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  • Existe um segredo para uma família feliz?
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Gravura de página inteira na página 4

      Capítulo 1

      Existe um segredo para uma família feliz?

      Gravura na página 5

      1. Que importância têm as famílias fortes na sociedade humana?

      A FAMÍLIA é a mais antiga instituição na Terra, e ela cumpre um papel vital na sociedade humana. Ao longo da História, famílias fortes têm ajudado a constituir sociedades fortes. A família é a melhor provisão para criar filhos que se tornem adultos responsáveis.

      2-5. (a) Descreva a segurança que a criança sente numa família feliz. (b) Que problemas têm algumas famílias?

      2 Uma família feliz é um refúgio de proteção e segurança. Imagine por um instante uma família ideal. No jantar, os pais demonstram seu interesse pelos filhos conversando com eles sobre os eventos do dia. Empolgadas, as crianças contam o que aconteceu na escola. Tais momentos de descontração reanimam a todos para enfrentar mais um dia no mundo lá fora.

      3 Numa família feliz, a criança sabe que seu pai e sua mãe cuidarão dela quando adoecer, talvez se revezando ao lado da cama durante a noite. Ela sabe que pode levar à mãe ou ao pai os problemas que enfrenta como jovem e receber conselhos e apoio. Sim, a criança sente-se segura, não importa quão atribulado seja o mundo exterior.

      4 Ao crescerem, os filhos em geral se casam e constituem a sua própria família. “A pessoa se dá conta da dívida para com os pais só depois que tem os seus próprios filhos”, diz um provérbio oriental. Com profundo senso de gratidão e amor, os filhos adultos procuram tornar feliz a sua própria família, e zelam também pelos seus pais agora idosos que, por sua vez, se alegram com a companhia dos netos.

      5 Talvez neste ponto você pense: ‘Bem, eu amo a minha família, mas ela não é como essa que se acaba de descrever. Minha esposa e eu trabalhamos em horários diferentes e dificilmente nos vemos. O que mais falamos é sobre problemas financeiros.’ Ou talvez diga: ‘Meus filhos e netos vivem noutra cidade, e eu nunca os vejo.’ De fato, por razões muitas vezes fora do controle dos envolvidos, grande parte da vida familiar não é ideal. Mesmo assim, alguns têm uma vida familiar feliz. Como? Existe um segredo para uma família feliz? A resposta é Sim. Mas antes de considerá-la, é preciso responder a uma outra pergunta importante.

      O QUE É UMA FAMÍLIA?

      6. Que tipo de família será considerado neste livro?

      6 Nos países ocidentais, a família normalmente consiste em pai, mãe e filhos. Os avós em geral moram nas suas próprias casas, enquanto podem. Embora se mantenha contato com parentes mais distantes, os deveres para com estes são limitados. Basicamente, este é o tipo de família que consideraremos neste livro. Contudo, outros tipos de família são cada vez mais comuns em anos recentes: família sem pai ou mãe, família de segundo casamento e família de pais que, por algum motivo, não moram juntos.

      7. O que é a família ampliada?

      7 Em algumas culturas é comum a família ampliada. Neste sistema, quando possível, os avós são rotineiramente cuidados pelos filhos, e estreitos vínculos e responsabilidades se estendem a parentes distantes. Por exemplo, membros da família talvez ajudem a sustentar, a criar e até mesmo a pagar os estudos de sobrinhos, ou mesmo de parentes mais distantes. Os princípios a serem discutidos neste livro aplicam-se também a famílias ampliadas.

      A FAMÍLIA SOB PRESSÃO

      8, 9. Que problemas existentes em alguns países indicam que a família está mudando?

      8 A família está mudando — infelizmente, não para melhor. Um exemplo vem da Índia, onde a esposa talvez more com a família do marido e trabalhe em casa sob a direção de seus parentes afins. Nos dias de hoje, porém, não é incomum esposas indianas procurarem emprego fora de casa. Mas, mesmo assim, parece que ainda se espera delas que cumpram seus papéis tradicionais no lar. A questão em muitos países é: Em comparação com outros membros da família, quanto trabalho deveria executar em casa a mulher que trabalha fora?

      9 Nas sociedades orientais são tradicionais os fortes laços de família ampliada. Contudo, sob a influência do individualismo à moda ocidental e das pressões econômicas, o conceito tradicional de família ampliada vem enfraquecendo. Assim, em vez de dever ou privilégio, muitos consideram uma carga cuidar de membros idosos da família. Alguns pais idosos são maltratados. Realmente, maus-tratos e descaso para com os idosos acontecem em muitos países hoje.

      10, 11. Que fatos indicam que a família está mudando nos países europeus?

      10 O divórcio é cada vez mais comum. Na Espanha, o índice de divórcios aumentou para 1 em cada 8 casamentos, no começo da última década do século 20 — um grande salto em comparação com 1 para cada 100, apenas 25 anos antes. Na Grã-Bretanha, que alegadamente tem o índice mais elevado de divórcios da Europa (calcula-se que 4 em cada 10 casamentos fracassam), tem havido um surto de famílias sem pai ou mãe.

      11 Muitos na Alemanha parecem estar abandonando totalmente o conceito de família tradicional. Agora nos anos 90, 35% dos lares alemães se compõem de uma única pessoa, e 31% de apenas duas. Os franceses também estão se casando menos, e os que se casam divorciam-se com mais frequência e mais cedo do que no passado. Crescente número prefere viver sob o mesmo teto sem as responsabilidades do casamento. Tendências parecidas são vistas no mundo inteiro.

      12. Que sofrimentos causam às crianças as mudanças na família moderna?

      12 Que dizer dos filhos? Nos Estados Unidos e em muitos outros países, cada vez mais bebês nascem fora do casamento, alguns de pais que mal entraram na adolescência. Muitas mocinhas têm vários filhos de diferentes pais. Relatórios do mundo inteiro falam de milhões de crianças sem lar que vivem nas ruas; muitas fogem de abusos em casa ou são expulsas por famílias que não mais as podem sustentar.

      13. Que problemas generalizados roubam a felicidade das famílias?

      13 Sim, a família está em crise. Além do que já foi mencionado, a rebelião juvenil, o abuso de crianças, a violência contra o cônjuge, o alcoolismo e outros problemas devastadores roubam a felicidade de muitas famílias. Para muitas crianças e adultos, a família está longe de ser um refúgio.

      14. (a) Segundo alguns, quais são as causas da crise na família? (b) Que descrição do mundo de hoje fez um advogado do primeiro século, e como influiu o cumprimento de suas palavras na vida familiar?

      14 Qual é a razão da crise na família? Alguns culpam a entrada da mulher no mercado de trabalho. Outros apontam para o atual colapso moral. E ainda outras causas são mencionadas. Quase 2 mil anos atrás, um bem conhecido advogado predisse que as famílias sofreriam muitas pressões, ao escrever: “Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus.” (2 Timóteo 3:1-4) Quem duvidaria de que essas palavras se cumprem hoje? Num mundo nessas condições, é de admirar que muitas famílias estejam em crise?

      O SEGREDO DA FAMÍLIA FELIZ

      15-17. Neste livro, que autoridade será indicada como tendo o segredo de uma família feliz?

      15 Conselhos sobre como conseguir uma família feliz aparecem de todos os lados. No Ocidente, um fluxo infindável de livros e revistas de autoajuda oferecem conselhos. O problema é que os conselheiros humanos contradizem uns aos outros, e o conselho de hoje pode ser considerado impraticável amanhã.

      16 Onde, então, podemos encontrar orientação familiar confiável? Bem, recorreria a um livro cuja escrita foi terminada uns 1.900 anos atrás? Ou acharia que um livro assim é irremediavelmente desatualizado? Na verdade, o verdadeiro segredo de uma família feliz encontra-se justamente nessa fonte.

      17 Essa fonte é a Bíblia. Segundo todas as evidências, ela foi inspirada pelo próprio Deus. Na Bíblia encontramos a seguinte declaração: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça.” (2 Timóteo 3:16) Neste livro, nós o incentivaremos a ver como a Bíblia pode ajudá-lo a “endireitar as coisas” ao lidar com as pressões e os problemas que se abatem sobre as famílias hoje.

      18. Por que é razoável aceitar a Bíblia como autoridade em conselhos sobre o casamento?

      18 Se estiver inclinado a descartar a possibilidade de que a Bíblia possa ajudar a produzir famílias felizes, considere o seguinte: Aquele que inspirou a Bíblia é o Originador do casamento. (Gênesis 2:18-25) A Bíblia diz que seu nome é Jeová. (Salmo 83:18) Ele é o Criador e ‘Pai, a quem toda família deve o seu nome’. (Efésios 3:14, 15) Jeová observa a vida familiar desde o começo da humanidade. Ele conhece os problemas que podem surgir e dá conselhos para resolvê-los. Por toda a História, aqueles que sinceramente aplicaram os princípios bíblicos na sua vida familiar foram os que encontraram maior felicidade.

      19-21. Que exemplos modernos mostram a capacidade da Bíblia de resolver problemas no casamento?

      19 Por exemplo, certa dona de casa na Indonésia era viciada em jogo. Por anos negligenciou seus três filhos e sempre discutia com o marido. Daí, ela começou a estudar a Bíblia. Aos poucos, veio a crer no que a Bíblia diz. Com a aplicação dos seus conselhos, ela tornou-se uma esposa melhor. Seus esforços, baseados em princípios bíblicos, resultaram em felicidade para toda a sua família.

      20 Outra dona de casa na Espanha diz: “Tínhamos apenas um ano de casados quando começamos a ter problemas sérios.” Ela e seu marido tinham pouca coisa em comum e quase não se falavam, exceto quando discutiam. Apesar de terem uma filhinha, decidiram separar-se legalmente. Antes disso, porém, foram incentivados a examinar a Bíblia. Estudaram seus conselhos para os casados e passaram a aplicá-los. Em pouco tempo conseguiam comunicar-se pacificamente e sua pequena família ficou unida e feliz.

      21 A Bíblia ajuda também as pessoas de mais idade. Por exemplo, veja o caso de certo casal japonês. O marido era irritadiço e, às vezes, violento. Primeiro, as filhas do casal começaram a estudar a Bíblia, apesar da oposição dos pais. Daí, o marido também começou a estudar, mas a esposa continuou a opor-se. Com o passar dos anos, porém, ela se deu conta do bom efeito dos princípios bíblicos sobre a sua família. As filhas cuidavam bem dela, e o marido ficou muito mais brando. Tais mudanças induziram-na a examinar a Bíblia pessoalmente, e isso teve o mesmo bom efeito sobre ela. Essa senhora idosa disse várias vezes: “Nós nos tornamos um casal de verdade.”

      22, 23. De que modo a Bíblia ajuda pessoas de todas as formações nacionais a encontrar felicidade na sua vida familiar?

      22 Essas pessoas estão entre as muitas que aprenderam o segredo de uma família feliz. Aceitaram os conselhos da Bíblia e os aplicaram. É verdade que elas vivem no mesmo mundo violento, imoral e de pressões econômicas, como todas as outras pessoas. Ademais, elas são imperfeitas, mas encontram felicidade em procurar fazer a vontade do Originador da família. Como diz a Bíblia, Jeová Deus é “Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar”. — Isaías 48:17.

      23 Embora a escrita da Bíblia tenha terminado quase 2 mil anos atrás, seus conselhos são realmente atualizados. Além do mais, ela foi escrita para todas as pessoas. A Bíblia não é um livro americano ou ocidental. Jeová “fez de um só homem toda nação dos homens”, e ele conhece a constituição dos humanos em toda a parte. (Atos 17:26) Os princípios bíblicos funcionam para todos. Se os aplicar, você também virá a conhecer o segredo de uma família feliz.

      SABE RESPONDER A ESSAS PERGUNTAS?

      O que está acontecendo com a família hoje? — 2 Timóteo 3:1-4.

      Quem originou a instituição da família? — Efésios 3:14, 15.

      Qual é o segredo de uma família feliz? — Isaías 48:17.

  • Como preparar-se para um bom casamento
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 2

      Como preparar-se para um bom casamento

      Foto na página 13

      1, 2. (a) Como acentuou Jesus a importância do planejamento? (b) Especialmente em que área é vital o planejamento?

      CONSTRUIR um prédio exige preparação meticulosa. Antes de lançar o alicerce, é preciso adquirir o terreno e desenhar as plantas. Contudo, algo mais é vital. Jesus disse: “Quem de vós, querendo construir uma torre, não se assenta primeiro e calcula a despesa, para ver se tem bastante para completá-la?” — Lucas 14:28.

      2 O que se aplica a construir um prédio aplica-se também a construir um bom casamento. Muitos dizem: “Quero me casar.” Mas quantos param para calcular o custo? Embora a Bíblia fale bem do casamento, ela também chama a atenção aos seus desafios. (Provérbios 18:22; 1 Coríntios 7:28) Por conseguinte, os que pensam em se casar têm de ter um conceito realístico tanto das bênçãos como dos custos de estar casado.

      3. Por que a Bíblia é de ajuda valiosa para os que pretendem se casar, e a que três perguntas ela nos ajudará a responder?

      3 A Bíblia pode ajudar. Os seus conselhos são inspirados pelo Originador do casamento, Jeová Deus. (Efésios 3:14, 15; 2 Timóteo 3:16) Usando os princípios contidos nesse antigo, porém bem atualizado livro, determinemos (1) Como pode a pessoa saber se está preparada para o casamento? (2) O que se deve procurar num prospectivo cônjuge? e (3) Como manter honroso o namoro?

      ESTÁ PREPARADO PARA SE CASAR?

      4. Qual é um dos fatores vitais para um bom casamento e por quê?

      4 Construir um prédio talvez custe muito dinheiro, mas cuidar de sua manutenção a longo prazo também é dispendioso. É similar com o casamento. Casar-se já parece ser bastante desafiador; mas, manter uma relação conjugal, ano após ano, também precisa ser levado em conta. O que envolve manter tal relação? Um fator vital é assumir um compromisso sério. É assim que a Bíblia descreve a relação conjugal: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.” (Gênesis 2:24) Jesus Cristo indicou qual é a única base bíblica para o divórcio com possibilidade de novo casamento — a “fornicação”, isto é, relações sexuais ilícitas fora do casamento. (Mateus 19:9) Se você está pensando em se casar, lembre-se dessas normas bíblicas. Se não está preparado para esse compromisso solene, tampouco está preparado para o casamento. — Deuteronômio 23:21; Eclesiastes 5:4, 5.

      5. Embora o compromisso solene do casamento assuste a alguns, por que, em vez disso, deveria ser altamente prezado pelos que pretendem se casar?

      5 A ideia de um compromisso solene assusta a muitos. “Saber que estávamos presos um ao outro pelo resto da vida fez-me sentir tolhido, encurralado, totalmente confinado”, admitiu certo jovem. Mas se você realmente ama a pessoa com quem pretende se casar, o compromisso não parecerá ser uma carga. Em vez disso, será encarado como fonte de segurança. O senso de compromisso implícito no casamento fará com que o casal deseje ficar junto nos bons e nos maus momentos e apoiar um ao outro, aconteça o que acontecer. O apóstolo cristão Paulo escreveu que o amor verdadeiro “suporta todas as coisas” e “persevera em todas as coisas”. (1 Coríntios 13:4, 7) “O compromisso do casamento faz-me sentir mais segura”, diz certa mulher. “Prezo muito a satisfação de termos declarado, a nós mesmos e ao mundo, a nossa intenção de ficarmos juntos para sempre.” — Eclesiastes 4:9-12.

      6. Por que é melhor não se casar precipitadamente com pouca idade?

      6 Viver à altura desse compromisso exige madureza. Assim, Paulo aconselha aos cristãos que não se casem antes de passarem da “flor da juventude”, o período em que os impulsos sexuais são fortes e podem distorcer o bom critério. (1 Coríntios 7:36) Os jovens mudam rapidamente, à medida que crescem. Muitos que se casam bem jovens descobrem que — depois de uns poucos anos — as suas necessidades e desejos, bem como os de seu cônjuge, mudaram. As estatísticas revelam que os que se casam na adolescência têm muito mais probabilidade de ser infelizes e de recorrer ao divórcio do que aqueles que esperam um pouco mais. Portanto, não se case precipitadamente. Alguns anos de vida como adulto jovem e solteiro poderão dar-lhe uma experiência valiosa que o tornará mais maduro e melhor qualificado para ser um bom cônjuge. Não se casar muito cedo pode também ajudá-lo a compreender melhor a si mesmo — o que é essencial para poder desenvolver uma boa relação no casamento.

      CONHEÇA PRIMEIRO A SI MESMO

      7. Por que devem os que pretendem se casar examinar primeiro a si mesmos?

      7 Acha fácil alistar as qualidades que deseja num cônjuge? A maioria acha que sim. Mas, que dizer de suas próprias qualidades? Que características você tem que o ajudarão a contribuir para um bom casamento? Que tipo de marido ou esposa será? Por exemplo, admite francamente seus erros e acata conselhos, ou está sempre na defensiva quando é corrigido? É em geral alegre e otimista, ou tende a ser mal-humorado, quase sempre se queixando? (Provérbios 8:33; 15:15) Lembre-se, o casamento não mudará a sua personalidade. Se você é orgulhoso, hipersensível ou exageradamente pessimista quando solteiro, você será o mesmo quando casado. Visto que é difícil ver a nós mesmos como os outros nos veem, por que não pede aos seus pais, ou a um amigo de confiança, que comentem e deem sugestões francas a seu respeito? Se ficar sabendo de mudanças que poderão ser feitas, procure fazê-las antes de dar os passos para se casar.

      Fotos na página 19

      Enquanto ainda é solteiro, desenvolva qualidades, hábitos e habilidades que lhe serão muito úteis no casamento

      8-10. Que conselhos bíblicos serão úteis para quem se prepara para o casamento?

      8 A Bíblia incentiva-nos a permitir que o espírito de Deus opere em nós, para produzir qualidades tais como “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. Ela também diz que ‘devemos ser feitos novos na força que ativa a nossa mente’, e nos “revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade”. (Gálatas 5:22, 23; Efésios 4:23, 24) Aplicar esses conselhos enquanto você ainda é solteiro é como depositar dinheiro no banco — algo que mostrará ser muito valioso no futuro, quando você se casar.

      9 Por exemplo, se for mulher, aprenda a dar mais atenção à “pessoa secreta do coração” do que à sua aparência física. (1 Pedro 3:3, 4) A modéstia e o bom senso ajudarão você a ter sabedoria, uma verdadeira “coroa de beleza”. (Provérbios 4:9; 31:10, 30; 1 Timóteo 2:9, 10) Se você é homem, aprenda a tratar as mulheres com bondade e respeito. (1 Timóteo 5:1, 2) Enquanto aprende a tomar decisões e assumir responsabilidades, aprenda também a ser modesto e humilde. Uma atitude dominadora causará problemas no casamento. — Provérbios 29:23; Miqueias 6:8; Efésios 5:28, 29.

      10 Embora não seja fácil mudar a personalidade nesses aspectos, é algo pelo qual todos os cristãos devem se empenhar. E isso o ajudará a ser um cônjuge melhor.

      O QUE PROCURAR NUM PROSPECTIVO CÔNJUGE

      11, 12. Como podem duas pessoas descobrir se são compatíveis ou não?

      11 É costume onde você mora a própria pessoa escolher o seu cônjuge? Nesse caso, como deverá proceder se achar atraente alguém do sexo oposto? Primeiro, pergunte-se: ‘Pretendo realmente me casar?’ É cruel brincar com os sentimentos de outra pessoa por levantar expectativas falsas. (Provérbios 13:12) Daí, pergunte-se: ‘Estou em condições de me casar?’ Se a resposta a ambas as perguntas for positiva, os passos que você dará a seguir dependerão dos costumes locais. Em alguns países, depois de observar a pessoa por um tempo, você poderá aproximar-se dela e expressar o desejo de conhecê-la melhor. Se a resposta for negativa, não insista a ponto de tornar-se inconveniente. Lembre-se: a outra pessoa também tem o direito de decidir. Mas se a resposta for positiva, você poderá providenciar passar tempo juntos em atividades sadias. Isso lhe dará a oportunidade de analisar se convém casar-se com essa pessoa.a Que qualidades deverá procurar nesse estágio?

      12 Para responder a essa pergunta, imagine dois instrumentos musicais, digamos, um piano e uma guitarra. Se estiverem bem afinados, ambos poderão produzir bela música solo. Mas, o que acontece se esses instrumentos forem tocados juntos? Agora precisam estar afinados um com o outro. É similar no caso de você e seu prospectivo cônjuge. Cada qual talvez tenha se empenhado a fundo para “afinar” seus próprios traços de personalidade. Mas a pergunta é: estão afinados um com o outro? Em outras palavras, são compatíveis?

      13. Por que é muito insensato namorar alguém que não seja da mesma fé?

      13 É importante que tenham crenças e princípios em comum. O apóstolo Paulo escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos.” (2 Coríntios 6:14; 1 Coríntios 7:39) Casar-se com alguém que não compartilha de sua fé em Deus aumenta a probabilidade de que haverá grave desarmonia. Por outro lado, a devoção mútua a Jeová Deus é a mais forte base para a união. Jeová deseja que você seja feliz e que desfrute do vínculo mais íntimo possível com a pessoa com quem você se casa. Ele deseja ver os dois unidos a Ele e um ao outro por um vínculo tríplice de amor. — Eclesiastes 4:12.

      14, 15. É ter a mesma fé o único aspecto de união no casamento? Explique.

      14 Ao passo que adorar juntos a Deus é o aspecto mais importante da união, há mais coisas envolvidas. Para estarem afinados um com o outro, é preciso que seus alvos sejam similares aos de seu prospectivo cônjuge. Quais são seus alvos? Por exemplo, o que ambos acham sobre ter filhos? Que coisas têm prioridade na sua vida?b (Mateus 6:33) Num casamento realmente bem-sucedido, os dois são bons amigos e gostam da companhia um do outro. (Provérbios 17:17) Para isso, é preciso que tenham interesses em comum. É difícil sustentar uma amizade íntima — quanto mais um casamento — se não for assim. No entanto, se seu prospectivo cônjuge gosta de uma atividade específica, como passeios a pé, por exemplo, e você não, significa isso que vocês dois não devem se casar? Não necessariamente. Talvez vocês compartilhem de outros interesses mais importantes. Ademais, você poderá alegrar seu prospectivo cônjuge por participar em certas atividades sadias porque ele gosta delas. — Atos 20:35.

      15 De fato, a compatibilidade depende muito de quão adaptáveis vocês são, em vez de quão idênticos vocês são. Em vez de perguntar: “Concordamos em tudo?”, seria melhor perguntar: “O que acontece quando discordamos? Somos capazes de tratar dos assuntos calmamente, com respeito e dignidade mútuos? Ou será que o diálogo muitas vezes degenera em discussão acalorada?” (Efésios 4:29, 31) Se desejar se casar, acautele-se contra a pessoa orgulhosa e opiniosa, que nunca está disposta a ceder, ou que sempre exige e manobra para que as coisas sejam feitas a sua própria maneira.

      DESCUBRA ANTES

      16, 17. Que qualidades pode o homem ou a mulher procurar num prospectivo cônjuge?

      16 Na congregação cristã, aqueles a quem se confia responsabilidade precisam ser “primeiro examinados quanto à aptidão”. (1 Timóteo 3:10) Você também pode aplicar esse princípio. Por exemplo, a mulher pode perguntar: “Que tipo de reputação tem esse homem? Quem são seus amigos? Demonstra ter autocontrole? Como trata os idosos? De que tipo de família ele vem? Como se relaciona com ela? Qual é a sua atitude para com o dinheiro? Abusa de bebidas alcoólicas? É temperamental, até mesmo violento? Que responsabilidades congregacionais possui, e como cuida delas? Poderia respeitá-lo profundamente?” — Levítico 19:32; Provérbios 22:29; 31:23; Efésios 5:3-5, 33; 1 Timóteo 5:8; 6:10; Tito 2:6, 7.

      17 O homem poderia perguntar: “Demonstra essa mulher amor e respeito para com Deus? É capaz de cuidar de uma casa? O que a família dela vai esperar de nós? É sensata, diligente, econômica? Sobre que costuma falar? Preocupa-se mesmo com o bem-estar dos outros, ou é egocêntrica, intrometida? É de confiança? Está disposta a submeter-se à chefia, ou é obstinada, talvez até mesmo rebelde?” — Provérbios 31:10-31; Lucas 6:45; Efésios 5:22, 23; 1 Timóteo 5:13; 1 Pedro 4:15.

      18. Se forem percebidas pequenas fraquezas durante o namoro, de que se deve lembrar?

      18 Não se esqueça de que você está tratando com um descendente imperfeito de Adão, não com algum fantasioso herói ou heroína de romance. Todo mundo tem defeitos, e alguns destes terão de ser desconsiderados — tanto os seus como os de seu prospectivo cônjuge. (Romanos 3:23; Tiago 3:2) Ademais, aperceber-se de uma fraqueza pode apresentar uma oportunidade de crescimento. Por exemplo, suponha que durante o namoro vocês tenham uma discussão. Considere: mesmo pessoas que se amam e respeitam discordam, às vezes. (Note Gênesis 30:2; Atos 15:39.) Será que ambos precisam simplesmente ‘dominar o seu espírito’ um pouco mais e aprender a resolver os assuntos mais pacificamente? (Provérbios 25:28) Mostra seu prospectivo cônjuge desejo de melhorar? E você? Poderia aprender a ser menos sensível, menos melindroso? (Eclesiastes 7:9) Aprender a resolver problemas pode estabelecer um padrão de comunicação sincera, essencial caso vocês venham a se casar. — Colossenses 3:13.

      19. Qual seria o proceder sensato a seguir caso venham à tona problemas sérios durante o namoro?

      19 Mas, que dizer se você observar coisas que o perturbam profundamente? Tais dúvidas devem ser consideradas cuidadosamente. Por mais apaixonado que esteja, ou por mais que deseje se casar, não feche os olhos a defeitos graves. (Provérbios 22:3; Eclesiastes 2:14) Se tiver um relacionamento com uma pessoa sobre quem você tem sérias reservas, será sensato descontinuar o relacionamento e não assumir um compromisso sério com ela.

      MANTENHA HONROSO O NAMORO

      20. Como pode o casal de namorados manter a sua conduta moral acima de vitupério?

      20 Como se pode manter honroso o namoro? Primeiro, certifique-se de que a sua conduta moral esteja acima de vitupério. No lugar onde você vive, segurar as mãos, beijar ou abraçar é considerado comportamento adequado para um casal de namorados? Mesmo que tais expressões de afeto não sejam desaprovadas, elas devem ser permitidas apenas quando a relação chegou a um ponto em que o casamento esteja definitivamente nos planos. Cuide para que as demonstrações de afeto não evoluam para conduta impura ou mesmo fornicação. (Efésios 4:18, 19; note Cântico de Salomão 1:2; 2:6; 8:5, 9, 10.) Visto que o coração é traiçoeiro, vocês seriam prudentes se evitassem isolar-se numa casa, num apartamento, num carro estacionado ou em qualquer outro lugar que desse oportunidade para conduta errada. (Jeremias 17:9) Manter seu namoro moralmente limpo dá evidência clara de que você tem autocontrole e que o interesse altruísta no bem-estar do outro está acima de seus próprios desejos. Mais importante ainda, um namoro limpo agradará a Jeová Deus, que ordena a seus servos que se abstenham da impureza e da fornicação. — Gálatas 5:19-21.

      21. Que comunicação honesta pode ser necessária a fim de manter honroso o namoro?

      21 Segundo, o namoro honroso inclui também a comunicação honesta. À medida que seu namoro se encaminha para o casamento, certos assuntos terão de ser considerados francamente. Onde vão morar? Os dois vão trabalhar fora? Vão querer ter filhos? Além disso, é muito justo revelar coisas, talvez do passado de um ou do outro, que possam afetar o casamento. Isso pode incluir grandes dívidas ou obrigações, ou assuntos de saúde, tais como alguma doença grave ou condição física de que a pessoa seja portadora. Visto que muitas pessoas infectadas pelo HIV (o vírus que causa a aids) não apresentam sintomas imediatos, não seria errado que a parte interessada, ou os pais preocupados, exigissem um teste de aids de alguém que, no passado, vivia em promiscuidade sexual ou era usuário de drogas injetáveis. Se o teste der positivo, a pessoa infectada não deve pressionar a outra a continuar a relação, caso ela agora deseje terminá-la. Realmente toda pessoa que no passado tenha levado um estilo de vida de alto risco faria bem em se submeter voluntariamente a um teste de aids antes de iniciar um namoro.

      OLHANDO ALÉM DO DIA DE CASAMENTO

      22, 23. (a) Que perda de equilíbrio poderia haver nos preparativos para a festa de casamento? (b) Que conceito equilibrado deve-se manter com relação à festa de casamento e à posterior vida de casado?

      22 Nos meses que antecedem ao casamento, provavelmente ambos estarão bem atarefados com os preparativos. Você poderá aliviar muito a tensão se for moderado. Uma festa suntuosa poderá agradar a parentes e à comunidade, mas talvez deixe os noivos e seus familiares exaustos e financeiramente arrasados. Seguir certos costumes locais é razoável, mas a submissão servil, e talvez competitiva, a tais costumes pode anuviar o significado e a alegria da ocasião. Embora se deva levar em conta as opiniões de outros, o noivo é o principal responsável de decidir como vai ser a festa de casamento. — João 2:9.

      23 Lembre-se de que a sua festa de casamento dura um dia, mas o seu casamento deve durar a vida inteira. Assim, evite concentrar-se demais no ato de casar-se. Em vez disso, busque a orientação de Jeová Deus, e planeje à frente para a vida de estar casado. Assim você estará bem preparado para um bom casamento.

      a Isso se aplica a países em que o namoro é considerado apropriado para os cristãos.

      b Mesmo na congregação cristã, alguns talvez vivam em cima da linha demarcatória, por assim dizer. Em vez de serem servos de Deus fervorosos, talvez se deixem influenciar pelas atitudes e conduta do mundo. — João 17:16; Tiago 4:4.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A PESSOA A PREPARAR-SE PARA UM BOM CASAMENTO?

      O marido e a esposa têm de assumir um compromisso entre si. — Gênesis 2:24.

      A pessoa interior é mais importante do que a aparência externa. — 1 Pedro 3:3, 4.

      “Não vos ponhais em jugo desigual.” — 2 Coríntios 6:14.

      Pessoas moralmente impuras estão alienadas de Deus. — Efésios 4:18, 19.

      COSTUMES E A BÍBLIA

      Preço de noiva e dote: Em alguns países, espera-se que a família do noivo pague certa quantia à família da noiva (preço de noiva). Em outros, a família da noiva paga à do noivo (dote). Pode não haver nada de errado com esses costumes, se forem legais. (Romanos 13:1) Contudo, em ambos os casos, a família beneficiada deve evitar exigir gananciosamente mais dinheiro ou bens do que o razoável. (Provérbios 20:21; 1 Coríntios 6:10) Ademais, o pagamento do preço de noiva jamais deve ser feito com a ideia de que a esposa é simplesmente uma propriedade adquirida; tampouco deve o marido achar que sua única responsabilidade para com sua esposa e seus parentes afins seja financeira.

      Poligamia: Algumas culturas permitem que o homem tenha mais de uma esposa. Nessa situação, o homem talvez se torne um chefe supremo, em vez de marido e pai. E o casamento polígamo muitas vezes atiça competição entre as esposas. Para os cristãos, a Bíblia permite apenas o estado de solteiro ou a monogamia. — 1 Coríntios 7:2.

      Casamento experimental: Muitos casais afirmam que viver juntos antes do casamento os ajudará a testar a sua compatibilidade. Todavia, o casamento experimental não testa um dos mais cruciais elementos do casamento — o compromisso. Só o casamento oferece o mesmo grau de proteção e segurança para todas as partes — incluindo os filhos que talvez resultem da união. Aos olhos de Jeová Deus, viver juntos sem se casar é fornicação. — 1 Coríntios 6:18; Hebreus 13:4.

  • Duas chaves para um casamento duradouro
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 3

      Duas chaves para um casamento duradouro

      1, 2. (a) O casamento foi planejado para durar quanto tempo? (b) Como isso é possível?

      QUANDO Deus casou o primeiro homem e a primeira mulher, não havia indicação de que a união deles seria apenas temporária. Adão e Eva viveriam juntos para sempre. (Gênesis 2:24) O padrão divino do casamento honroso é a união de um só homem com uma só mulher. Apenas a crassa imoralidade sexual da parte de um, ou de ambos, dá base bíblica para o divórcio com possibilidade de novo casamento. — Mateus 5:32.

      2 É possível que duas pessoas vivam juntas, felizes, por um tempo indefinidamente longo? Sim, e a Bíblia identifica dois fatores, ou chaves, vitais que ajudam a tornar isso possível. Se tanto o marido como a esposa os seguirem, terão aberto a porta para a felicidade e muitas bênçãos. Que chaves são essas?

      A PRIMEIRA CHAVE

      Foto na página 28

      Amor e respeito mútuos garantem um bom casamento

      3. Que três tipos de amor devem os cônjuges cultivar?

      3 A primeira chave é o amor. Curiosamente, a Bíblia identifica diferentes tipos de amor. Um deles é o afeto caloroso e pessoal por alguém, o tipo de amor que existe entre amigos íntimos. (João 11:3) Outro é o amor que se desenvolve entre membros da família. (Romanos 12:10) O terceiro é o amor romântico que a pessoa sente por alguém do sexo oposto. (Provérbios 5:15-20) Naturalmente, todos esses devem ser cultivados pelo marido e pela esposa. Mas existe um quarto tipo de amor, mais importante do que os outros.

      4. Qual é um quarto tipo de amor?

      4 No idioma original das Escrituras Gregas Cristãs, a palavra para este quarto tipo de amor é agápe. Essa palavra ocorre em 1 João 4:8, que diz: “Deus é amor.” De fato, “amamos porque [Deus] nos amou primeiro”. (1 João 4:19) O cristão cultiva esse amor primeiro por Jeová Deus e, daí, pelos seus semelhantes. (Marcos 12:29-31) A palavra agápe é também usada em Efésios 5:2, que diz: “Prossegui andando em amor, assim como também o Cristo vos amou e se entregou por vós.” Jesus disse que esse tipo de amor identificaria seus seguidores verdadeiros: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor [agápe] entre vós.” (João 13:35) Note, também, o uso de agápe em 1 Coríntios 13:13: “Permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor [agápe].”

      5, 6. (a) Por que o amor é maior do que a fé e a esperança? (b) Quais são algumas das razões pelas quais o amor ajudará o casamento a durar?

      5 O que faz com que esse amor agápe seja maior do que a fé e a esperança? Ele é governado por princípios — princípios corretos — encontrados na Palavra de Deus. (Salmo 119:105) Trata-se de um interesse altruísta em fazer à outra pessoa o que é correto e bom aos olhos de Deus, quer essa pessoa pareça merecer isso, quer não. Esse amor habilita os casados a aplicar o conselho da Bíblia: “Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei.” (Colossenses 3:13) Casais amorosos têm e cultivam ‘intenso amor [agápe] um pelo outro, porque o amor cobre uma multidão de pecados’. (1 Pedro 4:8) Note que o amor cobre erros. Não os elimina, visto que nenhum humano imperfeito pode estar isento de erro. — Salmo 130:3, 4; Tiago 3:2.

