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    A Sentinela — 1995 | 1.° de março
    • Dedicados a quem?

      “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer e a ser obedientes.” — ÊXODO 24:7.

      1, 2. (a) A que se devotam algumas pessoas? (b) Limita-se a dedicação aos que têm afiliação religiosa?

      EM FEVEREIRO de 1945, os pilotos dos caças Zero, do Corpo de Pilotos Yatabe, do Japão, estavam reunidos num auditório. Cada um deles recebeu um pedaço de papel para escrever se estava disposto a se oferecer para ser membro da força de ataque camicase, suicida. “Eu achava que era minha vocação sacrificar-me numa época de crise nacional”, diz um oficial que estava presente na ocasião. “Sentindo-me emocionalmente compelido a colocar-me à disposição, ofereci-me para a missão.” Foi treinado a operar e a pilotar um Ohka (avião foguete, suicida), e a lançá-lo contra um navio de guerra inimigo. No entanto, a guerra terminou antes de ele ter a oportunidade de fazer isso e assim morrer pelo seu país e pelo imperador. Sua fé no imperador desfez-se quando o Japão perdeu a guerra.

      2 Antigamente, muitos no Japão estavam devotados ao imperador, que acreditavam ser um deus vivo. Em outros países, tem havido e ainda há outros objetos de devoção. Milhões são devotos de Maria, de Buda ou de outras divindades — muitas vezes representados por ídolos. Influenciados por oratória sensacionalista, alguns lançam seu dinheiro, duramente ganho, nos bolsos de televangelistas, num apoio de todo o coração, equivalente à devoção. Depois da guerra, os japoneses desapontados procuravam ter um novo objeto a que pudessem dedicar a vida. Para alguns, o trabalho se tornou este objeto. Tanto no Oriente como no Ocidente, muitos dedicam-se a acumular riquezas. Jovens ajustam sua vida à de músicos, cujo estilo de vida imitam. Muitos se tornaram hoje adoradores de si mesmos, tomando por objeto da sua devoção os seus próprios desejos. (Filipenses 3:19; 2 Timóteo 3:2) Mas, será que tais coisas ou pessoas realmente merecem devoção de toda a alma?

      3. Como se mostraram fúteis alguns objetos de devoção?

      3 Os idólatras, quando se confrontam com a realidade, muitas vezes ficam desiludidos. Devotar-se a ídolos resulta em frustração quando os adoradores se dão conta de que seus ídolos não são mais do que “trabalho das mãos do homem terreno”. (Salmo 115:4) Quando se expõem escândalos envolvendo destacados evangelistas, pessoas sinceras ficam desiludidas. Quando a “bolha” da prosperidade econômica fracassou, houve trabalhadores que sofreram distúrbios mentais ao se verem na lista dos demitidos. As recentes recessões aplicaram um golpe severo nos adoradores de Mamom. Dívidas contraídas na esperança de ganhar muito dinheiro tornaram-se um fardo, com poucas perspectivas de poderem ser resgatadas. (Mateus 6:24, nota) Quando idolatrados astros do rock e outros artistas morrem ou desaparecem da vida pública, seus adoradores ficam abandonados. E aqueles que têm andado na trilha da gratificação de si mesmos freqüentemente colhem frutos amargos. — Gálatas 6:7.

      4. O que induz as pessoas a dedicar sua vida a futilidades?

      4 O que faz com que as pessoas se dediquem a tais futilidades? Em grande parte, é o espírito do mundo sob Satanás, o Diabo. (Efésios 2:2, 3) A influência deste espírito é vista de diversas maneiras. Alguém talvez seja controlado pela tradição da família, transmitida pelos antepassados. A forma em que se é educado ou criado pode influenciar fortemente o modo de pensar. O ambiente existente no lugar de trabalho pode levar “guerreiros de empresa” a se viciarem no trabalho a ponto de pôr em perigo a vida. O desejo de ganhar mais é gerado pela atitude materialista do mundo. O coração de muitos é corrompido, induzindo-os a devotar-se aos seus próprios desejos egoístas. Eles deixam de examinar se esses objetivos merecem tal devoção.

      Uma nação dedicada

      5. Que dedicação a Jeová se fez há mais de 3.500 anos?

      5 Há mais de 3.500 anos, uma nação encontrou um objeto de devoção muito mais digno. Dedicou-se ao Deus soberano, Jeová. A nação de Israel, como grupo, declarou sua dedicação a Deus no ermo do Sinai.

