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Incline seu coração ao discernimentoA Sentinela — 1997 | 15 de março
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Incline seu coração ao discernimento
“O próprio Jeová dá sabedoria; da sua boca procedem conhecimento e discernimento.” — PROVÉRBIOS 2:6.
1. Como podemos inclinar o coração ao discernimento?
JEOVÁ é nosso Grandioso Instrutor. (Isaías 30:20, 21) Mas o que precisamos fazer para tirar proveito do “próprio conhecimento de Deus”, revelado na sua Palavra? Em parte, temos de ‘inclinar nosso coração ao discernimento’ — desejar de coração adquirir e demonstrar esta qualidade. Para conseguir isso, temos de recorrer a Deus, pois o sábio disse: “O próprio Jeová dá sabedoria; da sua boca procedem conhecimento e discernimento.” (Provérbios 2:1-6) O que são conhecimento, sabedoria e discernimento?
2. (a) Que é conhecimento? (b) Como definiria você a sabedoria? (c) Que é discernimento?
2 Conhecimento é familiaridade com fatos colhidos por experiência, observação ou estudo. Sabedoria é a habilidade de pôr o conhecimento em prática. (Mateus 11:19) O Rei Salomão mostrou ter sabedoria quando duas mulheres reivindicavam o mesmo filho e ele usou seu conhecimento da devoção que a mãe tem ao seu filho para resolver a disputa. (1 Reis 3:16-28) Discernimento é saber “estabelecer diferença; separar; distinguir”. É a “faculdade de julgar as coisas clara e sensatamente; critério; tino; juízo”. (Novo Dicionário Aurélio) Se inclinarmos o coração ao discernimento, Jeová no-lo dará por meio do seu Filho. (2 Timóteo 2:1, 7) Mas como pode o discernimento afetar os diversos aspectos da vida?
Discernimento e nosso modo de falar
3. Como explicaria Provérbios 11:12, 13, e que significa ser “falto de coração”?
3 O discernimento nos ajuda a reconhecer que há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7) Esta qualidade nos faz também ter cuidado com o que dizemos. Provérbios 11:12, 13, declara: “O falto de coração desprezou o seu próprio próximo, mas o homem de amplo discernimento é quem se mantém calado. Quem anda em volta como caluniador está revelando palestra confidencial, mas quem é fiel no espírito encobre o assunto.” Deveras, o homem ou a mulher que despreza outra pessoa é “falto de coração”. Segundo o lexicógrafo Wilhelm Gesenius, tal pessoa “tem falta de entendimento”. Ele ou ela não tem bom critério, e o uso do termo “coração” mostra que o íntimo da pessoa é deficiente em qualidades positivas. Quando um professo cristão, ou cristã, leva a sua conversa frívola a ponto de caluniar ou insultar, os anciãos designados têm de agir para acabar com tal situação prejudicial na congregação. — Levítico 19:16; Salmo 101:5; 1 Coríntios 5:11.
4. Que fazem os cristãos fiéis de discernimento com informações confidenciais que têm?
4 Dessemelhantes dos ‘faltos de coração’, os que têm “amplo discernimento” ficam calados quando isso é apropriado. Não revelam coisas confidenciais. (Provérbios 20:19) Sabendo que a língua solta pode causar dano, os que têm discernimento são ‘fiéis no espírito’. São leais aos concrentes e não divulgam assuntos confidenciais que poderiam pô-los em perigo. Quando cristãos de discernimento recebem algum tipo de informação confidencial relacionada com a congregação, guardam isso para si até que a organização de Jeová ache próprio revelá-la pelos seus próprios meios de divulgação.
Discernimento e nossa conduta
5. Como encaram ‘os estúpidos’ a conduta desenfreada, e por quê?
5 Os provérbios bíblicos nos ajudam a usar de discernimento e a evitar conduta imprópria. Por exemplo, Provérbios 10:23 diz: “Para o estúpido, empenhar-se em conduta desenfreada é como um divertimento, mas a sabedoria é para o homem de discernimento.” Aqueles para quem a conduta desenfreada é “como um divertimento” estão cegos para com o erro do seu caminho e desconsideram que Deus é aquele a quem todos têm de prestar contas. (Romanos 14:12) Tais ‘estúpidos’ ficam pervertidos no raciocínio a ponto de presumir que Deus não vê suas transgressões. Na realidade, dizem com as suas ações: “Não há Jeová.” (Salmo 14:1-3; Isaías 29:15, 16) Por não se guiarem por princípios piedosos, falta-lhes discernimento e eles não conseguem julgar corretamente os assuntos. — Provérbios 28:5.
