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  • Humildade na última Páscoa
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 113

      Humildade na última Páscoa

      PEDRO e João, orientados por Jesus, já chegaram a Jerusalém para fazer os preparativos para a Páscoa. Aparentemente acompanhado dos outros dez apóstolos, Jesus chega no fim da tarde. O sol está mergulhando no horizonte à medida que Jesus e seu grupo descem o monte das Oliveiras e cruzam o vale do Cédron. Essa é a última vez que Jesus vê a cidade à luz do dia, até depois de sua ressurreição.

      Jesus e seu grupo logo chegam à cidade e se dirigem à casa em que celebrarão a Páscoa. Sobem a escada até a grande sala de sobrado, onde acham tudo preparado para sua celebração particular da Páscoa. Jesus está ansioso por tal ocasião, como diz: “Desejei muito comer esta páscoa convosco antes de eu sofrer.”

      Tradicionalmente, os celebrantes da Páscoa se servem de quatro copos de vinho. Depois de participar naquele que pelo visto é o terceiro copo, Jesus dá graças e diz: “Tomai isto e passai-o de um para outro entre vós; pois, eu vos digo: Doravante não beberei mais do produto da videira até que chegue o reino de Deus.”

      Em algum momento durante a refeição, Jesus levanta-se, põe de lado sua roupagem exterior, toma uma toalha e enche de água uma bacia. Comumente, o anfitrião cuidaria de que os pés dos convidados fossem lavados. Mas, visto que nessa ocasião não há anfitrião, Jesus cuida desse serviço pessoal. Qualquer um dos apóstolos podia ter aproveitado a oportunidade para fazer isso; contudo, ninguém o faz, evidentemente devido a ainda haver rivalidade entre eles. Ficam embaraçados quando Jesus começa a lavar os pés deles.

      Quando Jesus chega a Pedro, ele protesta: “Certamente nunca lavarás os meus pés.”

      “A menos que eu te lave, não tens parte comigo”, diz Jesus.

      “Senhor”, responde Pedro, “não só os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça”.

      “Quem se banhou”, diz Jesus, “não precisa lavar senão os seus pés, mas está inteiramente limpo. E vós estais limpos, mas não todos”. Ele faz esse comentário porque sabe que Judas Iscariotes planeja traí-lo.

      Ao terminar de lavar os pés de todos os 12, até mesmo os de Judas, seu traidor, Jesus veste suas vestes exteriores e reclina-se novamente à mesa. Daí, pergunta: “Sabeis o que vos tenho feito? Vós me chamais de ‘Instrutor’ e ‘Senhor’, e falais corretamente, pois eu o sou. Portanto, se eu, embora Senhor e Instrutor, lavei os vossos pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros. Pois estabeleci o modelo para vós, a fim de que, assim como eu vos fiz, vós também façais. Digo-vos em toda a verdade: O escravo não é maior do que o seu amo, nem é o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, felizes sois se as fizerdes.”

      Que maravilhosa lição de serviço humilde! Os apóstolos não devem estar procurando o primeiro lugar, considerando-se tão importantes que os outros devessem sempre servi-los. Precisam seguir o modelo estabelecido por Jesus. Esse não é um ritual de lava-pés. Antes, é modelo de prontidão em servir sem parcialidade, independentemente de quão servil ou desagradável talvez seja a tarefa. Mateus 26:20, 21; Marcos 14:17, 18; Lucas 22:14-18; 7:44; João 13:1-17.

      ▪ O que é ímpar na vista que Jesus tem de Jerusalém ao entrar na cidade para celebrar a Páscoa?

      ▪ Durante a Páscoa, pelo visto que copo passa Jesus aos 12 apóstolos depois de proferir uma bênção?

      ▪ Quando Jesus estava na Terra, que serviço pessoal se costumava prestar a convidados, e por que não se fez essa provisão durante a Páscoa celebrada por Jesus e pelos apóstolos?

      ▪ Qual era o objetivo de Jesus ao executar a tarefa servil de lavar os pés dos apóstolos?

  • A Ceia da Comemoração
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 114

      A Ceia da Comemoração

      DEPOIS de lavar os pés dos apóstolos, Jesus cita o Salmo 41:9, dizendo: “Aquele que costumava alimentar-se do meu pão ergueu o seu calcanhar contra mim.” Então, ficando aflito em espírito, ele explica: “Um de vós me trairá.”

      Os apóstolos começam a ficar contristados e a dizer um por um a Jesus: “Não sou por acaso eu?” Até mesmo Judas Iscariotes faz essa pergunta. João, que está recostado junto de Jesus, à mesa, encosta-se no peito de Jesus e pergunta: “Senhor, quem é?”

      “É um dos doze, aquele que mete comigo a mão no prato fundo comum”, responde Jesus. “É verdade, o Filho do homem vai embora, assim como está escrito a respeito dele, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem está sendo traído! Teria sido melhor para este homem, se não tivesse nascido.” Depois disso, Satanás entra novamente em Judas, aproveitando-se da brecha em seu coração, que se tornou iníquo. Mais tarde naquela noite, Jesus apropriadamente chama Judas de “o filho da destruição”.

      Jesus diz então a Judas: “O que fazes, faze-o mais depressa.” Nenhum dos outros apóstolos entende o que Jesus quer dizer. Visto que Judas cuida da caixa de dinheiro, alguns imaginam que Jesus lhe está dizendo: “Compra as coisas que necessitamos para a festividade”, ou que ele deve ir e dar algo aos pobres.

      Depois de Judas sair, Jesus institui uma celebração, oucomemoração, inteiramente nova, com seus apóstolos fiéis. Toma um pão, profere uma oração de agradecimentos, parte o pão e dá-o aos apóstolos, dizendo: “Tomai, comei.” Ele explica: “Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.”

      Depois de todos comerem do pão, Jesus toma um copo de vinho, provavelmente o quarto copo usado no serviço pascoal. Profere também uma oração de agradecimentos sobre o copo, passa-o aos apóstolos, pede que eles bebam dele e diz: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.”

      Portanto, isso é na realidade uma comemoração da morte de Jesus. Todo ano, em 14 de nisã, ela deve ser repetida, como diz Jesus, em memória dele. Ela traz à lembrança dos celebrantes o que Jesus e seu Pai celestial fizeram para proporcionar à humanidade uma saída da condenação à morte. Para os judeus que se tornam seguidores de Cristo, a celebração substitui a Páscoa.

      O novo pacto, que entra em operação por meio do sangue derramado de Jesus, substitui o antigo pacto da Lei. É mediado por Jesus Cristo entre duas partes — de um lado, Jeová Deus, e do outro, os 144 mil cristãos gerados pelo espírito. Além de fazer provisão para o perdão de pecados, o pacto permite a formação duma nação celestial de reis-sacerdotes. Mateus 26:21-29; Marcos 14:18-25; Lucas 22:19-23; João 13:18-30; 17:12; 1 Coríntios 5:7.

      ▪ Que profecia da Bíblia Jesus cita com respeito a um dos seus companheiros, e que aplicação faz dela?

      ▪ Por que os apóstolos ficam profundamente contristados, e o que cada um deles pergunta?

      ▪ O que manda Jesus que Judas faça, mas como os outros apóstolos interpretam essas instruções?

      ▪ Que celebração institui Jesus depois que Judas sai, e qual é a sua finalidade?

      ▪ Quais são as partes do novo pacto, e o que o pacto realiza?

  • Irrompe uma discussão
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 115

      Irrompe uma discussão

      CEDO naquela noite, Jesus ensinou uma bela lição de serviço humilde, lavando os pés dos apóstolos. Em seguida, instituiu a Comemoração de sua iminente morte. Após isso, ocorre um incidente inesperado, especialmente em vista do que acabou de acontecer. Os apóstolos envolvem-se numa acalorada discussão sobre qual deles parece ser o maior! Aparentemente, isso é parte duma antiga disputa.

      Lembre-se de que, após a transfiguração de Jesus no monte, os apóstolos discutiram sobre qual dentre eles era o maior. Ademais, Tiago e João pediram posições de destaque no Reino, o que resultou em mais discórdia entre os apóstolos. Agora, em sua última noite na companhia deles, quão entristecido deve estar Jesus de vê-los brigando outra vez! O que faz ele?

      Ao invés de ralhar com os apóstolos por seu comportamento, Jesus pacientemente raciocina outra vez com eles: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas são chamados de Benfeitores. Vós, porém, não deveis ser assim. . . . Pois, quem é maior, aquele que se recosta à mesa ou aquele que ministra? Não é aquele que se recosta à mesa?” Daí, relembrando-lhes o seu próprio exemplo, ele diz: “Mas eu estou no vosso meio como quem ministra.”

      Apesar de imperfeitos, os apóstolos ficaram com Jesus nas suas provações. Por isso, ele lhes diz: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino.” Esse pacto pessoal entre Jesus e seus seguidores leais une-os a ele a fim de participarem no seu domínio real. Só um número limitado de 144 mil é, por fim, aceito nesse pacto para um Reino.

      Embora se apresente aos apóstolos essa maravilhosa perspectiva de participar com Cristo no governo do Reino, no momento eles estão espiritualmente fracos. “Esta noite, todos vós tropeçareis em conexão comigo”, diz Jesus. No entanto, contando a Pedro que tinha orado em seu benefício, Jesus insta-lhe: “Uma vez que tiveres voltado, fortalece os teus irmãos.”

      “Filhinhos”, explica Jesus, “estou convosco mais um pouco. Procurar-me-eis; e, assim como eu disse aos judeus: ‘Para onde eu vou, não podeis ir’, digo também a vós atualmente. Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”

      “Senhor, para onde vais?”, pergunta Pedro.

      “Para onde eu vou, não podes seguir-me agora”, responde Jesus, “mas, seguir-me-ás depois”.

      “Senhor, por que é que não te posso seguir atualmente?”, indaga Pedro. “Entregarei a minha alma em benefício de ti.”

      “Entregarás a tua alma em meu benefício?”, pergunta Jesus. “Deveras, eu te digo: Hoje, sim, esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, até mesmo tu me terás repudiado três vezes.”

      “Mesmo que eu tenha de morrer contigo”, replica Pedro, “de modo algum te repudiarei”. E enquanto os outros apóstolos dizem a mesma coisa, Pedro se jacta: “Ainda que todos os outros tropecem em conexão contigo, eu nunca tropeçarei!”

      Referindo-se à ocasião em que enviou os apóstolos numa viagem de pregação na Galileia, sem bolsa e sem alforje, Jesus pergunta: “Carecestes porventura de alguma coisa?”

      “Não!”, respondem eles.

      “Mas agora, quem tiver bolsa, apanhe-a, e assim também um alforje”, diz ele, “e quem não tiver espada, venda a sua roupa exterior e compre uma. Pois eu vos digo que se tem de efetuar em mim o que foi escrito, a saber: ‘E ele foi contado com os que são contra a lei.’ Porque aquilo que se refere a mim está sendo efetuado.”