      6 Quando o casal cultiva esse amor a Deus e um ao outro, seu casamento dura e é feliz, pois “o amor nunca falha”. (1 Coríntios 13:8) O amor é “o perfeito vínculo de união”. (Colossenses 3:14) Como podem você e seu cônjuge cultivar esse tipo de amor? Leiam juntos a Palavra de Deus e falem sobre ela. Estudem o exemplo de amor de Jesus e procurem imitá-lo, pensando e agindo como ele. Além disso, assistam a reuniões cristãs, em que se ensina a Palavra de Deus. E peçam em oração a ajuda de Deus para cultivar esse elevado tipo de amor, que é um dos frutos do espírito santo de Deus. — Provérbios 3:5, 6; João 17:3; Gálatas 5:22; Hebreus 10:24, 25.

      A SEGUNDA CHAVE

      7. O que é respeito, e quem deve mostrá-lo no casamento?

      7 Se o casal realmente se ama, ambos terão também respeito um pelo outro, e o respeito é a segunda chave para um casamento feliz. Respeito é definido como “mostrar consideração pelos outros, honrando-os”. A Palavra de Deus aconselha a todos os cristãos, incluindo maridos e esposas: “Tomai a dianteira em dar honra uns aos outros.” (Romanos 12:10) O apóstolo Pedro escreveu: “Vós, maridos, continuai a morar com [suas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino.” (1 Pedro 3:7) Aconselha-se a esposa a ter “profundo respeito pelo seu marido”. (Efésios 5:33) Quem deseja honrar uma pessoa é bondoso com ela, respeita sua dignidade e seus conceitos, e atende prontamente qualquer pedido razoável que se lhe faça.

      8-10. De que diversas maneiras o respeito ajudará a tornar a união conjugal estável e feliz?

      8 Quem deseja um casamento feliz respeita seu cônjuge ‘não visando, em interesse pessoal, apenas os seus próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os de seu cônjuge’. (Filipenses 2:4) Não procura só o que é bom para si mesmo, o que seria egoísmo. Antes, procura também os melhores interesses de seu cônjuge. De fato, dá prioridade a estes.

      9 O respeito ajudará os casados a aceitar diferenças de pontos de vista. Não é razoável esperar que duas pessoas tenham conceitos idênticos em tudo. O que pode ser importante para o marido pode não ser tão importante assim para a esposa, e o que a esposa gosta pode não ser o que o marido gosta. Mas cada qual deve respeitar os conceitos e as preferências do outro, contanto que estejam dentro dos limites das leis e princípios de Jeová. (1 Pedro 2:16; note Filêmon 14.) Ademais, cada qual deve respeitar a dignidade do outro por não fazer dele alvo de comentários depreciativos ou piadas, em público ou em particular.

      10 Realmente, o amor a Deus e um pelo outro, junto com o respeito mútuo, são duas chaves vitais para um casamento bem-sucedido. Como aplicá-los em alguns dos aspectos mais importantes da vida de casado?

      CHEFIA À MANEIRA DE CRISTO

      11. Biblicamente, quem é o cabeça no casamento?

      11 A Bíblia nos informa que o homem foi criado com atributos que o capacitariam a ser um bom chefe de família. Como tal, o homem seria responsável perante Jeová pelo bem-estar espiritual e físico de sua esposa e de seus filhos. Teria de fazer decisões equilibradas, que refletissem a vontade de Jeová e ser bom exemplo de conduta piedosa. “As esposas estejam sujeitas aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação.” (Efésios 5:22, 23) Contudo, a Bíblia diz que o marido também tem um cabeça, Alguém com autoridade sobre ele. O apóstolo Paulo escreveu: “Quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.” (1 Coríntios 11:3) O marido sábio aprende a exercer a chefia por imitar seu próprio cabeça, Cristo Jesus.

      12. Que ótimo exemplo deu Jesus em mostrar sujeição e no exercício da chefia?

      12 Jesus também tem um cabeça, Jeová, a quem ele corretamente se sujeita. Jesus disse: “Não procuro a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 5:30) Que exemplo excelente! Jesus é “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Ele tornou-se o Messias. Seria o Cabeça da congregação de cristãos ungidos e o Rei escolhido do Reino de Deus, acima de todos os anjos. (Filipenses 2:9-11; Hebreus 1:4) Apesar dessa posição enaltecida e perspectivas tão elevadas, Jesus não era duro, inflexível ou exigente. Não era um tirano, sempre cobrando obediência de seus discípulos. Jesus era amoroso e compassivo, especialmente para com os oprimidos. Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mateus 11:28-30) Era agradável estar em sua companhia.

      13, 14. Como o marido amoroso exercerá a sua chefia, em imitação de Jesus?

      13 O marido que deseja ter uma vida familiar feliz fará bem em observar as excelentes qualidades de Jesus. O bom marido não é duro nem ditatorial, usando a chefia como bordão para intimidar a esposa. Em vez disso, ele a ama e lhe dá honra. Se Jesus era “humilde de coração”, o marido tem razão ainda maior para também ser assim, pois, diferente de Jesus, ele comete erros. Quando erra, ele conta com a compreensão de sua esposa. Assim, o marido humilde admite seus erros, mesmo que seja difícil dizer “desculpe, você tinha razão”. Para a esposa, respeitar a chefia de um marido modesto e humilde é bem mais fácil do que a de um marido orgulhoso e obstinado. Por sua vez, a esposa respeitosa também se desculpa quando erra.

      14 Deus criou a mulher com qualidades excelentes que ela pode usar na sua contribuição para um casamento feliz. O marido sensato reconhece isso e não a reprime. Muitas mulheres tendem a ter maior compaixão e sensibilidade, qualidades necessárias para cuidar de uma família e fortalecer relações humanas. Em geral, a mulher é hábil em tornar o lar um lugar agradável em que viver. A “esposa capaz”, descrita em Provérbios, capítulo 31, tinha muitas qualidades excelentes e ótimos talentos, e sua família derivava pleno benefício deles. Por quê? Porque o coração de seu marido ‘confiava’ nela. — Provérbios 31:10, 11.

      15. Como pode o marido tratar a esposa com amor e respeito semelhantes aos de Cristo?

      15 Em algumas culturas, a autoridade do marido é superdimensionada, a tal ponto que até mesmo fazer-lhe uma pergunta é considerado desrespeitoso. Talvez trate a esposa quase como escrava. Tal exercício errado da chefia resulta em péssimo relacionamento, não só com a esposa, mas também com Deus. (Note 1 João 4:20, 21.) Por outro lado, alguns maridos não assumem a liderança e deixam a esposa governar a família. O marido que corretamente se sujeita a Cristo não explora a esposa nem a priva de sua dignidade. Em vez disso, ele imita o amor abnegado de Jesus e faz como Paulo aconselhou: “Maridos, continuai a amar as vossas esposas, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela.” (Efésios 5:25) O amor de Jesus Cristo por seus seguidores era tão grande que morreu por eles. O bom marido procurará imitar essa atitude altruísta, buscando o bem-estar de sua esposa, em vez de ser exigente com ela. Quando o marido se sujeita a Cristo e demonstra amor e respeito semelhantes ao Dele, a esposa sente-se motivada a ser submissa ao marido. — Efésios 5:28, 29, 33.

      SUJEIÇÃO DA ESPOSA

      16. Que qualidades deve a esposa manifestar na sua relação com o marido?

      16 Algum tempo depois de Adão ter sido criado, Jeová Deus disse: “Não é bom que o homem continue só. Vou fazer-lhe uma ajudadora como complemento dele.” (Gênesis 2:18) Deus criou Eva como “complemento”, não como competidora. O casamento não deveria ser como um navio com dois comandantes rivais. Ao marido caberia a chefia amorosa e, à esposa, manifestar amor, respeito e sujeição voluntária.

      17, 18. De que diversas maneiras pode a esposa ser verdadeira ajudadora do marido?

      17 Contudo, a boa esposa é mais do que apenas submissa. Ela procura ser verdadeira ajudadora, apoiando as decisões do marido. Naturalmente, isso é mais fácil quando ela concorda com as decisões dele. Mas, mesmo quando isso não acontece, seu apoio pleno poderá colaborar para que a decisão dele tenha um final melhor.

      18 Há ainda outras maneiras de a esposa ajudar seu marido a ser um bom cabeça. Ela pode expressar apreço pelos seus empenhos em tomar a dianteira, em vez de criticá-lo, ou levá-lo a achar que jamais poderá satisfazê-la. Ao tratar com seu marido de maneira positiva, ela deve lembrar-se de que ‘um espírito quieto e brando é de grande valor aos olhos de Deus’, não apenas aos olhos do marido. (1 Pedro 3:3, 4; Colossenses 3:12) E se o marido é descrente? Seja como for, as Escrituras incentivam as esposas a “amarem seus maridos, . . . amarem seus filhos, . . . serem ajuizadas, castas, operosas em casa, boas, sujeitando-se aos seus próprios maridos, para que não se fale da palavra de Deus de modo ultrajante”. (Tito 2:4, 5) Se surgirem assuntos de consciência, é mais provável que o marido descrente respeite o conceito de sua esposa se este for apresentado com “temperamento brando e profundo respeito”. Alguns maridos descrentes foram “ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito”. — 1 Pedro 3:1, 2, 15; 1 Coríntios 7:13-16.

      19. Que fazer caso o marido exija da esposa algo que viole a lei de Deus?

      19 Que fazer caso o marido exija da esposa algo proibido por Deus? Se isso acontecer, ela terá de lembrar-se de que Deus é seu Governante supremo. Ela toma como exemplo a atitude dos apóstolos quando as autoridades exigiram deles que violassem a lei de Deus. Atos 5:29 relata: “Pedro e os outros apóstolos disseram: ‘Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.’”

      BOA COMUNICAÇÃO

      20. Cite um dos aspectos vitais em que o amor e o respeito são essenciais.

      20 O amor e o respeito são essenciais em ainda outro aspecto do casamento: a comunicação. O marido amoroso conversa com a esposa a respeito das atividades dela, seus problemas, seus conceitos sobre assuntos diversos. Ela precisa disso. O marido que toma tempo para falar com a esposa e realmente escuta o que ela diz demonstra seu amor e respeito por ela. (Tiago 1:19) Algumas esposas queixam-se de que seus maridos conversam muito pouco com elas. Isso é triste. É verdade que nestes tempos corridos o marido talvez trabalhe muitas horas fora de casa, e a situação financeira talvez obrigue a esposa a também ter um emprego. Mas o casal precisa reservar tempo um para o outro. Senão, podem ficar independentes um do outro. Poderiam surgir problemas sérios caso se sentissem compelidos a buscar o companheirismo de alguém compreensivo fora do casamento.

      21. De que maneira os bons modos no falar ajudam a manter um casamento feliz?

      21 O modo como esposas e maridos se comunicam é importante. “Declarações afáveis são . . . doces para a alma e uma cura para os ossos.” (Provérbios 16:24) Quer o cônjuge seja crente, quer não, o conselho bíblico se aplica: “Vossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal”, isto é, com bom gosto. (Colossenses 4:6) Se um dos dois teve um dia difícil, umas poucas palavras bondosas e compreensivas da parte do outro podem realizar um grande bem. “Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo para ela.” (Provérbios 25:11) O tom da voz e a escolha de palavras são importantíssimos. Por exemplo, alguém poderia dizer de maneira irritada e ditatorial: “Feche essa porta!” Mas, bem mais ‘temperado com sal’ seria dizer, com voz calma e compreensiva: “Poderia fazer o favor de fechar a porta?”

      22. Que atitudes devem os casais ter a fim de manter boa comunicação?

      22 A boa comunicação prospera num ambiente de palavras gentis, olhares e gestos afáveis, bondade, compreensão e ternura. Por empenharem-se a fundo em manter boa comunicação, tanto o marido como a esposa se sentirão à vontade para expressar suas necessidades, e eles podem ser fontes de consolo e de ajuda mútuos em tempos de desapontamentos ou tensão. “Falai consoladoramente às almas deprimidas”, exorta a Palavra de Deus. (1 Tessalonicenses 5:14) Haverá ocasiões em que o marido estará abatido, e outras em que a esposa estará assim. Eles podem ‘falar consoladoramente’, edificando-se mutuamente. — Romanos 15:2.

      23, 24. De que ajuda são o amor e o respeito em casos de desacordo? Exemplifique.

      23 Os cônjuges que manifestam amor e respeito não encaram todo desacordo como grande problema. Farão esforço para não ‘se irarem amargamente’ um contra o outro. (Colossenses 3:19) Ambos devem lembrar-se de que “uma resposta, quando branda, faz recuar o furor”. (Provérbios 15:1) Não menospreze nem condene o cônjuge quando ele desabafa sentimentos profundos. Em vez disso, encare tais expressões como oportunidade de compreender o ponto de vista do outro. Juntos, procurem resolver as diferenças e chegar a conclusões harmoniosas.

      24 Lembre-se da ocasião em que Sara recomendou a seu marido, Abraão, uma solução de certo problema que não coincidia com a opinião dele. No entanto, Deus disse a Abraão: “Escuta a sua voz.” (Gênesis 21:9-12) Abraão fez isso, e foi abençoado. Similarmente, se a esposa sugere algo diferente do que o marido tenciona, ele deve, pelo menos, ouvi-la. Ao mesmo tempo, a esposa não deve dominar a conversa, mas sim ouvir o que o marido tem a dizer. (Provérbios 25:24) Insistir o marido ou a esposa em que as coisas sempre sejam feitas à sua própria maneira é desamoroso e desrespeitoso.

      25. Como a boa comunicação contribuirá para a felicidade nos aspectos íntimos da vida conjugal?

      25 A boa comunicação é importante também no relacionamento sexual do casal. O egoísmo e a falta de autocontrole podem prejudicar seriamente essa mais íntima relação no casamento. Comunicação franca, junto com paciência, são essenciais. Quando cada qual procura altruisticamente o bem-estar do outro, o sexo raramente é problema grave. Nesse e em outros assuntos, “que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa”. — 1 Coríntios 7:3-5; 10:24.

      26. Apesar de todo casamento ter seus altos e baixos, de que modo escutar a Palavra de Deus ajuda os casais a serem felizes?

      26 Que excelentes conselhos dá a Palavra de Deus! É verdade que todo casamento terá seus altos e baixos. Mas, quando o casal segue o modo de pensar de Jeová, revelado na Bíblia, e baseia sua relação no amor baseado em princípios e no respeito, pode confiar que seu casamento será duradouro e feliz. Assim, honrarão não apenas um ao outro, mas também o Originador do casamento, Jeová Deus.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . O CASAL A TER UM CASAMENTO DURADOURO E FELIZ?

      Os cristãos verdadeiros têm amor entre si. — João 13:35.

      Os cristãos estão prontos a perdoar uns aos outros. — Colossenses 3:13.

      Existe uma ordem correta de chefia. — 1 Coríntios 11:3.

      É importante dizer a coisa certa da maneira certa. — Provérbios 25:11.

  • Como dirigir uma família?
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 4

      Como dirigir uma família?

      1. Por que pode ser tão difícil dirigir uma família hoje?

      “ESTÁ mudando a cena deste mundo.” (1 Coríntios 7:31) Essas palavras foram escritas há mais de 1.900 anos, e como são reais hoje! As coisas estão mudando, especialmente com relação à vida familiar. Muitas coisas consideradas normais ou tradicionais há 40 ou 50 anos hoje são inaceitáveis. Por isso, dirigir bem uma família pode ser um enorme desafio. No entanto, pela aplicação de conselhos bíblicos você poderá vencer esses desafios.

      VIVA DENTRO DE SEUS RECURSOS

      2. Que circunstâncias econômicas causam tensão na família?

      2 Muitos não se contentam mais com uma vida simples, voltada para a família. À medida que o mundo comercial produz cada vez mais produtos e usa suas técnicas de propaganda para tentar engodar o público, milhões de pais e mães gastam longas horas no trabalho para poderem comprar esses produtos. Outros milhões lutam diariamente apenas para ter o que comer. Precisam trabalhar muito mais tempo do que no passado, talvez em dois empregos, apenas para adquirir as necessidades. Ainda outros se contentariam em simplesmente encontrar um emprego, pois o desemprego é um problema amplo. Sim, a vida nem sempre é fácil para a família moderna, mas os princípios bíblicos podem ajudar as famílias a dar o seu melhor.

      3. Que princípio explicou o apóstolo Paulo, e como pode a sua aplicação ajudar a pessoa a dirigir bem uma família?

      3 O apóstolo Paulo sofreu pressões econômicas. Com isso, ele aprendeu uma lição valiosa, que ele explica na carta ao seu amigo Timóteo. Paulo escreve: “Não trouxemos nada ao mundo, nem podemos levar nada embora. Assim, tendo sustento e com que nos cobrir, estaremos contentes com estas coisas.” (1 Timóteo 6:7, 8) É verdade que as famílias não precisam só de alimentos e de roupa. Precisam também de um lugar para morar. Os filhos precisam estudar. E há despesas médicas e outras. Ainda assim, o princípio das palavras de Paulo se aplica. Se estivermos contentes em suprir nossas necessidades em vez de satisfazer nossos desejos, a vida será mais fácil.

      4, 5. Como podem a previsão e o planejamento ajudar a dirigir uma família?

      4 Outro princípio útil se acha numa das ilustrações de Jesus. Disse ele: “Quem de vós, querendo construir uma torre, não se assenta primeiro e calcula a despesa, para ver se tem bastante para completá-la?” (Lucas 14:28) Jesus falava aqui de previsão, planejamento. Vimos num outro capítulo como isso é útil para um jovem par que pensa em se casar. E, depois do casamento, é também útil para dirigir uma família. Previsão nessa área significa ter um orçamento, programar com antecedência o uso dos recursos da maneira mais inteligente possível. A família pode assim controlar as despesas, reservando dinheiro para os essenciais de cada dia ou de cada semana — sem ir além de seus recursos.

      5 Há países em que fazer um orçamento pode significar ter de resistir ao impulso de levantar empréstimos a juros elevados para compras desnecessárias. Em outros, pode significar ser estrito no uso dos cartões de crédito. (Provérbios 22:7) Pode também significar conter o ímpeto de comprar impulsivamente, sem pesar necessidades e consequências. Ademais, um orçamento deixará claro que gastar dinheiro egoisticamente no jogo, com cigarro e bebidas prejudica a situação econômica da família, além de violar princípios bíblicos. — Provérbios 23:20, 21, 29-35; Romanos 6:19; Efésios 5:3-5.

      6. Que verdades bíblicas podem consolar os que são obrigados a viver na pobreza?

      6 Mas que dizer dos que são obrigados a viver na pobreza? Por um lado, podem consolar-se sabendo que esse problema mundial é apenas temporário. No iminente novo mundo, Jeová eliminará a pobreza, junto com todos os outros males que afligem a humanidade. (Salmo 72:1, 12-16) No ínterim, os cristãos verdadeiros, mesmo que sejam muito pobres, não se desesperam, pois têm fé na promessa de Jeová: “De modo algum te deixarei e de modo algum te abandonarei.” Assim, quem crê nisso pode dizer, confiante: “Jeová é o meu ajudador; não terei medo.” (Hebreus 13:5, 6) Nestes tempos difíceis, Jeová tem apoiado seus adoradores de muitas maneiras, quando estes vivem segundo Seus princípios e dão primazia ao Seu Reino. (Mateus 6:33) Muitos deles podem atestar isso, dizendo, como o apóstolo Paulo: “Em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo tanto de estar suprido como de ter fome, tanto de ter abundância como de sofrer carência. Para todas as coisas tenho força em virtude daquele que me confere poder.” — Filipenses 4:12, 13.

      PARTILHANDO A CARGA

      Fotos na página 42

      Cuidar de uma casa é tarefa da família inteira

      7. Que palavras de Jesus, se forem aplicadas, ajudarão a dirigir bem uma família?

      7 No fim de seu ministério terrestre, Jesus disse: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:39) Aplicar esse conselho ajuda enormemente a dirigir uma família. Afinal, quem nos é mais próximo e querido? Não são aqueles que moram conosco — marido, esposa, pais e filhos? Como os membros da família podem tratar-se com amor?

      8. Como se pode expressar amor na família?

      8 Uma maneira é cada membro da família dar a sua contribuição nas tarefas da casa. Assim, é preciso ensinar às crianças a guardar as coisas depois de usá-las, sejam roupas ou brinquedos. Pode exigir tempo e esforço arrumar a cama todas as manhãs, mas isso alivia muito o trabalho de cuidar de uma casa. Naturalmente, alguma desarrumação pequena ou temporária é inevitável, mas todos podem cooperar para manter a casa razoavelmente em ordem e em lavar a louça e arrumar as coisas após as refeições. A preguiça, o comodismo e um espírito de má vontade e relutância exercem um efeito negativo sobre todos. (Provérbios 26:14-16) Por outro lado, um espírito alegre e disposto promove a vida familiar feliz. “Deus ama o dador animado.” — 2 Coríntios 9:7.

      9, 10. (a) Que carga muitas vezes recai sobre a mulher, e como se pode aliviá-la? (b) Que conceito equilibrado sobre tarefas domésticas se sugere?

      9 O espírito de consideração e de amor ajudará a evitar o que é um problema grave em alguns lares. As mães tradicionalmente têm sido o esteio da vida no lar. Cuidam dos filhos, limpam a casa, lavam a roupa e compram e preparam os alimentos. Em alguns países, as mulheres também trabalham na lavoura, vendem produtos na feira ou contribuem de outras maneiras para o orçamento doméstico. Mesmo onde não era assim no passado, a necessidade compele milhões de mulheres casadas a trabalhar fora. A esposa e mãe que trabalha duro nessas diferentes áreas merece elogios. Como a “esposa capaz” descrita na Bíblia, a sua vida é bem atarefada. Ela “não come o pão da preguiça”. (Provérbios 31:10, 27) Mas isso não significa que a mulher seja a única que pode executar tarefas domésticas. Depois que tanto o marido como a esposa trabalharam o dia todo fora de casa, deveria a esposa sozinha levar a carga de trabalho em casa, enquanto o marido e o resto da família descansam? Certamente que não. (Note 2 Coríntios 8:13, 14.) Assim, por exemplo, se a mãe vai preparar a refeição, talvez se sinta grata de que outros membros da família deem uma ajuda, pondo a mesa, fazendo compras ou limpando a casa. Sim, todos podem partilhar da responsabilidade. — Note Gálatas 6:2.

      10 Alguns talvez digam: “Onde eu vivo essas coisas não são serviço de homem.” Pode ser, mas não seria bom analisar esse assunto? Quando Jeová Deus criou a família, ele não disse que certos serviços deviam ser executados apenas por mulheres. Certa ocasião, quando o fiel Abraão foi visitado por mensageiros especiais de Jeová, ele ajudou pessoalmente a preparar e servir uma refeição para os visitantes. (Gênesis 18:1-8) A Bíblia aconselha: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos.” (Efésios 5:28) Se no fim do dia o marido está cansado e quer descansar, não é provável que a esposa também esteja cansada, talvez até mais do que ele? (1 Pedro 3:7) Assim, não seria apropriado e amoroso o marido ajudar nos serviços em casa? — Filipenses 2:3, 4.

      11. Que bom exemplo deu Jesus a cada membro de família?

      11 Jesus é o melhor exemplo de alguém que agradou a Deus e trouxe felicidade a seus associados. Embora não se tenha casado, é um bom exemplo para os maridos, bem como para as esposas e os filhos. Ele disse a respeito de si mesmo: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar”, ou seja, servir outros. (Mateus 20:28) Como é agradável a família em que todos os seus membros cultivam essa atitude!

      POR QUE A LIMPEZA É TÃO IMPORTANTE?

      12. O que exige Jeová dos que o servem?

      12 Outro princípio bíblico que pode ser útil no lar acha-se em 2 Coríntios 7:1, onde lemos: “Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito.” Os que acatam essas palavras inspiradas são aceitáveis a Jeová, que exige ‘adoração pura e imaculada’. (Tiago 1:27) E suas famílias recebem os benefícios derivados disso.

      13. Por que é importante a limpeza nos cuidados de uma família?

      13 Por exemplo, a Bíblia garante-nos que virá o dia em que não haverá mais doenças. Naquele tempo, “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” (Isaías 33:24; Revelação [Apocalipse] 21:4, 5) Mas, até lá, toda família terá ocasionalmente algum problema de saúde. Até mesmo Paulo e Timóteo adoeciam. (Gálatas 4:13; 1 Timóteo 5:23) Contudo, segundo os sanitaristas, muitas doenças são evitáveis. Famílias bem informadas escapam de certas doenças desse tipo evitando a sujeira física e espiritual. Vejamos como. — Note Provérbios 22:3.

      14. Como pode a pureza moral proteger a família contra doenças?

      14 A pureza de espírito inclui a limpeza moral. Como é bem conhecido, a Bíblia defende elevados padrões de moral e condena qualquer tipo de intimidade sexual fora do casamento. “Nem fornicadores, . . . nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens, . . . herdarão o reino de Deus.” (1 Coríntios 6:9, 10) Observar esses padrões estritos é muito importante para os cristãos que vivem neste mundo degenerado. Fazer isso agrada a Deus e também ajuda a proteger a família contra doenças sexualmente transmissíveis, como aids, sífilis, gonorreia e infecções por clamídia. — Provérbios 7:10-23.

      15. Dê um exemplo de poluição física que pode desnecessariamente causar doenças.

      15 ‘Purificar-se de toda imundície da carne’ também ajuda a proteger a família contra outras doenças. Muitas dessas são causadas pela poluição física. Um dos principais exemplos é o vício do fumo. Fumar não só polui os pulmões, a roupa e o próprio ar, mas também faz as pessoas adoecerem. Milhões morrem todos os anos porque fumaram tabaco. Pense nisso: todos os anos, milhões de pessoas não teriam adoecido nem morrido prematuramente se tivessem evitado essa ‘imundície da carne’!

      16, 17. (a) Que lei de Jeová protegia os israelitas contra certas doenças? (b) Como pode o princípio de Deuteronômio 23:12, 13 ser aplicado a todas as famílias?

      16 Veja outro exemplo. Uns 3.500 anos atrás, Deus deu à nação de Israel a sua Lei, para organizar a adoração deles e, até certo ponto, o seu cotidiano. Essa Lei ajudava a proteger a nação contra as doenças por estabelecer algumas regras básicas de higiene. Uma dessas regulamentava a destinação do excremento humano, que tinha de ser corretamente enterrado fora do acampamento para não poluir a área em que o povo habitava. (Deuteronômio 23:12, 13) Essa antiga lei ainda é boa. Mesmo hoje, muitos adoecem e morrem por não segui-la.a

      17 Em harmonia com o princípio por trás dessa lei israelita, as instalações sanitárias da família — sejam dentro ou fora da casa — devem ser mantidas limpas e desinfetadas. Se o vaso sanitário ou outras instalações não forem mantidos limpos e cobertos, isso ajuntará moscas que espalharão bactérias para outras áreas da casa — e para os alimentos que ingerimos. Ademais, crianças e adultos devem lavar as mãos depois de usar o banheiro. Senão, sairão de lá com bactérias na pele. Segundo uma médica francesa, lavar as mãos “ainda é uma das melhores garantias de prevenção contra certas infecções da pele ou dos aparelhos digestivo e respiratório”.

       Foto na página 47

      Manter limpas as coisas custa menos do que remédios

      18, 19. O que se sugere para manter limpa a casa mesmo numa região pobre?

      18 É verdade que a limpeza é um desafio para quem vive numa região pobre. Um conhecedor de localidades assim explicou: “O calor opressivo torna o trabalho de limpeza duplamente difícil. Tempestades de pó cobrem cada fresta da casa com fino pó marrom. . . . As crescentes populações urbanas, bem como em algumas áreas rurais, também criam riscos à saúde. Esgotos abertos, montes de lixo não recolhido, banheiros comunitários imundos, ratos portadores de doenças, baratas e moscas tornaram-se vistas comuns.”

      19 Manter a limpeza sob tais condições é difícil. Mesmo assim, vale a pena. Sabão e água e um pouco de trabalho extra custam menos do que remédios e despesas de hospital. Se você mora num lugar assim, dentro do possível, mantenha a sua própria casa e quintal limpos e livres de excrementos de animais. Se o acesso à sua casa fica enlameado nas temporadas de chuva, poderia cobri-lo com cascalho ou pedras para manter a lama fora de casa? Não seria bom tirar os sapatos ou as sandálias antes de entrar na casa? Também, é preciso manter sem contaminação o seu reservatório de água. Calcula-se que pelo menos 2 milhões de mortes por ano são causadas por doenças relacionadas com água suja e mau saneamento.

      20. Quem deve partilhar da responsabilidade de manter limpa a casa?

      20 Uma casa limpa depende de todos — da mãe, do pai, dos filhos e dos visitantes. Uma mãe de oito filhos, no Quênia, disse: “Todos aprenderam a fazer a sua parte.” Uma casa limpa e bem arrumada reflete bem sobre a família inteira. Diz um provérbio espanhol: “Pobreza e limpeza não são incompatíveis.” Seja mansão, apartamento, casa humilde ou barraco, a limpeza é uma das chaves para uma família mais sadia.

      O ENCORAJAMENTO NOS ANIMA

      21. Segundo Provérbios 31:28, o que contribuirá para a felicidade da família?

      21 Falando da esposa capaz, o livro de Provérbios diz: “Seus filhos se levantaram e passaram a chamá-la feliz; seu dono se levanta e a louva.” (Provérbios 31:28) Quando foi a última vez que você elogiou um membro de sua família? Realmente, nós somos como plantas que florescem na primavera assim que recebem um pouco de calor e umidade. No nosso caso, precisamos do calor do elogio. É bom a esposa saber que o marido aprecia seu desvelo e trabalho árduo, e que reconhece seus esforços. (Provérbios 15:23; 25:11) E é reconfortante quando a esposa elogia o marido pelo seu trabalho fora e dentro de casa. Os filhos também se animam quando os pais os elogiam pelos seus empenhos em casa, na escola ou na congregação cristã. E quanto vale um pequeno agradecimento! O que custa dizer “obrigado”? Bem pouco, mas pode levantar muito o ânimo da família.

      22. O que é preciso para que uma família seja ‘firmemente estabelecida’, e como se pode conseguir isso?

      22 Por muitas razões, dirigir uma família não é fácil. Mesmo assim, pode-se ter sucesso. Um provérbio bíblico diz: “Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento.” (Provérbios 24:3) Pode-se adquirir sabedoria e discernimento quando todos na família se esforçam em aprender a vontade de Deus e em aplicá-la na vida. Ter uma família feliz certamente compensa o esforço!

      a Um manual da Organização Mundial da Saúde sobre como evitar a diarreia — uma doença comum que causa a morte de muitas crianças — diz: “Se não houver latrina: defeque longe de casa e de áreas em que as crianças brincam, e pelo menos a 10 metros do reservatório de água; cubra as fezes com terra.”

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A CUIDAR DE UMA FAMÍLIA?

      É sábio estar satisfeito com as necessidades da vida. — 1 Timóteo 6:7, 8.

      Jeová não abandona os que o servem. — Hebreus 13:5, 6.

      O amor ao próximo é uma notável qualidade cristã. — Mateus 22:39.

      Os cristãos mantêm-se limpos física e espiritualmente. — 2 Coríntios 7:1.

      ÁGUA LIMPA, BOA SAÚDE

      A Organização Mundial da Saúde dá boas sugestões para quem vive em países em que é difícil conseguir água limpa e em que as condições sanitárias são primitivas.

      “Recolha e armazene água potável em recipientes limpos. Cubra o recipiente e não permita que as crianças ou os animais bebam nele. . . . Retire água apenas com uma concha de cabo longo, usada exclusivamente para esse fim. Esvazie e enxágue diariamente o recipiente.

      “Ferva a água que será usada para preparar alimentos e bebidas para as crianças. . . . Basta ferver a água por alguns segundos.”

  • Ensine seu filho desde a infância
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 5

      Ensine seu filho desde a infância

      1, 2. De quem devem os pais buscar ajuda para educar os filhos?

      “OS FILHOS são uma herança da parte de Jeová”!, exclamou um pai apreciativo, uns 3 mil anos atrás. (Salmo 127:3) De fato, a alegria de ser pai ou mãe é uma recompensa preciosa de Deus, disponível à maioria dos casados. Contudo, quem tem filhos logo se apercebe de que, além da alegria, ser pai ou mãe traz responsabilidades.

      2 Especialmente hoje, criar filhos é uma tarefa desafiadora. Não obstante, muitos fazem isso com sucesso, e o salmista inspirado aponta o caminho: “A menos que o próprio Jeová construa a casa, é fútil que seus construtores trabalhem arduamente nela.” (Salmo 127:1) Quanto mais à risca você seguir as instruções de Jeová, tanto melhor pai ou mãe você será. A Bíblia diz: “Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão.” (Provérbios 3:5) Está disposto a acatar os conselhos de Jeová nesse projeto de 20 anos que é educar uma criança?

      ACEITE O CONCEITO DA BÍBLIA

      3. Que responsabilidade tem o pai na educação dos filhos?

      3 Em muitos lares ao redor do mundo, os homens encaram a educação dos filhos como tarefa essencialmente feminina. É verdade que a Palavra de Deus indica o pai como principal arrimo da família. Mas ela diz também que ele tem responsabilidades no lar. A Bíblia diz: “Prepara a tua obra portas afora e apronta-a para ti no campo. Depois tens de edificar também os da tua casa.” (Provérbios 24:27) Para Deus, pai e mãe são parceiros na educação dos filhos. — Provérbios 1:8, 9.

      4. Por que não devemos achar que os meninos sejam superiores às meninas?

      4 Como encara seus filhos? Relatórios indicam que na Ásia “bebês do sexo feminino muitas vezes não são bem-vindos”. Preconceito contra meninas alegadamente ainda existe na América Latina, até entre “famílias mais esclarecidas”. Mas a verdade é que meninas não são crianças de segunda classe. Jacó, um pai famoso da Antiguidade, referiu-se a toda a sua prole, incluindo as filhas nascidas até então, como “filhos com que Deus [me] tem favorecido”. (Gênesis 33:1-5; 37:35) Similarmente, Jesus abençoou todas as “criancinhas” (meninos e meninas) que foram levadas a ele. (Mateus 19:13-15) Com certeza ele refletia o conceito de Jeová. — Deuteronômio 16:14.