6. Por que é estúpida a conduta desenfreada, e como a encaramos quando temos discernimento?
6 “O homem de discernimento” reconhece que a conduta desenfreada não é “um divertimento”, um jogo. Ele sabe que esta desagrada a Deus e pode destruir nossa relação com Ele. Uma conduta assim é estúpida, porque priva as pessoas do amor-próprio, arruína o casamento, prejudica tanto a mente como o corpo, e resulta na perda da espiritualidade. Portanto, inclinemos o coração ao discernimento e evitemos toda espécie de conduta desenfreada ou de imoralidade. — Provérbios 5:1-23.
Discernimento e nosso espírito
7. Quais são alguns dos efeitos físicos causados pela ira?
7 Inclinarmos o coração ao discernimento também nos ajuda a controlar o espírito. “Quem é vagaroso em irar-se é abundante em discernimento”, diz Provérbios 14:29, “mas aquele que é impaciente exalta a tolice”. Um motivo de a pessoa de discernimento se esforçar a evitar a ira descontrolada é que esta nos causa efeitos físicos adversos. Pode aumentar a pressão arterial e criar problemas respiratórios. Os médicos têm citado a ira e o furor como emoções agravantes ou causadoras de moléstias tais como a asma, doenças de pele, problemas digestivos e úlceras.
8. A que pode levar a impaciência, mas como nos pode ajudar o discernimento neste respeito?
8 Não é apenas para evitar prejudicar nossa saúde que devemos usar de discernimento e ser ‘vagarosos em irar-nos’. A impaciência pode provocar ações tolas que lamentaríamos depois. O discernimento nos faz considerar o resultado de falar demais ou de ter conduta irrefletida, e assim nos impede de fazermos imprudentemente algo que ‘exalte a tolice’. Em especial, o discernimento nos ajuda a reconhecer que a ira pode perturbar nosso raciocínio, de modo que não consigamos usar de bom critério. Isto inibiria nossa capacidade de fazer a vontade divina e de viver segundo os princípios justos de Deus. Deveras, entregar-se à ira descontrolada é espiritualmente prejudicial. De fato, os “acessos de ira” são classificados entre as detestáveis “obras da carne”, que impediriam que herdássemos o Reino de Deus. (Gálatas 5:19-20) Portanto, como cristãos de discernimento, sejamos ‘rápidos no ouvir, vagarosos no falar, vagarosos no furor’. — Tiago 1:19.
9. Como podem o discernimento e o amor fraternal ajudar-nos a resolver diferenças?
9 Se ficarmos irados, o discernimento pode indicar-nos que devemos ficar quietos para evitar uma conflagração. Provérbios 17:27 diz: “Quem refreia as suas declarações é possuído de conhecimento e o homem de discernimento é de espírito frio.” O discernimento e o amor fraternal nos ajudarão a compreender a necessidade de controlar o impulso de, sem pensar, falar algo que possa magoar. Se já houve uma explosão de ira, o amor e a humildade nos induzirão a pedir desculpas e a reparar o dano. Mas, suponhamos que alguém nos tenha ofendido. Neste caso, falemos com ele em particular, de forma branda e humilde, com o objetivo principal de promover a paz. — Mateus 5:23, 24; 18:15-17.
Discernimento e nossa família
10. Que papel desempenham a sabedoria e o discernimento na vida familiar?
10 Os familiares precisam demonstrar sabedoria e discernimento, porque estas qualidades edificam a família. Provérbios 24:3, 4, diz: “Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento. E pelo conhecimento se encherão os quartos interiores com todas as coisas preciosas e agradáveis de valor.” A sabedoria e o discernimento são como blocos de construção para uma vida familiar bem-sucedida. O discernimento ajuda os pais cristãos a fazer com que os filhos expressem seus sentimentos e suas preocupações. Quem tem discernimento consegue comunicar-se, escutar e entender os sentimentos e os pensamentos do seu cônjuge. — Provérbios 20:5.