      6. Que significância devia ter o nome de Deus para os israelitas?

      6 O que induziu os israelitas a agir assim? Quando eram escravos no Egito, Jeová comissionou Moisés a guiá-los à liberdade. Moisés perguntou como devia identificar o Deus que o enviava, e o próprio Deus revelou-se como “mostrarei ser o que eu mostrar ser”. Mandou que Moisés dissesse aos filhos de Israel: “Mostrarei ser enviou-me a vós.” (Êxodo 3:13, 14) Esta expressão indicava que Jeová se torna o que for necessário para realizar seus propósitos. Ele se revelaria como Cumpridor de promessas dum modo que os antepassados dos israelitas nunca conheceram. — Êxodo 6:2, 3.

      7, 8. Que evidências tinham os israelitas de que Jeová era um Deus digno da sua devoção?

      7 Os israelitas presenciaram a aflição sofrida pela terra do Egito e pelo seu povo com as Dez Pragas. (Salmo 78:44-51) Então, possivelmente mais de três milhões deles, incluindo mulheres e crianças, arrumaram suas coisas e saíram da terra de Gósen em uma só noite, o que já por si só foi uma notável façanha. (Êxodo 12:37, 38) A seguir, junto ao mar Vermelho, Jeová revelou-se como “pessoa varonil de guerra” quando salvou seu povo das forças militares de Faraó por abrir o mar, para deixar os israelitas passar, e por fechá-lo depois, para afogar os egípcios perseguidores. Em resultado disso, “Israel chegou também a ver a grande mão que Jeová pôs em ação contra os egípcios; e o povo começou a temer a Jeová e a ter fé em Jeová”. — Êxodo 14:31; 15:3; Salmo 136:10-15.

      8 Como se ainda lhes faltasse evidência do significado do nome de Jeová Deus, os israelitas murmuraram contra Ele e seu representante Moisés da falta de alimentos e de água. Jeová enviou codornizes, fez chover maná e fez água brotar duma rocha em Meribá. (Êxodo 16:2-5, 12-15, 31; 17:2-7) Jeová salvou também os israelitas dum ataque dos amalequitas. (Êxodo 17:8-13) De modo algum podiam os israelitas negar o que Jeová mais tarde declarou a Moisés: “Jeová, Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares, perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado.” (Êxodo 34:6, 7) Deveras, Jeová mostrou ser digno da devoção deles.

      9. Por que deu Jeová aos israelitas a oportunidade de expressarem sua dedicação a servi-lo, e como responderam?

      9 Embora Jeová fosse de direito o dono dos israelitas, por tê-los remido do Egito, ele, como Deus bondoso e misericordioso, deu-lhes a oportunidade de expressarem voluntariamente seu desejo de servi-lo. (Deuteronômio 7:7, 8; 30:15-20) Ele especificou também as condições do seu pacto com os israelitas. (Êxodo 19:3-8; 20:1-23:33) Quando estas condições foram especificadas por Moisés, os israelitas declararam: “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer e a ser obedientes.” (Êxodo 24:3-7) De livre e espontânea vontade tornaram-se uma nação dedicada ao Soberano Senhor Jeová.

      O apreço leva à dedicação

      10. Em que se deve basear a nossa dedicação a Jeová?

      10 Jeová, o Criador, continua a merecer nossa devoção de toda a alma. (Malaquias 3:6; Mateus 22:37; Revelação [Apocalipse] 4:11) No entanto, nossa dedicação não se deve basear em credulidade, emoções passageiras ou coerção de outros — nem mesmo de pais. Tem de basear-se no conhecimento exato da verdade sobre Jeová e no apreço do que Jeová tem feito por nós. (Romanos 10:2; Colossenses 1:9, 10; 1 Timóteo 2:4) Assim como Jeová concedeu aos israelitas a oportunidade de expressarem voluntariamente sua dedicação, assim ele nos dá a chance de voluntariamente nos dedicarmos e de tornarmos pública a nossa dedicação. — 1 Pedro 3:21.