      5. Que fatores devem governar a decisão do casal no que tange ao tamanho da família?

      5 É comum onde você vive esperar que a mulher tenha o maior número possível de filhos? O número de filhos que cada casal terá é, apropriadamente, um assunto de decisão pessoal do casal. E se os pais não tiverem meios para alimentar, vestir e educar muitos filhos? O casal certamente deve levar isso em conta ao decidir o tamanho da família. Alguns casais que não conseguem sustentar todos seus filhos confiam a parentes a responsabilidade de criar alguns deles. É desejável essa prática? Realmente não. E isso não libera os pais da obrigação para com seus filhos. A Bíblia diz: “Se alguém não fizer provisões para os seus próprios, e especialmente para os membros de sua família, tem repudiado a fé.” (1 Timóteo 5:8) Casais responsáveis tentam planejar o tamanho de sua “família”, para poderem ‘fazer provisões para os seus’. Podem eles praticar o controle da natalidade para esse fim? Isso também é assunto de decisão pessoal, e caso o casal decida fazer isso, a escolha do contraceptivo é igualmente assunto pessoal. “Cada um levará a sua própria carga.” (Gálatas 6:5) Contudo, o controle da natalidade que envolva qualquer forma de aborto contraria os princípios bíblicos. Jeová Deus é “a fonte da vida”. (Salmo 36:9) Por conseguinte, destruir uma vida depois de ter sido concebida é crasso desrespeito a Jeová e equivale a assassinato. — Êxodo 21:22, 23; Salmo 139:16; Jeremias 1:5.

      SUPRIR AS NECESSIDADES DA CRIANÇA

      6. Quando deve começar a educação da criança?

      6 Provérbios 22:6 diz: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele.” Educar os filhos é mais um dos principais deveres parentais. Mas quando deve começar o treinamento? Bem cedo. O apóstolo Paulo observou que Timóteo havia sido ensinado “desde a infância”. (2 Timóteo 3:15) A palavra grega usada aqui pode referir-se a um bebezinho, ou até mesmo a uma criança por nascer. (Lucas 1:41, 44; Atos 7:18-20) Assim, Timóteo foi, apropriadamente, treinado desde bem cedo. A primeira infância é o tempo ideal para começar a educar uma criança. Até mesmo um bebezinho tem fome de conhecimento.

      7. (a) Por que é importante que pai e mãe criem uma estreita relação com o bebê? (b) Que relação existia entre Jeová e seu Filho unigênito?

      7 “Quando vi meu bebê pela primeira vez”, diz certa mãe, “apaixonei-me por ele”. Isso acontece com a maioria das mães. Esse belo vínculo entre mãe e bebê se acentua com a convivência após o nascimento. Amamentar aumenta essa intimidade. (Note 1 Tessalonicenses 2:7.) Os carinhos da mãe e sua conversa com o bebê são essenciais para suprir as necessidades emocionais dele. (Note Isaías 66:12.) Mas que dizer do pai? Ele também deve formar um estreito vínculo com a criança. O próprio Jeová é exemplo disso. O livro de Provérbios fala da relação existente entre Jeová e seu Filho unigênito, a quem se atribuem estas palavras: “O próprio Jeová me produziu como princípio do seu caminho . . . e vim a ser aquele de quem ele gostava especialmente de dia a dia.” (Provérbios 8:22, 30; João 1:14) Similarmente, o bom pai cultiva um relacionamento cordial e carinhoso desde bem cedo na vida da criança. “Não economize demonstrações de afeto”, diz certo pai. “Nenhuma criança até hoje morreu de abraços e beijos.”

      8. Que estímulo mental devem os pais dar ao bebê o mais cedo possível?

      8 Mas o bebê precisa de mais. Desde o nascimento, seu cérebro está preparado para receber e armazenar informações, e os pais são a fonte primária disso. Tome a fala como exemplo. Segundo os pesquisadores, a capacidade da criança de aprender a falar e a ler “supostamente está relacionada intimamente com a qualidade da interação original da criança com os seus pais”. Fale com a criança e leia para ela desde bem pequenina. Em pouco tempo ela desejará imitá-lo e, logo, você estará ensinando-a a ler. Provavelmente, saberá ler antes de entrar na escola. Isso será especialmente útil se você vive num país de poucos professores e salas de aula superlotadas.

      9. Qual é o objetivo mais importante que os pais devem ter em mente?

      9 O principal interesse dos pais cristãos é suprir as necessidades espirituais dos filhos. (Veja Deuteronômio 8:3.) Com que objetivo? Ajudar a criança a desenvolver uma personalidade cristã, ou seja, revestir-se da “nova personalidade”. (Efésios 4:24) Para isso, terão de usar os materiais e métodos de construção corretos.

      INCULQUE A VERDADE NA CRIANÇA

      10. Que qualidades os filhos precisam desenvolver?

      10 A qualidade de uma construção depende em boa parte do tipo de materiais usados. O apóstolo Paulo disse que os melhores materiais para a construção de personalidades cristãs são “ouro, prata, pedras preciosas”. (1 Coríntios 3:10-12) Esses representam qualidades tais como fé, sabedoria, discernimento, lealdade, respeito e apreço amoroso por Jeová e suas leis. (Salmo 19:7-11; Provérbios 2:1-6; 3:13, 14) Como podem os pais ajudar os filhos desde a tenra infância a desenvolver essas qualidades? Por seguirem um procedimento delineado muito tempo atrás.

      11. Como os pais israelitas ajudavam os filhos a desenvolver a personalidade piedosa?

      11 Pouco antes da entrada da nação de Israel na Terra Prometida, Jeová disse aos pais israelitas: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:6, 7) Sim, os pais precisam ser exemplos, companheiros, comunicadores e instrutores.

      12. Por que é vital que os pais sejam bons exemplos?

      12 Seja exemplo. Primeiro, Jeová disse: “Estas palavras . . . têm de estar sobre o teu coração.” Daí, acrescentou: “Tens de inculcá-las a teu filho.” Portanto, as qualidades piedosas precisam estar primeiro no coração dos pais. Eles têm de amar a verdade e viver à altura dela. Só assim podem tocar o coração da criança. (Provérbios 20:7) Por quê? Porque as crianças são influenciadas mais pelo que veem do que pelo que ouvem. — Lucas 6:40; 1 Coríntios 11:1.

      13. Quanto a dar atenção aos filhos, que exemplo de Jesus podem os pais imitar?

      13 Seja companheiro. Jeová disse aos pais em Israel: ‘Tens de falar aos teus filhos sentado na tua casa e andando pela estrada.’ Isso exige passar tempo com os filhos, independentemente de quão ocupados os pais estejam. Jesus evidentemente achava que as crianças mereciam o seu tempo. Nos dias finais de seu ministério, “as pessoas começaram então a trazer-lhe criancinhas, para que as tocasse”. Como reagiu Jesus? “Tomou as criancinhas nos seus braços e começou a abençoá-las.” (Marcos 10:13, 16) Imagine, as horas finais da vida de Jesus se esgotavam. Ainda assim, ele concedeu àquelas crianças tempo e atenção. Que excelente lição!

      14. Por que é benéfico que os pais passem tempo com os filhos?

      14 Seja comunicativo. Passar tempo com a criança ajudará você a comunicar-se com ela. Quanto mais se comunicar, tanto melhor discernirá o grau de desenvolvimento da personalidade da criança. Mas, lembre-se, comunicar-se é mais do que apenas falar. “Tive de desenvolver a arte de escutar”, disse uma mãe no Brasil, “escutar com o coração”. A sua paciência produziu frutos quando seu filho passou a falar sobre seus sentimentos com ela.

      15. De que se deve lembrar quando o assunto é recreação?

      15 As crianças precisam de ‘tempo para rir e tempo para saltitar’, um tempo para recreação. (Eclesiastes 3:1, 4; Zacarias 8:5) A recreação é muito positiva quando pais e filhos participam. É lamentável que em muitas casas recreação signifique ver televisão. Embora haja programas de televisão divertidos, muitos destroem bons valores, e ver televisão tende a cortar a comunicação na família. Assim, por que não faz algo criativo com seus filhos? Cantem, joguem, associem-se com amigos, visitem lugares aprazíveis. Essas atividades promovem a comunicação.

      16. O que devem os pais ensinar a respeito de Jeová, e como devem fazer isso?

      16 Seja instrutor. ‘Tens de inculcar essas palavras a teu filho’, disse Jeová. O contexto diz o que e como ensinar. Primeiro, “tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital”. (Deuteronômio 6:5) Daí, ‘tens de inculcar estas palavras’. Ensine visando desenvolver amor sincero e profundo por Jeová e suas leis. (Note Hebreus 8:10.) A palavra “inculcar” significa ensinar por repetição. Assim, na verdade, o que Jeová diz é que a principal maneira de ajudar os filhos a desenvolver a personalidade piedosa é falar com frequência e de modo coerente a respeito Dele. Isso inclui estudar a Bíblia regularmente com eles.

      Fotos na página 57

      Pais, sejam exemplos, companheiros, comunicadores e instrutores

      17. O que os pais talvez necessitem desenvolver em seus filhos? Por quê?

      17 A maioria dos pais sabe que não é fácil fazer penetrar informações no coração de uma criança. O apóstolo Pedro exortou outros cristãos: “Como crianças recém-nascidas, ansiai o leite não adulterado pertencente à palavra.” (1 Pedro 2:2) A expressão “ansiai” sugere que muitos não têm por natureza fome de alimento espiritual. Talvez seja preciso que os pais encontrem meios de desenvolver esse anseio na criança.

      18. Cite alguns métodos de ensino de Jesus que os pais são incentivados a imitar.

      18 Jesus tocou corações usando ilustrações. (Marcos 13:34; Lucas 10:29-37) Esse método de ensino é especialmente eficaz com crianças. Ensine princípios bíblicos usando histórias vívidas e interessantes, como as que se encontram em Meu Livro de Histórias Bíblicas.a Envolva as crianças. Permita que usem criatividade em desenhar ou teatralizar eventos bíblicos. Jesus também usou perguntas. (Mateus 17:24-27) Imite o método dele no seu estudo familiar. Em vez de simplesmente declarar uma lei de Deus, faça perguntas tais como: Por que Jeová fez essa lei? O que acontecerá se a obedecermos? O que acontecerá se não a obedecermos? Perguntas assim ajudam a criança a raciocinar e a ver que as leis de Deus são práticas e boas. — Deuteronômio 10:13.

      19. Se os pais aplicarem princípios bíblicos nos tratos com os filhos, que grandes vantagens terão estes?

      19 Sendo exemplo, companheiro, comunicativo e instrutor, você pode ajudar seu filho desde a tenra idade a criar uma estreita relação pessoal com Jeová Deus. Essa relação ajudará seu filho a ser um cristão feliz. Ele se esforçará em viver à altura de sua fé mesmo sob pressões e tentações de colegas. Ajude-o sempre a apreciar essa relação preciosa. — Provérbios 27:11.

      A NECESSIDADE VITAL DE DISCIPLINA

      20. O que é disciplina, e como deve ser administrada?

      20 Disciplina é o treinamento que corrige a mente e o coração. As crianças sempre precisam disso. Paulo aconselha os pais a ‘prosseguir em criar os filhos na disciplina e na regulação mental de Jeová’. (Efésios 6:4) Os pais devem disciplinar com amor, como Jeová faz. (Hebreus 12:4-11) A disciplina baseada no amor pode ser administrada apelando-se ao raciocínio. Assim, somos exortados a ‘escutar a disciplina’. (Provérbios 8:33) Como se deve aplicar a disciplina?

      21. Que princípios devem os pais ter em mente ao disciplinar os filhos?

      21 Há pais que acham que disciplinar os filhos se resume a falar-lhes em tons ameaçadores, repreendê-los ou mesmo insultá-los. Contudo, sobre o mesmo assunto, Paulo acautela: “Vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos.” (Efésios 6:4) Insta-se com todos os cristãos a ‘serem meigos para com todos, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos’. (2 Timóteo 2:24, 25) Os pais cristãos, embora reconheçam a necessidade de firmeza, procuram ter em mente essas palavras ao disciplinar seus filhos. Mas, às vezes, raciocinar só não basta, e pode ser preciso algum tipo de punição. — Provérbios 22:15.

      22. Se a criança precisa ser punida, deve-se ajudá-la a entender o quê?

      22 Diferentes filhos requerem diferentes tipos de disciplina. Alguns não ‘se deixam corrigir por meras palavras’. Para estes, a punição ocasional pela desobediência pode significar salvação para eles. (Provérbios 17:10; 23:13, 14; 29:19) Mas a criança precisa entender por que está sendo punida. “A vara e a repreensão é que dão sabedoria.” (Provérbios 29:15; Jó 6:24) Ademais, a punição tem limites. “Terei de castigar-te no devido grau”, disse Jeová ao seu povo. (Jeremias 46:28b) A Bíblia definitivamente não aprova açoites furiosos ou espancamentos graves, que podem machucar ou até mesmo ferir seriamente uma criança. — Provérbios 16:32.

      23. O que deve a criança poder discernir quando é punida pelos pais?

      23 Ao alertar seu povo de que o disciplinaria, Jeová disse primeiro: “Não tenhas medo . . . pois eu estou contigo.” (Jeremias 46:28a) Similarmente, a disciplina parental, sob qualquer forma correta que seja, jamais deve fazer a criança sentir-se rejeitada. (Colossenses 3:21) Pelo contrário, a criança deve perceber que a disciplina é administrada porque os pais ‘estão com ela’, do seu lado.

      PROTEJA A CRIANÇA CONTRA O MAL

      24, 25. Contra que vil ameaça precisam as crianças proteção hoje em dia?

      24 Muitos adultos têm recordações felizes de sua infância. Lembram-se do caloroso sentimento de segurança, da certeza de que seus pais cuidariam deles custasse o que custasse. Os pais querem que seus filhos tenham essa mesma sensação, mas, no mundo degenerado de hoje, ficou mais difícil zelar pela segurança dos filhos.

      25 Uma vil ameaça crescente nos anos recentes é o abuso sexual de crianças. Na Malásia, casos notificados desse tipo de abuso quadruplicaram em dez anos. Na Alemanha, umas 300 mil crianças sofrem abusos sexuais por ano e, segundo um levantamento, num certo país sul-americano estima-se que o total anual seja de estonteantes 9 milhões! Tragicamente, a maioria dessas crianças são molestadas na sua própria casa por pessoas que elas conhecem e em quem confiam. Mas os filhos deviam ter nos pais uma forte defesa. Como podem os pais ser protetores?

      26. De que diversas maneiras se pode proteger as crianças, e como pode o conhecimento protegê-las?

      26 Uma vez que a experiência mostra que as crianças que sabem pouco sobre sexo são especialmente vulneráveis a molestadores, uma das principais prevenções é educar a criança, mesmo quando ainda bem pequena. O conhecimento pode significar proteção “do mau caminho, do homem que fala perversidades”. (Provérbios 2:10-12) Que conhecimento? Conhecer os princípios bíblicos, saber o que é moralmente correto ou errado. Saber também que há adultos que fazem maldades e que a criança não precisa obedecer quando alguém sugere atos impróprios. (Note Daniel 1:4, 8; 3:16-18.) Não limite essa instrução a uma única sessão. Para a maioria das criancinhas é preciso repetir várias vezes uma lição até que a aprendam bem. Quando as crianças crescem, é apropriado que o pai respeite o direito de sua filha à privacidade, e a mãe a de seu filho — reforçando assim o senso dos filhos do que é correto. E, naturalmente, uma das melhores defesas contra o abuso é a sua estreita supervisão como pai ou mãe.

      PROCURE ORIENTAÇÃO DIVINA

      27, 28. Qual é a maior Fonte de ajuda dos pais no desafio de criar um filho?

      27 Realmente, educar uma criança desde a tenra infância é um desafio, mas os pais tementes a Deus não precisam enfrentar sozinhos esse desafio. Lá nos dias dos Juízes, ao saber que seria pai, um homem chamado Manoá pediu orientação a Jeová sobre como educar a criança. Jeová atendeu às suas orações. — Juízes 13:8, 12, 24.

      28 Similarmente hoje, pais tementes a Deus que têm filhos para criar podem também dirigir-se a Jeová em oração. Ser pai ou mãe é trabalho árduo, mas há grandes recompensas. Um casal cristão no Havaí diz: “Você tem 12 anos para cumprir a sua tarefa, antes de chegar aqueles anos críticos da adolescência. Mas, se você tiver se empenhado a fundo em aplicar princípios bíblicos, será tempo de colher alegria e paz quando os filhos decidirem que desejam servir a Jeová de coração.” (Provérbios 23:15, 16) Quando seu filho fizer essa decisão, você também será induzido a exclamar: “Os filhos são uma herança da parte de Jeová”!

      a Publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . OS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS?

      Confiar em Jeová. — Provérbios 3:5.

      Ser responsável. — 1 Timóteo 5:8.

      Jeová é um Pai amoroso. — Provérbios 8:22, 30.

      Os pais são responsáveis pela instrução de seus filhos. — Deuteronômio 6:6, 7.

      A disciplina é necessária. — Efésios 6:4.

      DISCIPLINA EFICAZ

      Uma boa forma de disciplina é fazer os filhos sentirem as desagradáveis consequências do mau comportamento. (Gálatas 6:7; note Êxodo 34:6, 7.) Por exemplo, fazer a criança limpar algo que ela mesma sujou, causará a mais forte impressão possível. Tratou mal a alguém? Exigir que se desculpe pode corrigir essa tendência má. Outra forma de disciplina é negar-lhe certos privilégios por algum tempo, para que entenda a lição. Assim a criança aprende a sabedoria de apegar-se a princípios corretos.

  • Ajude o desenvolvimento de seus filhos adolescentes
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 6

      Ajude o desenvolvimento de seus filhos adolescentes

      1, 2. Que desafios e que alegrias podem se apresentar na adolescência?

      TER em casa um filho adolescente é bem diferente de ter em casa uma criança de 5, ou até mesmo de 10 anos. A adolescência traz seus próprios desafios e problemas, mas pode também trazer alegrias e recompensas. Exemplos tais como José, Davi, Josias e Timóteo mostram que os jovens podem ser responsáveis e ter uma relação excelente com Jeová. (Gênesis 37:2-11; 1 Samuel 16:11-13; 2 Reis 22:3-7; Atos 16:1, 2) Muitos adolescentes hoje confirmam este ponto. Provavelmente conhece alguns deles.

      2 Mas, para alguns, a adolescência é turbulenta. Os adolescentes sofrem altos e baixos emocionais. Rapazes e moças talvez queiram maior independência, e talvez se ressintam dos limites impostos pelos pais. Mas, tais jovens ainda são um tanto inexperientes e precisam da ajuda prestimosa e paciente dos pais. Sim, os anos da adolescência podem ser excitantes, mas também confusos — tanto para os pais como para os adolescentes. Que ajuda se pode dar aos jovens durante esses anos?

      3. Como podem os pais dar aos adolescentes uma ótima oportunidade na vida?

      3 Os pais que seguem os conselhos bíblicos dão aos seus filhos adolescentes a melhor oportunidade possível de trilharem com êxito por essas provações até a idade adulta responsável. Em todos os países e em todos os tempos, pais e adolescentes que aplicaram princípios bíblicos juntos foram abençoados com sucesso. — Salmo 119:1.

      COMUNICAÇÃO FRANCA E ABERTA

      Foto na página 67

      Coloque-se à disposição quando o adolescente sentir necessidade de falar

      4. Por que a “palestra confidencial” é especialmente importante na adolescência?

      4 A Bíblia diz: “Há frustração de planos quando não há palestra confidencial.” (Provérbios 15:22) Se foi preciso haver “palestra confidencial” quando os filhos eram pequenos, ela é especialmente vital na adolescência — quando os jovens provavelmente passam menos tempo em casa e mais tempo com colegas de escola ou outros. Sem palestra confidencial — sem comunicação franca e aberta entre pais e filhos — os adolescentes podem virar estranhos na casa. Assim, como manter abertas as linhas de comunicação?

      5. Que conceito quanto à comunicação com os pais são os adolescentes incentivados a adotar?

      5 Tanto adolescentes como pais têm de cumprir o seu papel nesse respeito. É verdade que os adolescentes talvez achem mais difícil falar com os pais agora do que quando eram mais jovens. Não obstante, lembre-se de que “quando não há orientação perita, o povo cai; mas há salvação na multidão de conselheiros”. (Provérbios 11:14) Estas palavras se aplicam a todos, jovens e idosos. Os adolescentes sabedores disso entenderão que ainda precisam de orientação perita, pois enfrentam questões mais complexas do que antes. Deviam reconhecer que seus pais tementes a Deus estão bem qualificados como conselheiros porque são mais experientes na vida e têm provado a sua dedicação por muitos anos. Assim, nesse estágio da vida, os adolescentes sensatos não se afastarão dos pais.

      6. Que atitude adotarão os pais sábios e amorosos no tocante à comunicação com filhos adolescentes?

      6 Comunicação aberta significa que os pais farão o possível para se colocarem à disposição quando o adolescente sentir necessidade de falar. Se você for pai, ou mãe, cuide de que a comunicação esteja aberta pelo menos de sua parte. Pode não ser fácil. A Bíblia diz que há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7) Quando seu filho adolescente acha que é hora de falar, talvez para você seja hora de ficar quieto. Talvez você tenha reservado aquele momento para estudo pessoal, descontração ou algum serviço na casa. Mesmo assim, se o jovem deseja falar-lhe, tente ajustar seus planos e escute. Senão, ele talvez não volte a tentar. Lembre-se do exemplo de Jesus. Certa ocasião, ele havia programado tempo para descansar. Mas, quando as pessoas começaram a aglomerar-se para ouvi-lo, ele adiou o descanso e passou a ensiná-las. (Marcos 6:30-34) A maioria dos adolescentes sabe que a vida dos pais é atarefada, mas eles precisam da garantia de que seus pais os atenderão quando for necessário. Assim, coloque-se à disposição e seja compreensivo.

      7. O que os pais devem evitar?

      7 Tente lembrar-se de como eram as coisas quando você era adolescente, e não perca seu senso de humor! É preciso que os pais gostem de estar com seus filhos. Como os pais gastam seu tempo de folga? Se sempre preferirem usá-lo para atividades à parte da família, os filhos adolescentes logo perceberão isso. Adolescentes convencidos de que seus colegas de escola os estimam mais do que seus pais estarão propensos a ter problemas.

      O QUE TRANSMITIR

      8. Como pode o apreço pela honestidade, trabalho árduo e conduta correta ser incutido nos filhos?

      8 Se os pais ainda não inculcaram nos filhos o apreço pela honestidade e trabalho árduo, devem por todos os meios fazer isso na adolescência. (1 Tessalonicenses 4:11; 2 Tessalonicenses 3:10) É também vital se certificarem de que os filhos creem de todo o coração na importância de levar uma vida limpa e de boa moral. (Provérbios 20:11) Os pais podem ensinar muito nesses aspectos pelo exemplo. Assim como maridos descrentes podem ser “ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas”, os adolescentes podem aprender princípios corretos através da conduta dos pais. (1 Pedro 3:1) Mesmo assim, exemplo só não basta, visto que os filhos estão também expostos a muitos maus exemplos e a uma enxurrada de propaganda sedutora fora de casa. Pais interessados, portanto, precisam saber quais são os conceitos de seus filhos adolescentes sobre o que veem e ouvem, e isso exige diálogos significativos. — Provérbios 20:5.

      9, 10. Por que os pais devem querer instruir seus filhos sobre assuntos sexuais, e como podem fazer isso?

      9 É especialmente assim com relação a assuntos sexuais. Pais, sentem-se constrangidos de discutir sexo com seus filhos? Mesmo se assim for, esforcem-se nesse sentido, pois os jovens com certeza aprenderão sobre o assunto com alguém. Se não aprenderem de vocês, quem sabe que informações distorcidas obterão? Na Bíblia, Jeová não evita assuntos de natureza sexual, e tampouco devem os pais evitar. — Provérbios 4:1-4; 5:1-21.

      10 Felizmente, a Bíblia contém orientações claras no campo da conduta sexual, e as Testemunhas de Jeová já publicaram muitas informações úteis mostrando que essas orientações ainda valem no mundo moderno. Por que não usar essa ajuda? Por exemplo, que tal recapitular com seus filhos capítulos apropriados nos Volumes 1 e 2 de Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas? Talvez fique agradavelmente surpreso com os resultados.

      11. Qual é uma das maneiras mais eficazes de os pais ensinarem seus filhos a servir a Jeová?

      11 Qual é o assunto mais importante que pais e filhos devem considerar? O apóstolo Paulo indicou qual é ao escrever: “Prossegui em [criar os filhos] na disciplina e na regulação mental de Jeová.” (Efésios 6:4) Os filhos precisam continuar a aprender sobre Jeová. Em especial, precisam aprender a amá-lo, e devem desejar servi-lo. Também nesse caso, muito pode ser ensinado pelo exemplo. Se os adolescentes observam que seus pais amam a Deus ‘de todo o coração, de toda a alma e de toda a mente’, e que isso produz bons frutos na vida dos pais, é provável que sejam induzidos a fazer o mesmo. (Mateus 22:37) Similarmente, se os jovens perceberem que seus pais têm um conceito razoável sobre bens materiais, priorizando o Reino de Deus, serão ajudados a desenvolver o mesmo conceito. — Eclesiastes 7:12; Mateus 6:31-33.

      Foto na página 69

      Estudo bíblico regular é essencial para a família

      12, 13. Que pontos se devem ter em mente para que o estudo familiar seja realmente proveitoso?

      12 Um estudo bíblico familiar, semanal, é de grande ajuda para ensinar valores espirituais aos jovens. (Salmo 119:33, 34; Provérbios 4:20-23) A regularidade desse estudo é vital. (Salmo 1:1-3) Pais e filhos devem reconhecer que outras atividades precisam estar subordinadas ao estudo familiar, e não o contrário. Ademais, é essencial a atitude correta se o estudo familiar há de ser eficaz. Disse certo pai: “O segredo é o dirigente promover um clima descontraído, porém respeitoso, durante o estudo familiar — informal, mas não frívolo. Talvez nem sempre seja fácil conseguir o equilíbrio correto, e os jovens talvez precisem frequentemente de correção de atitude. Se as coisas não derem certo uma vez ou duas, persevere e aguarde a próxima vez.” Esse mesmo pai disse que, em sua oração antes de cada estudo, ele pedia especificamente a ajuda de Jeová para que todos os envolvidos tivessem o conceito correto. — Salmo 119:66.

      13 Dirigir o estudo familiar é dever de pais tementes a Deus. É verdade que alguns pais talvez não sejam instrutores talentosos, e pode ser-lhes difícil achar meios de tornar interessante o estudo familiar. Não obstante, se você ama seus filhos adolescentes “em ação e em verdade”, desejará ajudá-los humilde e francamente a progredirem espiritualmente. (1 João 3:18) Talvez eles se queixem de tempos a tempos, mas é bem provável que percebam seu profundo interesse no bem-estar deles.

      14. Como se pode aplicar Deuteronômio 11:18, 19 ao ensino de assuntos espirituais a adolescentes?

      14 O estudo familiar não é a única ocasião para ensinar importantes assuntos espirituais. Lembra-se da ordem de Jeová aos pais? Ele disse: “Estas minhas palavras tendes de fixar no vosso coração e na vossa alma, e atá-las como sinal sobre a vossa mão, e elas têm de servir de frontal entre os vossos olhos. Também, tendes de ensiná-las aos vossos filhos, falando delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 11:18, 19; veja também Deuteronômio 6:6, 7.) Isto não significa que os pais devam estar sempre pregando aos filhos. Mas o chefe de família amoroso estará sempre atento às oportunidades de edificar o enfoque espiritual de sua família.

      DISCIPLINA E RESPEITO

      15, 16. (a) O que é disciplina? (b) Quem é responsável pela administração da disciplina, e de quem é o dever de cuidar de que seja acatada?

      15 Disciplina é treinamento que corrige, e inclui a comunicação. A disciplina tem mais a ver com correção do que com punição — embora a punição possa ser necessária. Seus filhos precisaram de disciplina quando eram pequenos e agora, como adolescentes, ainda precisam de algum tipo de disciplina, talvez até mais. Adolescentes sensatos sabem que isso é verdade.

      16 A Bíblia diz: “Quem é tolo desrespeita a disciplina de seu pai, mas quem considera a repreensão é argucioso.” (Provérbios 15:5) Esse texto nos ensina muita coisa. Implica que haverá aplicação de disciplina. O adolescente não pode ‘considerar a repreensão’ se esta não for dada. Jeová confia aos pais o dever de administrar disciplina, especialmente ao pai. Contudo, a responsabilidade de aceitar essa disciplina cabe ao adolescente. Ele aprenderá mais e errará menos se aceitar a sábia disciplina de seu pai e de sua mãe. (Provérbios 1:8) A Bíblia diz: “Quem negligencia a disciplina terá pobreza e desonra, mas aquele que guarda a repreensão é o que é glorificado.” — Provérbios 13:18.

      17. Que equilíbrio devem os pais buscar ao administrar a disciplina?

      17 Ao disciplinar adolescentes, os pais precisam ser equilibrados. Devem evitar ser tão estritos a ponto de irritar os filhos, talvez até mesmo prejudicando a autoconfiança deles. (Colossenses 3:21) Mas, por outro lado, não devem querer ser tão permissivos que seus filhos se vejam privados do treinamento vital. Tal permissividade pode ser desastrosa. Provérbios 29:17 diz: “Castiga teu filho e ele te trará descanso e dará muito prazer à tua alma.” Contudo, o versículo 21 diz: “Se alguém está mimando o seu servo desde a infância, este se tornará posteriormente na vida até mesmo um ingrato.” Embora essa passagem fale de um servo, ela se aplica com igual força a qualquer jovem na família.

      18. A disciplina é evidência de que, e o que se evita quando os pais administram uma disciplina coerente?

      18 Na verdade, a boa disciplina prova que os pais amam os filhos. (Hebreus 12:6, 11) Como pai, ou mãe, você sabe que é difícil manter uma disciplina coerente e razoável. Pela causa da paz, pode parecer mais fácil permitir que um adolescente obstinado faça o que bem entender. A longo prazo, porém, os pais que seguem esse proceder pagarão por isso com uma família ingovernável. — Provérbios 29:15; Gálatas 6:9.

      TRABALHO E LAZER

      19, 20. Como podem os pais usar de sabedoria no tocante ao lazer de seus filhos adolescentes?

      19 No passado, era comum esperar que as crianças ajudassem nos serviços da casa ou da fazenda. Hoje, muitos adolescentes têm muito tempo de lazer não supervisionado. Para preencher esse tempo, o mundo comercial oferece uma profusão de coisas. Acrescente a isso o fato de que o mundo valoriza muito pouco os padrões morais da Bíblia, e você terá a receita de um desastre em potencial.

      20 Assim, os pais criteriosos preservam seu direito de fazer decisões finais sobre recreação. Mas não se esqueça de que o adolescente está crescendo. A cada ano, ele ou ela provavelmente espera ser tratado cada vez mais como adulto. Assim, é sábio da parte dos pais permitir uma latitude maior na escolha de recreação à medida que o adolescente cresce — contanto que essas escolhas reflitam progresso em direção à madureza espiritual. Pode acontecer que o adolescente faça escolhas insensatas de música, companheiros, e assim por diante. Nesse caso, deve-se discutir o assunto com o adolescente a fim de que, no futuro, as escolhas sejam mais bem feitas.

      21. De que modo a razoabilidade no tempo que se gasta com lazer protegerá o adolescente?

      21 Quanto tempo deve-se conceder ao lazer? Há países em que os adolescentes são levados a crer que merecem entretenimento contínuo. Assim, o adolescente talvez programe passar sucessivamente de uma “diversão” para outra. Cabe aos pais ensinar a lição de que o tempo deve ser empregado também em outras coisas, tais como em família, no estudo pessoal, na associação com pessoas espiritualmente maduras, nas reuniões cristãs e em tarefas domésticas. Isso impedirá que os “prazeres desta vida” sufoquem a Palavra de Deus. — Lucas 8:11-15.

      22. O lazer deve ser conciliado com o que, na vida do adolescente?

      22 O Rei Salomão disse: “Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” (Eclesiastes 3:12, 13) Sim, alegrar-se faz parte duma vida equilibrada. Mas o trabalho árduo também. Muitos adolescentes hoje não conhecem a satisfação que vem do trabalho árduo ou o sentimento de autoestima resultante de encarar e resolver um problema. Alguns não têm a oportunidade de desenvolver uma habilidade ou aprender uma profissão com a qual possam se sustentar no futuro. Eis um verdadeiro desafio para os pais. Fará questão de que seus filhos tenham tais oportunidades? Se conseguir que eles venham a valorizar e até mesmo a prezar o trabalho árduo, eles desenvolverão um conceito sadio que trará benefícios para o resto da vida.

      DA ADOLESCÊNCIA À MATURIDADE

      Foto na página 70

      Expresse amor e apreço pelos filhos

      23. Como podem os pais encorajar os adolescentes?

      23 Mesmo que você tenha problemas com seu filho adolescente, o seguinte texto bíblico ainda vale: “O amor nunca falha.” (1 Coríntios 13:8) Jamais deixe de expressar o amor que você com certeza sente. Pergunte-se: ‘Felicito a cada filho ou filha pelos seus êxitos em lidar com problemas ou vencer obstáculos? Aproveito as oportunidades de expressar meu amor e apreço pelos filhos, antes que essas oportunidades desapareçam?’ Embora possa haver mal-entendidos, se os adolescentes tiverem certeza de que você os ama, é mais provável que correspondam a esse amor.

      24. Que princípio bíblico ainda vale como regra geral na criação de filhos, mas do que é preciso se lembrar?

      24 Naturalmente, à medida que se tornam adultos, os filhos acabam tomando eles mesmos decisões de grande peso. Pode ser que algumas dessas decisões não agradem aos pais. Que dizer se o filho decidir não mais servir a Jeová Deus? Isso pode acontecer. Mesmo alguns dos filhos espirituais de Jeová rejeitaram seus conselhos e tornaram-se rebeldes. (Gênesis 6:2; Judas 6) Os filhos não são computadores, que podem ser programados para funcionar do jeito que queremos. São criaturas de livre-arbítrio, responsáveis perante Jeová pelas suas decisões. Ainda assim, Provérbios 22:6 se aplica como regra geral: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.”

      25. Qual é a melhor maneira de os pais mostrarem gratidão a Jeová pelo privilégio de terem filhos?

      25 Portanto, trate seus filhos com muito amor. Ao criá-los, aplique os princípios bíblicos da melhor maneira possível. Dê bom exemplo de conduta piedosa. Assim você estará dando a eles a melhor oportunidade de se tornarem adultos responsáveis e tementes a Deus. Essa é a melhor maneira de os pais mostrarem gratidão a Jeová pelo privilégio de terem filhos. .

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . OS PAIS NA EDUCAÇÃO DE ADOLESCENTES?

      A comunicação é necessária. — Provérbios 15:22.

      Devemos estudar regularmente a Palavra de Deus. — Salmo 1:1, 2.

      O argucioso acata a disciplina. — Provérbios 15:5.

      Tanto o trabalho como o lazer têm o seu lugar. — Eclesiastes 3:12, 13.

  • Há um rebelde na família?
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 7

      Há um rebelde na família?

      Foto na página 76

      1, 2. (a) Que ilustração fez Jesus para destacar a infidelidade dos líderes religiosos judaicos? (b) Que fato sobre adolescentes pode-se aprender da ilustração de Jesus?