      Jesus está apontando para a ocasião em que será pregado numa estaca junto com malfeitores, ou os que são contra a lei. Está indicando também que, depois disso, seus seguidores enfrentarão severa perseguição. “Senhor, eis aqui duas espadas”, dizem eles.

      “Basta”, responde Jesus. Como veremos, o fato de eles portarem espadas permitirá que Jesus, em breve, lhes ensine outra importante lição. Mateus 26:31-35; Marcos 14:27-31; Lucas 22:24-38; João 13:31-38; Revelação (Apocalipse) 14:1-3.

      ▪ Por que é tão inesperada a discussão dos apóstolos?

      ▪ Como lida Jesus com a discussão?

      ▪ O que se realiza pelo pacto que Jesus faz com seus discípulos?

      ▪ Que novo mandamento dá Jesus, e quão importante é?

      ▪ Em que demonstra Pedro excessiva confiança, e o que diz Jesus?

      ▪ Por que as instruções de Jesus acerca de levar uma bolsa e um alforje são diferentes das que ele deu antes?

  • Jesus prepara os apóstolos para sua partida
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 116

      Jesus prepara os apóstolos para sua partida

      A CEIA da comemoração já acabou, mas Jesus e seus apóstolos ainda estão na sala de sobrado. Embora esteja prestes a partir, Jesus ainda tem muitas coisas para dizer. “Não se aflijam os vossos corações”, consola-os ele. “Exercei fé em Deus.” Mas acrescenta: “Exercei fé também em mim.”

      “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, continua Jesus. “Vou embora para vos preparar um lugar . . . para que, onde eu estiver, vós também estejais. E sabeis o caminho para onde vou.” Os apóstolos não compreendem que Jesus está falando sobre ir para o céu, por isso Tomé pergunta: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como sabemos o caminho?”

      “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, responde Jesus. Sim, somente por aceitar a Jesus e imitar o seu proceder na vida é que alguém pode entrar na casa celestial do Pai, porque, conforme Jesus diz: “Ninguém vem ao Pai senão por mim.”

      “Senhor, mostra-nos o Pai”, pede Filipe, “e isso chega para nós”. Parece que Filipe quer que Jesus providencie uma manifestação visível de Deus, como as que foram dadas, no passado, a Moisés, a Elias e a Isaías em visões. Mas, realmente, os apóstolos têm algo muito melhor do que visões daquele tipo, conforme Jesus diz: “Tenho estado tanto tempo convosco e ainda não vieste a conhecer-me, Filipe? Quem me tem visto, tem visto também o Pai.”

      Jesus reflete com tanta perfeição a personalidade de seu Pai que conviver com ele e observá-lo equivale, com efeito, a realmente ver o Pai. Contudo, o Pai é superior ao Filho, como Jesus reconhece: “As coisas que vos digo não falo da minha própria iniciativa.” Jesus apropriadamente atribui todo o crédito de seus ensinamentos a seu Pai celestial.

      Quão encorajador deve ser para os apóstolos ouvir Jesus dizer-lhes agora: “Quem exercer fé em mim, esse fará também as obras que eu faço; e ele fará obras maiores do que estas”! Jesus não está dizendo que seus seguidores terão poderes milagrosos maiores do que os dele. Antes, quer dizer que eles efetuarão o ministério por um período muito mais longo, num território muito mais amplo e para muito mais pessoas.

      Jesus não abandonará seus discípulos depois de partir. “O que for que pedirdes em meu nome”, promete ele, “eu farei isso”. Ele diz também: “Solicitarei ao Pai e ele vos dará outro ajudador para estar convosco para sempre, o espírito da verdade.” Mais tarde, após ascender ao céu, Jesus derrama espírito santo, esse outro ajudador, sobre seus discípulos.

      A partida de Jesus está próxima, conforme ele diz: “Mais um pouco e o mundo não me observará mais.” Jesus será uma criatura espiritual que nenhum humano conseguirá ver. Mas promete outra vez a seus apóstolos fiéis: “Vós me observareis, porque eu vivo e vós vivereis.” Sim, Jesus não apenas irá aparecer-lhes em forma humana após ser ressuscitado, mas, no tempo devido, os ressuscitará para viverem com ele no céu, quais criaturas espirituais.

      Jesus declara, agora, a regra simples: “Quem tem os meus mandamentos e os observa, este é o que me ama. Por sua vez, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me mostrarei claramente a ele.”

      Nesse ponto, o apóstolo Judas, aquele que é também chamado Tadeu, interrompe: “Senhor, o que tem acontecido que pretendes mostrar-te claramente a nós e não ao mundo?”

      “Se alguém me amar”, responde Jesus, “observará a minha palavra, e meu Pai o amará . . . Quem não me ama, não observa as minhas palavras”. Dessemelhantemente dos obedientes seguidores de Cristo, o mundo ignora Seus ensinamentos. Portanto, ele não se revela ao mundo.

      Durante seu ministério terrestre, Jesus tem ensinado muitas coisas a seus apóstolos. Como se lembrarão de tudo, especialmente visto que, mesmo até esse momento, há tanta coisa que não conseguem entender? Felizmente, Jesus promete: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.”

      Consolando-os novamente, Jesus diz: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. . . . Não se aflijam os vossos corações.” Jesus está mesmo prestes a partir, mas explica: “Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que vou embora para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.”

      O tempo que resta para Jesus ficar com eles é curto. “Não mais falarei muito convosco”, diz ele, “pois o governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim”. Satanás, o Diabo, aquele que conseguiu entrar em Judas e dominá-lo, é o governante do mundo. Mas não há nenhuma fraqueza pecaminosa em Jesus de que Satanás possa tirar proveito para desviá-lo de servir a Deus.

      O Usufruto dum Relacionamento Íntimo

      Após a ceia da comemoração, Jesus encoraja seus apóstolos com uma palestra íntima e informal. Talvez já passe da meia-noite. Assim, Jesus insta: “Levantai-vos, vamos embora daqui.” Contudo, antes de saírem, e movido por seu amor a eles, Jesus continua a falar, apresentando-lhes uma motivadora ilustração.

      “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o lavrador”, começa ele. O Grande Lavrador, Jeová Deus, plantou essa videira simbólica ao ungir Jesus com espírito santo por ocasião de seu batismo, no outono (setentrional) de 29 EC. Mas agora Jesus passa a mostrar que a videira simboliza mais do que apenas ele mesmo, comentando: “Todo ramo em mim que não dá fruto, ele tira, e todo o que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto. . . . Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, a menos que permaneça na videira, do mesmo modo tampouco vós podeis, a menos que permaneçais em união comigo. Eu sou a videira, vós sois os ramos.”

      Em Pentecostes, 51 dias depois, os apóstolos e outros tornam-se ramos da videira quando se derrama espírito santo sobre eles. Com o tempo, 144 mil pessoas tornam-se ramos da figurativa vinha. Junto com o tronco da videira, Jesus Cristo, elas compõem a videira simbólica que produz os frutos do Reino de Deus.

      Jesus explica o segredo para a produção de frutos: “Quem permanece em união comigo, e eu em união com ele, este dá muito fruto; porque separados de mim não podeis fazer nada.” Mas se alguém deixa de produzir frutos, diz Jesus, “é lançado fora como ramo e seca-se; e homens ajuntam estes ramos e os jogam no fogo, e eles se queimam”. Por outro lado, Jesus promete: “Se permanecerdes em união comigo e as minhas declarações permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e ocorrerá para vós.”

      Adicionalmente, Jesus diz a seus apóstolos: “Nisto é glorificado o meu Pai, que persistais em dar muito fruto e vos mostreis meus discípulos.” O fruto que Deus deseja dos ramos é que manifestem qualidades semelhantes às de Cristo, especialmente o amor. Ademais, visto que Cristo era proclamador do Reino de Deus, o fruto desejado também inclui a atividade de fazer discípulos, como ele fazia.

      “Permanecei no meu amor”, insta agora Jesus. Todavia, como poderão seus apóstolos fazer isso? “Se observardes os meus mandamentos”, diz ele, “permanecereis no meu amor”. Prosseguindo, Jesus explica: “Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, que alguém entregue a sua alma a favor de seus amigos.”

      Dentro de poucas horas, Jesus demonstrará esse transcendente amor dando sua vida em benefício dos apóstolos e de todos os outros que exercerem fé nele. Seu exemplo deve induzir seus seguidores a ter o mesmo amor abnegado uns pelos outros. Esse amor os identificará, conforme Jesus disse antes: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”

      Identificando seus amigos, Jesus diz: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando. Não mais vos chamo de escravos, porque o escravo não sabe o que seu amo faz. Mas, eu vos chamei de amigos, porque todas as coisas que tenho ouvido do meu Pai vos tenho deixado saber.”

      Que precioso relacionamento — serem amigos íntimos de Jesus! Mas, para continuarem a usufruir esse relacionamento, seus seguidores têm de ‘persistir em dar fruto’. Se assim fizerem, diz Jesus, ‘não importa o que pedirem ao Pai em seu nome, Ele dará’. Certamente, essa é uma recompensa grandiosa por produzirem frutos do Reino! Depois de incentivar novamente os apóstolos a ‘se amarem uns aos outros’, Jesus explica que o mundo os odiará. Contudo, ele os consola: “Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós.” Em seguida, Jesus revela por que o mundo odeia seus seguidores, dizendo: “Porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.”

      Explicando ainda mais o motivo do ódio do mundo, Jesus continua: “Farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele [Jeová Deus] que me enviou.” As obras milagrosas de Jesus, com efeito, condenam aqueles que o odeiam, conforme ele comenta: “Se eu não tivesse feito entre eles as obras que ninguém mais fez, não teriam pecado; mas agora eles têm visto e têm odiado tanto a mim como a meu Pai.” Assim, conforme diz Jesus, cumpre-se a escritura: “Odiaram-me sem causa.”

      Como fez antes, Jesus novamente os consola, prometendo enviar o ajudador, o espírito santo, que é a poderosa força ativa de Deus. “Esse dará testemunho de mim; e vós, igualmente, haveis de dar testemunho.”

      Outras Admoestações de Despedida

      Jesus e seus apóstolos estão prestes a sair da sala de sobrado. “Tenho falado estas coisas para que não tropeceis”, prossegue ele. Daí faz uma importante advertência: “Os homens vos expulsarão da sinagoga. De fato, vem a hora em que todo aquele que vos matar imaginará que tem prestado um serviço sagrado a Deus.”

      É evidente que os apóstolos ficam profundamente perturbados com essa advertência. Embora Jesus tivesse dito anteriormente que o mundo os odiaria, ele não revelou de modo tão direto que eles seriam mortos. “Eu não vos disse [isso] no princípio”, explica Jesus, “porque eu estava convosco”. No entanto, que excelente ideia de Jesus foi preveni-los com essa informação antes de partir!

