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“A principal fonte de empregos do mundo”Despertai! — 2005 | 22 de agosto
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Vende-se a natureza para preservá-la
No início da década de 80, alguns cientistas e produtores de filmes se interessaram cada vez mais em salvar as florestas tropicais úmidas, os recifes de coral e as criaturas que dependem deles. Reportagens e documentários sobre essas maravilhas naturais aumentaram o interesse do público em visitá-las. Pequenas empresas que davam apoio às necessidades dos cientistas e produtores de filme se expandiram para dar conta do afluxo de visitantes com consciência ecológica que queriam fazer turismo.
As viagens ecológicas logo ficaram populares, tornando o ecoturismo o segmento que cresce mais rapidamente no ramo do turismo. De fato, promover as maravilhas da natureza mostrou ser muito lucrativo. A jornalista Martha S. Honey explicou: “Em vários países, o ecoturismo tornou-se rapidamente o segmento que mais arrecada recursos externos, ultrapassando a exportação de bananas na Costa Rica, de café na Tanzânia e no Quênia, e de tecidos e jóias na Índia.”
Assim, o turismo deu um incentivo financeiro valioso na preservação de plantas e animais. Martha Honey observou: “No Quênia, estima-se que devido ao turismo um leão atraia lucros de uns 7 mil dólares por ano e uma manada de elefantes, 610 mil dólares.” Calcula-se que os recifes de coral do Havaí gerem uns 360 milhões de dólares por ano devido ao turismo ecológico.
Como reconhecer uma viagem ecológica de verdade
O relatório Ecotourism: Principles, Practices and Policies for Sustainability (Ecoturismo: Princípios, Práticas e Diretrizes para a Sustentabilidade) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente diz: “Muitas empresas de viagem e turismo acharam conveniente usar o termo ‘ecoturismo’ em seus prospectos, e governos têm usado o termo de maneira freqüente para promover seus países, tudo sem tentar implementar nenhum dos princípios mais básicos [do ecoturismo].” Ao escolher um roteiro, como saber se é realmente uma viagem ecológica?
Megan Epler Wood, autora do relatório citado acima, diz que uma viagem ecológica bem programada contém as seguintes características: Antes da viagem, fornece aos turistas informações sobre a cultura e o meio ambiente a ser visitado, além de orientações sobre vestimenta e comportamento apropriados; fornece instruções detalhadas sobre características geográficas, sociais e políticas do local de destino e oportunidades de interagir com as pessoas locais não apenas em lugares comerciais; garante que o preço total de todas as entradas em parques seja pago e oferece acomodações que não prejudiquem o ecossistema.
O que o ecoturismo tem realizado
O ecoturismo, em geral, é mais do que um passeio organizado por uma área natural. Tem sido definido como “viagem intencional a áreas naturais para entender a cultura e a história natural do meio ambiente, tomando o cuidado de não alterar a integridade do ecossistema, enquanto produz oportunidades econômicas que torne benéfica, para as pessoas nativas, a conservação dos recursos naturais”.
Será que o ecoturismo alcançou esses ideais elevados? Martin Wikelski, da Universidade Princeton, diz: “O ecoturismo é um dos principais fatores que mantêm a salvo as [ilhas] Galápagos.” Em Ruanda, país africano, reconhece-se que a promoção bem-sucedida do ecoturismo é a responsável pela preservação da população de gorilas-das-montanhas, enquanto fornece ao povo local uma fonte de renda alternativa para a caça clandestina. Em outros países africanos, reservas de caça são sustentadas pelo dinheiro dos turistas.
O ecoturismo tem contribuído para melhoras sociais e ambientais, e a indústria do turismo sem dúvida trouxe muitos benefícios financeiros em todo o mundo. Mas será que essa indústria é sempre benéfica? Quais são as perspectivas futuras para as viagens pelo mundo?
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O futuro do turismoDespertai! — 2005 | 22 de agosto
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O futuro do turismo
“Em quase todos os países do mundo, há exemplos de lugares onde o desenvolvimento do turismo tem sido identificado como o principal responsável pela degradação ambiental.” — An Introduction to Tourism (Introdução ao Turismo) de Leonard J. Lickorish e Carson L. Jenkins.
ALÉM de ser uma ameaça para o meio ambiente, o crescimento do turismo também pode contribuir para outros problemas. Analisemos brevemente alguns deles. Após isso, consideraremos as possibilidades futuras de fazer turismo por todo nosso encantador planeta e conhecer suas maravilhas, principalmente seus simpáticos habitantes.
Problemas ambientais
O grande volume de turistas atualmente tem causado problemas. “Na Índia, o Taj Mahal sofre desgastes por causa dos visitantes”, escrevem os pesquisadores Lickorish e Jenkins, e acrescentam: “No Egito, as pirâmides também estão ameaçadas pelo grande número de visitantes.”
Além disso, esses autores avisam que o turismo descontrolado pode matar a vegetação das reservas naturais ou impedir seu desenvolvimento por causa dos muitos visitantes que pisam nela. Ainda mais, as espécies podem ser ameaçadas quando turistas coletam itens como conchas raras e corais ou quando os nativos os recolhem, para vender aos visitantes.
A poluição causada em média por um turista é de 1 quilo de detritos e lixo sólido por dia, de acordo com estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Mesmo os lugares mais remotos parecem ser afetados. Um relatório recente da Rainforest Action Network diz: “Nas rotas turísticas populares do Himalaia, lixo tem sido espalhado ao longo das trilhas e a floresta está sendo dizimada pelos turistas que procuram combustível para aquecer comida e água para tomar banho.”
Ademais, os turistas em geral consomem uma quantidade desproporcional de recursos às custas dos habitantes locais. Por exemplo, James Mak escreveu em seu livro Tourism and the Economy (O Turismo e a Economia): “Os turistas em Granada consomem sete vezes mais água do que os residentes.” Ele continua: “Direta e indiretamente, o turismo é responsável por 40% de toda a energia consumida no Havaí, apesar de, em média, apenas 1 em cada 8 pessoas ali ser turista.”
Embora os turistas gastem muito para visitar países em desenvolvimento, a maior parte desse dinheiro não beneficia a população local. O Banco Mundial estima que apenas 45% da renda levantada pelo turismo fique no país de origem — a maior parte do dinheiro volta às nações desenvolvidas por meio das operadoras de turismo e hotéis internacionais.
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