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Cultive qualidades que podem ajudá-lo a fazer discípulosA Sentinela — 2007 | 15 de novembro
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Cultive qualidades que podem ajudá-lo a fazer discípulos
“Ide . . . e fazei discípulos de pessoas de todas as nações.” — MATEUS 28:19.
1. Que habilidades e atitudes precisavam ter alguns dos servos de Deus no passado?
ÀS VEZES, os servos de Jeová precisam desenvolver certas habilidades e atitudes que os ajudem a fazer a vontade divina. Por exemplo, em obediência a Deus, Abraão e Sara saíram da próspera cidade de Ur. Isso os levou a desenvolver qualidades e habilidades necessárias para quem mora em tendas. (Hebreus 11:8, 9, 15) No caso de Josué foi preciso coragem, confiança em Jeová e conhecimento de Sua Lei para liderar a entrada dos israelitas na Terra Prometida. (Josué 1:7-9) E quaisquer habilidades que Bezalel e Ooliabe talvez já tivessem, com certeza foram acentuadas, ou aperfeiçoadas, pelo espírito de Deus, habilitando-os a ser bem-sucedidos na construção e supervisão das obras do tabernáculo e em serviços relacionados. — Êxodo 31:1-11.
2. Que perguntas sobre fazer discípulos vamos considerar?
2 Séculos depois, Jesus Cristo deu a seus seguidores a seguinte ordem: “Ide . . . e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mateus 28:19, 20) Nunca antes alguém havia recebido o privilégio de realizar algo assim. Que qualidades são necessárias para se fazer discípulos? Como podemos desenvolvê-las?
Mostre profundo amor a Deus
3. Que oportunidade nos oferece a ordem de fazer discípulos?
3 Falar com as pessoas e procurar convencê-las a adorar o Deus verdadeiro requer que tenhamos profundo amor a Jeová. Os israelitas podiam provar seu amor a Deus por obedecerem de todo o coração aos Seus mandamentos, por oferecerem sacrifícios aceitáveis e por louvá-lo por meio de cânticos. (Deuteronômio 10:12, 13; 30:19, 20; Salmo 21:13; 96:1, 2; 138:5) Fazer discípulos é uma maneira de obedecer às leis de Deus, mas nós também expressamos nosso amor a Jeová por falar a outros sobre ele e seus propósitos. Temos de falar com convicção, escolhendo as palavras certas para expressar nossos sentimentos sinceros a respeito da esperança que Deus nos dá. — 1 Tessalonicenses 1:5; 1 Pedro 3:15.
4. Por que Jesus gostava de ensinar as pessoas sobre Jeová?
4 Por causa de seu profundo amor a Jeová, Jesus tinha grande prazer em falar sobre os propósitos de Deus, o Reino e a adoração verdadeira. (Lucas 8:1; João 4:23, 24, 31) De fato, ele disse: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” (João 4:34) As seguintes palavras do salmista se aplicam a Jesus: “Agradei-me em fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei está nas minhas partes internas. Anunciei as boas novas de justiça na grande congregação. Eis que não contenho os meus lábios. Ó Jeová, tu mesmo o sabes muito bem.” — Salmo 40:8, 9; Hebreus 10:7-10.
5, 6. Qual é o fator-chave para se fazer discípulos?
5 Motivados pelo amor a Deus, novos discípulos que acabaram de aprender as verdades bíblicas às vezes falam sobre Jeová e o Reino com tanta convicção que conseguem convencer outros a examinar as Escrituras. (João 1:41) O fator-chave de nossa motivação na obra de fazer discípulos é o amor a Deus. Portanto, mantenhamos sempre vivo esse amor por ler com regularidade a Bíblia e meditar no que ela diz. — 1 Timóteo 4:6, 15; Revelação (Apocalipse) 2:4.
6 O amor a Jeová sem dúvida contribuiu muito para que Jesus Cristo se tornasse um instrutor zeloso. Mas essa não foi a única razão de sua eficiência como proclamador do Reino. Então, que outra qualidade contribuiu para o êxito de Jesus em fazer discípulos?
Mostre preocupação amorosa pelas pessoas
7, 8. Como Jesus encarava as pessoas?