      11. O que revelou nosso estudo da Bíblia a respeito de Jeová?

      11 Por meio do estudo da Bíblia, chegamos a conhecer a Jeová como pessoa. A Sua Palavra nos ajuda a discernir Suas qualidades conforme refletidas na criação. (Salmo 19:1-4) Podemos ver, à base da Sua Palavra, que Ele não é uma Trindade misteriosa, que não pode ser compreendida. Ele não perde guerras, e assim não precisa renunciar à sua Divindade. (Êxodo 15:11; 1 Coríntios 8:5, 6; Revelação 11:17, 18) Visto que ele tem cumprido as suas promessas, lembra-se-nos o significado do seu belo nome, Jeová. É o Grandioso, Aquele Que Tem um Propósito. (Gênesis 2:4, nota; Salmo 83:18; Isaías 46:9-11) Pelo estudo da Bíblia, chegamos a entender claramente como ele é fiel e confiável. — Deuteronômio 7:9; Salmo 19:7, 9; 111:7.

      12. (a) O que nos atrai a Jeová? (b) Como é a pessoa induzida por experiências da vida real, registradas na Bíblia, a querer servir a Jeová? (c) O que você acha de servir a Jeová?

      12 O que nos atrai especialmente a Jeová é sua personalidade amorosa. A Bíblia demonstra como ele é amoroso, perdoador e misericordioso nos seus tratos com os humanos. Pense só em como ele fez Jó prosperar depois de este ter mantido fielmente a sua integridade. O que se passou com Jó destaca que “Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso”. (Tiago 5:11; Jó 42:12-17) Pense em como Jeová tratou a Davi depois de este cometer adultério e homicídio. Sim, Jeová está disposto a perdoar mesmo pecados graves quando o pecador se dirige a ele de “coração quebrantado e esmagado”. (Salmo 51:3-11, 17) Pense em como Jeová tratou a Saulo de Tarso, que inicialmente era um implacável perseguidor do povo de Deus. Esses exemplos destacam a misericórdia e a disposição generosa de Deus de usar os arrependidos. (1 Coríntios 15:9; 1 Timóteo 1:15, 16) Paulo achou que podia empenhar a própria vida para servir este Deus amoroso. (Romanos 14:8) Pensa você também assim?

      13. Que grande expressão de amor por parte de Jeová compele os de coração reto a dedicar-se a ele?

      13 Jeová salvou os israelitas da servidão no Egito, e ele preparou o meio para nos salvar da servidão ao pecado e à morte — o sacrifício resgatador de Jesus Cristo. (João 3:16) Paulo diz: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” (Romanos 5:8) Este arranjo amoroso compele os de coração reto a dedicar-se a Jeová por meio de Jesus Cristo. “Pois o amor de Cristo nos compele, porque foi isso o que julgamos, que um só homem morreu por todos; de modo que, então, todos tinham morrido; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivessem mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles e foi levantado.” — 2 Coríntios 5:14, 15; Romanos 8:35-39.

      14. Basta o mero conhecimento dos tratos de Jeová para nos sentirmos induzidos a dedicar a vida a ele? Queira explicar isso.

      14 Mesmo assim, não basta ter conhecimento da personalidade de Jeová e dos seus tratos com a humanidade. É preciso cultivar apreço pessoal por Jeová. Como podemos fazer isso? Por aplicarmos a Palavra de Deus na nossa vida e reconhecermos que os princípios encontrados nela funcionam mesmo. (Isaías 48:17) Temos de sentir que Jeová nos salvou do lamaçal deste mundo iníquo que está sob o domínio de Satanás. (Note 1 Coríntios 6:11.) Na nossa luta de fazer o que é direito, aprendemos a confiar em Jeová, e passamos a dar-nos conta de que ele é o Deus vivente, o “Ouvinte de oração”. (Salmo 62:8; 65:2) Sentimo-nos logo bem achegados a ele e conseguimos confiar a ele nossos sentimentos mais íntimos. O caloroso sentimento de amor a Jeová aumenta em nós. Isto, sem dúvida, nos leva a dedicarmos a vida a ele.