11. Como é que a mulher casada que tem discernimento pode ‘edificar a sua casa’?
11 Sem dúvida, a sabedoria e o discernimento são vitais para a vida feliz em família. Por exemplo, Provérbios 14:1 diz: “A mulher realmente sábia edificou a sua casa, mas a tola a derruba com as suas próprias mãos.” A mulher casada, sábia e de discernimento, em devida sujeição ao marido, esforçar-se-á arduamente para o bem da família e assim ajudará a edificá-la. Uma coisa que ‘edificará a sua casa’ é ela sempre falar bem do marido e assim aumentar o respeito dos outros por ele. E a esposa capaz e de discernimento, que tiver temor reverente de Jeová, granjeará louvor para si. — Provérbios 12:4; 31:28, 30.
Discernimento e o caminho que seguimos na vida
12. Como é a tolice encarada pelos ‘faltos de coração’, e por quê?
12 O discernimento nos ajuda a seguir o caminho reto em todos os nossos assuntos. Isto é indicado em Provérbios 15:21, que diz: “A tolice é a alegria do falto de coração, mas homem de discernimento é aquele que vai diretamente para a frente.” Como devemos entender este provérbio? O caminho tolo, ou a tolice, dá alegria a homens, mulheres e jovens insensatos. São ‘faltos de coração’, não tendo motivação boa, e são tão insensatos que se alegram com a tolice.
13. O que discerniu Salomão a respeito do riso e da frivolidade?
13 O Rei Salomão, de Israel, com discernimento, aprendeu que a frivolidade tem pouco sentido. Ele admitiu: “Eu é que disse no meu coração: ‘Ora, vem deveras, deixa-me experimentar-te com alegria. Também, vê o que é bom.’ E eis que isso também era vaidade. Eu disse ao riso: ‘Insânia!’ e à alegria: ‘Que está fazendo esta?’” (Eclesiastes 2:1, 2) Sendo homem de discernimento, Salomão descobriu que a hilaridade e o riso, por si sós, não satisfazem, porque não produzem nenhuma felicidade real e duradoura. O riso pode ajudar-nos a esquecer problemas temporariamente, mas depois eles podem surgir de novo de forma ainda maior. Salomão pôde de direito chamar o riso de “insânia”. Por quê? Porque o riso sem sentido obscurece o bom critério. Pode induzir-nos a encarar levianamente assuntos muito mais sérios. O tipo de alegria associado com as palavras e os atos dum bobo de corte não pode ser citado como tendo produzido algo de valor. Discernirmos a significação da experiência de Salomão com o riso e a alegria ajuda-nos a evitar ser “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. — 2 Timóteo 3:1, 4.
14. Como é que o homem de discernimento vai “diretamente para a frente”?
14 Como é que o homem de discernimento vai “diretamente para a frente”? O discernimento espiritual e a aplicação de princípios piedosos fazem as pessoas seguir um caminho reto para a frente. A tradução de Byington diz francamente: “A tolice é a alegria do desmiolado, mas o homem inteligente anda direito.” O “homem de discernimento” segue um caminho reto e é capaz de distinguir o certo do errado, porque aplica a Palavra de Deus na vida. — Hebreus 5:14; 12:12, 13.
Sempre recorra a Jeová para obter discernimento
15. O que aprendemos de Provérbios 2:6-9?
15 Para seguirmos um caminho reto na vida, todos temos de reconhecer nossa imperfeição e recorrer a Jeová em busca de discernimento espiritual. Provérbios 2:6-9 diz: “O próprio Jeová dá sabedoria; da sua boca procedem conhecimento e discernimento. E para os retos ele entesourará a sabedoria prática; para os que andam em integridade ele é escudo, observando as veredas do juízo, e ele guardará o próprio caminho dos que lhe são leais. Neste caso entenderás a justiça, e o juízo, e a retidão, o curso inteiro do que é bom.” — Note Tiago 4:6.
16. Por que não há sabedoria, nem discernimento, nem conselho em oposição a Jeová?
16 Admitindo nossa dependência de Jeová, procuremos então humildemente discernir a vontade dele por aprofundar-nos na Sua Palavra. Ele tem sabedoria em sentido absoluto, e seus conselhos sempre são benéficos. (Isaías 40:13; Romanos 11:34) Na realidade, qualquer conselho contrário ao dele não tem nenhum valor. Provérbios 21:30 diz: “Não há sabedoria, nem discernimento, nem conselho em oposição a Jeová.” (Note Provérbios 19:21.) Somente o discernimento espiritual, desenvolvido pelo estudo da Palavra de Deus, com a ajuda de publicações fornecidas pelo “escravo fiel e discreto”, nos ajudará a seguir o caminho certo na vida. (Mateus 24:45-47) Portanto, orientemos nosso caminho na vida em harmonia com o conselho de Jeová, sabendo que, não importa quão plausível possa parecer um conselho contrário, este não se compara com a Palavra Dele.
