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‘Permaneçam na minha palavra’A Sentinela — 2003 | 1.° de fevereiro
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‘Permaneçam na minha palavra’
“Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos.” — JOÃO 8:31.
1. (a) Quando Jesus voltou para o céu, o que deixou na Terra? (b) Que perguntas consideraremos?
QUANDO Jesus Cristo, o Fundador do Cristianismo, voltou para o céu, ele não deixou na Terra livros escritos por ele, monumentos feitos por ele ou riquezas acumuladas por ele. Mas deixou discípulos, bem como requisitos específicos para se tornar discípulo dele. De fato, no Evangelho de João observamos que Jesus mencionou três requisitos importantes a serem satisfeitos por aquele que deseja ser seguidor dele. Quais são esses requisitos? Como podemos satisfazê-los? E como podemos nos certificar de que estamos pessoalmente habilitados para ser discípulos de Cristo?a
2. Qual é um requisito importante para ser discípulo de Jesus, conforme registrado no Evangelho de João?
2 Cerca de seis meses antes da sua morte, Jesus subiu a Jerusalém e pregou às multidões reunidas ali para celebrar a Festividade das Tendas, de uma semana de duração. Em resultado disso, quando a festividade já estava pela metade, “muitos da multidão depositavam fé nele”. Jesus continuou a pregar, de modo que, no último dia da festividade, mais uma vez “muitos depositaram fé nele”. (João 7:10, 14, 31, 37; 8:30) Nessa altura, Jesus fixou sua atenção nos novos crentes e especificou um requisito importante para se tornar discípulo, conforme registrado pelo apóstolo João: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos.” — João 8:31.
3. Que qualidade é necessária para se ‘permanecer na palavra de Jesus’?
3 Com essas palavras, Jesus não estava sugerindo que os novos crentes não tivessem fé. Antes, estava salientando que eles tinham a oportunidade de se tornarem verdadeiros discípulos dele — desde que permanecessem na sua palavra, ou seja, se fossem perseverantes. Eles haviam aceitado a sua palavra, mas agora precisavam continuar nela. (João 4:34; Hebreus 3:14) De fato, Jesus achava tão importante seus discípulos desenvolverem a perseverança que, na sua última conversa com os apóstolos, registrada no Evangelho de João, ele exortou duas vezes: ‘Continua a seguir-me.’ (João 21:19, 22) Muitos dos primeiros cristãos fizeram exatamente isso. (2 João 4) O que os ajudou a perseverar?
4. O que habilitou os primeiros cristãos a perseverar?
4 O apóstolo João, discípulo fiel de Cristo por umas sete décadas, salientou um fator importante. Ele elogiou os cristãos fiéis, dizendo: “Sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e . . . vencestes o iníquo.” Esses discípulos de Cristo perseveraram, ou permaneceram na palavra de Deus, porque a palavra de Deus permaneceu neles. Apreciavam-na de coração. (1 João 2:14, 24) Do mesmo modo hoje, para ‘perseverarmos até o fim’, temos de certificar-nos de que a palavra de Deus permaneça em nós. (Mateus 24:13) Como podemos fazer isso? Uma ilustração contada por Jesus dá a resposta.
‘Ouvir a palavra’
5. (a) Que tipos diferentes de solo são mencionados por Jesus em uma das suas ilustrações? (b) O que representam as sementes e o solo na ilustração de Jesus?
5 Jesus apresentou a ilustração de um semeador que lança sementes, registrada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. (Mateus 13:1-9, 18-23; Marcos 4:1-9, 14-20; Lucas 8:4-8, 11-15) Ao ler os relatos, notará que o ponto-chave da ilustração é que o mesmo tipo de semente cai em diversos tipos de solo, produzindo resultados diferentes. O primeiro tipo de solo é duro, o segundo não tem profundidade e o terceiro está cheio de espinhos. O quarto tipo, diferente dos outros três, é o solo “excelente” e “bom”. Segundo a explicação do próprio Jesus, a semente é a mensagem do Reino, encontrada na Palavra de Deus, e o solo representa pessoas com diferentes tipos de condição do coração. Embora as pessoas retratadas pelos diversos tipos de solo tenham algumas coisas em comum, as retratadas pelo solo excelente têm uma característica que as diferencia das outras.
6. (a) Em que difere o quarto tipo de solo na ilustração de Jesus dos outros três tipos, e o que significa isso? (b) O que é essencial para perseverarmos como discípulos de Cristo?
6 O relato em Lucas 8:12-15 mostra que, em todos os quatro casos, as pessoas ‘ouvem a palavra’. No entanto, as que têm “um coração excelente e bom” vão além de “ouvirem a palavra”. Elas “a retêm e dão fruto com perseverança”. O solo excelente e bom, por ser solto e profundo, permite que as raízes da semente penetrem, e em resultado disso, a semente brota e produz fruto. (Lucas 8:8) De modo similar, a pessoa que tem um coração excelente compreende, aprecia e absorve a palavra de Deus. (Romanos 10:10; 2 Timóteo 2:7) A palavra de Deus permanece na pessoa. Em conseqüência disso, ela dá fruto com perseverança. De modo que um profundo apreço pela Palavra de Deus é essencial para perseverarmos como discípulos de Cristo. (1 Timóteo 4:15) Mas como podemos desenvolver tal apreço de coração pela Palavra de Deus?
A condição do coração e a meditação significativa
7. Que atividade está intimamente associada com um bom coração?
7 Note com que atividade a Bíblia repetidamente associa o coração excelente e bom. “O coração do justo medita a fim de responder.” (Provérbios 15:28) “As declarações de minha boca e a meditação de meu coração, tornem-se elas agradáveis diante de ti, ó Jeová.” (Salmo 19:14) “A meditação de meu coração será de coisas de entendimento.” — Salmo 49:3.
8. (a) Ao lermos a Bíblia, o que devemos evitar, mas o que devemos fazer? (b) Que benefícios obtemos por meditarmos com oração na Palavra de Deus? (Inclua o quadro “Firmemente estabelecidos na verdade”.)