      “Mas agora”, continua Jesus, “vou para aquele que me enviou, e, ainda assim, nem um só de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’” Mais cedo nessa noite, eles perguntaram para onde ele iria, mas agora estão muito chocados com o que ele acaba de lhes dizer, de modo que não mais perguntam sobre isso. Como diz Jesus: “Porque vos falei estas coisas, vossos corações estão cheios de pesar.” Os apóstolos estão pesarosos não só por saberem que sofrerão terrível perseguição e serão mortos, mas porque seu Amo está para partir.

      Portanto, Jesus explica: “É para o vosso proveito que vou embora. Pois, se eu não for embora, de modo algum virá a vós o ajudador; mas, se eu for embora, vo-lo enviarei.” Como humano, Jesus pode estar apenas em um lugar de cada vez, mas, quando estiver no céu, ele poderá enviar o ajudador, o espírito santo de Deus, a seus seguidores onde quer que estejam na Terra. Assim, a partida de Jesus será proveitosa.

      O espírito santo, diz Jesus, “dará ao mundo evidência convincente a respeito do pecado, e a respeito da justiça, e a respeito do julgamento”. O pecado do mundo, deixar de exercer fé no Filho de Deus, será exposto. Além disso, evidência convincente da justiça de Jesus será demonstrada por sua ascensão ao Pai. E o fracasso de Satanás e do seu mundo iníquo em quebrantar a integridade de Jesus é evidência convincente de que o governante do mundo foi adversamente julgado.

      “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer”, continua Jesus, “mas não sois atualmente capazes de suportá-las”. Portanto, Jesus promete que, ao derramar o espírito santo, que é a força ativa de Deus, tal espírito os guiará a um entendimento dessas coisas conforme tiverem capacidade de compreendê-las.

      Os apóstolos não conseguem entender, em especial, que Jesus morrerá e então aparecerá a eles após ser ressuscitado. Por isso, perguntam uns aos outros: “Que significa isto que ele nos diz: ‘Dentro em pouco não me observareis, e novamente, dentro em pouco me vereis’, e, ‘porque eu vou para o Pai’?”

      Jesus percebe que eles querem indagar-lhe essas coisas, portanto explica: “Digo-vos em toda a verdade: Chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós sereis contristados, mas o vosso pesar será transformado em alegria.” Depois, nesse mesmo dia, à tarde, quando Jesus é executado, os líderes religiosos mundanos rejubilam, mas os discípulos ficam contristados. Seu pesar é transformado em alegria, porém, quando Jesus é ressuscitado! E a alegria deles continua quando ele os enche de poder, em Pentecostes, para serem suas testemunhas, derramando sobre eles o espírito santo de Deus!

      Comparando a situação dos apóstolos à de uma mulher em dores de parto, Jesus diz: “Uma mulher, quando dá à luz, tem pesar, porque chegou a sua hora.” Mas Jesus comenta que ela não mais se lembra de sua tribulação depois que o bebê nasce, e encoraja seus apóstolos, dizendo: “Vós também, deveras, tendes agora pesar; mas, hei de ver-vos novamente [quando eu for ressuscitado] e os vossos corações se alegrarão, e ninguém vos tirará a vossa alegria.”

      Até essa ocasião, os apóstolos nunca fizeram pedidos em nome de Jesus. Mas agora ele diz: “Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele vo-la dará em meu nome. . . . Pois o próprio Pai tem afeição por vós, porque tivestes afeição por mim e acreditastes que saí como representante do Pai. Saí da parte do Pai e vim ao mundo. Outrossim, deixo o mundo e vou embora para o Pai.”

      As palavras de Jesus são de grande encorajamento para os apóstolos. “Por meio disso cremos que saíste da parte de Deus”, dizem eles. “Credes atualmente?”, pergunta Jesus. “Eis que vem a hora, deveras, já veio, em que sereis espalhados cada um para a sua própria casa e me deixareis sozinho.” Por incrível que pareça, isso ocorre antes de findar essa noite!

      “Eu vos disse estas coisas para que, por meio de mim, tenhais paz.” Jesus conclui: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” Jesus venceu o mundo por fielmente cumprir a vontade de Deus, apesar de tudo o que Satanás e seu mundo tentaram fazer para quebrantar sua integridade.

      Oração Final na Sala de Sobrado

      Movido pelo profundo amor que sente por seus apóstolos, Jesus vem preparando-os para sua iminente partida. Daí, após admoestá-los e consolá-los extensamente, ele levanta os olhos aos céus e pede ao Pai: “Glorifica o teu filho, para que o teu filho te glorifique, segundo lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que, com respeito ao número inteiro dos que lhe deste, ele lhes dê vida eterna.”

      Que tema emocionante Jesus apresenta — vida eterna! Tendo recebido “autoridade sobre toda a carne”, Jesus pode conferir os benefícios de seu sacrifício resgatador a toda a humanidade morredoura. Todavia, ele concede “vida eterna” apenas àqueles a quem o Pai aprova. Desenvolvendo o tema da vida eterna, Jesus continua a oração:

      “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” Sim, a salvação depende de assimilarmos conhecimento tanto de Deus quanto de seu Filho. Mas é necessário mais do que apenas conhecimento intelectual.

      A pessoa tem de chegar a conhecê-los intimamente, cultivando por eles uma amizade caracterizada pela compreensão. Deve encarar os assuntos como eles e ver as coisas com os olhos deles. E, acima de tudo, deve esforçar-se em imitar suas inigualáveis qualidades ao lidar com outros.

      Jesus prossegue orando: “Eu te tenho glorificado na terra, havendo terminado a obra que me deste para fazer.” Tendo concluído sua designação até esse ponto e estando certo de seu êxito futuro, ele solicita: “Pai, glorifica-me junto de ti com a glória que eu tive junto de ti antes de haver o mundo.” Sim, ele pede agora para que lhe seja restaurada a sua anterior glória celestial por meio da ressurreição.

      Sintetizando sua principal obra na Terra, Jesus diz: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e tu mos deste, e eles têm observado a tua palavra.” Jesus usou o nome de Deus, Jeová, em seu ministério e demonstrou o modo correto de pronunciá-lo, mas fez mais do que isso para tornar manifesto o nome de Deus a seus apóstolos. Ampliou também o conhecimento e o apreço deles no que diz respeito a Jeová, Sua personalidade e Seus propósitos.

      Reconhecendo Jeová como seu Superior, Aquele sob quem ele serve, Jesus humildemente admite: “Eu lhes tenho dado as declarações que me deste, e eles as têm recebido e têm certamente chegado a saber que saí como teu representante, e eles têm acreditado que tu me enviaste.”

      Fazendo distinção entre seus seguidores e o restante da humanidade, Jesus prossegue orando: “Faço solicitação, não a respeito do mundo, mas a respeito daqueles que me deste . . . Quando eu estava com eles, costumava vigiar sobre eles . . .; e tenho-os guardado, e nenhum deles está destruído exceto o filho da destruição”, a saber, Judas Iscariotes. Nesse exato momento, Judas está empenhado em sua desprezível missão de trair Jesus. Assim, sem saber, Judas cumpre as Escrituras.

      “O mundo os tem odiado”, continua Jesus a orar. “Solicito-te, não que os tires do mundo, mas que vigies sobre eles, por causa do iníquo. Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” Os seguidores de Jesus vivem no mundo, a sociedade humana organizada, governada por Satanás, mas estão e têm de permanecer sempre separados dele e de sua iniquidade.

      “Santifica-os por meio da verdade”, continua Jesus, “a tua palavra é a verdade”. Nesse ponto, Jesus chama as Escrituras Hebraicas, das quais ele continuamente citava, de “a verdade”. Mas as coisas que ele ensinou a seus discípulos e o que eles mais tarde escreveram sob inspiração, isto é, as Escrituras Gregas Cristãs, também são “a verdade”. Essa verdade pode santificar a pessoa, mudar completamente a sua vida e torná-la alguém separado do mundo.

      Daí, Jesus continua orando “não somente a respeito destes, mas também a respeito daqueles que depositam fé [nele] por intermédio da palavra deles”. Portanto, Jesus ora a favor daqueles que se tornarão seus seguidores ungidos e os outros futuros discípulos, que ainda hão de ser ajuntados em “um só rebanho”. O que pede ele para todos esses?

      “Que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, . . . a fim de que sejam um, assim como nós somos um.” Jesus e seu Pai não são literalmente uma única pessoa, mas estão de acordo em todas as coisas. Jesus ora para que seus seguidores usufruam a mesma unidade, para que “o mundo tenha conhecimento de que tu me enviaste e que os amaste assim como amaste a mim”.

      Em benefício daqueles que se tornariam seus seguidores ungidos, Jesus faz agora um pedido ao seu Pai celestial. O que pede ele? “Que, onde eu estiver, eles também estejam comigo, a fim de que observem a minha glória que me tens dado, porque me amaste antes da fundação do mundo”, isto é, antes de Adão e Eva conceberem descendência. Muito antes disso, Deus amava seu Filho unigênito, que se tornou Jesus Cristo.

      Ao concluir sua oração, Jesus frisa novamente: “Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles.” No caso dos apóstolos, saber o nome de Deus envolveu chegar a conhecer pessoalmente o amor de Deus. João 14:1–17:26; 13:27, 35, 36; 10:16; Lucas 22:3, 4; Êxodo 24:10; 1 Reis 19:9-13; Isaías 6:1-5; Gálatas 6:16; Salmo 35:19; 69:4; Provérbios 8:22, 30.

      ▪ Para onde Jesus está indo, e que resposta recebe Tomé a respeito do caminho para lá?

      ▪ Com o seu pedido, o que Filipe aparentemente quer que Jesus providencie?

      ▪ Por que é que a pessoa que tem visto a Jesus tem visto também ao Pai?

      ▪ De que maneira farão os seguidores de Jesus obras maiores do que as dele?

      ▪ Em que sentido Satanás não exerce domínio sobre Jesus?

      ▪ Em que ocasião plantou Jeová a videira simbólica, e quando e como outros se tornam parte da videira?

      ▪ Por fim, quantos ramos passa a ter a videira simbólica?

      ▪ Que fruto deseja Deus dos ramos?

      ▪ Como podemos ser amigos de Jesus?

      ▪ Por que o mundo odeia os seguidores de Jesus?

      ▪ Que advertência de Jesus perturba os apóstolos?

      ▪ Por que os apóstolos deixam de perguntar a Jesus sobre para onde ele está indo?

      ▪ O que, em especial, os apóstolos não conseguem entender?

      ▪ Como ilustra Jesus que a situação dos apóstolos mudará de pesar para alegria?

      ▪ O que diz Jesus que os apóstolos farão em breve?

      ▪ Como vence Jesus ao mundo?

