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  • República Dominicana
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto de página inteira na página 80

      República Dominicana

      EM 1492, Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo — novas terras que ofereciam riquezas e aventuras! Ele chamou uma das ilhas em que desembarcou de La Isla Española, ou Hispaniola. Atualmente, a República Dominicana ocupa cerca de dois terços dessa ilha. Séculos mais tarde, milhares de habitantes da República Dominicana fizeram uma descoberta bem diferente — que um novo mundo justo sob o Reino de Deus será estabelecido em breve e durará para sempre. (2 Ped. 3:13) Leia a seguir a fascinante história de pessoas sinceras que fizeram essa valiosa descoberta.

  • Dados gerais sobre a República Dominicana
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 82

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Dados gerais sobre a República Dominicana

      Mapa na página 83

      País A República Dominicana ocupa cerca de dois terços da ilha de Hispaniola; o restante é ocupado pelo Haiti. A diversidade geográfica do país inclui florestas tropicais, altas montanhas, manguezais e desertos. O ponto mais alto da República Dominicana, o Pico Duarte, está a 3.175 metros acima do nível do mar. Belíssimas praias de areia branca ocupam grande parte do litoral, e no interior há vales férteis, como o vale do Cibao.

      Povo A maioria dos habitantes é descendente da união entre africanos e europeus. Existem vários grupos minoritários; os haitianos constituem o maior deles.

      Idioma O espanhol é o idioma oficial.

      Foto nas páginas 84, 85

      Irmãos se divertindo juntos

      Economia Há muito tempo, as indústrias de mineração, açúcar, café e tabaco estão entre as principais fontes de renda. Recentemente, houve um crescimento da economia por causa do turismo e da produção de matéria-prima.

      Clima O clima da ilha é tropical ameno, com temperatura média anual de 25°C. Em média, o volume anual de chuva pode chegar a mais de 2 mil milímetros nas regiões montanhosas no nordeste do país e a menos de 760 milímetros nas regiões mais secas. Às vezes, a ilha é atingida por tempestades tropicais e furacões.

      Cultura Os alimentos básicos incluem arroz, feijão, legumes e verduras. Os dominicanos também apreciam frutos do mar, frutas tropicais, pimentões e banana-da-terra frita. Alguns desses itens são ingredientes do famoso prato La Bandera Dominicana. Os habitantes do país são apaixonados por beisebol, música e dança, principalmente o merengue. O violão é um instrumento musical muito popular, assim como o tambor, a flauta e a marimba.

      PAÍS (quilômetros quadrados)

      48.671

      POPULAÇÃO

      10.404.000

      PUBLICADORES EM 2014

      38.161

      PROPORÇÃO, 1 PUBLICADOR PARA

      273

      ASSISTÊNCIA À CELEBRAÇÃO EM 2014

      132.760

  • Os primeiros a descobrir a verdade
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 86

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Os primeiros a descobrir a verdade

      Os primeiros a descobrir a verdade

      No domingo, 1.º de abril de 1945, Lennart e Virginia Johnson, formados em Gileade, chegaram a Ciudad Trujillo (atualmente Santo Domingo), capital da República Dominicana. Eles eram as primeiras Testemunhas de Jeová no país e estavam entrando numa terra com um histórico de conflitos e dificuldades.a O Anuário de 1946 (em inglês) relatou: “Esse é um verdadeiro território missionário. Os gileaditas precisaram começar do zero.” Imagine: não havia filial, nem Salões do Reino, nem congregações. Os missionários não conheciam ninguém no país, mal entendiam o espanhol e não tinham nem casa nem móveis. O que fariam?

      Gráfico na página 86

      “Fomos ao Hotel Victoria e conseguimos acomodação — 5 dólares por dia para nós dois, incluindo refeições”, disse Lennart. “Na mesma tarde, conseguimos nosso primeiro estudo bíblico. Foi assim: duas senhoras dominicanas com quem havíamos estudado a Bíblia em Brooklyn tinham nos dado nomes de parentes e conhecidos. Um deles era um tal de Dr. Green. Ao visitá-lo, conhecemos também seu vizinho, Moses Rollins. Depois que souberam como tínhamos conseguido seu nome e endereço, eles ouviram atentamente a mensagem do Reino e aceitaram um estudo bíblico. Logo, Moses se tornou o primeiro publicador local.”

      Outros quatro missionários chegaram no início de junho de 1945. Eles logo distribuíram uma boa quantidade de publicações e iniciaram muitos estudos bíblicos. Em outubro, já tinha ficado claro que era preciso um lugar para realizar as reuniões. Por isso, os missionários montaram um Salão do Reino improvisado nas salas de estar e de jantar do lar missionário. A assistência às reuniões chegava a 40 pessoas.

      Foto na página 90

      Entre as primeiras pessoas a aceitar a verdade estava Pablo Bruzaud, conhecido como Palé. Ele trabalhava na linha de ônibus entre as cidades de Santiago e Ciudad Trujillo, por isso, ia à capital com frequência. Um dia, enquanto estava em Ciudad Trujillo, Palé conversou com duas Testemunhas de Jeová e aceitou o livro “A Verdade Vos Tornará Livres”. Ele começou a estudar a Bíblia com elas todos os dias. Em pouco tempo, Palé começou a pregar com os missionários e a providenciar transporte para eles. Mais tarde, ele conheceu Lennart Johnson e viajou com ele de Ciudad Trujillo para Santiago. Daí, atravessaram as montanhas até Puerto Plata para visitar um grupo de pessoas interessadas que tinha contatado a sede mundial em Brooklyn, Nova York.

      Uma visita dos irmãos Knorr e Franz

      Em março de 1946, Nathan Knorr e Frederick Franz, da sede mundial, visitaram a República Dominicana. Essa visita era muito aguardada e, além dos irmãos, 75 pessoas interessadas assistiram ao discurso do irmão Knorr. Durante a visita, o irmão Knorr fez preparativos para estabelecer uma filial no país.

      Foto na página 89

      Os irmãos Knorr e Franz no primeiro Salão do Reino do país em Ciudad Trujillo

      Mais missionários chegaram e, no fim do ano de serviço de 1946, havia 28 publicadores no país. A pregação das boas novas estava apenas começando, por isso, os missionários passaram muitas noites mapeando o território de forma meticulosa para que a pregação fosse feita de modo organizado e que o território fosse completamente coberto.

      A obra se expande

      Em 1947, uma média de 60 publicadores participava na obra de pregação. No mesmo ano, alguns missionários que tinham servido em Cuba foram designados à República Dominicana. Entre eles estavam Roy e Juanita Brandt. O irmão Roy foi designado supervisor da sede e continuou a cuidar dessa responsabilidade nos dez anos seguintes.

      No fim do ano de serviço de 1948, havia cerca de 110 publicadores no país, além dos zelosos missionários. Mas esses pregadores não faziam ideia de que tempos bem difíceis estavam à frente.

      a As publicações da Torre de Vigia eram distribuídas na República Dominicana desde 1932. Mas, a partir de 1945, com a chegada do casal Johnson, foi possível instruir pessoalmente os interessados.

  • “Um dia vamos encontrá-los”
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      “Um dia vamos encontrá-los”

      “Um dia vamos encontrá-los”

      Foto na página 91

      Por volta de 1935, no vale do Cibao, Pablo González começou a ler a Bíblia. Por um curto período, ele se associou com um grupo protestante, mas, quando viu que a conduta dos membros desse grupo não estava de acordo com as Escrituras, ele parou de se associar com eles. No entanto, Pablo continuou a estudar a Palavra de Deus sozinho e começou a contar a outros o que estava aprendendo — primeiro à sua família e vizinhos e depois a outras pessoas em comunidades próximas. Ele vendeu o gado e a fazenda que tinha e usou o dinheiro para financiar suas viagens de pregação.

      Em 1942, Pablo já estava visitando pelo menos 200 famílias nas áreas vizinhas e realizando reuniões de forma regular, mesmo sem ter tido nenhum contato com as Testemunhas de Jeová. Ele incentivava as pessoas a estudar a Bíblia e a viver de acordo com o que ela ensinava. Muitos o ouviram e pararam de usar tabaco e de praticar a poligamia.

      Foto na página 91

      Entre os que deram atenção à mensagem bíblica pregada por Pablo estava Celeste Rosario. Ela contou: “Quando eu tinha 17 anos, o primo da minha mãe, Negro Jiménez, fazia parte de um dos grupos formados por Pablo González. Ele visitou minha família e leu alguns textos da Bíblia. Aquilo bastou para eu decidir deixar a Igreja Católica. Na igreja, liam para nós coisas em latim, idioma que não entendíamos. Pouco depois, Pablo González nos visitou e nos encorajou. Ele disse: ‘Não pertencemos a nenhuma das principais religiões que conhecemos, mas temos irmãos em outras partes do mundo. Ainda não sabemos quem são nem como são chamados, mas um dia vamos encontrá-los.’”

      Pablo tinha formado grupos de estudantes da Bíblia em Los Cacaos Salcedo, Monte Adentro, Salcedo e Villa Tenares. Em 1948, enquanto fazia baldeação de ônibus em Santiago, ele encontrou algumas Testemunhas de Jeová pregando na rua, e elas lhe deram uma Sentinela. Em outra viagem, uma irmã deixou dois livros com Pablo e o convidou para assistir à Celebração da morte de Cristo em Santiago. Na Celebração, ele ficou muito impressionado com o que ouviu e concluiu que finalmente tinha encontrado a verdade e que aqueles ali presentes eram os que ele queria encontrar.

      Os missionários começaram a visitar as pessoas com quem Pablo estava estudando. Num dos locais das reuniões de Pablo, eles encontraram 27 adultos aguardando-os ansiosamente. Para chegarem lá, alguns tinham percorrido 25 quilômetros a pé, outros, 50 quilômetros a cavalo! No local de reuniões seguinte, 78 pessoas estavam presentes, e em outro local, 69.

      Pablo deu aos missionários uma lista de umas 150 pessoas interessadas. Essas pessoas de mentalidade espiritual e humilde já estudavam a Bíblia e aplicavam seus princípios, mas precisavam de organização e orientação. Celeste contou: “Os missionários nos visitaram, e foi realizada uma reunião. Foram feitos preparativos para o batismo. Fui a primeira da minha família a ser batizada. Tempos depois, minha mãe, Fidelia Jiménez, e minha irmã, Carmen, foram batizadas.”

      A primeira assembleia de circuito na República Dominicana, realizada em Santiago de 23 a 25 de setembro de 1949, deu impulso à obra de pregação. Muitos curiosos assistiram àquela assembleia, e a assistência chegou a 260 no discurso público de domingo. Foram batizadas 28 pessoas. Os três dias de assembleia convenceram muitos recém-batizados de que essa era a organização que Deus estava usando para realizar sua vontade.

      O começo da obra

      1. 1945

        Chegada dos missionários Lennart e Virginia Johnson

        Foto na página 92
      2. 1946

        Visita dos irmãos Knorr e Franz

        Foto na página 92
      3. 1949

        Primeira assembleia de circuito

        Batismo de 28 pessoas no rio Yaque do Norte

        Foto na página 93
      4. 1950

        Proscrição das Testemunhas de Jeová

        Foto na página 93
  • Prisão e proibição
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Prisão e proibição

      Presos por causa da neutralidade

      Fotos na página 95

      Enrique Glass e a prisão subterrânea onde ficou preso por duas semanas

      Em 19 de junho de 1949, um grupo de dominicanos exilados foi à República Dominicana para tentar tirar o ditador Rafael Trujillo do poder. A invasão foi rapidamente contida. Mesmo assim, o governo de Trujillo decidiu prender os que se recusassem a prestar serviço militar, além de qualquer um que encarasse como ameaça. Entre as primeiras Testemunhas de Jeová presas por se recusarem a prestar serviço militar estavam León, Enrique e Rafael Glass e outras que trabalhavam com León.

      “[Eu e meus colegas de trabalho] fomos presos e interrogados pelo serviço secreto militar”, contou León. “Fomos ameaçados e, então, libertos. Mas, em poucos dias, fomos convocados para o serviço militar sem os trâmites normais. Quando nos recusamos a prestar esse serviço, fomos presos. Na prisão, encontramos outras quatro Testemunhas de Jeová, duas delas eram meus irmãos. Fomos libertos e, pouco depois, presos novamente. Isso aconteceu três vezes, com apenas um dia ou mais entre as detenções. Passamos ao todo quase sete anos na prisão. Na última vez, ficamos presos cinco anos seguidos.”