8 Assim como esses escritores da Bíblia, nós também temos de meditar com apreço e oração na Palavra de Deus e na Sua atividade. Ao lermos a Bíblia ou publicações baseadas nela, não devemos agir como se fôssemos turistas apressados, que correm de um ponto turístico para outro, filmando tudo, mas aproveitando pouco. Em vez disso, quando estudamos a Bíblia, é bom deter-se por um tempo e apreciar o cenário, por assim dizer.b Ao refletirmos com calma no que lemos, a palavra de Deus influencia nosso coração. Mexe com nossas emoções e amolda nosso modo de pensar. Induz-nos também a compartilhar nossos pensamentos íntimos com Deus em oração. Em conseqüência disso, nosso apego a Jeová aumenta, e nosso amor a Deus nos impele a continuar a seguir a Jesus, mesmo em situações desafiadoras. (Mateus 10:22) É evidente que meditarmos no que Deus diz é essencial, se queremos continuar fiéis até o fim. — Lucas 21:19.
9. Como podemos certificar-nos de que o nosso coração continue receptivo à palavra de Deus?
9 A ilustração de Jesus também mostra que há obstáculos ao crescimento da semente, que é a palavra de Deus. Portanto, para continuarmos a ser discípulos fiéis, faremos bem em (1) identificar os obstáculos representados pelas condições de solo desfavoráveis mencionadas na ilustração e (2) tomar medidas para eliminá-los ou evitá-los. Desse modo nos certificaremos de que o nosso coração continue receptivo à semente do Reino e continue a produzir fruto.
“À beira da estrada” significa excesso de preocupação
10. Descreva o primeiro tipo de solo na ilustração de Jesus e explique seu significado.
10 O primeiro tipo de solo em que a semente cai fica “à beira da estrada”, onde a semente é “pisada”. (Lucas 8:5) O solo à beira duma estrada que atravessa um campo de cereais fica compactado pelo tráfego de pessoas. (Marcos 2:23) De modo similar, os que permitem que as constantes atividades do dia-a-dia lhe tomem tempo e energia demais podem descobrir que não lhes sobra tempo para desenvolver apreço de coração pela palavra de Deus. Eles ouvem a palavra, mas não meditam nela. De modo que seu coração continua indiferente. Antes de criarem amor por ela, “vem o Diabo e tira dos seus corações a palavra, a fim de que não creiam e sejam salvos”. (Lucas 8:12) Será que isso pode ser evitado?
11. Como podemos impedir que a condição de nosso coração se torne como solo duro?
11 Pode-se fazer muito para impedir que o coração se torne como um solo improdutivo à beira da estrada. O solo compactado e duro pode tornar-se solto e produtivo se for arado e se o caminho dos pedestres for desviado dele. De modo similar, tomar tempo para estudar a Palavra de Deus e meditar nela pode tornar o coração como um solo excelente e produtivo. O ponto é não se preocupar demais com as coisas da vida cotidiana. (Lucas 12:13-15) Em vez disso, certifique-se de que tenha tempo disponível para refletir nas “coisas mais importantes” da vida. — Filipenses 1:9-11.
‘Solo pedregoso’ significa ser temeroso
12. Qual é o verdadeiro motivo de a planta murchar no segundo tipo de solo mencionado na ilustração de Jesus?
12 Quando a semente cai sobre o segundo tipo de solo, diferentemente do primeiro caso, ela cria raízes e brota. Mas depois, quando o sol se levanta, a nova planta é queimada pelo calor do sol e murcha. No entanto, note este pormenor significativo. O motivo real de a planta murchar não é o calor. Afinal, a planta que cresce num solo bom também fica exposta ao sol, mas não murcha — na realidade, se desenvolve bem. Qual é a diferença? Essa planta murcha, explica Jesus, ‘por não ter profundidade de solo’ e “porque não tinha umidade”. (Mateus 13:5, 6; Lucas 8:6) Uma “rocha”, logo abaixo da camada superficial do solo, impede que as raízes da semente penetrem o suficiente para encontrar umidade e estabilidade. A planta murcha porque o solo não tem profundidade.
13. Que tipo de pessoas são como solo sem profundidade, e qual é o motivo real da sua reação?
13 Esta parte da ilustração trata de pessoas que “recebem a palavra com alegria” e seguem zelosamente a Jesus “por certa época”. (Lucas 8:13) Quando ficam expostas ao sol escaldante de “tribulação ou perseguição”, ficam com tanto medo, que perdem a alegria e a força, e desistem de seguir a Cristo. (Mateus 13:21) No entanto, o motivo real do seu medo não é a oposição. Afinal, milhões de discípulos de Cristo suportam várias formas de tribulação, mas continuam fiéis. (2 Coríntios 2:4; 7:5) O motivo verdadeiro de alguns ficarem temerosos e se afastarem é que a insensibilidade do seu coração, comparável a uma rocha, impede que meditem mais profundamente em assuntos edificantes e espirituais. Por isso, o apreço que têm por Jeová e sua palavra é superficial e fraco demais para suportar oposição. Como se pode evitar que isso aconteça?
14. Que medidas deve a pessoa tomar para impedir que a condição de seu coração se torne como um solo sem profundidade?
14 A pessoa precisa certificar-se de que não tenha abrigado no seu coração sentimentos persistentes, mas ocultos, comparáveis a obstáculos rochosos, tais como mágoas antigas ou egoísmo. Se já houver tal barreira, o poder exercido pela palavra de Deus pode acabar com ela. (Jeremias 23:29; Efésios 4:22; Hebreus 4:12) Depois, a meditação com oração contribuirá para que ‘a palavra seja implantada’ bem fundo no coração da pessoa. (Tiago 1:21) Isso dará a força para lidar com períodos de desânimo e a coragem para continuar fiel, apesar de provações.
“Entre os espinhos” significa ficar dividido
15. (a) Por que o terceiro tipo de solo mencionado por Jesus merece nossa atenção especial? (b) Por fim, o que acontece com o terceiro tipo de solo, e por quê?