      15. O que motivou certo homem, antes dedicado ao trabalho, a servir a Jeová?

      15 Muitos chegaram a conhecer este Deus amoroso, Jeová, e dedicaram a vida a servi-lo. Tome por exemplo o caso dum eletricista com um negócio próspero. Havia ocasiões em que ele começava a trabalhar de manhã e continuava o dia todo e noite adentro, voltando para casa às cinco da manhã no dia seguinte. Depois de descansar por cerca de uma hora, saía para o próximo trabalho. “Eu estava dedicado ao meu trabalho”, lembra-se ele. Quando sua esposa começou a estudar a Bíblia, ele participou. Diz ele: “Todos os deuses que eu conhecera até então apenas esperavam ser servidos, não fazendo nada para nos beneficiar. Mas, Jeová tomou a iniciativa e enviou seu Filho unigênito à terra num grande sacrifício pessoal.” (1 João 4:10, 19) Em dez meses, este homem dedicou-se a Jeová. Daí em diante, concentrou-se em servir o Deus vivente. Ingressou no ministério de tempo integral e mudou-se para servir onde havia mais necessidade. Ele, igual aos apóstolos, ‘abandonou todas as coisas e seguiu Jesus’. (Mateus 19:27) Depois de dois meses, ele e sua esposa foram chamados para servir na congênere da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados no país em que moravam, para que pudesse ajudar em serviços de eletricidade. Já por mais de 20 anos ele está trabalhando na congênere, fazendo serviço de que gosta — não para si mesmo, mas para Jeová.

      Torne pública a sua dedicação

      16. Quais são alguns dos passos que se devem dar para fazer a dedicação a Jeová?

      16 Depois de estudar a Bíblia por um tempo, tanto jovens como idosos chegam a apreciar a Jeová e o que Ele tem feito por eles. Isto deve induzi-los a se dedicarem a Deus. Você talvez seja um destes. Como pode dedicar-se a Jeová? Depois de absorver da Bíblia o conhecimento exato, deve agir segundo este conhecimento, e deve exercer fé em Jeová e em Jesus Cristo. (João 17:3) Arrependa-se e dê meia-volta de qualquer anterior proceder pecaminoso. (Atos 3:19) Chegará assim ao passo da dedicação, expressando-a com palavras solenes em oração a Jeová. Esta oração, sem dúvida, deixará uma impressão duradoura na sua mente, porque será o ponto de partida duma nova relação com Jeová.

      17. (a) Por que consideram os anciãos com os recém-dedicados certas perguntas preparadas? (b) Que passo importante se deve dar não muito tempo depois da dedicação, e para que fim?

      17 Assim como Moisés explicou aos israelitas as condições para entrar numa relação pactuada com Jeová, os anciãos nas congregações das Testemunhas de Jeová ajudam os recém-dedicados a examinar exatamente o que está envolvido nisso. Usam perguntas preparadas para confirmar que cada um entende plenamente os ensinos básicos da Bíblia e sabe o que está envolvido em ser Testemunha de Jeová. Daí, é bem apropriado que haja uma cerimônia para tornar a dedicação pública. Naturalmente, o recém-dedicado está ansioso de deixar outros saber que entrou numa relação privilegiada com Jeová. (Note Jeremias 9:24.) Faz isso apropriadamente pelo batismo em água, em símbolo da dedicação. Ser ele imerso em água e depois levantado dela simboliza que morre para com seu anterior modo egotístico de vida e é levantado para um novo modo de vida, o de fazer a vontade de Deus. Não se trata dum sacramento, nem dum ritual parecido ao rito xintoísta de misogi, no qual a pessoa supostamente é purificada pela água.a Antes, o batismo é a declaração pública duma dedicação já feita antes em oração.

      18. Por que podemos confiar em que nossa dedicação não será em vão?

      18 Esta ocasião solene é uma experiência inesquecível, lembrando ao novo servo de Deus a relação duradoura que ele tem agora com Jeová. Dessemelhante da dedicação que o piloto camicase fez ao seu país e ao imperador, esta dedicação a Jeová não será em vão, porque ele é o eterno Deus todo-Poderoso, que realiza tudo o que pretende fazer. Ele, e somente ele, é digno de nossa devoção de todo o coração. — Isaías 55:9-11.

      19. O que será considerado no artigo que segue?

      19 Todavia, há mais envolvido na dedicação. Por exemplo, como influi a dedicação na nossa vida cotidiana? Isto será considerado no artigo que segue.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja O Homem em Busca de Deus, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, páginas 194-5.

  • Vivamos à altura da nossa dedicação “dia após dia”
    A Sentinela — 1995 | 1.° de março
    • Vivamos à altura da nossa dedicação “dia após dia”

      “Se alguém quer vir após mim, repudie-se a si mesmo e apanhe a sua estaca de tortura, dia após dia, e siga-me continuamente.” — LUCAS 9:23.