      ‘Mesmo quando éramos chicoteados ou surrados com pedaços de pau ou rifles, conseguíamos aguentar bem porque Jeová nos dava força’

      A vida na prisão era uma provação constante para os irmãos. Os detentos e os guardas zombavam deles dia e noite. Uma vez, o comandante da Fortaleza Ozama, onde eles foram inicialmente encarcerados, disse: “Ei, Testemunhas de Jeová! Quando se tornarem testemunhas do Diabo, mandem me avisar, e aí vou libertar vocês.” Mas os opositores não conseguiram fazer nossos irmãos fiéis transigirem. León explicou o motivo: ‘Jeová sempre nos dava força para perseverar, e conseguíamos ver até nos pequenos detalhes a intervenção dele em nosso favor. Mesmo quando éramos chicoteados ou surrados com pedaços de pau ou rifles, conseguíamos aguentar bem porque Jeová nos dava força.’

      Proibida a obra das Testemunhas de Jeová

      Em vários lugares do país, os inimigos da adoração verdadeira intensificavam a perseguição. Ainda assim, em maio de 1950, havia 238 publicadores na República Dominicana, além dos missionários. Dentre os publicadores, 21 eram pioneiros regulares.

      Foto na página 97

      Um jornal anuncia que quatro irmãos foram sentenciados à prisão por causa de sua neutralidade

      Na época, um agente do serviço secreto escreveu ao secretário do presidente: “Os membros da seita religiosa Testemunhas de Jeová têm continuado, com muito entusiasmo, suas atividades em todas as partes desta cidade [Ciudad Trujillo].” Ele acrescentou: “Repito que deve ser dada atenção especial às Testemunhas de Jeová, pois a pregação e as atividades que realizam estão gerando uma mentalidade deturpada em alguns setores da opinião pública, principalmente na massa popular.”

      O secretário do Interior e Polícia, José Antonio Hungría, solicitou ao irmão Roy que enviasse uma carta declarando a posição das Testemunhas de Jeová quanto ao serviço militar, à saudação à bandeira e ao pagamento de impostos. O irmão Roy escreveu essa carta usando informações do livro “Seja Deus Verdadeiro”. Mas, em 21 de junho de 1950, o secretário Hungría emitiu um decreto proibindo as atividades das Testemunhas de Jeová no país. O irmão Roy foi convocado ao escritório de Hungría para ouvir a leitura do decreto pessoalmente. Quando o irmão Roy perguntou se os missionários teriam que deixar o país, Hungría afirmou que eles poderiam ficar desde que obedecessem à lei e não falassem a outros sobre sua religião.a

      a Nas semanas anteriores à emissão do decreto, sacerdotes católicos escreveram longos artigos no jornal denunciando as Testemunhas de Jeová, alegando falsamente que elas estavam associadas ao comunismo.

  • A pregação continua
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      A pregação continua

      Missionários continuam a obra secretamente

      A proscrição da obra foi o começo de uma época muito difícil para os irmãos. Alguns perderam o emprego ou foram presos. ‘Os Salões do Reino foram fechados, e nossas atividades foram proibidas. Nossos queridos irmãos enfrentaram muitas dificuldades e provações’, explicou a missionária Alma Parson. ‘Mas, vez após vez, ficou evidente que Jeová estava protegendo e guiando seu povo’, relembrou ela com carinho. Confiando em que Jeová os guiaria, os irmãos continuaram a obra secretamente.

      Era proibido realizar reuniões congregacionais. Lennart Johnson contou: ‘Passamos a nos reunir discretamente em pequenos grupos na casa dos irmãos e estudávamos artigos da Sentinela mimeografados. Todos os leais prezavam muito a força espiritual que Jeová continuava provendo por meio desses grupos de estudo.’

      Foto na página 98

      Juanita e Roy Brandt estavam entre os que permaneceram em sua designação durante a proscrição

      Nesse meio tempo, a vigilância e a perseguição por parte do governo aumentaram. Mas os irmãos não ficaram intimidados. Em 15 de setembro de 1950, num comunicado ao presidente da República, o secretário Hungría escreveu: “O senhor Lee Roy Brandt e outros diretores do grupo Testemunhas de Jeová foram chamados diversas vezes a este escritório e avisados de que deveriam parar com toda propaganda relacionada a essa sociedade, a qual já foi legalmente dissolvida nesta República — uma ordem que eles aparentemente não estão cumprindo. Diariamente, recebemos relatórios de várias partes do país de que eles continuam secretamente com sua propaganda, menosprezando as determinações do governo.” Ele encerrou a carta por recomendar a deportação dos “principais diretores estrangeiros” das Testemunhas de Jeová.

      “Uma fonte de ânimo”

      No fim de 1950, os irmãos Knorr e Henschel visitaram o país. Após isso, alguns missionários foram designados à Argentina, Guatemala e Porto Rico. Outros conseguiram emprego para que pudessem permanecer no país. Por exemplo, o irmão Roy começou a trabalhar numa empresa de energia elétrica, outros trabalharam como professores de inglês. A respeito desses missionários, o Anuário de 1951 (em inglês) disse: “Saber que eles permaneceram no país, que não fugiram, por si só fortalece os fiéis seguidores do Senhor que aprenderam a verdade com eles. Todos ficam felizes por ver a coragem que demonstram em se apegar à obra.”

      ‘Saber que eles permaneceram no país por si só fortaleceu os fiéis’

      Dorothy Lawrence era uma das missionárias que davam aulas de inglês. Além de ensinar esse idioma, ela também ensinava a Bíblia a pessoas interessadas. Com isso, Dorothy ajudou várias delas a aceitar a verdade.

      Os adoradores leais de Jeová tomaram outras medidas para continuar a pregação, apesar da vigilância constante por parte das autoridades. Às vezes, eles tiravam páginas de publicações e as levavam dobradas no bolso da camisa ou numa sacola de compras para que pudessem pregar sem chamar a atenção. Fizeram o formulário do relatório de serviço de campo parecer uma lista de compras. Em vez de livros, livretos, revistas, revisitas e horas, no relatório havia colunas para mamões, feijões, ovos, repolhos e espinafres. A cópia mimeografada de A Sentinela era chamada de “mandioca”, planta comum na região.

      “Lista de compras”

      • Foto na página 100

        Lechosas (mamões) = livros

      • Frijoles (feijões) = livretos

      • Huevos (ovos) = revistas

      • Repollos (repolhos) = revisitas

      • Espinacas (espinafres) = horas

      A obra de fazer discípulos continua

      Em 16 de junho de 1954, Rafael Trujillo assinou um acordo com o Vaticano que garantia privilégios especiais ao clero católico-romano na República Dominicana. Naquela época, a obra estava proscrita havia quatro anos. Ainda assim, em 1955, já havia 478 publicadores no país. Como esse aumento impressionante foi possível, considerando as dificuldades que enfrentavam? “O grande segredo de nossa força é o espírito de Jeová”, relatou o Anuário de 1956 (em inglês). “Os irmãos estão unidos e fortes na fé e seguem adiante com coragem.”

      Em julho de 1955, a sede mundial enviou a Trujillo uma carta formal, reconhecida em cartório. A carta explicava em detalhes a posição neutra das Testemunhas de Jeová e solicitava que Trujillo ‘revogasse a proscrição das Testemunhas de Jeová e da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados’. O que aconteceu depois disso?

  • Livres, daí, novamente proscritos
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Livres, daí, novamente proscritos

      Liberdade inesperada

      Foto na página 101

      Manuel Hierrezuelo foi morto enquanto era interrogado pelas autoridades

      Em todos aqueles anos de proscrição, Lennart e Virginia Johnson e Roy e Juanita Brandt permaneceram em sua designação. Lennart contou: “Eu e Roy fomos chamados para um interrogatório oficial. Os oficiais do governo de Trujillo já tinham convidado o irmão Manuel Hierrezuelo para uma conversa.” Tragicamente, Manuel acabou sendo morto durante o interrogatório — mas ele se manteve íntegro até o fim. Então, o que aconteceu com Lennart e Roy? Lennart continuou: “Ao chegarmos, fomos interrogados separadamente. Percebemos que nossas respostas estavam sendo gravadas. Daí, não aconteceu mais nada, porém, dois meses depois, os jornais anunciaram que o governo de Trujillo tinha revogado a proscrição das Testemunhas de Jeová e que elas poderiam retomar suas atividades.”

      Antes de a obra ser proscrita em 1950, havia 261 publicadores no país. Quando a proscrição foi revogada em agosto de 1956, já havia 522 publicadores das boas novas. Para os irmãos, foi emocionante descobrir que teriam liberdade para pregar abertamente depois de seis anos de prisões, restrições e vigilância constante.

      Como o povo de Jeová reagiu a essa surpreendente reviravolta? Imediatamente, eles começaram a reorganizar a obra. Eles procuraram locais para realizar reuniões, fizeram novos mapas de territórios e organizaram os arquivos das congregações. Os irmãos ficaram empolgados por poderem pedir e receber publicações e aproveitaram essa liberdade para pregar com zelo. Como resultado, apenas três meses depois, em novembro de 1956, o número de publicadores chegou a 612.

      A campanha do clero contra os irmãos

      Foto na página 103

      O memorando de Toledano continha planos para impedir que nossas publicações entrassem no país

      O clero católico logo iniciou uma trama para que as Testemunhas de Jeová caíssem em descrédito. Apoiando-se no acordo de Trujillo com o Vaticano, o clero intensificou seus esforços de influenciar o governo para acabar com as Testemunhas de Jeová. O padre Oscar Robles Toledano enviou um memorando ao secretário do Interior, Virgilio Álvarez Pina, pedindo o apoio do governo para ‘alertar o povo dominicano contra o extremo perigo que a seita “Testemunhas de Jeová” representava’.

      Toledano explicou que seu objetivo principal era “neutralizar a campanha proselitista das Testemunhas de Jeová”. O memorando também recomendava que nossas publicações fossem proibidas, “especialmente o livro ‘A Verdade Vos Tornará Livres’ e a revista Sentinela”.

      Novamente proscritos

      Os líderes religiosos e seus comparsas do governo de Trujillo se juntaram para atacar as Testemunhas de Jeová. Francisco Prats-Ramírez, presidente do Partido Dominicano, escreveu um memorando a Trujillo em junho de 1957 que dizia: “Estou planejando uma série de reuniões para combater as nocivas tendências antipatrióticas das Testemunhas de Jeová.”

      Essa campanha difamatória teve um impacto imediato, como explicou o livro Trujillo: Pequeno César do Caribe (em inglês): “Nos meses do verão de 1957, a imprensa dominicana publicou uma série de acusações feitas por oficiais do alto escalão do governo afirmando que as atividades das Testemunhas de Jeová eram ‘sediciosas e nocivas’. Uma série de eventos foi desencadeada no dia que o padre jesuíta Mariano Vásquez Sanz fez uma acusação na rádio de Trujillo, La Voz Dominicana, de que a seita era serva do comunismo e chamou seus adeptos de ‘inimigos perversos, astutos, criminosos e traidores’. Em seguida, uma carta pastoral assinada pelos arcebispos Ricardo Pittini e Octavio Antonio Beras solicitou que os sacerdotes protegessem seus paroquianos contra essa ‘terrível heresia’.”

      O esforço conjunto da Igreja e do Estado atingiu seu objetivo. Em julho, o Congresso Nacional emitiu uma lei proibindo as atividades das Testemunhas de Jeová. Em pouco tempo, nossos irmãos começaram a enfrentar agressões, além de brutalidade por parte da polícia. Ao todo, cerca de 150 irmãos foram presos.

  • A Igreja Católica e Trujillo
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 104

      REPÚBLICA DOMINICANA

      A Igreja Católica e Trujillo

      QUE tipo de relacionamento existia entre Trujillo e a Igreja Católica? Um analista político afirmou: “Durante a longa era Trujillo, de 1930 a 1961, a Igreja e o Estado da República Dominicana eram instituições que se apoiavam mutuamente; o ditador favorecia a Igreja que, por sua vez, apoiava seu regime político.”

