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Fatores de risco no ambiente de trabalhoDespertai! — 2002 | 22 de fevereiro
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Fatores de risco no ambiente de trabalho
“Mais pessoas morrem no ambiente de trabalho do que nas estradas.” — Dizeres em negrito num cartaz distribuído por WorkCover, uma organização de segurança do trabalho em Nova Gales do Sul, Austrália.
ACIDENTES fatais são apenas parte do problema. Todo ano, milhões de pessoas sofrem ferimentos graves, até mesmo incapacitantes, no local de trabalho. Muitas outras têm morte prematura em decorrência de exposição a substâncias perigosas ou ao estresse no trabalho.
Visto que morte e ferimentos graves relacionados com o trabalho ocorrem em quase todos os setores da indústria e do comércio, convém analisar: O seu ambiente de trabalho é seguro? Que situações encontradas ali podem colocar em risco sua saúde e sua vida?
Ambiente tenso
Muitas vezes, os funcionários sofrem tremenda pressão para produzir mais. No Japão, o termo karoshi — “morte por excesso de trabalho” — foi inicialmente usado em processos de indenização movidos por famílias de vítimas. De acordo com uma pesquisa realizada há alguns anos naquele país, 40% dos que trabalhavam em escritório temiam que pudessem morrer em decorrência do excesso de trabalho. Certo advogado especializado em processos desse tipo calculou que há “pelo menos 30.000 vítimas de karoshi no Japão todos os anos”.
A polícia naquele país sugeriu que problemas relacionados com o trabalho são um dos principais fatores no aumento de suicídios entre os trabalhadores na faixa etária de 50 a 59 anos. Segundo o livro The Violence-Prone Workplace (Ambiente de Trabalho Que Predispõe à Violência), certo tribunal considerou um empregador responsável pelo suicídio de um funcionário que estava sobrecarregado com preocupações relacionadas com o serviço.
O jornal australiano The Canberra Times disse que os ‘americanos têm as mais longas jornadas de trabalho do mundo, superando até mesmo os japoneses’. Assim, manchetes como “Longas Jornadas Que Matam” chamam atenção para histórias de profissionais exaustos que morrem em serviço. Entre esses encontram-se motoristas de ambulância, pilotos, trabalhadores de construção, os que atuam na área de transportes e os que fazem turnos à noite.
Quando as empresas passam por um processo de reestruturação e corte de pessoal, visando manter a competitividade, os funcionários se sentem pressionados a aumentar a produção. A revista The British Medical Journal disse que os cortes têm um efeito negativo sobre a saúde dos funcionários.
Violência no local de trabalho
Funcionários sobrecarregados e estressados não são um risco só para si mesmos. Segundo certa pesquisa britânica, muitos dos que trabalham em escritório passam grande parte do dia irritados com seus colegas, o que muitas vezes acaba gerando reações violentas.
“Toda semana, cerca de 15 trabalhadores norte-americanos são assassinados no ambiente de trabalho”, diz a revista Business Week. A revista Harvard Business Review comenta: “A violência no local de trabalho é um assunto de que nenhum administrador gosta de falar. Mas a verdade é que todo ano centenas de funcionários agridem ou até matam colegas de serviço.”
Por outro lado, muitos são vítimas da violência infligida por clientes. Um relatório de criminologia na Austrália diz que alguns médicos têm tanto medo de ser vítimas de agressão violenta que sempre levam alguém junto quando atendem em domicílio. Policiais e professores também correm risco.
Outra forma de violência no local de trabalho é o abuso emocional, reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como violência psicológica. A intimidação é uma das principais formas desse abuso.
O professor Robert L. Veninga, da Universidade de Minnesota, EUA, diz que “o estresse e as doenças resultantes atingem trabalhadores de praticamente todos os lugares do mundo”. Ele comentou que “o problema principal, de acordo com o Relatório do Trabalho Mundial de 1993, feito pela Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas, é o estresse decorrente de ambientes de trabalho impessoais, em constante mudança e muitas vezes hostis.”
Assim, a pergunta é: o que patrões e empregados podem fazer para tornar mais seguro o local de trabalho? Esse assunto será abordado no próximo artigo.
