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  • Médicos numa sociedade em mudança
    Despertai! — 2005 | 22 de janeiro
    • Médicos numa sociedade em mudança

      Em 1174, Maimônides foi nomeado médico da corte no Egito e passava a maior parte do tempo no palácio. Falando sobre a volta para casa todos os dias, ele escreveu: “Faço uma refeição leve, a única em vinte e quatro horas. Daí vou atender meus pacientes, faço prescrições e oriento-os sobre como tratar a doença. Atendo um doente após outro até o anoitecer, e às vezes . . . fico tão cansado que mal consigo falar.”

      SER médico sempre exigiu abnegação. Mas hoje a prática médica é afetada por rápidas mudanças sociais. A carga horária dos médicos atualmente pode ser tão exaustiva quanto a de Maimônides. Mas será que eles são tão respeitados como antigamente? Veremos a seguir como a nova realidade social afetou a vida do médico e a relação médico-paciente.

      Mudanças na relação médico-paciente

      Alguns ainda se lembram do tempo em que o médico carregava todos os remédios numa maleta. Assim como hoje, o conceito que as pessoas tinham sobre os médicos variava muito. Mas a maioria deles era muito respeitada pela sua perícia, tinha uma posição social prestigiada e era admirada pela sua ética. Ao mesmo tempo, porém, os médicos podiam ser criticados por seus honorários, por suas falhas ou por sua aparente insensibilidade.

      Apesar de tudo, grande parte desses profissionais encontrava satisfação em ajudar várias gerações de uma mesma família. Eles davam atendimento em domicílio e, em regiões rurais, às vezes tomavam uma refeição com a família ou até mesmo pernoitavam quando faziam um parto. Muitos deles manipulavam o remédio para os pacientes. Médicos altruístas não cobravam dos que tinham poucos recursos e estavam disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

      É claro que ainda hoje existem profissionais que trabalham dessa forma, mas em muitos lugares a natureza da relação médico-paciente provavelmente mudou mais nas últimas décadas do que em muitos séculos. Como ocorreram essas mudanças? Primeiro, vejamos o que aconteceu com o atendimento em domicílio.

      O que aconteceu com o atendimento em domicílio?

      Antigamente, era muito comum o médico atender o paciente em domicílio, e em muitos países isso ainda acontece. Mas esse costume está em declínio no mundo todo. O jornal The Times of India disse: “Nessa era de especialistas e de hiperespecialistas, está se tornando cada vez mais raro o médico de família compassivo, que conhece bem a família e está disposto a dar atendimento em domicílio sempre que necessário.”

      Com o grande avanço da medicina, muitos se especializaram e trabalham em conjunto ou vinculados a planos de saúde. O resultado é que os pacientes são atendidos por um médico diferente cada vez que ficam doentes. Assim, muitos médicos não conseguem estabelecer uma relação mais duradoura com as famílias como no passado.

      Há cerca de um século, o surgimento de análises de laboratório e de equipamentos de diagnóstico fez com que o atendimento médico em domicílio se tornasse cada vez menos comum. E em muitos lugares, instituições de saúde consideram o atendimento em domicílio uma forma ineficiente de utilizar o tempo do médico. Hoje em dia, a maioria das pessoas dispõe de transporte para ir ao consultório médico. Além disso, paramédicos e socorristas prestam assistência, algo que anteriormente só os médicos faziam.

      Mudança de circunstâncias

      Hoje poucos médicos trabalham de forma independente, pois em geral eles estão vinculados a instituições públicas ou a planos de saúde. Porém muitos profissionais de saúde não gostam da intermediação dessas instituições na relação médico-paciente. Uma das razões é que tais instituições costumam exigir que se atenda mais pacientes em menos tempo. “Tenho de sete a dez minutos para atender um paciente”, diz a Dra. Sheila Perkins, clínica geral na Grã-Bretanha. “E uso a maior parte desse tempo dando entrada no computador. Não sobra quase nada para estabelecer uma relação com o paciente. Isso causa muita frustração.”

      Todas essas mudanças na prática da medicina resultaram em mais autonomia para o paciente. No passado, as ordens médicas não podiam ser questionadas. Mas em muitos países hoje, os médicos são obrigados a informar o paciente sobre as opções de tratamento e sobre os possíveis resultados, para que o paciente tenha condições de dar consentimento esclarecido sobre o tratamento escolhido. Assim, a autoridade do médico deixou de ser absoluta; para alguns, o médico hoje não passa de um técnico.

      Em vista das rápidas mudanças na estrutura social, um grande número de mulheres se tornaram médicas. E muitas pessoas preferem consultar-se com médicas, porque acham que elas demonstram mais empatia. Assim, as mulheres contribuíram para dar um toque mais humano à prática da medicina.

      A maioria das pessoas aprecia um médico atencioso, que compreende os sentimentos e o estresse do paciente. Mas convém perguntar: quantos pacientes têm consciência da difícil vida dos médicos e de sua rotina estressante? Compreender isso com certeza pode contribuir muito para uma melhor relação médico-paciente. O artigo seguinte enfoca essa questão.