      ▪ Em que sentido se dá a Jesus “autoridade sobre toda a carne”?

      ▪ O que significa absorver conhecimento de Deus e de seu Filho?

      ▪ Como Jesus torna manifesto o nome de Deus?

      ▪ O que é “a verdade”, e como é o cristão ‘santificado’ por ela?

      ▪ Em que sentido Deus, seu Filho e todos os verdadeiros adoradores são um?

      ▪ Quando ocorreu a “fundação do mundo”?

  • Agonia no jardim
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 117

      Agonia no jardim

      AO TERMINAR de orar, Jesus, junto com seus 11 apóstolos fiéis, entoam cânticos de louvor a Jeová. Daí, descem da sala de sobrado, penetram na fresca escuridão da noite e iniciam a viagem de volta a Betânia, cruzando o vale do Cédron. Mas, ao longo do caminho, param no jardim de Getsêmani, um dos seus lugares prediletos. Ele se localiza no monte das Oliveiras, ou nas redondezas. Jesus com frequência se encontra com seus apóstolos aqui, entre as oliveiras.

      Deixando oito dos apóstolos — talvez perto da entrada do jardim — ele os instrui: “Sentai-vos aqui enquanto eu vou para lá orar.” Daí, toma os outros três — Pedro, Tiago e João — e vai mais para dentro do jardim. Jesus fica contristado e muito aflito. “Minha alma está profundamente contristada, até à morte”, diz-lhes ele. “Ficai aqui e mantende-vos vigilantes comigo.”

      Indo um pouco mais adiante, Jesus prostra-se no chão e, com o rosto na terra, começa a orar fervorosamente: “Pai meu, se for possível, deixa que este copo se afaste de mim. Contudo, não como eu quero, mas como tu queres.” O que quer dizer com isso? Por que está ‘profundamente contristado, até à morte’? Está recuando de sua decisão de morrer e fornecer o resgate?

      De forma alguma! Jesus não está apelando para ser poupado da morte. Repugna-lhe até mesmo a ideia, certa vez sugerida por Pedro, de evitar a morte sacrificial. Em vez disso, está em agonia por temer que o modo pelo qual está prestes a morrer — como detestável criminoso — resulte em vitupério sobre o nome do seu Pai. Ele sente agora que dentro de poucas horas será pregado numa estaca como se fosse a pior espécie de pessoa — um blasfemador contra Deus! É isso o que tanto o aflige.

      Depois de orar demoradamente, Jesus retorna e encontra os três apóstolos dormindo. Dirigindo-se a Pedro, diz: “Não pudestes vigiar comigo nem mesmo por uma hora? Mantende-vos vigilantes e orai continuamente, para que não entreis em tentação.” Reconhecendo, contudo, a tensão sob a qual eles têm estado e que já é tarde, Jesus diz: “O espírito, naturalmente, está ansioso, mas a carne é fraca.”

      Jesus retira-se então pela segunda vez e pede que Deus remova dele “este copo”, isto é, a porção, ou vontade, de Jeová, reservada para ele. Ao retornar, encontra novamente os três dormindo, quando deviam estar orando para não cair em tentação. Quando Jesus lhes fala, ficam sem saber o que dizer em resposta.

      Por fim, pela terceira vez, Jesus afasta-se à distância de cerca de um tiro de pedra e, com fortes clamores e lágrimas, ajoelhado, ora: “Pai, se tu quiseres, remove de mim este copo.” Jesus vivamente sente excruciante dor por causa do vitupério que sua morte como se fosse criminoso lançará sobre o nome do seu Pai. Afinal, ser acusado de blasfemador — alguém que amaldiçoa a Deus — é quase demais para suportar!

      Todavia, Jesus continua a orar: “Não o que eu quero, mas o que tu queres.” Jesus obedientemente submete sua vontade à de Deus. Aparece então um anjo do céu e fortalece-o com palavras encorajadoras. O anjo possivelmente diz a Jesus que ele conta com o sorriso de aprovação de seu Pai.

      Contudo, que peso recai sobre os ombros de Jesus! Sua própria vida eterna e a da inteira raça humana estão em jogo. A tensão emocional é enorme. Assim, Jesus continua a orar ainda mais fervorosamente, e seu suor torna-se como gotas de sangue ao passo que cai no solo. “Embora seja um fenômeno muito raro”, comenta a revista The Journal of the American Medical Association, “suor sanguinolento . . . pode ocorrer em estados altamente emocionais”.

      Depois, Jesus retorna a seus apóstolos pela terceira vez e novamente os encontra dormindo. Estão exaustos de puro pesar. “Numa ocasião destas, vós estais dormindo e descansando!”, exclama ele. “Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo traído às mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos embora. Eis que se tem aproximado aquele que me trai.”

      Enquanto ainda está falando, Judas Iscariotes aproxima-se, acompanhado por grande multidão que carrega tochas, e lâmpadas, e armas. Mateus 26:30, 36-47; 16:21-23; Marcos 14:26, 32-43; Lucas 22:39-47; João 18:1-3; Hebreus 5:7.

      ▪ Depois de saírem da sala de sobrado, para onde Jesus leva os apóstolos, e o que faz ele ali?

      ▪ Enquanto Jesus ora, o que fazem os apóstolos?

      ▪ Por que está Jesus em agonia, e o que pede ele a Deus?

      ▪ O que é indicado pelo suor de Jesus tornar-se como gotas de sangue?

  • Traição e prisão
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 118

      Traição e prisão

      JÁ PASSA da meia-noite quando Judas conduz ao jardim de Getsêmani uma multidão de soldados, principais sacerdotes, fariseus e outros. Os sacerdotes concordaram em pagar a Judas 30 moedas de prata para trair Jesus.

      Horas antes, ao ser dispensado da refeição pascoal, Judas evidentemente foi direto aos principais sacerdotes. Eles imediatamente reuniram os seus próprios oficiais, bem como um destacamento de soldados. É possível que Judas os tenha levado primeiro aonde Jesus e seus apóstolos celebraram a Páscoa. Vendo que já tinham saído, a multidão, portando armas e levando lâmpadas e tochas, seguiu Judas para fora de Jerusalém, através do vale do Cédron.

      Enquanto conduz o grupo subindo o monte das Oliveiras, Judas está certo de que sabe onde encontrar Jesus. Na semana anterior, ao fazerem a viagem de ida e volta entre Betânia e Jerusalém, Jesus e os apóstolos pararam muitas vezes no jardim de Getsêmani para descansar e conversar. Mas agora, estando Jesus possivelmente oculto na escuridão debaixo das oliveiras, como irão os soldados identificá-lo? Talvez nunca o tenham visto. Assim, Judas dá um sinal, dizendo: “A quem eu beijar, este é ele; detende-o e levai-o seguramente embora.”

      Judas conduz a multidão até o jardim, vê Jesus com os apóstolos e dirige-se diretamente a ele. “Bom dia, Rabi!”, diz Judas, e beija-o mui ternamente.

      “Amigo, para que fim estás presente?”, indaga Jesus. Daí, respondendo à sua própria pergunta, diz: “Judas, trais o Filho do homem com um beijo?” Mas já basta desse traidor! Jesus caminha até a luz das tochas e lâmpadas incandescentes e pergunta: “A quem procurais?”

      “A Jesus, o nazareno”, é a resposta.

      “Sou eu”, diz Jesus, postando-se corajosamente perante eles. Perplexos com o seu destemor e sem saberem o que esperar, os homens recuam e caem no chão.

      “Eu vos disse que sou eu”, continua Jesus, calmamente. “Se, portanto, sou eu a quem procurais, deixai ir a estes.” Pouco antes, na sala de sobrado, Jesus disse a seu Pai, em oração, que guardou seus apóstolos fiéis e que nem sequer um deles foi perdido, “exceto o filho da destruição”. Assim, para que sua palavra se cumpra, ele pede que seus seguidores sejam deixados livres.

      À medida que os soldados recobram a calma, levantam-se e começam a amarrar Jesus, os apóstolos discernem o que está prestes a acontecer. “Senhor, devemos golpeá-los com a espada?”, perguntam. Antes de Jesus responder, Pedro, empunhando uma das duas espadas que os apóstolos trouxeram, ataca Malco, escravo do sumo sacerdote. O golpe de Pedro não acerta a cabeça do escravo, mas decepa-lhe a orelha direita.

      “Deixai-o ficar nisso”, diz Jesus, intervindo. Tocando a orelha de Malco, ele cura o ferimento. Daí, ensina uma importante lição, ao ordenar a Pedro: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada. Ou pensas que não posso apelar para meu Pai, para fornecer-me neste momento mais de doze legiões de anjos?”

      Jesus não objeta a ser preso, pois explica: “Como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?” E acrescenta: “Não devia eu de toda maneira beber o copo que o Pai me tem dado?” Ele está de pleno acordo com a vontade de Deus para ele!

      Jesus dirige-se então à multidão. “Viestes com espadas e com cacetes, como contra um salteador, para prender-me?”, pergunta ele. “Dia após dia costumava eu estar sentado no templo, ensinando; contudo, vós não me detivestes. Mas tudo isso se tem realizado para que se cumprissem as escrituras dos profetas.”

      Nesse ponto, o destacamento de soldados, o comandante militar e as autoridades judaicas prendem Jesus e o amarram. Ao verem isso, os apóstolos abandonam a Jesus e fogem. Contudo, um jovem — provavelmente o discípulo Marcos — permanece entre a multidão. É possível que ele tenha estado na casa em que Jesus celebrou a Páscoa e, depois disso, tenha acompanhado a multidão quando ela partiu. Agora, porém, ele é reconhecido, e tentam pegá-lo. Mas ele larga sua roupa de linho e escapa. Mateus 26:47-56; Marcos 14:43-52; Lucas 22:47-53; João 17:12; 18:3-12.

      ▪ Por que Judas está certo de que encontrará Jesus no jardim de Getsêmani?

      ▪ De que maneira manifesta Jesus preocupação por seus apóstolos?

      ▪ Que ação toma Pedro em defesa de Jesus, mas o que lhe diz Jesus sobre isso?

      ▪ De que modo Jesus revela que está de pleno acordo com a vontade de Deus para ele?

      ▪ Quando os apóstolos abandonam a Jesus, quem permanece, e o que lhe acontece?

  • Levado a Anás, daí a Caifás
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 119

      Levado a Anás, daí a Caifás

      JESUS, amarrado como criminoso comum, é conduzido a Anás, influente ex-sumo sacerdote. Anás era o sumo sacerdote quando Jesus, com apenas 12 anos, pasmou instrutores rabínicos no templo. Diversos dos filhos de Anás mais tarde serviram como sumo sacerdote, e atualmente Caifás, seu genro, ocupa essa posição.