      1. Qual é um modo de medirmos nosso êxito como cristãos?

      ÉRAMOS realmente homens dedicados?” A resposta a esta pergunta, segundo John F. Kennedy, 35.º presidente dos Estados Unidos, constitui um fator para se medir o êxito dos que ocupam cargos públicos. A pergunta, com um sentido mais profundo, poderia servir de teste de nosso êxito como ministros cristãos.

      2. Como é a palavra “dedicação” definida pelos dicionários?

      2 No entanto, o que é a dedicação? O Dicionário Caldas Aulete a define como “afeto extremo, adesão ou devoção para com alguém ou alguma coisa”, e o Dicionário de Webster (Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary) define-a adicionalmente como “ato ou rito de dedicar a um ser divino ou a um uso sagrado”, “devotar ou reservar para um objetivo específico”, “devoção abnegada”. John F. Kennedy, pelo visto, usou a palavra no sentido de “devoção abnegada”. Para o cristão, a dedicação significa muito mais.

      3. O que é a dedicação cristã?

      3 Jesus Cristo disse aos seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim negue-se a si mesmo e apanhe a sua estaca de tortura, e siga-me continuamente.” (Mateus 16:24) Ser posto à parte para o uso divino não envolve simplesmente fazer um ato de adoração no domingo ou visitar um lugar de culto. Envolve todo o modo de vida da pessoa. Ser cristão significa repudiar-se ou negar-se a si mesmo quando se serve ao Deus a quem Jesus Cristo serviu, Jeová. Além disso, o cristão apanha sua “estaca de tortura” por suportar qualquer sofrimento que lhe possa sobrevir por ser seguidor de Cristo.

      O exemplo perfeito

      4. O que representava o batismo de Jesus?

      4 Quando Jesus esteve na terra, ele demonstrou o que significa dedicar-se a Jeová. Seus sentimentos eram: “Sacrifício e oferta não quiseste, porém, preparaste-me um corpo.” Depois acrescentou: “Eis aqui vim (no rolo do livro está escrito a meu respeito) para fazer a tua vontade, ó Deus.” (Hebreus 10:5-7) Ele, como membro duma nação dedicada, estava dedicado a Jeová de nascença. Ainda assim, no início do seu ministério terrestre, ele se ofereceu para o batismo em símbolo de que se apresentava para fazer a vontade de Jeová, o que, no caso dele, incluía oferecer sua vida como sacrifício de resgate. Deu assim aos cristãos o exemplo de se fazer o que for da vontade de Jeová.

      5. Como demonstrou Jesus ter um conceito exemplar sobre as coisas materiais?

      5 Depois do seu batismo, Jesus levou uma vida que por fim resultou numa morte sacrificial. Ele não estava interessado em ganhar dinheiro, nem em levar uma vida de ócio. Antes, sua vida girava em torno do seu ministério. Admoestou os discípulos a ‘persistir em buscar primeiro o reino e a Sua justiça’, e ele mesmo viveu segundo estas palavras. (Mateus 6:33) Ora, certa vez ele até mesmo disse: “As raposas têm covis e as aves do céu têm poleiros, mas o Filho do homem não tem onde deitar a cabeça.” (Mateus 8:20) Ele poderia ter ajustado seus ensinos para extorquir dinheiro dos seus seguidores. Sendo carpinteiro, poderia ter tomado tempo para fazer belos móveis, com o fim de vendê-los para ganhar algumas moedas de prata extras. Mas, ele não usou suas habilidades para conseguir prosperidade material. Será que nós, como servos dedicados de Deus, imitamos a Jesus por ter a perspectiva correta das coisas materiais? — Mateus 6:24-34.

      6. Como podemos imitar a Jesus em ser servos abnegados, dedicados, de Deus?

      6 Por colocar o seu serviço a Deus em primeiro lugar, Jesus não buscava os seus próprios interesses. Durante os três anos e meio do seu ministério público, sua vida era de abnegação. Em certa ocasião, depois dum dia atarefado, sem mesmo ter tomado tempo para uma refeição, Jesus estava disposto a ensinar pessoas que “andavam esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36; Marcos 6:31-34) Embora estivesse “cansado da jornada”, tomou a iniciativa de falar com uma mulher samaritana que viera à fonte de Jacó em Sicar. (João 4:6, 7, 13-15) Ele sempre colocava o bem-estar dos outros à frente do seu próprio. (João 11:5-15) Podemos imitar a Jesus por sacrificar generosamente nossos próprios interesses para servir a Deus e a outros. (João 6:38) Por pensarmos em termos de como podemos realmente agradar a Deus, em vez de apenas fazer o mínimo exigido, viveremos à altura da nossa dedicação.