      [Foto na página 3]

      Maimônides

      [Crédito]

      Brown Brothers

      [Fotos na página 4]

      Antigamente, os médicos davam atendimento em domicílio

  • A rotina estressante dos médicos
    Despertai! — 2005 | 22 de janeiro
    • A rotina estressante dos médicos

      “Um casal jovem veio ao meu consultório cheio de esperança de que eu pudesse curar o seu filho recém-nascido. Ao examinar a criança, senti uma dor no coração, pois o quadro era irreversível. Só Deus sabe como me senti quando disse a eles que seu filho nunca enxergaria. Quando saíram do consultório, eu estava emocionalmente arrasado. Mas logo depois entrou o próximo paciente, esperando ser recebido com um sorriso. Essas coisas são muito estressantes.”​— Cirurgião oftálmico da América do Sul.

      QUANDO as pessoas procuram um médico, geralmente estão preocupadas demais com o seu problema de saúde para lembrar-se que o médico também tem os seus problemas. Assim, poucos se dão conta do estresse que os médicos enfrentam.

      Naturalmente, todo mundo tem de lidar com o estresse, e os médicos não são exceção. Mas visto que quase todo mundo precisa ou acabará precisando de um médico, é de ajuda entender a sua rotina estressante e o efeito que isso pode ter sobre ele.

      O médico aprende a conviver com o estresse logo no início, quando decide competir por uma vaga na faculdade de medicina. Mas o choque inicial geralmente ocorre quando ele começa a receber treinamento médico. Inicia-se então um processo que pode mudar para sempre a sua maneira de encarar as coisas.

      Experiências traumáticas

      A experiência traumática da primeira visita a uma sala de dissecação pode ocorrer logo na primeira semana da faculdade de medicina. Muitos talvez nunca tenham visto um cadáver. Assim, ver corpos nus e enrugados, em diferentes estágios de dissecação, pode ser um tremendo choque. Isso faz com que os estudantes aprendam a desenvolver táticas de sobrevivência emocional. Muitos recorrem ao humor e dão um apelido engraçado a cada cadáver. Alguém de fora pode achar isso insensível e desrespeitoso, mas para os estudantes é uma estratégia necessária para não pensarem na pessoa que aquele cadáver era anteriormente.

      A seguir vêm os estágios nos hospitais. A maioria das pessoas só se vê confrontada com a brevidade da vida quando chega à meia-idade. Mas os estudantes de medicina começam a lidar com doenças incuráveis e a morte logo no início de sua carreira. Um deles descreveu suas primeiras experiências no hospital como “extremamente revoltantes”. Os estudantes também podem ficar muito decepcionados ao ver como é comum, tanto em países pobres como em ricos, pacientes não receberem tratamento por falta de recursos.

      Como os médicos recém-formados lidam com o estresse? Muitas vezes a equipe médica se distancia emocionalmente dos pacientes, tratando-os de forma impessoal. Em vez de referir-se ao paciente pelo nome, o enfermeiro pode dizer: “Doutor, tem uma perna quebrada no box dois.” Isso pode soar cômico para quem não entende o motivo de tal descrição.

      Fadiga por compaixão

      Os médicos recebem formação técnica, mas o trabalho da maioria deles consiste em lidar diretamente com os pacientes. Alguns acham que não têm o devido preparo emocional para isso. Conforme vimos na introdução, uma das situações mais difíceis para o médico é dar uma má notícia. Alguns têm de fazer isso todos os dias. É natural que as pessoas em situação de desespero extravasem sua dor e espera-se que os médicos sejam bons ouvintes. Mas lidar com pessoas ansiosas, assustadas, pode ser tão desgastante que alguns médicos começam a sofrer de um esgotamento conhecido como fadiga por compaixão.

      Lembrando-se do início de sua carreira, um médico de família no Canadá escreveu: “Eu estava ficando sobrecarregado: toda hora havia pessoas precisando de ajuda; gente querendo extravasar sua angústia; doentes precisando de cuidados, pessoas querendo as coisas do seu jeito, outras querendo se consultar; pacientes insistindo para serem atendidos; telefonemas em casa, e até no meu quarto. As cobranças eram intermináveis. Eu queria ajudar, mas aquilo era uma loucura.” — A Doctor’s Dilemma (O Dilema do Médico), de John W. Holland.

      Será que o estresse diminui com os anos de profissão? Em geral a experiência traz consigo mais responsabilidade. Muitas vezes, decisões de vida ou morte precisam ser tomadas imediatamente, talvez sem informações suficientes. Um médico da Grã-Bretanha diz: “Quando eu era novo, isso não me preocupava. Assim como os jovens não se preocupam em dirigir de forma perigosa. Mas com a idade, você passa a dar mais valor à vida. Hoje em dia, as decisões sobre tratamento médico me deixam mais ansioso do que nunca.”

      Como o estresse afeta os médicos? O hábito de não se envolver emocionalmente com os pacientes pode afetar até mesmo os relacionamentos familiares. Talvez seja muito difícil evitar essa tendência. Alguns médicos se preocupam muito com os pacientes. Mas até que ponto conseguirão fazer isso sem sofrer de fadiga por compaixão? Esse é o dilema do médico.