17. Qual pode ser o resultado quando se dá o conselho errado?
17 Os cristãos de discernimento, ao darem conselho, dão-se conta de que esse deve basear-se solidamente na Palavra de Deus, e que requer estudar a Bíblia e meditar nela antes de se dar uma resposta. (Provérbios 15:28) Caso se responda erroneamente a perguntas sobre assuntos sérios, pode-se causar grande dano. Por isso, os anciãos cristãos precisam ter discernimento espiritual e devem orar, pedindo a orientação de Jeová, quando procuram ajudar espiritualmente a concrentes.
Tenha abundante discernimento espiritual
18. Quando surge um problema na congregação, como pode o discernimento ajudar-nos a manter o equilíbrio espiritual?
18 Para agradar a Jeová, precisamos ter “discernimento em todas as coisas”. (2 Timóteo 2:7) O ávido estudo da Bíblia e o acatamento da orientação do espírito e da organização de Deus nos ajudarão a discernir o que fazer quando confrontados com situações que nos podem levar ao caminho errado. Por exemplo, suponhamos que alguma coisa na congregação não seja resolvida da forma como nós achamos que deveria ser. O discernimento espiritual ajuda-nos a compreender que isto não é motivo de pararmos de nos associar com o povo de Jeová e de deixarmos de servir a Deus. Pense no privilégio que temos de servir a Jeová, na liberdade espiritual que usufruímos e na alegria que podemos derivar de nosso serviço como proclamadores do Reino. O discernimento espiritual nos habilita a ter a perspectiva certa e a dar-nos conta de que somos dedicados a Deus, e que devemos prezar nossa relação com ele, não importa o que outros façam. Se não pudermos fazer nada de forma teocrática para resolver o problema, temos de esperar com paciência que Jeová remedie a situação. Em vez de desistirmos ou de ficarmos desesperados, devemos ‘esperar por Deus’. — Salmo 42:5, 11.
19. (a) Qual era a essência da oração de Paulo a favor dos filipenses? (b) Como pode o discernimento ajudar-nos quando não entendemos algo plenamente?
19 O discernimento espiritual ajuda-nos a permanecer leais a Deus e ao seu povo. Paulo disse aos cristãos em Filipos: “Isto é o que continuo a orar: que o vosso amor abunde ainda mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento; que vos certifiqueis das coisas mais importantes, para que sejais sem defeito e não façais outros tropeçar, até o dia de Cristo.” (Filipenses 1:9, 10) Para arrazoarmos de forma correta, precisamos ter “conhecimento exato e pleno discernimento”. A palavra grega aqui traduzida “discernimento” indica “sensitiva percepção moral”. Quando aprendemos alguma coisa, queremos perceber como se relaciona com Deus e Cristo, e meditar em como magnifica a personalidade e as provisões de Jeová. Isto aumenta nosso discernimento e nosso apreço por aquilo que Jeová Deus e Jesus Cristo fizeram por nós. Se não entendermos algo plenamente, o discernimento nos ajudará a reconhecer que não devemos abandonar a nossa fé em todas as coisas importantes que aprendemos sobre Deus, Cristo e o propósito divino.
20. Como podemos ter uma abundância de discernimento espiritual?
20 Teremos uma abundância de discernimento espiritual se sempre harmonizarmos nossos pensamentos e nossas ações com a Palavra de Deus. (2 Coríntios 13:5) Fazermos isso de modo construtivo nos ajudará a ser humildes, não convencidos, nem críticos de outros. O discernimento nos ajudará a tirar proveito da correção recebida e a certificar-nos das coisas mais importantes. (Provérbios 3:7) Portanto, tendo o desejo de agradar a Jeová, procuremos ficar cheios do conhecimento exato da sua Palavra. Isto nos habilitará a distinguir o certo do errado, a decidir o que realmente é importante e a nos apegar lealmente à nossa preciosa relação com Jeová. Tudo isso é possível se inclinamos o coração ao discernimento. No entanto, é preciso mais uma coisa. Temos de permitir que o discernimento nos resguarde.