7 Jesus se preocupava com as pessoas e mostrava profundo interesse por elas. Mesmo na sua existência pré-humana como “mestre-de-obras” de Deus, ele se agradava das coisas relacionadas à humanidade. (Provérbios 8:30, 31) Como homem na Terra, Jesus sentia compaixão pelas pessoas e reanimava as que o procuravam. (Mateus 11:28-30) Ele refletia o amor e a compaixão do próprio Jeová, e isso atraía pessoas à adoração do único Deus verdadeiro. Todos os tipos de pessoas ouviam Jesus porque ele demonstrava preocupação amorosa por elas e por suas circunstâncias. — Lucas 7:36-50; 18:15-17; 19:1-10.
8 Quando certo homem lhe perguntou o que tinha de fazer para ganhar a vida eterna, “Jesus olhou para ele e sentiu amor por ele”. (Marcos 10:17-21) E a respeito de certas pessoas ensinadas por Jesus em Betânia, lemos: “Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.” (João 11:1, 5) Jesus se interessava tanto pelas pessoas que certa vez até dispensou o necessário descanso para ensiná-las. (Marcos 6:30-34) Esse profundo e amoroso interesse nas pessoas fez com que Jesus se tornasse mais eficiente do que qualquer outro em atraí-las à adoração verdadeira.
9. Com que atitude Paulo realizava a obra de fazer discípulos?
9 O apóstolo Paulo também tinha profundo interesse nas pessoas a quem pregava. Por exemplo, ele disse aos que se haviam tornado cristãos em Tessalônica: “Tendo . . . terna afeição por vós, de bom grado não só vos conferimos as boas novas de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque viestes a ser amados por nós.” Por causa dos esforços amorosos de Paulo, alguns em Tessalônica ‘se desviaram de seus ídolos a fim de trabalhar como escravos para o Deus vivente’. (1 Tessalonicenses 1:9; 2:8) Se tivermos interesse genuíno nas pessoas, como tiveram Jesus e Paulo, nós também poderemos sentir a alegria de ver as boas novas tocar o coração dos “corretamente dispostos para com a vida eterna”. — Atos 13:48.
Demonstre um espírito de abnegação
10, 11. Por que é preciso ter um espírito de abnegação quando procuramos fazer discípulos?
10 Os bem-sucedidos em fazer discípulos têm um espírito de abnegação. Para eles, adquirir riquezas certamente não é o mais importante. De fato, Jesus disse a seus discípulos: “Quão difícil será para os de dinheiro entrar no reino de Deus!” Os discípulos ficaram surpresos ao ouvir isso, mas Jesus acrescentou: “Filhos, quão difícil é entrar no reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo orifício duma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.” (Marcos 10:23-25) Jesus recomendou um modo de vida simples a seus seguidores para que pudessem se concentrar em fazer discípulos. (Mateus 6:22-24, 33) Por que um espírito de abnegação nos ajuda a fazer discípulos?
11 Ensinar todas as coisas que Jesus ‘ordenou’ requer muito esforço. Para fazer discípulos, o cristão em geral se empenha em dirigir um estudo bíblico semanal com os interessados. Para aumentar suas chances de encontrar pessoas sinceras, alguns proclamadores do Reino trocaram um emprego de tempo integral por um de meio período. Milhares de cristãos aprenderam outro idioma para contatar certos grupos étnicos que vivem na sua localidade. Outros se mudaram de sua região ou de seu país a fim de participarem mais plenamente na colheita. (Mateus 9:37, 38) Tudo isso requer um espírito de abnegação. Porém, só isso não basta para ser eficiente em fazer discípulos.
Seja paciente, mas sem perder tempo
12, 13. Por que a paciência é tão importante ao fazer discípulos?
12 A paciência é outra qualidade que nos ajuda a fazer discípulos. A nossa mensagem cristã requer ação urgente, mas fazer discípulos muitas vezes leva um bom tempo e exige paciência. (1 Coríntios 7:29) Jesus não foi impaciente com seu meio-irmão Tiago. Embora Tiago pelo visto conhecesse bem as atividades de pregação de Jesus, por algum tempo algo o impedia de se tornar discípulo. (João 7:5) Mas, no curto período entre a morte de Jesus e o Pentecostes de 33 EC, Tiago evidentemente se tornou discípulo, pois as Escrituras sugerem que ele participava em orações com sua mãe, seus irmãos e os apóstolos. (Atos 1:13, 14) Ele fez bom progresso espiritual, assumindo mais tarde pesadas responsabilidades na congregação cristã. — Atos 15:13; 1 Coríntios 15:7.