      Em 1954, Trujillo foi a Roma onde assinou um acordo com o papa. Um ex-confidente de Trujillo, Germán Ornes, escreveu: “Visto que a Igreja Dominicana está, em sua esmagadora maioria, a favor de Trujillo, [ela] tem sido uma grande fonte de apoio ao ‘Chefe’ [Trujillo]. Os clérigos, liderados pelos arcebispos Ricardo Pittini e Octavio Beras, estão entre os principais propagandistas do regime.”

      Ornes acrescentou: “Sempre que surgia uma oportunidade, o papa enviava telegramas cordiais a Trujillo. . . . No Congresso da Cultura Católica de 1956, realizado em Ciudad Trujillo, sob o patrocínio de [Trujillo], o cardeal Francis Spellman trouxe uma mensagem amigável do papa como seu representante especial. O cardeal Spellman veio de Nova York e foi muito bem recebido pelo próprio Generalíssimo [Trujillo]. No dia seguinte, fotos dos abraços cordiais que eles trocaram apareceram na primeira página de todos os jornais dominicanos.”

      Em 1960, a revista Time relatou: “Até agora, Trujillo e a Igreja têm se dado muito bem. O arcebispo Ricardo Pittini, Primaz das Américas, está agora cego e com 83 anos, mas, quatro anos atrás, ele assinou uma carta ao The New York Times elogiando Trujillo e dizendo que ‘esse “ditador” é amado e honrado por seu povo’.”

      Mas, depois de 30 anos de apoio leal à ditadura cruel de Trujillo, a Igreja Católica começou a adotar uma postura diferente à medida que o clima político mudava. O analista já mencionado explicou: “Por causa do aumento da oposição à ditadura e, mais tarde, da tentativa de estabelecer a democracia no país, a Igreja, que por muito tempo vinha tendo um relacionamento bem achegado com Trujillo, viu-se forçada a mudar sua posição.”

      Por fim, em 2011, a Igreja se sentiu obrigada a pedir desculpas ao povo dominicano. Uma carta pastoral citada no jornal Dominican Today declarou: ‘Confessamos que cometemos erros e que nem sempre nos mantivemos leais a nossa fé, vocação e responsabilidades. Por isso, pedimos perdão e imploramos a compreensão e clemência de todos os dominicanos.’

  • Ataque cruel
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Ataque cruel

      “Elas serão exterminadas”

      Borbonio Aybar foi batizado durante a proscrição, em 19 de janeiro de 1955. Depois de seu batismo, ele dirigiu muitos estudos bíblicos em Monte Adentro e em Santiago. Quando a proscrição acabou em 1956, alguns de seus estudantes foram batizados, inclusive sua esposa.

      Em meados de julho de 1957, em Salcedo, oficiais do governo fizeram uma reunião aberta ao público para falar mal das Testemunhas de Jeová. O irmão Borbonio contou: “Prats-Ramírez foi o orador principal. Ele declarou: ‘Daqui a alguns dias, elas serão exterminadas.’” Dias depois, em 19 de julho de 1957, a polícia prendeu todas as Testemunhas de Jeová de Blanco Arriba, El Jobo, Los Cacaos e Monte Adentro.

      “Eu estava entre os presos”, disse o irmão Borbonio. “Fomos levados ao quartel-general de Salcedo. Assim que chegamos, um coronel chamado Saladín me deu uma surra. Os olhos dele ferviam de ódio ao nos ameaçar. Daí, fomos colocados em duas filas, uma de homens e outra de mulheres. Os guardas começaram a chutar e a espancar os homens e a dar pauladas nas mulheres, dizendo o tempo todo: ‘Sou católico e eu mato.’”

      “Já li a Bíblia e sei que Jeová é Deus”

      O irmão Borbonio foi multado e sentenciado a três meses de prisão. Ele contou: “Lá na prisão, um general do exército chamado Santos Mélido Marte nos visitou. Ele nos disse: ‘Já li a Bíblia e sei que Jeová é Deus. Vocês não fizeram nada que merecesse a prisão, mas não posso fazer nada por vocês porque quem está por trás disso são os bispos católicos. Os únicos que podem interromper a sentença de vocês são os próprios bispos ou o jefe (“o chefe”, Trujillo).’”

      “Então, você é a chefe?”

      Entre os presos estavam a filha e as sobrinhas de Fidelia Jiménez. Todas tinham estudado a Bíblia com ela. Fidelia não tinha sido detida de início, mas ela se apresentou às autoridades para ser presa a fim de encorajar os que já estavam na prisão. Naquela época, o infame comandante militar de alta patente, Ludovino Fernández, conhecido por ser arrogante e cruel, fez uma visita oficial à prisão. Ele mandou que trouxessem Fidelia e lhe perguntou: “Então, você é a chefe?”

      “Não”, disse Fidelia. “Vocês é que são os chefes.”

      “Bem”, argumentou Fernández, “você é o pastor”.

      “Não”, respondeu Fidelia. “O pastor é Jesus.”

      “Mas não é por sua causa que todas essas pessoas estão presas?”, perguntou Fernández. “Foi você quem ensinou todas elas, não foi?”

      “Não”, disse Fidelia. “É por causa da Bíblia que essas pessoas estão presas. Elas estão praticando o que aprenderam da Bíblia.”

      Nesse exato momento, dois irmãos que também tinham sido presos, Pedro Germán e Negro Jiménez, primo de Fidelia, passaram pelo corredor. Eles estavam sendo escoltados da solitária para uma cela comum. A camisa de Negro estava coberta de manchas de sangue seco, e o olho de Pedro estava terrivelmente inchado. Ao ver que eles tinham sido cruelmente espancados, Fidelia perguntou ao comandante: “É assim que vocês tratam pessoas boas, honestas e tementes a Deus?” Percebendo que não conseguiria intimidá-la, Fernández ordenou que Fidelia voltasse à sua cela.

      Os servos de Jeová precisavam ser corajosos diante dessa oposição violenta — e foram! Até oficiais do governo reconheceram isso. Por exemplo, em 31 de julho de 1957, Luis Arzeno Colón, inspetor a serviço do presidente, escreveu ao secretário de Estado, lamentando: “Embora a lei recentemente proclamada pelo Congresso Nacional tenha declarado ilegais as atividades religiosas da seita conhecida como Testemunhas de Jeová, a maioria de seus membros continua inabalável.”

  • Quem é o cabeça?
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Quem é o cabeça?

      “Isso deixaria sua irmandade sem seus cabeças”

      Em 13 de julho de 1957, o inspetor Colón escreveu ao secretário de Estado: “Existe um antigo ditado popular que diz: ‘Cobra se mata na cabeça.’ Um grande passo para erradicar do país a seita Testemunhas de Jeová seria encontrar uma maneira de remover seus missionários. Isso deixaria sua irmandade sem seus cabeças e, sem liderança, seus ideais não terão sucesso.”

      Pouco depois, o secretário de Segurança Arturo Espaillat ordenou que os dez missionários restantes deixassem o país. Em 21 de julho de 1957, Roy Brandt escreveu a Trujillo, solicitando uma audiência com ele para lhe explicar nossa situação. Em parte, a carta dizia: “A campanha de ódio que certas pessoas no país estão fazendo contra o nome de Jeová Deus é igual à campanha que pessoas mal informadas fizeram contra os apóstolos de Jesus.” Daí, o irmão Roy incentivou Trujillo a ler os capítulos 2 a 6 de Atos e explicou: “O juiz Gamaliel deu um conselho sensato e franco que é tão válido hoje quanto era naquela época.” Então, o irmão Roy citou Atos 5:38, 39, escrevendo em letras maiúsculas: “DEIXEM ESSES HOMENS EM PAZ, PORQUE SE A ATIVIDADE DELES PROCEDE DE DEUS, TALVEZ UM DIA VOCÊS DESCUBRAM QUE ESTAVAM GUERREANDO CONTRA DEUS.” Mas seu apelo foi ignorado. Em 3 de agosto de 1957, os missionários foram levados ao aeroporto e deportados.

      ‘Jesus é o cabeça’

      Foto na página 110

      Com apenas 20 anos de idade, Donald Nowills cuidava do trabalho na filial

      O que aconteceria com os irmãos locais agora que os missionários tinham ido embora? Será que eles ficariam “sem seus cabeças”, como o inspetor Colón havia dito? Pelo contrário, Jesus “é a cabeça do corpo”, ou seja, da congregação. (Col. 1:18) Portanto, o povo de Jeová na República Dominicana não ficou sem liderança. Eles continuaram a ser cuidados por Jeová e por sua organização.

      Donald Nowills foi designado para supervisionar o trabalho na filial depois que os missionários foram deportados. Na época, ele tinha apenas 20 anos de idade e 4 anos de batismo. Embora tivesse servido por alguns meses como superintendente de circuito, o trabalho na filial era novidade para ele. O irmão Donald tinha um escritório simples e pequeno em sua casa, que era feita de madeira e metal e com chão de terra. Ela ficava em Gualey, uma área muito perigosa de Ciudad Trujillo. Com a ajuda de Félix Marte, ele fazia cópias da revista A Sentinela para todo o país.

      Foto na página 111

      Uma Sentinela de 1958 mimeografada

      Mary Glass também ajudava o irmão Donald. Naquela época, o marido de Mary, Enrique Glass, estava preso. Ela contou: “Eu saía do trabalho às 17 horas e ia ao escritório do irmão Donald para datilografar A Sentinela. Daí, ele duplicava a revista no mimeógrafo. Então, uma irmã de Santiago, conhecida pelo código ‘o anjo’, colocava as revistas mimeografadas no fundo de uma lata de óleo vegetal vazia de uns 20 litros. Ela colocava um pano por cima das publicações e as cobria com batatas, inhames ou mandiocas. Depois, em cima de tudo, ela colocava um saco de juta. Daí, pegava o transporte público para o norte do país e deixava uma revista para cada congregação. Cada família pegava emprestado a revista para estudá-la e daí a passava adiante.”

      “Tínhamos que tomar muito cuidado”, acrescentou Mary, “porque as ruas estavam cheias de agentes do governo que tentavam descobrir onde A Sentinela era impressa. Mas eles nunca conseguiram. Jeová sempre nos protegeu.”

      Quadro nas páginas 112, 113
  • Risco de prisão
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Risco de prisão

      ‘Cautelosos como serpentes, inocentes como pombas’

      Era vital que os irmãos continuassem recebendo alimento espiritual durante a proscrição, mas aquela época era muito perigosa para os adoradores de Jeová no país. Muitos foram detidos e sentenciados à prisão várias vezes.

      Juanita Borges disse: “Quando aprendi a verdade em 1953, eu sabia muito bem que, se fosse Testemunha de Jeová, eu poderia ser presa. E foi isso o que aconteceu. Em novembro de 1958, enquanto eu visitava a irmã Eneida Suárez, a polícia secreta chegou e nos acusou de realizar uma reunião. Fomos sentenciadas a três meses de prisão, e cada uma teve que pagar uma multa de cem pesos — o que equivalia a cem dólares na época.”

      Foto na página 115

      A polícia secreta mantinha listas detalhadas sobre nossos irmãos.

      O governo fazia de tudo para impedir que os irmãos se reunissem, mas eles não se deixavam intimidar. Mesmo assim, eles tinham de ser ‘cautelosos como serpentes, mas inocentes como pombas’. (Mat. 10:16) Andrea Almánzar contou: “Quando íamos às reuniões, tínhamos que chegar em horários diferentes. Geralmente íamos embora tarde da noite, pois tínhamos que sair aos poucos para não levantar suspeita.”

      Quando Jeremías Glass nasceu, seu pai, León, estava preso. Ele se tornou publicador aos 7 anos de idade, em 1957. Ele se lembra das reuniões secretas realizadas em sua casa e dos cuidados tomados para evitar que fossem descobertos. Jeremías conta: “Cada um na assistência recebia um cartão com um número indicando a ordem em que deveria sair. Quando a reunião acabava, meu pai me colocava na porta para conferir o número no cartão dos que estavam saindo e avisá-los de que deveriam sair aos pares e tomar direções opostas.”

      Os irmãos também tomavam o cuidado de programar reuniões em horários em que o risco de ser pego era menor. Por exemplo, Mercedes García aprendeu a verdade com seu tio, Pablo González. Quando Mercedes tinha apenas 7 anos, sua mãe morreu enquanto seu pai estava na prisão. Com isso, os dez filhos do casal ficaram sozinhos. Em 1959, aos 9 anos de idade, Mercedes foi batizada. O discurso de batismo foi realizado na casa de um irmão às 3h30 da madrugada para evitar que fossem descobertos, e o batismo foi feito no rio Ozama, que corta a capital. Mercedes contou: “Às 5h30, enquanto as pessoas da região ainda estavam acordando, nós já estávamos a caminho de casa.”

