2:21; Oseias 10:1, 2) Mas Jeová está rejeitando essa nação. (Mateus 23:37, 38) Por isso, Jesus apresenta um novo conceito. Ele é a videira que o Pai tem cultivado desde que o ungiu com espírito santo em 29 EC. No entanto, Jesus mostra que a videira simboliza algo mais.

      Ele diz: “[Meu Pai] tira todo ramo em mim que não dá fruto, e limpa todo ramo que dá fruto, para que dê mais fruto. . . . Assim como um ramo não pode dar fruto por si mesmo a menos que permaneça na videira, vocês também não podem dar fruto a menos que permaneçam em união comigo. Eu sou a videira; vocês são os ramos.” — João 15:2-5.

      Jesus prometeu a seus discípulos que depois que fosse embora, enviaria um ajudador, o espírito santo. Quando os apóstolos e outros receberem esse espírito, 51 dias depois, eles se tornarão ramos da videira. E todos os “ramos” terão de ficar unidos com Jesus. Por quê?

      Ele explica: “Quem permanece em união comigo, e eu em união com ele, esse dá muito fruto, pois separados de mim vocês não podem fazer nada.” Esses “ramos”, os fiéis seguidores de Jesus, dariam muito fruto por imitar suas qualidades, falar diligentemente a outros sobre o Reino e fazer mais discípulos. E se alguém não permanecer em união com Jesus e não der fruto? Ele explica: “Se alguém não permanece em união comigo, ele é lançado fora.” Por outro lado, Jesus diz: “Se vocês permanecerem em união comigo e as minhas declarações permanecerem em vocês, peçam o que quiserem e assim lhes acontecerá.” — João 15:5-7.

      A seguir, Jesus fala novamente sobre obedecer a seus mandamentos, algo que já mencionou duas vezes. (João 14:15, 21) Ele fala sobre uma maneira importante de os discípulos provarem que estão fazendo isso: “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeço aos mandamentos do Pai e permaneço no amor dele.” No entanto, é necessário mais do que amar a Jeová Deus e seu Filho. Jesus diz: “Este é o meu mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu amei vocês. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que lhes mando.” — João 15:10-14.

      Em poucas horas, Jesus mostrará seu amor por dar a vida por todos que exercem fé nele. Seu exemplo devia motivar seus seguidores a mostrar o mesmo amor abnegado uns pelos outros. Como Jesus declarou antes, esse amor é o que os identificará: “Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” — João 13:35.

      É importante que os apóstolos percebam que Jesus os chama de “amigos”. Ele explica por que os considera assim: “Eu os chamo de amigos, porque lhes revelei tudo que ouvi do meu Pai.” Eles têm uma amizade muito preciosa: são amigos íntimos de Jesus e sabem o que o Pai disse a ele. Mas, para continuarem a ter essa amizade, precisam ‘dar fruto’. Se fizerem isso, Jesus garante: “Não importa o que pedirem ao Pai em meu nome, ele [dará] a vocês.” — João 15:15, 16.

      O amor entre esses “ramos”, seus discípulos, os ajudará a suportar o que está para acontecer. Ele os alerta de que o mundo os odiará, mas lhes dá o seguinte consolo: “Se o mundo os odeia, vocês sabem que odiou a mim antes de odiar vocês. Se vocês fizessem parte do mundo, o mundo os amaria por pertencerem a ele. Agora, visto que vocês não fazem parte do mundo, . . . o mundo os odeia.” — João 15:18, 19.

      Explicando um pouco mais o motivo de o mundo os odiar, Jesus acrescenta: “Farão todas essas coisas contra vocês por causa do meu nome, porque não conhecem Aquele que me enviou.” Ele diz que suas obras milagrosas na verdade condenam aqueles que o odeiam: “Se eu não tivesse feito entre eles as obras que ninguém mais fez, não seriam culpados de pecado; mas agora eles me viram e odiaram a mim e ao meu Pai.” Com certeza, o ódio deles cumpre profecias. — João 15:21, 24, 25; Salmo 35:19; 69:4.

      Mais uma vez, Jesus promete enviar o ajudador, o espírito santo. Essa força poderosa está disponível a todos os seus seguidores e pode ajudá-los a dar fruto, a ‘dar testemunho’. — João 15:27.

      • Na ilustração de Jesus, quem é o lavrador, quem é a videira, e quem são os ramos?

      • Que fruto Deus espera que os ramos deem?

      • Como os discípulos de Jesus podem ser seus amigos? E o que os ajudará a enfrentar o ódio do mundo?

  • “Coragem! Eu venci o mundo”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Os apóstolos parecem preocupados quando Jesus dá um aviso a eles

      CAPÍTULO 121

      “Coragem! Eu venci o mundo”

      JOÃO 16:1-33

      • EM BREVE OS APÓSTOLOS NÃO VERÃO MAIS A JESUS

      • A TRISTEZA DOS APÓSTOLOS SE TRANSFORMARÁ EM ALEGRIA

      Jesus e os apóstolos estão prontos para sair da sala onde tiveram a refeição pascoal. Depois de lhes dar importantes conselhos, Jesus diz: “Eu lhes disse essas coisas para que vocês não tropecem.” Ele indica por que esse conselho é apropriado: “Os homens os expulsarão da sinagoga. De fato, vem a hora em que quem matar vocês pensará que está prestando um serviço sagrado a Deus.” — João 16:1, 2.

      Talvez essas palavras deixem os apóstolos preocupados. Embora Jesus lhes tenha dito antes que o mundo os odiaria, ele não disse diretamente que eles seriam mortos. Por que não? Ele diz: “Eu não lhes disse essas coisas no princípio porque eu estava com vocês.” (João 16:4) Agora ele os está alertando antes de partir. Isso talvez os ajude a não tropeçar mais tarde.

      Jesus continua: “Vou para Aquele que me enviou; mesmo assim, nenhum de vocês me pergunta: ‘Para onde o senhor vai?’” Mais cedo naquela noite, eles perguntaram a Jesus aonde ele estava indo. (João 13:36; 14:5; 16:5) Mas agora, abalados pelo que ele disse sobre serem perseguidos, eles só conseguem pensar em sua tristeza. Por isso, não perguntam sobre a glória que aguarda Jesus ou o que isso significará para os verdadeiros adoradores. Jesus observa: “O coração de vocês está cheio de tristeza porque eu lhes disse essas coisas.” — João 16:6.

      Então Jesus explica: “É em seu benefício que vou embora. Pois, se eu não for embora, o ajudador não virá a vocês; mas, se eu for, o enviarei a vocês.” (João 16:7) Só depois de Jesus morrer e ir para o céu é que seus discípulos poderão receber o espírito santo. De lá, Jesus poderá enviá-lo como ajudador para o seu povo em qualquer lugar da Terra.

      O espírito santo “dará ao mundo provas convincentes do pecado, da justiça e do julgamento”. (João 16:8) Ficará evidente que o mundo não exerce fé no Filho de Deus. O fato de Jesus ir para o céu dará provas convincentes de sua justiça e mostrará que Satanás, “o governante deste mundo”, merece punição. — João 16:11.

      Jesus diz: “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas agora vocês não são capazes de suportá-las.” Quando ele derramar o espírito santo, este os guiará ao entendimento de “toda a verdade”, e eles terão condições de viver de acordo com essa verdade. — João 16:12, 13.

      Os apóstolos ficam intrigados com a seguinte declaração de Jesus: “Em breve vocês não me verão mais; e também em breve vocês me verão.” Eles perguntam uns aos outros o que isso quer dizer. Percebendo que querem lhe perguntar sobre isso, Jesus explica: “Digo-lhes com toda a certeza: Vocês chorarão e lamentarão, mas o mundo se alegrará; vocês ficarão tristes, mas a sua tristeza será transformada em alegria.” (João 16:16, 20) Quando Jesus for morto na tarde seguinte, os líderes religiosos vão se alegrar, mas os discípulos vão lamentar. No entanto, quando ele for ressuscitado, a tristeza dos apóstolos se transformará em alegria. E também se alegrarão quando Jesus derramar sobre eles o espírito santo de Deus.