13 Como os lavradores, os cristãos cultivam coisas que muitas vezes se desenvolvem devagar: o entendimento da Palavra de Deus, o amor a Jeová e o espírito cristão. Isso exige paciência. Tiago escreveu: “Exercei paciência, irmãos, até a presença do Senhor. Eis que o lavrador fica esperando o precioso fruto da terra, exercendo paciência com ele, até que venha a chuva temporã e a chuva serôdia. Vós também exercei paciência; firmai os vossos corações, porque se tem aproximado a presença do Senhor.” (Tiago 5:7, 8) Tiago exortava seus irmãos na fé a ‘exercer paciência até a presença do Senhor’. Quando os discípulos não entendiam determinado assunto, Jesus pacientemente o explicava, muitas vezes com ilustrações. (Mateus 13:10-23; Lucas 19:11; 21:7; Atos 1:6-8) Agora que o ‘Senhor já está presente’, também é preciso paciência ao fazer discípulos. Os que hoje se tornam seguidores de Jesus precisam de um ensino paciente. — João 14:9.
14. Embora sejamos pacientes, como podemos usar sabiamente o tempo na obra de fazer discípulos?
14 Embora sejamos pacientes, “a palavra” não produz frutos na maioria das pessoas com quem iniciamos um estudo bíblico. (Mateus 13:18-23) Assim, depois de termos feito razoáveis esforços para ajudá-las, é sábio deixar de gastar tempo com elas e procurar as que com mais probabilidade valorizarão as verdades bíblicas. (Eclesiastes 3:1, 6) É claro que até mesmo pessoas apreciativas talvez precisem de ajuda mais prolongada para mudar seus conceitos, atitudes e prioridades na vida. Portanto, somos pacientes, assim como Jesus foi paciente com os discípulos que tinham dificuldade em desenvolver uma atitude apropriada. — Marcos 9:33-37; 10:35-45.
Desenvolva a arte de ensino
15, 16. Por que a simplicidade e a boa preparação são importantes na obra de fazer discípulos?
15 Amor a Deus, interesse nas pessoas, espírito de abnegação e paciência são importantes para sermos bem-sucedidos em fazer discípulos. É preciso também desenvolver técnicas de ensino, pois nos habilitam a explicar as coisas de modo claro, sem complicação. Por exemplo, muitas declarações do Grande Instrutor, Jesus Cristo, foram especialmente marcantes por causa de sua simplicidade. É provável que você se lembre de palavras como estas: “Armazenai para vós tesouros no céu.” “Não deis aos cães o que é santo.” “A sabedoria é provada justa pelas suas obras.” “Pagai . . . a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 6:20; 7:6; 11:19; 22:21) Mas Jesus não fez apenas declarações breves. Ele ensinava com clareza e explicava as coisas quando isso era apropriado. Como você pode imitar o estilo de ensino de Jesus?
16 A boa preparação é a chave para a simplicidade e a clareza. Um ministro que não está bem preparado tende a falar demais. Talvez obscureça os pontos principais num fluxo excessivo de palavras, dizendo tudo o que sabe sobre determinado assunto. Em contraste, o ministro bem preparado pensa na pessoa a quem está instruindo, medita no assunto e apresenta com clareza apenas o que é necessário. (Provérbios 15:28; 1 Coríntios 2:1, 2) Ele leva em conta o quanto o estudante já sabe, e que pontos devem ser enfatizados durante o estudo. O ministro talvez saiba muitos detalhes interessantes sobre o assunto, mas a clareza resulta de cortar informações desnecessárias.
17. Como podemos ajudar a pessoa a raciocinar à base das Escrituras?
17 Em vez de simplesmente apresentar fatos, Jesus também ajudava as pessoas a raciocinar. Por exemplo, certa vez ele perguntou: “O que achas, Simão? De quem recebem os reis da terra os direitos ou o imposto por cabeça? Dos seus filhos ou dos estranhos?” (Mateus 17:25) Talvez gostemos tanto de explicar a Bíblia que é preciso nos conter para deixar que o estudante se expresse ou explique os assuntos considerados durante o estudo bíblico. Naturalmente, não devemos inundar a pessoa de perguntas. Em vez disso, com tato, boas ilustrações e perguntas bem formuladas, podemos ajudá-la a entender os pontos bíblicos apresentados nas nossas publicações baseadas na Bíblia.
