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A família sob ataque!A Sentinela — 1992 | 15 de outubro
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A família sob ataque!
“A FAMÍLIA é a mais antiga instituição humana. De muitas maneiras, ela é a mais importante. É a unidade mais básica da sociedade. Civilizações inteiras sobreviveram ou desapareceram, dependendo de se a vida familiar era forte ou fraca.”
Assim disse a Enciclopédia da World Book, em 1973. Quando vistas sob as perspectivas de hoje, contudo, essas palavras assumem um tom ominoso, quase agourento. O que tem acontecido em anos recentes equivale a um ataque frontal contra a vida familiar. O conhecido conselheiro John Bradshaw escreveu: “A família está em crise. . . . O elevado índice de divórcios, violência juvenil, maciço abuso de drogas, incesto epidêmico, distúrbios alimentares e agressões físicas são evidências de que algo está radicalmente errado.”
De fato, “evidências de que algo está radicalmente errado” com a família são visíveis em todo o mundo. O Correio da Unesco disse sobre a situação na Europa: “Desde 1965, tem havido grande aumento no número de divórcios em todo o continente. . . . Tem aumentado o número de famílias monoparentais.” Nos países em desenvolvimento a crise na família também tem aumentado. A escritora Hélène Tremblay observou: “Para milhões de pessoas que vivem em sociedades que há séculos seguem um modo de vida normal, previsível e imutável, o presente é um período de tumulto.”
Em especial, é alarmante o clima existente em muitos lares hoje em dia. Só nos Estados Unidos, milhões e milhões de crianças estão sendo criadas por pai ou mãe alcoólatra. Tem havido também um aterrador aumento da violência familiar. Em seu livro Intimate Violence (Violência na Intimidade), os pesquisadores Richard Gelles e Murray Straus informam: “Você tem mais probabilidades de ser agredido fisicamente, espancado e morto em sua própria casa às mãos de um ente querido do que em qualquer outro lugar, ou por qualquer outra pessoa de nossa sociedade.”
Se a sobrevivência da civilização realmente depende da força da família, há razão para temer o futuro da civilização. Não obstante, o destino da civilização talvez seja o que menos lhe preocupa. É muito provável que sua preocupação seja com o que esse tumulto pode prenunciar para a sua família. Em que resultará? A resposta de uma fonte autorizada talvez o surpreenda.
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Crise na família — um sinal dos temposA Sentinela — 1992 | 15 de outubro
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Crise na família — um sinal dos tempos
CRISE na família — muitos vêem isso como sinal de que as regras tradicionais sobre casamento e criar filhos são obsoletas. Outros a vêem como produto das mudanças políticas, econômicas e sociais. Ainda outros a encaram como apenas mais uma vítima da tecnologia moderna. Na verdade, os problemas que hoje afligem a família apontam para algo de muito maior significado. Note as palavras da Bíblia, em 2 Timóteo 3:1-4:
“Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus.”
Não acha que essas palavras vão bem à raiz dos problemas de hoje? A atual crise na família é claramente o resultado direto das condições preditas para os últimos dias deste mundo. E há evidências conclusivas de que este período de turbulência começou no ano de 1914.a Desde então, a influência da criatura espiritual chamada Satanás, o Diabo, tem sido especialmente mortífera. — Mateus 4:8-10; 1 João 5:19.
Confinado desde 1914 à vizinhança da Terra, Satanás tem “grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. (Revelação [Apocalipse] 12:7-12) Visto que Satanás é um inimigo jurado de Deus, “a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”, é de admirar que a Terra se tenha tornado um lugar perigoso para as famílias? (Efésios 3:15) Satanás está decidido a desviar toda a humanidade de Deus. De que melhor maneira poderia ele conseguir isso senão por multiplicar os problemas das famílias?