      Comparando a situação dos apóstolos à de uma mulher com dores de parto, Jesus diz: “Quando uma mulher está dando à luz, ela sofre porque chegou a sua hora; mas, quando nasce o seu bebê, ela não se lembra mais da aflição, por causa da alegria de um ser humano ter vindo ao mundo.” Jesus encoraja seus apóstolos: “Agora vocês estão tristes; mas eu os verei novamente, e o seu coração se alegrará, e ninguém tirará a sua alegria.” — João 16:21, 22.

      Até então, os apóstolos não faziam petições no nome de Jesus. Mas agora ele diz: “Naquele dia vocês pedirão ao Pai em meu nome.” Por que devem fazer isso? Não é que o Pai não quer responder. Na verdade, Jesus diz: “O próprio Pai ama vocês, porque vocês me amam . . . como representante de Deus.” — João 16:26, 27.

      As palavras encorajadoras de Jesus aos apóstolos talvez lhes dê coragem para afirmar: “Por isso acreditamos que o senhor veio de Deus.” Mas essa convicção logo será posta à prova. Jesus descreve o que acontecerá a seguir: “Escutem: Vem a hora — realmente já veio — em que vocês serão espalhados, cada um para a sua própria casa, e me deixarão sozinho.” No entanto, ele lhes garante: “Eu lhes disse essas coisas para que, por meio de mim, vocês tenham paz. No mundo vocês terão tribulação, mas coragem! Eu venci o mundo.” (João 16:30-33) Jesus não os está abandonando. Ele tem certeza de que, assim como ele, os apóstolos podem vencer o mundo. Como? Por fielmente fazerem a vontade de Deus, apesar das tentativas de Satanás e seu mundo para que deixem de ser leais.

      • Que aviso de Jesus deixa os apóstolos preocupados?

      • Por que os apóstolos param de fazer perguntas a Jesus?

      • A que Jesus compara a transformação da tristeza dos apóstolos em alegria?

  • A última oração de Jesus na sala do andar de cima
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus levanta os olhos para o céu e ora na frente de seus apóstolos

      CAPÍTULO 122

      A última oração de Jesus na sala do andar de cima

      JOÃO 17:1-26

      • O RESULTADO DE SE CONHECER A DEUS E A SEU FILHO

      • A UNIÃO DE JEOVÁ, JESUS E OS DISCÍPULOS

      É por profundo amor aos apóstolos que Jesus os tem preparado para sua partida tão próxima. Ele olha para o céu e ora a seu Pai: “Glorifica o teu filho, para que o teu filho te glorifique, assim como lhe deste autoridade sobre todas as pessoas, para que ele dê vida eterna a todos aqueles que lhe deste.” — João 17:1, 2.

      Fica claro que Jesus reconhece que dar glória a Deus é de grande importância. Mas como é consoladora a perspectiva que Jesus apresenta — vida eterna! Por ter recebido “autoridade sobre todas as pessoas”, Jesus pode estender os benefícios do seu resgate a toda a humanidade. No entanto, somente alguns terão essa bênção. Por que apenas alguns? Porque Jesus só aplicará os benefícios do resgate aos que agem em harmonia com o que ele menciona a seguir: “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.

      Alguém deve conhecer intimamente tanto o Pai como o Filho e ter um relacionamento achegado com eles. Deve ter o mesmo conceito que eles sobre os assuntos. Além disso, deve se esforçar em imitar suas qualidades inigualáveis ao lidar com outros. E deve compreender que Deus ser glorificado é mais importante do que os humanos receberem vida eterna. Agora Jesus aborda esse assunto.

      Ele diz: “Eu te glorifiquei na terra e terminei a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me ao teu lado com a glória que eu tive junto de ti antes de o mundo existir.” (João 17:4, 5) Jesus pede que, após sua ressurreição, ele tenha novamente a glória que tinha no céu.

      Mas Jesus não se esqueceu do que realizou no seu ministério. Ele ora: “Tornei o teu nome conhecido aos homens que me deste do mundo. Eles eram teus, e tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra.” (João 17:6) No seu ministério, Jesus fez mais do que pronunciar o nome de Deus, Jeová. Ele ajudou seus apóstolos a conhecer o que esse nome representa: as qualidades de Deus e o modo de ele lidar com os humanos.

      Os apóstolos aprenderam sobre Jeová, o papel do seu Filho e as coisas que Jesus ensinou. Jesus humildemente diz: “Eu lhes transmiti as declarações que me deste, e eles as aceitaram e certamente sabem que vim como teu representante, e acreditam que tu me enviaste.” — João 17:8.

      Então Jesus reconhece a diferença entre seus seguidores e a humanidade em geral: “Eu peço por eles; peço, não pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque eles são teus . . . Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um. . . . Eu os protegi, e nenhum deles foi perdido, exceto o filho da destruição”, isto é, Judas Iscariotes, que está para trair Jesus. — João 17:9-12.

      Jesus continua a orar: “O mundo os odeia. . . . Não te peço que os tires do mundo, mas que vigies sobre eles, por causa do Maligno. Eles não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:14-16) Os apóstolos e outros discípulos estão no mundo, a sociedade humana governada por Satanás. Mas precisam se manter separados do mundo e da sua maldade. Como?

      Eles devem se manter santos, separados para servir a Deus, por colocar em prática as verdades encontradas nas Escrituras Hebraicas e as verdades ensinadas pelo próprio Jesus. Ele ora: “Santifica-os por meio da verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17) Mais tarde, alguns dos apóstolos escreverão livros inspirados que também farão parte da “verdade” que pode ajudar alguém a se tornar santo.

      Com o tempo, outros aceitarão a “verdade”. Então Jesus ora “não somente por estes [os que estão ali], mas também por aqueles que depositam fé [nele] por meio das palavras deles”. Jesus pede em favor de todos eles: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco.” (João 17:20, 21) Jesus e seu Pai não são literalmente uma pessoa só. Eles são um no sentido de que concordam em todas as coisas. Assim, Jesus ora para que seus seguidores também estejam unidos com eles.

      Pouco antes, Jesus disse a Pedro e aos outros que estava indo preparar um lugar para eles, um lugar no céu. (João 14:2, 3) Agora Jesus volta a esse assunto em oração: “Pai, quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver, para que possam ver a glória que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17:24) Com isso, ele confirma que muito tempo atrás, antes de Adão e Eva terem filhos, Deus amava seu Filho unigênito, que se tornou Jesus Cristo.

      Concluindo sua oração, Jesus enfatiza novamente o nome do Pai e o amor de Deus pelos apóstolos e por outros que ainda vão aceitar a “verdade”: “Eu tornei o teu nome conhecido a eles, e o tornarei conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu em união com eles.” — João 17:26.

      • O que significa conhecer a Deus e a seu Filho?

      • De que maneiras Jesus tornou conhecido o nome de Deus?

      • Em que sentido Deus, seu Filho e todos os verdadeiros adoradores são um?

  • Jesus está profundamente triste e ora
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ora no jardim de Getsêmani enquanto Pedro, Tiago e João dormem

      CAPÍTULO 123

      Jesus está profundamente triste e ora

      MATEUS 26:30, 36-46 MARCOS 14:26, 32-42 LUCAS 22:39-46 JOÃO 18:1

      • JESUS NO JARDIM DE GETSÊMANI

      • SEU SUOR É COMO GOTAS DE SANGUE

      Jesus acaba de orar com seus apóstolos fiéis. Então, ‘depois de cantarem louvores, saem para o monte das Oliveiras’. (Marcos 14:26) Eles vão para o leste, a um jardim chamado Getsêmani, onde Jesus costuma ir.

      Eles chegam a um lugar agradável entre as oliveiras. Jesus deixa oito apóstolos para trás, talvez perto da entrada do jardim, pois ele lhes diz: “Sentem-se aqui enquanto eu vou ali para orar.” Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João, e entra no jardim. Ele fica muito aflito e diz aos três: “Estou profundamente triste, a ponto de morrer. Fiquem aqui e mantenham-se vigilantes comigo.” — Mateus 26:36-38.

      Afastando-se um pouco deles nesse momento de fortes emoções, Jesus ‘se prostra no chão e começa a orar’ a Deus: “Pai, todas as coisas são possíveis para ti; afasta de mim este cálice. Contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos 14:35, 36) O que ele quer dizer com isso? Será que está desistindo de ser o Resgatador? Claro que não.

