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A explosão de divórciosDespertai! — 1992 | 8 de fevereiro
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A explosão de divórcios
“JÓIAS DO DIVÓRCIO.” Essa manchete incomum apareceu recentemente numa popular revista feminina. O artigo instava: “Quer dizer que seu casamento foi pelos ares e você se sente ferida? Por que não derrete aquelas recordações que ainda enchem seu porta-jóias?” Por um certo preço, um joalheiro local permite que pessoas divorciadas usem seu maçarico para derreter anéis de noivado e alianças. Daí ele os transforma em pequenos ornamentos que não as farão lembrar-se de seus casamentos fracassados.
Nos dias de hoje, o casamento, como no caso de canetas, pratos, fraldas e lâminas de barbear, parece ser mais popular se for descartável. ‘Quando se cansar dele, simplesmente jogue-o fora’ — esta é a atitude predominante.
“O casamento, no verdadeiro sentido da palavra, não existe mais”, disse Lorenz Wachinger, um popular autor, psicólogo e terapeuta de Munique, Alemanha. Exagero? Pode ser; mas não é difícil ver por que ele talvez pense assim. Segundo o jornal Stuttgarter Zeitung, cerca de 130.000 casamentos se rompem todo ano na Alemanha. Mas o divórcio não acontece unicamente na Alemanha.
Um Fenômeno Global
Em todo o mundo ocorre uma tendência similar. Os Estados Unidos, por exemplo, bem que poderiam ser chamados de a capital mundial do divórcio. A taxa anual de divórcios é superior a 1.160.000, ou quase a metade do número de casamentos. Isto dá a média diária de dois divórcios por minuto!
Estes números, quando comparados com o passado, equivalem a uma explosão de divórcios. Há apenas um século, havia somente 1 divórcio para cada 18 casamentos nos Estados Unidos. Excetuando-se um surto ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial, a taxa aumentou apenas gradualmente até os anos 60. Daí, em apenas 25 anos, triplicou!
Em meados dos anos 80 (os anos mais recentes para os quais existem estatísticas fidedignas), os países no mundo tiveram os seguintes auges nas taxas de divórcio: União Soviética, 940.000 por ano; Japão, 178.000; Reino Unido, 159.000; França, 107.000; Canadá, 61.000; Austrália, 43.000. Mesmo nos lugares em que a religião e as leis mantiveram baixa a taxa de divórcios, os ventos de mudança estão soprando. Por exemplo, em Hong Kong existe ainda apenas 1 divórcio para cada 17 casamentos; mas o número de divórcios ali dobrou entre 1981 e 1987. A revista India Today noticiou que o estigma relacionado com o divórcio está-se desvanecendo entre a classe média da Índia. Criaram-se novas varas de família em vários Estados da Índia para cuidar do aumento dos processos de divórcio, que aumentaram de 100 para 328 por cento em apenas uma década.
Naturalmente, as estatísticas nem sequer dão idéia do profundo desgosto que ocorre por trás desses amplos números. Infelizmente, o divórcio atinge quase todos nós, pela simples razão de que o casamento é universal. É provável que sejamos casados, ou então frutos de pais casados, ou ainda que tenhamos conhecidos íntimos que são casados. Assim, mesmo que o divórcio ainda não nos tenha ferido, a sua ameaça talvez ainda nos deixe alarmados.
O que está por trás de todos esses divórcios? As mudanças políticas podem ser uma parte da resposta. Em muitos países, os obstáculos ao divórcio por parte do Estado — há muito apoiados por grupos religiosos influentes — foram vencidos nos anos recentes. Por exemplo, nos anos 80, a Argentina declarou inconstitucional uma lei que não permitia o divórcio legal. A Espanha e a Itália também instituíram o divórcio legal. Mas tais mudanças na lei nem sempre vieram acompanhadas de um salto nas taxas de divórcio.
Assim, algo mais sério do que o sistema jurídico tem de estar por trás da epidemia global de divórcios. O autor Joseph Epstein referiu-se a isto quando, não faz muito tempo, escreveu: “Divorciar-se era ter um atestado legal, por assim dizer, da própria falta de caráter.” Mas, atualmente, escreve ele, “em alguns círculos, não ter enfrentado um divórcio parece mais excepcional do que ter tido um; neste caso, a pessoa viver seus dias limitada a um único casamento talvez até pareça falta de imaginação”. — Divorced in America.