Será preciso mais do que as eloqüentes teorias de ‘especialistas’ para proteger as famílias desse ataque sobre-humano. Não obstante, a Bíblia diz sobre Satanás: “Não desconhecemos os seus desígnios.” (2 Coríntios 2:11) Há certa medida de proteção em se conhecer alguns de seus métodos específicos de ataque.
Dinheiro e Trabalho
A pressão econômica é uma das armas de ataque mais poderosas de Satanás. Vivemos em “tempos críticos, difíceis de manejar”, ou como a Revised Standard Version (Versão Padrão Revisada) traduz 2 Timóteo 3:1, “tempos de tensão”. Nos países em desenvolvimento, problemas tais como desemprego, baixos salários e falta das necessidades básicas causam muita aflição às famílias. Contudo, mesmo no comparativamente rico Estados Unidos, as pressões econômicas colhem o seu tributo. Certa pesquisa americana revelou que o dinheiro é uma das principais causas de conflito familiar. O livro Secrets of Strong Families (Os Segredos das Famílias Fortes) explica que o “tempo, a atenção [e] a energia” dedicados a atender às demandas do trabalho podem também ser um “inimigo sutil” que corrói o compromisso conjugal.
As circunstâncias têm obrigado um número recorde de mulheres a entrar no mercado de trabalho. O escritor Vance Packard informa: “No presente, pelo menos um quarto das crianças com menos de três anos na América têm mães com algum tipo de emprego fora de casa.” Atender às quase insaciáveis demandas das criancinhas, bem como de um emprego, pode ser um empreendimento sofrido e extenuante — com efeitos negativos tanto para os pais como para os filhos. Packard acrescenta que, devido à falta de adequados serviços de apoio à criança nos Estados Unidos, “milhões de crianças estão sendo lesadas no seu direito de receber bons cuidados nos seus primeiros anos de vida”. — Our Endangered Children.
O próprio local de trabalho não raro mina a harmonia familiar. Muitos se envolvem em sexo ilícito com colegas de trabalho. Ainda outros se deixam apanhar por uma busca vã de sucesso e sacrificam sua vida familiar em troca de promoções no emprego. (Compare com Eclesiastes 4:4.) Certo homem ficou tão absorto no seu serviço de representante de vendas que sua esposa chamou a si mesma de “mãe sem marido de facto”.
Laços Maritais Enfraquecidos
O próprio casamento como instituição também veio a estar sob ataque. Diz o livro The Intimate Environment (O Ambiente Íntimo): “No passado, a expectativa era de que o casal permanecesse casado, a menos que um dos pares cometesse uma ofensa crassa contra o casamento — adultério, crueldade, negligência extrema. Hoje a maioria vê o casamento como oportunidade de realização pessoal.” Sim, o casamento é tratado como antídoto para a infelicidade, o tédio ou a solidão — e não como compromisso vitalício com outra pessoa. A ênfase agora é no que se tira do casamento, não no que se dá. (Contraste com Atos 20:35.) Esta “grande mudança nos valores que cercam o casamento” enfraqueceu muito os laços maritais. Quando o desejo de realização pessoal não corresponde às expectativas, os casais não raro recorrem ao divórcio como solução rápida.
As pessoas nestes “últimos dias” são descritas profeticamente na Bíblia como ‘tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsas para com o seu poder’. (2 Timóteo 3:4, 5) Muitos especialistas acham que o declínio na religião tem contribuído para minar o casamento. Em seu livro The Case Against Divorce, a Dra. Diane Medved escreveu: “Segundo a maioria das religiões, Deus disse que o casamento deve ser permanente. Se a pessoa tem dúvidas a respeito de Deus, ou não crê Nele, ela faz o que quer.” Assim, quando há problemas no casamento, os casais não buscam soluções sólidas. “Jogam logo tudo para o alto.”
Ataque aos Jovens
Os jovens sofrem os abalos das pressões modernas. Um estarrecedor número de crianças são violentamente espancadas e sofrem abusos verbais e sexuais da parte de seus próprios pais. Por causa do divórcio, outros milhões são privados da amorosa influência dupla de pai e mãe, e a dor do divórcio dos pais muitas vezes dura a vida inteira.