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Como tornar seguro o ambiente de trabalhoDespertai! — 2002 | 22 de fevereiro
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Como tornar seguro o ambiente de trabalho
APESAR de existirem leis sobre saúde e segurança ocupacionais, ferimentos e mortes no trabalho ainda constituem um problema grave. Isso torna claro que a segurança no local de trabalho não é só uma questão de regulamentação. Patrões e empregados devem assumir uma parcela de responsabilidade pela própria segurança e pela de outros.
Assim sendo, seria prudente que todos os envolvidos analisassem com atenção o ambiente e os hábitos de trabalho. Já observou, por exemplo, se o seu local de trabalho é realmente seguro? Lida com substâncias tóxicas? Em caso afirmativo, usa proteção adequada? Está sob constante estresse? Aceita jornadas de trabalho mais longas do que a lei permite?
As respostas a perguntas como essas revelam muito sobre sua segurança no trabalho.
Fique alerta aos perigos
Tentar manter uma agenda muito apertada pode ser perigoso. Após examinar os resultados de uma pesquisa realizada entre 3,6 milhões de trabalhadores e 37.200 locais de trabalho, o professor Lawson Savery (da Universidade Curtin, da Austrália) em parceria com um pesquisador publicou o estudo “Long Hours at Work: Are They Dangerous and Do People Consent to Them?” (Longas Jornadas de Trabalho: São Perigosas? São Aceitas pelos Empregados?) O estudo mostrou que a resposta a ambas as perguntas era sim.
Não há dúvida de que trabalhadores cansados são menos eficientes e cometem mais erros. Segundo o jornal australiano The Sun-Herald, o professor Savery disse: “Muitas empresas estimulavam os funcionários a trabalhar demais e recompensavam os viciados em trabalho.” As conseqüências podem ser devastadoras. Um dos setores em que esse problema é mais evidente é a indústria do transporte, onde motoristas às vezes são incentivados ou mesmo obrigados a dirigir sem parar por longas horas — o que é ilegal em muitos países.
Maus hábitos de trabalho, como a desorganização e falta de limpeza, podem também apresentar riscos. Deixar ferramentas espalhadas pelo chão ou cabos elétricos energizados expostos pode causar acidentes ou mortes. O mesmo se dá quando se ignoram medidas de segurança ao usar ferramentas elétricas e máquinas. Outra causa de ferimentos e morte são líquidos derramados — sobretudo substâncias tóxicas. Pisos sujos de óleo ou molhados provocam muitos ferimentos. Assim, pode-se dizer que a limpeza e a ordem andam de mãos dadas com a eficiência.
No entanto, muitos se sentem tentados a ignorar medidas de segurança. A revista Monthly Labor Review disse: “A pressão no trabalho pode fazer com que a pessoa comece a pensar que precisa deixar de lado procedimentos de segurança para dar conta da demanda.” Assim, alguns talvez negligenciem medidas de segurança pensando: ‘Nunca aconteceu nada comigo quando ignorei esse procedimento.’ Ao abordar esse problema, o experiente supervisor de uma fábrica disse: “Uma das piores coisas que pode ocorrer a um trabalhador é ele ignorar procedimentos de segurança e não sofrer nenhuma conseqüência!” Por quê? Porque isso promove o excesso de confiança e o descuido, que podem provocar acidentes graves.
A explosão na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, costuma ser descrita como “o pior acidente nuclear do mundo”. O que saiu errado? Um relatório sobre o desastre fala de “um leque de procedimentos operacionais imprudentes” e de se “desconsiderar repetidas vezes as precauções de segurança”.
Tanto patrões como empregados podem cooperar em prever riscos em potencial para a segurança. Um sábio provérbio bíblico diz: “Argucioso é aquele que tem visto a calamidade e passa a esconder-se.” (Provérbios 22:3) De fato, quem é sábio enxerga situações potencialmente perigosas e procura meios de proteger a si mesmo e a outros.