      POUCOS dias antes de sua morte, Jesus fez uma pergunta intrigante a um grupo de líderes religiosos judaicos. Disse ele: “Que achais? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje no vinhedo.’ Em resposta, este lhe disse: ‘Irei, senhor’, mas não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Em resposta, este lhe disse: ‘Não irei.’ Depois deplorou isso e foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os líderes judaicos disseram: “O último.” — Mateus 21:28-31.

      2 Com isso, Jesus destacava a infidelidade dos líderes judaicos. Eles eram como o primeiro filho, isto é, prometeram fazer a vontade de Deus mas não cumpriram a promessa. Muitos pais, porém, reconhecerão que a ilustração de Jesus refletia uma boa compreensão da vida familiar. Como ele tão bem mostrou, muitas vezes é difícil saber o que os jovens pensam ou prever o que vão fazer. Um jovem talvez seja muito problemático na adolescência, mas cresce e vira um adulto responsável e bem respeitado. É algo a lembrar ao abordarmos o problema da rebeldia juvenil.

      O QUE É UM REBELDE?

      3. Por que não devem os pais se apressar em rotular seu filho de rebelde?

      3 Ocasionalmente talvez ouça falar de adolescentes que se rebelam abertamente contra os pais. Pode até ser que conheça pessoalmente uma família em que um adolescente parece impossível de controlar. Contudo, nem sempre é fácil saber se o filho é realmente um rebelde. Ademais, pode ser difícil entender por que alguns filhos se rebelam e outros — da mesma família — não. Se os pais suspeitam que um dos filhos está se tornando um rebelde empedernido, o que devem fazer? Em resposta, primeiro é preciso ver o que é um rebelde.

      4-6. (a) O que é um rebelde? (b) O que devem os pais ter em mente caso um adolescente seja desobediente de tempos a tempos?

      4 Numa definição simples, rebelde é a pessoa que deliberada e persistentemente desobedece ou resiste e desafia uma autoridade superior. Naturalmente, ‘a tolice está no coração do jovem’. (Provérbios 22:15) Assim, todo jovem vez por outra resiste à autoridade dos pais. Isso acontece em especial no período de desenvolvimento físico e emocional conhecido como adolescência. Mudanças na vida de qualquer pessoa geram tensão, e a adolescência é marcada por mudanças. Seu filho adolescente está saindo da infância e entrando na vida adulta. Por isso, nesse período, alguns pais e filhos custam a se entender. Muitas vezes os pais instintivamente tentam frear a transição, ao passo que os adolescentes querem acelerá-la.

      5 O adolescente rebelde rejeita os valores dos pais. Mas, lembre-se de que alguns atos de desobediência não fazem da pessoa um rebelde. E, em assuntos espirituais, algumas crianças de início talvez mostrem pouco ou nenhum interesse na verdade bíblica, mas podem não ser rebeldes. Como pais, não se apressem em rotular o seu filho.

      6 Será que a adolescência de todos os jovens é marcada pela rebelião contra a autoridade dos pais? De forma alguma! De fato, a evidência parece sugerir que apenas a minoria dos adolescentes manifesta séria rebelião juvenil. Mesmo assim, que dizer do jovem que obstinada e persistentemente se rebela? O que pode levar a tal rebeldia?

      CAUSAS DE REBELDIA

      7. Como pode o ambiente satânico induzir o jovem à rebeldia?

      7 Uma das principais causas de rebeldia é o ambiente satânico do mundo. “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) O mundo dominado por Satanás desenvolveu uma cultura perniciosa que os cristãos têm de combater. (João 17:15) Grande parte dessa cultura é mais vulgar, mais perigosa e mais cheia de más influências do que era no passado. (2 Timóteo 3:1-5, 13) Se os pais não educam, não alertam e não protegem seus filhos, eles podem facilmente ser vencidos pelo “espírito que agora opera nos filhos da desobediência”. (Efésios 2:2) Há também a pressão de colegas. A Bíblia diz: “Irá mal com aquele que tem tratos com os estúpidos.” (Provérbios 13:20) Similarmente, quem sempre se associa com os que estão imbuídos do espírito do mundo provavelmente será influenciado por esse espírito. Os jovens precisam de ajuda constante para se conscientizarem de que obedecer a princípios piedosos é a base do melhor modo de vida. — Isaías 48:17, 18.

      8. Que fatores podem levar um filho à rebeldia?

      8 Outra causa de rebeldia pode ser o ambiente no lar. Por exemplo, se um dos pais é alcoólatra, viciado em drogas ou violento com o cônjuge, o conceito de vida do adolescente pode ficar distorcido. Mesmo em lares relativamente tranquilos pode haver rebeldia se o jovem acha que seus pais não se interessam por ele. Mas a rebeldia juvenil nem sempre vem de influências externas. Alguns jovens rejeitam os valores parentais mesmo tendo pais que aplicam princípios piedosos e que os abrigam, em grande medida, do mundo que os cerca. Por quê? Talvez por causa de outra raiz de nossos problemas: a imperfeição humana. Paulo disse: “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Romanos 5:12) Adão foi um rebelde egoísta, e ele deixou um mau legado para toda a sua prole. Alguns jovens simplesmente optam pela rebeldia, como esse antepassado deles.

      O PERMISSIVO ELI E O RESTRITIVO ROBOÃO

      9. Que extremos na educação podem levar um filho a rebelar-se?

      9 Ainda outro fator da rebeldia juvenil é os pais terem um conceito desequilibrado sobre educar filhos. (Colossenses 3:21) Alguns pais conscienciosos restringem e disciplinam severamente os filhos. Outros são permissivos, não fornecem diretrizes que protegeriam o inexperiente adolescente. Nem sempre é fácil equilibrar esses dois extremos. E diferentes filhos têm diferentes necessidades. Um talvez demande maior supervisão do que outro. Mesmo assim, dois exemplos bíblicos serão úteis para apontar os perigos do extremismo, seja nas restrições, seja na permissividade.

      10. Por que Eli foi um desastre como pai, embora provavelmente tenha sido um sumo sacerdote fiel?

      10 Eli, um sumo sacerdote do Israel antigo, era pai. Foi sumo sacerdote por 40 anos e, sem dúvida, conhecia bem a Lei de Deus. Provavelmente cumpria bem seus deveres sacerdotais, e é possível que tenha ensinado cabalmente a Lei de Deus aos seus filhos, Hofni e Fineias. Mas Eli era muito indulgente com eles. Hofni e Fineias trabalhavam como sacerdotes oficiantes mas eram “homens imprestáveis”, interessados apenas em satisfazer seus apetites e seus desejos imorais. Ainda mais, quando eles cometeram atos infames em solo sagrado, Eli não teve coragem de demiti-los. Limitou-se a uma repreensão leve. Por sua permissividade, Eli honrou seus filhos mais do que a Deus. Em resultado disso, seus filhos se rebelaram contra a adoração pura de Jeová e a família inteira de Eli sofreu calamidade. — 1 Samuel 2:12-17, 22-25, 29; 3:13, 14; 4:11-22.

      11. O que podem os pais aprender do mau exemplo de Eli?

      11 Os filhos de Eli já eram adultos quando essas coisas aconteceram, mas essa história sublinha o perigo de reter a disciplina. (Note Provérbios 29:21.) Há pais que confundem amor com permissividade, e deixam de fixar e fazer vigorar regras claras, coerentes e razoáveis. Negligenciam a aplicação de disciplina amorosa, mesmo quando há violação de princípios piedosos. Por causa dessa permissividade, os filhos talvez acabem menosprezando a autoridade dos pais ou qualquer outro tipo de autoridade. — Note Eclesiastes 8:11.

      12. Que erro cometeu Roboão no exercício da autoridade?

      12 Roboão é exemplo do outro extremo no uso da autoridade. Ele foi o último rei do reino unido de Israel, mas não foi um bom rei. Roboão havia herdado um país cujo povo estava descontente com as cargas que lhe haviam sido impostas pelo pai de Roboão, Salomão. Será que Roboão foi compreensivo? Não. Quando uma delegação pediu-lhe que removesse algumas das medidas opressivas, ele não acatou os conselhos maduros de conselheiros mais velhos e mandou tornar ainda mais pesado o jugo do povo. Essa sua arrogância provocou a rebelião das dez tribos setentrionais e o reino foi rasgado em dois. — 1 Reis 12:1-21; 2 Crônicas 10:19.

      13. Como podem os pais evitar o erro de Roboão?

      13 Os pais podem tirar lições importantes do relato bíblico de Roboão. Eles precisam ‘buscar a Jeová’ em oração e examinar seus métodos de educação dos filhos à luz dos princípios bíblicos. (Salmo 105:4) “A mera opressão pode fazer o sábio agir como doido”, diz Eclesiastes 7:7. Limites criteriosos dão aos adolescentes espaço para crescer ao passo que os protegem do mal. No entanto, os filhos não devem viver num ambiente tão rígido e restritivo que os impeça de desenvolver um grau razoável de autoafirmação e confiança. Quando os pais buscam o equilíbrio entre uma latitude ampla e limites firmes bem definidos, a maioria dos adolescentes terá menos inclinação para se rebelar.

      SUPRIR NECESSIDADES BÁSICAS PODE EVITAR A REBELDIA

      Foto na página 83

      Os filhos provavelmente alcançarão maior estabilidade se os pais os ajudarem a lidar com os problemas da adolescência

      14, 15. Como devem os pais encarar o desenvolvimento dos filhos?

      14 Embora os pais se alegrem de ver a criança crescer e chegar à maturidade, talvez fiquem intrigados quando o adolescente começa a passar do estado de dependência para o de correta autoafirmação. Nessa transição, não se espante se o adolescente vez por outra for um tanto obstinado e não cooperador. Tenha presente que o alvo dos pais cristãos deve ser criar um cristão maduro, estável e responsável. — Note 1 Coríntios 13:11; Efésios 4:13, 14.

      15 Por mais difícil que seja, os pais precisam parar de negar ao adolescente todo e qualquer pedido de maior independência. De maneira sadia, a criança precisa crescer como indivíduo. De fato, com relativamente pouca idade, alguns adolescentes já começam a desenvolver uma visão um tanto adulta. Por exemplo, a Bíblia diz sobre o jovem rei Josias: “Quando ainda era rapaz [de uns 15 anos], principiou a buscar o Deus de Davi.” Esse notável adolescente era, obviamente, um indivíduo responsável. — 2 Crônicas 34:1-3.

      16. À medida que se dá aos filhos maior responsabilidade, o que devem eles entender?

      16 Contudo, a liberdade traz responsabilidade. Assim, permita ao adulto emergente experimentar os efeitos de algumas das decisões e ações dele. O princípio de que “o que o homem semear, isso também ceifará”, aplica-se tanto a adolescentes como a adultos. (Gálatas 6:7) Os jovens não podem viver refugiados para sempre. Mas que dizer se o filho deseja fazer algo totalmente inaceitável? Como pais responsáveis, terão de dizer “Não”. E, mesmo explicando as razões, nada deve mudar seu “Não” para “Sim”. (Note Mateus 5:37.) Mas tente dizer “Não” com calma e razoabilidade, pois, “uma resposta, quando branda, faz recuar o furor”. — Provérbios 15:1.

      17. Que diversas necessidades do adolescente devem os pais suprir?

      17 Os jovens precisam da segurança que a disciplina coerente proporciona, mesmo que nem sempre concordem prontamente com as restrições e regras. Mudar frequentemente as regras, ao sabor do humor dos pais, é frustrante. Além do mais, se os adolescentes receberem o necessário encorajamento e ajuda para enfrentar a insegurança, a timidez ou a falta de confiança, provavelmente adquirirão maior estabilidade. Os adolescentes apreciam também receber de seus pais um merecido voto de confiança. — Note Isaías 35:3, 4; Lucas 16:10; 19:17.

      18. Cite algumas verdades animadoras a respeito de adolescentes.

      18 Os pais podem se consolar sabendo que, se houver paz, estabilidade e amor na família, os filhos em geral crescerão sadios e contentes. (Efésios 4:31, 32; Tiago 3:17, 18) Ora, muitos jovens superaram até mesmo um péssimo ambiente familiar, vindos de famílias marcadas pelo alcoolismo, pela violência ou por alguma outra influência prejudicial, e tornaram-se adultos excelentes. Assim, se você criar um lar em que os adolescentes se sintam seguros e saibam que receberão amor, afeto e atenção — mesmo com restrições e disciplina razoáveis compatíveis com os princípios bíblicos — é muito provável que eles se tornem adultos dos quais você vai se orgulhar. — Note Provérbios 27:11.

      QUANDO OS FILHOS ERRAM

      19. Ao passo que os pais devem ‘educar o rapaz segundo o caminho que é para ele’, que responsabilidade recai sobre a criança?

      19 Ser bons pais certamente faz diferença. Provérbios 22:6 diz: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” Mas que dizer de filhos que têm problemas sérios apesar de terem bons pais? Isso pode acontecer? Pode. Deve-se entender o provérbio acima à luz de outros versículos que frisam o dever dos filhos de ‘escutar’ e obedecer aos pais. (Provérbios 1:8) Pais e filhos precisam cooperar na aplicação dos princípios bíblicos, a bem da harmonia familiar. Se pais e filhos não agirem em conjunto, haverá dificuldades.

      20. Quando os filhos erram irrefletidamente, que maneira sábia de enfrentar isso podem os pais adotar?

      20 Como devem reagir os pais quando o adolescente erra e se mete em apuros? É aí que o jovem mais precisa de ajuda. Se os pais tiverem presente que estão lidando com um jovem inexperiente, resistirão melhor à tendência de se exacerbar. Paulo aconselhou aos espiritualmente maduros na congregação: “Mesmo que um homem dê um passo em falso antes de se aperceber disso, vós, os que tendes qualificações espirituais, tentai reajustar tal homem num espírito de brandura.” (Gálatas 6:1) Os pais podem imitar esse proceder ao lidar com um jovem que errou irrefletidamente. Embora expliquem claramente por que o proceder dele foi errado e como ele pode evitar repeti-lo, os pais devem deixar claro que não é o jovem que é mau, mas sim o proceder. — Note Judas 22, 23.

      21. Seguindo o exemplo da congregação cristã, como devem os pais reagir caso um filho cometa um pecado grave?

      21 Mas se o erro do jovem foi muito grave? Nesse caso, ele precisa de ajuda especial e orientação qualificada. Quando um membro da congregação comete um pecado grave, ele é incentivado a arrepender-se e a buscar a ajuda dos anciãos. (Tiago 5:14-16) Uma vez que se arrependa, os anciãos procuram recuperá-lo espiritualmente. Na família, o dever de ajudar adolescentes errantes é dos pais, embora talvez tenham de considerar o assunto com os anciãos. Certamente não devem tentar ocultar do corpo de anciãos um pecado grave de um filho.

      22. Imitando a Jeová, que atitude tentarão os pais manter caso um filho cometa um erro grave?

      22 Ter um problema grave com os próprios filhos é muito desafiador. Emocionalmente abalados, os pais talvez ameacem iradamente o jovem errante; mas isso só pode amargurá-lo. Tenha em mente que o futuro desse jovem pode depender de como ele é tratado nesse período crítico. Lembre-se também de que Jeová sempre se dispunha a perdoar quando seu povo não fazia o que era correto — se apenas se arrependessem. Escute Suas palavras, cheias de amor: “‘Vinde, pois, e resolvamos as questões entre nós’, diz Jeová. ‘Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate, serão tornados brancos como a neve; embora sejam vermelhos como pano carmesim, tornar-se-ão como a lã.’” (Isaías 1:18) Que belo exemplo para os pais!

      23. Se um dos filhos cometer um pecado grave, como devem agir os pais, e o que devem evitar?

      23 Portanto, tente incentivar o errante a mudar o seu rumo. Procure bons conselhos de pais experientes e de anciãos congregacionais. (Provérbios 11:14) Tente não ser impulsivo, dizendo ou fazendo coisas que dificultariam a reaproximação do filho. Evite a ira e a amargura destemperadas. (Colossenses 3:8) Não desista logo. (1 Coríntios 13:4, 7) Embora odeie a maldade, não fique endurecido e amargurado com seu filho. Mais importante ainda, os pais devem esforçar-se em dar bom exemplo e manter forte a sua fé em Deus.

      COMO LIDAR COM UM REBELDE INCORRIGÍVEL

      24. Que situação triste surge às vezes numa família cristã, e como devem reagir os pais?

      24 Há casos em que fica claro que o jovem decidiu mesmo rebelar-se e rejeitar completamente os valores cristãos. A prioridade então passa a ser preservar e reconstruir a vida familiar do restante da família. Não canalize todas as suas energias para o rebelde, negligenciando os outros filhos. Em vez de tentar ocultar o problema do restante da família, discuta o assunto com eles dentro do limite apropriado e de modo reanimador. — Note Provérbios 20:18.

      25. (a) Seguindo o padrão da congregação cristã, como talvez devam os pais proceder caso um dos filhos se torne rebelde incorrigível? (b) O que devem os pais ter em mente caso um dos filhos se rebele?

      25 O apóstolo João disse a respeito de alguém que se torna um rebelde incorrigível na congregação: “Nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis.” (2 João 10) Os pais talvez achem necessário adotar uma postura similar com relação ao seu próprio filho, caso este seja maior de idade e totalmente rebelde. Por mais difícil e aflitivo que isso seja, pode ser essencial para proteger o restante da família. A sua família precisa de proteção e supervisão contínuas. Assim, persista em manter limites de conduta claramente definidos, porém razoáveis. Dialogue com os outros filhos. Interesse-se pelo seu aproveitamento na escola e na congregação. Permita também que saibam que, embora não aprove as ações do rebelde, você não o odeia. Condene as más ações, não o filho. Quando dois dos filhos de Jacó trouxeram banimento sobre a sua família por causa de seu ato cruel, Jacó amaldiçoou a ira violenta deles, não os filhos em si. — Gênesis 34:1-31; 49:5-7.

      26. Que consolo podem os pais conscienciosos derivar caso um dos filhos se rebele?

      26 Você talvez se sinta responsável pelo que aconteceu na sua família. Mas se você fez conscienciosamente tudo ao seu alcance, aplicando os conselhos de Jeová da melhor maneira possível, não há por que criticar desarrazoadamente a si mesmo. Console-se com o fato de que ninguém pode ser pai ou mãe perfeitos; no entanto, você fez tudo para ser bom pai ou boa mãe. (Note Atos 20:26.) Ter um rebelde incorrigível na família é de cortar o coração, mas, se isso lhe acontecer, esteja certo de que Deus entende e jamais abandonará seus servos devotados. (Salmo 27:10) Assim, esteja decidido a fazer de seu lar um refúgio espiritual seguro para os outros filhos que porventura tenha.

      27. Lembrando-se da parábola do filho pródigo, que esperança podem sempre ter os pais de um filho rebelde?

      27 Além do mais, nunca perca a esperança. Seus empenhos de educar corretamente o errante podem por fim influenciar o coração dele e fazê-lo cair em si. (Eclesiastes 11:6) Bom número de famílias cristãs passaram por essa mesma situação, e algumas delas viram o filho que se desviou retornar, como aquele pai na parábola do filho pródigo, de Jesus. (Lucas 15:11-32) O mesmo pode acontecer no seu caso.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . OS PAIS A EVITAR UMA GRAVE REBELIÃO NA FAMÍLIA?

      Sem ajuda, o jovem pode ser corrompido pelo espírito do mundo. — Provérbios 13:20; Efésios 2:2.

      Os pais precisam estabelecer um equilíbrio entre excesso de restrições e permissividade. — Eclesiastes 7:7; 8:11.

      É preciso tentar corrigir a conduta errada, mas num espírito de brandura. — Gálatas 6:1.

      Aqueles que cometem pecados graves podem ser “sarados” caso se arrependam e aceitem ajuda. — Tiago 5:14-16.

      COMUNIQUE-SE

      Os adolescentes experimentarão dúvidas e ansiedades relacionadas com a maior independência. Talvez se sintam um pouco inseguros de sua capacidade de lidar com o mundo. É como se tentassem caminhar numa estrada escorregadia. Jovens, partilhem seus temores e apreensões com os seus pais. (Provérbios 23:22) Ou, se você acha que eles estão sendo muito rígidos, fale com eles sobre a sua necessidade de maior liberdade. Tente falar com eles quando você estiver descontraído e eles não muito ocupados. (Provérbios 15:23) Tirem tempo para realmente escutar uns aos outros.

  • Proteja sua família das influências destrutivas
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 8

      Proteja sua família das influências destrutivas

      Foto na página 91

      1-3. (a) De que fontes procedem as influências destrutivas que ameaçam a família? (b) Que equilíbrio precisam ter os pais na proteção de sua família?

      ESTÁ na hora de seu filhinho ir à escola, mas está chovendo. Como você cuida da situação? Deixa-o sair na chuva sem nenhum agasalho? Ou cobre-o de tantos agasalhos que ele mal pode se mexer? É claro, nem uma coisa nem outra. Você o equipa apenas com o necessário para não se molhar.

      2 De modo similar, os pais devem encontrar uma maneira equilibrada de proteger a família das influências destrutivas que vêm sobre ela de muitas fontes — a indústria do entretenimento, a mídia, os colegas e, às vezes, até mesmo a escola. Há pais que fazem pouco, ou nada, para proteger a família. Outros, considerando nocivas quase todas as influências externas, são tão restritivos que os filhos se sentem sufocados. É possível um meio-termo?

      3 Sim, é possível. Ser extremista é ineficaz e pode provocar um desastre. (Eclesiastes 7:16, 17) Mas como podem os pais cristãos chegar ao correto equilíbrio na proteção da família? Considere três áreas: educação, companheirismo e lazer.

      QUEM VAI ENSINAR SEUS FILHOS?

      4. Como devem os pais cristãos encarar a educação?

      4 Os pais cristãos valorizam muito a educação. Sabem que a escolaridade ajuda os filhos a ler, a escrever, a se comunicar, bem como a resolver problemas. Deve ensiná-los também a estudar. As habilidades que as crianças adquirem na escola podem ajudá-las a vencer os desafios do mundo moderno. Além disso, a boa educação pode ajudá-las a executar serviços de qualidade superior. — Provérbios 22:29.

      5, 6. Como podem os filhos na escola ficar expostos a informações distorcidas sobre sexo?

      5 Contudo, na escola convergem crianças de diferentes origens — muitas delas com conceitos distorcidos. Por exemplo, considere os conceitos delas sobre sexo e moral. Numa escola de segundo grau, na Nigéria, uma moça sexualmente promíscua aconselhava as colegas sobre sexo. Elas a escutavam com entusiasmo, embora os conceitos dela fossem cheios de tolices tiradas de literatura pornográfica. Algumas moças experimentaram seus conselhos. Em resultado, uma delas engravidou sem estar casada e morreu de aborto provocado.

      6 Infelizmente, nas escolas alguns ensinamentos distorcidos sobre sexo partem, não de alunos, mas de professores. Muitos pais ficam consternados quando a escola ensina sexo aos alunos sem apresentar informações sobre padrões morais e responsabilidade. Disse a mãe de uma garota de 12 anos: “Moramos numa região muito religiosa e conservadora, mas, mesmo assim, na nossa própria escola de segundo grau eles distribuem preservativos para os jovens!” Ela e seu marido ficaram preocupados quando souberam que a filha recebia propostas sexuais de garotos da idade dela. Como podem os pais proteger a família dessas más influências?

      7. Qual é a melhor maneira de anular as informações erradas sobre sexo?

      7 É melhor proteger os filhos de qualquer menção de assuntos sexuais? Não. É melhor você mesmo ensinar seus filhos sobre sexo. (Provérbios 5:1) É verdade que em certas partes da Europa e da América do Norte muitos pais evitam esse assunto. Também em alguns países africanos, os pais raramente falam sobre sexo com os filhos. “Isso não faz parte da cultura africana”, diz um pai em Serra Leoa. Alguns pais acham que se ensinarem sexo aos filhos estarão semeando ideias que os levarão a cometer imoralidade. Qual é o conceito de Deus?

      O CONCEITO DE DEUS SOBRE SEXO

      8, 9. Que excelentes informações sobre sexo se encontram na Bíblia?

      8 A Bíblia deixa claro que não há nada de vergonhoso em falar de sexo num contexto apropriado. Em Israel, o povo de Deus recebeu ordens de se reunir, incluindo os “pequeninos”, para ouvir a leitura da Lei mosaica. (Deuteronômio 31:10-12; Josué 8:35) A Lei mencionava francamente diversos assuntos sexuais, como menstruação, emissões seminais, fornicação, adultério, homossexualismo, incesto e bestialidade. (Levítico 15:16, 19; 18:6, 22, 23; Deuteronômio 22:22) Depois dessas leituras os pais com certeza tinham muito o que explicar aos filhos cheios de perguntas.

      9 Há trechos no quinto, no sexto e no sétimo capítulos de Provérbios que dão bondosos conselhos parentais sobre os perigos da imoralidade sexual. Esses versículos mostram que a imoralidade pode ser tentadora. (Provérbios 5:3; 6:24, 25; 7:14-21) Contudo, ensinam que praticá-la é errado e traz consequências funestas, e dão orientações para ajudar os jovens a evitar a conduta imoral. (Provérbios 5:1-14, 21-23; 6:27-35; 7:22-27) Ademais, a imoralidade é contrastada com a satisfação do prazer sexual no âmbito correto, o casamento. (Provérbios 5:15-20) Que excelente modelo de ensino para os pais!

      10. Por que transmitir aos filhos um conhecimento piedoso sobre sexo não significa levá-los a cometer imoralidade?

      10 Será que esse ensino induz os filhos a cometer imoralidade? Ao contrário, a Bíblia ensina: “É pelo conhecimento que os justos são socorridos.” (Provérbios 11:9) Não gostaria de ‘socorrer’ seus filhos das influências do mundo? Certo pai disse: “Desde que os nossos filhos eram bem pequenos, procuramos ser absolutamente francos a respeito de sexo. Assim, quando eles ouvem outras crianças falarem sobre sexo, não ficam curiosos. Não há grande mistério.”

      11. Que ensino progressivo se pode dar aos filhos sobre os assuntos íntimos da vida?

      11 Como já mencionado em capítulos anteriores, a educação sexual deve começar cedo. Ao ensinar seus filhinhos o nome dos órgãos do corpo, não ignore as partes íntimas, como se fossem vergonhosas. Ensine-lhes o nome correto delas. Com o tempo, lições sobre privacidade e limites são essenciais. De preferência ambos os pais devem ensinar os filhos que essas partes do corpo são especiais, que em geral não devem ser tocadas por outros nem expostas, e que jamais se deve falar delas em termos indecorosos. Quando crescerem, os filhos devem ser informados sobre como o homem e a mulher se unem para gerar uma criança. Quando seus corpos entrarem na puberdade, já deverão estar bem cientes das mudanças esperadas. Conforme considerado no Capítulo 5, essa educação pode também ajudar a proteger as crianças do abuso sexual. — Provérbios 2:10-14.

      ‘LIÇÃO DE CASA’ DOS PAIS

      12. Que conceitos distorcidos muitas vezes são ensinados nas escolas?

      12 Os pais devem estar preparados para contra-atacar ainda outros conceitos falsos que talvez se ensinem na escola — filosofias mundanas, como a evolução, o nacionalismo ou a ideia de que não existe verdade absoluta. (1 Coríntios 3:19; note Gênesis 1:27; Levítico 26:1; João 4:24; 17:17.) Muitas autoridades escolares sinceras supervalorizam a educação suplementar. Embora a educação suplementar seja assunto de opção pessoal, alguns professores afirmam que é o único caminho para o sucesso.a — Salmo 146:3-6.

      13. Como podem os filhos que vão à escola ser protegidos de conceitos errados?

      13 Para poderem contra-atacar ensinos errados ou distorcidos, os pais precisam conhecer o tipo de instrução que seus filhos recebem. Portanto, pais, vocês também têm ‘lições de casa’! Interessem-se genuinamente pelos estudos de seus filhos. Falem com eles ao voltarem da escola. Perguntem o que estão aprendendo, do que gostam mais, o que acham mais difícil. Examinem as lições de casa, os comentários e os resultados de provas. Procurem conhecer os professores. Demonstrem apreço pelo seu trabalho e disposição de ajudar no que for possível.

      OS AMIGOS DE SEUS FILHOS

      14. Por que é vital que filhos tementes a Deus escolham bons amigos?

      14 “Mas onde é que você aprendeu isso?” Quantos pais já fizeram essa pergunta, horrorizados com algo que a criança disse ou fez e que parecia fugir totalmente à regra? E quantas vezes a resposta envolve um novo amigo na escola ou no bairro? Sim, os companheiros nos afetam muito, quer sejamos jovens quer idosos. O apóstolo Paulo alertou: “Não sejais desencaminhados. Más associações estragam hábitos úteis.” (1 Coríntios 15:33; Provérbios 13:20) Particularmente os jovens são suscetíveis à pressão de colegas. Eles tendem a sentir-se inseguros e, às vezes, talvez se deixem levar pelo desejo de agradar e impressionar seus companheiros. Como é importante, pois, que escolham bons amigos!

      15. Como podem os pais orientar seus filhos na escolha de amigos?

      15 Como todos os pais sabem, os filhos nem sempre escolhem bem; eles precisam de orientação. Não que se deva escolher os amigos para eles. Mas, à medida que crescerem, ensinem-lhes discernimento e ajudem-nos a ver que qualidades devem estimar nos amigos. A qualidade principal é o amor a Jeová e ao desejo de fazer o que é certo aos olhos dele. (Marcos 12:28-30) Ensinem-lhes a amar e a respeitar os que são honestos, bondosos, generosos e diligentes. Nos estudos em família, ajudem os filhos a identificar tais qualidades nos personagens bíblicos e, em seguida, procurar as mesmas características em outros na congregação. Deem o exemplo usando esse mesmo critério na escolha de seus próprios amigos.

      16. Como podem os pais monitorar a escolha de amigos da parte de seus filhos?

      16 Conhece os amigos de seus filhos? Por que não lhes pede que os convidem à sua casa para que você os conheça? Pergunte também aos filhos o que outros jovens acham a respeito desses amigos. São conhecidos por sua integridade pessoal ou por levarem uma vida dupla? Neste último caso, ajude o filho a arrazoar por que tal companheirismo poderia prejudicá-lo. (Salmo 26:4, 5, 9-12) Se observar mudanças indesejáveis no comportamento, na maneira de se vestir, na atitude ou na linguagem de seu filho, talvez seja preciso ter uma conversa sobre quem são os amigos dele. Talvez esteja passando muito tempo com um amigo de má influência. — Note Gênesis 34:1, 2.

      17, 18. Além de alertar contra más companhias, que ajuda prática podem os pais dar?

      17 Mas não basta apenas ensinar os filhos a evitar más companhias. Ajude-os a encontrar boas companhias. Certo pai diz: “Sempre procurávamos alternativas. Assim, quando a escola requisitou nosso filho para o time de futebol, eu e minha esposa explicamos a ele por que isso não era bom — por causa dos novos companheiros que ele teria. Mas daí sugerimos reunir outros jovens da congregação e os levamos ao parque para jogar bola. Isso funcionou.”

      18 Pais sábios ajudam os filhos a encontrar bons amigos e daí a desfrutar lazer sadio com eles. Mas, para muitos pais, o lazer é um desafio à parte.

      QUE TIPO DE LAZER?

      19. Que exemplos bíblicos mostram que não é pecado as famílias se divertirem?

      19 Será que a Bíblia condena o divertir-se? Longe disso! Ela diz que há “tempo para rir . . . e tempo para saltitar”.b (Eclesiastes 3:4) O povo de Deus no Israel antigo gostava de música, dança, jogos e enigmas. Jesus Cristo foi a uma grande festa de casamento e a uma “grande festa de recepção” que Mateus Levi lhe ofereceu. (Lucas 5:29; João 2:1, 2) Obviamente, Jesus não era desmancha-prazeres. Assim, jamais permita que rir e se divertir sejam considerados pecados na sua casa!

      Foto na página 99

      O lazer bem escolhido, como o dessa família que sai para acampar, pode ajudar os filhos a aprender e a crescer espiritualmente

      20. Do que devem os pais se lembrar ao providenciarem lazer para a família?

      20 Jeová é o “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Assim, a sua adoração deve ser fonte de satisfação, não uma penumbra de tristeza na vida. (Note Deuteronômio 16:15.) As crianças são por natureza dinâmicas e cheias de energia que pode ser liberada em brincadeiras e no lazer. O lazer bem escolhido é mais do que diversão. É uma maneira de a criança aprender e amadurecer. O cabeça da família é responsável de suprir todas as necessidades da família, inclusive o lazer. Mas é preciso equilíbrio.

      21. Que armadilhas existem no lazer moderno?

      21 Nestes atribulados “últimos dias” a sociedade humana está cheia de pessoas “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”, exatamente conforme predito na Bíblia. (2 Timóteo 3:1-5) Para muitos, o lazer é a coisa principal na vida. A oferta de entretenimento é tão grande que pode facilmente excluir coisas mais importantes. E boa parte do entretenimento moderno explora a imoralidade sexual, a violência, o abuso de drogas e outras práticas crassamente nocivas. (Provérbios 3:31) Que se pode fazer para proteger os jovens contra o entretenimento nocivo?

      22. Como podem os pais treinar os filhos a fazer decisões sábias sobre o lazer?

      22 É preciso que os pais estabeleçam limites e restrições. Mais importante, é preciso que ensinem seus filhos a julgar que tipo de recreação é prejudicial e saber quando é demais. Esse treinamento requer tempo e esforço. Veja um exemplo. Um pai de dois meninos notou que o mais velho escutava muito uma nova emissora de rádio. Assim, certo dia, ao ir de caminhonete para o trabalho, o pai sintonizou essa mesma emissora. Ocasionalmente, ele parava para anotar a letra de certas melodias. Mais tarde, ele considerou com os filhos o que havia ouvido. Pediu o ponto de vista deles, começando por dizer “o que vocês acham?”, e daí ouvindo pacientemente as respostas. Depois de analisar o assunto com a Bíblia, os garotos concordaram em não mais ouvir aquela emissora.

      23. Como podem os pais proteger os filhos do entretenimento nocivo?

      23 Pais cristãos sensatos verificam a música, os programas de TV, os vídeos, as histórias em quadrinhos, os jogos eletrônicos e os filmes que interessam aos seus filhos. Examinam a capa, a letra e a embalagem, leem as críticas nos jornais e veem ou leem trechos dessas obras. Muitos ficam chocados com certos “entretenimentos” dirigidos para crianças. Aqueles que desejam proteger seus filhos das influências impuras reúnem-se em família e discutem os perigos, usando a Bíblia e publicações relacionadas, como o livro Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas e artigos nas revistas A Sentinela e Despertai!.c Pais que estabelecem limites firmes, que são coerentes e razoáveis, em geral obtêm bons resultados. — Mateus 5:37; Filipenses 4:5.

      24, 25. Quais são algumas formas de lazer sadio que as famílias podem desfrutar em conjunto?