      Do céu, Jesus viu o grande sofrimento dos que foram mortos pelos romanos. Agora que é humano, com sentimentos iguais aos nossos e capaz de sentir dor, Jesus se preocupa com o que o aguarda. Porém, mais importante do que isso, ele está aflito por perceber que sua morte como criminoso desprezível pode trazer vitupério sobre o nome de seu Pai. Em algumas horas, ele será pendurado numa estaca como se tivesse blasfemado contra Deus.

      Depois de uma longa oração, Jesus volta e encontra os três apóstolos dormindo. Ele diz a Pedro: “Vocês não conseguiram se manter vigilantes comigo nem mesmo por uma hora? Mantenham-se vigilantes e orem continuamente para que não caiam em tentação.” Jesus percebe que os apóstolos também estão sob estresse, e está tarde. Ele acrescenta: “Naturalmente, o espírito está disposto, mas a carne é fraca.” — Mateus 26:40, 41.

      Então Jesus sai pela segunda vez e pede a Deus que remova dele ‘o cálice’. Ao retornar, ele mais uma vez encontra os três apóstolos dormindo em vez de estarem orando para não entrar em tentação. Jesus fala com eles, mas os apóstolos ‘não sabem o que lhe responder’. (Marcos 14:40) Ele sai pela terceira vez e se ajoelha para orar.

      Jesus está profundamente preocupado com o vitupério que sua morte como criminoso trará ao nome de seu Pai. Mas Jeová está ouvindo as orações de seu Filho e em determinado momento envia um anjo para fortalecê-lo. Mesmo assim, Jesus não para de fazer súplicas a seu Pai e continua a ‘orar ainda mais intensamente’. O estresse é enorme. Que peso sobre os ombros de Jesus! Sua própria vida eterna e a de humanos fiéis estão em jogo. Tanto é que ‘seu suor se torna como gotas de sangue que caem no chão’. — Lucas 22:44.

      Quando Jesus volta até os apóstolos pela terceira vez, novamente os encontra dormindo. Ele diz: “Numa ocasião como esta, vocês estão dormindo e descansando! Vejam! Está se aproximando a hora de o Filho do Homem ser entregue às mãos de pecadores. Levantem-se, vamos embora. Vejam! Aquele que me trai está chegando.” — Mateus 26:45, 46.

      SEU SUOR É COMO GOTAS DE SANGUE

      O médico Lucas não explica como o suor de Jesus “se tornou como gotas de sangue”. (Lucas 22:44) Talvez ele estivesse usando linguagem simbólica, como se o suor fosse sangue escorrendo de um ferimento. Outra possibilidade é descrita pelo Dr. William Edwards, na revista The Journal of the American Medical Association: “Embora seja um fenômeno raro, suor com sangue (hematidrose . . . ) pode ocorrer em casos extremos de estresse . . . Ocorre uma hemorragia das glândulas que produzem suor, e a pele fica frágil e fina.”

      • Depois de sair da sala do andar de cima, para onde Jesus leva os apóstolos?

      • O que três apóstolos fazem enquanto Jesus ora?

      • Saber que o suor de Jesus se torna como gotas de sangue nos ensina o que sobre seu estado emocional?

  • Cristo é traído e preso
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus repreende Pedro por usar uma espada para cortar a orelha de Malco; os soldados estão prontos para prender Jesus

      CAPÍTULO 124

      Cristo é traído e preso

      MATEUS 26:47-56 MARCOS 14:43-52 LUCAS 22:47-53 JOÃO 18:2-12

      • JUDAS TRAI JESUS NO JARDIM

      • PEDRO CORTA A ORELHA DE UM HOMEM

      • JESUS É PRESO

      Já passa da meia-noite. Os sacerdotes concordam em pagar a Judas 30 moedas de prata para que ele traia Jesus. Assim, Judas conduz um grande grupo de principais sacerdotes e fariseus, tentando encontrar Jesus. Junto com eles há um destacamento de soldados romanos armados e um comandante militar.

      Pelo visto, depois de ser dispensado por Jesus da refeição pascoal, Judas foi direto aos principais sacerdotes. (João 13:27) Eles reuniram seus guardas e um grupo de soldados. Talvez Judas os tenha levado primeiro à sala do andar de cima onde Jesus e os apóstolos celebraram a Páscoa. Agora a turba atravessa o vale do Cédron em direção ao jardim. Além das armas, eles carregam lâmpadas e tochas, e estão decididos a encontrar Jesus.

      Judas tem certeza de que sabe onde encontrar Jesus ao conduzir a multidão pelo monte das Oliveiras. Jesus e os apóstolos viajaram várias vezes entre Betânia e Jerusalém. Nessas viagens, eles costumavam parar no jardim de Getsêmani. Agora é noite, e talvez Jesus esteja numa parte bem escura do jardim, entre as oliveiras. Como os soldados, que talvez nunca viram Jesus, vão conseguir identificá-lo? Para ajudá-los, Judas dará um sinal. Ele diz: “Aquele que eu beijar é ele; prendam-no e levem-no embora sob vigilância.” — Marcos 14:44.

      Conduzindo a multidão pelo jardim, Judas vê Jesus com os apóstolos e vai direto a ele. Judas diz: “Olá, Rabi!” Então o beija ternamente. Jesus pergunta: “Amigo, com que objetivo você está aqui?” (Mateus 26:49, 50) Respondendo à própria pergunta, Jesus diz: “Judas, você está traindo o Filho do Homem com um beijo?” (Lucas 22:48) E Jesus se volta para a multidão.

      Ele se aproxima das tochas e das lâmpadas, e pergunta: “Quem vocês estão procurando?” Da multidão vem a resposta: “Jesus, o Nazareno.” Jesus corajosamente diz: “Sou eu.” (João 18:4, 5) Surpresos, os homens caem no chão.

      Em vez de aproveitar a escuridão para fugir, Jesus mais uma vez pergunta quem estão procurando. Quando dizem novamente “Jesus, o Nazareno”, ele diz de modo calmo: “Eu lhes disse que sou eu. Então, se é a mim que vocês estão procurando, deixem estes homens ir.” Até nesse momento decisivo, Jesus se lembra do que disse antes, que não perderia nenhum dos seus discípulos. (João 6:39; 17:12) Ele protegeu seus apóstolos fiéis e nenhum deles foi perdido, “exceto o filho da destruição”, Judas. (João 18:7-9) Assim, agora ele pede que deixem seus fiéis seguidores ir embora.

      Quando os soldados se levantam e vão em direção a Jesus, os apóstolos entendem o que está acontecendo. Eles perguntam: “Senhor, devemos atacá-los com a espada?” (Lucas 22:49) Antes que Jesus possa responder, Pedro pega uma das duas espadas que trouxeram. Ele ataca Malco, um escravo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.

      Jesus toca na orelha de Malco, curando o ferimento. Então ensina uma importante lição a Pedro: “Devolva a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada.” Jesus está disposto a ser preso, pois explica: “Como se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas têm de acontecer deste modo?” (Mateus 26:52, 54) Ele acrescenta: “Por acaso não devo beber o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11) Jesus aceita a vontade de Deus para ele, estando disposto até a morrer.

      Ele pergunta à multidão: “Vocês vieram me prender com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido? Dia após dia eu ficava sentado no templo, ensinando; contudo, vocês não me prenderam. Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem os escritos dos profetas.” — Mateus 26:55, 56.

      Os soldados, o comandante militar e os guardas enviados pelos judeus agarram Jesus e o prendem. Quando veem isso, os apóstolos fogem. No entanto, “um jovem”, talvez o discípulo Marcos, fica entre a multidão para poder acompanhar Jesus. (Marcos 14:51) Quando esse jovem é reconhecido, a multidão tenta prendê-lo, e isso o leva a fugir deixando para trás sua roupa de linho.

      • Por que Judas procura Jesus no jardim de Getsêmani?

      • O que Pedro faz ao tentar proteger Jesus? Mas o que Jesus diz sobre isso?

      • Como Jesus mostra que aceita a vontade de Deus para ele?

      • Quando os apóstolos abandonam Jesus, quem continua ali? E o que acontece então?