15 O terceiro tipo de solo, o que tem espinhos, merece especialmente a nossa atenção, porque de certo modo é similar ao solo excelente. Assim como o solo excelente, o solo que tem espinhos deixa a semente criar raízes e brotar. No começo, não há nenhuma diferença no crescimento da nova planta nesses dois tipos de solo. Com o tempo, porém, desenvolve-se uma condição que por fim sufoca a planta. Diferentemente do solo excelente, esse solo fica cheio de espinhos. Ao passo que a nova planta se desenvolve, precisa concorrer com ‘espinhos que crescem junto com ela’. Por algum tempo, ambas as plantas disputam nutrição, luz e espaço, mas, por fim, os espinhos superam a planta e a ‘sufocam’. — Lucas 8:7.
16. (a) Que pessoas se parecem com o solo que tem espinhos? (b) Segundo os três relatos evangélicos, o que representam os espinhos? — Veja a nota de rodapé.
16 Que tipo de pessoas se parecem com o solo que tem espinhos? Jesus explica: “Estes são os que têm ouvido, mas, por serem arrebatados pelas ansiedades, e riquezas, e prazeres desta vida, ficam completamente sufocados e não trazem nada à perfeição.” (Lucas 8:14) Assim como a semente do semeador e os espinhos crescem ao mesmo tempo, algumas pessoas procuram absorver a palavra de Deus e ao mesmo tempo usufruir os “prazeres desta vida”. A verdade da palavra de Deus é semeada no seu coração, mas precisa concorrer com outros empenhos que reclamam a atenção delas. Seu coração figurativo fica dividido. (Lucas 9:57-62) Isso as impede de gastarem tempo suficiente para refletir com oração na Palavra de Deus. Deixam de absorver plenamente a Palavra de Deus e assim não têm o apreço de coração necessário para perseverar. Aos poucos, seus interesses espirituais são superados por empenhos não-espirituais, a ponto de ficarem “completamente sufocados”.c Que resultado lastimável para os que não amam a Jeová de todo o coração! — Mateus 6:24; 22:37.
17. Que escolhas temos de fazer na vida para não sermos sufocados pelos espinhos figurativos mencionados na ilustração de Jesus?
17 Por darmos prioridade aos assuntos espirituais em vez de a empenhos materiais, evitamos ser sufocados pelas aflições e pelos prazeres deste mundo. (Mateus 6:31-33; Lucas 21:34-36) Nunca devemos negligenciar a leitura da Bíblia nem deixar de meditar no que lemos. Teremos mais tempo para a meditação feita com oração se simplificarmos a vida o mais que pudermos. (1 Timóteo 6:6-8) Os servos de Deus que fazem isso — como que arrancando os espinhos do solo para dar mais nutrição, luz e espaço à planta frutífera — obtêm a bênção de Jeová. Sandra, de 26 anos de idade, diz: “Quando medito nas bênçãos que tenho por estar na verdade, dou-me conta de que o mundo não pode oferecer nada que se compare a isso!” — Salmo 84:11.
18. Como podemos permanecer na palavra de Deus e perseverar como cristãos?
18 Assim, é evidente que todos nós, jovens e idosos, permaneceremos na palavra de Deus e perseveraremos como discípulos de Cristo enquanto a Palavra de Deus permanecer em nós. Portanto, certifiquemo-nos de que o solo de nosso coração figurativo nunca fique endurecido, sem profundidade ou sufocado com plantas indesejáveis, mas que permaneça solto e profundo. Assim poderemos absorver plenamente a Palavra de Deus e ‘dar fruto com perseverança’. — Lucas 8:15.
[Nota(s) de rodapé]
a Neste artigo consideraremos o primeiro desses requisitos. Os outros dois serão considerados nos artigos seguintes.
b Ao meditar com oração no trecho da Bíblia que acaba de ler, você poderia, por exemplo, perguntar-se: ‘Essa passagem revela que qualidade ou qualidades de Jeová? Como se relaciona com o tema da Bíblia? Como posso aplicá-la pessoalmente ou usá-la para ajudar outros?’
c Segundo os três relatos evangélicos da parábola de Jesus, a semente é sufocada pelas aflições e pelos prazeres deste mundo: “As ansiedades deste sistema de coisas”, “o poder enganoso das riquezas”, “os desejos do resto das coisas” e os “prazeres desta vida”. — Marcos 4:19; Mateus 13:22; Lucas 8:14; Jeremias 4:3, 4.
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‘Tende amor entre vós’A Sentinela — 2003 | 1.° de fevereiro
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‘Tende amor entre vós’
“Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — JOÃO 13:35.
1. Que qualidade Jesus enfatizou pouco antes da sua morte?
“FILHINHOS.” (João 13:33) Com essa terna expressão, Jesus dirigiu-se aos seus apóstolos na noite antes de morrer. Não temos nenhum registro nos relatos evangélicos de que Jesus alguma vez antes tivesse usado essa expressão afetuosa ao dirigir-se a eles. Naquela noite especial, porém, ele se sentiu induzido a usar essa expressão de afeto para transmitir o profundo amor que tinha aos seus seguidores. Na realidade, naquela noite Jesus mencionou o amor umas 30 vezes. Por que deu tanta ênfase a essa qualidade?
2. Por que é tão importante que os cristãos demonstrem amor?
2 Jesus explicou por que o amor é tão importante. “Por meio disso”, falou, “saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós”. (João 13:35; 15:12, 17) Para ser seguidor de Cristo é preciso demonstrar amor fraternal. Os verdadeiros cristãos não são identificados por alguma forma peculiar de vestimenta ou por costumes incomuns, mas pelo amor cordial e terno que demonstram entre si. Ter esse notável tipo de amor é o segundo dos três requisitos principais para ser discípulo de Cristo, mencionados no começo do artigo anterior. O que nos ajudará a continuar a satisfazer este requisito?
“Que prossigais fazendo isso em medida mais plena”
3. Que admoestação o apóstolo Paulo deu a respeito do amor?
3 Assim como era o caso entre os seguidores de Cristo no primeiro século, esse notável amor é observável hoje entre os genuínos discípulos de Cristo. O apóstolo Paulo escreveu a cristãos do primeiro século: “Com referência ao amor fraternal, não necessitais de que vos escrevamos, porque vós mesmos sois ensinados por Deus a vos amardes uns aos outros; e, de fato, vós o estais fazendo para com todos os irmãos.” Mesmo assim, Paulo acrescentou: “Que prossigais fazendo isso em medida mais plena.” (1 Tessalonicenses 3:12; 4:9, 10) Nós também temos de tomar a peito a admoestação de Paulo e esforçar-nos a amar uns aos outros “em medida mais plena”.