      Aumento apesar de perseguição

      Apesar da intensa perseguição e da propaganda negativa, o número de publicadores quase dobrou durante a proscrição.

      • 1950 - 292

      • 1960 - 495

  • Perseverança e liberdade
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Perseverança e liberdade

      Pregação de forma discreta

      Rafael Pared, que serve em Betel com sua esposa, Francia, tornou-se publicador em 1957, aos 18 anos de idade. Ele se lembra de que muitas vezes policiais disfarçados o seguiam quando ele saía para pregar, procurando uma oportunidade para prender tanto ele como os que estavam com ele. Rafael disse: “Para não sermos detidos, às vezes tínhamos de escapar sem chamar a atenção, entrando em travessas e becos ou pulando cercas e grades.” Andrea Almánzar explicou o que ela e outros faziam para não serem pegos: “Precisávamos ser discretos. Na pregação, nós falávamos em uma casa, daí pulávamos dez casas e então pregávamos na próxima.”

      Finalmente livres!

      O domínio de Trujillo já durava quase 30 anos em 1959, porém, o clima político estava mudando. Em 14 de junho de 1959, exilados dominicanos invadiram o país em outra tentativa de derrubar Trujillo. Embora essa invasão não tenha dado certo e os conspiradores tenham sido mortos ou presos, cada vez mais inimigos de Trujillo perceberam que o governo dele não era invencível, por isso, intensificaram sua oposição.

      Em 25 de janeiro de 1960, depois de anos de cooperação com o governo de Trujillo, as autoridades da Igreja Católica emitiram uma carta pastoral protestando contra o abuso dos direitos humanos no país. O historiador dominicano Bernardo Vega explicou: “Por causa das invasões de junho de 1959 e da repressão empregada contra os envolvidos nessa campanha e, mais tarde, contra o movimento secreto de resistência que ocorria no país, a Igreja se sentiu pressionada a adotar, pela primeira vez, uma posição hostil contra Trujillo.”

      Em maio de 1960, a proscrição das Testemunhas de Jeová foi suspensa. Após anos de perseguição, a liberdade veio de uma fonte inesperada — do próprio Trujillo — depois de ele ter rompido com a Igreja Católica.

  • Liberdade para pregar
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 124

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Liberdade para pregar

      O assassinato de Trujillo

      Em 1960, a ditadura de Trujillo já vinha sendo criticada internacionalmente e enfrentando oposição dentro do país. Em janeiro de 1961, em meio a toda essa tensão política, Milton Henschel, da sede mundial, visitou o país e assistiu a uma assembleia de três dias. Havia 957 pessoas na reunião pública, e 27 foram batizadas. Durante sua visita, o irmão Henschel ajudou os irmãos a começar a reorganizar a obra e mapear o território.

      Gráfico na página 124

      Dois superintendentes de circuito, Enrique Glass e Julián López, foram designados para visitar as congregações. Julián explicou: “Meu circuito era composto de duas congregações no leste do país e de todas as congregações no norte. O circuito de Enrique abrangia o restante do leste e todo o sul.” Aquelas visitas restabeleceram o contato entre as congregações e a organização e ajudaram a fortalecer espiritualmente os irmãos.

      Foto na página 127

      Salvino e Helen Ferrari a caminho da República Dominicana em 1961

      Salvino e Helen Ferrari, formados na segunda turma de Gileade, chegaram em 1961. A experiência que ganharam como missionários em Cuba foi muito útil para a grande colheita espiritual na República Dominicana. Tempos depois, Salvino foi designado membro da Comissão de Filial e serviu nessa designação até sua morte em 1997. Helen está no tempo integral há 79 anos, a maior parte desse tempo como missionária.

      Na noite de 30 de maio de 1961, pouco depois da chegada do casal Ferrari, o reinado de terror de Trujillo teve um fim violento quando seu carro foi crivado de balas. Mas o assassinato do ditador não trouxe estabilidade. Revoltas civis e políticas continuaram acontecendo no país por muitos anos.

      O avanço da obra de pregação

      Nesse meio tempo, chegaram mais missionários. Quando William Dingman, da primeira turma de Gileade, e sua esposa, Estelle, junto com Thelma Critz e Flossie Coroneos foram transferidos de Porto Rico para a República Dominicana, havia apenas dois dias que Trujillo tinha sido assassinado. William explicou: “O país estava em tumulto quando chegamos, e havia muitos militares nas ruas. Temia-se uma revolução, e os soldados revistavam todos na estrada. Fomos parados em vários postos de fiscalização, e nossa bagagem foi revistada em cada um deles. Tiravam tudo das malas, até os itens menores.” Era um desafio pregar num clima político tão instável.

      Foto na página 127

      Thelma Critz, Estelle e William Dingman ainda servem zelosamente no país após 67 anos no trabalho missionário

      William contou: “Durante a ditadura de Trujillo, tinham dito ao público que as Testemunhas de Jeová eram comunistas e gente da pior espécie. . . . Mas aos poucos conseguimos superar o preconceito.” O resultado dessa atividade foi que cada vez mais pessoas sinceras passaram a aceitar a mensagem do Reino. No fim do ano de serviço de 1961, havia 33 pioneiros especiais no país.

  • Chegaram para ficar
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 128

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Chegaram para ficar

      Eles encontraram a verdade

      Juana Ventura começou a estudar a Bíblia durante a proscrição e foi batizada em 1960 no rio Ozama. Certa ocasião, um pastor evangélico em Santo Domingo quis que prendessem Juana, pois ela estava, segundo ele, “levando embora seus paroquianos”. Numa tentativa de provar que as Testemunhas de Jeová eram mentirosas e para desacreditar Juana, o pastor a convidou a ir à sua igreja para responder publicamente a perguntas sobre suas novas crenças.

      Juana contou: “Ele me fez três perguntas: ‘Por que vocês não votam? Por que vocês não vão à guerra? Por que vocês se chamam Testemunhas de Jeová?’ Enquanto eu usava a Bíblia para responder a cada pergunta, todos os paroquianos verificavam os textos em sua Bíblia. Eles ficaram surpresos com o que leram. Muitos perceberam que tinham encontrado a verdade. O grupo inteiro começou a estudar e, com o tempo, 25 pessoas desse grupo se dedicaram a Jeová.” Esse acontecimento marcante impulsionou a obra em Santo Domingo.

      As Testemunhas de Jeová chegaram para ficar

      O assassinato de Trujillo gerou muitas consequências políticas negativas. O Anuário de 1963 (em inglês) relatou: ‘As ruas estavam cheias de soldados, e greves e atos de violência eram acontecimentos diários.’ Apesar da agitação política, a obra de pregar e fazer discípulos continuou e, no fim do ano de serviço de 1963, foi alcançado o auge de 1.155 publicadores.

      Em 1962, Nathan Knorr, da sede mundial, visitou a República Dominicana. Ele providenciou a compra de um terreno para a construção de prédios maiores, onde os irmãos poderiam cuidar da obra que crescia rapidamente. Nesse terreno, foram construídos um prédio de dois andares e um Salão do Reino. No sábado, dia 12 de outubro de 1963, Frederick Franz, outro visitante da sede mundial, fez o discurso de dedicação dos prédios da nova sede. Estava claro que as Testemunhas de Jeová pretendiam permanecer no país. Logo após a dedicação, chegaram Harry e Paquita Duffield, os últimos missionários deportados de Cuba.

      Aumento apesar da revolução

      Em 24 de abril de 1965, uma revolução arrasou o país. Nos dias difíceis que se seguiram, o povo de Jeová continuou a fazer progresso. Em 1970, havia 3.378 publicadores em 63 congregações. Mais da metade tinha chegado à organização nos cinco anos anteriores. O Anuário de 1972 (em inglês) relatou: “Eram pessoas de todas as formações: mecânicos, fazendeiros, motoristas de táxi, contadores, pedreiros, marceneiros, advogados, dentistas, até ex-políticos; todos unidos pelo amor à verdade e pelo amor a Jeová.”

  • Necessidade de mais pregadores do Reino
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 133

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Necessidade de mais pregadores do Reino

      As boas novas alcançam as áreas rurais

      Algum tempo depois, Richard e Belva Stoddard, que tinham servido na Bolívia, Jesse e Lynn Cantwell, que haviam servido na Colômbia, Pete Paschal, Amos e Barbara Parker e outros missionários chegaram para apoiar a obra que se expandia rapidamente. Em 1973, as cidades da República Dominicana já estavam sendo bem trabalhadas, mas as boas novas ainda não tinham alcançado as pessoas nas áreas rurais. Por isso, tomou-se providências para que essas pessoas recebessem ajuda espiritual. Voluntários foram convidados para passar dois meses pregando no interior, e 19 pioneiros regulares aceitaram o convite. Entre dezembro de 1973 e janeiro de 1977, grupos de pioneiros foram designados para lugares onde havia pouca ou nenhuma atividade de pregação.

      “Trocávamos as publicações por galinhas, ovos e frutas”

      Um pioneiro que participou nesse trabalho especial contou: “No primeiro dia, mostrávamos às pessoas o que a Bíblia ensina e deixávamos publicações com elas. No dia seguinte, revisitávamos as que tinham mostrado interesse. Visto que as pessoas das áreas rurais não tinham muito dinheiro, trocávamos as publicações por galinhas, ovos e frutas. Graças a Jeová, nunca passamos fome.” Muitos ouviram trechos da Bíblia pela primeira vez na vida. Alguns líderes religiosos tinham dito às pessoas que Jeová era o Diabo. Imagine a surpresa delas ao lerem textos bíblicos como Salmo 83:18: “Tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” Em alguns lugares, houve tanto interesse que foram programados discursos públicos.

      Mais missionários e uma nova sede

      Em setembro de 1979, o irmão Pérez e sua esposa, Georgina, chegaram como missionários e foram designados para servir no circuito. Mais tarde, em 1987, chegaram Tom e Shirley Dean, formados em Gileade. E, com a vinda de vários servos de tempo integral especial de Porto Rico, o território recebeu ainda mais ajuda. Em agosto de 1988, Reiner e Jeanne Thompson foram designados à República Dominicana, sua quinta designação como missionários.

      Em 1989, a média de publicadores chegou a 11.081, e foram relatados 20.494 estudos bíblicos, indicando o potencial para haver mais publicadores. No entanto, esse crescimento teve seus desafios. Por exemplo, o prédio da sede havia sido muito útil, mas, no final dos anos 80, ele já não era mais adequado. Reiner Thompson disse: “Ele estava tão superlotado que foi preciso encontrar acomodações e usar depósitos em várias partes da cidade.”

      “Foi bem difícil encontrar um terreno apropriado para a nova sede”, explicou Reiner. “Um dia, um homem soube que estávamos procurando um terreno e entrou em contato conosco. Ele disse que tinha um terreno excelente que queria vender, mas só o venderia às Testemunhas de Jeová. Ele tinha sido dono de uma grande confecção, e sua secretária e vários outros empregados eram Testemunhas de Jeová. Por anos, ele tinha observado a honestidade excepcional e a conduta respeitosa deles, e isso o havia impressionado muito. Por ter grande respeito pelas Testemunhas de Jeová, ele ofereceu o terreno por um preço bem reduzido.” O terreno foi comprado em dezembro de 1988, e três terrenos ao lado foram adquiridos mais tarde. Juntos, a sede e o Salão de Assembleias construídos ali ocupam uma área de quase 90 mil metros quadrados.

      Centenas de voluntários locais e internacionais ajudaram na construção desses prédios, que foram dedicados em novembro de 1996. Carey Barber, Theodore Jaracz e Gerrit Lösch, membros do Corpo Governante, participaram das atividades programadas para a dedicação. No dia seguinte, foram realizadas reuniões especiais em dois dos maiores estádios do país, e mais de 10 mil pessoas visitaram os novos prédios da sede.

      Muitos ‘passam à Macedônia’

      A história das Testemunhas de Jeová na República Dominicana não estaria completa se não fossem mencionados os muitos irmãos que se mudaram para lá a fim de servir onde havia mais necessidade. Comentários de que o país era um território fértil em sentido espiritual, onde era possível dirigir vários estudos bíblicos, motivaram muitos a se mudar para lá no final dos anos 80, ‘passando à Macedônia’, por assim dizer. (Atos 16:9) Esses voluntários contavam a outros as alegrias que tinham na obra da colheita no país. Por isso, nos anos 90, um número ainda maior de publicadores se mudou para lá.