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Deixe que o discernimento o resguardeA Sentinela — 1997 | 15 de março
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Deixe que o discernimento o resguarde
“Guardar-te-á o próprio raciocínio, resguardar-te-á o próprio discernimento.” — PROVÉRBIOS 2:11.
1. De que nos pode resguardar o discernimento?
JEOVÁ quer que você use de discernimento. Por quê? Porque ele sabe que isso o resguardará de vários perigos. Provérbios 2:10-19 começa por dizer: “Quando a sabedoria entrar no teu coração e o próprio conhecimento se tornar agradável à tua própria alma, guardar-te-á o próprio raciocínio, resguardar-te-á o próprio discernimento.” Resguardar de quê? De coisas tais como o “mau caminho”, os que abandonam as veredas da retidão e os que são sinuosos no seu proceder geral.
2. Que é discernimento, e especialmente que discernimento desejam ter os cristãos?
2 É provável que se lembre de que o discernimento é a faculdade mental de distinguir uma coisa de outra. Quem tem discernimento percebe a diferença entre idéias ou coisas, e tem bom critério. Nós, como cristãos, desejamos especialmente ter discernimento espiritual baseado no conhecimento exato da Palavra de Deus. Quando estudamos as Escrituras, é como se estivéssemos extraindo de uma pedreira os blocos de construção do discernimento espiritual. Aquilo que aprendemos pode ajudar-nos a tomar decisões que agradam a Jeová.
3. Como podemos obter discernimento espiritual?
3 Quando Deus perguntou ao Rei Salomão, de Israel, que bênção ele queria obter, o jovem governante disse: “Tens de dar ao teu servo um coração obediente para julgar teu povo, para discernir entre o que é bom e o que é mau.” Salomão pediu discernimento, e Jeová o deu a ele num grau extraordinário. (1 Reis 3:9; 4:30) Para obtermos discernimento, temos de orar, e temos de estudar a Palavra de Deus com a ajuda de publicações esclarecedoras, fornecidas por meio do “escravo fiel e discreto”. (Mateus 24:45-47) Isto nos ajudará a criar discernimento espiritual a ponto de nos tornarmos “plenamente desenvolvidos na capacidade de entendimento”, capazes de “distinguir [ou discernir] tanto o certo como o errado”. — 1 Coríntios 14:20; Hebreus 5:14.
A necessidade especial de se ter discernimento
4. Que significa ter um olho “singelo”, e como nos pode beneficiar?
4 Com o discernimento correto, podemos agir em harmonia com as palavras de Jesus Cristo: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a . . . justiça [de Deus], e todas estas outras coisas [materiais] vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33) Jesus disse também: “A lâmpada do corpo é o teu olho. Quando o teu olho é singelo, todo o teu corpo também é luminoso.” (Lucas 11:34) O olho é uma lâmpada figurativa. O olho “singelo” é sincero, está em foco. Com um olho assim podemos mostrar discernimento e andar sem tropeçar espiritualmente.
5. Referente a negócios, de que devemos lembrar-nos quanto ao objetivo da congregação cristã?
5 Alguns, em vez de manterem o olho singelo, complicam a sua vida e a vida de outros com negócios tentadores. Mas devemos lembrar-nos de que a congregação cristã é “coluna e amparo da verdade”. (1 Timóteo 3:15) Assim como as colunas dum edifício, a congregação sustenta a verdade de Deus, não a empresa de alguém. As congregações das Testemunhas de Jeová não foram formadas como locais para promover interesses comerciais, bens ou serviços. Temos de refrear-nos de tratar de negócios pessoais no Salão do Reino. O discernimento ajuda-nos a compreender que os Salões do Reino, os Estudos de Livro de Congregação, as assembléias e os congressos das Testemunhas de Jeová são para associação cristã e para palestras espirituais. Se usássemos os relacionamentos espirituais para promover qualquer tipo de negócio, não mostraria isso pelo menos alguma falta de apreço por valores espirituais? Os contatos na congregação nunca devem ser explorados para se obter lucro financeiro.