4. Segundo Paulo e Jesus, com quem devemos ter consideração especial?
4 Na mesma carta inspirada, Paulo exortou seus irmãos na fé a ‘falar consoladoramente às almas deprimidas’ e a ‘amparar os fracos’. (1 Tessalonicenses 5:14) Numa outra ocasião, ele lembrou aos cristãos que os ‘que são fortes devem suportar as fraquezas dos que não são fortes’. (Romanos 15:1) Jesus também deu instruções referentes a ajudar os fracos. Depois de predizer que Pedro o abandonaria na noite em que seria preso, Jesus disse a ele: “Uma vez que tiveres voltado, fortalece os teus irmãos.” Por quê? Porque eles também iriam abandonar Jesus e por isso precisariam de ajuda. (Lucas 22:32; João 21:15-17) Por isso, a Palavra de Deus nos orienta a estender nosso amor aos espiritualmente fracos e àqueles que talvez tenham perdido contato com a congregação cristã. (Hebreus 12:12) Por que devemos fazer isso? Duas ilustrações vívidas dadas por Jesus fornecem a resposta.
Uma ovelha perdida e uma moeda perdida
5, 6. (a) Que duas breves ilustrações Jesus contou? (b) O que essas ilustrações revelam a respeito de Jeová?
5 Para ensinar aos seus ouvintes como Jeová encara os que se afastaram, Jesus contou duas breves ilustrações. Uma era referente a um pastor. Jesus disse: “Que homem dentre vós, com cem ovelhas, perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove atrás no ermo e vai em busca da perdida, até a achar? E quando a tiver achado, ele a põe sobre os seus ombros e se alegra. E, ao chegar à casa, convoca seus amigos e seus vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que estava perdida.’ Eu vos digo que assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” — Lucas 15:4-7.
6 A segunda ilustração era referente a uma mulher. Jesus disse: “Que mulher, com dez moedas de dracma, se perder uma moeda de dracma, não acende uma lâmpada e varre a sua casa, e procura cuidadosamente até achá-la? E quando a tiver achado, convoca as mulheres que são suas amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrai-vos comigo, porque achei a moeda de dracma que perdi.’ Assim, eu vos digo, surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende.” — Lucas 15:8-10.
7. Que duas lições nos ensinam as ilustrações sobre a ovelha perdida e a moeda perdida?
7 O que podemos aprender dessas breves ilustrações? Elas nos mostram (1) como nos devemos sentir em relação aos espiritualmente fracos e (2) o que devemos fazer para ajudá-los. Consideremos estes pontos.
Perdidas mas valiosas
8. (a) Como o pastor e a mulher reagiram diante das perdas? (b) O que a reação deles nos diz sobre como encaravam aquilo que perderam?
8 Em ambas as ilustrações havia alguma coisa perdida, mas note a reação dos donos. O pastor não disse: ‘O que importa uma ovelha se ainda tenho mais 99? Posso ficar sem ela.’ A mulher não disse: ‘Por que me preocupar com uma moeda? Estou contente com as nove que ainda tenho.’ Em vez disso, o pastor foi procurar a ovelha perdida como se fosse a única que possuía. E a mulher sentiu a perda da sua moeda como se não tivesse outras. Em ambos os casos, o objeto perdido continuou a ter valor para o seu dono. O que isso ilustra?
9. O que ilustra a preocupação do pastor e da mulher?
9 Note a conclusão de Jesus em ambos os casos: “Assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende” e “assim, eu vos digo, surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende”. Portanto, a preocupação do pastor e da mulher reflete, em pequena escala, os sentimentos de Jeová e das suas criaturas espirituais. Assim como aquilo que havia sido perdido continuou a ser precioso para o pastor e a mulher, os que se afastaram e perderam o contato com o povo de Deus continuam preciosos aos olhos de Jeová. (Jeremias 31:3) Tais pessoas podem estar espiritualmente fracas, mas não são necessariamente rebeldes. Apesar da sua fraqueza, até certo ponto ainda podem estar cumprindo os requisitos de Jeová. (Salmo 119:176; Atos 15:29) Por isso, assim como no passado, Jeová é vagaroso em ‘lançá-las fora de diante da sua face’. — 2 Reis 13:23.
10, 11. (a) Como devemos encarar aqueles que se afastaram da congregação? (b) De acordo com as duas ilustrações de Jesus, como podemos mostrar que nos preocupamos com eles?
10 Assim como Jeová e Jesus, nós também nos preocupamos profundamente com aqueles que estão fracos e ausentes da congregação cristã. (Ezequiel 34:16; Lucas 19:10) Consideramos uma pessoa espiritualmente fraca como ovelha perdida — não como um caso perdido. Não pensamos: ‘Por que vou me preocupar com alguém espiritualmente fraco? A congregação está indo bem sem ele.’ Antes, assim como Jeová, encaramos os que se afastaram, mas que querem voltar, como valiosos.
11 No entanto, como podemos demonstrar nossa preocupação? As duas ilustrações de Jesus indicam que podemos fazer isso por (1) tomar a iniciativa, (2) demonstrar ternura e (3) ser diligentes. Examinemos esses aspectos um por vez.
Tome a iniciativa
12. O que as palavras “vai em busca da perdida” nos dizem a respeito da atitude do pastor?
12 Na primeira das duas ilustrações, Jesus disse que o pastor “vai em busca da perdida”. O pastor toma a iniciativa e faz um esforço consciente de achar a ovelha perdida. Não se deixa desanimar por dificuldades, perigos ou distância. Ao contrário, o pastor persiste ‘até achá-la’. — Lucas 15:4.