      24 Naturalmente, restringir formas de lazer nocivas é apenas parte da batalha. O mal deve ser contrabalançado com o bem, senão os filhos talvez tomem o rumo errado. Muitas famílias cristãs guardam belas e gratas recordações de seus momentos de lazer — piqueniques, passeios a pé, acampamentos, jogos e esportes, viagens para visitar parentes ou amigos. Alguns descobriram que simplesmente ler juntos em voz alta, como descontração, é uma grande fonte de prazer e consolo. Outros se divertem contando casos engraçados ou interessantes. Ainda outros desenvolveram passatempos que podem desfrutar juntos, como trabalhos em madeira ou outras artes, tocar instrumentos musicais, pintura ou estudo das obras criativas de Deus. Jovens que aprendem a gostar desse tipo de diversão são protegidos de muito entretenimento impuro, e aprendem que lazer envolve mais do que apenas sentar-se passivamente e deixar-se entreter. Não raro, participar é mais divertido do que observar.

      25 Festinhas podem também ser uma recompensadora forma de lazer gratificante. Se forem bem supervisionadas, não exageradamente grandes e nem consumirem tempo demais, elas podem proporcionar aos filhos mais do que apenas diversão. Podem ajudar a fortalecer os vínculos de amor na congregação. — Note Lucas 14:13, 14; Judas 12.

      SUA FAMÍLIA PODE VENCER O MUNDO

      26. Com respeito a proteger a família contra influências nocivas, qual é a mais importante qualidade?

      26 Sem dúvida, proteger a família das influências destrutivas do mundo exige muito trabalho árduo. Mas há uma coisa que, mais do que qualquer outra, possibilita o êxito. É o amor! Vínculos familiares fortes e bondosos farão de seu lar um refúgio seguro e promoverão a comunicação, que é uma grande defesa contra as más influências. Ademais, cultivar ainda outro tipo de amor é mais importante ainda — o amor a Jeová. Quando esse amor permeia a família, é mais provável que os filhos cresçam odiando a própria ideia de desagradar a Deus por sucumbir às influências mundanas. E os pais que amam a Jeová de coração tentarão imitar a Sua personalidade amorosa, razoável e equilibrada. (Efésios 5:1; Tiago 3:17) Se fizerem isso, os filhos não terão motivo de encarar a adoração de Jeová como mera lista de coisas proibidas ou como modo de vida sem diversão e risadas, do qual desejarão escapar assim que for possível. Antes, verão que adorar a Deus é o modo de vida mais feliz e significativo possível.

      27. Como pode a família vencer o mundo?

      27 Famílias que continuam unidas no alegre e equilibrado serviço de Deus, empenhadas de todo o coração em permanecerem “sem mancha nem mácula” das influências corrompedoras do mundo, são uma fonte de alegria para Jeová. (2 Pedro 3:14; Provérbios 27:11) Tais famílias seguem as pisadas de Jesus Cristo, que resistiu a todos os esforços do mundo de Satanás para aviltá-lo. Perto do fim de sua vida humana, Jesus pôde dizer: “Eu venci o mundo.” (João 16:33) Que a sua família também vença o mundo e viva para sempre!

      a Para informações sobre educação suplementar, veja a brochura As Testemunhas de Jeová e a Educação, publicada pelas Testemunhas de Jeová, páginas 4-7.

      b A palavra hebraica traduzida aqui por “rir” pode também ser vertida por “brincar”, “oferecer entretenimento”, “celebrar”, ou até mesmo “divertir-se”.

      c Publicados pelas Testemunhas de Jeová.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A PROTEGER A SUA FAMÍLIA?

      O conhecimento leva à sabedoria, que pode salvar a vida da pessoa. — Eclesiastes 7:12.

      “A sabedoria deste mundo é tolice perante Deus.” — 1 Coríntios 3:19.

      É necessário evitar más companhias. — 1 Coríntios 15:33.

      Embora o lazer tenha seu lugar, é preciso ser controlado. — Eclesiastes 3:4.

      ELE NÃO ESTAVA PERDENDO NADA

      O casal cristão Paul e Lu-Ann vez por outra programam festinhas na sua casa. Eles cuidam que sejam bem supervisionadas e de tamanho controlável. E têm bons motivos para crer que seus filhos se beneficiam disso.

      Lu-Ann conta: “A mãe de um colega de classe do meu filho Eric, de seis anos, procurou-me e disse que sentia pena do Eric porque ele se isolava e não participava nas festinhas de aniversário na classe. Eu disse a ela: ‘Aprecio muito sua preocupação com o meu filho. Isso diz muito a respeito do tipo de pessoa que você é. E provavelmente nada do que eu diga vai convencê-la de que o Eric não acha que esteja perdendo alguma coisa.’ Ela concordou. Daí, eu disse: ‘Então, por favor, para que você fique tranquila, pergunte você mesma ao Eric o que ele acha disso.’ Sem a minha presença, ela perguntou ao Eric: ‘Você não fica triste por perder essas lindas festas de aniversário?’ Ele olhou para ela, surpreso, e respondeu: ‘A senhora acha que dez minutos, alguns bolinhos e uma canção é uma festa? A senhora devia ir a minha casa e ver o que é uma festa!’” O cândido entusiasmo do garoto deixou claro — ele não achava que estava perdendo alguma coisa!

  • Famílias sem pai ou mãe podem dar certo!
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 9

      Famílias sem pai ou mãe podem dar certo!

      1-3. O que tem contribuído para o aumento de famílias sem pai ou mãe, e como isso afeta os envolvidos?

      FAMÍLIAS sem pai ou mãe são chamadas de “estilo de família que mais cresce” nos Estados Unidos. A situação é similar em muitos outros países. Números recordes de divórcios, abandonos, separações e filhos ilegítimos têm afetado profundamente a vida de milhões de pais e filhos.

      2 “Sou uma viúva de 28 anos com dois filhos”, escreveu uma mulher. “Sinto-me muito deprimida porque não quero criar meus filhos sem pai. Parece que ninguém se importa comigo. Muitas vezes meus filhos me veem chorar e isso os afeta.” Além de lutar com sentimentos de ira, culpa ou solidão, a maioria dos que criam sozinhos os filhos enfrentam o desafio de trabalhar fora e, ao mesmo tempo, cuidar dos deveres domésticos. Disse um deles: “Criar filhos sozinho é como ser malabarista. Depois de uns seis meses de treino, finalmente se consegue manipular quatro bolas de uma só vez. Mas, assim que se consegue fazer isso, alguém lança outra bola para você!”

      3 Os filhos de pais sem cônjuge muitas vezes têm seus próprios problemas. Talvez lutem contra fortes sentimentos após a súbita partida ou morte do pai ou da mãe. Para muitos jovens, a falta do pai ou da mãe parece ter um efeito profundamente negativo.

      4. Como sabemos que Jeová se interessa pelas famílias sem pai ou mãe?

      4 Famílias assim existiam também nos tempos bíblicos. As Escrituras falam repetidas vezes do “menino órfão de pai” e da “viúva”. (Êxodo 22:22; Deuteronômio 24:19-21; Jó 31:16-22) Jeová Deus não era insensível às suas aflições. O salmista chamou a Deus de “pai de meninos órfãos de pai e juiz de viúvas”. (Salmo 68:5) Com certeza, o interesse de Jeová por essas famílias hoje é o mesmo. De fato, na sua Palavra há princípios que as ajudam a ser bem-sucedidas.

      DAR CONTA DA ROTINA DOMÉSTICA

      5. Que problemas iniciais enfrentam os pais sem cônjuge?

      5 Considere a tarefa de cuidar de uma casa. “Muitas vezes a gente gostaria de ter um homem na casa”, admite uma divorciada, “como quando o carro começa a fazer ruídos e a gente não sabe de onde vêm”. Homens recém-divorciados ou recém-enviuvados talvez se atrapalhem com as muitas tarefas domésticas de que precisam cuidar agora. Nos filhos, o descontrole doméstico faz aumentar os sentimentos de instabilidade e insegurança.

      Foto na página 109

      Filhos, cooperem com seu pai ou sua mãe sem cônjuge

      6, 7. (a) Que ótimo exemplo deu a “esposa capaz” de Provérbios? (b) Como a diligência nos deveres domésticos ajuda as famílias sem pai ou mãe?

      6 O que pode ajudar? Note o exemplo da “esposa capaz”, descrita em Provérbios 31:10-31. O alcance de suas atividades é notável — comprar, vender, costurar, cozinhar, investir em imóveis, lavrar a terra e dirigir um negócio. Seu segredo? Ela era diligente, trabalhava até tarde do dia e levantava-se cedo para reassumir suas atividades. E era bem organizada; delegava algumas tarefas e cuidava de outras com as próprias mãos. Não é de admirar que granjeasse louvor!

      7 Se você cria sozinho os filhos, seja consciencioso a respeito dos deveres domésticos. Encontre satisfação nesse trabalho, pois isso acrescenta muito à felicidade dos filhos. Mas é preciso planejamento e organização adequados. A Bíblia diz: “Os planos do diligente seguramente resultam em vantagem.” (Provérbios 21:5) Certo pai sem esposa admitiu: “Geralmente só me lembro das refeições quando me dá fome.” No entanto, refeições planejadas em geral são mais nutritivas e atraentes do que as improvisadas rapidamente. Talvez seja preciso também aprender novos serviços manuais. Consultando amigos habilitados, livros ou profissionais prestativos, algumas mães sem marido conseguem realizar pequenos serviços de pintura, hidráulica e consertos do carro.

      8. Como podem os filhos sem pai ou mãe ajudar em casa?

      8 É correto pedir a ajuda dos filhos? Certa mãe ponderou: “A gente quer preencher a falta do pai por facilitar as coisas para os filhos.” Isso pode ser compreensível, mas talvez nem sempre seja o melhor para a criança. Os jovens tementes a Deus nos tempos bíblicos recebiam tarefas a executar. (Gênesis 37:2; Cântico de Salomão 1:6) Assim, embora cuide de não sobrecarregar os filhos, será sábio de sua parte designar-lhes tarefas, tais como lavar a louça ou limpar o quarto. Por que não realizar alguns serviços juntos? Isso pode ser muito agradável.

      O DESAFIO DE GANHAR O SUSTENTO

      Foto na página 107

      Passe o maior tempo possível com os filhos

      9. Por que é comum que mães sem marido enfrentem dificuldades financeiras?

      9 A maioria dos que criam sozinhos os filhos tem dificuldades financeiras e, em geral, a situação é especialmente difícil para as jovens mães não casadas.a Nos países em que existe assistência social pode ser sensato recorrer a essa ajuda, pelo menos até encontrar emprego. A Bíblia permite que os cristãos usem esses recursos, se necessário. (Romanos 13:1, 6) Viúvas e divorciadas enfrentam desafios similares. Muitas, obrigadas a voltar ao mercado de trabalho depois de anos de serviços domésticos, encontram apenas empregos de baixos salários. Algumas melhoram sua sorte participando de programas de treinamento profissional ou de cursos de curta duração.

      10. Como pode uma mãe sem marido explicar aos filhos por que ela precisa arranjar um emprego?

      10 Não se admire se seus filhos ficarem descontentes caso você procure emprego, e não se sinta culpada. Explique-lhes por que precisa trabalhar e ajude-os a entender que Jeová exige que você os sustente. (1 Timóteo 5:8) Com o tempo, a maioria dos filhos se conforma. Mas procure passar com eles o máximo de tempo que a sua apertada agenda permita. Esse gesto de consideração pode também minimizar o impacto de uma possível limitação de recursos que a família porventura tenha. — Provérbios 15:16, 17.

      QUEM CUIDA DE QUEM?

      Foto na página 110

      A congregação não ignora as “viúvas” e “os meninos órfãos de pai”

      11, 12. Que limites devem os pais sem cônjuge preservar, e como podem fazer isso?

      11 É natural que os que criam sozinhos os filhos tenham por eles um apego especial, mas é preciso cuidar de que os limites traçados por Deus entre pais e filhos não sejam ultrapassados. Por exemplo, podem surgir dificuldades graves se uma mãe sem marido espera que seu filho assuma os deveres de chefe de família ou se ela usa uma filha como confidente, sobrecarregando a menina com problemas íntimos. Fazer isso é impróprio, estressante e pode confundir a criança.

      12 Garanta a seus filhos que você, como pai ou mãe, cuidará deles — não o contrário. (Note 2 Coríntios 12:14.) Talvez de vez em quando você precise de um conselho ou apoio. Recorra aos anciãos cristãos, ou talvez a mulheres cristãs maduras — não a seus filhos menores. — Tito 2:3.

      MANTENHA A DISCIPLINA

      13. Que problema com relação à disciplina pode ter uma mãe sem marido?

      13 Um homem talvez tenha pouca dificuldade em ser levado a sério como disciplinador, mas a mulher pode ter problemas nesse respeito. Diz uma mãe sem marido: “Meus filhos têm corpo e voz de homem. Às vezes é difícil não parecer indecisa ou fraca em comparação.” Ademais, você talvez ainda chore a morte de um cônjuge amado, ou talvez se sinta culpado ou irado por causa de um fracasso conjugal. Se a guarda dos filhos estiver dividida, você talvez tema que seus filhos prefiram ficar com o seu ex-cônjuge. Situações assim podem dificultar a administração de disciplina equilibrada.

      14. Como podem os pais sem cônjuge manter o conceito equilibrado sobre disciplina?

      14 A Bíblia diz que “o rapaz deixado solto causará vergonha à sua mãe”. (Provérbios 29:15) Você tem o apoio de Jeová Deus em estabelecer e fazer vigorar regras familiares. Portanto, não ceda ao sentimento de culpa, remorso ou medo. (Provérbios 1:8) Jamais comprometa princípios bíblicos. (Provérbios 13:24) Procure ser razoável, coerente e firme. Com o tempo, a maioria dos filhos corresponderá. Mesmo assim, desejará levar em conta os sentimentos deles. Diz um pai viúvo: “Minha disciplina precisa ser dosada com compreensão, por causa do trauma de terem perdido a mãe. Falo com eles em toda a oportunidade. Temos nossos ‘momentos a sós’ quando preparamos o jantar. É nessas ocasiões que eles realmente se abrem comigo.”

      15. O que deve a mãe ou o pai divorciado evitar ao falar sobre o ex-cônjuge?

      15 Se você é divorciado, nada de bom resulta de minar o respeito pelo ex-cônjuge. Discussões dos pais são dolorosas para os filhos, e acabarão minando o respeito deles por ambos. Assim, evite observações ferinas do tipo: “Você é como seu pai!” Não importa que dor seu ex-cônjuge lhe tenha infligido, ele ainda é pai, ou mãe, de seu filho, que precisa do amor, da atenção e da disciplina de ambos.b

      16. Que programação espiritual deve ser parte regular da disciplina num lar sem pai ou mãe?

      16 Conforme considerado em capítulos anteriores, a disciplina envolve treinamento e instrução, não apenas punição. Um bom programa de treinamento espiritual evita muitos problemas. (Filipenses 3:16) Assistência regular a reuniões cristãs é essencial. (Hebreus 10:24, 25) Essencial também é realizar, semanalmente, um estudo bíblico familiar. É verdade que não é fácil manter a regularidade desse estudo. “Depois de um dia de trabalho, o que a gente quer mesmo é descansar”, diz uma mãe conscienciosa. “Mas eu me condiciono mentalmente para não deixar de estudar com a minha filha, sabendo que é algo que precisa ser feito. Ela realmente gosta do nosso estudo familiar!”

      17. O que se pode aprender da excelente criação que teve Timóteo, companheiro de Paulo?

      17 Timóteo, companheiro do apóstolo Paulo, evidentemente foi instruído nos princípios bíblicos por sua mãe e sua avó — mas aparentemente não pelo pai. No entanto, que cristão notável Timóteo se tornou! (Atos 16:1, 2; 2 Timóteo 1:5; 3:14, 15) Você também pode esperar bons resultados de se empenhar em criar os filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová”. — Efésios 6:4.

      COMO VENCER A SOLIDÃO

      18, 19. (a) Como pode a solidão atacar os pais sem cônjuge? (b) Que conselho se dá para ajudar a controlar os desejos carnais?

      18 Certa mãe viúva suspirou: “Quando volto para casa e vejo aquelas quatro paredes, especialmente depois de as crianças terem ido para a cama, a solidão toma conta de mim.” Sim, a solidão não raro é o maior problema dos pais sem cônjuge. É natural ansiar o cordial companheirismo e as intimidades do casamento. Mas devia a pessoa tentar resolver esse problema a todo o custo? Nos dias do apóstolo Paulo, algumas viúvas jovens permitiam que ‘seus impulsos sexuais se interpusessem entre elas e o Cristo’. (1 Timóteo 5:11, 12) Permitir que desejos carnais ofusquem interesses espirituais seria prejudicial. — 1 Timóteo 5:6.

      19 Um homem cristão disse: “Os impulsos sexuais são muito fortes, mas você pode controlá-los. Quando um pensamento mau invade a sua mente, você não deve alimentá-lo. Deve livrar-se dele. Pensar nos filhos também ajuda.” A Palavra de Deus aconselha: ‘Amortecei os membros do vosso corpo com respeito ao apetite sexual.’ (Colossenses 3:5) Se estivesse tentando amortecer seu apetite por alimentos, leria revistas com fotos de alimentos deliciosos, ou se associaria com pessoas que quase só falam em comida? Nunca! O mesmo se aplica a desejos carnais.

      20. (a) Que perigo ronda os que namoram descrentes? (b) De que modo pessoas sem cônjuge no primeiro século e agora têm combatido a solidão?

      20 Alguns cristãos passaram a namorar descrentes. (1 Coríntios 7:39) Isso resolveu o problema deles? Não. Uma cristã divorciada alertou: “Há algo muito pior do que estar descasada. É estar casada com a pessoa errada!” As viúvas cristãs no primeiro século sem dúvida tinham momentos de solidão, mas as sensatas mantinham-se ocupadas ‘hospedando estranhos [ou estrangeiros], lavando os pés dos santos e socorrendo os em tribulação’. (1 Timóteo 5:10) Cristãos fiéis da atualidade, que há muitos anos esperam encontrar um cônjuge temente a Deus, também se mantêm atarefados. Uma viúva cristã de 68 anos passou a visitar outras viúvas sempre que sentia solidão. Ela disse: “Descobri que por fazer essas visitas, cuidar da minha casa e da minha espiritualidade não me sobra tempo para solidão.” Ensinar outros sobre o Reino de Deus é uma atividade especialmente benéfica. — Mateus 28:19, 20.

      21. Como podem a oração e o bom companheirismo ajudar a vencer a solidão?

      21 Admitidamente, não existe cura milagrosa para a solidão. Mas é possível suportá-la com a força que vem de Jeová. O cristão recebe tal força quando “persiste em súplicas e em orações, noite e dia”. (1 Timóteo 5:5) Súplicas são pedidos fervorosos, sim, apelos por ajuda, talvez com brados e lágrimas. (Note Hebreus 5:7.) Abrir seu coração a Jeová “noite e dia” realmente pode ajudar. Ademais, o companheirismo sadio pode contribuir muito para preencher o vazio da solidão. Através do bom companheirismo, pode-se ouvir “a boa palavra” de encorajamento mencionada em Provérbios 12:25.

      22. Que ponderações serão úteis caso a solidão se manifeste de tempos a tempos?

      22 Se sentimentos de solidão vez por outra se manifestarem — e provavelmente se manifestarão — lembre-se de que ninguém tem um quinhão perfeito na vida. De fato, a ‘associação inteira dos nossos irmãos’ sofre, de uma maneira ou de outra. (1 Pedro 5:9) Evite remoer o passado. (Eclesiastes 7:10) Contabilize as suas vantagens. Acima de tudo, esteja decidido a ser íntegro e a alegrar o coração de Jeová. — Provérbios 27:11.

      COMO OUTROS PODEM AJUDAR

      23. Que responsabilidade têm os concristãos para com os pais sem cônjuge na congregação?

      23 O apoio e a ajuda de concristãos é inestimável. Tiago 1:27 diz: “A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação.” Sim, é dever dos cristãos ajudar famílias sem pai ou mãe. De que maneiras práticas se pode fazer isso?

      24. De que maneiras se pode ajudar as famílias sem pai ou mãe?

      24 Pode-se dar ajuda material. A Bíblia diz: “Todo aquele que tiver os meios deste mundo para sustentar a vida e observar que o seu irmão padece necessidade, e ainda assim lhe fechar a porta das suas ternas compaixões, de que modo permanece nele o amor de Deus?” (1 João 3:17) A palavra grega original para “observar” não significa apenas um relance casual, mas sim um olhar propositado. Isso indica que o cristão bondoso talvez precise primeiro conhecer as circunstâncias e as necessidades da família. Talvez precisem de dinheiro. Alguns talvez precisem de alguém que faça consertos na casa. Ou simplesmente apreciem ser convidados para uma refeição ou uma festinha.

      25. Como podem os concristãos ser compassivos para com os pais sem cônjuge?

      25 Além disso, 1 Pedro 3:8 diz: “Sede todos da mesma mentalidade, compartilhando os sentimentos, exercendo afeição fraternal, ternamente compassivos.” Certa mãe de seis filhos, sem marido, disse: “Tem sido difícil e, às vezes, fico frustrada. Mas, de vez em quando, um irmão ou uma irmã me diz: ‘Joana, você está fazendo um bom trabalho. Vai valer a pena.’ Só saber que outros pensam na gente e se importam já ajuda.” Mulheres cristãs de mais idade podem dar ajuda especialmente eficaz a mães jovens sem marido, escutando-as quando tiverem problemas que seria embaraçoso considerar com um homem.

      26. Como podem os homens cristãos maduros ajudar crianças órfãs de pai?

      26 Os homens cristãos podem ajudar de outras maneiras. Jó, um homem justo, disse: ‘Pois eu salvava o menino órfão de pai e qualquer um que não tivesse ajudador.’ (Jó 29:12) Atualmente, alguns homens cristãos também têm interesse sadio em crianças sem pai e as tratam com genuíno “amor proveniente dum coração puro”, sem motivos escusos. (1 Timóteo 1:5) Sem negligenciar a sua própria família, eles podem vez por outra trabalhar com esses jovens no ministério cristão e, quem sabe, convidá-los a participar no estudo ou na recreação da família. Essa bondade pode muito bem salvar do mau caminho uma criança órfã.

      27. Com que apoio podem os pais sem cônjuge contar?

      27 Em última análise, naturalmente, os que criam sozinhos os filhos precisam ‘levar a sua própria carga’ de responsabilidade. (Gálatas 6:5) Mas podem contar com o amor de irmãos cristãos e do próprio Jeová Deus. A Bíblia diz a respeito de Jeová: “Alivia o menino órfão de pai e a viúva.” (Salmo 146:9) Com o seu apoio amoroso, as famílias sem pai ou mãe podem dar certo!

      a Se uma jovem cristã engravida por causa de conduta imoral, a congregação cristã de modo algum condescende com o que ela fez. Mas, se ela se arrepender, os anciãos congregacionais e outros na congregação talvez queiram ajudá-la.

      b Não nos referimos a casos em que a criança deva ser protegida de um pai ou mãe cruel ou violento. Também, se o outro tenta enfraquecer a sua autoridade, talvez visando persuadir os filhos a largar você, pode ser bom pedir que amigos experientes, como os anciãos na congregação cristã, lhe deem conselhos sobre como lidar com a situação.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . OS PAIS E OS FILHOS A LIDAR COM OS PROBLEMAS EM FAMÍLIAS SEM PAI OU MÃE?

      Jeová Deus é “pai de meninos órfãos de pai e juiz de viúvas”. — Salmo 68:5.

      O bom planejamento é essencial para o êxito. — Provérbios 21:5.

      Jeová apoia o direito dos pais de aplicar a disciplina correta. — Provérbios 1:8.

      Viúvas cristãs sensatas mantêm-se ocupadas em boas obras e persistem em oração. — 1 Timóteo 5:5, 10.

      Mostrar o devido interesse pelos ‘órfãos e viúvas’ faz parte da adoração verdadeira. — Tiago 1:27.

      O QUE OS FILHOS PODEM FAZER

      Você mora só com seu pai ou com sua mãe? Em caso afirmativo, o que pode fazer para ajudar? Por um lado, seja obediente. Nem o tamanho nem o sexo dão aos filhos permissão de ‘abandonar a lei de sua mãe’. (Provérbios 1:8) Jeová ordena que você seja obediente e, a longo prazo, isso reverterá em sua felicidade. — Provérbios 23:22; Efésios 6:1-3.

      Tome a iniciativa, seja apreciativo. “Minha mãe trabalha num hospital, e o uniforme dela tem de ser passado a ferro. Assim, eu o passo para ela”, diz Antônio. “Isso ajuda minha mãe, por isso eu o faço.” Certa mãe diz: “Verifico com frequência que, quando estou realmente abatida ou irritável por causa dum dia especialmente difícil no trabalho, e chego em casa — esse é o dia que minha filha escolheu para pôr a mesa e ir adiantando o jantar.”

      Lembre-se de que sua cooperação é importante. Depois de um duro dia de trabalho, pode ser difícil seu pai ou sua mãe dirigir o estudo bíblico familiar. Se você não cooperar, piorará as coisas. Procure estar pronto na hora marcada. Prepare as lições. Sendo obediente, apreciativo e cooperador, você agradará a seu pai ou a sua mãe e, mais importante, agradará a Deus.

  • Quando alguém da família adoece
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 10

      Quando alguém da família adoece

      1, 2. Como usou Satanás a tragédia e a doença para tentar quebrar a integridade de Jó?

      JÓ COM certeza deve ser considerado um homem que teve uma vida familiar feliz. A Bíblia chama-o de “o maior de todos os orientais”. Ele tinha sete filhos e três filhas. E tinha também boas condições de sustentar a sua família. Mais importante ainda, ele liderava as atividades espirituais e zelava pela posição de seus filhos perante Jeová. Tudo isso resultou num estreito e feliz vínculo familiar. — Jó 1:1-5.

      2 A situação de Jó não passou despercebida a Satanás, o arqui-inimigo de Jeová Deus. Satanás, que sempre procura meios de quebrar a integridade dos servos de Deus, atacou Jó por destruir a sua família feliz. Daí, “golpeou a Jó com um furúnculo maligno, desde a sola de seu pé até o alto da sua cabeça”. Dessa maneira, Satanás esperava usar a tragédia e a doença para quebrar a integridade de Jó. — Jó 2:6, 7.

      3. Quais eram os sintomas da doença de Jó?

      3 A Bíblia não dá o nome da doença de Jó. Mas descreve os seus sintomas. Sua carne ficou coberta de gusanos, sua pele formou crostas e se decompôs. Seu hálito era repulsivo, e seu corpo cheirava mal. Ele sentia muitas dores. (Jó 7:5; 19:17; 30:17, 30) Em agonia, Jó sentava-se no meio de cinzas e se raspava com um caco de cerâmica. (Jó 2:8) Realmente, um quadro lastimável!

      4. O que acontece de tempos a tempos em todas as famílias?

      4 Como reagiria você se ficasse tão doente assim? Hoje, Satanás não ataca os servos de Deus com doenças, como fez com Jó. Mesmo assim, por causa da imperfeição humana, das tensões da vida e do degenerante meio em que vivemos, só se pode esperar que, de tempos a tempos, alguém da família adoeça. Apesar das possíveis medidas preventivas, todos nós estamos sujeitos à doença, embora poucos sofram como Jó sofreu. Quando a doença invade a nossa casa, isso pode ser realmente desafiador. Vejamos, pois, como a Bíblia nos ajuda a enfrentar esse sempre presente inimigo da humanidade. — Eclesiastes 9:11; 2 Timóteo 3:16.

      COMO ISSO O AFETA?

      5. Como em geral agem os da família em casos de doença passageira?

      5 A quebra na rotina da vida, seja por que causa for, é sempre difícil, e em especial se for causada por uma doença prolongada. Mesmo uma doença passageira exige ajustes, concessões e sacrifícios. Os da família que não estão doentes talvez precisem fazer silêncio para que o doente descanse. Talvez tenham de renunciar a certas atividades. Mesmo assim, na maioria das famílias, até mesmo criancinhas se condoem de um doente, embora talvez ocasionalmente precisem ser lembradas de mostrar consideração. (Colossenses 3:12) Em caso de doença passageira, a família em geral sabe o que deve fazer. Ademais, todos na família esperam ser tratados com a mesma consideração caso um dia venham a adoecer. — Mateus 7:12.

      6. Que reações ocorrem às vezes quando alguém da família pega uma doença grave ou prolongada?

      6 E se a doença for muito grave e a quebra na rotina for drástica e prolongada? Por exemplo, se alguém fica paralisado por um derrame, incapacitado pela doença de Alzheimer ou debilitado por outra doença? Ou se um membro da família vier a sofrer de uma doença mental, como a esquizofrenia? Em geral, a primeira reação é de compaixão — tristeza pelo grande sofrimento de um ser amado. Mas a compaixão pode ser seguida de outras reações. À medida que os da família se sentem muito afetados e veem a sua liberdade ser tolhida pela doença de uma pessoa, podem passar a criar ressentimentos. Talvez se perguntem: “Por que isso acontece conosco?”

      7. Como reagiu a esposa de Jó à doença dele, e de que ela evidentemente se esqueceu?

      7 Algo similar parece ter passado pela mente da esposa de Jó. Lembre-se, ela já havia perdido os filhos. Aqueles eventos trágicos sem dúvida a deixaram cada vez mais atormentada. Por fim, quando viu seu outrora ativo e vigoroso marido padecer de uma doença dolorosa e repulsiva, ela aparentemente perdeu de vista o fator vital que se sobrepunha a todas as tragédias — a relação dela e de seu marido com Deus. A Bíblia diz: “Finalmente, [a] esposa [de Jó] lhe disse: ‘Ainda te aferras à tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!’” — Jó 2:9.

      Foto na página 118

      O cristão tem a oportunidade de revelar a profundeza de seu amor quando seu companheiro adoece

      8. Quando alguém da família fica muito doente, que texto bíblico ajudará os outros da família a manter o conceito correto?

      8 Muitos ficam frustrados, até mesmo irritados, quando a sua vida muda radicalmente por causa da doença de outra pessoa. Mas o cristão que pondera a situação deve compreender que isso lhe dá a oportunidade de demonstrar a genuinidade de seu amor. O amor verdadeiro “é longânime e benigno . . . [e] não procura os seus próprios interesses . . . Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas”. (1 Coríntios 13:4-7) Em vez de deixar que os sentimentos negativos tomem conta, portanto, é essencial fazermos o máximo para controlá-los. — Provérbios 3:21.

      9. Ter que certezas pode ajudar espiritual e emocionalmente a família que tenha alguém muito doente?

      9 O que se pode fazer para preservar o bem-estar espiritual e emocional de uma família que tenha alguém muito doente? Naturalmente, toda doença exige cuidados e tratamento próprios, e não seria apropriado recomendar neste livro algum tipo de tratamento médico, hospitalar ou em domicílio. Não obstante, em sentido espiritual, Jeová “ergue a todos os encurvados”. (Salmo 145:14) O Rei Davi escreveu: “Feliz aquele que tiver consideração para com o de condição humilde; no dia da calamidade Jeová o porá a salvo. O próprio Jeová o guardará e preservará vivo. . . . O próprio Jeová o amparará no divã de enfermidade.” (Salmo 41:1-3) Jeová preserva espiritualmente vivos os seus servos, mesmo se forem provados emocionalmente além de seus próprios limites. (2 Coríntios 4:7) Muitos que enfrentam doença grave na família têm repetido as palavras do salmista: “Fui muitíssimo atribulado. Ó Jeová, preserva-me vivo, segundo a tua palavra.” — Salmo 119:107.

      ATITUDE QUE CURA

      10, 11. (a) O que é vital para que a família enfrente com êxito a doença? (b) Como certa mulher enfrentou a doença de seu marido?

      10 “O espírito do homem pode aguentar a sua enfermidade”, diz um provérbio bíblico, “mas, quanto ao espírito abatido, quem o pode suportar?” (Provérbios 18:14) Um trauma pode afligir o espírito da família bem como “o espírito do homem”. No entanto, “o coração calmo é a vida do organismo carnal”. (Provérbios 14:30) O êxito de uma família em lidar com uma doença grave depende em grande parte da atitude, ou espírito, de seus membros. — Note Provérbios 17:22.

      11 Certa mulher cristã teve de suportar a invalidez de seu marido, causada por um derrame depois de apenas seis anos de casados. “A fala de meu marido ficou bastante prejudicada, e tornou-se quase impossível conversar com ele”, ela recorda. “O esforço mental de tentar entender o que ele queria dizer era mesmo muito grande.” Imagine, também, a agonia e a frustração que o marido deve ter sentido. O que fez o casal? Embora morassem bem longe de uma congregação cristã, a esposa fez o possível para permanecer espiritualmente forte mantendo-se em dia com as novidades organizacionais e o fluxo contínuo de alimento espiritual nas revistas A Sentinela e Despertai!. Isto deu a ela a força espiritual para cuidar de seu esposo amado até a morte dele, quatro anos depois.

      12. Como se viu no caso de Jó, que contribuição às vezes faz o doente?

      12 No caso de Jó foi ele, o enfermo, que permaneceu forte. ‘Devemos aceitar apenas o que é bom da parte do Deus verdadeiro e não aceitar também o que é mau?’, perguntou ele a sua esposa. (Jó 2:10) Não é para menos que o discípulo Tiago mais tarde citasse Jó como exemplo notável de paciência e resignação! Em Tiago 5:11 lemos: “Ouvistes falar da perseverança de Jó e vistes o resultado que Jeová deu, que Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso.” Também hoje, em muitos casos, a coragem do doente tem ajudado outros na família a manter um enfoque positivo.

      13. Que comparação não deve fazer a família que tenha alguém muito doente?

      13 A maioria dos que já enfrentaram doença na família concorda que, de início, não é incomum que outros na família achem difícil enfrentar a realidade. Dizem também ser de extrema importância a maneira de se encarar a situação. Mudanças e ajustes na rotina da família podem ser difíceis de início. Mas, se realmente se esforçar, a pessoa poderá ajustar-se a uma situação nova. Ao fazer isso, é importante não comparar as nossas circunstâncias com as de outros que não têm doença na família, achando que a vida deles é mais fácil e que ‘isso simplesmente não é justo!’. Na verdade, ninguém realmente sabe que cargas os outros têm de carregar. Todos os cristãos encontram consolo nas palavras de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei.” — Mateus 11:28.

      ESTABELEÇA PRIORIDADES

      14. Como se pode estabelecer prioridades corretas?

      14 Em face de doença grave, a família faria bem em lembrar-se destas palavras inspiradas: “Na multidão de conselheiros há consecução.” (Provérbios 15:22) Poderia a família reunir-se e discutir a situação provocada pela doença? Certamente seria bom fazer isso com oração, e buscar orientação na Palavra de Deus. (Salmo 25:4) O que se devia considerar nessa reunião? Bem, há decisões a tomar sobre tratamento médico, assuntos financeiros e de família. Quem, principalmente, cuidará do doente? Como pode a família cooperar nesse sentido? De que modo os planos afetarão cada membro da família? Como serão atendidas as necessidades espirituais e outras do responsável principal de cuidar do doente?