6. Por que não se devem vender ou promover produtos ou serviços comerciais nas reuniões congregacionais?
6 Alguns têm usado os contatos teocráticos para vender produtos de saúde ou de beleza, vitaminas, serviços de telecomunicação, materiais de construção, pacotes turísticos, programas e equipamentos de computador, e assim por diante. No entanto, as reuniões congregacionais não são ocasiões para se vender ou promover produtos ou serviços comerciais. Podemos discernir o princípio básico disso quando nos lembramos de que Jesus “expulsou do templo a todos com as ovelhas e o gado, e derramou as moedas dos cambistas e derrubou as suas mesas. E ele disse aos que vendiam as pombas: ‘Tirai estas coisas daqui! Parai de fazer da casa de meu Pai uma casa de comércio!’” — João 2:15, 16.
Que dizer de investimentos?
7. Por que é preciso ter discernimento e cautela quanto a fazer investimentos?
7 É preciso ter tanto discernimento como cautela quando se pensa em fazer um investimento num empreendimento comercial. Suponhamos que alguém queira tomar emprestado dinheiro e prometa o seguinte: “Garanto que obterá lucro.” “Você não pode perder. Esse é um negócio seguro.” Cuidado quando alguém lhe dá tais garantias. Ou ele não está sendo realístico ou é desonesto, porque um investimento raras vezes tem retorno garantido. De fato, alguns inescrupulosos, de conversa suave, têm defraudado membros da congregação. Isto nos faz lembrar os “homens ímpios” que se introduziram sorrateiramente na congregação do primeiro século e ‘transformaram a benignidade imerecida de nosso Deus numa desculpa para conduta desenfreada’. Eles eram como que afiados rochedos sob a água, que podem ferir e matar os nadadores. (Judas 4, 12) É verdade que as motivações dos defraudadores são diferentes, mas eles também exploram membros da congregação.
8. Que tem acontecido relacionado com alguns empreendimentos comerciais aparentemente lucrativos?
8 Mesmo cristãos bem-intencionados têm divulgado informações sobre empreendimentos comerciais aparentemente lucrativos, só para descobrir que eles e os que seguiram seu exemplo perderam o dinheiro que investiram. Em resultado disso, vários cristãos perderam privilégios na congregação. Quando empreendimentos comerciais de enriquecimento rápido mostram ser fraudulentos, o único a lucrar com isso é o defraudador, que muitas vezes logo desaparece. Como pode o discernimento ajudar a evitar tais situações?
9. Por que se precisa ter discernimento para avaliar as afirmações feitas a respeito de investimentos?
9 Ter discernimento também significa ser capaz de compreender o que é obscuro. Isso é necessário para se avaliar afirmações a respeito de investimentos. Os cristãos confiam uns nos outros, e alguns talvez argumentem que seus irmãos e irmãs espirituais não se envolveriam em empreendimentos comerciais que colocariam em perigo os recursos de concrentes. Mas o fato de que o comerciante é cristão não garante que ele seja muito hábil em assuntos comerciais ou que seu negócio prospere.
10. Por que procuram alguns cristãos obter de concrentes empréstimos para fins comerciais, e o que pode acontecer com tais investimentos?
10 Alguns cristãos procuram obter de concrentes empréstimos para fins comerciais, porque as firmas de boa reputação que concedem empréstimos nunca lhes dariam dinheiro para os seus empreendimentos arriscados. Muitos foram levados a crer que o simples investimento do seu dinheiro garantiria uma fortuna rápida sem muito trabalho ou sem nenhum. Alguns se sentem atraídos a fazer certo investimento por causa do fascínio envolvido, mas perdem todas as suas economias! Certo cristão investiu uma grande soma de dinheiro, esperando obter um rendimento de 25% em apenas duas semanas. Ele perdeu todo o dinheiro quando se decretou a falência da firma em que fez o investimento. Em outro empreendimento, um corretor imobiliário tomou emprestado grandes somas de dinheiro de outros na congregação. Ele prometeu lucros exageradamente altos, mas foi à falência e perdeu o dinheiro que tomou emprestado.
Quando negócios fracassam
11. Que conselho deu Paulo a respeito da ganância e do amor ao dinheiro?
11 O fracasso de negócios tem levado a desapontamentos e mesmo à perda da espiritualidade de alguns cristãos que se aventuraram neles. O resultado foi mágoa e amargura por não se ter usado o discernimento como proteção. A ganância tem enlaçado a muitos. ‘A ganância nem mesmo seja mencionada entre vós, assim como é próprio dum povo santo’, escreveu Paulo. (Efésios 5:3) E ele advertiu: “Os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores.” — 1 Timóteo 6:9, 10.