  • Jesus é levado a Anás e depois a Caifás
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Caifás rasga suas roupas; outros batem no rosto de Jesus e zombam dele

      CAPÍTULO 125

      Jesus é levado a Anás e depois a Caifás

      MATEUS 26:57-68 MARCOS 14:53-65 LUCAS 22:54, 63-65 JOÃO 18:13, 14, 19-24

      • JESUS É LEVADO A ANÁS, O EX-SUMO SACERDOTE

      • O SINÉDRIO REALIZA UM JULGAMENTO ILEGAL

      Depois de ser amarrado como um criminoso comum, Jesus é levado a Anás. Quando Jesus era jovem e deixou os instrutores no templo impressionados, Anás era o sumo sacerdote. (Lucas 2:42, 47) Alguns filhos de Anás mais tarde serviram como sumo sacerdote, e agora seu genro Caifás ocupa essa posição.

      Enquanto Anás estava interrogando Jesus, Caifás tem tempo de reunir o Sinédrio. Essa corte é formada por 71 membros, incluindo o sumo sacerdote e ex-sumos sacerdotes.

      Anás pergunta a Jesus “sobre os seus discípulos e sobre os seus ensinamentos”. Jesus simplesmente diz: “Falei ao mundo publicamente. Sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. Por que o senhor me faz perguntas? Pergunte aos que ouviram o que eu lhes disse.” — João 18:19-21.

      Dando-lhe uma bofetada, um guarda que estava ali repreende Jesus: “É assim que você responde ao principal sacerdote?” Jesus sabe que não fez nada errado. Por isso, diz: “Se eu disse algo errado, diga o que foi que eu disse de errado; mas, se o que eu disse está certo, por que você me bate?” (João 18:22, 23) Então Anás o manda para Caifás, seu genro.

      A essa altura, todos os membros do Sinédrio — o atual sumo sacerdote, os anciãos do povo e os escribas — já estão reunidos na casa de Caifás. É ilegal realizar um julgamento como esse na noite da Páscoa, mas isso não os impede de ir em frente com sua trama perversa.

      Esse grupo está longe de ser imparcial. Depois que Jesus ressuscitou Lázaro, o Sinédrio decidiu que Jesus devia morrer. (João 11:47-53) E não faz muitos dias que as autoridades religiosas conspiraram para prender e matar Jesus. (Mateus 26:3, 4) Realmente, é como se Jesus já estivesse condenado à morte antes mesmo de começar o julgamento.

      Além de realizarem essa reunião ilegal, os principais sacerdotes e outros do Sinédrio tentam encontrar testemunhas a fim de reunir provas para apoiar suas acusações contra Jesus. Eles encontram muitas pessoas, mas o testemunho delas é contraditório. Por fim, duas se apresentam e afirmam: “Nós o ouvimos dizer: ‘Derrubarei este templo feito por mãos humanas e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas.’” (Marcos 14:58) No entanto, esses homens não concordam em tudo.

      Caifás pergunta a Jesus: “Você não diz nada em resposta? O que diz do testemunho destes homens contra você?” (Marcos 14:60) Jesus fica em silêncio diante da acusação falsa feita por testemunhas que se contradizem. Então o sumo sacerdote Caifás muda de tática.

      Caifás sabe que, para os judeus, é um assunto delicado afirmar ser o Filho de Deus. Antes, quando Jesus chamou a Deus de Pai, os judeus quiseram matá-lo, afirmando que Jesus estava “fazendo-se igual a Deus”. (João 5:17, 18; 10:31-39) Sabendo do que os judeus acham disso, Caifás astutamente exige de Jesus: “Pelo Deus vivente, eu ponho você sob juramento para que nos diga se você é o Cristo, o Filho de Deus!” (Mateus 26:63) Naturalmente, Jesus já admitiu que é o Filho de Deus. (João 3:18; 5:25; 11:4) Então, se ele não responder agora, isso pode ser interpretado como se ele estivesse negando que é o Filho de Deus e o Cristo. Por isso, ele diz: “Sou; e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita de poder e vindo com as nuvens do céu.” — Marcos 14:62.

      Sendo dramático, Caifás rasga suas roupas e diz: “Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vejam! Agora vocês ouviram a blasfêmia. Qual é a opinião de vocês?” O Sinédrio decreta a sentença injusta: “Ele merece morrer.” — Mateus 26:65, 66.

      Então começam a zombar de Jesus e a esmurrá-lo. Outros lhe dão bofetadas e cospem em seu rosto. Depois de lhe cobrirem o rosto e baterem nele, dizem de modo sarcástico: “Profetize! Quem foi que bateu em você?” (Lucas 22:64) Assim, o Filho de Deus é maltratado num julgamento ilegal no meio da noite.

      • Para onde Jesus é levado primeiro, e o que acontece com ele ali?

      • Para onde Jesus é levado em seguida, e como Caifás consegue fazer o Sinédrio declarar que Jesus merece morrer?

      • Como Jesus é maltratado durante o julgamento?

  • Pedro nega Jesus na casa de Caifás
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • De uma sacada, Jesus vê Pedro, que acaba de negá-lo; um galo ao fundo

      CAPÍTULO 126

      Pedro nega Jesus na casa de Caifás

      MATEUS 26:69-75 MARCOS 14:66-72 LUCAS 22:54-62 JOÃO 18:15-18, 25-27

      • PEDRO NEGA JESUS

      Depois de Jesus ser preso no jardim de Getsêmani, os apóstolos o abandonam e fogem amedrontados. No entanto, dois deles param de correr. Eles são Pedro “bem como um outro discípulo”, pelo visto o apóstolo João. (João 18:15; 19:35; 21:24) Talvez tenham alcançado Jesus quando ele estava sendo levado até Anás. Quando Anás envia Jesus para o sumo sacerdote Caifás, Pedro e João o seguem de longe. Provavelmente estão divididos entre o medo de morrer e a preocupação com o que acontecerá com seu Senhor.

      João é conhecido do sumo sacerdote, por isso o deixam entrar no pátio da casa de Caifás. Pedro fica junto à porta, do lado de fora, até João voltar e falar com a serva que toma conta da porta. Então Pedro é autorizado a entrar.

      A noite é fria, e os que estão no pátio acenderam um braseiro. Pedro se senta com eles para se aquecer enquanto espera ‘para ver o que vai acontecer’ com Jesus. (Mateus 26:58) A serva que deixou Pedro entrar consegue vê-lo melhor com a luz do fogo. Ela pergunta: “Você também não é um dos discípulos desse homem?” (João 18:17) E ela não é a única a reconhecer Pedro e acusá-lo de ter estado com Jesus. — Mateus 26:69, 71-73; Marcos 14:70.

      Isso deixa Pedro muito aborrecido. Como ele está tentando passar despercebido, até mesmo se retira para a entrada do pátio. Então Pedro nega que estava com Jesus, chegando a dizer: “Não o conheço nem sei do que você está falando.” (Marcos 14:67, 68) Ele também começa “a amaldiçoar a si mesmo e a jurar”, o que indica que está disposto a jurar que está dizendo a verdade e a enfrentar calamidades caso não esteja fazendo isso. — Mateus 26:74.

      Enquanto isso, o julgamento de Jesus está em andamento, talvez numa parte da casa de Caifás acima do pátio. É possível que Pedro e os outros que estão esperando embaixo vejam a movimentação de várias pessoas que são trazidas para testemunhar.

      Pedro é galileu, e seu sotaque indica que ele mentiu ao negar Jesus. Além disso, uma pessoa do grupo é parente de Malco, cuja orelha Pedro cortou. Por isso, acusam Pedro: “Não vi você no jardim com ele?” Quando Pedro nega isso pela terceira vez, um galo canta, como profetizado. — João 13:38; 18:26, 27.

      Nessa hora, parece que Jesus está numa sacada acima do pátio. Ele se vira e olha diretamente para Pedro. Isso deve atingir Pedro como uma facada. Ele se lembra do que Jesus disse horas antes na sala do andar de cima. Imagine como Pedro se sente ao se dar conta do que fez. Ele sai e chora amargamente. — Lucas 22:61, 62.