Em outras palavras, mudaram as atitudes fundamentais que as pessoas alimentavam para com o casamento. Está-se desgastando o respeito e a reverência das pessoas por uma instituição há muito considerada sagrada. Assim, em todo o mundo, o divórcio está-se tornando mais aceitável. Por quê? O que pode fazer com que as pessoas aceitem algo que, outrora, era muitíssimo evitado? Será que, afinal, o divórcio não é tão ruim assim?
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A armadilha do divórcioDespertai! — 1992 | 8 de fevereiro
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A armadilha do divórcio
ANDRÉ e Ana formavam um casal maravilhoso. Ana era mais quieta e mais ponderada do que o marido, mas a sua calma jovial parecia o complemento ideal para a personalidade mais extrovertida de André, com sua energia e humor irreprimíveis. Os olhos dela se iluminavam em sua presença. E qualquer pessoa podia ver que ele era louco por ela.
Depois de sete anos, contudo, o casamento deles começou a desmoronar. André arranjou um novo emprego que consumia a maior parte de seu tempo. Ana passou a ressentir-se das novas preocupações dele com o trabalho, e das muitas vezes que chegava tarde da noite em casa. Tentou “preencher o vazio”, como se expressou, mergulhando de cabeça na sua própria carreira. Mas, em pouco tempo, André começou a chegar em casa cheirando a álcool, explicando que tinha saído com colegas de negócios. O problema com as bebidas se agravou, e Ana por fim se mudou do apartamento deles. André logo entrou em depressão. Em questão de meses, estavam divorciados.
Para muitos, esta história talvez pareça familiar demais. Como vimos, as taxas de divórcio subiram vertiginosamente em todo o mundo. E, sem dúvida, alguns divórcios são inevitáveis ou necessários. A Bíblia não proíbe categoricamente o divórcio, como muitos presumem. Suas normas são justas e razoáveis, permitindo o divórcio à base de adultério (Mateus 19:9); seus princípios também permitem a separação marital sob certas circunstâncias extremas, tais como maus-tratos físicos.a (Veja Mateus 5:32; 1 Coríntios 7:10, 11.) Mas estes não foram os princípios observados no divórcio de André e Ana.
André e Ana eram cristãos e, anteriormente, respeitavam o casamento como sagrado. Mas, como todos nós, viviam num mundo que prega uma ética diferente — que o casamento é descartável e o divórcio um meio de livrar-se dele. Todo ano, este modo de pensar influencia milhares de casais a divorciar-se por motivos nada sólidos, nada bíblicos. E muitos vêm a compreender — tarde demais — que a sua atitude “moderna” e “esclarecida” para com o divórcio os atraiu a uma armadilha.
Armadilha? ‘Uma palavra horrível’, alguns talvez digam. Você talvez ache, como muitos hoje em dia, que o divórcio é simplesmente um modo civilizado de livrar-se de um casamento infeliz. Mas, apercebe-se do lado mais obscuro do divórcio? E já notou quão sutilmente o mundo atual pode moldar nossas noções sobre o divórcio — sem que nos demos conta disso?
O Engodo da Realização Pessoal
No caso de André e Ana, parte da isca que os atraiu ao divórcio foi a promessa sedutora de realização pessoal através duma carreira bem-sucedida. O casamento deles tornou-se vítima da mentalidade de que ‘a carreira vem em primeiro lugar’. Dificilmente o casamento deles foi a primeira de tais vítimas. A revista Family Relations dizia, já em 1983: “A realização pessoal tornou-se um lema. Por conseguinte, vínculos estreitos com a maior parte dos membros da família são rapidamente cortados e até mesmo o vínculo matrimonial fica sob crescente pressão.” André ficou muito impressionado com o seu novo emprego e as possibilidades de progresso. Assumiu projetos adicionais e se associava com colegas depois das horas de trabalho, para granjear mais respeito e aceitação. No ínterim, a carreira de Ana cativou-a com sonhos de êxito que viria através do aumento de seu nível de instrução.