12. Quando cristãos fazem negócios entre si, de que se devem lembrar em especial?
12 Se um cristão desenvolvesse amor ao dinheiro, causaria a si mesmo muito dano espiritual. Os fariseus eram amantes do dinheiro, e esta é uma característica de muitos nestes últimos dias. (Lucas 16:14; 2 Timóteo 3:1, 2) Em contraste com isso, a maneira de vida do cristão deve estar “livre do amor ao dinheiro”. (Hebreus 13:5) É evidente que os cristãos podem fazer negócios entre si ou iniciá-los juntos. Neste caso, porém, as conversas e as negociações devem ser mantidas separadas dos assuntos congregacionais. E lembre-se: mesmo entre irmãos espirituais, sempre assente por escrito os acordos comerciais. Muito útil neste respeito é o artigo intitulado “Ponha-o por Escrito!”, publicado na Despertai! de 8 de agosto de 1983, páginas 13 a 15.
13. Como aplicaria você Provérbios 22:7 a empreendimentos comerciais?
13 Provérbios 22:7 nos diz: “Quem toma emprestado é servo do homem que empresta.” Muitas vezes é imprudente colocar a nós mesmos ou a nosso irmão em tal condição de servo. Quando alguém nos pede dinheiro emprestado para um empreendimento comercial, é aconselhável considerar sua capacidade de restituir a importância. É conhecido como fidedigno e de confiança? Naturalmente, precisamos ter presente que conceder esse empréstimo pode significar a perda do dinheiro, porque muitos empreendimentos comerciais fracassam. Um contrato, por si só, não garante o êxito do empreendimento. E por certo não é prudente arriscar num negócio mais do que se possa dar ao luxo de perder.
14. Por que temos de usar de discernimento se tivermos emprestado dinheiro a um concristão cujo negócio falhou?
14 Temos de usar de discernimento quando emprestamos dinheiro a um cristão para fins comerciais e esse dinheiro foi perdido, embora não tenha havido práticas desonestas. Se o fracasso comercial não foi por culpa do concrente que pediu o dinheiro emprestado, será que podemos dizer que fomos lesados? Não, porque concedemos voluntariamente o empréstimo, provavelmente recebendo juros, e não se fez nada de desonesto. Por não ter havido desonestidade, não temos motivos para tomar uma ação legal contra aquele que tomou o dinheiro emprestado. Que benefício resultaria de processar um concristão honesto que teve de pedir falência por não ter dado certo um empreendimento comercial bem-intencionado? — 1 Coríntios 6:1.
15. Que fatores precisam ser levados em conta quando se declara falência?
15 Os que sofrem um revés comercial às vezes buscam uma saída por declararem falência. Visto que os cristãos não são negligentes quanto às dívidas, mesmo depois de terem sido legalmente desobrigados de algumas delas, alguns sentiram-se na obrigação de tentar pagar dívidas canceladas, se os credores aceitassem o pagamento. Mas, que dizer quando aquele que tomou o empréstimo perdeu o dinheiro do seu irmão e depois levou uma vida de luxo? Ou se quem tomou emprestado dinheiro conseguiu recursos suficientes para devolvê-lo, mas não fez caso da obrigação moral que tem em sentido financeiro para com o seu irmão? Neste caso, haveria dúvidas sobre as qualificações daquele que tomou emprestado, para servir num cargo de responsabilidade na congregação. — 1 Timóteo 3:3, 8; veja A Sentinela de 15 de setembro de 1994, páginas 30-1.
Mas, e se houve fraude?
16. Que medidas podem ser tomadas quando parece que fomos vítimas duma fraude comercial?
16 O discernimento ajuda-nos a compreender que nem todos os investimentos dão lucro. Mas que dizer se houve fraude? Fraude é o “uso intencional de engano, embuste ou deturpação da verdade, com o fim de induzir outro a ceder alguma coisa valiosa que lhe pertence ou a desistir dum direito legal”. Jesus Cristo delineou as medidas que podem ser tomadas quando alguém acha que foi defraudado por um co-adorador. Segundo Mateus 18:15-17, Jesus disse: “Se o teu irmão cometer um pecado, vai expor a falta dele entre ti e ele só. Se te escutar, ganhaste o teu irmão. Mas, se não te escutar, toma contigo mais um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, todo assunto seja estabelecido. Se não os escutar, fala à congregação. Se não escutar nem mesmo a congregação, seja ele para ti apenas como homem das nações e como cobrador de impostos.” A ilustração que Jesus fez a seguir indica que ele tinha em mente pecados tais como os que envolvem assuntos financeiros, incluindo fraude. — Mateus 18:23-35.