      Jesus provavelmente é conduzido primeiro à casa de Anás devido à preeminência de longa data desse principal sacerdote na vida religiosa judaica. Essa parada para ver Anás dá tempo para o Sumo Sacerdote Caifás reunir o Sinédrio, a suprema corte judaica de 71 membros, bem como para juntar testemunhas falsas.

      Anás, um dos principais sacerdotes, interroga agora a Jesus sobre seus discípulos e sobre o seu ensino. Contudo, Jesus diz em resposta: “Falei ao mundo publicamente. Sempre ensinei numa sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem; e não falei nada em secreto. Por que me interrogas? Interroga os que ouviram o que lhes falei. Eis que estes sabem o que eu disse.”

      Com isso, um dos oficiais parados perto de Jesus dá-lhe uma bofetada, dizendo: “É assim que respondes ao principal sacerdote?”

      “Se falei de modo errado”, responde Jesus, “dá testemunho acerca do erro; mas, se falei de modo correto, por que me bates?” Depois dessa discussão, Anás envia Jesus amarrado para Caifás.

      A essa altura, os principais sacerdotes, bem como os anciãos e os escribas, sim, todo o Sinédrio, estão começando a se reunir. O local da reunião evidentemente é a casa de Caifás. Realizar um julgamento como esse, na noite da Páscoa, é claramente contra a lei judaica. Mas isso não detém os líderes religiosos de seu propósito iníquo.

      Algumas semanas antes, quando Jesus ressuscitou a Lázaro, o Sinédrio já havia decidido que ele teria de morrer. E, apenas dois dias antes, na quarta-feira, as autoridades religiosas trocaram ideias para prender Jesus por meio dum ardil a fim de matá-lo. Imagine! Ele foi realmente condenado antes de ser julgado!

      Fazem-se agora esforços para encontrar testemunhas que apresentem evidências falsas a fim de levantar uma acusação contra Jesus. Contudo, não se consegue achar pessoas que estejam de acordo no testemunho que dão. Por fim, apresentam-se duas pessoas e dizem: “Nós o ouvimos dizer: ‘Derrubarei este templo feito por mãos e em três dias construirei outro, não feito por mãos.’”

      “Não dizes nada em resposta?”, pergunta Caifás. “O que é que estes testificam contra ti?” Mas Jesus permanece calado. Mesmo nessa acusação falsa, para a humilhação do Sinédrio, as testemunhas não conseguem chegar a um consenso nas histórias que contam. Assim, o sumo sacerdote recorre a uma tática diferente.

      Caifás sabe quão sensíveis os judeus são no que diz respeito a alguém afirmar ser o próprio Filho de Deus. Em duas ocasiões anteriores, eles temerariamente tacharam Jesus de blasfemador que merece a morte, certa vez tendo de modo errôneo imaginado que ele afirmava ser igual a Deus. Caifás ordena-lhe então astutamente: “Pelo Deus vivente, eu te ponho sob juramento para nos dizeres se tu és o Cristo, o Filho de Deus!”

      Não obstante o que os judeus pensam, Jesus realmente é o Filho de Deus. E ficar calado poderia ser interpretado como negação de ser ele o Cristo. Portanto, Jesus replica corajosamente: “Sou; e vós vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo com as nuvens do céu.”

      Diante disso, Caifás, num gesto dramático, rasga sua roupa e exclama: “Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vede! Agora ouvistes a blasfêmia. Qual é a vossa opinião?”

      “Está sujeito à morte”, decreta o Sinédrio. Daí, começam a zombar dele e dizem muitas coisas blasfemas contra ele. Esbofeteiam-no e cospem nele. Outros cobrem-lhe o rosto e o esmurram, e dizem sarcasticamente: “Profetiza-nos, ó Cristo. Quem te golpeou?” Esse comportamento abusivo e ilegal ocorre durante o julgamento noturno. Mateus 26:57-68; 26:3, 4; Marcos 14:53-65; Lucas 22:54, 63-65; João 18:13-24; 11:45-53; 10:31-39; 5:16-18.

      ▪ Aonde é Jesus conduzido primeiro, e o que lhe acontece ali?

      ▪ Para onde é Jesus levado depois, e para quê?

      ▪ Como consegue Caifás induzir o Sinédrio a proclamar que Jesus merece morrer?

      ▪ Que comportamento abusivo e ilegal ocorre durante o julgamento?

  • Negado no pátio
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 120

      Negado no pátio

      APÓS abandonarem a Jesus no jardim de Getsêmani e fugirem amedrontados com os demais apóstolos, Pedro e João desistem de fugir. Talvez alcancem a Jesus enquanto ele está sendo levado à casa de Anás. Quando Anás o envia ao Sumo Sacerdote Caifás, Pedro e João o seguem a uma boa distância, aparentemente divididos entre o temor por suas próprias vidas e a profunda preocupação com o que acontecerá ao seu Amo.

      Ao chegar à espaçosa residência de Caifás, João consegue entrar no pátio, visto que é conhecido do sumo sacerdote. Pedro, contudo, fica do lado de fora, junto à porta. Mas João volta logo e fala com a porteira, uma serva, e Pedro obtém permissão de entrar.

      A essas horas, faz frio, e os criados e os oficiais do sumo sacerdote acenderam um fogo de brasas. Pedro junta-se a eles para aquecer-se enquanto aguarda o resultado do julgamento de Jesus. Ali, à claridade do reluzente fogo, a porteira, que deixou Pedro entrar, enxerga-o melhor. “Tu também estavas com Jesus, o galileu!”, exclama ela.

      Perturbado por ter sido identificado, Pedro, perante todos os presentes, nega que conhece a Jesus. “Nem o conheço nem entendo o que dizes”, diz ele.

      Diante disso, Pedro afasta-se para perto do portão. Ali, outra moça nota sua presença e também diz aos que estão em volta: “Este homem estava com Jesus, o nazareno.” Pedro novamente o nega, jurando: “Não conheço este homem!”

      Pedro permanece no pátio, tentando, na medida do possível, passar sem ser percebido. Talvez nesse momento ele se sobressalte pelo cantar de um galo na escuridão da madrugada. Nesse ínterim, o julgamento de Jesus está em andamento, evidentemente sendo realizado em alguma parte da casa que fica acima do pátio. Sem dúvida, Pedro e os outros que estão esperando embaixo veem a movimentação de diversas testemunhas que entram para depor e daí saem.

      Já se passou cerca de uma hora desde a última vez que Pedro foi identificado como seguidor de Jesus. Agora, diversas pessoas que estão paradas por ali dirigem-se a ele e dizem: “Tu certamente és também um deles, pois, de fato, o teu dialeto te trai.” Um dos presentes é parente de Malco, cuja orelha Pedro decepou. “Não te vi no jardim com ele?”, pergunta ele.

      “Não conheço este homem!”, assevera Pedro veementemente. De fato, praguejando e jurando sobre o assunto, na realidade amaldiçoando a si mesmo caso não esteja falando a verdade, ele tenta convencer a todos de que estão enganados.

      Assim que Pedro faz essa terceira negação, canta um galo. E, nesse momento, Jesus, que aparentemente saiu a uma sacada acima do pátio, volta-se e olha para ele. Pedro imediatamente lembra-se do que Jesus disse há poucas horas, na sala de sobrado: “Antes de o galo cantar duas vezes, repudiar-me-ás três vezes.” Arrasado pelo peso do seu pecado, Pedro sai e chora amargamente.

      Como pôde isso acontecer? Depois de estar tão seguro de sua força espiritual, como pôde Pedro negar seu Amo três vezes em rápida sucessão? As circunstâncias sem dúvida pegam Pedro de surpresa. A verdade está sendo distorcida, e Jesus, apresentado como criminoso vil. Faz-se que o certo pareça errado; o inocente, culpado. Portanto, devido às pressões desse momento, Pedro perde o equilíbrio. Subitamente, o seu devido senso de lealdade é perturbado; para sua tristeza, ele fica paralisado pelo medo do homem. Que isso nunca nos aconteça! Mateus 26:57, 58, 69-75; Marcos 14:30, 53, 54, 66-72; Lucas 22:54-62; João 18:15-18, 25-27.

      ▪ Como é que Pedro e João conseguem entrar no pátio do sumo sacerdote?

      ▪ Enquanto Pedro e João estão no pátio, o que ocorre dentro da casa?

      ▪ Quantas vezes canta o galo, e quantas vezes Pedro nega conhecer a Cristo?

      ▪ Qual é o intento de Pedro ao praguejar e jurar?

      ▪ O que leva Pedro a negar que conhece a Jesus?

  • Diante do Sinédrio, daí a Pilatos
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 121

      Diante do Sinédrio, daí a Pilatos

      A NOITE está chegando ao fim. Pedro negou Jesus pela terceira vez, e os membros do Sinédrio já terminaram seu julgamento simulado e se dispersaram. Mas, logo ao clarear do dia, eles se reúnem de novo na sexta-feira de manhã, dessa vez na sala do Sinédrio. Seu objetivo provavelmente é dar certa aparência de legalidade ao julgamento da noite. Quando Jesus é levado a sua presença, eles repetem o que já disseram durante a noite: “Se tu és o Cristo, dize-nos.”

      “Mesmo se eu vos dissesse, não o acreditaríeis”, responde Jesus. “Além disso, se eu vos interrogasse, não me responderíeis.” Contudo, Jesus corajosamente indica sua identidade, dizendo: “Doravante o Filho do homem estará sentado à destra poderosa de Deus.”

      “És tu, portanto, o Filho de Deus?”, todos querem saber.

      “Vós mesmos dizeis que eu sou”, responde Jesus.

      Para tais homens de intenções assassinas, essa resposta é o suficiente. Consideram isso como blasfêmia. “Por que precisamos de mais testemunho?”, perguntam. “Pois nós mesmos ouvimos isso de sua própria boca.” Portanto, amarram a Jesus, levam-no para fora e entregam-no ao governador romano Pôncio Pilatos.

      Judas, o traidor de Jesus, tem observado os acontecimentos. Vendo que Jesus foi condenado, sente remorso. Assim, procura os principais sacerdotes e anciãos para devolver as 30 moedas de prata, explicando: “Pequei quando traí sangue justo.”

      “Que temos nós com isso? Isso é contigo!”, respondem eles insensivelmente. Portanto, Judas atira as moedas de prata no templo e sai para tentar enforcar-se. Mas o galho no qual Judas amarra a corda aparentemente quebra, e seu corpo despenca nas rochas abaixo, arrebentando-se.

      Os principais sacerdotes não sabem o que fazer com as moedas de prata. “Não é lícito deitá-las no tesouro sagrado”, concluem, “porque são o preço de sangue”. Assim, depois de deliberarem entre si, usam o dinheiro para comprar o campo do oleiro, para sepultar forasteiros. De modo que o campo passa a chamar-se de “Campo de Sangue”.