13. Como homens fiéis da antiguidade reagiram às necessidades dos fracos, e como podemos imitar esses exemplos bíblicos?
13 De modo similar, ajudar alguém que precisa de encorajamento muitas vezes requer que o mais forte tome a iniciativa. Homens fiéis da antiguidade entendiam isso. Por exemplo, quando Jonatã, filho do Rei Saul, notou que seu amigo íntimo, Davi, precisava de encorajamento, Jonatã “levantou-se . . . e foi ter com Davi em Horesa, para fortalecer-lhe a mão com respeito a Deus”. (1 Samuel 23:15, 16) Séculos mais tarde, quando o Governador Neemias notou que alguns dos seus irmãos judeus haviam enfraquecido, ele também ‘levantou-se imediatamente’ e os encorajou para ‘se lembrarem de Jeová’. (Neemias 4:14) Hoje em dia, nós também devemos ‘levantar-nos’ — tomar a iniciativa — para fortalecer os espiritualmente fracos. Mas quem na congregação deve fazer isso?
14. Quem, na congregação cristã, deve ajudar os que estão fracos?
14 Especialmente os anciãos cristãos têm a responsabilidade de ‘fortalecer as mãos fracas e firmar os joelhos vacilantes’ e de ‘dizer aos de coração ansioso: “Sede fortes. Não tenhais medo” ’. (Isaías 35:3, 4; 1 Pedro 5:1, 2) Note, porém, que a admoestação de Paulo, de ‘falar consoladoramente às almas deprimidas’ e de ‘amparar os fracos’ não foi dada apenas aos anciãos. Antes, as palavras de Paulo foram dirigidas à inteira “congregação dos tessalonicenses”. (1 Tessalonicenses 1:1; 5:14) Por isso, esforçar-se a ajudar os espiritualmente fracos é uma tarefa para todos os cristãos. Assim como o pastor na ilustração, cada cristão deve sentir-se motivado a ‘ir em busca do perdido’. Naturalmente, sempre é bom fazer isso em cooperação com os anciãos. Acha que poderia fazer algo para ajudar alguém espiritualmente fraco na sua congregação?
Demonstre ternura
15. O que pode ter motivado o pastor a pôr a ovelha sobre os ombros?
15 O que o pastor faz quando finalmente encontra a ovelha perdida? “Ele a põe sobre os seus ombros.” (Lucas 15:5) Que pormenor comovente e significativo! A ovelha pode ter vagueado dias e noites em terreno desconhecido, talvez ficando até mesmo exposta a ataques de leões. (Jó 38:39, 40) Sem dúvida, ficou fraca por falta de nutrição. Está simplesmente debilitada demais para enfrentar sozinha os obstáculos que encontrará no caminho de volta ao rebanho. Por isso, o pastor se abaixa, levanta a ovelha com todo cuidado e a carrega passando por todos os obstáculos de volta ao rebanho. Como podemos imitar o cuidado desse pastor?
16. Por que devemos ter a mesma ternura que o pastor teve para com a ovelha perdida?
16 Quem perde contato com a congregação talvez se sinta esgotado em sentido espiritual. Assim como a ovelha separada do pastor, tal pessoa pode ter vagueado no território hostil deste mundo. Sem a proteção do rebanho, a congregação cristã, ela mais do que nunca fica exposta aos ataques do Diabo, que “anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar”. (1 Pedro 5:8) Além disso, fica enfraquecida pela falta de alimento espiritual. Assim, por conta própria não tem forças para superar os obstáculos ao seu retorno à congregação. Por isso, nós precisamos como que nos abaixar para levantar com todo cuidado quem ficou fraco e carregá-lo de volta ao rebanho. (Gálatas 6:2) Como podemos fazer isso?
17. Como podemos imitar o apóstolo Paulo ao visitarmos alguém fraco?
17 O apóstolo Paulo disse: “Quem está enfermo, sem que eu sinta com ele?” (2 Coríntios 11:29, Mateus Hoepers; 1 Coríntios 9:22) Paulo demonstrava empatia, inclusive com os espiritualmente fracos. Nós devemos fazer o mesmo. Quando você visitar um cristão espiritualmente fraco, assegure-lhe que ele é valioso aos olhos de Jeová e que seus companheiros cristãos sentem muita falta dele. (1 Tessalonicenses 2:17) Deixe-o saber que estão prontos para dar-lhe apoio e estão dispostos a ser para ele “um irmão nascido para quando há aflição”. (Provérbios 17:17; Salmo 34:18) Nossas expressões ternas e sinceras podem encorajá-lo aos poucos a ponto de ele retornar ao rebanho. O que devemos fazer depois disso? A ilustração da mulher e da moeda perdida nos dá a resposta.
Seja diligente
18. (a) Por que a mulher na ilustração não perdeu a esperança? (b) Que esforço diligente a mulher fez, e com que resultado?
18 A mulher que perdeu a moeda sabia que a situação era difícil, mas não sem esperança. Se a moeda tivesse caído num grande campo de arbustos ou num lago fundo, lamacento, ela provavelmente teria desistido de procurá-la. Todavia, sabendo que a moeda devia estar em algum lugar na sua casa, ao seu alcance, ela começou uma busca cabal e diligente. (Lucas 15:8) Primeiro, acendeu uma lâmpada para iluminar a casa. Depois, varreu o chão, esperando ouvir um tinido. Por fim, ela olhou com cuidado em cada canto e fresta, até que a luz da lâmpada alcançou a moeda de prata. O esforço diligente da mulher foi recompensado!
19. Que lições para ajudar os fracos aprendemos da atitude da mulher na ilustração da moeda perdida?
19 Conforme nos lembra esse pormenor da ilustração, a obrigação bíblica de ajudar um cristão fraco não está além da nossa capacidade. Ao mesmo tempo, notamos que exige esforço. Afinal, o apóstolo Paulo disse aos anciãos efésios: “Por labutardes assim, tendes de auxiliar os que são fracos.” (Atos 20:35a) Lembre-se de que a mulher não encontrou a moeda por dar uma olhada rápida na casa, apenas num lugar ou noutro, de vez em quando. Não, ela teve êxito por fazer uma busca sistemática “até achá-la”. Do mesmo modo, quando nos empenhamos em recuperar alguém espiritualmente fraco, temos de fazer um esforço diligente, com determinação. O que podemos fazer?