Saírem em busca do sedutor sucesso teve um efeito duplo. Primeiro, significou que André e Ana dispunham de menos tempo um para o outro. Como disse Ana: “Estávamos sendo puxados em direções opostas. Assim, não tínhamos mais o nosso diálogo das 22 horas, como costumávamos ter, quando sentávamos para conversar. Ele se preparava para o dia seguinte de trabalho, e eu também. Paramos de nos comunicar.”
O segundo efeito foi espiritual. Por darem prioridade à carreira, eles relegaram seu relacionamento com Deus, exatamente quando mais precisavam dele. Um programa conjunto de aplicação de princípios bíblicos poderia ter ajudado André a enfrentar seu problema de bebida, e dado a Ana a força para se apegar a seu marido naqueles momentos difíceis.
Assim, em vez de se dedicarem a resolver seus problemas matrimoniais, eles começaram a encarar o divórcio como opção viável, talvez até mesmo como um modo de livrar-se de todas as pressões. Após o divórcio, o sentimento de culpa e de vergonha fez com que abandonassem toda a sua vida espiritual. Não mais professavam ser cristãos.
Os “Peritos” Ajudam a Preparar a Armadilha
Muitos casais, quando confrontados com problemas maritais, voltam-se para conselheiros e terapeutas matrimoniais, ou para livros escritos por tais autoridades. Mas, infelizmente, alguns modernos “peritos” matrimoniais revelaram-se mais aptos a promover o divórcio do que a preservar o casamento. Nas décadas recentes, as opiniões dos “peritos” contra o casamento se avolumaram como gafanhotos famintos.
Por exemplo, as psicoterapeutas Susan Gettleman e Janet Markowitz se lamentam, em The Courage to Divorce (A Coragem de Divorciar-se): “Persiste a crença irracional de que as pessoas divorciadas se desviaram de alguma entidade benigna chamada ‘vida familiar normal’.” Elas acusam as “barreiras legais e os valores morais” contra o divórcio de se “basearem em princípios religiosos que tiveram origem há muitos séculos”. O divórcio, argumentam, vai continuar a existir até que a “gradual obsolescência do casamento” torne o divórcio “desnecessário”. Elas recomendam seu livro para advogados, juízes — e para ministros religiosos!
‘O divórcio não é ruim. O divórcio é libertador. A prevalência do divórcio não é sinal de que algo está errado com a sociedade; é sinal de que algo está errado com a instituição do casamento.’ Muitos “peritos” ensinavam este conceito, especialmente no auge da revolução sexual dos anos 60 e 70. Mais recentemente, alguns psicólogos e antropólogos populares têm até mesmo especulado que o homem foi “programado” — por incrível que pareça, pela evolução — a trocar de cônjuge de tantos em tantos anos. Em outras palavras, casos extramaritais e divórcios são apenas naturais.
É difícil imaginar quantos casamentos foram prejudicados por tais noções. Mas muitos outros peritos incentivam o divórcio de modo mais sutil. À medida que Diane Medved fazia pesquisas para seu livro The Case Against Divorce (Os Argumentos Contra o Divórcio), ela encontrou cerca de 50 livros na biblioteca da localidade que, se não promoviam diretamente o divórcio, pelo menos serviam para ‘incitar os leitores ao divórcio’. Avisa ela: “Estes livros tornam fácil o ingresso no mundo dos solteiros, e exaltam sua ‘nova liberdade’, como se ela . . . fosse o derradeiro recurso para a sua realização pessoal.”
Outras Influências
Naturalmente, existem muitas outras influências que promovem o divórcio, além dos “peritos” mal-orientados. A mídia — TV, filmes, revistas, romances — não raro agrava a contínua tempestade da propaganda contra o casamento. Às vezes, a mídia transmite a mensagem de que infindável excitação, prazer e realização pessoal são encontrados fora da enfadonha vida de casado e que, no fim deste reluzente arco-íris do estado de solteiro e da liberdade, o aguarda outro cônjuge, muitíssimo superior ao que você tem em casa.
Simplesmente manter-se céptico para com tais idéias subversivas talvez não sirva de proteção contra elas. Como Medved se expressa: “Você vê um filme, e mesmo com sua experiência da vida, fica sujeito ao poder dele. Não consegue evitar isto — o enredo e a interação são apresentados de tal modo que atraem a simpatia para o personagem principal (o marido mulherengo?), e a antipatia para a vilã (a esposa rabugenta?). . . . Você, pessoalmente, talvez não aprove o que vê, mas simplesmente saber que outros aprovam, reforçados por miríades de outros modos que permeiam a nossa cultura, abala a sua própria determinação de fazer o bem e a sua convicção.”