18. O que está envolvido em desenvolver a “arte de ensino”?
18 As Escrituras falam em “arte de ensino”. (2 Timóteo 4:2; Tito 1:9) Essa capacidade envolve muito mais do que ajudar alguém a memorizar fatos. Devemos tentar ajudar o estudante da Bíblia a entender a diferença entre a verdade e a mentira, o bem e o mal, a sabedoria e a tolice. Se fizermos isso, e procurarmos cultivar amor a Jeová no seu coração, o estudante talvez entenda por que deve obedecer a Deus.
Seja zeloso em fazer discípulos
19. De que modo todos os cristãos têm uma participação em fazer discípulos?
19 A congregação cristã é uma organização estruturada para cumprir a ordem de fazer discípulos. No caso de um novo discípulo, a Testemunha de Jeová que o encontrou e o ajudou a aprender os ensinos da Bíblia não é a única pessoa que tem motivos para se alegrar. Por exemplo, quando se organiza um grupo de busca de uma criança perdida, talvez apenas um dos membros do grupo efetivamente encontre a criança. Mas, quando ela volta ao convívio dos pais, todos os envolvidos na busca se alegram. (Lucas 15:6, 7) De modo similar, fazer discípulos é um trabalho de equipe. Todos os cristãos participam na busca dos prospectivos discípulos de Jesus. Assim, quando um recém-interessado passa a assistir às reuniões no Salão do Reino, todos os cristãos ali contribuem para edificar seu apreço pela adoração verdadeira. (1 Coríntios 14:24, 25) Portanto, todos os cristãos podem se alegrar com o fato de que centenas de milhares de novos discípulos são feitos todos os anos.
20. O que você deve fazer caso deseje ensinar a outros as verdades da Bíblia?
20 Muitos cristãos fiéis teriam enorme prazer em ensinar alguém a respeito de Jeová e da adoração verdadeira. Mas, apesar de seus melhores esforços, talvez não tenham conseguido fazer isso. Se essa é a sua situação, continue a fortalecer seu amor a Jeová, mostre interesse nas pessoas, seja abnegado, exerça paciência e procure aperfeiçoar sua arte de ensino. Acima de tudo, ore a Deus a respeito de seu desejo de ensinar a verdade. (Eclesiastes 11:1) Console-se de saber que tudo o que você faz no serviço de Jeová contribui para a obra de fazer discípulos que glorifica a Deus.
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Imite o maior exemplo em fazer discípulosA Sentinela — 2007 | 15 de novembro
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Imite o maior exemplo em fazer discípulos
“Prestai atenção a como escutais.” — LUCAS 8:18.
1, 2. Por que devemos prestar atenção a como Jesus tratava as pessoas no seu ministério?
JESUS CRISTO cumpria seu papel de Grande Instrutor e maior exemplo em fazer discípulos quando disse a seus seguidores: “Prestai atenção a como escutais.” (Lucas 8:16-18) Esse princípio se aplica ao nosso ministério como cristãos. Se prestarmos atenção às instruções espirituais, nós as acataremos e seremos proclamadores do Reino eficazes. Naturalmente, não podemos ouvir a voz de Jesus hoje em dia, mas podemos ler nas Escrituras sobre o que ele fez e disse. O que elas revelam sobre como Jesus tratava as pessoas no seu ministério?
2 Jesus era um excelente pregador das boas novas e notável instrutor das verdades das Escrituras. (Lucas 8:1; João 8:28) A obra de fazer discípulos inclui tanto pregar como ensinar. No entanto, alguns cristãos, que são bons pregadores, acham difícil ensinar as pessoas de modo eficiente. Ao passo que pregar envolve transmitir uma mensagem, ensinar sobre Jeová e seus propósitos em geral exige que o instrutor desenvolva uma relação com as pessoas. (Mateus 28:19, 20) Isso pode ser feito por imitar a Jesus Cristo, o Grande Instrutor e maior exemplo em fazer discípulos. — João 13:13.