      Pacientes difíceis

      Quando se pergunta sobre o estresse decorrente da relação médico-paciente, os médicos geralmente começam a falar sobre os pacientes difíceis. Talvez você conheça alguns dos tipos mencionados a seguir.

      Em primeiro lugar, há aquele paciente que faz o médico perder o seu tempo falando sem parar e não é específico ao explicar o seu problema. Depois, há o paciente exigente que liga para o médico à noite ou em fins de semana quando não existe nenhuma situação de emergência, ou que insiste em receber um tratamento que o médico não recomenda. Há também o paciente desconfiado. Ele talvez faça pesquisas na internet sobre a sua doença, o que pode ser de ajuda. Mas muitas vezes isso faz com que perca a confiança no médico. O médico, por sua vez, pode não ter tempo de explicar os prós e os contras de todos os tratamentos que o paciente pesquisou. O profissional de saúde se sente muito frustrado quando nota que o paciente deixa de seguir as suas orientações por não ter confiança nele. E por fim existe o paciente impaciente. Ele abandona o tratamento antes mesmo de produzir algum efeito, talvez procurando uma outra opinião.

      Em algumas partes do mundo, no entanto, a principal fonte de estresse para os médicos não é o paciente, mas o advogado.

      Medicina defensiva

      Em muitos países está havendo um grande aumento de processos contra erros médicos. Alguns advogados movem processos por qualquer motivo, só para ficar ricos. “Isso faz com que os seguros pagos pelos médicos sejam muito caros”, diz o presidente da Associação Médica Americana. “Esses processos têm outros efeitos colaterais. Um processo injustificado pode causar grande dano ao médico: constrangimento, perda de tempo, . . . estresse e ansiedade.” Alguns chegaram até mesmo ao ponto de cometer suicídio.

      O resultado é que muitos se vêem obrigados a praticar a “medicina defensiva”, tomando decisões com base na eventual necessidade de defender-se no tribunal em vez de visar o que é melhor para o paciente. “Tornou-se muito comum atualmente praticar a medicina com o objetivo de proteger-se de processos”, diz a revista Physician’s News Digest.

      À medida que aumentam as pressões sobre os médicos, muitos deles ficam pensando no que o futuro reserva para eles. Pacientes também fazem a mesma pergunta, visto que observam que algumas doenças causam mais sofrimento, apesar dos avanços na medicina. O artigo que se segue apresenta um conceito realista do futuro, tanto para os médicos como para os pacientes.

      [Quadro/Foto na página 6]

      COOPERE COM O SEU MÉDICO

       1. Aproveite ao máximo o tempo da consulta. Prepare-se para explicar o seu problema de forma completa, mas concisa, começando com o que mais o preocupa

       2. Evite telefonar para o médico fora do horário do expediente quando não há nenhuma emergência

       3. Seja paciente. O diagnóstico e o tratamento corretos levam tempo

      [Quadro/Fotos na página 7]

      ‘A ROTINA TAMBÉM TRAZ SATISFAÇÃO’

      “Existe uma diferença muito grande entre a prática médica aqui e em lugares desenvolvidos. Aqui, muitos estudam medicina porque acham que é uma maneira de escapar da pobreza. Mas há muitos médicos para poucos empregos, e o resultado é que os médicos são mal remunerados. As pessoas em geral não conseguem pagar uma consulta particular. Eu trabalho num hospital velho que tem goteiras e só dispõe do equipamento básico. A nossa equipe é composta de dois médicos e cinco enfermeiros. Atendemos 14 mil pessoas.

      “Às vezes os pacientes acham que não gasto tempo suficiente para examiná-los. Mas quando você tem 25 pacientes aguardando na fila, não pode dar-se ao luxo de fazer uma consulta mais demorada. Ainda assim, tenho uma grande satisfação de tratar os doentes, mesmo nos casos de rotina. Por exemplo, é muito comum mães trazerem crianças desnutridas e desidratadas com diarréia. As crianças chegam aqui com os olhos sem brilho e a carinha ansiosa. A única coisa que tenho de fazer é ensinar a mãe a dar soro caseiro para a criança, remédio para parasitos e antibiótico. Quando o tratamento começa a surtir efeito, a criança volta a se alimentar. Uma semana depois ela está totalmente diferente: com os olhos brilhantes, sorridente e querendo brincar. Decidi ser médico para ter a satisfação de ver isso.

      “Desde pequeno eu sonhava em ajudar doentes. Mas a prática médica mudou completamente a minha maneira de encarar as coisas. Vi pessoas morrerem por não ter um mínimo de recurso para pagar um tratamento que lhes teria salvado a vida. Tive de me insensibilizar para não ser consumido pela tristeza. Só vim a compreender que Deus se importa com as pessoas quando passei a estudar a Bíblia e entendi a razão de haver sofrimento. Só então recuperei a capacidade de sentir compaixão e consegui chorar novamente.”

      [Fotos]

      O Dr. Marco Villegas trabalha numa cidade isolada da região amazônica, na Bolívia

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