      Ainda é bem cedo de manhã quando Jesus é levado ao palácio do governador. Mas os judeus que o acompanham recusam-se a entrar, pois creem que tal intimidade com os gentios os aviltará. Portanto, numa atitude conciliatória, Pilatos vem para fora. “Que acusação levantais contra este homem?”, pergunta.

      “Se este homem não fosse delinquente, não o teríamos entregado a ti”, respondem.

      Não querendo envolver-se, Pilatos replica: “Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei.”

      Revelando suas intenções assassinas, os judeus clamam: “Não nos é lícito matar alguém.” De fato, se matassem Jesus durante a Festividade da Páscoa, isso provavelmente suscitaria um clamor público, pois muitos têm a Jesus em alta estima. Mas, se conseguirem que os romanos o executem sob uma acusação política, isso tenderá a absolvê-los de responsabilidade perante o povo.

      Portanto, os líderes religiosos, sem mencionarem o julgamento anterior em que condenaram Jesus por blasfêmia, forjam agora diferentes acusações. Fazem a seguinte acusação tripla: “Achamos este homem [1] subvertendo a nossa nação e [2] proibindo o pagamento de impostos a César, e [3] dizendo que ele mesmo é Cristo, um rei.”

      A preocupação de Pilatos é a acusação de que Jesus diz ser rei. De modo que entra de novo no palácio, chama Jesus e pergunta: “És tu o rei dos judeus?” Em outras palavras, violaste a lei, declarando-te rei em oposição a César?

      Jesus quer saber o quanto Pilatos já sabe a seu respeito, de modo que pergunta: “É de tua própria iniciativa que dizes isso ou te contaram outros a respeito de mim?”

      Pilatos manifesta pouco saber a respeito de Jesus e um desejo de conhecer os fatos. “Será que eu sou judeu?”, indaga. “A tua própria nação e os principais sacerdotes te entregaram a mim. O que fizeste?”

      Jesus de modo algum tenta esquivar-se da questão, que é sobre o reinado. A resposta que Jesus dá a seguir sem dúvida surpreende a Pilatos. Lucas 22:66–23:3; Mateus 27:1-11; Marcos 15:1; João 18:28-35; Atos 1:16-20.

      ▪ Com que objetivo o Sinédrio se reúne de novo pela manhã?

      ▪ Como morre Judas, e o que se faz com as 30 moedas de prata?

      ▪ Por que os judeus querem que os romanos matem Jesus, em vez de eles mesmos o matarem?

      ▪ Que acusações fazem os judeus contra Jesus?

  • De Pilatos a Herodes, e novamente a Pilatos
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 122

      De Pilatos a Herodes, e novamente a Pilatos

      EMBORA não faça nenhum esforço para esconder de Pilatos o fato de que é rei, Jesus explica que seu Reino não é uma ameaça para Roma. “Meu reino não faz parte deste mundo”, diz Jesus. “Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” Assim, Jesus admite três vezes que tem um Reino, embora ele não seja de fonte terrestre.

      Todavia, Pilatos o pressiona ainda mais: “Pois bem, és tu rei?” Ou seja, és rei, embora o teu Reino não faça parte deste mundo?

      Jesus deixa Pilatos saber que tirou a conclusão certa, ao responder: “Tu mesmo estás dizendo que eu sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.”

      Sim, a própria existência de Jesus na Terra visa dar testemunho da “verdade”, especificamente da verdade sobre o seu Reino. Jesus está preparado para ser fiel a essa verdade mesmo que isso lhe custe a vida. Embora Pilatos pergunte: “Que é verdade?”, não espera mais explicações. Já ouviu o suficiente para fazer um julgamento.

      Pilatos retorna à multidão que aguarda do lado de fora do palácio. Evidentemente tendo Jesus ao seu lado, ele diz aos principais sacerdotes e aos que estão com eles: “Não acho crime neste homem.”

      Enraivecida com a decisão, a multidão começa a insistir: “Ele atiça o povo por ensinar em toda a Judeia, principiando da Galileia até mesmo aqui.”

      O fanatismo desarrazoado dos judeus deve assombrar Pilatos. Portanto, ao passo que os principais sacerdotes e os anciãos continuam a clamar, Pilatos volta-se para Jesus e pergunta: “Não ouves quantas coisas testificam contra ti?” Todavia, Jesus não faz nenhum esforço para responder. Sua calma diante das exageradas acusações faz Pilatos maravilhar-se.

      Ao saber que Jesus é galileu, Pilatos vê nisso uma maneira de livrar-se da responsabilidade. O governante da Galileia, Herodes Ântipas (filho de Herodes, o Grande), está em Jerusalém para a Páscoa, de modo que Pilatos lhe envia Jesus. Algum tempo antes, Herodes Ântipas mandou decapitar João, o Batizador, e daí ficou assustado ao ouvir falar das obras milagrosas que Jesus estava realizando, temendo que Jesus fosse, na verdade, João, que teria sido levantado dentre os mortos.

      Agora, Herodes fica contentíssimo com a perspectiva de ver Jesus. Não porque esteja preocupado com o bem-estar de Jesus ou porque queira fazer real esforço para saber se as acusações contra ele são ou não fundamentadas. Antes, ele simplesmente está curioso e espera que Jesus realize um milagre.

      Jesus, contudo, nega-se a satisfazer a curiosidade de Herodes. De fato, quando Herodes o interroga, ele não diz uma palavra sequer. Desapontados, Herodes e os soldados de sua guarda fazem troça de Jesus. Vestem-no com uma roupa vistosa e zombam dele. Daí o enviam de volta a Pilatos. Em resultado disso, Herodes e Pilatos, que antes disso eram inimigos, tornam-se bons amigos.

      Quando Jesus volta, Pilatos convoca os principais sacerdotes, os governantes judeus, e o povo, e diz: “Trouxestes-me este homem como alguém que incita o povo à revolta, e, eis que o examinei na frente de vós, mas não achei neste homem base para as acusações que lançais contra ele. De fato, tampouco Herodes, pois no-lo enviou de volta; e, eis que ele não cometeu nada que mereça a morte. Portanto, eu o castigarei e o livrarei.”

      Assim, Pilatos inocenta a Jesus duas vezes. Está ansioso de libertá-lo, pois se apercebe de que foi apenas por inveja que os sacerdotes o denunciaram. Mas, ao passo que Pilatos procura libertar Jesus, surge um motivo ainda mais forte para fazer isso. Enquanto está sentado na cadeira de juiz, sua esposa envia-lhe um recado, instando: “Não tenhas nada que ver com esse homem justo, pois eu sofri hoje muito, num sonho [evidentemente de origem divina], por causa dele.”

      Todavia, de que maneira pode Pilatos libertar esse homem inocente, como sabe que deve? João 18:36-38; Lucas 23:4-16; Mateus 27:12-14, 18, 19; 14:1, 2; Marcos 15:2-5.

      ▪ Como responde Jesus à pergunta a respeito do seu reinado?

      ▪ O que é a “verdade” a respeito da qual Jesus passou sua vida terrestre dando testemunho?

      ▪ A que conclusão chega Pilatos em julgamento, como reage o povo, e o que faz Pilatos com Jesus?

      ▪ Quem é Herodes Ântipas, por que fica tão contente de ver Jesus, e o que faz com ele?

      ▪ Por que está Pilatos ansioso de libertar Jesus?

  • “Eis o homem!”
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 123

      “Eis o homem!”

      IMPRESSIONADO pelo comportamento de Jesus e reconhecendo sua inocência, Pilatos procura outra maneira de livrá-lo. “Tendes o costume”, diz ele à multidão, “de que eu vos livre um homem por ocasião da páscoa”.

      Barrabás, notório assassino, também está preso, de modo que Pilatos pergunta: “A qual deles quereis que eu vos livre, a Barrabás ou a Jesus, o chamado Cristo?”

      Persuadido pelos principais sacerdotes que o têm instigado, o povo pede que Barrabás seja libertado, mas que Jesus seja morto. Sem desistir, Pilatos reage, perguntando novamente: “A qual dos dois quereis que eu vos livre?”

      “Barrabás”, gritam eles.

      “O que quereis, então, que eu faça com Jesus, o chamado Cristo?”, pergunta Pilatos, consternado.

      Com um só brado ensurdecedor, respondem: “Seja pregado numa estaca!” “Para a estaca! Para a estaca com ele!”

      Sabendo que exigem a morte dum inocente, Pilatos suplica: “Por que, que coisa má fez este homem? Não achei nele nada que mereça a morte; portanto, eu o castigarei e o livrarei.”

      Apesar dos empenhos de Pilatos, a irada multidão, instigada por seus líderes religiosos, continua berrando: “Seja pregado numa estaca!” Lançada em frenesi pelos sacerdotes, a multidão quer sangue. E pensar que, apenas cinco dias antes, alguns deles provavelmente estavam entre os que acolheram Jesus em Jerusalém qual Rei! Durante tudo aquilo, os discípulos de Jesus, se é que estão presentes, ficam calados e não se manifestam.

      Pilatos, vendo que seus apelos em nada adiantam, mas, ao contrário, que está surgindo um alvoroço, toma água, lava as mãos perante a multidão e diz: “Eu sou inocente do sangue deste homem. Isso é convosco.” Diante disso, o povo responde: “O sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos.”

      Portanto, de acordo com as exigências deles — e querendo satisfazer a multidão mais do que fazer o que sabe ser correto — Pilatos livra-lhes Barrabás. Toma a Jesus e manda que seja despido e depois chicoteado. Não se trata dum chicoteamento comum. A revista The Journal of the American Medical Association descreve a prática romana de chicotear:

      “O instrumento costumeiro era um chicote curto (flagrum ou flagellum) com várias correias, simples ou trançadas, de diversos comprimentos, nas quais bolinhas de ferro ou afiadas lascas de osso de ovelha eram amarradas em intervalos. . . . À medida que os soldados romanos repetidamente açoitavam as costas da vítima com toda a força, as bolinhas de ferro causavam profundas contusões, e as correias e os ossos de ovelha cortavam os tecidos cutâneos e subcutâneos. Daí, ao passo que a fustigação prosseguia, as lacerações dilaceravam os músculos subjacentes do esqueleto e produziam tremulantes tirinhas de carne viva.”

      Após o torturante espancamento, Jesus é levado ao palácio do governador, e todo o corpo da tropa é convocado. Ali, os soldados o cobrem de mais abusos, trançando uma coroa de espinhos e colocando-a com força em sua cabeça. Põem uma cana em sua mão direita e o vestem com uma roupa púrpura, do tipo que a realeza usa. Daí, dizem-lhe, zombeteiramente: “Bom dia, ó Rei dos judeus!” Além disso, cospem nele e o esbofeteiam. Tomando a cana resistente de sua mão, usam-na para bater-lhe na cabeça, pressionando ainda mais em seu couro cabeludo os espinhos afiados de sua humilhante “coroa”.