3. Imitar a Jesus pode ter que efeito no nosso esforço em fazer discípulos?
3 Se imitarmos os métodos de ensino de Jesus, sem dúvida acataremos a exortação do apóstolo Paulo: “Prossegui andando em sabedoria para com os de fora, comprando para vós todo o tempo oportuno. Vossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” (Colossenses 4:5, 6) Imitar a Jesus na obra de fazer discípulos exige esforço, mas isso fará com que nosso ensino seja eficaz, pois nos ajudará a “responder a cada um” segundo a sua necessidade individual.
Jesus incentivava outros a se expressarem
4. Por que se pode dizer que Jesus era bom ouvinte?
4 Desde a infância, Jesus costumava ouvir as pessoas e incentivá-las a expressar seus conceitos. Quando ele tinha 12 anos, por exemplo, seus pais o encontraram no meio de instrutores no templo, “escutando-os e interrogando-os”. (Lucas 2:46) Jesus não foi ao templo para embaraçar os instrutores com o seu conhecimento. Ele foi para ouvir, embora também fizesse perguntas. A sua disposição de ser bom ouvinte talvez tenha sido uma das qualidades que lhe granjearam o favor de Deus e dos homens. — Lucas 2:52.
5, 6. Como sabemos que Jesus prestava atenção às expressões das pessoas a quem ensinava?
5 Depois de seu batismo e unção como Messias, Jesus manteve seu interesse em ouvir as pessoas. Ele não ficava tão concentrado nos seus ensinos a ponto de não levar em conta os que vinham ouvi-lo. Muitas vezes ele pausava, perguntava o que eles achavam e ouvia suas respostas. (Mateus 16:13-15) Por exemplo, após a morte do irmão de Marta, Lázaro, Jesus disse a ela: “Todo aquele que vive e exerce fé em mim nunca jamais morrerá.” Daí perguntou: “Crês isso?” E Jesus com certeza ouviu a resposta de Marta: “Sim, Senhor; tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.” (João 11:26, 27) Quanta satisfação deve ter sido ouvir de Marta essa expressão de fé!
6 Quando muitos discípulos abandonaram Jesus, ele quis saber a opinião de seus apóstolos. Assim, lhes perguntou: “Será que vós também quereis ir?” Simão Pedro respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna; e nós cremos e viemos a saber que tu és o Santo de Deus.” (João 6:66-69) Como Jesus deve ter ficado feliz com essas palavras! Você com certeza também sente grande alegria quando um estudante da Bíblia faz uma expressão de fé similar.
Jesus ouvia com respeito
7. Por que muitos samaritanos passaram a ter fé em Jesus?
7 Outro motivo da eficiência de Jesus em fazer discípulos era que ele se interessava pelas pessoas e as ouvia com respeito. Certa ocasião, por exemplo, Jesus pregou a uma samaritana perto da fonte de Jacó, em Sicar. Mas Jesus não dominou a conversa; ele ouviu o que ela tinha a dizer. Ao ouvi-la, Jesus notou seu interesse em assuntos de adoração e disse a ela que Deus estava à procura dos que adorariam a Ele com espírito e verdade. Jesus mostrou respeito e consideração por essa mulher, que depois falou a outros sobre ele, de modo que “muitos samaritanos daquela cidade depositaram nele fé por causa da palavra da mulher”. — João 4:5-29, 39-42.
8. De que modo a tendência das pessoas de dar opiniões pode ser útil para iniciar conversas no ministério?
8 As pessoas em geral gostam de expressar seus conceitos. Por exemplo, os moradores da Atenas antiga gostavam de dar opiniões e ouvir novidades. Isso contribuiu para o eficiente discurso do apóstolo Paulo no Areópago naquela cidade. (Atos 17:18-34) Hoje, ao iniciar uma conversa com um morador no seu ministério, você pode dizer: “Estou o visitando para saber sua opinião sobre [determinado assunto].” Ouça o ponto de vista da pessoa e comente a respeito, ou faça uma pergunta relacionada. Daí, mostre bondosamente o que a Bíblia diz sobre o assunto.