Os jovens são bombardeados por poderosas influências. Quando um jovem americano médio chega aos 14 anos, ele terá visto 18.000 assassinatos e incontáveis outras formas de violência, sexo ilícito, sadismo e crime simplesmente por assistir à televisão. A música também exerce grande influência sobre os jovens, e boa parte dela contém crassa indecência, sexo explícito ou até mesmo satanismo. As escolas expõem os jovens a teorias, como a evolução, que tendem a minar a fé em Deus e na Bíblia. A pressão de colegas leva muitos a se envolver em sexo pré-marital e em abusos de álcool ou de drogas.
As Raízes da Crise na Família
Portanto, o ataque contra a família é de largo alcance e pode ser devastador. O que pode ajudar as famílias a sobreviver? O conselheiro familiar John Bradshaw sugere: “As nossas regras sobre criar filhos não foram realmente atualizadas em 150 anos. . . . Creio que as velhas regras não funcionam mais.” Contudo, mais regras humanas não são a solução. Jeová Deus é o Originador da família. Melhor do que ninguém ele sabe como a vida familiar é importante para a nossa felicidade pessoal, e do que é preciso para que a família seja feliz e forte. Deveria surpreender-nos que a sua Palavra, a Bíblia, fornecesse a solução para a crise na família?
Esse livro tão antigo explica o que saiu de errado com a vida familiar. O primeiro casal humano, Adão e Eva, foram colocados num belo lugar ajardinado, e foi-lhes dado o desafio recompensador de transformar a Terra num paraíso global. Deus decretou que Adão fosse o chefe ou cabeça da família. Eva cooperaria com a sua chefia qual “ajudadora” ou “complemento”. Mas Eva rebelou-se contra esse arranjo. Usurpou a chefia de seu marido e desobedeceu à única proibição que Deus lhes impusera. Em seguida, Adão abdicou de sua chefia e juntou-se a ela nessa revolta. — Gênesis 1:26-3:6.
Os efeitos destrutivos desse desvio do arranjo de Deus logo se tornaram evidentes. Não mais puros e inocentes, Adão e Eva reagiram com vergonha e culpa. Adão, que havia descrito sua esposa em termos brilhantes e poéticos, agora se referiu friamente a ela como ‘a mulher que me deste’. Essa observação negativa foi apenas o começo da aflição conjugal. As vãs tentativas de Adão para reconquistar a sua chefia resultariam em ele ‘dominar a sua esposa’. Eva, por sua vez, teria “desejo ardente” de seu marido, provavelmente de uma maneira excessiva ou desequilibrada. — Gênesis 2:23; 3:7-16.
Como seria de esperar, a desavença conjugal de Adão e Eva causou um impacto nocivo sobre sua prole. Seu primeiro filho, Caim, tornou-se frio assassino. (Gênesis 4:8) Lameque, descendente de Caim, contribuiu para o declínio da vida familiar tornando-se o primeiro polígamo de que se tem registro. (Gênesis 4:19) De modo que Adão e Eva deixaram não só um legado de pecado e morte, mas também um doentio modelo familiar que tem sido o quinhão da raça humana desde então. Nestes últimos dias, discórdias de família atingiram um auge sem precedentes.
Famílias Que Dão Certo
Mas nem todas as famílias sentem-se vergadas sob as pressões da atualidade. Certo marido, por exemplo, vive com sua esposa e duas filhas numa pequena localidade, nos Estados Unidos. Embora entre muitos de seus vizinhos haja conflito de gerações entre pais e filhos, ele e sua esposa estão livres disso, e não temem que suas filhas experimentem drogas ou sexo ilícito. Nas noites de segunda-feira, enquanto outros jovens estão com os olhos grudados na TV, essa família está em volta da mesa na sala de jantar para um estudo da Bíblia. “Segunda-feira à noite é a nossa ocasião especial para estarmos juntos e conversar”, explica o pai. “As nossas filhas sentem-se à vontade para nos expor seus problemas.”