      A notável dignidade e força de Jesus em face desses abusos impressiona tanto a Pilatos que ele é induzido a fazer outra tentativa de redimir Jesus. “Eis que vo-lo trago para fora, a fim de que saibais que eu não acho falta nele”, diz Pilatos à multidão. Ele possivelmente imagina que o coração deles será abrandado se virem o estado em que Jesus ficou após a tortura. Quando Jesus se posta diante da turba insensível, usando a coroa de espinhos e a roupa exterior de púrpura, e tendo o rosto ensanguentado marcado pela dor, Pilatos proclama: “Eis o homem!”

      Embora machucado e maltratado, aqui está o personagem mais notável de toda a história, deveras o maior homem que já viveu! Sim, Jesus mostra serena dignidade e calma, o que revela uma grandeza que até Pilatos tem de reconhecer, pois suas palavras são aparentemente uma mescla de respeito e dó. João 18:39–19:5; Mateus 27:15-17, 20-30; Marcos 15:6-19; Lucas 23:18-25.

      ▪ De que maneira procura Pilatos livrar Jesus?

      ▪ Como tenta Pilatos absolver-se de responsabilidade?

      ▪ O que está envolvido em ser chicoteado?

      ▪ Como é Jesus ridicularizado depois de ser chicoteado?

      ▪ Que outra tentativa faz Pilatos de livrar Jesus?

  • Entregue e levado para a execução
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 124

      Entregue e levado para a execução

      QUANDO Pilatos, movido pela serena dignidade do torturado Jesus, tenta novamente livrá-lo, os principais sacerdotes ficam ainda mais irados. Estão determinados a não permitir que nada interfira em seu propósito iníquo. Por isso, recomeçam a bradar: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!”

      “Tomai-o vós mesmos e pregai-o numa estaca”, responde Pilatos. (Contrário ao que já disseram, é possível que os judeus tenham autoridade de executar criminosos por delitos religiosos de considerável gravidade.) Daí, pelo menos uma quinta vez, Pilatos declara Jesus inocente, dizendo: “Eu não acho nenhuma falta nele.”

      Vendo que suas acusações políticas não dão resultado, os judeus recorrem às acusações religiosas de blasfêmia, usadas horas antes no julgamento de Jesus perante o Sinédrio. “Nós temos uma lei”, dizem eles, “e é segundo a lei que ele deve morrer, porque se fez filho de Deus”.

      Essa acusação é nova para Pilatos, e isso o faz ficar mais temeroso. A essa altura, ele já se dá conta de que, exatamente como o sonho de sua esposa e a notável força de personalidade de Jesus indicam, esse não é um homem comum. Mas “filho de Deus”? Pilatos sabe que Jesus é da Galileia. Todavia, teria ele vivido antes? Levando-o novamente para dentro do palácio, Pilatos pergunta: “Donde és?”

      Jesus fica calado. Ele já disse antes a Pilatos que é rei, mas que seu Reino não faz parte deste mundo. Nenhuma explicação adicional, a essa altura, serviria para um propósito útil. Contudo, Pilatos fica ferido em seu orgulho pela recusa de Jesus de lhe responder, e, num acesso de ira, diz-lhe bruscamente: “Não falas comigo? Não sabes que tenho autoridade para te livrar e que tenho autoridade para te pregar numa estaca?”

      “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima”, responde Jesus respeitosamente. Ele se refere à autoridade que Deus concede a governantes humanos de administrar assuntos terrestres. Jesus acrescenta: “É por isso que o homem que me entregou a ti tem maior pecado.” De fato, o sumo sacerdote Caifás e seus cúmplices, e Judas Iscariotes, todos têm uma responsabilidade maior do que Pilatos pelo tratamento injusto dispensado a Jesus.

      Ainda mais impressionado com Jesus e temeroso de que ele tenha origem divina, Pilatos faz novo esforço para livrá-lo. Os judeus, contudo, opõem-se a Pilatos. Repetem sua acusação política, ameaçando astutamente: “Se livrares este homem, não és amigo de César. Todo homem que se faz rei fala contra César.”

      Apesar das terríveis implicações, Pilatos leva Jesus para fora mais uma vez. “Eis o vosso rei!”, apela novamente.

      “Fora com ele! Fora com ele! Para a estaca com ele!”

      “Hei de pregar na estaca o vosso rei?”, pergunta Pilatos em desespero.

      Os judeus estão descontentes com o domínio dos romanos. De fato, desprezam o domínio de Roma! Todavia, hipocritamente, os principais sacerdotes dizem: “Não temos rei senão César.”

      Temendo por sua posição política e reputação, Pilatos por fim cede às implacáveis exigências dos judeus. Ele entrega Jesus. Os soldados tiram de Jesus o manto de púrpura e o vestem com sua roupa exterior. Enquanto é levado para ser pregado na estaca, Jesus é obrigado a carregar a sua própria estaca de tortura.

      Já é o meio da manhã de sexta-feira, 14 de nisã; talvez seja perto do meio-dia. Jesus está acordado desde cedo na quinta-feira, e está sofrendo uma experiência agonizante após outra. Compreensivelmente, suas forças logo se esgotam sob o peso da estaca. Por isso, um transeunte, certo Simão, de Cirene, na África, é obrigado a prestar serviço, carregando-a para ele. À medida que caminham, muitas pessoas, incluindo mulheres, o seguem, batendo em si mesmas de pesar e lamentando por Jesus.

      Voltando-se para as mulheres, Jesus diz: “Filhas de Jerusalém, parai de chorar por mim. Ao contrário, chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos; porque, eis que virão dias em que as pessoas dirão: ‘Felizes as mulheres estéreis e as madres que não deram à luz, e os peitos que não amamentaram!’ . . . Porque, se fazem estas coisas quando a árvore é seivosa, o que ocorrerá quando estiver ressequida?”

      Jesus se refere à árvore da nação judaica, que ainda tem alguma seiva de vida por causa da presença de Jesus e da existência de um restante que crê nele. Mas, quando esses forem tirados da nação, sobrará apenas uma árvore espiritualmente morta, sim, uma organização nacional ressequida. Oh! Quanto motivo para choro haverá quando os exércitos romanos, na qualidade de executores a serviço de Deus, devastarem a nação judaica! João 19:6-17; 18:31; Lucas 23:24-31; Mateus 27:31, 32; Marcos 15:20, 21.

      ▪ Que acusação fazem os líderes religiosos contra Jesus quando suas acusações políticas não dão resultado?

      ▪ Por que Pilatos fica mais temeroso?

      ▪ Quem tem maior pecado pelo que acontece com Jesus?

      ▪ Por fim, como conseguem os sacerdotes que Pilatos entregue Jesus para a execução?

      ▪ O que diz Jesus às mulheres que choram por ele, e o que quer ele dizer referindo-se à árvore como “seivosa” e então “ressequida”?

  • Agonia na estaca
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 125

      Agonia na estaca

      DOIS salteadores estão sendo levados junto com Jesus para a execução. Ainda perto da cidade, a multidão que os acompanha para no lugar chamado Gólgota, ou Lugar da Caveira.

      Os prisioneiros são despidos de suas roupas exteriores. Daí, vinho misturado com mirra lhes é oferecido. Pelo visto, essa poção entorpecedora é preparada pelas mulheres de Jerusalém, e os romanos não a negam aos que vão ser pregados na estaca. Contudo, ao prová-la, Jesus recusa-se a beber. Por quê? Ele evidentemente quer ter pleno controle de todas as suas faculdades durante essa suprema prova de fé.

      Jesus agora é estirado na estaca, com as mãos acima da cabeça. Daí, os soldados cravam-lhe grandes pregos nas mãos e nos pés. Ele se torce de dor à medida que os pregos atravessam a carne e os ligamentos. Quando a estaca é erguida, a dor é excruciante, pois o peso do corpo repuxa violentamente as chagas feitas pelos pregos. Todavia, em vez de fazer ameaças, Jesus ora pelos soldados romanos: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.”

      Pilatos põe na estaca uma tabuleta com os dizeres: “Jesus, o Nazareno, o Rei dos Judeus.” Pelo que parece, ele manda escrever isso, não só por respeitar Jesus, mas por abominar os sacerdotes judeus, porque eles o forçaram a sentenciar Jesus à morte. Para que todos possam ler a tabuleta, Pilatos manda escrever em três idiomas — hebraico, latim oficial e grego comum.

      Os principais sacerdotes, incluindo Caifás e Anás, ficam consternados. Essa proclamação categórica arruína seu momento de triunfo. Por conseguinte, eles protestam: “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos Judeus.’” Irritado por ter servido de joguete nas mãos dos sacerdotes, Pilatos responde com resoluto desdém: “O que escrevi, escrevi.”

      Os sacerdotes, junto com uma grande multidão, ajuntam-se agora no local da execução, e os sacerdotes tentam refutar o testemunho da tabuleta. Repetem o falso testemunho dado antes, nos julgamentos do Sinédrio. Não surpreende, portanto, que os que passam por ali comecem a falar de modo ultrajante, sacudindo a cabeça em escárnio e dizendo: “Ó tu, pretenso derrubador do templo e construtor dele em três dias, salva-te a ti mesmo! Se tu és filho de Deus, desce da estaca de tortura!”

      “A outros ele salvou; a si mesmo não pode salvar!”, dizem em coro os principais sacerdotes e seus apoiadores religiosos. “Ele é Rei de Israel; desça agora da estaca de tortura, e nós acreditaremos nele. Depositou a sua confiança em Deus; que Ele o socorra agora, se Ele o quiser, pois este disse: ‘Sou Filho de Deus.’”

      Contagiados, os soldados também fazem troça de Jesus. Zombeteiramente, oferecem-lhe vinho acre, pelo que parece segurando-o quase ao alcance de seus lábios ressecados. “Se tu és o rei dos judeus”, escarnecem, “salva-te”. Até os salteadores — um pregado à direita de Jesus, e o outro, à esquerda — o ridicularizam. Pense nisso! O maior homem que já viveu, sim, aquele que participou com Jeová Deus na criação de todas as coisas, resolutamente sofre todos esses abusos!

      Os soldados pegam as roupas exteriores de Jesus e as repartem em quatro. Lançam sortes para ver quem as ganhará. A roupa interior, contudo, é inteiriça, sendo de qualidade superior. Portanto, os soldados dizem um ao outro: “Não a rasguemos, mas decidamos por sortes de quem será.” Assim, sem o saber, cumprem a escritura que diz: “Repartiram entre si a minha roupagem exterior, e lançaram sortes sobre a minha vestimenta.”

      Um dos salteadores reconhece a tempo que Jesus realmente é rei. Portanto, censurando o outro, ele diz: “Não temes absolutamente a Deus, agora que estás no mesmo juízo? E nós, deveras, com justiça, pois estamos recebendo plenamente o que merecemos pelas coisas que fizemos; mas este homem não fez nada fora de ordem.” Dirige-se então a Jesus, com o seguinte pedido: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino.”