17, 18. Quando um professo cristão nos defrauda, como nos pode resguardar o discernimento?
17 Naturalmente, não há base bíblica para dar os passos delineados em Mateus 18:15-17 quando não há evidência nem suspeita de fraude. Mas, o que fazer quando um professo cristão realmente nos defraudou? O discernimento pode resguardar-nos de tomarmos uma ação que possa manchar a reputação da congregação. Paulo aconselhou concristãos a deixar-se injustiçar e mesmo defraudar, em vez de levar um irmão ao tribunal. — 1 Coríntios 6:7.
18 Nossos genuínos irmãos e irmãs não estão ‘cheios de fraude e de vilania’, como estava o feiticeiro Barjesus. (Atos 13:6-12) Portanto, usemos de discernimento quando perdemos dinheiro num empreendimento comercial envolvendo concrentes. Caso pensemos em tomar uma ação legal, devemos considerar os possíveis efeitos sobre nós mesmos, sobre a outra pessoa ou pessoas envolvidas, a congregação e os de fora. Procurar obter uma indenização pode consumir muito do tempo, da energia e de outros recursos que temos. Talvez enriqueça apenas advogados e outros profissionais. Lamentavelmente, alguns cristãos têm sacrificado privilégios teocráticos por ficarem absortos demais nessas coisas. Sermos assim desviados deve dar muita satisfação a Satanás, mas nós queremos alegrar o coração de Jeová. (Provérbios 27:11) Por outro lado, aceitarmos uma perda pode livrar-nos de pesares e poupar tempo para nós e para os anciãos. Ajudará a preservar a paz da congregação e nos habilitará a persistir em buscar primeiro o Reino.
Discernimento e decisões
19. O que podem fazer para nós o discernimento espiritual e a oração quando temos de tomar decisões que causam tensão?
19 Tomar decisões sobre assuntos financeiros e comerciais pode causar bastante tensão. Mas o discernimento espiritual pode ajudar-nos a avaliar os fatores e a tomar decisões sábias. Além disso, confiar em Jeová com oração pode dar-nos “a paz de Deus”. (Filipenses 4:6, 7) Esta é a calma e a tranqüilidade resultantes duma íntima relação pessoal com Jeová. Por certo, essa paz pode ajudar-nos a manter o equilíbrio quando confrontados com decisões difíceis.
20. O que devemos estar decididos a fazer no que se refere a assuntos comerciais e à congregação?
20 Estejamos decididos a não permitir que disputas comerciais rompam a nossa paz ou a da congregação. Temos de nos lembrar que a função da congregação cristã é ajudar-nos espiritualmente, não servir de centro de atividades comerciais. Negócios devem sempre ser mantidos separados das atividades congregacionais. Temos de usar de discernimento e cautela quando nos envolvemos em empreendimentos comerciais. E mantenhamos sempre um conceito equilibrado sobre tais assuntos, buscando primeiro os interesses do Reino. Caso fracasse um empreendimento comercial envolvendo co-adoradores, façamos o melhor para todos os envolvidos.
21. Como podemos usar de discernimento e agir em harmonia com Filipenses 1:9-11?
21 Em vez de nos preocuparmos demais com assuntos financeiros e com outras coisas menos importantes, inclinemos nosso coração ao discernimento, oremos pela orientação de Deus e demos o primeiro lugar aos interesses do Reino. Em harmonia com a oração de Paulo, ‘que o nosso amor abunde com conhecimento exato e pleno discernimento para que nos certifiquemos das coisas mais importantes e não façamos outros [ou a nós mesmos] tropeçar’. Agora que Cristo, o Rei, está no seu trono celestial, mostremos discernimento espiritual em todos os aspectos da vida. E ‘estejamos cheios de fruto justo por intermédio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus’, o Soberano Senhor Jeová. — Filipenses 1:9-11.
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