Há também uma mãe sem marido, em Nova Iorque, que similarmente conserva uma incomum coesão familiar com as suas duas filhas. Seu segredo? “Deixamos a televisão desligada até o fim de semana”, explica. “Consideramos diariamente um texto bíblico. Reservamos também uma noite por semana para um estudo bíblico em família.”
Ambas as famílias são Testemunhas de Jeová. Elas aplicam os conselhos para as famílias contidos na Bíblia — e isso funciona. Todavia, não são exceções. Há centenas de milhares de famílias assim, que obtêm bons resultados de aplicar as regras para a vida familiar que se acham nesse livro.b Quais são essas regras? Como podem beneficiar a você e a sua família? Em resposta, convidamo-lo a examinar os artigos que começam na página seguinte.
[Nota(s) de rodapé]
a Para mais evidências de que os últimos dias começaram em 1914, veja o capítulo 18 do livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
b Por meio de um estudo bíblico domiciliar gratuito, as Testemunhas de Jeová oferecem ajuda pessoal na aplicação de princípios bíblicos na família. Pode-se entrar em contato com elas escrevendo aos editores desta revista.
[Foto na página 4]
Más condições econômicas causam muita aflição às famílias nos países em desenvolvimento.
[Crédito]
Foto da U. S. Navy
[Foto na página 7]
Através da aplicação de princípios bíblicos, muitas famílias resistem às pressões da atualidade.
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O amoroso arranjo da família instituído por JeováA Sentinela — 1992 | 15 de outubro
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O amoroso arranjo da família instituído por Jeová
“Por causa disso dobro os joelhos diante do Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome.” — EFÉSIOS 3:14, 15.
1, 2. (a) Com que objetivo criou Jeová a unidade familiar? (b) Que papel deve a família ter hoje no arranjo de Deus?
JEOVÁ criou a unidade familiar. Através dela, fez mais do que atender à necessidade humana de companheirismo, apoio ou intimidade. (Gênesis 2:18) A família seria o meio pelo qual se cumpriria o glorioso propósito de Deus de encher a Terra. Ele disse ao primeiro casal: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a.” (Gênesis 1:28) O caloroso e acalentador ambiente familiar seria benéfico para a multidão de filhos que nasceriam a Adão e Eva e seus descendentes.
2 Aquele primeiro casal, contudo, preferiu o caminho da desobediência — com resultados funestos para si mesmo e sua prole. (Romanos 5:12) Portanto, a vida familiar hoje é uma distorção daquilo que Deus queria que ela fosse. Ainda assim, a família continua a ocupar um lugar importante no arranjo de Jeová, servindo como unidade básica da sociedade cristã. Não se diz isso sem apreço pelo trabalho excelente de muitos cristãos não-casados em nosso meio. Na verdade, é em reconhecimento da larga contribuição que as famílias também dão à saúde espiritual da organização cristã como um todo. Famílias fortes constituem congregações fortes. Mas, como pode a sua família prosperar diante das pressões de hoje? Em resposta, examinemos o que a Bíblia tem a dizer sobre o arranjo da família.
A Família nos Tempos Bíblicos
3. Que papéis desempenhavam o marido e a esposa na família patriarcal?
3 Tanto Adão como Eva repudiaram o arranjo de chefia instituído por Deus. Mas homens de fé, como Noé, Abraão, Isaque, Jacó, e Jó, assumiram corretamente o seu papel como chefes de família. (Hebreus 7:4) A família patriarcal era como um pequeno governo, o pai atuando como líder religioso, instrutor e juiz. (Gênesis 8:20; 18:19) As esposas também tinham um papel importante, não servindo como escravas, mas sim como administradoras domésticas ajudantes.