20. O que se pode fazer para ajudar os fracos?
20 Como podemos ajudar alguém espiritualmente fraco a desenvolver fé e apreço? Talvez o melhor a fazer seja dirigir um estudo bíblico com a pessoa numa publicação cristã apropriada. Realmente, dirigir um estudo bíblico para alguém fraco nos permite ajudá-lo de modo constante e cabal. É provável que o superintendente do serviço esteja em melhores condições para determinar quem poderia dar a ajuda necessária. Ele pode indicar que assuntos estudar e a publicação que seria de maior ajuda. Da mesma forma que a mulher da ilustração usou ferramentas úteis para fazer a busca, nós temos hoje instrumentos que nos ajudam a cumprir com a responsabilidade que Deus nos deu para ajudar os fracos. Dois de nossos novos instrumentos, ou publicações, serão especialmente úteis neste empenho. São os livros Adore o Único Deus Verdadeiro e Achegue-se a Jeová.a
21. Como é que ajudar os fracos resulta em bênçãos para todos?
21 Ajudar os espiritualmente fracos resulta em bênçãos para todos. Os que são ajudados sentem a felicidade de voltar ao convívio com verdadeiros amigos. Nós sentimos a genuína alegria que resulta de dar de nós mesmos. (Lucas 15:6, 9; Atos 20:35b) A congregação, como um todo, aumenta em cordialidade quando cada membro dela demonstra amor aos outros. E acima de tudo, honramos nossos atenciosos Pastores, Jeová e Jesus, ao imitarmos Seu desejo de apoiar os fracos. (Salmo 72:12-14; Mateus 11:28-30; 1 Coríntios 11:1; Efésios 5:1) Portanto, temos bons motivos para continuar a ‘ter amor entre nós’!
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‘Persistam em dar muito fruto’A Sentinela — 2003 | 1.° de fevereiro
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‘Persistam em dar muito fruto’
“Persistais em dar muito fruto e vos mostreis meus discípulos.” — JOÃO 15:8.
1. (a) Que requisito para o discipulado Jesus mencionou aos apóstolos? (b) Que pergunta devemos fazer a nós mesmos?
ERA a noite antes da sua morte. Jesus havia tomado bastante tempo para animar seus apóstolos com uma conversa franca. Já devia ter passado da meia-noite, mas Jesus, motivado pelo amor que tinha aos seus amigos íntimos, continuou a falar. Daí, no meio da sua conversa, lembrou-lhes mais um requisito que tinham de satisfazer para continuarem a ser seus discípulos. Ele disse: “Nisto é glorificado o meu Pai, que persistais em dar muito fruto e vos mostreis meus discípulos.” (João 15:8) Será que nós, hoje, satisfazemos este requisito para sermos discípulos dele? O que significa “dar muito fruto”? Para descobrirmos, voltemos à conversa naquela noitinha.
2. Que ilustração a respeito de dar fruto Jesus contou na noite antes da sua morte?
2 A admoestação de dar fruto faz parte duma ilustração contada por Jesus aos seus apóstolos. Ele disse: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o lavrador. Todo ramo em mim que não dá fruto, ele tira, e todo o que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos falei. Permanecei em união comigo, e eu em união convosco. Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, a menos que permaneça na videira, do mesmo modo tampouco vós podeis, a menos que permaneçais em união comigo. Eu sou a videira, vós sois os ramos. . . . Nisto é glorificado o meu Pai, que persistais em dar muito fruto e vos mostreis meus discípulos. Assim como o Pai me tem amado e eu vos tenho amado, permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” — João 15:1-10.
3. O que os seguidores de Jesus têm de fazer para dar fruto?
3 Nessa ilustração, Jeová é o Lavrador, Jesus é a videira e os apóstolos a quem Jesus falou são os ramos. Enquanto os apóstolos se esforçassem a ‘permanecer em união’ com Jesus, eles dariam fruto. Jesus explicou então como eles poderiam conseguir manter essa união vital: “Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” Mais tarde, o apóstolo João iria escrever palavras similares a seus irmãos na fé: “Quem observa os seus mandamentos [os de Cristo] permanece em união com ele.”a (1 João 2:24; 3:24) Assim, por cumprirem os mandamentos de Cristo, seus seguidores permanecem em união com ele, e esta união, por sua vez, os habilita a dar fruto. O que caracteriza os frutos que devemos produzir?
Há campo para crescimento
4. O que podemos aprender do fato de Jeová ‘tirar’ todo ramo que não dá fruto?
4 Na ilustração da videira, Jeová “tira”, ou corta, o ramo que não dá fruto. O que isso nos diz? Diz-nos que não só se requer que todos os discípulos dêem fruto, mas também que todos são capazes de produzi-lo, não importa quais as suas circunstâncias ou limitações. Afinal, seria contrário aos modos amorosos de Jeová ‘tirar’, ou desqualificar, um discípulo de Cristo por não realizar algo que estava além do seu alcance. — Salmo 103:14; Colossenses 3:23; 1 João 5:3.
5. (a) Como a ilustração de Jesus indica que podemos progredir em dar fruto? (b) Que dois tipos de frutos consideraremos?
5 A ilustração de Jesus a respeito da videira mostra também que, dentro das limitações da nossa situação, temos de criar oportunidades para aumentar nossas atividades como discípulos. Note como Jesus expressou isso: “Todo ramo em mim que não dá fruto, ele tira, e todo o que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto.” (João 15:2) Perto do fim da ilustração, Jesus exortou seus seguidores a dar “muito fruto”. (Versículo 8 de João 15) Qual é a mensagem transmitida aqui? Nós, como discípulos, nunca devemos nos acomodar. (Revelação [Apocalipse] 3:14, 15, 19) Em vez disso, devemos procurar meios de progredir em dar fruto. Que tipos de frutos devemos esforçar-nos a produzir mais abundantemente? Há (1) “os frutos do espírito” e (2) os frutos do Reino. — Gálatas 5:22, 23; Mateus 24:14.