      Como isso pôde acontecer? Como é que Pedro, que tinha certeza de sua lealdade e forte espiritualidade, pôde negar seu Senhor? A verdade está sendo distorcida, e Jesus está sendo retratado como um criminoso desprezível. Quando Pedro teve a oportunidade de defender um homem inocente, ele virou as costas para Aquele que tem “declarações de vida eterna”. — João 6:68.

      Esse episódio triste na vida de Pedro mostra que até mesmo uma pessoa de fé e devoção pode perder o equilíbrio se não estiver preparada para provações e tentações inesperadas. Que esse exemplo sirva de aviso para os servos de Deus!

      • Como Pedro e João conseguem entrar no pátio da casa de Caifás?

      • Enquanto Pedro e João estão no pátio, o que acontece na casa?

      • O que indica o fato de Pedro amaldiçoar a si mesmo e jurar?

      • Que importante lição aprendemos do que aconteceu com Pedro?

  • Julgado pelo Sinédrio e então levado a Pilatos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus fica diante de Pôncio Pilatos

      CAPÍTULO 127

      Julgado pelo Sinédrio e então levado a Pilatos

      MATEUS 27:1-11 MARCOS 15:1 LUCAS 22:66–23:3 JOÃO 18:28-35

      • O SINÉDRIO SE REÚNE DE MANHÃ PARA JULGAR JESUS

      • JUDAS ISCARIOTES TENTA SE ENFORCAR

      • JESUS É ENVIADO A PILATOS PARA SER CONDENADO

      A noite está chegando ao fim quando Pedro nega Jesus pela terceira vez. Os membros do Sinédrio terminaram seu suposto julgamento e foram embora. Mas na manhã de sexta-feira se reúnem de novo, provavelmente para dar certa aparência de legalidade ao julgamento feito à noite. Jesus é levado à presença deles.

      De novo a corte exige: “Se você é o Cristo, diga-nos.” Jesus responde: “Mesmo que eu lhes dissesse, vocês de modo algum acreditariam. Além disso, se eu lhes fizesse perguntas, vocês não me responderiam.” Mas Jesus corajosamente indica que a profecia de Daniel 7:13 fala sobre ele: “De agora em diante o Filho do Homem estará sentado à direita poderosa de Deus.” — Lucas 22:67-69; Mateus 26:63.

      Eles insistem: “Então, você é o Filho de Deus?” Jesus responde: “Vocês mesmos dizem que eu sou.” Isso parece ser uma justificativa para matar Jesus sob a acusação de blasfêmia. Eles perguntam: “Por que precisamos de mais testemunho?” (Lucas 22:70, 71; Marcos 14:64) Então amarram Jesus e o levam ao governador romano Pôncio Pilatos.

      Talvez Judas Iscariotes veja Jesus sendo levado a Pilatos. Quando Judas percebe que Jesus foi condenado, sente remorso e fica desesperado. Mas, em vez de buscar a Deus com verdadeiro arrependimento, vai devolver as 30 moedas de prata. Judas diz aos principais sacerdotes: “Pequei quando traí sangue inocente.” Mas esta é a resposta fria que recebe: “O que nós temos a ver com isso? Isso é com você!” — Mateus 27:4.

      Judas joga as 30 moedas no templo e aumenta seus pecados por tentar se matar. Parece que, quando Judas tenta se enforcar, o galho onde ele amarra a corda quebra. Seu corpo cai nas rochas abaixo e se arrebenta. — Atos 1:17, 18.

      De manhã cedo Jesus é levado ao palácio de Pôncio Pilatos. Mas os judeus que levam Jesus se recusam a entrar. Eles acham que ter esse contato com gentios os deixará impuros, impedindo-os de tomar a refeição em 15 de nisã, primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento, considerada parte da época da Páscoa.

      Pilatos sai e pergunta: “Que acusação vocês levantam contra esse homem?” Eles respondem: “Se esse homem não fosse um criminoso, não o teríamos entregado ao senhor.” Talvez Pilatos ache que eles o estão pressionando, por isso diz: “Levem-no vocês mesmos e julguem-no segundo a sua lei.” A resposta dos judeus mostra que eles querem que Jesus seja morto: “Não nos é permitido matar ninguém.” — João 18:29-31.

      Se matarem Jesus durante a festividade da Páscoa, isso pode causar um alvoroço entre as pessoas. Mas, se conseguirem que os romanos o executem por um crime contra o governo, algo que os romanos têm autoridade para fazer, isso como que isentaria esses judeus de responsabilidade perante o povo.

      Os líderes religiosos não dizem a Pilatos que condenaram Jesus por blasfêmia, mas inventam outras acusações: “Encontramos este homem [1] subvertendo a nossa nação, [2] proibindo o pagamento de impostos a César e [3] dizendo que ele mesmo é Cristo, um rei.” — Lucas 23:2.

      Por representar Roma, Pilatos tem motivo para se preocupar com a acusação de que Jesus afirma ser rei. Por isso, entra de novo no palácio, chama Jesus e pergunta: “Você é o Rei dos judeus?” Em outras palavras: ‘Você violou a lei do império por dizer que é rei em oposição a César?’ Talvez para saber o que Pilatos ouviu sobre ele, Jesus diz: “O senhor está perguntando porque acha isso, ou outros lhe contaram a meu respeito?” — João 18:33, 34.

      Alegando não saber nada sobre Jesus, mas com vontade de saber, Pilatos diz: “Por acaso eu sou judeu?” E acrescenta: “A sua própria nação e os principais sacerdotes o entregaram a mim. O que você fez?” — João 18:35.

      Jesus não tenta evitar a questão principal, o fato de ele ser rei. Sua resposta sem dúvida deixa o governador Pilatos impressionado.

      O CAMPO DE SANGUE

      Judas joga as 30 moedas de prata no templo

      Os principais sacerdotes não sabem o que fazer com as moedas que Judas jogou no templo. Eles dizem: “Não é permitido colocá-las no tesouro sagrado, porque são o preço de sangue.” Então usam o dinheiro para comprar o campo do oleiro para enterrar pessoas desconhecidas. Esse campo passa a ser chamado de “Campo de Sangue”. — Mateus 27:6-8.

      • Por que o Sinédrio se reúne de novo de manhã?

      • Como Judas morre, e o que acontece com as 30 moedas de prata?

      • Com base em que acusações os judeus querem que Pilatos condene Jesus à morte?

  • Inocentado por Pilatos e por Herodes
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Herodes e seus soldados zombam de Jesus

      CAPÍTULO 128

      Inocentado por Pilatos e por Herodes

      MATEUS 27:12-14, 18, 19 MARCOS 15:2-5 LUCAS 23:4-16 JOÃO 18:36-38

      • JESUS É INTERROGADO POR PILATOS E POR HERODES

      Jesus realmente é rei e não tenta esconder isso de Pilatos. Mas o seu Reino não é uma ameaça para Roma. Jesus diz: “Meu Reino não faz parte deste mundo. Se meu Reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é daqui.” (João 18:36) Jesus tem um Reino que não é deste mundo.

      No entanto, para Pilatos o assunto não está encerrado. Ele pergunta: “Pois bem, você é rei?” Jesus indica que Pilatos chegou à conclusão certa: “O senhor mesmo está dizendo que eu sou rei. Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” — João 18:37.

      Anteriormente, Jesus disse a Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Agora até Pilatos fica sabendo que o objetivo de Jesus ter vindo à Terra é dar testemunho da “verdade”, especificamente a verdade sobre seu Reino. Jesus está decidido a ser fiel mesmo que isso custe sua vida. Pilatos pergunta: “O que é verdade?” Mas ele não espera nenhuma explicação adicional. Para ele, o que ouviu já é suficiente para julgar esse homem. — João 14:6; 18:38.

      Pilatos volta para a multidão que está esperando do lado de fora do palácio. Parece que Jesus está ao seu lado quando ele diz aos principais sacerdotes e aos que os acompanham: “Não acho motivo para condenar este homem.” Furiosos com essa decisão, a multidão insiste: “Ele atiça o povo ensinando em toda a Judeia, começando da Galileia até aqui.” — Lucas 23:4, 5.

      O fanatismo cego dos judeus deve deixar Pilatos impressionado. Enquanto os principais sacerdotes e os anciãos gritam, Pilatos pergunta a Jesus: “Não está ouvindo quantas coisas testemunham contra você?” (Mateus 27:13) Ele não responde. Sua tranquilidade diante dessas acusações absurdas surpreende Pilatos.