      Jesus responde: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” Essa promessa será cumprida quando Jesus estiver reinando no céu e ressuscitar esse transgressor arrependido para a vida na Terra, no Paraíso que os sobreviventes do Armagedom e seus companheiros terão o privilégio de cultivar. Mateus 27:33-44; Marcos 15:22-32; Lucas 23:27, 32-43; João 19:17-24.

      ▪ Por que Jesus se recusa a beber o vinho misturado com mirra?

      ▪ Pelo que parece, por que se coloca uma tabuleta na estaca de Jesus, e que discussão isso ocasiona entre Pilatos e os principais sacerdotes?

      ▪ Que outros abusos sofre Jesus na estaca, e pelo visto isso acontece em resultado de quê?

      ▪ De que modo aquilo que se faz com as roupas de Jesus é em cumprimento de profecia?

      ▪ Que mudança faz um dos salteadores, e como atenderá Jesus seu pedido?

  • “Certamente este era o Filho de Deus”
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 126

      “Certamente este era o Filho de Deus”

      NÃO faz muito tempo que Jesus está na estaca quando, ao meio-dia, ocorre uma misteriosa escuridão que dura três horas. O que causa isso não é um eclipse solar, visto que eclipses solares só acontecem na lua nova e, por ocasião da Páscoa, a lua é cheia. Ademais, eclipses solares duram só alguns minutos. Portanto, a escuridão tem origem divina! Ela provavelmente gera hesitação entre os que zombam de Jesus, fazendo até com que parem de escarnecer.

      Caso esse fenômeno sobrenatural tenha ocorrido antes de um dos malfeitores ter censurado o outro e pedido a Jesus que se lembrasse dele, isso pode ter contribuído para o seu arrependimento. É talvez durante a escuridão que quatro mulheres, a saber, a mãe de Jesus e Salomé, irmã da mãe de Jesus, Maria Madalena e Maria, a mãe do apóstolo Tiago, o Menor, se aproximam da estaca de tortura. João, o apóstolo amado por Jesus, está com elas.

      Quão ‘traspassado’ está o coração da mãe de Jesus enquanto ela observa seu filho, a quem amamentou e cuidou, agonizando na estaca! Todavia, Jesus pensa não em sua própria dor, mas no bem-estar dela. Com grande esforço, ele inclina a cabeça em direção a João e diz a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” Daí, inclinando a cabeça em direção a Maria, diz a João: “Eis a tua mãe!”

      Desse modo, Jesus confia sua mãe, que pelo visto já é viúva, aos cuidados de seu especialmente amado apóstolo. Faz isso porque os outros filhos de Maria ainda não manifestaram fé nele. Assim, ele dá um excelente exemplo, fazendo provisão não só para as necessidades materiais de sua mãe, mas também para as espirituais.

      Por volta das três horas da tarde, Jesus diz: “Tenho sede.” Jesus sente que seu Pai, por assim dizer, retirou Sua proteção dele, a fim de que sua integridade seja provada até o limite. Portanto, ele clama com voz alta: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Ao ouvirem isso, alguns dos que estão ali por perto exclamam: “Eis que está chamando Elias.” Imediatamente, um deles corre e, colocando uma esponja ensopada em vinho acre numa haste de hissopo, dá-lhe de beber. Mas outros dizem: “Deixai-o! Vejamos se Elias vem tirá-lo dali.”

      Ao receber o vinho acre, Jesus clama: “Está consumado!” Sim, ele executou tudo que seu Pai lhe mandou fazer na Terra. Por fim, ele diz: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” Desse modo, Jesus confia a Deus sua força de vida, na certeza de que ela lhe será restaurada por Deus. Daí, inclina a cabeça e morre.

      No momento em que Jesus dá o seu último suspiro, ocorre um violento terremoto, que fende as rochas. O tremor é tão forte que os túmulos memoriais perto de Jerusalém se rompem, e os corpos são lançados para fora. As pessoas que passam por ali, ao verem os cadáveres que ficam expostos, entram na cidade e contam o ocorrido.

      Ademais, no momento em que Jesus morre, a enorme cortina que separa o Santo do Santíssimo, no templo de Deus, rasga-se em duas partes, de alto a baixo. Pelo que parece, essa belamente ornamentada cortina tem uns 18 metros de altura e é muito pesada! Esse assombroso milagre não apenas manifesta o furor de Deus contra os assassinos de Seu Filho, mas significa que a morte de Jesus torna possível, agora, a entrada no Santíssimo, o próprio céu.

      Bem, ao sentirem o terremoto e verem os acontecimentos, as pessoas ficam com muito medo. O oficial do exército, incumbido da execução, dá glória a Deus. “Certamente este era o Filho de Deus”, diz ele. É provável que ele tenha estado presente quando a questão da filiação com Deus foi discutida no julgamento de Jesus perante Pilatos. E agora está convencido de que Jesus é o Filho de Deus, sim, de que ele é deveras o maior homem que já viveu.

      Outros também se assombram com esses eventos milagrosos e voltam para casa batendo-se no peito, como sinal de seu intenso pesar e vergonha. Muitas mulheres, discípulas de Jesus, profundamente comovidas por aqueles momentosos acontecimentos, observam o espetáculo a certa distância. O apóstolo João também está presente. Mateus 27:45-56; Marcos 15:33-41; Lucas 23:44-49; 2:34, 35; João 19:25-30.

      ▪ Por que um eclipse solar não pode causar as três horas de escuridão?

      ▪ Instantes antes de sua morte, que excelente exemplo dá Jesus a quem tem pais idosos?

      ▪ Quais são as quatro últimas declarações de Jesus antes de morrer?

      ▪ O que o terremoto ocasiona, e qual é o significado de a cortina do templo se rasgar em duas partes?

      ▪ Que efeito esses milagres têm sobre o oficial do exército, incumbido da execução?

  • Sepultamento na sexta — túmulo vazio no domingo
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 127

      Sepultamento na sexta — túmulo vazio no domingo

      A TARDE de sexta-feira está avançada, e o sábado de 15 de nisã começará com o pôr do sol. O corpo morto de Jesus jaz pendurado na estaca, mas os dois salteadores junto dele continuam vivos. A tarde de sexta-feira é chamada de Preparação, porque nessa ocasião as pessoas preparam refeições e terminam quaisquer outros trabalhos urgentes que não podem esperar até depois do sábado.

      O sábado que está prestes a começar não é apenas um sábado regular (o sétimo dia da semana), mas é também um sábado duplo, ou “grande”. É assim chamado porque o dia 15 de nisã, o primeiro dia da Festividade dos Pães Não Fermentados, de sete dias (e sempre um dia sabático, não importando em que dia da semana caia), coincide com o sábado regular.

      Segundo a Lei de Deus, cadáveres não devem ficar pendurados nas estacas de um dia para o outro. De modo que os judeus pedem a Pilatos que se apresse a morte dos que estão sendo executados, por se lhes quebrar as pernas. Os soldados, portanto, quebram as pernas dos dois salteadores. Mas, visto que Jesus parece estar morto, suas pernas não são quebradas. Isso cumpre o texto: “Nenhum osso seu será esmagado.”

      Contudo, para eliminar qualquer dúvida de que Jesus esteja realmente morto, um dos soldados fura-lhe o lado com uma lança. A lança penetra na região do coração, e imediatamente sai sangue e água. O apóstolo João, que é testemunha ocular, relata que isso cumpre outro texto: “Olharão para Aquele a quem traspassaram.”

      José, da cidade de Arimateia, bem-conceituado membro do Sinédrio, também assiste à execução. Ele negou-se a votar a favor da ação injusta que a alta corte tomou contra Jesus. José, na verdade, é discípulo de Jesus, embora tenha tido medo de identificar-se como tal. Agora, contudo, ele toma ânimo e pede a Pilatos o corpo de Jesus. Pilatos convoca o oficial do exército encarregado da execução e, após o oficial confirmar que Jesus está morto, Pilatos manda entregar o corpo.

      José tira o corpo e o enrola em linho fino, em preparação para o enterro. Ele é ajudado por Nicodemos, outro membro do Sinédrio. Nicodemos tampouco confessou sua fé em Jesus, por temer perder sua posição. Mas agora ele traz um rolo contendo cerca de cem libras romanas de mirra e caros aloés. O corpo de Jesus é envolvido com faixas que contêm tais aromas, exatamente como os judeus costumam fazer em preparação para sepultamentos.

      Daí, o corpo é deitado no novo túmulo memorial de José, que foi escavado na rocha, num jardim ali perto. Por fim, uma grande pedra é rolada à frente do túmulo. Para fazer o sepultamento antes do sábado, a preparação do corpo é apressada. Por conseguinte, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, o Menor, que talvez estejam ajudando na preparação, vão às pressas à casa para preparar mais aromas e óleos perfumados. Elas planejam, depois do sábado, tratar adicionalmente o corpo de Jesus a fim de preservá-lo por um período mais longo.

      No dia seguinte, que é sábado (o dia sabático judaico), os principais sacerdotes e os fariseus dirigem-se a Pilatos e dizem: “Senhor, lembramo-nos de que esse impostor dizia, enquanto ainda estava vivo: ‘Depois de três dias eu hei de ser levantado.’ Portanto, ordena que o sepulcro seja feito seguro até o terceiro dia, para que não venham os seus discípulos e o furtem, e digam ao povo: ‘Ele foi levantado dentre os mortos!’ e esta última impostura seja pior do que a primeira.”

      “Tendes uma guarda”, responde Pilatos. “Ide fazê-lo tão seguro como sabeis.” Portanto, eles vão e fazem seguro o sepulcro, selando a pedra e pondo soldados romanos de guarda.

      Bem cedo no domingo de manhã, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, junto com Salomé, Joana e outras mulheres, levam aromas ao túmulo para tratar o corpo de Jesus. A caminho, dizem umas às outras: “Quem nos rolará a pedra da frente da porta do túmulo memorial?” Mas, ao chegarem, notam que ocorreu um terremoto e que o anjo de Jeová rolou a pedra da frente. Os guardas foram embora, e o túmulo está vazio! Mateus 27:57–28:2; Marcos 15:42–16:4; Lucas 23:50–24:3, 10; João 19:14, 31–20:1; 12:42; Levítico 23:5-7; Deuteronômio 21:22, 23; Salmo 34:20; Zacarias 12:10.

      ▪ Por que a sexta-feira é chamada Preparação, e o que é um “grande” sábado?

      ▪ Que textos se cumprem em relação ao corpo de Jesus?

      ▪ O que José e Nicodemos têm que ver com o sepultamento de Jesus, e qual é o seu relacionamento com Jesus?

      ▪ Que pedido fazem os sacerdotes a Pilatos, e como responde ele?

      ▪ O que acontece bem cedo no domingo de manhã?

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