Produzir qualidades cristãs
6. Como Jesus Cristo enfatizou o valor do primeiro fruto do espírito mencionado?
6 O primeiro na lista dos “frutos do espírito” é o amor. O espírito santo de Deus produz amor entre os cristãos, porque eles obedecem à ordem dada por Jesus pouco antes de contar a ilustração da videira produtiva. Ele disse aos apóstolos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros.” (João 13:34) Na realidade, durante toda a sua conversa naquela última noite da sua vida terrestre, Jesus lembrou repetidamente aos apóstolos a necessidade de demonstrarem amor. — João 14:15, 21, 23, 24; 15:12, 13, 17.
7. Como o apóstolo Pedro mostrou que produzir fruto está relacionado com a manifestação das qualidades cristãs?
7 Pedro, que estava presente naquela noite, entendeu que os genuínos discípulos de Cristo devem manifestar o amor cristão e as qualidades relacionadas. Anos mais tarde, Pedro incentivou os cristãos a cultivar qualidades tais como o autodomínio, a afeição fraternal e o amor. Acrescentou que fazermos isso impede ‘que sejamos quer inativos quer infrutíferos’. (2 Pedro 1:5-8) Não importa qual seja a nossa situação, podemos manifestar os frutos do espírito. Por isso, esforcemo-nos a demonstrar amor, benignidade, brandura e outras qualidades cristãs em medida mais plena, porque “contra tais coisas não há lei”, ou restrição. (Gálatas 5:22, 23) Esforcemo-nos a produzir ‘mais frutos’.
Produzir frutos do Reino
8. (a) Qual é a relação entre os frutos do espírito e os frutos do Reino? (b) Que pergunta merece nossa consideração?
8 Frutos coloridos e suculentos embelezam uma planta. No entanto, o valor de tais frutos vai muito além do adorno. Os frutos também são vitais para a reprodução da planta por meio das suas sementes. Do mesmo modo, os frutos do espírito fazem muito mais do que apenas adornar a nossa personalidade cristã. Qualidades tais como o amor e a fé também nos motivam a divulgar a mensagem do Reino qual semente, encontrada na Palavra de Deus. Note como o apóstolo Paulo enfatiza essa relação vital. Ele diz: “Nós também exercemos fé [que faz parte dos frutos do espírito] e por isso falamos.” (2 Coríntios 4:13) Paulo explica adicionalmente que é por fazermos isso que ‘oferecemos a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios’ — o segundo tipo de fruto que temos de manifestar. (Hebreus 13:15) Será que há margem para sermos mais frutíferos, para realmente produzirmos “muito fruto”, como proclamadores do Reino de Deus?
9. Produzir frutos é o mesmo que fazer discípulos? Queira explicar.
9 Para responder corretamente, precisamos primeiro entender quais são os frutos do Reino. É correto concluir que produzir frutos significa fazer discípulos? (Mateus 28:19) Será que os frutos produzidos se referem primariamente às pessoas que ajudamos a se tornarem adoradores batizados de Jeová? Não. Se esse fosse o caso, a situação seria muito desanimadora para todas aquelas queridas Testemunhas de Jeová que por anos têm proclamado fielmente a mensagem do Reino em territórios menos receptivos. Pois, se os frutos do Reino que produzimos fossem apenas novos discípulos, essas Testemunhas trabalhadoras seriam como os ramos improdutivos na ilustração de Jesus! Este, naturalmente, não é o caso. Então, quais são os principais frutos do Reino de nosso ministério?
Frutíferos por divulgar a semente do Reino
10. Como a ilustração de Jesus a respeito do semeador e dos tipos diferentes de solo mostra o que são os frutos do Reino e o que não são?
10 A ilustração de Jesus sobre o semeador e os tipos diferentes de solo indica a resposta — uma resposta animadora para os que dão testemunho em territórios menos produtivos. Jesus disse que a semente é a mensagem do Reino, encontrada na Palavra de Deus e que o solo representa o coração figurativo do homem. Alguma semente “caiu em solo bom, e, depois de brotar, produziu fruto”. (Lucas 8:8) Que fruto? Acontece que depois de uma haste de trigo brotar e amadurecer, ela produz como fruto, não novas hastes de trigo, mas novas sementes. Do mesmo modo, o cristão produz como frutos, não necessariamente novos discípulos, mas novas sementes do Reino.
11. Como se pode definir os frutos do Reino?
11 Portanto, neste caso, os frutos não se referem a novos discípulos, nem a excelentes qualidades cristãs. Visto que a semente lançada é a palavra do Reino, os frutos devem ser uma multiplicação desta semente. Neste caso, produzir frutos refere-se a falar sobre o Reino. (Mateus 24:14) Será que podemos produzir esses frutos do Reino — a proclamação das boas novas do Reino — independentemente de nossa situação? Sim! Na mesma ilustração, Jesus explica o motivo disso.
Fazemos o melhor para a glória de Deus
12. Será que está ao alcance de todos os cristãos produzir frutos do Reino? Queira explicar.
12 ‘O semeado em solo excelente é o que produz’, disse Jesus, “este cem vezes mais, aquele sessenta vezes mais, outro trinta vezes mais”. (Mateus 13:23) A safra produzida pelas sementes lançadas num campo pode variar segundo as circunstâncias. De modo similar, o que podemos fazer na proclamação das boas novas pode variar segundo as nossas circunstâncias, e Jesus mostrou que reconhecia isso. Alguns talvez tenham mais oportunidades; outros podem ter melhor saúde e mais vigor. De modo que aquilo que temos condições de fazer pode ser mais ou pode ser menos do que outros fazem, mas, desde que represente o nosso melhor, Jeová se agrada. (Gálatas 6:4) Mesmo que a idade avançada ou alguma doença debilitante limite nossa participação na pregação, nosso compassivo Pai, Jeová, sem dúvida nos encara como um dos que ‘dão muito fruto’. Por quê? Porque damos a ele ‘tudo o que temos’ — nosso serviço feito de toda a alma.b — Marcos 12:43, 44; Lucas 10:27.
13. (a) Qual é o principal motivo de ‘prosseguirmos’ em produzir os frutos do Reino? (b) O que nos ajudará a produzir frutos em territórios menos receptivos? (Veja o quadro na página 21.)