      7. Como podemos imitar a Jesus em sempre dar honra a Jeová?

      7 De modo algum tentava Jesus atrair atenção a si mesmo por ajudar as pessoas. Estava dedicado a Deus para fazer a vontade Dele. De modo que sempre se certificava de que Jeová, seu Pai, recebesse toda a glória por tudo o que se realizava. Quando certo governante o chamou de “Bom Instrutor”, usando a palavra “bom” como título, Jesus corrigiu-o por dizer: “Ninguém é bom, a não ser um só, Deus.” (Lucas 18:18, 19; João 5:19, 30) Estamos nós, iguais a Jesus, prontos para desviar a honra de nós para Jeová?

      8. (a) Sendo homem dedicado, como se pôs Jesus à parte do mundo? (b) Como devemos imitá-lo?

      8 Durante toda a sua vida dedicada na terra, Jesus demonstrou que se pusera à parte para o serviço divino. Ele se manteve puro, a fim de poder oferecer-se como “cordeiro sem mácula nem mancha”, para ser o sacrifício resgatador. (1 Pedro 1:19; Hebreus 7:26) Observou todos os preceitos da Lei mosaica, cumprindo assim esta Lei. (Mateus 5:17; 2 Coríntios 1:20) Viveu à altura do seu próprio ensino sobre a moral. (Mateus 5:27, 28) Ninguém podia legitimamente acusá-lo de motivação má. De fato, ele ‘odiava o que era contra a lei’. (Hebreus 1:9) Que nós, como escravos de Deus, imitemos a Jesus em manter nossa vida e mesmo nossa motivação limpas aos olhos de Jeová.

      Exemplos que servem de aviso

      9. Que exemplo mencionou Paulo como aviso, e por que devemos considerar este exemplo?

      9 Em contraste com o exemplo de Jesus, temos o exemplo dos israelitas, que serve de aviso. Mesmo depois de terem declarado que fariam tudo o que Jeová lhes mandara fazer, deixaram de cumprir com a vontade dele. (Daniel 9:11) O apóstolo Paulo exortou os cristãos a aprenderem algo do que sobreveio aos israelitas. Examinemos alguns incidentes mencionados por Paulo na sua primeira carta aos coríntios e vejamos que armadilhas precisam ser evitadas pelos servos dedicados de Deus no nosso tempo. — 1 Coríntios 10:1-6, 11.

      10. (a) Como foi que os israelitas ‘desejaram coisas prejudiciais’? (b) Por que eram os israelitas mais repreensíveis da segunda vez em que murmuraram do alimento, e o que podemos aprender deste exemplo que serve de aviso?

      10 Primeiro, Paulo advertiu-nos a não estarmos ‘desejosos de coisas prejudiciais’. (1 Coríntios 10:6) Isto talvez nos lembre a ocasião em que os israelitas se queixaram de ter apenas o maná para comer. Jeová enviou-lhes codornizes. Algo similar tinha acontecido mais ou menos um ano antes, no ermo de Sim, pouco antes de os israelitas declararem sua dedicação a Jeová. (Êxodo 16:1-3, 12, 13) Mas, a situação não era exatamente a mesma. Da primeira vez, quando Jeová forneceu codornizes, ele não repreendeu os israelitas por terem murmurado. Esta vez, porém, a situação era diferente. “A carne estava ainda entre os seus dentes, antes que pudesse ser mastigada, quando se acendeu a ira de Jeová contra o povo e Jeová começou a atingir o povo com uma matança muito grande.” (Números 11:4-6, 31-34) O que havia mudado? Como nação dedicada, eram agora considerados responsáveis. Sua falta de apreço pelas provisões de Jeová levou-os a se queixarem dele, apesar de terem prometido fazer tudo o que Jeová falara! Queixar-se hoje da mesa de Jeová é similar. Alguns deixam de apreciar as provisões espirituais de Jeová por meio do “escravo fiel e discreto”. (Mateus 24:45-47) Lembre-se, porém, de que a nossa dedicação requer que sejamos gratos pelo que Jeová tem feito por nós e que aceitemos o alimento espiritual suprido por Ele.

      11. (a) Como poluíram os israelitas a sua adoração de Jeová com a idolatria? (b) Como poderia afetar-nos algum tipo de idolatria?