Quando empregadores fazem isso, tanto eles quanto os trabalhadores se beneficiam. Por exemplo, certa empresa que reformou o escritório para evitar a “síndrome do edifício doente” logo notou que a produtividade melhorou e a satisfação dos funcionários aumentou visivelmente. E menos pessoas precisaram tirar licença por motivo de doença. Mostrar consideração pela saúde dos funcionários não só contribui para uma atmosfera mais agradável entre patrões e empregados, como também, conforme observado nesse caso, traz benefícios econômicos.
Mencionamos no artigo precedente que a violência tem atingido o local de trabalho. O que você pode fazer para se proteger?
Medidas que você pode tomar
Mesmo pequenos incidentes de comportamento agressivo em locais de trabalho têm-se transformado em casos de maior gravidade. A revista Harvard Business Review dá o seguinte conselho equilibrado: “Para lidar com a violência no local do trabalho, é preciso ter em mente que pessoas que cometem pequenos atos de agressão muitas vezes acabam cometendo atos mais graves.”
Uma mulher talvez não tenha a intenção de chamar a atenção de colegas de trabalho, mas se ela não for discreta na maneira de se vestir, na linguagem e na conduta, pode passar a impressão de que não é uma pessoa de boa moral. Recentemente, tem acontecido de comportamentos que não visavam atrair atenção indevida resultarem em problemas graves, como assédio, estupro ou mesmo assassinato. Assim, tenha cuidado, pois o seu modo de se vestir e a sua conduta podem afetar outros. Acate o conselho da Bíblia: ‘Adornem-se em vestido bem arrumado, com modéstia e bom juízo.’ — 1 Timóteo 2:9.
A revista Monthly Labor Review identificou outra situação potencialmente perigosa, ao dizer: “É preocupante o fato de muitos trabalharem sozinhos à noite em lugares isolados.” Assim sendo, pense no seguinte: É prudente aceitar os riscos a que muitas vezes se fica exposto por trabalhar sozinho, principalmente a altas horas da noite? Será que os benefícios financeiros compensam o risco?
É também importante analisar como reagimos a comportamentos irritantes e hostis de colegas de trabalho estressados. O que se pode fazer para acalmar uma situação potencialmente perigosa? Um provérbio bíblico aconselha: “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” (Provérbios 15:1) Lidar com o assunto de forma bondosa e respeitosa pode contribuir muito para aliviar a tensão e evitar o conflito.
Hoje em dia, em vista da tensão presente nos ambientes de trabalho, é comum o comportamento irritante e hostil. Embora a hostilidade talvez pareça ser dirigida a nós, é provável que a pessoa esteja simplesmente descarregando o próprio estresse e a frustração. Muitas vezes, apenas estamos no lugar errado na hora errada. Assim, dependendo da maneira como reagimos, podemos acalmar ou agravar a situação.
Pode ser que haja diferenças reais de pontos de vista. O livro Resolving Conflicts at Work (Como Solucionar Conflitos no Ambiente de Trabalho) traz um comentário interessante: “Numa situação de conflito, . . . é raro comunicarmos de forma sincera e clara o que real e honestamente sentimos.” Qual pode ser a razão disso? O livro continua: “Os conflitos podem nos confundir e cegar, a ponto de acharmos que a confrontação é a única saída.”
Qual é a melhor solução? ESCUTE o que o outro tem a dizer! O livro acima citado diz: “Se paramos para escutar de verdade as pessoas de quem discordamos . . . , podemos nos acalmar e, em vez de entrar num conflito, descobrir soluções.” Esse é um bom conselho para impedir que desacordos ou mal-entendidos aumentem e se transformem em grandes conflitos.
Para a sua própria segurança, aja com prudência e bom senso. Isso inclui seguir diligentemente os regulamentos locais de segurança. Agir assim pode contribuir muito para fazer com que o local de trabalho seja mais seguro.
Vale notar também que a postura que adotamos com relação à vida, ao trabalho e ao lazer pode afetar o tipo de trabalho que escolhemos e nossa atitude para com a segurança. O artigo seguinte poderá nos ajudar a fazer escolhas sensatas nesse respeito.
[Foto na página 5]
Limpe bem pisos sujos de óleo
[Foto na página 7]
Uma resposta branda pode acalmar uma situação tensa
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