      Stevan e Miriam Norager, da Dinamarca, por exemplo, servem na República Dominicana desde 2001. Miriam já tinha servido no país por um ano e meio com sua irmã. Por que esse casal quis se mudar para um país distante, de cultura e idioma diferentes? Miriam contou: “Nós dois viemos de famílias firmes na verdade, com pais que tinham sido pioneiros especiais quando jovens e que serviram como pioneiros regulares depois de terem filhos. Eles sempre nos incentivavam a dar nosso máximo a Jeová no serviço de tempo integral.”

      Stevan e Miriam são pioneiros especiais desde 2006 e têm ajudado muitos a aprender a verdade. Stevan disse: “Temos sido abençoados de muitas maneiras. Dificuldades e problemas de saúde não são nada comparados às experiências maravilhosas que temos e à alegria de ajudar os sinceros a conhecer e a amar a Jeová. Também ganhamos uma grande família de amigos queridos. Servir na República Dominicana tem nos ensinado a ser humildes e pacientes, e levar uma vida simples tem fortalecido bastante nossa fé e confiança em Jeová.”

      Foto na página 134

      Jennifer Joy serve na República Dominicana há mais de 20 anos, apoiando o campo de língua de sinais

      Jennifer Joy é uma das muitas irmãs estrangeiras solteiras que pregam na República Dominicana. Em 1992, quando Jennifer foi ao país visitar sua tia, a missionária veterana Edith White, ela viu que o território ali era muito produtivo. Ela também conheceu outras irmãs estrangeiras que tinham se mudado para lá para ajudar. “Eu era tímida e um tanto insegura”, disse Jennifer. “Mas aí eu pensei: ‘Se elas conseguiram, talvez eu também consiga.’”

      A princípio, Jennifer planejou ficar só um ano, porém, mais de 20 anos depois, ela continua servindo na República Dominicana. Ela já ajudou muitos estudantes a se tornarem adoradores de Jeová. Jennifer se sente muito feliz por participar no desenvolvimento do campo de língua de sinais no país. Ela também tem ajudado a preparar o conteúdo de aulas de língua de sinais para publicadores que querem aprender esse idioma.

      ‘Jeová tem cuidado de mim até agora, então, por que eu teria dúvidas de que ele vai fazer o mesmo no ano que vem?’

      Como Jennifer se sustenta? Ela diz: “Todo ano, volto ao Canadá para trabalhar alguns meses. Já trabalhei em muita coisa, como acabamento fotográfico, fotografia, pintura de residências, limpeza de escritórios, fabricação de carpete e de faróis de veículos. Também trabalhei como guia turística, agente de viagens, professora de inglês e intérprete.” Jennifer compara sua situação à dos antigos israelitas no deserto: “Eles viviam de cada palavra procedente da boca de Jeová. Ele disse que cuidaria deles, e foi exatamente isso o que ele fez. Os israelitas tinham comida todos os dias, e suas roupas e sandálias não se gastavam. (Deut. 8:3-4) Jeová prometeu cuidar de nós também. (Mat. 6:33) Ele tem cuidado de mim até agora, então, por que eu teria dúvidas de que ele vai fazer o mesmo no ano que vem?”

      Cerca de mil irmãos abnegados de uns 30 países tão diversos como Áustria, Espanha, Estados Unidos, Japão, Polônia, Porto Rico, Rússia, Suécia e Taiwan se mudaram para a República Dominicana a fim de apoiar onde havia mais necessidade. Esses irmãos fazem parte de congregações em chinês, crioulo haitiano, espanhol, inglês, italiano, língua de sinais americana (ASL) e russo. Assim como o apóstolo Pedro, eles disseram: “Eis que abandonamos todas as coisas e te temos seguido.” — Mar. 10:28.

      A colheita é grande. — Mat. 9:37

      Cerca de mil voluntários de 30 países aceitaram o convite de ajudar vários grupos linguísticos na República Dominicana. Será que você também poderia ajudar num desses campos nesse país?

      Tabela na página 136
      Gráfico na página 137
  • Elas amam seus irmãos
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto nas páginas 138, 139

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Elas amam seus irmãos

      Uma escola para atender à crescente necessidade

      Jeová abençoou o esforço de seus servos na República Dominicana. Em 1994, havia uma média de 16.354 pregadores do Reino em 259 congregações. Por causa desse aumento impressionante, havia uma necessidade cada vez maior de anciãos e servos ministeriais capacitados. Naquele mesmo ano, o Corpo Governante aprovou que fosse realizada na República Dominicana a Escola de Treinamento Ministerial, agora substituída pela Escola para Evangelizadores do Reino.

      Até outubro de 2011, uns 600 alunos já tinham sido formados em 25 turmas no país. Atualmente, mais da metade dos formados está em alguma modalidade do serviço de tempo integral, 71 foram designados pioneiros especiais e 5 servem como superintendentes de circuito. As aulas das primeiras dez turmas foram realizadas na sede. Depois disso, a Escola passou a ser realizada em seu próprio prédio na cidade de Villa González.

      “As Testemunhas de Jeová cuidam de seus irmãos”

      Em 22 de setembro de  1998, o furacão Georges atingiu a República Dominicana com ventos de 190 quilômetros por hora, causando enormes estragos. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas, e mais de 300 morreram. Com o auxílio de uma Comissão Regional de Construção, uma comissão de ajuda humanitária montou um centro de assistência no terreno de um Salão do Reino em La Romana. Cerca de 300 voluntários ajudaram, incluindo irmãos de 16 países.

      Foi necessário reformar ou reconstruir 23 Salões do Reino e mais de 800 casas de nossos irmãos. Por exemplo, Carmen, uma pioneira regular idosa, ficou arrasada quando o furacão destruiu a casa em que tinha morado por 38 anos. Mas ela não conseguia conter sua alegria quando uma equipe de 15 irmãos chegou para fazer a fundação de sua nova casa. Mais tarde, Carmen disse: “Jeová nunca nos esquece e sempre cuida de nós. Olha só que casa linda os irmãos estão construindo para mim! Meus vizinhos disseram: ‘As Testemunhas de Jeová cuidam de seus irmãos; elas realmente amam umas às outras.’” Palavras parecidas foram ouvidas em todo o país por causa da ajuda humanitária prestada por nossos irmãos.

      O furacão Georges foi um enorme desastre natural, mas graças aos esforços amorosos do povo de Jeová, nossos irmãos vítimas dessa tempestade foram ajudados em sentido material e espiritual. E o mais importante, toda a abnegação demonstrada pelos voluntários deu louvor a Jeová, a fonte de verdadeiro consolo.

      Mais Salões do Reino são construídos

      Por causa do rápido aumento no número de novos discípulos, houve necessidade de mais Salões do Reino. Por isso, em novembro de 2000, os irmãos na República Dominicana começaram a construir Salões do Reino com a ajuda do programa para países com recursos limitados. Com essa ajuda, uma congregação consegue construir um Salão do Reino bonito e confortável em aproximadamente dois meses. Em setembro de 2011, dois grupos de construção já tinham construído ou reformado uns 150 Salões do Reino.

      Esses prédios, assim como os voluntários que apoiaram as construções, têm dado um poderoso testemunho. Por exemplo, numa pequena cidade no noroeste do país, os irmãos encontraram um possível local para um novo Salão do Reino. Um pioneiro especial perguntou ao dono se poderia comprar o terreno. “Não perca seu tempo”, respondeu o homem. “Não vou vender esse terreno a você, principalmente se for para construir uma igreja nele.”

      Logo depois daquela conversa, o dono do terreno foi a Puerto Plata visitar seu irmão, que estava idoso e era Testemunha de Jeová. Quando chegou, ele descobriu que uma família de Testemunhas de Jeová tinha acolhido seu irmão, que estava doente. Eles cuidavam dele e o levavam ao médico, às reuniões e à pregação. O homem perguntou a seu irmão quanto custava todo o cuidado que estava recebendo. Ele disse: “Não custa nada. Eles são meus irmãos.”

      “Essas são as pessoas mais unidas e bondosas que eu já vi”

      O homem ficou tão comovido com a bondade das Testemunhas de Jeová que ligou para o pioneiro especial dizendo que tinha mudado de ideia e estava disposto a vender o terreno. Os irmãos fizeram a compra e começaram a construção. A esposa daquele homem tinha um conceito muito ruim sobre as Testemunhas de Jeová. Mas, quando viu a união de nossos irmãos ao trabalharem no canteiro de obras, ela disse: “Essas são as pessoas mais unidas e bondosas que eu já vi.”

  • Cuidando do crescimento
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 144

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Cuidando do crescimento

      Que “toda sorte de homens sejam salvos”

      Jeová deseja que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade”. (1 Tim. 2:4) De acordo com isso, os irmãos na República Dominicana têm feito um esforço sincero para alcançar pessoas em toda parte do território, incluindo os presos nas instituições penais do país.

      Em 1997, um casal de pioneiros especiais estava fazendo sua visita semanal à prisão Najayo em San Cristóbal quando conheceram Gloria, uma colombiana de 23 anos, presa por tráfico de drogas. Ela havia conversado várias vezes sobre a Bíblia com uma irmã que tinha sido presa injustamente. Para responder às dúvidas de Gloria sobre a Bíblia, o casal deixou com ela o livro Raciocínios à Base das Escrituras e outras publicações. O entusiasmo de Gloria pelo que estava aprendendo chamou a atenção de outras detentas, assim, o grupo que recebia visitas semanais aumentou.

      A verdade levou Gloria a fazer mudanças extraordinárias e, em 1999, ela se qualificou como publicadora não batizada. Todo mês, ela passava mais de 70 horas pregando em seu território, a prisão. Ela também dirigiu seis estudos bíblicos progressivos com outras detentas. Daí, em 2000, Gloria solicitou e conseguiu o perdão presidencial por sua boa conduta na prisão. Ela foi libertada e enviada de volta à Colômbia. Em 2001, logo depois de chegar a seu país natal, ela foi batizada, mesmo sofrendo forte oposição da família.

      Foto na página 142

      Gloria Cardona aprendeu a verdade na prisão. Hoje, ela e o marido são pioneiros

      Depois do batismo, Gloria se tornou pioneira. Ela se casou com um irmão que é ancião, e os dois são pioneiros regulares. Atualmente, eles servem numa região da Colômbia onde há mais necessidade. Gloria ajudou diversos estudantes a chegar à dedicação e ao batismo. Ela diz que se sente em dívida com Jeová e que a melhor forma de pagar essa dívida é ajudar outros assim como ela foi ajudada — ensinando a verdade a eles.

      A experiência de Gloria mostra que nem mesmo os muros de uma prisão são capazes de impedir que os presos aprendam a verdade que salva vidas. Representantes da sede reuniram-se com oficiais do órgão do governo que supervisiona as penitenciárias do país, solicitando permissão para visitar outras prisões com o objetivo de dirigir estudos bíblicos. Em resultado, 43 irmãos e 6 irmãs receberam autorização para participar na obra de educação bíblica em 13 presídios.

      “Alonga os teus cordões de tenda”

      Em 1999, a República Dominicana já relatava 21.684 publicadores em 342 congregações, e eram dirigidos 34.380 estudos bíblicos. A assistência à Celebração foi de 72.679. Com esse crescimento, os irmãos viram a necessidade de agir de acordo com as palavras de Isaías: “Faze mais espaçoso o lugar da tua tenda. E estendam-se os panos de tenda do teu grandioso tabernáculo. Não te refreies. Alonga os teus cordões de tenda.” — Isaías 54:2.

      Um desafio foi conseguir um Salão de Assembleias que acomodasse o crescente número de publicadores. O Salão de Assembleias ao lado da sede em Santo Domingo, construído em 1996, atendia muito bem a capital e regiões vizinhas. Mas o Salão de Assembleias em Villa González, que atendia o restante do país, precisava urgentemente ser reformado ou substituído.