4. Como mudou a vida familiar sob a Lei mosaica, mas que papel continuaram os pais a desempenhar?
4 Quando Israel tornou-se nação, em 1513 AEC, a lei familiar ficou subordinada à Lei nacional fornecida através de Moisés. (Êxodo 24:3-8) A autoridade para decidir, inclusive assuntos de vida ou morte, foi então transferida para juízes designados. (Êxodo 18:13-26) O sacerdócio levítico assumiu os encargos dos aspectos sacrificiais da adoração. (Levítico 1:2-5) Não obstante, o pai continuava a desempenhar um papel importante. Moisés exortou os pais: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:6, 7) As mães exerciam muita influência. Provérbios 1:8 ordenava aos jovens: “Escuta, meu filho, a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” Sim, no âmbito da autoridade de seu marido, a esposa hebréia podia estabelecer — e fazer cumprir — leis familiares. Devia ser honrada pelos filhos, mesmo depois de ela envelhecer. — Provérbios 23:22.
5. Como definiu a Lei mosaica o lugar dos filhos no arranjo familiar?
5 O lugar dos filhos também foi claramente definido na Lei de Deus. Diz Deuteronômio 5:16: “Honra a teu pai e a tua mãe, assim como te mandou Jeová, teu Deus, a fim de que os teus dias se prolonguem e te vá bem sobre o solo que Jeová, teu Deus, te dá.” O desrespeito aos pais era uma transgressão gravíssima sob a Lei mosaica. (Êxodo 21:15, 17) “Caso haja um homem que invoque o mal sobre seu pai e sua mãe”, dizia a Lei, “sem falta deve ser morto”. (Levítico 20:9) Rebelar-se contra os pais equivalia a rebelar-se contra o próprio Deus.
O Papel dos Maridos Cristãos
6, 7. Por que as palavras de Paulo em Efésios 5:23-29 pareciam revolucionárias para os leitores do primeiro século?
6 O cristianismo lançou luz sobre o arranjo familiar, em especial sobre o papel do marido. Fora da congregação cristã, no primeiro século, era comum o marido tratar a esposa de maneira dura e opressiva. Negava-se às mulheres os direitos básicos e a dignidade. A Bíblia do Expositor (em inglês), diz: “O grego culto arranjava uma esposa para produzir filhos. Os direitos dela não restringiam seu apetite [sexual]. O amor não figurava no contrato de casamento. . . . A mulher-escrava não tinha direitos. O seu corpo ficava à disposição de seu dono.”
7 Sob tal situação, Paulo escreveu as palavras de Efésios 5:23-29: “O marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação, sendo ele salvador deste corpo. . . . Maridos, continuai a amar as vossas esposas, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela . . . Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta.” Para os leitores do primeiro século, essas palavras eram nada menos do que revolucionárias. Diz A Bíblia do Expositor: “Nada no cristianismo parecia mais inovador e mais rígido, em comparação com a moral dissoluta da época, do que o conceito cristão a respeito do casamento. . . . [Isto] abriu uma nova era para a humanidade.”
8, 9. Que más atitudes para com as mulheres são comuns entre os homens, e por que é importante que o varão cristão rejeite esses conceitos?
8 O conselho da Bíblia aos maridos não é menos revolucionário hoje. Apesar de tanto se ouvir falar na libertação da mulher, muitos homens ainda encaram as mulheres como meros objetos para gratificação sexual. Crendo no mito de que as mulheres realmente gostam de ser dominadas, controladas ou maltratadas, muitos homens abusam física e emocionalmente de suas esposas. Quão vergonhoso seria para o cristão se ele se deixasse levar pelo raciocínio mundano e tratasse sua esposa abusivamente! “Meu marido era servo ministerial e proferia discursos públicos”, disse certa cristã. Mas revela: “Eu era vítima de espancamento.” É óbvio que tais ações não se coadunam com o arranjo de Deus. Esse homem era uma rara exceção; ele teria de buscar ajuda para controlar a sua ira, se quisesse ter o favor de Deus. — Gálatas 5:19-21.