      Os judeus disseram que Jesus ‘começou na Galileia’. Por meio dessa informação, Pilatos descobre que Jesus, na verdade, é galileu. Com isso, Pilatos tem uma ideia de como escapar da responsabilidade de julgar Jesus. Herodes Antipas (filho de Herodes, o Grande) é o governador da Galileia e está em Jerusalém para a Páscoa. Por isso, Pilatos envia Jesus a Herodes. Foi Herodes Antipas que mandou decapitar João Batista. Mais tarde, ao saber dos milagres de Jesus, Herodes ficou preocupado, se perguntando se Jesus era João levantado dentre os mortos. — Lucas 9:7-9.

      Herodes fica contente com a perspectiva de ver Jesus. Mas não é porque quer ajudar Jesus ou deseja realmente saber se as acusações contra ele são válidas. Herodes está apenas curioso e ‘espera ver algum sinal realizado por ele’. (Lucas 23:8) Mas Jesus não satisfaz a curiosidade de Herodes. Na verdade, Jesus não diz nenhuma palavra enquanto é interrogado por ele. Desapontado, Herodes e seus soldados tratam Jesus “com desprezo”. (Lucas 23:11) Eles o vestem com uma roupa esplêndida e zombam dele. Então Herodes envia Jesus de volta para Pilatos. Herodes e Pilatos são inimigos, mas agora se tornam bons amigos.

      Quando Jesus retorna, Pilatos reúne os principais sacerdotes, os líderes judeus e o povo, e diz: “Eu o interroguei na frente de vocês, mas não achei neste homem base para as acusações que vocês levantam contra ele. De fato, nem Herodes achou, pois o mandou de volta para nós. Como podem ver, ele não fez nada que mereça a morte. Portanto, eu o castigarei e o soltarei.” — Lucas 23:14-16.

      Pilatos está ansioso para libertar Jesus, pois percebe que os sacerdotes o entregaram por inveja. Enquanto Pilatos tenta libertá-lo, surge mais um motivo para ele fazer isso. Quando está no tribunal, Pilatos recebe uma mensagem de sua esposa: “Não tenha nada a ver com esse homem justo, pois hoje eu sofri muito, num sonho [pelo visto de origem divina], por causa dele.” — Mateus 27:19.

      Pilatos devia libertar esse homem inocente. Será que ele vai conseguir fazer isso?

      • Como Jesus explica a “verdade” sobre ele ser rei?

      • A que conclusão Pilatos chega com respeito a Jesus? Qual é a reação do povo, e o que Pilatos faz?

      • Por que Herodes Antipas fica contente de ver Jesus, e o que ele faz com Jesus?

      • Por que Pilatos quer libertar Jesus?

  • Pilatos declara: “Eis o homem!”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus, usando uma coroa de espinhos e vestido de púrpura, é levado para fora por Pilatos

      CAPÍTULO 129

      Pilatos declara: “Eis o homem!”

      MATEUS 27:15-17, 20-30 MARCOS 15:6-19 LUCAS 23:18-25 JOÃO 18:39–19:5

      • PILATOS TENTA LIBERTAR JESUS

      • OS JUDEUS PEDEM QUE BARRABÁS SEJA SOLTO

      • ZOMBAM DE JESUS E O MALTRATAM

      A multidão quer ver Jesus morto. Pilatos disse a eles: “Eu . . . não achei neste homem base para as acusações que vocês levantam contra ele. De fato, nem Herodes achou.” (Lucas 23:14, 15) Agora, tentando salvar Jesus, Pilatos usa outra abordagem, dizendo ao povo: “Vocês têm o costume de que eu liberte um homem por ocasião da Páscoa. Portanto, querem que eu solte o Rei dos judeus?” — João 18:39.

      Pilatos sabe de um prisioneiro chamado Barrabás, que é conhecido por roubo, sedição e assassinato. Por isso, Pilatos pergunta: “Qual deles vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus, o chamado Cristo?” Por terem sido incitados pelos principais sacerdotes, o povo pede que Barrabás seja libertado, não Jesus. Pilatos pergunta novamente: “Qual dos dois vocês querem que eu solte?” A multidão grita: “Barrabás!” — Mateus 27:17, 21.

      Desapontado, Pilatos pergunta: “O que, então, devo fazer com Jesus, o chamado Cristo?” O povo grita: “Para a estaca com ele!” (Mateus 27:22) Para a vergonha do povo, eles exigem a morte de um inocente. Pilatos faz um apelo: “Por quê? O que este homem fez de mau? Não achei nele nada que mereça a morte. Portanto, eu o castigarei e o soltarei.” — Lucas 23:22.

      Apesar dos repetidos esforços de Pilatos, a multidão enfurecida grita numa só voz: “Para a estaca com ele!” (Mateus 27:23) Os líderes religiosos incitaram a multidão a ponto de eles quererem sangue. E não é o sangue de um criminoso, um assassino, mas de um homem inocente que cinco dias antes foi recebido em Jerusalém como rei. Caso os discípulos de Jesus estejam ali, ficam calados e não se manifestam.

      Pilatos vê que seus apelos não estão adiantando nada e que o alvoroço está aumentando. Por isso, pega um pouco de água e lava as mãos diante da multidão. Ele diz: “Eu sou inocente do sangue deste homem. Isso é com vocês.” Nem assim a multidão volta atrás. Em vez disso, dizem: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos.” — Mateus 27:24, 25.

      Mais para satisfazer a multidão do que para fazer o que sabe ser certo, Pilatos cumpre a exigência deles: liberta Barrabás. Manda tirar as roupas de Jesus e ordena que ele seja açoitado.

      Depois desse espancamento cruel, os soldados levam Jesus ao palácio do governador. O grupo de soldados maltrata ainda mais Jesus. Eles fazem uma coroa de espinhos e a afundam na sua cabeça. Também colocam uma cana na mão direita de Jesus e um manto escarlate sobre ele, como o usado pela realeza. Zombando de Jesus, dizem: “Salve, Rei dos judeus!” (Mateus 27:28, 29) Além disso, cospem em Jesus e ficam batendo em seu rosto. Pegam a cana que estava com ele e batem na sua cabeça, afundando ainda mais na sua pele os espinhos da sua humilhante “coroa”.

      A notável dignidade e força de Jesus diante de tudo isso impressionam tanto a Pilatos que ele tenta mais uma vez se isentar dessa responsabilidade: “Escutem! Vou trazê-lo para fora a vocês, para que saibam que não vejo motivo para acusá-lo.” Será que Pilatos pensa que as multidões mudariam de ideia ao ver Jesus machucado e ensanguentado? Quando Jesus fica de pé diante da turba insensível, Pilatos diz: “Eis o homem!” — João 19:4, 5.

      Embora espancado e machucado, de modo silencioso e calmo Jesus mantém a dignidade. Pilatos talvez reconheça isso, pois suas palavras parecem ser um misto de pena e respeito.

      AÇOITAMENTO

      Um chicote para bater

      Na revista The Journal of the American Medical Association, o Dr. William Edwards descreve como os romanos açoitavam as pessoas.

      Ele diz: “O instrumento normalmente usado era um chicote curto (flagrum ou flagellum) com várias tiras de couro, simples ou trançadas, de diversos comprimentos, nas quais pequenas bolas de ferro ou afiadas lascas de ossos de ovelha eram amarradas em intervalos. . . . À medida que os soldados romanos batiam nas costas da vítima com toda a força, as bolas de ferro causavam profundos hematomas, e as tiras e os ossos de ovelha cortavam os tecidos cutâneos e subcutâneos. Assim, ao passo que o açoitamento prosseguia, os ferimentos dilaceravam os músculos mais próximos do esqueleto e produziam tiras de carne viva que ficavam tremendo.”

      • Como Pilatos tenta libertar Jesus e assim se isentar da responsabilidade?

      • Como é um açoitamento?

      • Depois de ser açoitado, que outros maus-tratos Jesus sofre?