13 Não importa até que ponto produzamos os frutos do Reino, nos sentiremos motivados a ‘prosseguir e persistir em dar fruto’ se mantivermos em mente por que o fazemos. (João 15:16) Jesus mencionou o motivo principal: “Nisto é glorificado o meu Pai, que persistais em dar muito fruto.” (João 15:8) De fato, a nossa pregação santifica o nome de Jeová perante toda a humanidade. (Salmo 109:30) Honor, uma Testemunha fiel de cerca de 75 anos de idade, menciona: “Mesmo em territórios menos receptivos, é um privilégio representar o Altíssimo.” Quando se perguntou a Claudio, que serve zelosamente a Jeová desde 1974, por que ele continua pregando, embora poucos no seu território sejam receptivos, ele citou João 4:34, onde lemos as palavras de Jesus: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” Claudio acrescentou: “Assim como Jesus, não só quero começar mas também terminar a minha obra como proclamador do Reino.” (João 17:4) As Testemunhas de Jeová em todo o mundo concordam com isso. — Veja o quadro “Como ‘dar fruto com perseverança’”, na página 21.
Pregar e ensinar
14. (a) Que objetivo duplo tinha a obra de João Batista e a do próprio Jesus? (b) Como descreveria a atual atividade cristã?
14 O primeiro proclamador do Reino mencionado nos Evangelhos é João Batista. (Mateus 3:1, 2; Lucas 3:18) Seu objetivo primário era “dar testemunho”, e ele fez isso com profunda fé e com a esperança de “que pessoas de toda sorte cressem”. (João 1:6, 7) De fato, alguns que receberam testemunho de João tornaram-se discípulos de Cristo. (João 1:35-37) Por isso, João tanto pregava como fazia discípulos. Jesus também foi pregador e instrutor. (Mateus 4:23; 11:1) Por isso não é de surpreender que Jesus tenha ordenado a seus seguidores não só que pregassem a mensagem do Reino, mas também que ajudassem os que a aceitavam a se tornar seus discípulos. (Mateus 28:19, 20) Assim, nosso serviço hoje envolve pregação e ensino.
15. Qual é a similaridade entre a reação à pregação realizada no primeiro século EC e a realizada hoje?
15 Dos que ouviram Paulo pregar e ensinar no primeiro século EC, “alguns começaram a acreditar nas coisas ditas; outros não queriam acreditar”. (Atos 28:24) Hoje em dia, a reação é muito parecida. Lamentavelmente, muitas sementes do Reino caem em solo não receptivo. Mesmo assim, algumas sementes ainda caem em solo excelente, criam raízes e brotam, conforme Jesus predisse. Na realidade, em todo o mundo, uma média de mais de 5.000 pessoas se tornam discípulos genuínos de Cristo toda semana! Esses novos discípulos ‘acreditam nas coisas ditas’, embora a maioria das outras pessoas não o faça. O que ajudou a tornar o coração dessas pessoas receptivo à mensagem do Reino? Muitas vezes o interesse pessoal mostrado pelas Testemunhas de Jeová — como que regando as sementes recém-lançadas — fez a diferença. (1 Coríntios 3:6) Considere apenas dois dos muitos exemplos.
O interesse pessoal faz diferença
16, 17. Por que é importante mostrar interesse pessoal nos que encontramos no ministério?
16 Karolien, uma jovem Testemunha de Jeová na Bélgica, visitou uma senhora idosa que não mostrou nem um pouco de interesse na mensagem do Reino. Visto que a mão da senhora estava enfaixada, Karolien e sua companheira ofereceram ajuda, mas a senhora não aceitou. Dois dias depois, as mesmas Testemunhas voltaram à casa da senhora e lhe perguntaram como estava passando. “Isso fez a diferença”, disse Karolien. “Ela ficou espantada de ver que nós estávamos realmente interessadas nela como pessoa. Convidou-nos a entrar e iniciou-se um estudo bíblico.”
17 Sandi, uma Testemunha de Jeová nos Estados Unidos, também mostra interesse pessoal nos seus ouvintes. Ela verifica os anúncios de nascimentos num jornal local e depois leva um exemplar de Meu Livro de Histórias Bíblicas para os pais.c Visto que a mãe costuma estar em casa e fica orgulhosa de mostrar o bebê aos visitantes, isso muitas vezes resulta numa conversa. “Falo aos pais sobre a importância de criar um vínculo afetivo com o recém-nascido por meio da leitura”, explica Sandi. “Daí, eu falo sobre os desafios de criar uma criança no mundo atual.” Recentemente, em resultado de tal visita, uma mãe e seis filhos começaram a servir a Jeová. Demonstrar iniciativa e interesse pessoal pode resultar em alegrias similares no ministério.
18. (a) Por que podemos dizer que o requisito de “dar muito fruto” está ao alcance de todos nós? (b) Que três requisitos para o discipulado, mencionados no Evangelho de João, você está decidido a satisfazer?
18 É muito consolador saber que o requisito de “dar muito fruto” está ao nosso alcance. Quer sejamos jovens ou idosos, quer tenhamos saúde boa ou fraca, quer preguemos em territórios receptivos ou menos receptivos, todos nós podemos dar muito fruto. Como? Por produzirmos os frutos do espírito de forma mais plena e por divulgarmos a mensagem do Reino de Deus do melhor modo que pudermos. Ao mesmo tempo, esforçamo-nos a ‘permanecer na palavra de Jesus’ e a ‘ter amor entre nós’. Por satisfazermos esses três requisitos importantes para o discipulado, mencionados no Evangelho de João, provamos que ‘somos realmente discípulos de Cristo’. — João 8:31; 13:35.
[Nota(s) de rodapé]
a Embora os ramos da videira nessa ilustração se refiram aos apóstolos de Jesus e a outros cristãos que terão um lugar no Reino celestial de Deus, a ilustração contém verdades que podem beneficiar todos os seguidores de Cristo hoje em dia. — João 3:16; 10:16.
b Pessoas confinadas em casa devido à idade avançada ou uma enfermidade podem dar testemunho por cartas, por telefone (onde isso é permitido), ou talvez possam transmitir as boas novas aos que as visitam.
c Publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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