A conduta de nossos semelhantes deveras nos influencia. Se isto se aplica às mensagens da mídia, quanto mais às dos amigos que escolhemos! De modo sábio, a Bíblia avisa: “Não sejais desencaminhados. Más associações estragam hábitos úteis.” (1 Coríntios 15:33) Um bom casamento é um dos hábitos mais úteis que existem. Podemos estragá-lo se nos tornarmos amigos dos que não respeitam essa instituição. Muitos casais verificaram que foram sutilmente compelidos ao divórcio por terem confidenciado seus problemas maritais a tais “amigos” — às vezes até mesmo pessoas que escolheram, elas mesmas, divorciar-se sem real justificativa.
Outros procuram prematuramente obter assistência jurídica quando seu casamento está sob tensão. Esquecem-se de que o sistema jurídico, em muitos países, é uma máquina bem lubrificada que visa facilitar o divórcio. Afinal, os advogados lucram por promover divórcios, e não reconciliações.
Ainda assim, talvez se pergunte: ‘Se todos esses advogados, terapeutas, personalidades da mídia, e até mesmo amigos e parentes, têm adotado e efetivamente promovido uma atitude mais leniente para com o divórcio, será que aquilo que eles dizem não é certo?’ Poderiam tantas pessoas estar erradas sobre algo tão importante? O exame de alguns dos efeitos do divórcio nos ajudará a obter a resposta.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja A Sentinela, de 15 de julho de 1989, páginas 8-9; 15 de maio de 1988, páginas 4-7; 1.º de novembro de 1988, páginas 22-3.
[Foto na página 7]
Alguns “peritos” matrimoniais são mais hábeis em promover o divórcio do que em preservar o casamento.
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Divórcio — seus frutos amargosDespertai! — 1992 | 8 de fevereiro
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Divórcio — seus frutos amargos
QUEM tem de pagar o preço do divórcio não são os advogados, nem os amigos, nem a mídia, nem os “peritos”. São os casais que se divorciam — e seus filhos — que pagam a conta final.a Longe de ser uma experiência liberalizante, o divórcio pode ter um preço assustadoramente alto.
Em The Case Against Divorce (Os Argumentos Contra o Divórcio), Diane Medved admite que, originalmente, tencionava escrever um livro que fosse “moralmente neutro” para com o divórcio. Mas sentiu-se compelida a mudar de idéia. Por quê? Escreve ela: “De forma bem simples, descobri em minhas pesquisas que o processo e as conseqüências do divórcio são tão inteiramente desastrosos — para o corpo, para a mente e para o espírito — que, num sobrepujante número de casos, a ‘cura’ que traz é certamente pior do que o ‘mal’ do casamento.”
Ana, mencionada no artigo anterior, concorda: “Pensei que o divórcio seria uma libertação. Pensei que, se me livrasse desse casamento, eu ficaria bem. Mas, antes do divórcio, pelo menos minha dor me fazia sentir viva. Depois que me divorciei, nem sequer me sentia viva. Havia um vazio tão grande, que eu me sentia como se não existisse. Foi simplesmente terrível. Não dá para descrever como me senti vazia.” Após o divórcio, as vagas promessas de liberdade e de emoção se evaporaram nas sombrias realidades do viver e do sobreviver no dia-a-dia.
A dura verdade é que, mesmo quando existem bases legítimas para o divórcio, suas conseqüências podem ser dolorosas e muito duradouras. Assim, qualquer pessoa que esteja pensando em tomar tal medida drástica seria sábia se acatasse primeiro o conselho de Jesus: ‘Calcule o custo.’ (Lucas 14:28) Especificamente, quais são alguns dos custos, algumas das dolorosas conseqüências do divórcio?
Efeitos Emocionais e Morais
Recente estudo publicado em Journal of Marriage and the Family indicava que o divórcio está ligado à infelicidade e à depressão. Os divorciados têm maior probabilidade de ficar deprimidos, e os que já se divorciaram mais de uma vez apresentam a probabilidade de ficar deprimidos com mais freqüência. A socióloga Lenore Weitzman, em seu livro The Divorce Revolution (A Revolução do Divórcio), comenta que as pessoas divorciadas e separadas apresentam os maiores índices de internação em instituições psiquiátricas; elas também apresentam índices mais elevados de doença, de morte prematura e de suicídio.