9 Deus ordena que os maridos mostrem às esposas o mesmo amor que têm por seus próprios corpos. Recusar-se a fazer isso é rebelião contra o próprio arranjo de Deus e pode minar a relação da pessoa com Deus. As palavras do apóstolo Pedro são claras: “Vós, maridos, continuai a morar com [as vossas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, . . . a fim de que as vossas orações não sejam impedidas.” (1 Pedro 3:7) Além disso, tratar a esposa duramente poderia ter um efeito devastador sobre a espiritualidade dela e dos filhos.
10. De que diversas maneiras podem os maridos exercer a chefia à maneira de Cristo?
10 Maridos, sua família prosperará sob a sua chefia, se você a exercer à maneira de Cristo. Ele jamais foi duro ou abusivo. Ao contrário, podia dizer: “Aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas.” (Mateus 11:29) Pode a sua família dizer o mesmo a seu respeito? Cristo tratava seus discípulos como amigos, e confiava neles. (João 15:15) Concede à sua esposa a mesma dignidade? A Bíblia falou a respeito da “esposa capaz”: “Nela confia o coração do seu dono.” (Provérbios 31:10, 11) Isso significa conceder a ela certa medida de liberdade e um raio de ação, sem enclausurá-la com restrições desarrazoadas. Ademais, Jesus incentivou seus discípulos a expressar seus sentimentos e opiniões. (Mateus 9:28; 16:13-15) Faz o mesmo com a sua esposa? Ou encara um desacordo sincero como desafio à sua autoridade? Se o marido levar em conta os sentimentos da esposa, em vez de ignorá-los, estará na realidade edificando o respeito dela por sua chefia.
11. (a) Como pode o pai zelar pelas necessidades espirituais de seus filhos? (b) Por que precisam os anciãos e os servos ministeriais ser exemplares no cuidado de suas famílias?
11 Se você é pai, é sua também a obrigação de tomar a dianteira em atender às necessidades espirituais, emocionais e físicas de seus filhos. Isso inclui ter uma boa rotina espiritual para sua família: trabalhar com ela no serviço de campo, dirigir um estudo bíblico familiar, considerar o texto diário. É interessante que a Bíblia mostra que o ancião ou o servo ministerial deve ser um “homem que presida de maneira excelente à sua própria família”. Portanto, os homens que servem nessas funções devem ser chefes de família exemplares. Embora carreguem uma pesada carga de responsabilidades congregacionais, têm de dar prioridade à sua própria família. Paulo mostrou o motivo: “Deveras, se um homem não souber presidir à sua própria família, como tomará conta da congregação de Deus?” — 1 Timóteo 3:4, 5, 12.
Esposa Cristã Que Apóia
12. Que parte desempenha a esposa no arranjo cristão?
12 É você uma esposa cristã? Em caso afirmativo, você também tem de desempenhar um papel vital no arranjo familiar. Exorta-se as esposas cristãs a ‘amar seu marido, amar seus filhos, ser ajuizadas, castas, operosas em casa, boas, e a sujeitar-se ao seu marido’. (Tito 2:4, 5) Portanto, deve esforçar-se de ser uma dona-de-casa exemplar, mantendo o lar limpo e prazeroso para a sua família. O serviço doméstico pode ser tedioso às vezes, mas não é humilhante nem trivial. Como esposa, você ‘cuida de uma família’, e pode ter um considerável raio de ação nesse sentido. (1 Timóteo 5:14) A “esposa capaz”, por exemplo, comprava suprimentos para a casa, fazia transações de imóveis e até mesmo gerava lucros dirigindo um pequeno negócio. Não é para menos que granjeasse o louvor de seu marido! (Provérbios, capítulo 31) Naturalmente, tais iniciativas eram tomadas dentro das diretrizes que seu marido lhe dava como cabeça.