Jesus sabia o que dizer
9. O que Jesus fez antes de “abrir plenamente as Escrituras” para Cléopas e seu companheiro?
9 Jesus nunca ficava sem saber o que dizer. Além de ser bom ouvinte, muitas vezes ele lia os pensamentos das pessoas e sabia exatamente o que falar. (Mateus 9:4; 12:22-30; Lucas 9:46, 47) Para ilustrar: pouco depois da ressurreição de Jesus, dois de seus discípulos caminhavam de Jerusalém a Emaús. “Enquanto conversavam”, diz o relato evangélico, “aproximou-se o próprio Jesus e começou a andar com eles; mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. Ele lhes disse: ‘Que assuntos são estes que debateis entre vós enquanto estais caminhando?’ E eles ficaram parados de rostos tristes. Em resposta disse-lhe aquele que tinha o nome de Cléopas: ‘Moras sozinho, como forasteiro, em Jerusalém, e não sabes as coisas que ocorreram nela nestes dias?’ E ele lhes disse: ‘Que coisas?’” O Grande Instrutor ouviu com atenção enquanto explicavam que Jesus de Nazaré ensinou pessoas, realizou milagres e foi executado. Agora alguns diziam que ele havia sido ressuscitado. Jesus permitiu que Cléopas e seu companheiro se expressassem. Em seguida, explicou o que eles precisavam saber, ‘abrindo-lhes plenamente as Escrituras’. — Lucas 24:13-27, 32.
10. Como poderá descobrir o conceito religioso de uma pessoa com quem você fala no seu ministério?
10 Pode ser que você não saiba nada a respeito do conceito religioso de determinado morador. Para descobri-lo, talvez possa dizer que gosta de ouvir o que as pessoas pensam a respeito da oração. Daí poderá perguntar: “Acha que existe alguém que realmente ouve as orações?” A resposta poderá revelar muita coisa sobre o conceito e a formação religiosa da pessoa. Se ela tiver inclinação religiosa, talvez você possa ir mais a fundo na questão perguntando: “Acha que Deus ouve todas as orações, ou será que existem orações que ele não aprova?” Perguntas assim podem levar a uma conversa descontraída. Quando for apropriado apresentar um ponto bíblico, será bom fazer isso com tato, sem atacar a crença da pessoa. Se ela gostar da conversa, pode ser que se agrade em recebê-lo de novo. Mas que dizer se o morador fizer uma pergunta que você não sabe responder? Nesse caso, poderá pesquisar e voltar outro dia, preparado para dar ‘uma razão de sua esperança, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito’. — 1 Pedro 3:15.
Jesus ensinava os merecedores
11. O que o ajudará a encontrar os que merecem ser ensinados?
11 Jesus, um homem perfeito, podia discernir quem merecia ser ensinado. Para nós, é bem mais difícil identificar os “corretamente dispostos para com a vida eterna”. (Atos 13:48) Isso também não era fácil para os apóstolos, a quem Jesus disse: “Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai nela quem é merecedor.” (Mateus 10:11) Assim como os apóstolos de Jesus, você precisa procurar os merecedores, ou seja, pessoas dispostas a ouvir e a aprender verdades bíblicas. Poderá encontrá-los por ouvir com atenção a todos com quem você fala, observando a atitude de cada um deles.
12. Como você pode ajudar progressivamente uma pessoa interessada?
12 Depois de falar com uma pessoa que mostrou certo interesse na mensagem do Reino, seria bom continuar a ter em mente as necessidades espirituais dela. Anotar o que você descobriu após conversar com ela sobre as boas novas será útil para continuar a dar-lhe ajuda espiritual. Nas visitas seguintes, será preciso ouvi-la com atenção para saber mais a respeito de suas crenças, atitudes ou circunstâncias.
13. O que pode ser útil para você discernir o que a pessoa acha a respeito da Bíblia?
13 Como você pode incentivar as pessoas a lhe dizerem o que pensam a respeito da Palavra de Deus? Em algumas regiões, é prático perguntar: “Você acha que a Bíblia é difícil de entender?” Muitas vezes, a resposta revela a atitude do morador para com assuntos espirituais. Outra maneira é ler um texto bíblico e perguntar: “O que acha dessas palavras?” Como Jesus, você poderá fazer muito no seu ministério por usar boas perguntas. Mas é preciso uma palavra de cautela.