      15. Que apoio dá Jeová à família que tenha alguém muito doente?

      15 Buscar fervorosamente a orientação de Jeová em oração, meditar na sua Palavra e seguir corajosamente o caminho indicado pela Bíblia muitas vezes resulta em bênçãos além de nossas expectativas. A recuperação da pessoa doente na família nem sempre acontece. Mas confiar em Jeová sempre resulta no melhor, em qualquer situação. (Salmo 55:22) O salmista escreveu: “Amparava-me a tua própria benevolência, ó Jeová. Quando os meus pensamentos inquietantes se tornaram muitos no meu íntimo, tuas próprias consolações começaram a afagar a minha alma.” — Salmo 94:18, 19; veja também Salmo 63:6-8.

      COMO AJUDAR AS CRIANÇAS

      Foto na página 125

      O esforço conjunto da família torna possível resolver os problemas

      16, 17. O que se pode dizer para uma criancinha a respeito da doença de um de seus irmãos?

      16 A doença grave na família pode causar problemas para os filhos. É vital que os pais ajudem os filhos a entender as necessidades que surgiram e o que podem fazer para ajudar. Se o doente é um dos filhos, deve-se ajudar seus irmãos a entender que a atenção e cuidados extras que ele recebe não significa que os outros filhos sejam menos amados. Em vez de permitir que surjam ressentimento ou rivalidade, os pais podem ajudar os outros filhos a desenvolver um vínculo ainda mais estreito entre si e a ter afeto genuíno à medida que ajudam a enfrentar a situação causada pela doença.

      17 Criancinhas geralmente serão mais receptivas se os pais apelarem para seus sentimentos, em vez de para longas ou complicadas explicações clínicas. Assim, elas terão uma noção do que o doente está passando. Se os filhos não doentes observarem como a doença impede o doente de fazer muitas das coisas que eles consideram naturais, provavelmente terão mais “afeição fraternal” e serão “ternamente compassivos”. — 1 Pedro 3:8.

      18. Como se pode ajudar os filhos mais velhos a entender os problemas causados pela doença, e como isso lhes pode beneficiar?

      18 Aos filhos mais velhos deve-se ajudar a ver que existe uma situação difícil e que é preciso abnegação da parte de todos na família. Com consultas médicas e remédios a pagar, pode não ser possível que os pais deem aos outros filhos tudo o que gostariam de dar. Ficarão ressentidos os filhos, achando que estão sendo lesados? Ou entenderão a situação e desejarão fazer os necessários sacrifícios? Muito depende de como o assunto é tratado e do espírito que se cria na família. De fato, em muitos lares, a doença na família ajuda os filhos a aplicar o conselho de Paulo: “Não [façais] nada por briga ou por egotismo, mas, com humildade mental, [considerai] os outros superiores a vós, não visando, em interesse pessoal, apenas os vossos próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros.” — Filipenses 2:3, 4.

      TRATAMENTO MÉDICO

      19, 20. (a) Que responsabilidades recaem sobre os chefes de família que tenham alguém doente na família? (b) Embora não seja um livro de medicina, de que modo a Bíblia dá orientações em questões de doença?

      19 Cristãos equilibrados não se opõem a tratamento médico, contanto que este não viole a lei de Deus. Quando alguém da família adoece, eles buscam avidamente ajuda para aliviar o padecimento do enfermo. Mesmo assim, pode haver opiniões médicas conflitantes, que precisam ser avaliadas. Além do mais, em anos recentes surgiram doenças e distúrbios novos, muitos dos quais ainda não têm um tratamento padrão amplamente reconhecido. Até mesmo um diagnóstico correto pode ser difícil de conseguir. Então, o que deve fazer o cristão?

      20 Embora um dos escritores bíblicos fosse médico e o apóstolo Paulo desse bons conselhos de saúde ao seu amigo Timóteo, as Escrituras são um guia moral e espiritual, não um livro de medicina. (Colossenses 4:14; 1 Timóteo 5:23) Assim, em assuntos de tratamento médico, os chefes de família cristãos têm de tomar as suas próprias decisões equilibradas. Talvez constatem que precisam obter mais de uma opinião médica. (Note Provérbios 18:17.) Certamente desejam a melhor assistência disponível para o doente, e a maioria procura isso entre os médicos convencionais. Alguns confiam mais em terapias alternativas. Isso também é assunto de decisão pessoal. Mas mesmo assim, ao lidar com problemas de saúde, os cristãos não impedem que ‘a palavra de Deus seja lâmpada para os seus pés e luz para a sua senda’. (Salmo 119:105) Eles seguem sempre as orientações da Bíblia. (Isaías 55:8, 9) Assim, evitam técnicas de diagnóstico que envolvam espiritismo e tratamentos que violem princípios bíblicos. — Salmo 36:9; Atos 15:28, 29; Revelação (Apocalipse) 21:8.

      21, 22. Que aplicação de um princípio bíblico fez certa mulher asiática, e como a decisão dela se mostrou acertada no seu caso?

      21 Veja o caso de uma jovem senhora asiática. Pouco depois de ter começado a aprender sobre a Bíblia em resultado de seu estudo com uma Testemunha de Jeová, ela deu à luz prematuramente uma menina de apenas 1 quilo e 470 gramas. Ela ficou arrasada quando um médico lhe disse que a criança sofreria de sérias limitações no desenvolvimento e que jamais conseguiria andar. Ele aconselhou-a a entregar o bebê a uma instituição. Seu marido ficou indeciso. A quem ela poderia recorrer?

      22 Ela diz: “Lembrei-me de ter aprendido na Bíblia que ‘os filhos são uma herança da parte de Jeová; o fruto do ventre é uma recompensa’.” (Salmo 127:3) Ela decidiu levar para casa essa “herança” e cuidar dela. Foi difícil no começo, mas, com a ajuda de irmãos cristãos da congregação local das Testemunhas de Jeová, ela saiu-se bem e proveu a criança da necessária ajuda especial. Doze anos mais tarde, a menina ia às reuniões no Salão do Reino e se associava com outros jovens. A mãe comenta: “Sou muito grata de que os princípios bíblicos levaram-me a fazer o que é certo. A Bíblia ajudou-me a ter uma consciência limpa perante Jeová Deus e a evitar o arrependimento pelo resto da vida.”

      23. Que consolo dá a Bíblia aos doentes e aos que cuidam deles?

      23 As doenças não existirão para sempre. O profeta Isaías apontou o tempo em que “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” (Isaías 33:24) Essa promessa se cumprirá no iminente novo mundo. Mas, até lá, temos de conviver com a doença e a morte. Felizmente, a Palavra de Deus nos orienta e ajuda. As regras básicas de conduta da Bíblia são perenes, e transcendem as sempre mutáveis opiniões de humanos imperfeitos. Assim, a pessoa sábia concorda com o salmista, que escreveu: “A lei de Jeová é perfeita, fazendo retornar a alma. A advertência de Jeová é fidedigna, tornando sábio o inexperiente. . . . As decisões judiciais de Jeová são verdadeiras; mostraram-se inteiramente justas. . . . Há grande recompensa em guardá-las.” — Salmo 19:7, 9, 11.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A FAMÍLIA A ENFRENTAR A DOENÇA GRAVE E A QUEBRA DE ROTINA QUE ELA PROVOCA?

      O amor é longânime e suporta todas as coisas. — 1 Coríntios 13:4-7.

      É importante cultivar atitude correta. — Provérbios 18:14.

      É bom procurar conselhos antes de tomar decisões importantes. — Provérbios 15:22.

      Jeová nos dá apoio quando a vida é difícil. — Salmo 55:22.

      A Palavra de Jeová é um guia em todas as situações. — Salmo 119:105.

  • Mantenha a paz na família
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 11

      Mantenha a paz na família

      1. Que diversos fatores podem causar divisão na família?

      FELIZES são os que têm uma família em que há amor, compreensão e paz. Esperamos que seja assim na sua família. Lamentavelmente, inúmeras famílias não se enquadram nessa descrição, e estão divididas por uma razão ou outra. O que divide as famílias? Neste capítulo, consideraremos três fatores. Em algumas famílias, nem todos são da mesma religião. Em outras, os filhos não têm o mesmo pai ou a mesma mãe biológicos. Em ainda outras, a luta pelo sustento ou o desejo de possuir mais bens materiais parecem forçar a desunião da família. No entanto, certas circunstâncias que numa família causam divisão podem não ter o mesmo efeito em outras. O que faz a diferença?

      2. De quem alguns buscam orientações para a vida familiar, mas qual é a melhor fonte de tais orientações?

      2 Um dos fatores é o ponto de vista. Se você tenta sinceramente entender o ponto de vista da outra pessoa, é mais provável que discirna como preservar a união na família. Um segundo fator é a sua fonte de orientações. Muitos seguem os conselhos de colegas de trabalho, de vizinhos, de colunistas de jornal ou de outros conselheiros humanos. Mas há os que descobriram o que a Palavra de Deus diz sobre a sua situação e passaram a aplicar o que aprenderam. Como é que isso ajuda a manter a paz no lar? — 2 Timóteo 3:16, 17.

      SE SEU MARIDO É DE OUTRA RELIGIÃO

      Foto na página 130

      Procure entender o ponto de vista do outro

      3. (a) Qual é o conselho bíblico sobre casar-se com alguém de religião diferente? (b) Cite alguns princípios básicos que se aplicam caso um dos cônjuges seja crente e o outro não.

      3 A Bíblia nos aconselha fortemente a não nos casar com alguém de outra religião. (Deuteronômio 7:3, 4; 1 Coríntios 7:39) Mas talvez você tenha aprendido a verdade bíblica já casada, e seu marido não. E então? Naturalmente, os votos conjugais ainda valem. (1 Coríntios 7:10) A Bíblia enfatiza a perenidade do vínculo conjugal e incentiva os casais a resolver suas divergências, em vez de fugir delas. (Efésios 5:28-31; Tito 2:4, 5) Mas, que dizer se seu marido for rigorosamente contra a que você pratique a religião da Bíblia? Talvez tente impedi-la de ir às reuniões congregacionais ou diga que não quer que sua esposa vá de casa em casa falar de religião. O que você fará?

      4. Como pode a esposa mostrar empatia caso o marido não seja da mesma religião?

      4 Pergunte-se: ‘Por que meu marido pensa assim?’ (Provérbios 16:20, 23) Se ele não entende o que você faz, talvez se preocupe com você. Ou talvez esteja sendo pressionado por parentes porque você não mais participa de certos costumes importantes para eles. “Sozinho em casa, eu me sentia desprezado”, disse certo marido. Ele achava que estava perdendo a sua esposa para uma religião. Mas o orgulho o impedia de admitir a sua solidão. Seu marido talvez precise da garantia de que seu amor a Jeová não significa que você agora o ama menos do que antes. Não deixe de buscar a companhia dele.

      5. Que equilíbrio deve ter a esposa cujo marido é de outra religião?

      5 Mas, para enfrentar sabiamente a situação, é preciso atentar a algo ainda mais importante. A Palavra de Deus exorta as esposas: “Estai sujeitas aos vossos maridos, assim como é decente no Senhor.” (Colossenses 3:18) Assim, ela alerta contra o espírito de independência. Além disso, por dizer “como é decente no Senhor”, esse texto indica que a sujeição ao marido deve levar em conta também a sujeição ao Senhor. Tem de haver equilíbrio.

      6. Que princípios deve ter em mente a esposa cristã?

      6 Para o cristão, assistir a reuniões congregacionais e dar testemunho de sua fé baseada na Bíblia são aspectos importantes da adoração verdadeira que não devem ser negligenciados. (Romanos 10:9, 10, 14; Hebreus 10:24, 25) O que faria, então, se um humano lhe proibisse categoricamente de cumprir um requisito de Deus? Os apóstolos de Jesus Cristo declararam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) O exemplo deles abriu um precedente aplicável a muitas situações na vida. Será que seu amor a Jeová induzirá você a dar a Ele a devoção que de direito Lhe pertence? Ao mesmo tempo, fará seu amor e respeito pelo marido com que você procure fazer isso de um modo que seja aceitável para ele? — Mateus 4:10; 1 João 5:3.

      7. Que determinação deve ter a esposa cristã?

      7 Jesus disse que isso nem sempre seria possível. Ele alertou que, por causa da oposição à adoração verdadeira, membros crentes de algumas famílias se sentiriam cortados dos demais, como que por um golpe de espada. (Mateus 10:34-36) Certa mulher, no Japão, passou por isso. Ela sofreu oposição do marido por 11 anos. Ele a maltratava terrivelmente e, muitas vezes, a trancava fora de casa. Mas ela permaneceu firme. Irmãos da congregação cristã ajudaram-na. Ela orava incessantemente e derivava muito encorajamento de 1 Pedro 2:20. Essa cristã tinha certeza de que, se perseverasse, um dia seu marido se juntaria a ela em servir a Jeová. E foi isso o que aconteceu.

      8, 9. Como pode a esposa evitar criar obstáculos desnecessários para o marido?

      8 Há muito que você pode fazer para influir na atitude de seu marido. Por exemplo, se ele é contra a sua religião, não lhe dê razões válidas para se queixar em outros sentidos. Mantenha limpa a casa. Zele pela sua aparência pessoal. Seja generosa nas expressões de amor e apreço. Em vez de criticar, apoie. Mostre que você conta com a chefia dele. Não retalie, caso se sinta injustiçada. (1 Pedro 2:21, 23) Faça concessões à imperfeição humana e, em caso de altercação, humildemente seja a primeira a pedir desculpas. — Efésios 4:26.

      9 Não permita que a sua ida às reuniões atrase as refeições. Talvez prefira também participar no ministério cristão quando seu marido não está em casa. É sensato que a esposa cristã evite pregar ao marido, caso ele não se interesse. Ela prefere seguir o conselho do apóstolo Pedro: “Vós, esposas, estai sujeitas aos vossos próprios maridos, a fim de que, se alguns não forem obedientes à palavra, sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito.” (1 Pedro 3:1, 2) As esposas cristãs procuram se esmerar na manifestação dos frutos do espírito de Deus. — Gálatas 5:22, 23.

      QUANDO A ESPOSA NÃO É CRISTÃ

      10. Como deve o marido agir com a esposa que professe uma crença diferente?

      10 Que dizer se o marido é cristão e a esposa não? A Bíblia dá orientações para essa situação. Ela diz: “Se algum irmão tiver esposa incrédula, e ela, contudo, estiver disposta a morar com ele, que ele não a deixe.” (1 Coríntios 7:12) Ela também admoesta os maridos: “Persisti em amar as vossas esposas.” — Colossenses 3:19.

      11. Como pode o marido usar discernimento e tato na chefia caso a esposa não seja cristã?

      11 Se a religião de sua esposa é diferente da sua, faça esforço especial de mostrar respeito pela sua companheira e consideração pelos seus sentimentos. Como adulta, ela tem direito a certa medida de liberdade para praticar suas crenças religiosas, mesmo que você discorde delas. Não espere que da primeira vez que você falar com ela a respeito de sua fé ela abandone suas crenças de longa data em favor de algo novo. Em vez de dizer abruptamente que os costumes religiosos que ela e a família dela há tanto tempo prezam são falsos, procure pacientemente raciocinar com ela à base das Escrituras. Ela pode sentir-se desprezada caso você dedique muito tempo às atividades da congregação. Talvez se oponha aos seus empenhos de servir a Jeová, mas o recado básico talvez seja apenas: “Preciso que fique mais tempo comigo!” Seja paciente. Com amor e consideração, com o tempo ela poderá ser ajudada a aceitar a adoração verdadeira. — Colossenses 3:12-14; 1 Pedro 3:8, 9.

      EDUCAÇÃO DOS FILHOS

      12. Mesmo que o marido e a esposa sejam de religiões diferentes, como devem os princípios bíblicos governar a educação dos filhos?

      12 Numa família não unida na adoração, a instrução religiosa dos filhos pode ser um problema. Como aplicar os princípios bíblicos? A Bíblia atribui ao pai a responsabilidade primária de instruir os filhos, mas a mãe também tem um papel importante nisso. (Provérbios 1:8; note Gênesis 18:19; Deuteronômio 11:18, 19.) Mesmo que não aceite a chefia de Cristo, o pai ainda é o cabeça da família.

      13, 14. Se o marido proíbe a esposa de levar os filhos às reuniões cristãs ou de estudar com eles, o que ela pode fazer?

      13 Alguns pais descrentes não objetam a que a mãe ensine religião aos filhos. Outros objetam. Que fazer se seu marido proíbe você de levar os filhos às reuniões congregacionais ou até mesmo de estudar a Bíblia com eles em casa? Nesse caso, é preciso equilibrar várias obrigações — sua obrigação para com Jeová Deus, para com seu cabeça conjugal e para com seus filhos amados. Como conciliar tudo isso?

      14 Com certeza você orará a respeito. (Filipenses 4:6, 7; 1 João 5:14) No fim das contas, porém, você é que terá de decidir o que fazer. Se usar de tato, deixando claro para seu marido que você não está desafiando a chefia dele, pode ser que a oposição se atenue. Mesmo que ele proíba você de levar os filhos às reuniões, ou de ter um estudo bíblico formal com eles, você pode ensiná-los. Por meio da conversa diária e do bom exemplo, procure inculcar neles uma boa medida de amor a Jeová, de fé na sua Palavra, de respeito pelos pais — incluindo o pai — de interesse no bem-estar dos outros e de apreço por bons hábitos de trabalho. Com o tempo, o pai talvez note os bons resultados e venha a valorizar os seus empenhos. — Provérbios 23:24.

      15. Qual é a responsabilidade do pai cristão na educação dos filhos?

      15 Se você é cristão e sua esposa não, é seu dever criar os filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová”. (Efésios 6:4) Ao fazer isso, naturalmente, você deve ser bondoso, amoroso e razoável com a sua esposa.

      SE A SUA RELIGIÃO NÃO É A MESMA DA DE SEUS PAIS

      16, 17. Que princípios bíblicos devem os filhos ter em mente caso sigam uma religião diferente da dos pais?

      16 Atualmente, não é incomum que até filhos menores adotem conceitos religiosos diferentes dos de seus pais. É esse o seu caso? Se for, a Bíblia tem conselhos para você.

      17 A Palavra de Deus diz: “Sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra a teu pai e a tua mãe.’” (Efésios 6:1, 2) Isso envolve respeito sadio pelos pais. Contudo, embora seja importante obedecer aos pais, não se deve fazer isso sem levar em conta o Deus verdadeiro. Quando a criança atinge idade suficiente para começar a tomar decisões, ela aumenta a sua medida de responsabilidade pelas suas ações. Isso se dá não só com relação à lei secular mas, em especial, com relação à lei divina. “Cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”, diz a Bíblia. — Romanos 14:12.

      18, 19. Se a religião dos filhos for diferente da dos pais, como podem eles ajudar os pais a entender melhor a sua fé?

      18 Se as suas crenças causarem mudanças na sua vida, procure entender o ponto de vista de seus pais. Provavelmente se agradarão de ver que os ensinos bíblicos que você aprende e aplica fazem de você uma pessoa mais respeitosa, mais obediente e mais diligente naquilo que lhe pedem. Mas, se a sua nova fé também o leva a rejeitar crenças e costumes que seus pais prezam, é possível que eles achem que você repudia um legado cultural que eles tentam lhe passar. Talvez também temam pelo seu bem-estar, se aquilo que você faz não é popular na comunidade ou se desvia a sua atenção de interesses que, no entender deles, ajudariam você a prosperar materialmente. O orgulho também pode ser uma barreira. Talvez achem que, na realidade, o que você está querendo dizer é que você está certo e eles estão errados.

      19 Logo que possível, portanto, procure fazer com que seus pais conheçam alguns dos anciãos ou outras Testemunhas de Jeová maduras da congregação local. Incentive seus pais a ir ao Salão do Reino para ouvir o que se diz ali e ver pessoalmente como são as Testemunhas de Jeová. Com o tempo, a atitude deles talvez se abrande. Mesmo que sejam opositores ferrenhos, destruam literatura bíblica e proíbam os filhos de assistir a reuniões cristãs, em geral surgem oportunidades para ler em outros lugares, para falar com concristãos e para dar testemunho e ajuda informal a outros. Pode-se também orar a Jeová. Há jovens que precisam esperar até terem idade suficiente para sair de casa e fazer mais. Independentemente da situação na sua casa, porém, não deixe de ‘honrar a seu pai e a sua mãe’. Dê a sua contribuição para a paz no lar. (Romanos 12:17, 18) Acima de tudo, busque a paz com Deus.

      O DESAFIO DE SER PADRASTO OU MADRASTA

      20. Que sentimentos podem ter os filhos com relação ao padrasto ou à madrasta?

      20 Em muitos lares, a situação mais desafiadora não é religiosa, mas sim biológica. Em muitas famílias hoje há filhos de casamentos anteriores de um ou de ambos os cônjuges. Nessas famílias, os filhos talvez sintam ciúme e ressentimento ou um conflito de lealdade. Assim, talvez repilam os esforços sinceros do padrasto ou da madrasta de ser um bom pai ou uma boa mãe. O que pode ajudar uma família de um segundo casamento a dar certo?

      Foto na página 138

      Como pais biológicos ou de criação, confiem na orientação da Bíblia

      21. Apesar de suas circunstâncias especiais, por que devem os padrastos ou as madrastas recorrer à ajuda dos princípios da Bíblia?

      21 Tenha consciência de que, apesar das circunstâncias especiais, os princípios bíblicos que produzem bons resultados em outras famílias também se aplicam nesse caso. Ignorar esses princípios pode, momentaneamente, parecer diminuir um problema, mas, provavelmente trará dor de cabeça no futuro. (Salmo 127:1; Provérbios 29:15) Cultive sabedoria e discernimento — sabedoria para aplicar os princípios piedosos visando benefícios a longo prazo, e discernimento para identificar por que os membros da família dizem e fazem certas coisas. É preciso também empatia. — Provérbios 16:21; 24:3; 1 Pedro 3:8.

      22. Por que alguns filhos acham difícil aceitar um padrasto ou uma madrasta?

      22 Se você é padrasto ou madrasta, talvez se lembre de que, como amigo ou amiga da família, você talvez fosse benquisto(a) pelas crianças. Mas, quando se tornou seu padrasto ou madrasta, a atitude delas talvez tenha mudado. Lembrando do pai ou da mãe biológicos que não vivem mais com elas, as crianças talvez enfrentem um conflito de lealdade, possivelmente achando que você queira usurpar a afeição delas pelo pai ou mãe ausentes. Às vezes, talvez lhe façam lembrar bruscamente que você não é o pai ou a mãe delas. Tais declarações ferem. Mesmo assim, ‘não se precipite no seu espírito em ficar ofendido’. (Eclesiastes 7:9) É preciso discernimento e empatia para lidar com os sentimentos das crianças.

      23. Como se pode cuidar da disciplina numa família em que há enteados?

      23 Essas qualidades são cruciais na aplicação da disciplina. A disciplina coerente é vital. (Provérbios 6:20; 13:1) E, visto que as crianças não são todas iguais, a disciplina pode variar de caso a caso. Alguns pais adotivos acham que, pelo menos de início, é melhor que o pai ou a mãe biológicos cuidem desse aspecto da criação dos filhos. Mas é essencial que ambos concordem com a disciplina e a apoiem, sem favorecer o filho legítimo em detrimento do adotivo. (Provérbios 24:23) A obediência é fundamental, mas, é preciso fazer concessões à imperfeição. Não se exceda. Discipline com amor. — Colossenses 3:21.

      24. O que pode ajudar a evitar problemas de moral entre pessoas do sexo oposto numa família de um segundo casamento?

      24 Palestras em família podem ser muito úteis para prevenir dificuldades. Podem ajudar a família a manter em foco as coisas mais importantes na vida. (Note Filipenses 1:9-11.) Podem ser úteis também para que cada qual veja que contribuição pode dar para alcançar os alvos da família. Além disso, palestras francas em família podem evitar problemas morais. As moças devem saber como se vestir e se comportar com relação ao padrasto ou a irmãos de criação, e os rapazes precisam de conselhos sobre boa conduta com relação à madrasta ou a irmãs de criação. — 1 Tessalonicenses 4:3-8.

      25. Que qualidades podem ajudar a manter a paz numa família de um segundo casamento?

      25 Ao enfrentar o desafio especial de ser padrasto ou madrasta, seja paciente. Desenvolver novas relações leva tempo. Granjear o amor e o respeito de filhos sem ter com eles um vínculo biológico pode ser uma tarefa monumental. Mas é possível. Um coração sábio e discernidor, aliado a um forte desejo de agradar a Jeová, é a chave da paz na família de um segundo casamento. (Provérbios 16:20) Essas qualidades lhe poderão ser úteis para enfrentar ainda outras situações.

      EMPENHOS MATERIALISTAS DIVIDEM SUA FAMÍLIA?

      26. De que maneiras problemas e atitudes relacionados com bens materiais podem dividir a família?

      26 Problemas e atitudes relacionados com bens materiais podem dividir as famílias de muitas maneiras. Infelizmente, algumas famílias se rompem por causa de discussões sobre dinheiro e do desejo de ficar rico — ou pelo menos um pouco mais rico. Podem ocorrer divisões quando marido e mulher trabalham fora e cultivam a atitude de “cada um com seu próprio dinheiro”. Mesmo não havendo discussões, quando ambos trabalham fora a sua carga horária talvez lhes conceda pouco tempo um para o outro. Uma tendência crescente no mundo é o pai deixar a família por longos períodos — meses ou até anos — para ganhar dinheiro que jamais ganharia na sua terra. Isso pode criar problemas muito sérios.

      27. Que diversos princípios podem ajudar a família que sofre pressões financeiras?

      27 Não se pode fixar regras para situações assim, pois diferentes famílias enfrentam diferentes pressões e necessidades. Mesmo assim, os conselhos bíblicos podem ajudar. Por exemplo, Provérbios 13:10 indica que ‘consultar-se mutuamente’ pode, às vezes, evitar rixas desnecessárias. Isso envolve não só expor seus próprios conceitos, mas também buscar sugestões e descobrir como a outra pessoa vê a questão. Além disso, elaborar um orçamento realístico pode ajudar a unir os empenhos da família. Às vezes é necessário — talvez temporariamente — que ambos os cônjuges trabalhem fora para arcar com despesas adicionais, especialmente quando há filhos ou outros dependentes. Nesse caso, o marido pode reafirmar à sua esposa que ele ainda tem tempo para ela. Junto com os filhos, ele pode amorosamente ajudar a realizar certos serviços que ela normalmente faria sozinha. — Filipenses 2:1-4.

      28. Que lembretes, se forem acatados, contribuirão para a união da família?

      28 Mas tenha em mente que, embora seja uma necessidade neste sistema de coisas, o dinheiro não traz felicidade. Certamente não dá vida. (Eclesiastes 7:12) De fato, dar valor demais a bens materiais pode levar à ruína espiritual e moral. (1 Timóteo 6:9-12) É muito melhor dar primazia ao Reino de Deus e a Sua justiça, na certeza de sermos abençoados por Jeová nos nossos empenhos de obter as necessidades da vida! (Mateus 6:25-33; Hebreus 13:5) Por priorizar os interesses espirituais e buscar a paz acima de tudo com Deus, verificará que a sua família, embora talvez dividida por certas circunstâncias, será realmente unida nos aspectos mais importantes.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A FAMÍLIA A PRESERVAR A PAZ NO LAR?

      Os cristãos cultivam discernimento. — Provérbios 16:21; 24:3.

      O amor e o respeito no casamento não dependem de o casal ser da mesma religião. — Efésios 5:23, 25.

      O cristão jamais violará deliberadamente a lei de Deus. — Atos 5:29.

      Os cristãos promovem a paz. — Romanos 12:18.

      Não se ofenda facilmente. — Eclesiastes 7:9.

      O CASAMENTO CORRETO RESULTA EM DIGNIDADE E PAZ

      Atualmente muitos homens e mulheres vivem juntos como marido e esposa sem nenhum compromisso legal. É uma situação com que se deparam alguns recém-associados na congregação cristã. Em alguns casos, a união talvez seja aprovada pela comunidade ou pelos costumes tribais, mas não é legal. A norma bíblica, porém, exige um casamento devidamente registrado. (Tito 3:1; Hebreus 13:4) Para os da congregação cristã a Bíblia estipula também que haja apenas um marido e uma esposa na união conjugal. (1 Coríntios 7:2; 1 Timóteo 3:2, 12) Ajustar-se a essa norma é um dos primeiros passos para a paz no lar. (Salmo 119:165) Os requisitos de Jeová não são irrealísticos nem pesados. Seus ensinos visam nos beneficiar. — Isaías 48:17, 18.

  • É possível vencer problemas que causam dano à família
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 12

      É possível vencer problemas que causam dano à família

      1. Que problemas ocultos existem em algumas famílias?

      O VELHO carro acaba de ser lavado e polido. A aparência dele é lustrosa, quase como novo. Mas, abaixo da superfície, a ferrugem corrói a lataria. Algo parecido acontece em algumas famílias. Embora superficialmente tudo pareça estar bem, rostos sorridentes escondem medo e sofrimento. Atrás de portas fechadas, elementos corrosivos devoram a paz da família. Dois problemas que podem causar isso são o alcoolismo e a violência.

      OS MALES DO ALCOOLISMO

      2. (a) Qual é o conceito da Bíblia sobre bebidas alcoólicas? (b) O que é alcoolismo?

      2 A Bíblia não condena o uso moderado de bebidas alcoólicas, mas sim a bebedeira. (Provérbios 23:20, 21; 1 Coríntios 6:9, 10; 1 Timóteo 5:23; Tito 2:2, 3) O alcoolismo, porém, é mais do que bebedeira; é um interesse crônico por bebidas alcoólicas e perda de controle sobre o seu consumo. Os alcoólatras, em geral, são adultos. Mas, infelizmente, podem também ser jovens.

      3, 4. Descreva os efeitos do alcoolismo sobre o cônjuge do alcoólatra e os filhos.

      3 A Bíblia há muito indicou que o mau uso do álcool pode destruir a paz na família. (Deuteronômio 21:18-21) Os efeitos corrosivos do alcoolismo atingem toda a família. A esposa talvez se desdobre tentando fazer o alcoólatra parar de beber ou para suportar o comportamento imprevisível dele.a Ela tenta esconder a bebida, joga-a fora, esconde o dinheiro e apela para o amor dele à família, à vida, até mesmo a Deus — mas o alcoólatra continua a beber. E, quando seus esforços de controlar o vício do marido fracassam repetidas vezes, ela se sente frustrada e incompetente. Talvez venha a sentir medo, ira, culpa, nervosismo, ansiedade e falta de amor-próprio.

      4 Os filhos não escapam dos efeitos do alcoolismo dos pais. Alguns sofrem agressões físicas. Outros são molestados sexualmente. Talvez até culpem a si mesmos pelo alcoolismo dos pais. Em muitos casos, a sua capacidade de confiar nos outros fica abalada devido ao comportamento incoerente do alcoólatra. Visto que não se sentem à vontade para falar sobre o que acontece em casa, os filhos talvez aprendam a reprimir seus sentimentos, não raro com consequências físicas prejudiciais. (Provérbios 17:22) Tais filhos talvez levem para a sua vida adulta essa falta de autoafirmação e amor-próprio.

      O QUE A FAMÍLIA PODE FAZER

      5. Como se pode lidar com o alcoolismo, e por que isso é difícil?

      5 Embora muitos especialistas digam que o alcoolismo não tem cura, a maioria concorda que certa medida de recuperação é possível com um programa de abstinência total. (Note Mateus 5:29.) Contudo, convencer um alcoólatra a aceitar ajuda é mais fácil dizer do que fazer, pois, via de regra, ele nega ter o problema. No entanto, quando os membros da família agem para controlar os efeitos do alcoolismo sobre eles, o alcoólatra talvez passe a ver que ele realmente tem um problema. Certo médico, experiente no tratamento de alcoólatras e de suas famílias, disse: “Penso que o mais importante é a família simplesmente cuidar dos assuntos da vida da maneira mais saudável que puder. O alcoólatra cada vez mais se depara com a enormidade do contraste entre ele e o restante da família.”

      6. Qual é a melhor fonte de conselhos para a família de um alcoólatra?

      6 Se há um alcoólatra na sua família, os conselhos inspirados da Bíblia podem ajudar você a viver da maneira mais normal possível. (Isaías 48:17; 2 Timóteo 3:16, 17) Veja alguns princípios que têm ajudado famílias a combater o alcoolismo.

      7. Se um membro da família é alcoólatra, de quem é a culpa?

      7 Pare de assumir toda a culpa. A Bíblia diz: “Cada um levará a sua própria carga” e, “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. (Gálatas 6:5; Romanos 14:12) O alcoólatra talvez tente culpar os outros membros da família. Talvez diga: “Se você me tratasse melhor, eu não beberia.” Se outros parecerem concordar com ele, estarão incentivando-o a continuar a beber. Mas, mesmo sendo vítimas das circunstâncias ou de outras pessoas, todos nós — incluindo os alcoólatras — somos responsáveis pelos nossos atos. — Note Filipenses 2:12.

      8. Como se pode ajudar o alcoólatra a enfrentar as consequências de seu problema?

      8 Não pense que é sempre preciso livrar o alcoólatra das consequências do seu hábito. Um provérbio bíblico sobre alguém que se enfurece pode aplicar-se também ao alcoólatra: “Se tu o livrasses, também continuarias a fazê-lo vez após vez.” (Provérbios 19:19) Deixe que o alcoólatra sinta os efeitos de seu hábito. Deixe que ele mesmo limpe a sujeira ou arrume a desordem que causou, e que ele mesmo telefone ao patrão na manhã seguinte à bebedeira.

      Picture on page 146

      Os anciãos cristãos podem ser de grande ajuda para resolver problemas de família

      9, 10. Por que a família de um alcoólatra deve aceitar ajuda, e em especial a ajuda de quem deve buscar?

      9 Aceite ajuda. Provérbios 17:17 diz: “O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição.” Ter um alcoólatra na família é aflitivo. Você precisa de ajuda. Não hesite em confiar no apoio de ‘companheiros verdadeiros’. (Provérbios 18:24) Falar com quem entende o problema, ou que já passou por uma situação similar, talvez resulte em sugestões práticas sobre o que fazer e o que não fazer. Mas seja equilibrado. Fale com pessoas de sua confiança, que respeitarão a sua “palestra confidencial”. — Provérbios 11:13.

      10 Confie nos anciãos cristãos. Os anciãos na congregação cristã podem ser de grande ajuda. Esses homens maduros conhecem bem a Palavra de Deus e são experientes na aplicação de seus princípios. Podem ser “como abrigo contra o vento e como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a sombra dum pesado rochedo numa terra esgotada”. (Isaías 32:2) Os anciãos cristãos não apenas protegem a congregação em geral contra influências prejudiciais, mas também consolam, revigoram e dão atenção pessoal aos que têm problemas. Aproveite bem essa ajuda.

      11, 12. Da parte de quem vem a principal ajuda às famílias de alcoólatras, e como se dá esse apoio?

      11 Acima de tudo, derive forças de Jeová. A Bíblia nos garante cordialmente: “Perto está Jeová dos que têm coração quebrantado; e salva os que têm espírito esmagado.” (Salmo 34:18) Se você está de ‘coração quebrantado e espírito esmagado’ por causa das pressões de conviver com um alcoólatra, saiba que ‘Jeová está perto’. Ele sabe como é difícil a sua situação familiar. — 1 Pedro 5:6, 7.