  • Jesus é entregue para ser morto
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus tem dificuldade para carregar a estaca, e um soldado manda Simão de Cirene carregar a estaca para Jesus

      CAPÍTULO 130

      Jesus é entregue para ser morto

      MATEUS 27:31, 32 MARCOS 15:20, 21 LUCAS 23:24-31 JOÃO 19:6-17

      • PILATOS TENTA LIBERTAR JESUS

      • JESUS É CONDENADO E LEVADO PARA SER MORTO

      Apesar de Jesus ter sido cruelmente maltratado e ridicularizado, os esforços de Pilatos de libertá-lo não têm efeito nos principais sacerdotes e seus cúmplices. Eles não querem que nada os impeça de matar Jesus. Continuam gritando: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” Pilatos responde: “Levem-no vocês mesmos e executem-no, pois eu não vejo nenhum motivo para acusá-lo.” — João 19:6.

      Os judeus não convencem Pilatos de que Jesus cometeu um crime contra o governo que mereça a morte. Mas que dizer de um crime religioso? Eles recorrem à acusação de blasfêmia, feita contra Jesus no julgamento diante do Sinédrio. Dizem: “Nós temos uma lei, e é segundo a lei que ele deve morrer, porque se fez filho de Deus.” (João 19:7) Para Pilatos, essa acusação é nova.

      Ele volta para seu palácio e tenta encontrar uma maneira de libertar esse homem que já suportou terríveis maus-tratos e sobre o qual a própria esposa de Pilatos teve um sonho. (Mateus 27:19) Que tipo de acusação é essa que os judeus estão fazendo, de que o prisioneiro é “filho de Deus”? Pilatos sabe que Jesus é da Galileia. (Lucas 23:5-7) Mesmo assim, pergunta a Jesus: “De onde você é?” (João 19:9) Pode ser que Pilatos esteja se perguntando se Jesus viveu antes e, de alguma forma, é de origem divina.

      Pilatos ouviu Jesus dizer que é rei de um Reino que não faz parte deste mundo. Como não precisa acrescentar mais nada, Jesus fica em silêncio. Isso fere o orgulho de Pilatos. Inconformado, ele pergunta a Jesus: “Você está se recusando a falar comigo? Não sabe que tenho autoridade para libertá-lo e que tenho autoridade para executá-lo?” — João 19:10.

      Jesus simplesmente diz: “O senhor não teria absolutamente nenhuma autoridade sobre mim se não lhe tivesse sido concedida de cima. É por isso que o homem que me entregou ao senhor tem maior pecado.” (João 19:11) É provável que Jesus não esteja se referindo a uma pessoa específica. Em vez disso, ele quer dizer que Caifás, seus cúmplices e Judas Iscariotes têm uma responsabilidade maior do que Pilatos.

      Impressionado com as palavras e o comportamento de Jesus, e cada vez mais receoso de que ele seja de origem divina, Pilatos novamente tenta libertá-lo. No entanto, os judeus mencionam mais uma coisa que talvez preocupe Pilatos. Eles ameaçam: “Se o senhor libertar esse homem, não é amigo de César. Todo aquele que se faz rei fala contra César.” — João 19:12.

      De novo, o governador leva Jesus para fora e, sentando-se no tribunal, diz ao povo: “Eis o seu rei!” Mas os judeus não desistem. Gritam: “Mate-o! Mate-o! Para a estaca com ele!” Pilatos faz um apelo: “Devo executar o seu rei?” Há muito tempo que os judeus estão revoltados com o governo romano. Apesar disso, os principais sacerdotes afirmam: “Não temos rei senão César.” — João 19:14, 15.

      Sem coragem de contrariar as persistentes exigências da multidão, Pilatos cede e entrega Jesus para a execução. Os soldados tiram de Jesus o manto escarlate e colocam de volta nele as suas roupas. Ele é levado embora e obrigado a carregar sua estaca de tortura.

      Já é quase meio-dia de sexta-feira, 14 de nisã. Jesus está acordado desde quinta-feira bem cedo e sofreu dolorosos maus-tratos. Ele luta para aguentar o peso da estaca, mas suas forças se esgotam. Por isso, os soldados fazem com que um homem que passa por ali, chamado Simão, de Cirene, na África, carregue a estaca até o local de execução. Muitas pessoas seguem Jesus, algumas batem no peito de pesar e lamentam o que está acontecendo.

      Jesus diz às mulheres que estão chorando: “Filhas de Jerusalém, parem de chorar por mim. Em vez disso, chorem por vocês mesmas e pelos seus filhos; pois saibam que virão dias em que as pessoas dirão: ‘Felizes as mulheres estéreis, os ventres que não deram à luz e os peitos que não amamentaram!’ Então começarão a dizer às montanhas: ‘Caiam sobre nós!’ e às colinas: ‘Cubram-nos!’ Se eles fazem isso quando a árvore está verde, o que ocorrerá quando estiver seca?” — Lucas 23:28-31.

      Jesus está se referindo à nação judaica. Ela é como uma árvore que está morrendo, mas que ainda está “verde”, ou tem alguma seiva, pois Jesus ainda está presente e alguns judeus depositam fé nele. Quando esses forem tirados da nação, só sobrará uma nação espiritualmente seca, como uma árvore morta. Haverá muito lamento quando os exércitos romanos forem usados por Deus para executar essa nação.

      • Que acusação os líderes religiosos fazem contra Jesus?

      • Por que Pilatos fica receoso?

      • Como os principais sacerdotes convencem Pilatos a executar Jesus?

      • O que Jesus quer dizer ao falar de uma árvore que está “verde” e depois “seca”?

  • Um rei inocente sofre na estaca
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus promete ao criminoso ao lado dele: “Você estará comigo no Paraíso”

      CAPÍTULO 131

      Um rei inocente sofre na estaca

      MATEUS 27:33-44 MARCOS 15:22-32 LUCAS 23:32-43 JOÃO 19:17-24

      • JESUS É PREGADO NUMA ESTACA DE TORTURA

      • INSCRIÇÃO NA ESTACA CAUSA ZOMBARIA

      • JESUS DÁ ESPERANÇA DE VIDA NO PARAÍSO NA TERRA

      Jesus e os dois ladrões são levados a um lugar perto da cidade onde serão executados. O lugar se chama Gólgota, ou Lugar da Caveira, e é visível a “certa distância”. — Marcos 15:40.

      As roupas dos três condenados são tiradas. Então oferecem a eles vinho misturado com mirra e fel. Parece que essa mistura, um tipo de droga para aliviar a dor, é preparada por mulheres de Jerusalém. Os romanos não proíbem que essa bebida seja dada aos prisioneiros que estão para ser executados. Mas, depois de prová-la, Jesus se recusa a beber. Por quê? Ele quer ter total controle dos seus sentidos durante esse grande teste; quer estar consciente e ser fiel até a morte.

      Jesus é deitado sobre a estaca. (Marcos 15:25) Os soldados cravam pregos nas mãos e nos pés dele, perfurando a pele e os ligamentos, causando dor intensa. Quando a estaca é levantada, a dor causada pelo peso do seu corpo rasgando as feridas é insuportável. Mesmo assim, Jesus não repreende os soldados. Ele ora: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.” — Lucas 23:34.

      Os romanos costumam colocar uma inscrição com o crime cometido pelo condenado. A fim de que todos possam ler, Pilatos manda escrever em hebraico, latim e grego: “Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus”. Essa ação de Pilatos mostra seu desprezo pelos judeus que insistiram que Jesus fosse morto. Irritados, os principais sacerdotes reclamam: “Não escreva: ‘O Rei dos judeus’, mas sim que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus.’” Mas Pilatos não quer ser usado por eles novamente, por isso diz: “O que escrevi, escrevi.” — João 19:19-22.

      Furiosos, os sacerdotes repetem o falso testemunho que deram nos julgamentos diante do Sinédrio. Como era de esperar, os que passam por ali balançam a cabeça em sinal de zombaria e insultam a Jesus, dizendo: “Ah! você que ia derrubar o templo e construí-lo em três dias, salve a si mesmo, descendo da estaca.” Também, os principais sacerdotes e os escribas dizem uns aos outros: “Que o Cristo, o Rei de Israel, desça agora da estaca, para que vejamos e possamos crer.” (Marcos 15:29-32) Até os ladrões à esquerda e à direita de Jesus o censuram, embora ele seja o único realmente inocente.