      Em 2001, o Corpo Governante aprovou a construção de um Salão de Assembleias de 2.500 lugares no terreno em Villa González. Os irmãos ficaram empolgados ao saber que também seria construído um prédio para a Escola de Treinamento Ministerial (agora substituída pela Escola para Evangelizadores do Reino). O prédio ficaria ao lado do Salão de Assembleias e teria quartos, uma sala de aula, uma biblioteca, uma cozinha e um refeitório. Em 2004, Theodore Jaracz, membro do Corpo Governante, fez o discurso de dedicação dos novos prédios. Desde então, a escola já formou 15 turmas.

  • O campo em crioulo haitiano
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 148

      REPÚBLICA DOMINICANA

      O campo em crioulo haitiano

      O começo da obra de pregação em crioulo haitiano

      Ao longo dos anos, o campo de língua espanhola tem sido muito produtivo. Mas pessoas que falam outros idiomas e que se mudaram para o país também têm se interessado em nossa mensagem de esperança. O idioma principal do país vizinho, o Haiti, é o crioulo haitiano. Apesar de haver certo atrito entre os dois países, milhares de haitianos fazem parte da força de trabalho da República Dominicana, e seu número aumentou consideravelmente nos últimos anos.

      Por anos, sempre que pessoas que falavam crioulo haitiano mostravam interesse na verdade, elas eram encaminhadas a congregações em espanhol. Mas, para elas receberem ajuda espiritual de forma mais adequada, em 1993, o Corpo Governante orientou que a sede em Guadalupe convidasse pioneiros especiais de seu território para servir no campo em crioulo haitiano na República Dominicana. O casal Barnabé e Germaine Biabiany foi um dos três casais que se ofereceram. “A princípio, tínhamos apenas duas brochuras em crioulo haitiano”, disse Barnabé. “As outras publicações estavam em francês. Por isso, tínhamos que traduzir tudo do francês para o crioulo haitiano.”

      Em janeiro de 1996, havia nove publicadores em Higüey e dez em Santo Domingo dispostos a apoiar um grupo em crioulo haitiano. Por isso, foi formado um grupo em cada uma dessas cidades e, com o tempo, eles se tornaram congregações. Mas elas foram dissolvidas, pois muitos haitianos queriam aprender espanhol e preferiam fazer parte de uma congregação nesse idioma. Barnabé explicou: “Nós nos reunimos com os irmãos do Departamento de Serviço, e pareceu melhor pararmos por um tempo as atividades em crioulo haitiano.”

      O campo em crioulo haitiano ganha forças novamente

      Em 2003, o Corpo Governante designou os missionários Dong e Gladys Bark para o campo em crioulo haitiano na República Dominicana. Eles trabalharam em Higüey por dois anos e começaram a ter bons resultados. Em 1.º de junho de 2005, foi formada uma congregação. Barnabé, Dong e outro missionário, Steven Rogers, percorreram todo o país cultivando o campo em crioulo haitiano.

      Foto na página 148

      A obra progrediu, e mais congregações foram formadas. Em 1.º de setembro de 2006, foi formado o primeiro circuito em crioulo haitiano. Havia sete congregações e dois grupos, e Barnabé era o superintendente de circuito.

      Nos anos seguintes, vários missionários foram designados à República Dominicana para trabalhar no campo em crioulo haitiano. Chegaram também muitos voluntários do Canadá, Estados Unidos, Europa e outros lugares para ajudar. Uma equipe de irmãos qualificados foi designada para preparar um curso do idioma crioulo haitiano para irmãos estrangeiros e locais.

      Muitas pessoas concluem que os que não são haitianos e falam crioulo haitiano são Testemunhas de Jeová

      O esforço de muitos dominicanos em aprender crioulo haitiano vem causando uma boa impressão nos haitianos. Quando eles ouvem um publicador dominicano explicar as verdades bíblicas em crioulo haitiano, isso quebra o gelo e cria um clima favorável para a pregação. Foram tantos os irmãos que aprenderam esse idioma que hoje muitas pessoas concluem que os que não são haitianos e falam crioulo haitiano são Testemunhas de Jeová.

      Mostrar interesse em pessoas de culturas diferentes causa nelas um forte impacto. Para ilustrar, veja o que aconteceu com uma pioneira dominicana que participou do curso de crioulo haitiano. Na pregação, a irmã encontrou um casal haitiano que demonstrou interesse. Ela os revisitou para iniciar um estudo bíblico. Ela contou: “Quando cheguei, cumprimentei a esposa com um beijo no rosto, como é o costume das mulheres na República Dominicana. A mulher começou a chorar. Eu perguntei: ‘O que foi?’ Ela respondeu: ‘Essa é a primeira vez em todos esses anos que moramos nesse país que alguém me cumprimenta com um beijo.’”

      As bênçãos de Jeová têm resultado num crescimento fenomenal. Em 1.º de setembro de 2009, havia 23 congregações e 20 grupos em crioulo haitiano, assim, foi formado um segundo circuito. Em 2011, a assistência à Celebração deixou claro que o potencial para crescimento era grande. Por exemplo, quando os 11 publicadores da pequena cidade de Río Limpio realizaram a Celebração, tiveram a grande alegria de ver 594 pessoas na assistência. E em Las Yayas de Viajama, onde não havia nenhum publicador, a assistência foi de 170. Em setembro de 2011, havia 33 congregações e 21 grupos em crioulo haitiano. Por isso, mais um circuito foi formado em 2012.

      As sedes na República Dominicana e no Haiti têm trabalhado juntas para treinar irmãos dos dois países. Foram realizadas cinco turmas da Escola Bíblica para Irmãos Solteiros e quatro da Escola Bíblica para Casais Cristãos no idioma crioulo haitiano.

      Fotos na página 148

      Aprendendo o crioulo haitiano

      Crescimento no campo em crioulo haitiano

      De 2005 a 2014

      • 2005

        1 Congregação

        6 Grupos

        Foto na página 149
      • 2014

        57 Congregações

        29 Grupos

        Foto na página 149
  • Terremoto no Haiti
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 151

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Terremoto no Haiti

      Crescimento no campo de língua chinesa

      Em 2005, a sede designou Tin Wa Ng, um betelita que fala chinês, como pioneiro especial para pregar à grande população chinesa no país. Seus pais tinham se mudado da China para Santo Domingo, e ele nasceu e foi criado na República Dominicana.

      Em 1° de janeiro de 2008, formou-se uma congregação em chinês mandarim em Santo Domingo e, em 2011, um grupo em Santiago. Os 70 publicadores, incluindo 36 pioneiros regulares e vários pioneiros auxiliares, dirigem em média 76 estudos bíblicos todo mês.

      À procura dos que falam inglês

      Em 2007, havia no país 27.466 publicadores participando no ministério em 376 congregações, e eram dirigidos 49.795 estudos bíblicos. Não havia, porém, nenhuma congregação para o número considerável de pessoas que falavam inglês. Por isso, em abril de 2008, a sede designou os missionários Donald e Jayne Elwell a Santo Domingo para formar um grupo de língua inglesa. Um grupo pequeno, mas animado, de publicadores realizou um censo para descobrir onde moravam as pessoas que falavam esse idioma. Daí, organizaram o território para que ele fosse bem trabalhado.

      Esses esforços deram resultados, pois o grupo de língua inglesa em Santo Domingo cresceu e, em julho de 2009, foi formada uma congregação de 39 publicadores. Os mesmos passos foram dados em outras regiões. Em novembro de 2011, havia sete congregações e um grupo em inglês no país.

      Uma mulher surda e cega decide servir a Jeová

      Foto na página 152

      Uma pioneira especial se comunica com Lorys usando língua de sinais tátil

      Lorys, que tem síndrome de Usher, é órfã desde pequena. Ela nasceu surda e começou a perder a visão aos 16 anos. Ela enxerga um pouco de dia, mas não consegue ver nada à noite. Depois de anoitecer, ela só consegue se comunicar usando língua de sinais tátil.

      Quando tinha 23 anos, Lorys conheceu um casal de pioneiros especiais. Na época, ela vivia com um surdo, e eles tinham uma filha ouvinte de 1 ano de idade. Lorys aceitou o convite de ir a uma reunião congregacional e ficou emocionada com o que aprendeu.

      Não demorou muito e Lorys começou a fazer mudanças. Por exemplo, quando aprendeu que não era certo viver com um homem sem estar casada, ela conversou com seu companheiro sobre a importância de legalizar seu relacionamento e explicou que ela não iria desobedecer às normas de moral da Bíblia. Impressionado com sua franqueza, ele concordou em se casar com ela.

      Depois de se casar, Lorys se tornou publicadora e logo foi batizada. Por ter estudado com as Testemunhas de Jeová, ela acabou aprendendo língua de sinais americana (ASL), usada nas reuniões. Ela está ajudando sua filha a aprender ASL e ensinando a verdade a ela.

      Um terremoto devastador atinge o Haiti

      O dia 12 de janeiro de 2010, uma terça-feira, ficará gravado por muito tempo na memória dos haitianos e dominicanos. Nesse dia, um terremoto catastrófico atingiu o Haiti. O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová imediatamente autorizou que a sede na República Dominicana mandasse dinheiro à sede no Haiti para que fosse prestada ajuda humanitária. Visto que a soma em dinheiro era significativa, Evan Batista, médico de Betel, que tinha 1,9 metro de altura e 127 quilos, foi designado para ser o responsável pela entrega.

      A decisão de enviar o irmão Evan foi bem oportuna, pois, ao chegar à fronteira, ele foi informado de que havia uma necessidade urgente de assistência médica qualificada. Muitas vítimas gravemente feridas foram levadas ao Salão de Assembleias ao lado da sede no Haiti para receber tratamento. Quando descobriram que o mensageiro era o médico de Betel, os irmãos haitianos ligaram para a sede na República Dominicana para saber se o irmão Evan poderia ficar mais tempo. É claro que a sede concordou, e assim foi dado início a uma enorme campanha de ajuda humanitária a nossos irmãos no Haiti — apenas poucas horas depois do terremoto.

      Fotos na página 155

      Os irmãos se organizaram para prover ajuda logo após o terremoto de 2010 no Haiti

      O Departamento de Compras da sede na República Dominicana logo contatou seus fornecedores de mantimentos. Quase 7 toneladas de arroz, feijão e outros alimentos básicos foram compradas e enviadas ao Haiti às 2h30 da quinta-feira, 14 de janeiro — aparentemente o primeiro carregamento de ajuda humanitária estrangeira a chegar ao país. Mais tarde, no mesmo dia, outros três médicos da República Dominicana chegaram à sede no Haiti, após sete horas de estrada. Já era noite quando chegaram, mas, em vez de irem para suas acomodações, eles foram atender os feridos e ficaram cuidando deles até meia-noite. No dia seguinte, já havia mais quatro médicos e quatro enfermeiras da República Dominicana. Os feridos foram operados em condições muito difíceis numa sala de cirurgias improvisada no Salão de Assembleias. Em uma semana, esses 12 voluntários trataram mais de 300 feridos.

      Todo dia, os pacientes em estado muito grave eram transferidos para serem tratados na República Dominicana. Às vezes, os mesmos veículos que tinham levado suprimentos ao Haiti levavam os feridos às pressas a vários centros médicos em toda a República Dominicana. A sede organizou Grupos de Visitas a Pacientes para encorajar os feridos e garantir que tivessem os medicamentos e suprimentos necessários. As congregações locais providenciaram alimento e hospedagem para os parentes que acompanhavam os feridos.

      As Testemunhas de Jeová distribuíram mais de 450 toneladas de itens doados, incluindo 400 mil refeições

      Os esforços incansáveis e abnegados do povo de Jeová logo após esse desastre estão de acordo com as palavras animadoras encontradas em Provérbios 17:17, que diz: “O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição.” Uma situação atrás da outra mostrou como Jeová, por meio de seu espírito e da fraternidade cristã, deu forças a seus adoradores leais, até mesmo ao lidarem com a morte. O empenho em prestar ajuda humanitária continuou por meses. As Testemunhas de Jeová distribuíram mais de 450 toneladas de itens doados, incluindo 400 mil refeições. Um total de 78 irmãos e irmãs profissionais da área médica de diversas partes do mundo, além de inúmeros outros voluntários, ofereceram generosamente seu tempo e habilidades no auxílio às vítimas.a

      a Para ler o relato completo, veja as páginas 14-19 da revista Despertai! de dezembro de 2010.