      11 A seguir, Paulo advertiu: ‘Nem nos tornemos idólatras, assim como alguns deles se tornaram.’ (1 Coríntios 10:7) O apóstolo evidentemente referiu-se com isso à adoração do bezerro, que ocorreu logo depois de os israelitas terem celebrado o pacto com Jeová junto ao monte Sinai. Você talvez diga: ‘Eu, como servo dedicado de Jeová, nunca me envolverei em idolatria.’ Note, porém, que do ponto de vista dos israelitas eles nunca deixaram de adorar a Jeová; no entanto, introduziram a prática da adoração do bezerro — algo repugnante para Deus. O que estava envolvido nesta forma de adoração? O povo ofereceu sacrifícios diante do bezerro e depois “se assentou para comer e beber. Levantaram-se então para se divertir”. (Êxodo 32:4-6) Hoje em dia, alguns afirmam que adoram a Jeová. Mas a sua vida talvez não gire em torno da adoração de Jeová, mas do usufruto de coisas deste mundo e procuram ajustar seu serviço a Jeová a essas. É verdade que isso não é tão extremo como curvar-se diante dum bezerro de ouro, mas, em princípio, não é muito diferente. Transformar os nossos desejos num deus está muito longe de viver à altura da dedicação feita a Jeová. — Filipenses 3:19.

      12. O que aprendemos da experiência dos israelitas com Baal de Peor a respeito de nos negarmos a nós mesmos?

      12 Certo tipo de diversão também estava envolvido no próximo exemplo mencionado por Paulo como aviso. “Nem pratiquemos a fornicação, assim como alguns deles cometeram fornicação, só para caírem, vinte e três mil deles, num só dia.” (1 Coríntios 10:8) Os israelitas, engodados pelo prazer imoral oferecido pelas filhas de Moabe, foram induzidos a adorar o Baal de Peor, em Sitim. (Números 25:1-3, 9) Renunciar a si mesmo para fazer a vontade de Jeová inclui aceitar as normas dele do que é moralmente limpo. (Mateus 5:27-30) Nesta era de normas deterioradas, somos lembrados da necessidade de nos manter isentos de todos os tipos de conduta imoral, sujeitando-nos à autoridade de Jeová para decidir o que é bom e o que é mau. — 1 Coríntios 6:9-11.

      13. Como nos ajuda o exemplo de Finéias a compreender o que está incluído na dedicação?

      13 Ao passo que muitos caíram na armadilha da fornicação em Sitim, outros viveram à altura da dedicação nacional a Jeová. Dentre estes, destacou-se Finéias por seu zelo. Quando avistou um maioral israelita levar uma midianita à sua tenda, Finéias tomou imediatamente uma lança na mão e os traspassou. Jeová disse a Moisés: “Finéias . . . fez retornar meu furor de sobre os filhos de Israel por não tolerar nenhuma rivalidade para comigo no meio deles, de modo que não exterminei os filhos de Israel na minha insistência na devoção exclusiva.” (Números 25:11) Não tolerar nenhuma rivalidade para com Jeová — este é o sentido da dedicação. Não podemos permitir que outra coisa tome o lugar que a dedicação a Jeová deve ocupar no nosso coração. O zelo por Jeová nos induz também a manter a congregação limpa por relatar aos anciãos grave imoralidade, não a tolerando.

      14. (a) Como é que os israelitas puseram Jeová à prova? (b) Como nos ajuda a dedicação total a Jeová a não ‘nos cansarmos’?

      14 Paulo mencionou outro exemplo que serve de aviso: “Nem ponhamos Jeová à prova, assim como alguns deles o puseram à prova, só para perecerem pelas serpentes.” (1 Coríntios 10:9) Paulo falou ali sobre a ocasião em que os israelitas se queixaram de Deus a Moisés, quando o povo “começou a cansar-se por causa do caminho”. (Números 21:4) Comete você às vezes este engano? Quando se dedicou a Jeová, achava que o Armagedom vinha logo? Tem sido a paciência de Jeová maior do que você esperava? Lembre-se de que não nos dedicamos a Jeová só por certo período ou apenas até o Armagedom. Nossa dedicação continua para sempre. Assim, “não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos.” — Gálatas 6:9.

      15. (a) Contra quem murmuraram os israelitas? (b) Como nos induz nossa dedicação a Jeová a respeitar a autoridade teocrática?