      Quatro soldados romanos também zombam de Jesus. Talvez eles estejam bebendo vinho acre e, para se divertir às custas de Jesus, pode ser que coloquem um pouco da bebida diante dele, que obviamente não pode alcançá-la. Referindo-se à inscrição acima da cabeça de Jesus, os romanos dizem de forma provocativa: “Se você é o Rei dos judeus, salve a si mesmo.” (Lucas 23:36, 37) Imagine só! O homem que provou ser o caminho, a verdade e a vida agora está sofrendo maus-tratos e zombaria, tudo sem merecer. Mas, com forte determinação, ele enfrenta tudo isso sem censurar os judeus que estão presentes, os soldados que estão zombando dele e os dois criminosos que estão pendurados em estacas ao seu lado.

      Soldados jogam sortes pela roupa de Jesus

      Quatro soldados pegam as roupas de Jesus e as dividem em quatro partes, lançando sortes para ver quem fica com cada parte. Mas a túnica de Jesus é de boa qualidade, ‘não tem costura, pois é tecida de alto a baixo’. Os soldados dizem: “Não vamos rasgá-la, mas vamos lançar sortes para decidir de quem será.” Assim, cumprem a passagem das Escrituras que diz: “Repartiram entre si as minhas roupas e lançaram sortes sobre a minha vestimenta.” — João 19:23, 24; Salmo 22:18.

      Com o tempo, um dos criminosos percebe que Jesus deve mesmo ser um rei. Ele repreende o outro: “Você não tem nenhum temor de Deus, agora que recebeu o mesmo julgamento? E no nosso caso isso é justo, pois estamos recebendo o que merecemos pelas coisas que fizemos. Mas este homem não fez nada errado.” Então suplica a Jesus: “Lembre-se de mim quando entrar no seu Reino.” — Lucas 23:40-42.

      Jesus responde: “Em verdade, eu lhe digo hoje: Você estará comigo”, não no Reino, mas “no Paraíso”. (Lucas 23:43) Essa promessa é diferente da que Jesus fez a seus apóstolos, de que eles reinariam junto com ele no Reino. (Mateus 19:28; Lucas 22:29, 30) Mas talvez esse criminoso judeu tenha ouvido falar do Paraíso terrestre que Jeová deu para Adão e Eva e seus descendentes morarem. Agora, prestes a morrer, o ladrão tem essa esperança diante de si.

      • Por que Jesus se recusa a beber o vinho que lhe é oferecido?

      • Que inscrição é colocada na estaca de Jesus? E como os judeus reagem a isso?

      • Como o que é feito com as roupas de Jesus cumpre uma profecia?

      • Que esperança Jesus apresenta a um dos criminosos?

  • “Certamente este homem era o Filho de Deus”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Depois de Jesus morrer na estaca ao lado de dois criminosos, um oficial do exército diz: “Certamente este homem era o Filho de Deus”

      CAPÍTULO 132

      “Certamente este homem era o Filho de Deus”

      MATEUS 27:45-56 MARCOS 15:33-41 LUCAS 23:44-49 JOÃO 19:25-30

      • JESUS MORRE NA ESTACA

      • OCORREM COISAS EXTRAORDINÁRIAS NA MORTE DE JESUS

      Agora é “a sexta hora”, ou meio-dia. Uma estranha escuridão cai “sobre toda aquela terra, até a nona hora”, ou as três horas da tarde. (Marcos 15:33) Essa misteriosa escuridão não é causada por um eclipse solar. Esses eclipses ocorrem na lua nova, mas estamos na lua cheia, visto que é a época da Páscoa. E essa escuridão dura bem mais do que os minutos de um eclipse. Sem dúvida, ela é causada por Deus.

      Imagine o efeito que isso deve ter nos que estão zombando de Jesus. Durante a escuridão, quatro mulheres se aproximam da estaca de tortura. Elas são a mãe de Jesus e também Salomé, Maria Madalena e Maria, mãe do apóstolo Tiago, o Menor.

      O apóstolo João está com a mãe de Jesus “junto à estaca”. Maria está triste, pois vê a agonia do filho que ela deu à luz e criou. Para ela, é como se “uma longa espada” a atravessasse. (João 19:25; Lucas 2:35) Mas apesar de sentir uma dor imensa, Jesus se preocupa com o bem-estar dela. Com esforço, ele acena com a cabeça para João e diz à sua mãe: “Este é o seu filho!” E, acenando para Maria, diz a João: “Esta é a sua mãe!” — João 19:26, 27.

      Jesus deixa sua mãe, que pelo visto é viúva, aos cuidados do apóstolo a quem ele ama especialmente. Jesus sabe que seus meios-irmãos, os outros filhos de Maria, ainda não têm fé nele. Assim, providencia que alguém cuide dela não só em sentido físico, mas também em sentido espiritual. Que excelente exemplo!

      Quando a escuridão termina, Jesus diz: “Estou com sede.” Com isso, ele cumpre as Escrituras. (João 19:28; Salmo 22:15) Ele sente que seu Pai como que tirou sua proteção, de modo que a integridade de seu Filho possa ser testada até o limite. Cristo clama, talvez num dialeto galileu do aramaico: “Eli, Eli, lama sabactâni?”, que significa “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Alguns não entendem muito bem o que ele diz e exclamam: “Vejam! Ele está chamando Elias.” Um deles corre, molha uma esponja em vinho acre, coloca-a na ponta de uma cana e dá para ele beber. Mas outros dizem: “Deixem-no! Vamos ver se Elias vem tirá-lo dali.” — Marcos 15:34-36.

      Então Jesus clama: “Está consumado!” (João 19:30) Sim, ele conseguiu realizar tudo o que seu Pai o enviou para fazer na Terra. Por fim, Jesus diz: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” (Lucas 23:46) Assim, Jesus confia a Jeová sua força de vida, certo de que Deus a dará a ele novamente. Com total confiança em Deus, Cristo inclina a cabeça e morre.

      Naquele momento, acontece um violento terremoto, que parte as rochas. É tão forte que os túmulos nos arredores de Jerusalém se abrem e os corpos são jogados para fora. Pessoas que veem os cadáveres expostos entram na “cidade santa” e relatam o que acabam de presenciar. — Mateus 12:11; 27:51-53.

      Quando Jesus morre, a longa e pesada cortina que separa o Santo do Santíssimo no templo de Deus se rasga em duas, de alto a baixo. Esse evento espantoso é uma demonstração da ira de Deus contra os que mataram seu Filho e significa que agora é possível entrar no Santíssimo, ou no próprio céu. — Hebreus 9:2, 3; 10:19, 20.

      É compreensível que as pessoas fiquem apavoradas. O oficial do exército responsável pela execução declara: “Certamente este homem era o Filho de Deus.” (Marcos 15:39) Talvez ele tenha estado no julgamento de Jesus perante Pilatos, quando foi questionado se Jesus era filho de Deus. Agora ele está convencido de que Jesus é justo e que é mesmo o Filho de Deus.

      Outros, impressionados com esses acontecimentos extraordinários, voltam para casa “batendo no peito”, demonstrando seu grande pesar e vergonha. (Lucas 23:48) Alguns observam à distância, como as mulheres que seguiam Jesus e às vezes o acompanhavam em suas viagens. Elas também estão muito abaladas com todos esses acontecimentos marcantes.

      “PARA A ESTACA”

      Os inimigos de Jesus gritam: “Para a estaca com ele!” (João 19:15) A palavra grega para “estaca” usada nos Evangelhos é staurós. O livro History of the Cross (História da Cruz) diz: “Staurós significa ‘um poste reto’ e nada mais é do que uma estaca forte, como as que os lavradores fincam na terra para fazer uma cerca ou uma paliçada.”

      • Por que as três horas de escuridão não podem ter sido causadas por um eclipse solar?

      • Que excelente exemplo Jesus dá quanto a cuidar de pais idosos?

      • Que estragos são causados pelo terremoto? E o que significa a cortina do templo ser rasgada em duas?

      • Que efeito a morte de Jesus e os acontecimentos relacionados com ela têm sobre as pessoas presentes?

  • O corpo de Jesus é preparado e sepultado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Corpo de Jesus sendo preparado para ser sepultado

      CAPÍTULO 133

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