  • Um futuro promissor
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto nas páginas 158, 159

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Um futuro promissor

      Uma boa reputação

      As Testemunhas de Jeová já estão na República Dominicana há uns 70 anos. Nesse período, elas conquistaram uma ótima reputação. Muitas vezes, as pessoas se aproximam dos publicadores no ministério para pedir publicações e, no território, é comum ouvir comentários como: “Eu gosto dessa religião” ou “Vocês realmente vivem de acordo com a Bíblia.”

      Veja, por exemplo, o caso de um terreno doado por um irmão para a construção de um Salão do Reino. Ao fazer o registro, o irmão descobriu que um homem tinha registrado fraudulentamente o terreno. Esse homem acusou o irmão de tentar tomar o terreno dele. O assunto foi levado ao tribunal. Foi um caso complicado, pois o homem tinha documentos que alegavam que o terreno estava no nome dele.

      Em determinado ponto, o juiz perguntou ao advogado do irmão quem exatamente ele estava representando. Quando o advogado explicou que ele representava os interesses de uma associação usada pelas Testemunhas de Jeová, o juiz disse: “Se esse é o caso, então não há motivo para duvidar da veracidade dessas alegações. Conheço as Testemunhas de Jeová e estou bem ciente de que elas são honestas. Elas jamais tentariam fraudar alguém nem tomar o que não lhes pertence.”

      Quando as evidências foram apresentadas ao tribunal, ficou claro que o homem tinha usado documentos falsos, por isso, o juiz decidiu a favor das Testemunhas de Jeová. “Esse não é um caso isolado”, disse o advogado do irmão. “Nos tribunais em todo o país, quando as Testemunhas de Jeová são mencionadas, a reação é sempre de profundo respeito por elas.”

      Um futuro promissor

      Resta ver quantas pessoas que amam a justiça ainda vão aprender as verdades da Bíblia e se tornar adoradoras do Deus verdadeiro. Enquanto isso, os irmãos têm feito o máximo para encontrar essas pessoas. Por exemplo, em 2013, as Testemunhas de Jeová na República Dominicana dedicaram mais de 11 milhões de horas à pregação e dirigiram 71.922 estudos bíblicos. Também foi muito encorajador ver que 9.776 participaram em alguma modalidade do serviço de pioneiro. Em agosto de 2013, havia 35.331 publicadores ativos no ministério. E a assistência à Celebração de 127.716 pessoas mostra que o futuro da pregação nesse país é promissor.

      A obra de pregar e fazer discípulos na República Dominicana progrediu bastante desde aquele domingo em abril de 1945, quando Lennart e Virginia Johnson chegaram e começaram a pregar as boas novas do Reino. As Testemunhas de Jeová na República Dominicana se sentem gratas por ter uma rica herança espiritual. Elas valorizam os sacrifícios corajosos feitos pelas gerações anteriores de servos fiéis de Jeová. Além disso, elas consideram precioso o privilégio que têm de ‘dar testemunho cabal a respeito do reino de Deus’. (Atos 28:23) Elas aguardam ansiosamente o dia em que todos nessa ilha, junto com seus companheiros de adoração em todo o mundo, vão cantar: “O próprio Jeová se tornou rei! Jubile a terra. Alegrem-se as muitas ilhas.” — Sal. 97:1.

      Estande jw.org dá resultados

      Montado numa feira de livros local, esse estande atraiu 4.723 visitantes em apenas 12 dias.

      • Por dia, quase 400 pessoas visitavam o estande.

      • Foram solicitados 265 estudos bíblicos.

      • 1.159 visitantes viram como navegar no site jw.org.

  • Vinte e duas pessoas deixaram a igreja
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Vinte e duas pessoas deixaram a igreja

      Foto na página 162

      DOS 11 filhos da família Gomera, German era o décimo. A mãe dele, Luisa, mudou-se com a família para a cidade depois que seu marido e duas filhas morreram. Lá, passaram a se associar com a Igreja Menonita, à qual os irmãos de Luisa e suas famílias pertenciam.

      “Em 1962, um casal de pioneiros especiais chegou a nossa cidade”, contou German. “Disseram que o casal estava corrompendo o povo da cidade com ‘ensinos diabólicos’. Mas, quando esse casal foi à casa da numerosa família Piña, eles foram convidados a entrar. A família ficou impressionada com o jeito bondoso e amigável dos pioneiros, e todos ouviram atentamente a apresentação deles. Depois disso, a inteira família Piña e três das minhas irmãs começaram a estudar a Bíblia.”

      German continuou: “Um dia, minha mãe estava na casa da família Piña quando os pioneiros os visitaram. Eles leram textos da Bíblia que destacavam a esperança de vida eterna na Terra. Minha mãe perguntou: ‘Então, por que dizem na minha igreja que vamos para o céu?’ O irmão respondeu usando a Bíblia e explicou o que as Escrituras dizem sobre a ressurreição terrestre. Minha mãe gostou do que ouviu e começou a contar a outros o que tinha aprendido.”

      “Quando descobriram que seus membros estavam estudando com as Testemunhas de Jeová, os pastores da Igreja Menonita tentaram convencê-los a parar, só que fizeram isso de forma agressiva e ameaçadora. Maximina, a mãe da família Piña, disse a eles: ‘Escutem aqui! Eu sou adulta e tomo minhas próprias decisões.’

      “Com o tempo”, disse German, “22 pessoas deixaram a Igreja Menonita e começaram a assistir às reuniões numa casa alugada. Minha mãe foi batizada em 1965, e eu, em 1969, aos 13 anos.”

      Foto na página 163

      German com suas irmãs atualmente. Todos servem fielmente a Jeová

  • “Lutei como um leão”
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      “Lutei como um leão”

      Luis Eduardo Montás

      • ANO DE NASCIMENTO 1906

      • ANO DE BATISMO 1947

      • RESUMO BIOGRÁFICO Um ex-oficial do partido político de Rafael Trujillo. Ele aprendeu a verdade da Bíblia e serviu a Jeová fielmente até sua morte em 2000.

      Foto na página 118

      LUIS, um parente de Trujillo, trabalhava como tesoureiro do partido político que estava no poder, o Partido Dominicano. Mas, Luis considerava a máquina política de Trujillo repugnante, por isso, ele tentou várias vezes deixar o cargo, mas o ditador não consentia.

      Quando dois de seus irmãos foram mortos às ordens de Trujillo, Luis tentou assassinar o ditador duas vezes. Mas as autoridades nunca ficaram sabendo do envolvimento dele nessas tentativas. Luis até procurou médiuns espíritas para conseguir matar Trujillo, de quem ele disse: “Seu comportamento era animalesco, e ele se considerava superior a todos.” Na casa de um dos médiuns, ele viu numa mesa o livro “A Verdade Vos Tornará Livres” e começou a lê-lo. Luis ficou tão interessado que levou o livro para casa. Mais tarde, concluiu que aquela era a verdade religiosa que ele procurava.

      Quando viajou para Ciudad Trujillo, Luis foi a uma reunião das Testemunhas de Jeová e adquiriu vários livros e revistas. Ele passou a noite inteira lendo as publicações e mais tarde pediu um estudo bíblico. Ao fazer progresso, Luis resolveu deixar o governo do ditador. Quando Trujillo ficou sabendo disso, ele ofereceu a Luis um cargo de prestígio — cônsul da República Dominicana em Porto Rico. Luis recusou, mesmo sabendo que essa decisão provavelmente resultaria em perseguição.

      “Sofri todo tipo de maus-tratos”, contou Luis. “Além disso, o governo usava contra mim todas as artimanhas possíveis. Mas eu tinha resolvido renunciar aos prazeres deste mundo.” Luis era tão franco ao pregar as boas novas que os padres locais o apelidaram de “o pregador”. Em 5 de outubro de 1947, seis meses depois de ter ido à sua primeira reunião, Luis foi batizado.

      Depois de seu batismo, Luis foi perseguido, preso e colocado na solitária. Tentaram matá-lo várias vezes. Mesmo assim, toda vez que era preso e ia a julgamento, ele aproveitava a situação para dar testemunho. Luis disse: “Lutei como um leão ao defender minha fé e me lembro disso com alegria.”

      A história de fidelidade de Luis no serviço a Deus não passou despercebida da comunidade. Em 1994, o jornal dominicano El Siglo comentou a respeito de Luis: “O Sr. Luis Eduardo Montás é conhecido em San Cristóbal como uma pessoa correta. Ele é um homem excelente, solidário e brando. Tudo o que se sabe desse personagem da história de San Cristóbal está relacionado à sua vocação de homem cristão.”

  • A esperança do Reino não é um sonho
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      A esperança do Reino não é um sonho

      Efraín de la Cruz

      • ANO DE NASCIMENTO 1918

      • ANO DE BATISMO 1949

      • RESUMO BIOGRÁFICO Apesar de ter sido preso e cruelmente espancado em sete penitenciárias, ele nunca vacilou em sua determinação de pregar as boas novas do Reino de Deus.

      Foto na página 120

      EM 1948, eu, minha esposa, Paula, e minha filha começamos a assistir às reuniões das Testemunhas de Jeová em Blanco Arriba. Tínhamos que caminhar 40 quilômetros ida e volta, mas nunca perdemos uma reunião. Em 3 de janeiro de 1949, eu e Paula fomos batizados.

      Seis meses depois, eu e alguns de nossa congregação fomos detidos e sentenciados a três meses de prisão. Tínhamos que dormir no chão e recebíamos só uma refeição por dia — bananas e chá. Quando fomos libertos, oficiais do governo nos ameaçaram, achando que com isso iríamos parar de pregar. Mas, quando voltamos para casa, passamos a nos reunir e a pregar de novo, dessa vez secretamente. Agentes do governo estavam sempre nos vigiando, por isso, nós nos reuníamos em casas, fazendas e plantações de café. Em vez de realizarmos as reuniões no mesmo lugar, no final de cada reunião, era anunciado o local da próxima. Na pregação, íamos sozinhos; usávamos roupas de trabalho e não levávamos publicações nem a Bíblia. Ainda assim, entre 1949 e 1959, entrei e saí de sete prisões diferentes, cumprindo sentenças de três a seis meses.

      Eu tinha que ser extremamente cuidadoso porque alguns dos que me perseguiam eram meus próprios parentes. Eu dormia nas montanhas ou em fazendas para não ser pego, mas às vezes eu era capturado. Numa dessas vezes, fui enviado à prisão La Victoria em Ciudad Trujillo, onde havia de 50 a 60 prisioneiros em cada cela. Lá, recebíamos duas refeições por dia — mingau de fubá pela manhã e uma pequena porção de arroz e feijão ao meio dia. É claro que todos nós pregávamos aos outros prisioneiros. Também realizávamos as reuniões regularmente. Elas se baseavam em textos da Bíblia que recitávamos de cor e em experiências de nosso ministério.

      Na última vez que fui preso, um soldado deu coronhadas com seu rifle na minha cabeça e costelas. Ainda sofro os efeitos físicos desse espancamento e de outros maus-tratos. Mesmo assim, esses testes fortaleceram minha fé, perseverança e determinação de servir a Jeová.

      Agora, tenho 96 anos e sou servo ministerial. Embora eu não possa mais andar longas distâncias, sento na frente da minha casa e prego a todos que passam. Para mim, a esperança do Reino não é um sonho, é uma realidade, e venho falando dela a outros há mais de 60 anos. O novo mundo é tão real para mim hoje como era quando ouvi a mensagem do Reino pela primeira vez.a

      a Efraín de la Cruz faleceu enquanto este relato estava sendo preparado.

  • Sempre serei Testemunha de Jeová
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Sempre serei Testemunha de Jeová

      Ana María (Mary) Glass

      • ANO DE NASCIMENTO 1935

      • ANO DE BATISMO 1956

      • RESUMO BIOGRÁFICO Uma jovem católica fervorosa que aprendeu a verdade da Bíblia e corajosamente perseverou, apesar de oposição da família, da Igreja e do governo.

      Foto na página 122

      EU ERA muito religiosa e estava bem envolvida nas atividades da Igreja Católica. Eu cantava no coro da igreja e acompanhava os padres nos retiros espirituais, onde era realizada uma missa. Daí, em 1955, minha irmã me contou sobre o Paraíso. Ela me deu uma Bíblia, o livreto “Estas Boas Novas do Reino” e o livro “Seja Deus Verdadeiro”. Tudo isso me deixou fascinada. Então, perguntei ao padre se eu poderia ler a Bíblia. Ele me disse que eu “ficaria louca” se fizesse isso. Decidi ler a Bíblia assim mesmo.