      15 Por fim, Paulo advertiu de não nos tornarmos “resmungadores” contra os servos designados de Jeová. (1 Coríntios 10:10) Os israelitas murmuraram veementemente contra Moisés e Arão, quando 10 dos 12 espias, enviados para pesquisar a terra de Canaã, voltaram com relatórios negativos. Até mesmo falaram de substituir Moisés como seu líder e voltar ao Egito. (Números 14:1-4) Aceitamos atualmente a liderança que nos é dada por meio da ação do espírito santo de Jeová? Em vista da abundante mesa espiritual fornecida pela classe do escravo fiel e discreto, é evidente a quem Jesus usa para dar “alimento no tempo apropriado”. (Mateus 24:45) A dedicação de toda a alma a Jeová requer que respeitemos os seus servos designados. Que nunca nos tornemos como alguns resmungadores atuais, que procuraram como que um novo líder para guiá-los de volta ao mundo.

      Faço eu o máximo?

      16. Que perguntas talvez queiram os servos dedicados de Deus fazer a si mesmos?

      16 Os israelitas não teriam cometido esses graves erros se se tivessem lembrado de que sua dedicação a Jeová fora incondicional. Jesus Cristo, dessemelhante daqueles israelitas sem fé, viveu à altura da sua dedicação, até o fim. Nós, como seguidores de Cristo, imitamos seu exemplo de devoção de toda a alma, vivendo “não mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus”. (1 Pedro 4:2; note 2 Coríntios 5:15.) A vontade de Jeová, hoje, é que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade”. (1 Timóteo 2:4) Por este motivo, devemos pregar “estas boas novas do reino” antes de vir o fim. (Mateus 24:14) Quanto nos esforçamos neste serviço? Talvez queiramos perguntar a nós mesmos: ‘Faço eu o máximo?’ (2 Timóteo 2:15) As situações diferem. Jeová se agrada de ser servido “segundo o que a pessoa tem, não segundo o que a pessoa não tem”. (2 Coríntios 8:12; Lucas 21:1-4) Ninguém deve julgar a profundeza e a sinceridade da dedicação de outro. Cada um deve pessoalmente avaliar o alcance da sua própria devoção a Jeová. (Gálatas 6:4) Nosso amor a Jeová deve induzir-nos a perguntar: ‘Como posso fazer Jeová feliz?’

      17. Que relação há entre a devoção e o apreço? Queira ilustrar isso.

      17 Nossa devoção a Jeová se intensifica ao passo que aumentamos em apreço por ele. Um rapaz de 14 anos, no Japão, dedicou-se a Jeová e simbolizou esta dedicação pelo batismo em água. Mais tarde, ele quis obter uma educação superior e tornar-se cientista. Nunca pensou no ministério de tempo integral, mas, por ser servo dedicado, não quis abandonar a Jeová e sua organização visível. Para seguir a sua carreira, cursou uma universidade. Ali viu universitários forçados a dedicar toda a sua vida às suas firmas ou aos seus estudos. Ele se perguntou: ‘O que estou fazendo aqui? Posso realmente seguir o modo de vida deles e dedicar-me ao trabalho secular? Não sou já dedicado a Jeová?’ Com renovado apreço, tornou-se pioneiro regular. O entendimento da sua dedicação aprofundou-se e o induziu a decidir no coração ir aonde quer que fosse necessário. Cursou a Escola de Treinamento Ministerial e recebeu uma designação para servir como missionário no além-mar.

      18. (a) O que envolve nossa dedicação a Jeová? (b) Que recompensa podemos obter por causa da nossa dedicação a Jeová?

      18 A dedicação envolve toda a nossa vida. Temos de negar a nós mesmos e seguir “dia após dia” o excelente exemplo de Jesus. (Lucas 9:23) Uma vez que negamos a nós mesmos, não pedimos a Jeová licença para nos ausentar do trabalho. Nossa vida se ajusta aos princípios que Jeová estabeleceu para seus servos. Mesmo nos campos em que podemos fazer uma escolha pessoal, faremos bem em verificar se fazemos o melhor possível para levar uma vida dedicada a Jeová. Ao passo que o servimos dia após dia, fazendo o máximo para agradá-lo, seremos bem-sucedidos como cristãos e seremos abençoados com um sorriso de aprovação da parte de Jeová, Aquele que é digno da nossa devoção de toda a alma.

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