Em seu estudo de cerca de 200 pessoas, Medved verificou que o divórcio deixava os homens e as mulheres emocionalmente perturbados durante uma média de sete anos, alguns durante décadas. A única coisa em que o divórcio não influía, segundo ela verificou, era no padrão insalubre de comportamento que levou o casal a divorciar-se. Portanto, não é de admirar que o segundo casamento tenha ainda maior possibilidade de fracassar do que o primeiro!
O divórcio, longe de fazer melhorar o comportamento, muitas vezes tem um efeito drasticamente negativo sobre a moral. Pesquisadores têm verificado que, depois do divórcio, a maioria dos homens e das mulheres entra brevemente numa espécie de segunda adolescência. Usufruem sua recém-adquirida liberdade mantendo uma série de novos casos amorosos, a fim de elevar sua decaída auto-estima ou para minorar a solidão. Mas namorar por tais motivos egoístas pode resultar em imoralidade sexual, que traz consigo uma longa lista de trágicas conseqüências. E ver os pais agirem assim pode ser especialmente traumatizante e prejudicial para os filhos.
Com muita freqüência, porém, casais que se divorciam aceitam e apóiam a propaganda do mundo, de que suas próprias necessidades e interesses vêm em primeiro lugar. Assim, ficam insensíveis à dor que causarão à vida dos que os rodeiam — seus filhos, seus pais e seus amigos. Alguns se esquecem de que Deus também pode ficar magoado no coração quando desprezamos suas normas. (Salmo 78:40, 41; Malaquias 2:16) O divórcio também pode ser algo muito odioso, especialmente quando degenera em batalhas legais pela guarda dos filhos e pela posse dos bens.
Catástrofe Financeira
Lenore Weitzman concluiu adicionalmente que o divórcio também é uma “catástrofe financeira” para as mulheres nos Estados Unidos. Em média, reduz à metade seus recursos para coisas essenciais como alimento, moradia e aquecimento. O padrão de vida delas, descobriu a autora, caiu assustadoramente 73 por cento depois do divórcio!
Ela esperava constatar que as modernas e “esclarecidas” leis do divórcio servissem de proteção para as mulheres. Em vez disso, ela descobriu que as mulheres se queixavam de sentir-se desesperadas e carentes após o divórcio. Mencionavam ter de repentinamente recorrer a programas de seguridade social, a cupons para distribuição de alimentos, a albergues e a sopas de caridade. Setenta por cento das mulheres entrevistadas disseram que se sentiam constantemente preocupadas com o pagamento das contas no fim do mês. Algumas se sentiam aterrorizadas, frustradas e até mesmo impossibilitadas, junto com os filhos, de se associarem com outros, sem dispor de tempo algum para si mesmas.
Um rapaz a quem chamaremos de Paulo, cujos pais se divorciaram quando ele tinha oito anos, relembra: “Depois que meu pai saiu de casa, bem, sempre tínhamos o que comer, mas, subitamente, uma latinha de refrigerante era um luxo. Não podíamos comprar roupas novas. Minha mãe tinha de fazer todas as camisas para nós. Quando vejo as nossas fotos daquele tempo, é um quadro triste, de pessoas de aspecto doentio.”
Visto que a maioria das mulheres fica com a guarda dos filhos, e o pai em muitos casos deixa de pagar a pensão alimentícia deles, decretada pelos juízes das Varas de Família — que, não raro é bem pequena — existe maior probabilidade de que o divórcio deixe as mulheres mais empobrecidas do que os homens. Todavia, é possível que o divórcio tampouco enriqueça os homens. O livro Divorced Fathers (Pais Divorciados) comenta que apenas as despesas legais podem consumir a metade da renda líquida anual dum homem. O divórcio também é emocionalmente devastador para maridos e pais. Muitos sentem-se arrasados por serem reduzidos a meros visitantes na vida dos filhos.
Preserve Seu Casamento!