      Depois de eu ter me mudado para a casa de meus avós em Boca Chica, um padre me perguntou por que eu não estava indo à igreja. Expliquei que tinha descoberto que muitas doutrinas da Igreja não estavam na Bíblia. O padre ficou furioso. Ele gritou: “Escute, mocinha, você é uma ovelha que se desviou do meu rebanho.”

      “Não”, respondi, “você é que se desviou do rebanho de Jeová, porque as ovelhas não pertencem a nenhum homem, elas pertencem a Jeová”.

      Nunca mais voltei à igreja. Fui morar com minha irmã e, apenas seis meses depois de ter ouvido a verdade pela primeira vez, fui batizada. Após isso, eu me tornei pioneira regular. Um ano mais tarde, eu me casei com Enrique Glass, que era superintendente de circuito. Um dia, enquanto pregávamos num parque em La Romana, a polícia prendeu Enrique. Quando estavam levando meu marido, corri atrás deles e disse: “Também sou Testemunha de Jeová e eu também estava pregando. Por que eu não estou sendo presa?” Mas eles não quiseram me prender.

      Enrique já tinha cumprido várias sentenças de prisão, num total de sete anos e meio. Dessa vez, ele foi sentenciado a 20 meses. Eu visitava Enrique todo domingo. Numa das minhas visitas, um capitão da prisão me perguntou: “Por que você está aqui?”

      Eu expliquei: “Porque meu marido foi preso por ser Testemunha de Jeová.”

      “Você é jovem e tem a vida toda pela frente”, respondeu ele. “Por que perder seu tempo com as Testemunhas de Jeová?”

      “Eu também sou Testemunha de Jeová”, respondi. “Mesmo que você me mate e me ressuscite sete vezes, sempre serei Testemunha de Jeová.” Ele tinha ouvido o bastante e ordenou que eu fosse embora.

      Com o fim da proscrição, eu e Enrique servimos vários anos no circuito e no distrito. Enrique faleceu no dia 8 de março de 2008. Eu ainda sou pioneira regular.

  • Jeová tocou o coração de muitos
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Jeová tocou o coração de muitos

      Leonardo Amor

      • ANO DE NASCIMENTO 1943

      • ANO DE BATISMO 1961

      • RESUMO BIOGRÁFICO Ele aprendeu a verdade na adolescência e serve a Jeová como ministro de tempo integral há mais de 50 anos.

      Foto na página 160

      FUI batizado em 1961, cerca de um mês depois do assassinato de Trujillo. Na época, eu cursava Direito. Meu pai queria que eu seguisse a carreira de advogado, mas percebi que o ensino divino era muito superior. Por isso, apesar de meu pai ser fortemente contra, decidi sair da faculdade. Pouco tempo depois, fui designado pioneiro especial.

      Uma das minhas designações foi La Vega, cidade que era conhecida por ser extremamente católica. Durante o tempo em que fiquei lá, ninguém aceitou a verdade. Quando eu dava discursos públicos, a única pessoa na assistência era o outro pioneiro especial. Mesmo assim, Jeová me sustentou por meio do estudo pessoal, da assistência às assembleias e de orações fervorosas. Eu orava a Jeová perguntando se algum dia haveria uma congregação em La Vega. Hoje, posso dizer com alegria que há 6 Salões do Reino, 14 congregações e mais de 800 publicadores do Reino na cidade.

      Eu me casei com Ángela em 1965 e fomos convidados para Betel em 1981. No ano que fui batizado, havia apenas 681 publicadores no país. Hoje, existem mais de 36 mil, e milhares de pessoas se reúnem para assistir às assembleias. Olhando para trás, fico impressionado por ver como Jeová tocou o coração de tantas pessoas com a verdade.

      Foto na página 161

      Comissão de Filial, da esquerda para a direita: Reiner Thompson, Juan Crispín, Thomas Dean, Leonel Peguero, Leonardo Amor e Richard Stoddard

  • De militante e ateu a servo de Deus
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      De militante e ateu a servo de Deus

      Juan Crispín

      • ANO DE NASCIMENTO 1944

      • ANO DE BATISMO 1964

      • RESUMO BIOGRÁFICO Um ex-ateu que há 50 anos serve fielmente a Jeová.

      Foto na página 164

      QUANDO jovem, fiquei desiludido com a religião por ela ter um histórico cheio de ódio. Eu também não entendia por que Deus não acabava com a pobreza e a injustiça e por que muitas pessoas religiosas não praticavam o que a Bíblia ensinava. Por isso, eu me tornei ateu, acreditando que só uma revolução política conseguiria consertar o mundo.

      Em 1962, comecei a ler a revista Despertai! e, em 1963, aceitei estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. O que aprendi mexeu profundamente comigo. Passei a entender que Deus não é o culpado pelas atrocidades cometidas por diversos grupos religiosos e que ele tem um propósito para o bem da humanidade. Dois meses depois do início do meu estudo, comecei a contar a outros que o Reino de Deus substituirá este sistema corrupto. Fui batizado em 1964 e designado pioneiro especial em 1966. Acho que a verdade salvou minha vida porque muitos dos jovens militantes com quem eu me associava ou sofreram uma morte violenta, ou foram presos ou tiveram que fugir do país. Agradeço a Jeová por ele transformar um ateu sem esperança num servo do Deus que promete um novo mundo justo.

      Foto na página 165

      Irmão Crispín dirigindo a adoração matinal em Betel

  • O primeiro surdo a aceitar a verdade
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      O primeiro surdo a aceitar a verdade

      José Pérez

      • ANO DE NASCIMENTO 1960

      • ANO DE BATISMO 1982

      • RESUMO BIOGRÁFICO Quando menino, José foi atraído à verdade por ver o amor demonstrado pelos irmãos, apesar de ninguém na congregação saber língua de sinais.

      Foto na página 166

      QUANDO criança, perdi a audição e aprendi língua de sinais numa escola para surdos. Aos 11 anos, tive meu primeiro contato com a verdade quando uma família do meu bairro que era Testemunha de Jeová me convidou para uma reunião. Embora eu não tenha entendido os discursos, fui muito bem recebido e decidi continuar a assistir às reuniões. Muitos na congregação me convidavam para tomarmos refeições juntos e para outras atividades.

      Eu me tornei publicador e fui batizado em 1982. Em 1984, casei-me com Eva, que também era surda. Nós não entendíamos bem algumas verdades bíblicas, mas tínhamos certeza de que aquela era a organização de Jeová por causa de seu sinal identificador, o amor, e gostávamos de fazer parte da congregação. — João 13:35.

      Em 1992, foram organizadas aulas para ensinar língua de sinais americana (ASL) a alguns publicadores. Em pouco tempo, eles começaram a procurar pessoas surdas e a pregar as boas novas a elas. Daí, em 1994, o campo de língua de sinais ganhou força quando um casal de Porto Rico foi convidado à sede na República Dominicana para ensinar ASL a 25 irmãos.

      Mais tarde naquele ano, eu e Eva começamos a assistir às reuniões no recém-formado grupo de língua de sinais. Foi só a partir daí que começamos a entender melhor os detalhes de ensinos bíblicos como, por exemplo, o desafio de Satanás contra a soberania universal de Jeová e o papel do Reino messiânico no propósito de Deus.

      Em 1.º de dezembro de 1995, foram formadas congregações em ASL nas cidades de Santo Domingo e Santiago. Em agosto de 2014, já havia 26 congregações e 18 grupos em ASL.

      Eu e Eva ensinamos língua de sinais a nossos três filhos como seu primeiro idioma. Nosso filho mais velho, Éber, ajuda na tradução de ASL na sede nos Estados Unidos. Eu sou servo ministerial, e Eva é pioneira regular.

      Aumento no campo de língua de sinais americana de 1995 a 2014

      • 1995

        2 congregações

        Foto na página 167
      • 2014

        26 congregações, 18 grupos

        Foto na página 167
  • Ele encontrou significado na vida
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • REPÚBLICA DOMINICANA

      Ele encontrou significado na vida

      José Estévez

      • ANO DE NASCIMENTO 1968

      • ANO DE BATISMO 1989

      • RESUMO BIOGRÁFICO Buscando uma vida melhor, José se mudou do interior para a cidade quando menino. Lá, ele aprendeu a verdade e até hoje se empenha em colocar o Reino em primeiro lugar.

      Foto na página 168

      AOS 11 anos, José se mudou para Santo Domingo e, para sobreviver, engraxava sapatos e vendia raspas de gelo e laranjas. Tempos depois, ele já era conhecido como um rapaz responsável e trabalhador. Anos mais tarde, seu irmão, que era Testemunha de Jeová, pediu que José tomasse conta de sua casa. Na mesa da sala de jantar, ele viu o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra e passou a noite lendo esse livro. Ele percebeu que tinha encontrado algo que dava significado à sua vida.

      No fim de semana seguinte, José foi ao Salão do Reino mais próximo e se apresentou como Testemunha de Jeová. Ele contou aos irmãos que tinha aprendido que precisava assistir às reuniões e pregar as boas novas. Ele também lhes disse que, ao ler o livro Viver Para Sempre, aprendeu o que os cristãos não deviam fazer e garantiu aos irmãos que ele não estava fazendo nada daquilo. Quinze dias depois, José foi aprovado como publicador. Ele foi batizado seis meses depois, aos 21 anos.

      Já que o horário de trabalho de José atrapalhava a assistência às reuniões, ele trocou seu emprego por um que pagava apenas um quarto do que recebia antes. Assim ele podia assistir às reuniões e ser pioneiro regular. Mais tarde, porém, quando se casou e se tornou pai de dois meninos, ele precisou interromper o serviço de pioneiro.

      José estava decidido a ensinar a verdade a seus filhos o mais cedo possível. Quando sua esposa, Josefina, estava grávida de três meses de seu primeiro filho, Noé, José começou a ler em voz alta o Meu Livro de Histórias Bíblicas, esperando que o bebê pudesse ouvi-lo. Quando Noé nasceu, José já tinha lido o livro inteiro para ele. José fez o mesmo com seu segundo filho, Neftalí.

      Com o tempo, José se tornou gerente geral em seu trabalho e passou a ganhar dez vezes mais do que em seu emprego anterior. Mas, em 2008, quando seus filhos tinham 10 e 13 anos, ele deixou o cargo de gerência e voltou a ser pioneiro regular — dessa vez com sua esposa e filhos. Visto que seu salário diminuiu consideravelmente, toda a família teve que cooperar para controlar as despesas. Os quatro dirigem cerca de 30 estudos bíblicos todo mês. Jesus garantiu que se colocássemos o Reino em primeiro lugar, Jeová nos abençoaria. (Mat. 6:33) José e sua família confiam nessa promessa e aprenderam por experiência própria que Jeová cumpre sua palavra.

  • Pensei em parar de servir a Deus
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2015
    • Foto na página 171

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Pensei em parar de servir a Deus

      Martín Paredes

      • ANO DE NASCIMENTO 1976

      • ANO DE BATISMO 1991

      • RESUMO BIOGRÁFICO Martín estava estudando para ser padre quando aprendeu a verdade. Desde então, ele tem ajudado muitos a se tornarem verdadeiros adoradores de Deus.

      Foto na página 170

      FUI criado numa família muito católica, que queria que eu me tornasse padre. Por isso, quando eu tinha 12 anos, fiz três cursos, e vários padres foram meus professores. Daí, em 1990, aos 14 anos, fui convidado para estudar num dos melhores seminários do país.

      Progredi rapidamente, e me disseram que, se eu continuasse a me esforçar, poderia me tornar bispo. Mas acabei me desiludindo. Em vez de estudarmos a Bíblia, estudávamos filosofias humanas. Além disso, os padres eram muito imorais. Quando eles passaram a me assediar sexualmente, pensei em parar de servir a Deus.

      Naquela época, um casal de missionários visitou o contador do seminário e deu a ele o livro Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas. Peguei o livro emprestado e o li de capa a capa. Eu pensei: ‘Era isso que eu estava procurando.’ Deixei o seminário, comecei a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e a assistir às reuniões. Fui batizado oito meses depois, em julho de 1991. Comecei a servir como pioneiro regular e mais tarde me casei com uma pioneira chamada María. Desde 2006, servimos como pioneiros especiais. Em vez de desistir de servir a Deus, agora eu amo ajudar pessoas que têm sede da verdade a se tornarem verdadeiros adoradores de Deus.

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