Jesus fez bom uso de perguntas
14. Como você pode mostrar interesse no ponto de vista de uma pessoa, sem, no entanto, fazer um interrogatório?
14 Mostre interesse no ponto de vista dos outros sem embaraçá-los. Siga o método de Jesus. Ele não era um interrogador sem tato; ele fazia perguntas estimulantes. Era também um ouvinte bondoso que reanimava os sinceros e os deixava à vontade. (Mateus 11:28) Pessoas de todo tipo não receavam apresentar-lhe suas preocupações. (Marcos 1:40; 5:35, 36; 10:13, 17, 46, 47) Para que as pessoas se sintam à vontade para dizer-lhe o que acham da Bíblia e de seus ensinos, você deve evitar fazer um interrogatório.
15, 16. Como você pode atrair pessoas para conversas sobre temas religiosos?
15 Além de usar boas perguntas, você pode incentivar uma conversa dizendo algo interessante e daí ouvir a reação. Por exemplo, Jesus disse a Nicodemos: “A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3) Essas palavras eram tão intrigantes que Nicodemos não tinha como ficar indiferente e não ouvir a Jesus. (João 3:4-20) De modo similar, você também poderá fazer a pessoa querer conversar.
16 Hoje, o surgimento de muitas religiões novas é assunto de conversa em lugares como África, Europa Oriental e América Latina. Em lugares assim, muitas vezes é possível iniciar uma conversa dizendo: “Acho preocupante o fato de existirem tantas religiões. Mas espero ver em breve pessoas de todas as nações unidas na adoração verdadeira. Acha que isso é uma boa idéia?” Se ao falar sobre sua esperança você disser algo que desperte a curiosidade do morador, é possível que consiga fazê-lo se expressar. E é mais fácil responder a perguntas que tenham duas respostas possíveis. (Mateus 17:25) Depois que o morador fizer comentários sobre sua pergunta, responda-a você mesmo com um ou dois textos bíblicos. (Isaías 11:9; Sofonias 3:9) Por ouvir atentamente e observar a reação da pessoa, você poderá determinar o que considerar na próxima visita.
Jesus ouvia as crianças
17. O que indica que Jesus tinha interesse nas crianças?
17 Jesus se interessava não apenas nos adultos, mas também nas crianças. Ele conhecia os divertimentos dos jovens e a maneira de se expressarem. Às vezes convidava crianças para se aproximarem dele. (Lucas 7:31, 32; 18:15-17) Havia muitas crianças entre as multidões que ouviam Jesus. Quando certos meninos clamaram louvando o Messias, Jesus observou isso e mostrou que se tratava de cumprimento das Escrituras. (Mateus 14:21; 15:38; 21:15, 16) Hoje, muitas crianças estão se tornando discípulos de Jesus. Assim, como poderá ajudá-las?
18, 19. Como você pode ajudar seus filhos em sentido espiritual?
18 Para ajudar os filhos em sentido espiritual é necessário ouvi-los. É preciso descobrir se no modo de pensar deles existe algo que não esteja em harmonia com os pensamentos de Jeová. Não importa o que os filhos digam, é sábio responder primeiro com uma observação positiva. Daí você poderá usar textos bíblicos apropriados para ajudá-los a entender o conceito de Jeová sobre os assuntos.
19 As perguntas têm o seu lugar. Mas, como os adultos, as crianças não gostam de interrogatório. Em vez de sobrecarregar seus filhos com muitas perguntas difíceis, talvez possa falar brevemente sobre você mesmo. Dependendo do assunto sob consideração, poderá dizer como você se sentia a respeito desse assunto e por quê. Daí pergunte: “Vocês também se sentem assim?” A resposta deles talvez leve a uma proveitosa e animadora consideração bíblica.
Imite sempre o maior exemplo em fazer discípulos
20, 21. Por que você deve ser bom ouvinte na obra de fazer discípulos?
20 Se você está considerando um assunto com seus filhos, ou com qualquer outra pessoa, é vital saber ouvir. De fato, isso é uma expressão de amor. Por ouvir, você estará sendo humilde e respeitoso. Além disso, estará demonstrando consideração amorosa para com a pessoa que lhe fala. Obviamente, ouvir exige prestar atenção ao que a pessoa diz.
21 Ao participar no ministério cristão, sempre ouça com atenção as palavras do morador. Assim será mais fácil discernir que aspectos da verdade bíblica serão de interesse especial para ele. Daí se esforce em ajudá-lo, usando os vários métodos de ensino de Jesus. Desse modo você será recompensado com a alegria e a satisfação de estar imitando o maior exemplo em fazer discípulos.
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