      12 Crer no que Jeová diz na sua Palavra pode ajudá-lo a controlar a sua ansiedade. (Salmo 130:3, 4; Mateus 6:25-34; 1 João 3:19, 20) Estudar a Palavra de Deus e viver segundo os seus princípios o habilitará a receber a ajuda do espírito santo de Deus, que lhe pode dar “poder além do normal” para superar as dificuldades dia após dia. — 2 Coríntios 4:7.b

      13. Que outro problema prejudica muitas famílias?

      13 O abuso do álcool pode levar a outro problema que prejudica muitas famílias: a violência doméstica.

      MALES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

      14. Quando começou a violência doméstica, e qual é a situação hoje?

      14 O primeiro ato violento na história humana foi um incidente de violência doméstica envolvendo dois irmãos, Caim e Abel. (Gênesis 4:8) Desde então, a humanidade tem sido afligida por todo tipo de violência doméstica. Há maridos que batem na esposa, esposas que agridem o marido, pais que espancam cruelmente os filhos, e filhos adultos que maltratam seus pais idosos.

      15. Que efeito emocional tem a violência doméstica sobre os membros da família?

      15 Os danos causados pela violência doméstica vão além das cicatrizes físicas. Certa esposa, que apanhava do marido, disse: “É preciso lidar com muito sentimento de culpa e de vergonha. Na maioria das manhãs, você simplesmente quer ficar na cama, preferindo acreditar que tenha sido apenas um pesadelo.” Filhos que observam ou que são vítimas da violência doméstica muitas vezes também se tornam violentos ao crescerem e constituírem a sua própria família.

      16, 17. O que é abuso emocional, e como isso afeta os membros da família?

      16 A violência doméstica não se limita ao abuso físico. Muitas vezes o abuso é verbal. Provérbios 12:18 diz: “Existe aquele que fala irrefletidamente como que com as estocadas duma espada.” Essas “estocadas” que caracterizam a violência doméstica incluem palavrões e gritos, além de crítica constante, insultos degradantes e ameaças de violência física. As feridas da violência emocional são invisíveis e muitas vezes os outros não as percebem.

      17 Especialmente triste é a agressão emocional contra uma criança — a constante crítica e menosprezo de suas habilidades, inteligência ou valor como pessoa. Esse abuso verbal pode destruir a autoconfiança da criança. É verdade que todas as crianças precisam de disciplina. Mas a Bíblia instrui os pais: “Não estejais exasperando os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” — Colossenses 3:21.

      COMO EVITAR A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

      Foto na página 151

      Os casais cristãos que se amam e se respeitam agirão prontamente para resolver dificuldades

      18. Onde começa a violência doméstica e qual, segundo a Bíblia, é a maneira de acabar com ela?

      18 A violência doméstica começa no coração e na mente; nossas ações são precedidas de nossos pensamentos. (Tiago 1:14, 15) Para acabar com a violência, o agressor precisa mudar seu modo de pensar. (Romanos 12:2) É possível isso? Sim. A Palavra de Deus tem o poder de mudar as pessoas. Ela pode desalojar até mesmo conceitos destrutivos ‘fortemente entrincheirados’. (2 Coríntios 10:4; Hebreus 4:12) O conhecimento bíblico exato pode causar uma mudança tão plena nas pessoas que elas são descritas como que se revestindo de uma nova personalidade. — Efésios 4:22-24; Colossenses 3:8-10.

      19. Como deve o cristão encarar e tratar o seu cônjuge?

      19 Atitude para com o cônjuge. A Palavra de Deus diz: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio.” (Efésios 5:28) A Bíblia também diz que o marido deve atribuir à esposa “honra como a um vaso mais fraco”. (1 Pedro 3:7) As esposas são exortadas a ‘amar o marido’ e ter “profundo respeito” por ele. (Tito 2:4; Efésios 5:33) É claro que nenhum marido temente a Deus pode dizer que realmente honra sua esposa se ele a agride física ou verbalmente. E nenhuma esposa que grita, que fala com sarcasmo ou que está sempre importunando o marido pode realmente dizer que o ama e respeita.

      20. Perante quem os pais são responsáveis pelos seus filhos, e por que os pais não devem ter expectativas irrealísticas a respeito dos filhos?

      20 Atitude correta para com os filhos. Os filhos merecem, sim, precisam, do amor e da atenção dos pais. A Palavra de Deus chama os filhos de “herança da parte de Jeová” e “uma recompensa”. (Salmo 127:3) Cabe aos pais, perante Jeová, o dever de cuidar dessa herança. A Bíblia fala de “características de pequenino” e de “tolice” da meninice. (1 Coríntios 13:11; Provérbios 22:15) Os pais não devem ficar surpresos de ver sinais de tolice nos filhos. Os jovens não são adultos. Os pais não devem exigir mais do que é próprio para a idade, a formação familiar e a habilidade da criança. — Veja Gênesis 33:12-14.

      21. Qual é o conceito de Deus sobre como encarar e tratar os pais idosos?

      21 Atitude para com os pais idosos. Levítico 19:32 diz: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso.” Deste modo a lei de Deus promovia respeito e alta consideração pelos idosos. Isso pode ser um desafio se os pais idosos forem muito exigentes ou doentes, e talvez lentos de movimento e de raciocínio. Mesmo assim, os filhos devem ‘pagar a devida compensação aos pais’. (1 Timóteo 5:4) Isto inclui tratá-los com dignidade e respeito, talvez até mesmo ajudando-os financeiramente. Maltratá-los fisicamente ou de outra forma é definitivamente contrário à conduta que a Bíblia nos recomenda.

      22. Qual é uma das qualidades básicas para vencer a violência doméstica, e como pode ser exercida?

      22 Cultive o autodomínio. Provérbios 29:11 diz: “Todo o seu espírito é o que o estúpido deixa sair, mas aquele que é sábio o mantém calmo até o último.” Como pode você controlar o seu temperamento? Em vez de permitir que a frustração aumente no seu íntimo, aja prontamente para resolver as dificuldades que surgem. (Efésios 4:26, 27) Retire-se caso sinta estar perdendo o controle. Peça em oração que o espírito santo de Deus produza autodomínio em você. (Gálatas 5:22, 23) Dar uma caminhada ou fazer algum exercício físico pode ajudá-lo a controlar as suas emoções. (Provérbios 17:14, 27) Procure ser “vagaroso em irar-se”. — Provérbios 14:29.

      SEPARAR-SE OU PERMANECER JUNTOS?

      23. O que pode acontecer se um membro da congregação cristã repetida e impenitentemente tiver acessos violentos de ira, talvez com agressões físicas contra a família?

      23 Entre as ações que Deus condena, a Bíblia inclui “inimizades, rixa, . . . acessos de ira” e diz que “os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus”. (Gálatas 5:19-21) Assim, quem diz ser cristão, mas repetida e impenitentemente tem acessos de ira, talvez acompanhados de agressão física contra o cônjuge ou contra os filhos, pode ser desassociado da congregação cristã. (Note 2 João 9, 10.) Desse modo a congregação fica livre de pessoas agressivas. — 1 Coríntios 5:6, 7; Gálatas 5:9.

      24. (a) Que opções têm os cônjuges que sofrem agressões? (b) Que apoio podem dar amigos e anciãos preocupados a uma pessoa casada que sofre agressões, mas o que não devem fazer?

      24 Que dizer do cristão que sofre agressões físicas de um cônjuge que não dá nenhum sinal de que vai mudar? Alguns preferiram ficar com o cônjuge agressivo, por uma razão ou outra. Outros preferiram abandoná-lo, achando que a sua saúde física, mental e espiritual — talvez até mesmo a sua vida — corria perigo. O que a vítima de violência doméstica prefere fazer nessas circunstâncias é assunto de decisão pessoal perante Jeová. (1 Coríntios 7:10, 11) Amigos, parentes ou anciãos cristãos bem-intencionados talvez queiram ajudar e aconselhar, mas não devem pressionar a vítima a tomar uma determinada ação. A decisão cabe a ela. — Romanos 14:4; Gálatas 6:5.

      FIM DOS PROBLEMAS DANOSOS

      25. Qual é o propósito de Jeová com relação à família?

      25 Quando Jeová casou Adão e Eva, jamais pretendia que as famílias fossem corroídas por problemas danosos, como o alcoolismo ou a violência. (Efésios 3:14, 15) A família seria um lugar em que o amor e a paz floresceriam, e que supriria as necessidades mentais, emocionais e espirituais de seus membros. Com a invasão do pecado, porém, a vida familiar deteriorou rapidamente. — Note Eclesiastes 8:9.

      26. Que futuro terão os que procuram viver em harmonia com os requisitos de Jeová?

      26 Felizmente, Jeová não abandonou seu objetivo com relação à família. Ele promete estabelecer um novo mundo pacífico em que as pessoas “morarão realmente em segurança, sem que alguém as faça tremer”. (Ezequiel 34:28) Naquele tempo, o alcoolismo, a violência doméstica e todos os outros problemas que hoje causam dano às famílias serão coisas do passado. As pessoas sorrirão, não para esconder o medo e o sofrimento, mas por causa de seu ‘deleite na abundância de paz’. — Salmo 37:11.

      a Embora nos refiramos ao alcoólatra no masculino, os princípios aqui apresentados também se aplicam quando o alcoólatra é mulher.

      b Em alguns países funcionam centros de tratamento, hospitais e programas de recuperação especializados no atendimento de alcoólatras e de suas famílias. Recorrer ou não a essa ajuda é assunto de decisão pessoal. As Testemunhas de Jeová não endossam nenhum tratamento específico. Mas é preciso cuidar que, ao buscar ajuda, a pessoa não se envolva em atividades que violem princípios bíblicos.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A FAMÍLIA A EVITAR PROBLEMAS DANOSOS?

      Jeová condena o mau uso do álcool. — Provérbios 23:20, 21.

      Cada pessoa é responsável pelas suas ações. — Romanos 14:12.

      Sem autodomínio não podemos servir a Deus aceitavelmente. — Provérbios 29:11.

      Os cristãos genuínos honram seus pais idosos. — Levítico 19:32.

  • Quando o casamento está à beira da ruptura
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 13

      Quando o casamento está à beira da ruptura

      1, 2. Quando o casamento está sob tensão, que pergunta se deve fazer?

      EM ­1988, uma mulher italiana chamada Lúcia estava muito deprimida.a Depois de dez anos, seu casamento estava acabando. Ela tentou muitas vezes se reconciliar com o marido, mas tudo em vão. Assim, ela se separou por incompatibilidade, e sobrou-lhe a tarefa de criar sozinha duas filhas. Recordando o passado, ela diz: “Eu tinha certeza de que nada salvaria o nosso casamento.”

      2 Se você tiver problemas no casamento, talvez se identifique com Lúcia. Seu casamento talvez seja turbulento, e você duvida de que possa ser salvo. Nesse caso, achará útil perguntar-se: Apliquei todos os bons conselhos que Deus dá na Bíblia para ajudar a tornar bem-sucedido o casamento? — Salmo 119:105.

      3. Embora o divórcio tenha se tornado comum, que reação se registra entre muitos divorciados e seus familiares?

      3 Quando as tensões entre marido e mulher são enormes, dissolver o casamento pode parecer o caminho mais fácil. Mas, mesmo com um aumento assustador de rupturas de família em muitos países, estudos recentes indicam que uma grande porcentagem de divorciados lamenta o rompimento. Muitos destes têm mais problemas de saúde física ou mental do que aqueles que preservam o seu casamento. A confusão e a infelicidade de filhos do divórcio muitas vezes duram anos. Pais e amigos da família rompida também sofrem. E como será que Deus, o Originador do casamento, vê a situação?

      4. Como se deve tratar os problemas do casamento?

      4 Como já mencionado em capítulos anteriores, Deus queria que o casamento fosse um vínculo para toda a vida. (Gênesis 2:24) Por que, então, tantos casamentos se rompem? Isso nem sempre acontece da noite para o dia. Em geral, há sinais alertadores. Pequenos problemas conjugais podem agravar-se ao ponto de parecerem intransponíveis. Mas, se esses problemas forem resolvidos prontamente com a ajuda da Bíblia, muitos fracassos conjugais serão evitados.

      SEJA REALISTA

      5. Que situação realista deve-se encarar em todo casamento?

      5 Um fator que pode causar problemas são as possíveis expectativas irrealísticas de um ou de ambos os cônjuges. Romances, revistas, programas de TV e filmes podem criar esperanças e sonhos muito distantes da realidade. Quando esses sonhos não se realizam, a pessoa talvez se sinta fraudada, descontente e até mesmo amargurada. Mas como podem duas pessoas imperfeitas encontrar felicidade no casamento? Exige esforço conseguir uma relação bem-sucedida.

      6. (a) Que conceito equilibrado sobre casamento apresenta a Bíblia? (b) Cite algumas razões de desacordos no casamento.

      6 A Bíblia é prática. Ela reconhece as alegrias do casamento, mas também alerta que os que se casarem “terão tribulação na sua carne”. (1 Coríntios 7:28) Como já mencionado, os dois cônjuges são imperfeitos, e têm inclinações pecaminosas. A constituição mental e emocional e a criação de cada um dos dois são diferentes. Os casais às vezes discordam sobre dinheiro, filhos e parentes. Tempo insuficiente para fazer coisas juntos e problemas sexuais podem também gerar conflitos.b Leva tempo para acertar esses assuntos, mas anime-se! A maioria dos casais encara esses problemas e encontra soluções mutuamente aceitáveis.

      DISCUTAM AS DIVERGÊNCIAS

      Figura na página 154

      Resolva prontamente os problemas. Não permita que o Sol se ponha enquanto você está encolerizado

      7, 8. Se houver sentimentos feridos ou mal-entendidos entre o casal, qual é a maneira bíblica de tratar disso?

      7 Muitos acham difícil ficar calmos quando discutem sentimentos feridos, mal-entendidos ou falhas pessoais. Em vez de dizer objetivamente: “Eu acho que fui mal compreendido”, o cônjuge talvez se exalte e exagere o problema. Muitos dirão: “Você só pensa em você”, ou: “Você não me ama.” Querendo evitar uma discussão, o outro talvez se cale.

      8 Um proceder melhor é acatar o conselho bíblico: “Ficai furiosos, mas não pequeis; não se ponha o sol enquanto estais encolerizados.” (Efésios 4:26) Perguntou-se a um casal feliz, no seu 60.º aniversário de casamento, qual era o segredo de seu bom casamento. O marido respondeu: “Aprendemos a não ir dormir sem primeiro resolver as divergências, não importa quão pequenas sejam.”

      9. (a) Que parte vital da comunicação identificam as Escrituras? (b) O que os cônjuges muitas vezes precisam fazer, mesmo que isso exija coragem e humildade?

      9 Quando o marido e a esposa discordam, ambos devem ser ‘rápidos no ouvir, vagarosos no falar, vagarosos no furor’. (Tiago 1:19) Depois de ouvir atentamente, ambos talvez vejam a necessidade de se desculpar. (Tiago 5:16) Dizer sinceramente: “Lamento tê-lo ofendido” exige humildade e coragem. Mas, essa maneira de resolver divergências ajudará muito o casal, não só a resolver seus problemas, mas também a desenvolver uma cordialidade e intimidade que aumentará o prazer da convivência.

      CONCEDA OS DIREITOS CONJUGAIS

      10. Que proteção, recomendada por Paulo aos cristãos coríntios, pode-se aplicar aos cristãos hoje?

      10 Escrevendo aos coríntios, o apóstolo Paulo recomendou o casamento “por causa da prevalência da fornicação”. (1 Coríntios 7:2) A situação atual do mundo é tão ruim ou até pior do que a da Corinto antiga. Os temas imorais que as pessoas do mundo discutem abertamente, a maneira imodesta de se vestir e as matérias sensuais de revistas e livros, da TV e do cinema, contribuem para incitar desejos sexuais ilícitos. Para os coríntios que viviam num ambiente similar, o apóstolo Paulo disse: “É melhor casar-se do que estar inflamado de paixão.” — 1 Coríntios 7:9.

      11, 12. (a) O que o marido e a esposa devem um ao outro, e com que atitude deve-se render isso? (b) Como proceder caso os direitos conjugais tenham de ser temporariamente suspensos?

      11 De modo que a Bíblia ordena aos cristãos casados: “O marido renda à esposa o que lhe é devido; mas, faça a esposa também o mesmo para com o marido.” (1 Coríntios 7:3) Note que a ênfase é em dar — não em exigir. A intimidade física no casamento só é realmente satisfatória quando cada parceiro se preocupa com o bem-estar do outro. Por exemplo, a Bíblia ordena os maridos a tratar a esposa “segundo o conhecimento”. (1 Pedro 3:7) Isso é especialmente assim no que se refere a dar e a receber os direitos conjugais. A esposa que não é tratada com ternura pode achar difícil usufruir esse aspecto do casamento.

      12 Há ocasiões em que um dos cônjuges talvez tenha de privar o outro dos direitos conjugais. Isso pode acontecer com a esposa em certos períodos do mês, ou quando ela está muito cansada. (Note Levítico 18:19.) Pode acontecer com o marido, quando ele enfrenta um problema sério no trabalho e se sente emocionalmente esgotado. A melhor maneira de resolver essa suspensão temporária dos direitos conjugais é os dois discutirem francamente o assunto e chegarem a um “consentimento mútuo”. (1 Coríntios 7:5) Isso evitará que um dos dois tire erroneamente conclusões precipitadas. Mas, se a esposa deliberadamente privar disso o marido, ou se o marido propositadamente deixar de render os direitos conjugais de maneira amorosa, o cônjuge prejudicado pode ficar exposto à tentação. Nessa situação, podem surgir problemas no casamento.

      13. O que podem os cristãos fazer para manter pensamentos puros?

      13 Como todos os cristãos, os servos de Deus casados têm de evitar a pornografia, que pode criar desejos impuros e desnaturais. (Colossenses 3:5) Precisam também vigiar seus pensamentos e ações nos seus contatos com pessoas do sexo oposto. Jesus alertou: “Todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de ter paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela.” (Mateus 5:28) Aplicar os conselhos bíblicos sobre sexo ajuda os casais a não caírem em tentação e cometerem adultério. Poderão continuar a usufruir a deleitosa intimidade num casamento em que o sexo é prezado como dádiva sadia do Originador do casamento, Jeová. — Provérbios 5:15-19.

      BASE BÍBLICA PARA DIVÓRCIO

      14. Que situação triste às vezes se apresenta? Por quê?

      14 Felizmente, na maioria dos casamentos cristãos, é possível resolver os problemas que surgem. Às vezes, porém, isso não acontece. Visto que os humanos são imperfeitos e vivem num mundo pecaminoso controlado por Satanás, alguns casamentos chegam ao ponto de ruptura. (1 João 5:19) Como devem os cristãos enfrentar essa situação provadora?

      15. (a) Qual é a única base bíblica para divórcio com possibilidade de novo casamento? (b) Por que alguns decidiram não se divorciar do cônjuge infiel?

      15 Como mencionado no capítulo 2 deste livro, a fornicação é a única base bíblica para divórcio com possibilidade de novo casamento.c (Mateus 19:9) Se há prova conclusiva de que seu cônjuge foi infiel, você tem uma decisão difícil a tomar. Continuará casado ou se divorciará? Não há regras. Alguns cristãos perdoaram plenamente o cônjuge genuinamente arrependido, e o casamento preservado acabou dando certo. Outros decidiram não se divorciar por causa dos filhos.

      16. (a) Que fatores induziram alguns a se divorciar do cônjuge culpado? (b) Quando o cônjuge inocente decide divorciar-se ou não, por que ninguém deve criticar a decisão?

      16 Por outro lado, o pecado pode ter resultado em gravidez ou em doença sexualmente transmissível. Ou talvez os filhos precisem de proteção contra abusos sexuais em casa. Obviamente, há muito a considerar antes de decidir-se. Se, no entanto, sabendo da infidelidade do cônjuge você voltar a ter relações sexuais com ele, estará indicando que o perdoou e que deseja continuar casado com ele. Nesse caso, a base bíblica para o divórcio com possibilidade bíblica de novo casamento não mais existe. Ninguém deve intrometer-se na sua vida e tentar influenciar a sua decisão, tampouco devia alguém criticar a sua decisão depois de tomada. Você terá de conviver com as consequências de sua decisão. “Cada um levará a sua própria carga.” — Gálatas 6:5.

      MOTIVOS PARA SEPARAÇÃO

      17. Se não houver fornicação, que limitações as Escrituras estabelecem para a separação ou o divórcio?

      17 Há situações que justifiquem a separação ou possivelmente o divórcio de um cônjuge mesmo que este não tenha cometido fornicação? Sim, mas, nesse caso, o cristão não está livre para procurar outro parceiro para se casar. (Mateus 5:32) A Bíblia, embora dê margens para tal separação, estipula que aquele que se afasta deve ‘permanecer sem se casar, ou, senão, que se reconcilie’. (1 Coríntios 7:11) Que situações extremas poderiam tornar aconselhável a separação?

      18, 19. Que situações extremas talvez levem o cônjuge a pesar a conveniência da separação legal ou do divórcio, mesmo não sendo possível um novo casamento?

      18 Bem, a família pode ficar na miséria devido à extrema preguiça e maus hábitos do marido.d Talvez ele gaste no jogo a renda da família ou use-a para custear o vício das drogas ou do álcool. A Bíblia diz: “Se alguém não fizer provisões para os . . . membros de sua família, tem repudiado a fé e é pior do que alguém sem fé.” (1 Timóteo 5:8) Se esse homem não mudar de comportamento, talvez chegando até mesmo a financiar seus vícios com o dinheiro que a esposa ganha, esta pode decidir proteger o bem-estar dela e de seus filhos obtendo uma separação legal.

      19 Pode-se também pensar em tal ação legal caso um cônjuge seja extremamente violento, talvez espancando frequentemente o outro, a ponto de pôr em risco a sua saúde ou até mesmo a sua vida. Além disso, se um cônjuge constantemente tenta forçar o outro a de alguma maneira violar os mandamentos de Deus, o cônjuge ameaçado pode também cogitar a separação, em especial se o assunto chegar ao ponto de pôr em risco a vida espiritual. O cônjuge em perigo talvez conclua que a única maneira de “obedecer a Deus como governante antes que aos homens” seja obter uma separação legal. — Atos 5:29.

      20. (a) Em caso de ruptura familiar, o que amigos maduros e anciãos podem fazer, mas o que não devem fazer? (b) Os casados não devem usar as referências da Bíblia à separação e ao divórcio como desculpa para fazer o quê?

      20 Em todos os casos de extremo abuso conjugal, ninguém devia pressionar o cônjuge inocente a separar-se ou a permanecer casado. Embora amigos maduros e anciãos possam dar apoio e conselhos bíblicos, é impossível que conheçam todos os detalhes do que se passa entre marido e esposa. Apenas Jeová pode ver isso. Naturalmente, a esposa cristã não estaria honrando a instituição divina do casamento se usasse desculpas triviais para livrar-se de um casamento. Mas, se uma situação extremamente perigosa persiste, ninguém deve criticá-la por preferir separar-se. Exatamente o mesmo pode-se dizer do marido cristão que procura a separação. “Nós todos ficaremos postados diante da cadeira de juiz de Deus.” — Romanos 14:10.

      COMO UM CASAMENTO ROMPIDO FOI SALVO

      21. Que exemplo mostra que os conselhos bíblicos sobre o casamento funcionam?

      21 Três meses depois que Lúcia, mencionada no início, separou-se do marido, ela conheceu as Testemunhas de Jeová e passou a estudar a Bíblia com elas. “Para minha grande surpresa”, diz ela, “a Bíblia tinha soluções práticas para o meu problema. Depois de apenas uma semana de estudo eu já queria fazer as pazes com o meu marido imediatamente. Hoje, posso dizer que Jeová sabe como salvar casamentos em crise porque seus ensinamentos ajudam os casais a aprender como sentir estima um pelo outro. Não é verdade, como alguns afirmam, que as Testemunhas de Jeová dividem as famílias. No meu caso, aconteceu exatamente o contrário.” Lúcia aprendeu a aplicar os princípios bíblicos na sua vida.

      22. Em que devem todos os casais confiar?

      22 Lúcia não é uma exceção. O casamento deve ser uma bênção, não uma carga. Para esse fim, Jeová providenciou a melhor fonte de conselhos sobre o casamento já escrita: a sua preciosa Palavra. A Bíblia pode tornar “sábio o inexperiente”. (Salmo 19:7-11) Já salvou muitos casamentos à beira da ruptura e melhorou muitos outros que tinham problemas sérios. Que todos os casais confiem plenamente nos conselhos de Jeová Deus sobre o casamento. Eles realmente funcionam!

      a O nome foi mudado.

      b Alguns desses aspectos foram considerados em capítulos anteriores.

      c O termo bíblico traduzido por “fornicação” inclui adultério, homossexualismo, bestialidade e outros atos ilícitos deliberados envolvendo o uso dos órgãos sexuais.

      d Isso não inclui situações em que o marido, embora bem-intencionado, não consiga sustentar a família por razões além de seu controle, como doença ou falta de oportunidades de emprego.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A EVITAR A RUPTURA DO CASAMENTO?

      O casamento é fonte tanto de alegria como de tribulação. — Provérbios 5:18, 19; 1 Coríntios 7:28.

      As divergências devem ser resolvidas logo. — Efésios 4:26.

      Na comunicação, ouvir é tão importante quanto falar. — Tiago 1:19.

      Deve-se render os direitos conjugais num espírito de altruísmo e ternura. — 1 Coríntios 7:3-5.

  • Envelhecer juntos com dignidade
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 14

      Envelhecer juntos com dignidade

      1, 2. (a) Que mudanças ocorrem com a aproximação da velhice? (b) Como os homens piedosos dos tempos bíblicos encontravam satisfação na velhice?

      O ENVELHECIMENTO causa muitas mudanças. O enfraquecimento físico mina a nossa vitalidade. Uma olhada no espelho revela novas rugas e uma gradativa perda da tonalidade dos cabelos — e dos próprios cabelos. Talvez soframos alguns lapsos de memória. Desenvolvem-se novas relações com o casamento dos filhos, e de novo com a chegada dos netos. Para alguns, a aposentadoria muda a sua rotina de vida.

      2 Na verdade, a idade avançada pode ser provadora. (Eclesiastes 12:1-8) Mesmo assim, considere os servos de Deus dos tempos bíblicos. Embora acabassem sucumbindo à morte, eles adquiriram sabedoria e entendimento que lhes trouxe grande satisfação na velhice. (Gênesis 25:8; 35:29; Jó 12:12; 42:17) Como conseguiram envelhecer sem perder a alegria? Com certeza foi por viverem em harmonia com os princípios que hoje estão registrados na Bíblia. — Salmo 119:105; 2 Timóteo 3:16, 17.

      3. Que conselho deu Paulo a homens e mulheres idosos?

      3 Na sua carta a Tito, o apóstolo Paulo deu boas orientações para os que estão envelhecendo. Ele escreveu: “Os homens idosos sejam moderados nos hábitos, sérios, ajuizados, sãos na fé, no amor, na perseverança. Igualmente, as mulheres idosas sejam reverentes no comportamento, não caluniadoras, nem escravizadas a muito vinho, instrutoras do que é bom.” (Tito 2:2, 3) Acatar essas palavras pode ajudá-lo a enfrentar os desafios do envelhecimento.

      ADAPTE-SE À INDEPENDÊNCIA DOS FILHOS

      4, 5. Como reagem muitos pais quando seus filhos saem de casa, e como alguns se ajustam à nova situação?

      4 Mudanças de papel exigem adaptabilidade. Quão veraz isso é quando filhos adultos saem de casa para se casar! Para muitos pais, esse é o primeiro lembrete de que estão envelhecendo. Embora contentes de que seus filhos se tornaram adultos, muitos pais se preocupam quanto a se fizeram todo o possível para prepará-los para a independência. E talvez sintam a falta deles em casa.

      5 É compreensível que os pais continuem interessados no bem-estar dos filhos, mesmo depois de estes terem saído de casa. “Se pelo menos eu recebesse notícias deles com frequência, para ter certeza de que estão bem — isso me alegraria”, disse certa mãe. Um pai relata: “Quando a nossa filha saiu de casa, passamos por um período muito difícil. Isso deixou um grande vazio na nossa família, pois sempre fazíamos as coisas juntos.” Como enfrentaram esses pais a falta dos filhos? Em muitos casos, dedicando-se a ajudar outras pessoas.

      6. O que ajuda a manter as relações familiares na sua devida perspectiva?

      6 Quando os filhos se casam, o papel dos pais muda. Gênesis 2:24 declara: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.” Reconhecer os princípios piedosos da chefia e da boa ordem ajudará os pais a manter as coisas na perspectiva correta. — 1 Coríntios 11:3; 14:33, 40.

      7. Que excelente atitude desenvolveu certo pai quando suas filhas saíram de casa para se casar?

      7 Depois que suas duas filhas se casaram e saíram de casa, certo casal sentiu um vazio na sua vida. De início, o marido ressentiu-se dos genros. Mas, ao refletir sobre o princípio da chefia, ele se deu conta de que os maridos das filhas eram agora os responsáveis pelas suas respectivas famílias. Assim, quando as filhas pediam sugestões, ele lhes perguntava qual era a opinião do marido delas, daí fazia o possível para apoiar essa opinião. Seus genros agora o encaram como amigo e apreciam seus conselhos.

      8, 9. Como alguns pais se adaptaram à independência de seus filhos adultos?

      8 Que dizer se os filhos recém-casados, embora não façam nada contrário à Bíblia, não fazem aquilo que os pais acham ser o melhor? “Sempre os ajudamos a ver o ponto de vista de Jeová”, explica um casal que tem filhos casados, “mas se não concordamos com uma decisão deles, nós a aceitamos e damos o nosso apoio e encorajamento”.

      9 Em certos países asiáticos, algumas mães acham especialmente difícil aceitar a independência de seus filhos homens. Contudo, quando elas respeitam o arranjo e a chefia cristã, verificam que as fricções com as noras diminuem. Certa senhora cristã acha que a saída de seus filhos homens do lar tem sido uma “fonte de sempre crescente gratidão”. Ela se emociona com a habilidade deles de cuidar da nova família. E isso, por sua vez, alivia a carga física e mental que ela e seu marido precisam carregar à medida que envelhecem.

      REVIGORE SEU VÍNCULO CONJUGAL

      Fotos na página 166

      À medida que envelhecerem, reafirmem seu amor um pelo outro

      10, 11. Que conselho bíblico ajudará as pessoas a evitarem alguns dos laços da meia-idade?

      10 A reação das pessoas à chegada da meia-idade varia. Alguns homens mudam o estilo de roupa, para parecer mais jovens. Muitas mulheres se preocupam com as mudanças que vêm com a menopausa. Infelizmente, algumas pessoas de meia-idade provocam ressentimento e ciúme no seu cônjuge flertando com pessoas mais jovens do sexo oposto. Homens idosos tementes a Deus, porém, são “ajuizados”, coibindo desejos impróprios. (1 Pedro 4:7) Da mesma forma, mulheres maduras esforçam-se em manter a estabilidade de seu casamento, por amor ao marido e desejo de agradar a Jeová.

      11 Sob inspiração, o Rei Lemuel registrou louvor à “esposa capaz” que recompensa seu marido “com o bem e não com o mal, todos os dias da sua vida”. O marido cristão não ignorará a luta da esposa contra os problemas emocionais da meia-idade. Seu amor o induzirá a ‘louvá-la’. — Provérbios 31:10, 12, 28.

      12. Como podem os casais se achegar mais com o passar dos anos?

      12 Durante os atarefados anos da criação dos filhos, talvez o casal de bom grado tenha relegado seus desejos pessoais em favor das necessidades dos filhos. Depois de sua partida, é tempo de repensar a sua vida de casados. “Quando minhas filhas saíram de casa”, diz certo marido, “voltei a namorar a minha esposa”. Outro marido diz: “Ficamos de olho na saúde um do outro e lembramos um ao outro da necessidade de fazer exercícios.” Para afastar a solidão, ele e sua esposa são hospitaleiros para com outros da congregação. Sim, interessar-se pelos outros traz bênçãos. Além do mais, agrada a Jeová. — Filipenses 2:4; Hebreus 13:2, 16.

      13. Qual é o papel da franqueza e da honestidade à medida que o casal envelhece?

      13 Não permita que se desenvolva uma brecha na comunicação entre você e seu cônjuge. Conversem francamente. (Provérbios 17:27) “Chegamos a nos conhecer mais profundamente mostrando interesse e consideração”, diz certo marido. Sua esposa concorda, dizendo: “À medida que envelhecemos, viemos a gostar de tomar chá juntos, conversar e cooperar um com o outro.” A franqueza e a candura ajudam a cimentar o vínculo conjugal, dando-lhe uma resistência que frustrará os ataques de Satanás, o destruidor de casamentos.

      APRECIE A COMPANHIA DOS NETOS

      14. Que parte evidentemente desempenhou a avó de Timóteo no seu desenvolvimento como cristão?

      14 Os netos são “a coroa” dos idosos. (Provérbios 17:6) A companhia dos netos pode ser verdadeiramente prazerosa — animada e reanimadora. A Bíblia elogia Loide, uma avó que, junto com a sua filha Eunice, ensinou as suas crenças ao seu netinho Timóteo. Esse jovem cresceu sabendo que tanto a mãe como a avó prezavam a verdade bíblica. — 2 Timóteo 1:5; 3:14, 15.

      15. Com respeito aos netos, que valiosa contribuição podem dar os avós, mas o que devem evitar?

      15 Eis, portanto, um aspecto especial em que os avós podem dar uma valiosíssima contribuição. Vocês, avós, já transmitiram seus conhecimentos sobre os propósitos de Jeová aos filhos. Agora podem fazer o mesmo com mais uma geração. Muitas criancinhas vibram ao ouvir seus avós contar histórias bíblicas. Naturalmente, vocês não assumirão a responsabilidade do pai de inculcar as verdades bíblicas nos filhos. (Deuteronômio 6:7) Estarão apenas complementando isso. Orem como o salmista: “Não me abandones mesmo até a velhice e as cãs, ó Deus, até que eu possa informar a geração sobre o teu braço, todos os que estão para vir, sobre a tua potência.” — Salmo 71:18; 78:5, 6.

      16. Como podem os avós evitar ser causadores de tensões na família?

      16 Infelizmente, alguns avós mimam os netinhos a ponto de surgirem tensões entre os avós e seus filhos adultos. Contudo, a bondade sincera dos avós talvez facilite aos netos lhes fazerem confidências quando não estiverem dispostos a revelar certos assuntos aos pais. Às vezes, os jovens esperam que seus indulgentes avós tomem o seu partido contra os pais. Que fazer? Usem de sabedoria e incentivem seus netos a serem francos com os pais. Expliquem que isso agrada a Jeová. (Efésios 6:1-3) Se necessário, poderão oferecer-se para mediar a aproximação com os pais. Sejam francos com os netos a respeito do que vocês aprenderam com os anos. Sua honestidade e candura poderão beneficiá-los.