Não é nada surpreendente, portanto, saber que num estudo de pessoas divorciadas há um ano, 81 por cento dos maridos/pais e 97 por cento das esposas/mães admitem que o divórcio talvez tenha sido um erro e que deveriam ter-se empenhado mais em fazer com que seu casamento desse certo. Também, é cada vez maior o número de “peritos” que recuam de modo apreensivo de suas antigas atitudes desdenhosas para com o casamento. O jornal Los Angeles Times comentou recentemente: “Tendo tido mais de 25 anos para observar os resultados, muitos terapeutas . . . empenham-se arduamente em salvar casamentos.”
Mudar de conceito, naturalmente, é bem fácil para os “peritos”. Na realidade, tudo o que eles têm de fazer é dizer: “Opa! Sinto muito!”, e começar a apregoar outra teoria. As coisas não são tão fáceis assim para os milhares que seguiram seus conselhos. Ainda assim, as vítimas do divórcio podem aprender lições cruciais de suas amargas experiências, tais como a resumida no Salmo 146:3, 4: “Não confieis nos nobres, nem no filho do homem terreno, a quem não pertence a salvação. Sai-lhe o espírito, ele volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus pensamentos.”
Amigos, terapeutas, advogados ou personalidades da mídia não são nada mais do que humanos imperfeitos. Assim, quando precisamos de conselhos sobre o casamento, por que depender unicamente deles? Não faria mais sentido voltar-se primeiro para Jeová Deus, aquele que criou o casamento? Seus princípios não mudam com os ventos instáveis das opiniões dos “peritos”. Tais princípios se mantêm já por milênios, e eles dão certo hoje em dia.
André e Ana começaram a compreender isto algum tempo depois de se divorciarem. Discerniram que seu divórcio tinha sido um terrível erro. O notável, porém, é que não era tarde demais para eles. Procuraram um ao outro e se casaram de novo. E começaram a modificar seu modo de pensar. “Compreendi”, relembra André, “que eu estava moralmente falido e precisava de ajuda. Pela primeira vez em muitos anos, orei a respeito. Queria fazer o que era certo; de modo que tinha de parar e rejeitar todos os valores que eu havia assimilado do mundo. Não os queria mais”.
Ana confirma: “O motivo de podermos estar juntos agora, tendo deixado para trás aquele horrível passado, é que ambos realmente queríamos estar bem com Jeová. E realmente queríamos que o casamento desse certo.” Isto não significa que desde então as coisas tenham sido fáceis. “Ficamos continuamente atentos ao nosso relacionamento agora, como um cão-de-guarda. E, se um de nós acha que se está desviando, conversamos sobre isso.”
André e Ana criam agora dois filhos maravilhosos. Ele é servo ministerial numa congregação das Testemunhas de Jeová. É lógico que as coisas não são inteiramente perfeitas. Casamento algum será perfeito neste velho mundo. Como poderia ser, quando une duas pessoas imperfeitas? É por isso que a Bíblia nos acautela de que, desde o tempo em que o pecado entrou no mundo, o casamento tem trazido certo grau de ‘tribulação na carne’. (1 Coríntios 7:28) Assim, o casamento não deve ser encarado de forma leviana; qualquer pessoa que cogite casar-se fará bem em gastar bastante tempo para conhecer seu prospectivo cônjuge. E, uma vez casados, em geral o casamento só será bom na medida em que ambos se esforçarem por ele.
É evidente, porém, que o divórcio tampouco deve ser encarado de forma leviana. Quando o divórcio é considerado necessário ou inevitável, por certo Deus pode suprir-nos da ajuda que precisamos para suportar os tempos difíceis que talvez advenham disso. Mas, se seguirmos a tendência do mundo, de adotar o conceito de desvalorizar a sagrada instituição do casamento, quem nos protegerá das conseqüências de tal tolice? Assim, preserve seu casamento! Em vez de estar pronto a descartar-se dele quando as coisas não vão bem, volte-se para as soluções dos problemas. Tente reparar as pontes, em vez de destruí-las. Recorra à Palavra de Deus em busca de soluções práticas para os problemas matrimoniais.b As soluções estão ali. E elas dão certo.
[Nota(s) de rodapé]
a Para informações sobre os efeitos do divórcio nos filhos, veja Despertai! de 22 de abril de 1991.
b Veja Torne Feliz Sua Vida Familiar, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Foto na página 10]
Preservem seu casamento tomando tempo para fazer as coisas juntos, em família.
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