      ADAPTE-SE À IDADE

      17. Que determinação do salmista devem os cristãos idosos imitar?

      17 Com os anos, você verá que não consegue mais fazer tudo o que fazia ou que gostaria de fazer. Como enfrentar isso? Mentalmente você talvez se sinta com 30 anos de idade, mas uma olhada no espelho revela uma outra realidade. Não se desanime. O salmista suplicou a Jeová: “Não me lances fora no tempo da velhice; não me deixes quando meu poder falhar.” Imite a determinação do salmista. Ele disse: “Esperarei constantemente, e vou acrescentar a todo o teu louvor.” — Salmo 71:9, 14.

      18. Como pode o cristão maduro aproveitar bem a sua condição de aposentado?

      18 Muitos se prepararam antecipadamente para aumentar seus louvores a Jeová depois da aposentadoria. “Eu planejei com antecedência o que faria quando a nossa filha saísse da escola”, explica um pai que agora é aposentado. “Decidi que entraria no ministério de pregação por tempo integral, de modo que vendi a minha firma a fim de ficar livre para servir a Jeová mais plenamente. Orei a Deus pedindo orientação.” Se você estiver perto de se aposentar, console-se com a declaração do nosso Grandioso Criador: “Mesmo até a velhice da pessoa, eu sou o Mesmo; e até as cãs da pessoa, eu mesmo continuarei a sustentar.” — Isaías 46:4.

      19. Que conselho se dá aos que estão envelhecendo?

      19 Adaptar-se à vida de aposentado pode não ser fácil. O apóstolo Paulo aconselhou os homens idosos a serem “moderados nos hábitos”. Isso exige um refreamento geral, não ceder à inclinação de querer levar uma vida folgada. Depois da aposentadoria, a necessidade de rotina e autodisciplina pode ser ainda maior do que antes. Fique atarefado, portanto, “tendo sempre bastante para fazer na obra do Senhor, sabendo que o [seu] labor não é em vão em conexão com o Senhor”. (1 Coríntios 15:58) Expanda as suas atividades de ajudar outros. (2 Coríntios 6:13) Muitos cristãos fazem isso pregando zelosamente as boas novas num ritmo compatível com a idade. À medida que envelhecer, seja ‘são na fé, no amor, na perseverança’. — Tito 2:2.

      COMO ENFRENTAR A PERDA DO CÔNJUGE

      20, 21. (a) No presente sistema, o que por fim separa o casal? (b) Que excelente exemplo deu Ana para cônjuges enlutados?

      20 É um fato triste mas real que, no presente sistema, a morte por fim separa o casal. Cônjuges cristãos enlutados sabem que seu amado agora dorme, e confiam que o verão de novo. (João 11:11, 25) Mas, mesmo assim, a perda é dolorosa. Como pode o sobrevivente enfrentá-la?a

      21 Lembrar-se do que fez certo personagem bíblico será de ajuda. Ana enviuvou depois de apenas sete anos de casada, e quando lemos a seu respeito, ela estava com 84 anos. Com certeza sofreu com a perda do marido. Como enfrentou a situação? Ela prestava serviços sagrados a Jeová Deus no templo, noite e dia. (Lucas 2:36-38) A vida de serviço devoto de Ana era, sem dúvida, um grande antídoto contra a tristeza e a solidão que ela sentia como viúva.

      22. Como alguns viúvos e viúvas enfrentam a solidão?

      22 “Meu maior desafio tem sido não ter com quem conversar”, explica uma senhora de 72 anos, que ficou viúva dez anos atrás. “Meu marido era um bom ouvinte. Conversávamos sobre a congregação e o nosso ministério cristão.” Outra viúva diz: “Embora o tempo cure, acho ser mais correto dizer que o uso que a pessoa faz do tempo é o que ajuda a curar. Você tem melhores condições de ajudar outros.” Um viúvo de 67 anos concorda, dizendo: “Uma maneira excelente de enfrentar a perda é dar de si para consolar outros.”

      DEUS PREZA OS IDOSOS

      23, 24. Que grande consolo a Bíblia dá para os idosos, particularmente aos enviuvados?

      23 Embora a morte roube um cônjuge amado, Jeová permanece sempre fiel, sempre de confiança. “Uma coisa pedi a Jeová”, cantou o Rei Davi da antiguidade, “é o que procurarei: morar na casa de Jeová todos os dias da minha vida, para contemplar a afabilidade de Jeová e olhar com apreciação para o seu templo”. — Salmo 27:4.

      24 “Honra as viúvas que são realmente viúvas”, exorta o apóstolo Paulo. (1 Timóteo 5:3) O conselho que vem depois dessa ordem indica que as viúvas dignas que não tivessem parentes próximos poderiam precisar de ajuda material da congregação. Não obstante, o sentido da ordem de ‘honrá-las’ inclui a ideia de tê-las em alta estima. Que consolo as viúvas e os viúvos tementes a Deus podem derivar de saber que Jeová os têm em alta estima e os sustentará! — Tiago 1:27.

      25. Que alvo ainda existe para os idosos?

      25 “O esplendor dos anciãos são as suas cãs”, diz a inspirada Palavra de Deus. “São uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça.” (Provérbios 16:31; 20:29) Portanto, quer casado, quer novamente só, continue a priorizar o serviço de Jeová na sua vida. Terá assim um bom nome perante Deus agora e a perspectiva de vida eterna num mundo em que as dores da velhice não mais existirão. — Salmo 37:3-5; Isaías 65:20.

      a Para mais informações sobre esse assunto, veja a brochura Quando Morre Alguém Que Amamos, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . O CASAL QUE ENVELHECE?

      Os netos são uma “coroa” para os avós. — Provérbios 17:6.

      A idade avançada pode trazer novas oportunidades para servir a Jeová. — Salmo 71:9, 14.

      Os idosos são incentivados a ser “moderados nos hábitos”. — Tito 2:2.

      Cônjuges enlutados, embora profundamente tristes, podem encontrar consolo na Bíblia. — João 11:11, 25.

      Jeová preza os idosos fiéis. — Provérbios 16:31.

  • Como honrar nossos pais idosos
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 15

      Como honrar nossos pais idosos

      1. Que dívidas temos para com os nossos pais, e, por conseguinte, quais devem ser os nossos sentimentos e ações para com eles?

      “ESCUTA teu pai que causou o teu nascimento e não desprezes a tua mãe só porque ela envelheceu”, aconselhou um sábio muito tempo atrás. (Provérbios 23:22) ‘Eu jamais faria isso!’, talvez diga. Em vez de desprezar a mãe — ou o pai — a maioria de nós sente um profundo amor por eles. Reconhecemos que devemos muito a eles. Acima de tudo, nossos pais nos deram a vida. Embora Jeová seja a Fonte da vida, sem os nossos pais simplesmente não existiríamos. Nada que possamos lhes dar é tão precioso como a própria vida. Considere também a abnegação, as preocupações, as despesas, a atenção e o carinho envolvidos em ajudar uma criança no seu percurso da infância à idade adulta. É muito razoável, portanto, que a Palavra de Deus aconselhe: ‘Honra a teu pai e a tua mãe para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra’! — Efésios 6:2, 3.

      RECONHEÇA AS NECESSIDADES EMOCIONAIS

      2. Como podem os filhos adultos pagar a “devida compensação” aos pais?

      2 O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos: “Que [os filhos ou netos] aprendam primeiro a praticar a devoção piedosa na sua própria família e a estar pagando a devida compensação aos seus pais e avós, pois isto é aceitável à vista de Deus.” (1 Timóteo 5:4) Filhos adultos pagam essa “devida compensação” por mostrarem apreço pelos anos de amor, trabalho e dedicação que seus pais e avós lhes dispensaram. Um modo de fazerem isso é reconhecer que, como qualquer outra pessoa, o idoso precisa de amor e de renovada prova de estima — muitas vezes desesperadamente. Como todos nós, os idosos precisam sentir-se valorizados. Precisam sentir que a vida deles é meritória.

      3. Como podemos honrar nossos pais e avós?

      3 Portanto, podemos honrar nossos pais e avós por lhes assegurarmos de que os amamos. (1 Coríntios 16:14) Se os nossos pais não moram conosco, deve-se ter em mente que ouvirem notícias nossas pode proporcionar-lhes um grande bem. Uma carta cordial, um telefonema ou uma visita podem dar-lhes muita alegria. Miyo, que mora no Japão, escreveu aos 82 anos de idade: “Minha filha [cujo marido é ministro viajante] me diz: ‘Mamãe, “viaje” conosco.’ Ela me envia seu roteiro de viagem e um número de telefone para cada semana. Posso abrir o mapa e dizer: ‘Ah!, agora eles estão aqui!’ Sempre agradeço a Jeová pela bênção de ter uma filha assim.”

      CUIDAR DAS NECESSIDADES MATERIAIS

      4. De que modo a tradição religiosa judaica promovia a insensibilidade para com os pais idosos?

      4 Honrar os pais pode significar também cuidar de suas necessidades materiais? Sim. É assim em muitos casos. Nos dias de Jesus, os líderes religiosos judaicos sustentavam a tradição de que, se a pessoa declarasse que seu dinheiro ou sua propriedade eram “uma dádiva dedicada a Deus”, estaria isenta do dever de usar esses bens para cuidar dos pais. (Mateus 15:3-6) Que insensibilidade! Na realidade, aqueles líderes religiosos não incentivavam as pessoas a honrar seus pais, mas sim a tratá-los com desprezo por egoistamente negar-lhes suas necessidades. Jamais desejaremos fazer isso! — Deuteronômio 27:16.

      5. Apesar das provisões governamentais existentes em alguns países, por que honrar os pais pode incluir dar ajuda financeira?

      5 Em muitos países há programas sociais do governo que suprem parte das necessidades materiais dos idosos, tais como alimentos, roupa e moradia. É possível também que os próprios idosos tenham certa reserva para a sua velhice. Mas, se essa reserva se esgotar ou for insuficiente, os filhos honrarão seus pais se fizerem o possível para atender às necessidades deles. De fato, cuidar de pais idosos é prova de devoção piedosa, isto é, de devoção a Jeová Deus, o Originador da família.

      AMOR E ABNEGAÇÃO

      6. Que mudanças fazem alguns para cuidar das necessidades dos pais?

      6 Muitos filhos adultos cuidam de seus pais necessitados com amor e abnegação. Alguns levaram seus pais para morar com eles ou se mudaram para perto deles. Outros foram morar com os pais. Em muitos casos, essas medidas resultaram em bênçãos, tanto para os pais como para os filhos.

      7. Por que não é bom ser precipitado nas decisões a respeito de pais idosos?

      7 Às vezes, porém, essas mudanças não dão certo. Por quê? Talvez porque as decisões sejam muito apressadas ou baseadas só na emoção. “O argucioso considera os seus passos”, acautela a Bíblia sabiamente. (Provérbios 14:15) Por exemplo, suponha que sua mãe idosa ache difícil viver sozinha e você acha que será bom para ela vir morar com você. ‘Considerando arguciosamente os seus passos’, poderá ponderar: quais são as reais necessidades dela? Existem serviços assistenciais particulares ou públicos que ofereçam uma boa alternativa? Ela deseja se mudar? Em caso positivo, como isso afetará a vida dela? Terá de deixar os amigos? Como isso a afetará emocionalmente? Falou com ela sobre isso? Como tal mudança afetará você, seu cônjuge, seus filhos? Se a sua mãe precisa de cuidados, quem a atenderá? Poderá a responsabilidade ser dividida? Discutiu o assunto com todos os diretamente envolvidos?

      8. A quem poderá consultar ao decidir como ajudar seus pais idosos?

      8 Visto que o dever de ajudar é de todos os filhos, pode ser sensato realizar uma reunião em família, para que todos possam participar nas decisões. Consultar os anciãos na congregação cristã ou amigos que já passaram por uma situação assim também pode ser útil. “Há frustração de planos quando não há palestra confidencial”, alerta a Bíblia, “mas na multidão de conselheiros há consecução”. — Provérbios 15:22.

      MOSTRE EMPATIA E COMPREENSÃO

      Foto na página 179

      É insensato tomar decisões em nome dos pais sem antes consultá-los

      9, 10. (a) Apesar da idade avançada, que consideração deve-se ter pelos idosos? (b) Qualquer que seja a ação de um filho adulto em favor dos pais, o que ele sempre lhes deve conferir?

      9 Honrar os pais idosos exige empatia e compreensão. À medida que os anos cobram o seu tributo, os idosos talvez sintam crescente dificuldade de andar, de comer e de lembrar-se das coisas. Podem precisar de ajuda. Muitos filhos desenvolvem uma atitude protecionista e tentam estabelecer normas. Mas os idosos são adultos com uma vida inteira de sabedoria e experiência acumuladas, uma vida inteira cuidando de si mesmos e tomando suas próprias decisões. A sua identidade e autoestima talvez girem em torno de seu papel de pais e adultos. Pais que se sentem obrigados a passar o controle de suas vidas aos filhos talvez se deprimam ou se irritem. Alguns se ressentem e resistem ao que talvez encarem como tentativas de lhes roubar a independência.

      10 Não há soluções fáceis para esses problemas, mas é bondoso permitir que os pais idosos cuidem de si mesmos e tomem as suas próprias decisões, na medida do possível. É sábio não decidir sobre o que é melhor para eles sem antes consultá-los. Talvez já tenham perdido muita coisa. Permita que preservem o que ainda lhes resta. Você verá que, quanto menos tentar controlar a vida de seus pais, tanto melhor será seu relacionamento com eles. Eles serão mais felizes, e você também. Mesmo se for preciso insistir em certas coisas para o bem deles, honrar seus pais requer que você lhes confira a dignidade e o respeito que merecem. A Palavra de Deus aconselha: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso.” — Levítico 19:32.

      MANTENHA A ATITUDE CORRETA

      11-13. Mesmo que um filho adulto não tenha tido um bom relacionamento com os pais no passado, como pode ele encarar o desafio de cuidar deles na sua idade avançada?

      11 Um problema que alguns filhos adultos enfrentam relativo a honrar seus pais idosos tem a ver com a criação que tiveram. Seu pai pode ter sido frio e desamoroso, sua mãe dominadora e rígida. Talvez ainda sinta frustração, ira ou mágoa porque eles não foram os pais que você gostaria que tivessem sido. Poderá superar tais sentimentos?a

      12 Basse, que se criou na Finlândia, relata: “Meu padrasto havia sido oficial da SS na Alemanha nazista. Ele se irava facilmente e então se tornava perigoso. Muitas vezes surrou minha mãe na frente dos meus olhos. Certa vez, furioso comigo, ele tirou o cinto e me bateu no rosto com a fivela. Atingiu-me com tanta força que eu caí sobre a cama.”

      13 Mas, havia um outro lado da história. Basse acrescenta: “No entanto, ele trabalhava duro e não media esforços para cuidar materialmente da família. Ele nunca me mostrou afeição paternal, mas eu sabia que ele tinha traumas emocionais. A mãe o expulsara de casa quando ele era pequeno. Ele cresceu resolvendo os problemas a tapa e entrou na guerra bem jovem. Eu podia entendê-lo, até certo ponto, e não o culpava. Quando me tornei adulto, fiz de tudo para ajudá-lo, até a morte dele. Não foi fácil, mas fiz o que pude. Tentei ser um bom filho até o fim, e acho que ele me aceitou como tal.”

      14. Que texto se aplica a todas as situações, incluindo a de cuidar de pais idosos?

      14 Nas situações familiares, como em todos os outros assuntos, aplica-se o conselho da Bíblia: “Revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade. Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei.” — Colossenses 3:12, 13.

      QUEM CUIDA DOS OUTROS TAMBÉM PRECISA DE CUIDADOS

      15. Por que cuidar dos pais pode ser deprimente?

      15 Cuidar de pais debilitados é tarefa árdua, que envolve muito trabalho, muita responsabilidade e longas horas. Mas, em muitos casos, o mais difícil é o lado emocional. É aflitivo ver os pais perderem a saúde, a memória e a independência. Sandy, de Porto Rico, relata: “Minha mãe era o centro de nossa família. Foi muito doloroso cuidar dela. Primeiro, ela começou a mancar; daí, precisava de uma bengala; depois, de um andador e, por fim, de uma cadeira de rodas. Depois, ela entrou em declínio até falecer. Ela tinha câncer nos ossos e precisava de atenção constante, dia e noite. Nós a banhávamos, alimentávamos e líamos para ela. Era muito difícil, em especial no lado emocional. Ao perceber que minha mãe estava morrendo, chorei, porque a amava muito.”

      16, 17. Que conselhos ajudam a pessoa que cuida de pais idosos a manter um conceito equilibrado?

      16 Se você se acha numa situação similar, o que pode fazer? Ouvir a Jeová pela leitura da Bíblia e falar com Ele por meio de orações será de muita ajuda. (Filipenses 4:6, 7) Em termos práticos, não deixe de se alimentar bem e durma o suficiente. Assim você estará em melhores condições, emocional e fisicamente, para cuidar de seu ente querido. Talvez possa providenciar uma ocasional quebra da rotina diária. Mesmo que não seja possível tirar férias, ainda assim é sábio programar momentos de descontração. Para ter alguma folga, talvez possa providenciar que outra pessoa cuide temporariamente do idoso ou doente.

      17 Não é incomum que adultos que cuidam de pais idosos tenham expectativas desarrazoadas sobre si mesmos. Mas não se culpe pelo que você não pode fazer. Há circunstâncias que talvez o obriguem a confiar seu ente querido aos cuidados de uma casa de repouso. Se é você quem cuida dos pais, estabeleça expectativas razoáveis para si mesmo. É preciso equilibrar as necessidades não só de seus pais, mas também as de seus filhos, de seu cônjuge e de você mesmo.

      FORÇA ALÉM DO NORMAL

      18, 19. Que apoio Jeová promete dar, e que caso ilustra que ele cumpre essa promessa?

      18 Por meio de sua Palavra, a Bíblia, Jeová amorosamente dá orientações que podem ajudar muito a quem cuida de pais idosos, mas essa não é a única ajuda que ele dá. “Jeová está perto de todos os que o invocam”, escreveu o salmista sob inspiração. “Ouvirá seu clamor por ajuda, e ele os salvará.” Mesmo nas situações mais difíceis, Jeová salvará, ou resguardará, aqueles que lhe forem fiéis. — Salmo 145:18, 19.

      19 Myrna, nas Filipinas, constatou isso quando cuidava de sua mãe, que ficou inválida por causa de um derrame. “Não há nada mais deprimente do que ver um ente querido sofrer, incapaz de lhe dizer onde dói”, escreveu Myrna. “Era como vê-la afogar-se aos poucos, sem que eu pudesse fazer alguma coisa. Muitas vezes eu caía de joelhos e dizia a Jeová quão cansada eu me sentia. Eu bradava como Davi, que rogou a Jeová que colocasse suas lágrimas num odre e se lembrasse dele. (Salmo 56:8) E, fiel a sua promessa, Jeová me dava a força de que eu necessitava. ‘Jeová veio a ser um esteio para mim.’” — Salmo 18:18.

      20. Que promessas bíblicas dão otimismo aos que cuidam de pais idosos, mesmo que estes venham a falecer?

      20 Tem-se dito que cuidar de pais idosos é “uma história sem final feliz”. Mesmo recebendo os melhores cuidados, os idosos podem vir a falecer, como foi no caso da mãe de Myrna. Mas, quem confia em Jeová, sabe que a morte não é o fim da história. O apóstolo Paulo disse: “Eu tenho esperança para com Deus . . . de que há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) Os que perderam seus pais idosos consolam-se com a esperança da ressurreição e com a promessa de um deleitoso novo mundo de Deus, onde “não haverá mais morte”. — Revelação (Apocalipse) 21:4.

      21. Que bons resultados vêm de se honrar os pais idosos?

      21 Os servos de Deus têm os pais em alta estima, mesmo que estes tenham envelhecido. (Provérbios 23:22-24) Eles os honram. Ao fazerem isso, tornam realidade o provérbio inspirado: “Teu pai e tua mãe se alegrarão, e aquela que te deu à luz jubilará.” (Provérbios 23:25) E, acima de tudo, quem honra seus pais idosos agrada e honra também a Jeová Deus.

      a Não nos referimos a situações em que os pais foram culpados de abuso extremo de poder e de confiança, num grau que poderia ser considerado criminoso.

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A HONRAR OS PAIS IDOSOS?

      Devemos dar a devida compensação aos pais e avós. — 1 Timóteo 5:4.

      Todas as nossas atividades devem ser realizadas com amor. — 1 Coríntios 16:14.

      Decisões importantes nunca devem ser tomadas precipitadamente. — Provérbios 14:15.

      Pais idosos, mesmo que doentes e debilitados, têm de ser respeitados. — Levítico 19:32.

      Não teremos eternamente a perspectiva de envelhecer e morrer. — Revelação 21:4.

  • Garanta um futuro eterno para sua família
    O Segredo de Uma Família Feliz
    • Capítulo 16

      Garanta um futuro eterno para sua família

      1. Que objetivo tinha Jeová ao instituir o arranjo familiar?

      QUANDO Jeová uniu Adão e Eva em casamento, Adão externou a sua alegria com palavras que constituem hoje a mais antiga expressão poética hebraica registrada. (Gênesis 2:22, 23) Mas o Criador visava mais do que apenas dar prazer aos seus filhos humanos. Ele queria que os casais e as famílias fizessem a Sua vontade. Ele disse ao primeiro casal: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” (Gênesis 1:28) Que grandiosa e recompensadora missão! Quanta felicidade teriam eles e seus futuros filhos se Adão e Eva tivessem feito a vontade de Jeová com obediência plena!

      2, 3. Como podem as famílias hoje encontrar a maior felicidade possível?

      2 Também hoje, os membros das famílias são mais felizes quando fazem juntos a vontade de Deus. O apóstolo Paulo escreveu: “A devoção piedosa é proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir.” (1 Timóteo 4:8) A família que vive com devoção piedosa e que segue as diretrizes de Jeová contidas na Bíblia encontrará felicidade na “vida agora”. (Salmo 1:1-3; 119:105; 2 Timóteo 3:16) Mesmo que apenas um membro da família siga os princípios bíblicos, é melhor do que se nenhum deles os seguisse.

      3 Este livro considerou muitos princípios bíblicos que contribuem para uma família feliz. Provavelmente notou que alguns deles são várias vezes repetidos no livro. Por quê? Porque são verdades de peso que atuam para o bem comum em vários aspectos da vida familiar. A família que se empenha na aplicação desses princípios bíblicos verifica que a devoção piedosa realmente “tem a promessa da vida agora”. Recapitulemos quatro desses importantes princípios.

      O VALOR DO AUTODOMÍNIO

      4. Por que o autodomínio é vital no casamento?

      4 O Rei Salomão disse: “Como uma cidade arrombada, sem muralha, é o homem que não domina seu espírito.” (Provérbios 25:28; 29:11) ‘Dominar o seu espírito’, ou ter autodomínio, é vital para quem deseja ter um casamento feliz. Ceder a emoções destrutivas, como fúria ou paixões imorais, causará danos que levam anos para serem sanados — se é que o podem ser.

      5. Como pode um humano imperfeito cultivar autodomínio, e com que benefícios?

      5 É óbvio que nenhum descendente de Adão consegue controlar plenamente a sua carne imperfeita. (Romanos 7:21, 22) Mas, mesmo assim, o autodomínio é um dos frutos do espírito. (Gálatas 5:22, 23) De modo que o espírito de Deus produzirá autodomínio em nós se orarmos por essa qualidade, se aplicarmos os devidos conselhos das Escrituras e se nos associarmos com os que manifestam essa qualidade e evitarmos os que não a manifestam. (Salmo 119:100, 101, 130; Provérbios 13:20; 1 Pedro 4:7) Esse proceder nos ajudará a ‘fugir da fornicação’, mesmo sob tentação. (1 Coríntios 6:18) Rejeitaremos a violência e evitaremos ou venceremos o alcoolismo. E enfrentaremos com mais serenidade as provocações e as situações difíceis. Que todos — incluindo os filhos — aprendam a cultivar esse vital fruto do espírito! — Salmo 119:1, 2.

      CONCEITO CORRETO DA CHEFIA

      6. (a) Qual é o arranjo divino da chefia? (b) De que deve o homem lembrar-se para que a sua chefia traga felicidade à família?

      6 O segundo princípio importante é reconhecer a chefia. Paulo descreveu a ordem correta das coisas, dizendo: “Quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.” (1 Coríntios 11:3) Isso significa que o homem lidera a família, a esposa o apoia lealmente e os filhos obedecem aos pais. (Efésios 5:22-25, 28-33; 6:1-4) Note, porém, que a chefia só produz felicidade se for exercida de modo correto. Os maridos que têm devoção piedosa sabem que chefia não é ditadura. Eles imitam a Jesus, seu Cabeça. Embora Jesus viesse a se tornar “cabeça sobre todas as coisas”, ele “não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar”. (Efésios 1:22; Mateus 20:28) De maneira similar, o cristão exerce a chefia, não para beneficiar a si mesmo, mas para cuidar dos interesses de sua esposa e de seus filhos. — 1 Coríntios 13:4, 5.

      7. Que princípios bíblicos ajudarão a esposa a cumprir o papel que Deus lhe confiou na família?

      7 Por sua vez, a esposa que vive com devoção piedosa não compete com o marido nem procura dominá-lo. Ela é feliz em apoiá-lo e em cooperar com ele. A Bíblia às vezes refere-se à esposa como ‘pertencente’ ao marido, deixando claro que ele é seu cabeça. (Gênesis 20:3) Pelo casamento ela vem a estar sob a “lei de seu marido”. (Romanos 7:2) A Bíblia também a chama de “ajudadora” e “complemento”. (Gênesis 2:20) A esposa contribui com qualidades e habilidades que seu marido não tem, e lhe dá o necessário apoio. (Provérbios 31:10-31) A Bíblia também diz que a esposa é “parceira”, que trabalha lado a lado com o marido. (Malaquias 2:14) Esses princípios bíblicos ajudam marido e esposa a ter apreço pela função um do outro e a se tratarem mutuamente com o devido respeito e dignidade.

      “SEJA “RÁPIDO NO OUVIR”

      8, 9. Explique alguns princípios que ajudarão a todos na família a melhorar a sua arte de comunicação.

      8 Neste livro acentua-se muitas vezes a necessidade de comunicação. Por quê? Porque as coisas funcionam melhor quando as pessoas se falam e realmente escutam uma à outra. Foi repetidas vezes enfatizado que a comunicação é uma via de mão dupla. O discípulo Tiago expressou isso da seguinte maneira: “Todo homem tem de ser rápido no ouvir, vagaroso no falar.” — Tiago 1:19.

      9 É também importante cuidar de como falamos. Palavras ríspidas, contenciosas ou severamente críticas não constituem boa comunicação. (Provérbios 15:1; 21:9; 29:11, 20) Mesmo se o que dissermos for correto, se for dito de modo cruel, orgulhoso ou insensível, provavelmente causará mais mal do que bem. O nosso falar deve ser de bom gosto, ‘temperado com sal’. (Colossenses 4:6) As nossas palavras devem ser como “maçãs de ouro em esculturas de prata”. (Provérbios 25:11) As famílias que aprendem a boa comunicação terão dado um grande passo para conseguir a felicidade.

      O PAPEL VITAL DO AMOR

      10. Que tipo de amor é vital no casamento?

      10 A palavra “amor” aparece muitas vezes neste livro. Lembra-se do tipo de amor que mais foi mencionado? É verdade que o amor romântico (éros, em grego) é importante no casamento, e, nos casamentos bem-sucedidos, o afeto e a amizade profundos (filía, em grego) se intensificam entre marido e esposa. Mais importante, porém, é o amor representado pelo termo grego agápe. É o amor que cultivamos por Jeová, por Jesus e pelos nossos semelhantes. (Mateus 22:37-39) É o amor que Jeová expressa pela humanidade. (João 3:16) Como é maravilhoso podermos tratar nosso cônjuge e nossos filhos com esse mesmo tipo de amor! — 1 João 4:19.

      11. De que modo o amor resulta em bem para o casamento?

      11 No casamento, esse amor sublime é realmente “o perfeito vínculo de união”. (Colossenses 3:14) Ele une o casal e os leva a querer fazer o melhor um pelo outro e pelos filhos. Nas situações difíceis, o amor ajuda a família a resolver as coisas em união. À medida que o casal envelhece, o amor os ajuda a manter vivos o apoio e o apreço mútuos. “O amor . . . não procura os seus próprios interesses. . . . Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. O amor nunca falha.” — 1 Coríntios 13:4-8.

      12. Por que o amor do casal a Deus fortalece seu casamento?

      12 A união conjugal é especialmente forte quando é selada não apenas pelo amor entre os cônjuges, mas primariamente pelo amor a Jeová. (Eclesiastes 4:9-12) Por quê? Bem, o apóstolo João escreveu: “O amor de Deus significa o seguinte: que observemos os seus mandamentos.” (1 João 5:3) Portanto, o casal deve ensinar a devoção piedosa aos filhos não só por causa do profundo amor que sentem por eles, mas porque é a ordem de Jeová. (Deuteronômio 6:6, 7) Devem evitar a imoralidade não só porque se amam, mas principalmente porque amam a Jeová, que “julgará os fornicadores e os adúlteros”. (Hebreus 13:4) Mesmo que um dos parceiros cause sérios problemas no casamento, o amor a Jeová induzirá o outro a persistir na aplicação dos princípios bíblicos. De fato, felizes são as famílias em que o amor uns pelos outros é cimentado pelo amor a Jeová!

      A FAMÍLIA QUE FAZ A VONTADE DE DEUS

      13. Como a determinação de fazer a vontade de Deus ajudará as pessoas a fixar sua atenção nas coisas realmente importantes?

      13 A vida do cristão se centraliza em fazer a vontade de Deus. (Salmo 143:10) É isso o que a devoção piedosa realmente significa. Fazer a vontade de Deus ajuda as famílias a fixar a sua atenção nas coisas realmente importantes. (Filipenses 1:9, 10) Por exemplo, Jesus alertou: “Vim causar divisão; o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a jovem esposa contra sua sogra. Deveras, os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família.” (Mateus 10:35, 36) Como Jesus alertou, muitos de seus seguidores têm sido perseguidos por membros de suas famílias. Que situação triste e dolorosa! Não obstante, os laços familiares não devem se sobrepor ao nosso amor a Jeová Deus e Jesus Cristo. (Mateus 10:37-39) Se a pessoa persevera apesar da oposição da família, os opositores talvez mudem de conceito ao observarem os bons efeitos da devoção piedosa. (1 Coríntios 7:12-16; 1 Pedro 3:1, 2) Mesmo que isso não aconteça, deixar de servir a Deus por causa de oposição não resulta em nenhum bem duradouro.

      14. De que maneira o desejo de fazer a vontade de Deus ajudará os pais a agirem nos melhores interesses dos filhos?

      14 Fazer a vontade de Deus ajuda os pais a tomar decisões corretas. Por exemplo, em algumas comunidades os pais tendem a encarar os filhos como investimento, e contam com eles para lhes ajudar na velhice. Embora seja próprio que os filhos adultos cuidem dos pais idosos, isso não justifica que os pais induzam os filhos a um estilo de vida materialista. Os pais não prestam bom serviço aos filhos se os ensinam a prezar mais os bens materiais do que os valores espirituais. — 1 Timóteo 6:9.

      15. Por que Eunice, mãe de Timóteo, foi ótimo exemplo de mãe que fez a vontade de Deus?

      15 Um ótimo exemplo neste respeito é Eunice, a mãe do jovem amigo de Paulo, Timóteo. (2 Timóteo 1:5) Embora fosse casada com um descrente, Eunice, junto com a avó de Timóteo, Loide, criou Timóteo nos caminhos da devoção piedosa. (2 Timóteo 3:14, 15) Quando Timóteo já tinha idade para isso, Eunice permitiu que ele saísse de casa e se dedicasse à pregação do Reino como companheiro missionário de Paulo. (Atos 16:1-5) Quanta emoção deve ter sentido quando seu filho se tornou um notável missionário! Sua devoção piedosa como adulto foi um bom reflexo de seu treinamento na infância. Eunice sem dúvida encontrou satisfação e alegria em ouvir relatórios sobre o ministério fiel de Timóteo, mesmo que provavelmente sentisse a sua falta em casa. — Filipenses 2:19, 20.

      A FAMÍLIA E O SEU FUTURO

      16. Como filho, que correta preocupação mostrou Jesus, mas qual era seu objetivo primário?

      16 Jesus foi criado numa família temente a Deus, e, como adulto, mostrou a correta preocupação de um filho para com sua mãe. (Lucas 2:51, 52; João 19:26) Contudo, o objetivo primário de Jesus era cumprir a vontade de Deus que, no seu caso, incluía abrir o caminho para que humanos pudessem ganhar a vida eterna. Fez isso quando entregou a sua vida humana perfeita como resgate pela humanidade pecaminosa. — Marcos 10:45; João 5:28, 29.

      17. Que perspectivas gloriosas o proceder fiel de Jesus abriu para aqueles que fazem a vontade de Deus?

      17 Após a morte de Jesus, Jeová ressuscitou-o à vida celestial e lhe deu grande autoridade, empossando-o por fim como Rei no Reino celestial. (Mateus 28:18; Romanos 14:9; Revelação [Apocalipse] 11:15) O sacrifício de Jesus possibilitou que alguns humanos fossem selecionados para governar com ele nesse Reino. Abriu também o caminho para que as demais pessoas de retidão pudessem ter vida perfeita numa Terra de restauradas condições paradísicas. (Revelação 5:9, 10; 14:1, 4; 21:3-5; 22:1-4) Um dos nossos maiores privilégios hoje é falarmos dessas boas novas ao nosso próximo. — Mateus 24:14.

      18. Que lembrete e que encorajamento são dados tanto a famílias como a indivíduos?

      18 Como o apóstolo Paulo mostrou, a vida de devoção piedosa vem acompanhada da promessa de que as pessoas poderão receber essas bênçãos na vida “que há de vir”. Certamente, esse é o melhor caminho para se encontrar a felicidade! Lembre-se, “o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1 João 2:17) Portanto, se você é filho ou filha, pai ou mãe, marido ou esposa, um adulto solteiro com ou sem filhos, empenhe-se em fazer a vontade de Deus. Mesmo sob pressão ou extremas dificuldades, jamais se esqueça de que você é servo do Deus vivente. Assim, que as suas ações alegrem a Jeová. (Provérbios 27:11) E que a sua conduta resulte em felicidade para você agora e em vida eterna no vindouro novo mundo!

      COMO PODEM ESTES PRINCÍPIOS BÍBLICOS AJUDAR . . . A SUA FAMÍLIA A SER FELIZ?

      O autodomínio pode ser cultivado. — Gálatas 5:22, 23.

      Tendo um conceito correto sobre a chefia, marido e esposa buscam os melhores interesses da família. — Efésios 5:22-25, 28-33; 6:4.

      A comunicação inclui escutar. — Tiago 1:19.

      O amor a Jeová cimentará o casamento. —1 João 5:3.

      Fazer a vontade de Deus é o alvo primordial da família. — Salmo 143:10; 1 Timóteo 4:8.

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