13. (a) Por que a submissão pode ser difícil para algumas mulheres? (b) Por que é vantajoso que a mulher cristã se sujeite a seu marido?
13 No entanto, sujeitar-se a seu marido talvez nem sempre seja fácil. Nem todos os homens infundem respeito. E você talvez seja um tanto capaz em termos de finanças, planejamento e organização. Talvez tenha um emprego e faça uma contribuição significativa para a renda da família. Ou talvez tenha sofrido de alguma forma de dominação masculina no passado e ache difícil submeter-se a um homem. Não obstante, mostrar “profundo respeito”, ou “temor”, pelo seu marido demonstra seu respeito à chefia de Deus. (Efésios 5:33, Interlinear do Reino; 1 Coríntios 11:3) Além disso, a submissão é crucial para o êxito de sua família; ajuda você a evitar submeter seu casamento a desnecessárias tensões e pressões.
14. O que pode a esposa fazer quando discorda de uma decisão do marido?
14 Mas significa isso que a esposa tem de se calar quando acha que seu marido está tomando uma decisão que não atende aos melhores interesses da família? Não necessariamente. A esposa de Abraão, Sara, não silenciou quando percebeu uma ameaça ao bem-estar de seu filho, Isaque. (Gênesis 21:8-10) Similarmente, talvez ache ser uma obrigação expressar seus sentimentos, às vezes. Se isso for feito respeitosamente “no tempo certo”, o cristão piedoso vai escutar. (Provérbios 25:11) Mas se a sua sugestão não for acatada, e não estiver em jogo nenhuma violação séria de um princípio bíblico, não seria para seu próprio prejuízo contrariar os desejos de seu marido? Lembre-se, “a mulher realmente sábia edificou a sua casa, mas a tola a derruba com as suas próprias mãos”. (Provérbios 14:1) Uma das maneiras de edificar a casa é cooperar com relação à chefia do marido, louvando suas realizações ao passo que não se perturba demais com os erros dele.
15. Como pode a esposa participar na disciplina e no treinamento de seus filhos?
15 Outra maneira de edificar a sua casa é participar na disciplina e no treinamento dos filhos. Por exemplo, poderá fazer a sua parte em manter o estudo bíblico familiar regular e edificante. ‘Não dê descanso à sua mão’ no que tange a partilhar as verdades de Deus com seus filhos em toda a oportunidade — ao andar com eles, ou simplesmente ao fazer compras. (Eclesiastes 11:6) Ajude-os a preparar comentários para as reuniões e partes na Escola do Ministério Teocrático. Esteja atenta às suas companhias. (1 Coríntios 15:33) Quanto a padrões piedosos e disciplina, deixe que seus filhos saibam que você e seu marido estão unidos. Não permita que joguem você contra seu marido.
16. (a) Que exemplo bíblico serve de encorajamento para mães sem cônjuge ou que são casadas com descrente? (b) Como podem outros na congregação ser de ajuda para elas?
16 Se você é mãe sem marido, ou ele é descrente, é bem provável que tenha de tomar a dianteira em assuntos espirituais. Isso pode ser difícil e, às vezes, até mesmo desanimador. Mas não desista. A mãe de Timóteo, Eunice, conseguiu ensinar-lhe as Escrituras Sagradas “desde a infância”, apesar de ser casada com um descrente. (2 Timóteo 1:5; 3:15) E muitas em nosso meio estão conseguindo o mesmo. Se precisa de ajuda nesse respeito, pode expor suas necessidades aos anciãos. Eles talvez possam providenciar que alguém a ajude a ir às reuniões e ao serviço de campo. E poderão incentivar outros a incluírem sua família nos passeios ou reuniões recreativos. Ou providenciar que um publicador experiente a ajude a iniciar um estudo familiar.
Filhos Apreciativos
17. (a) Como podem os jovens contribuir para o bem-estar da família? (b) Que exemplo deu Jesus neste respeito?
17 Os cristãos jovens podem contribuir para o bem-estar da família seguindo o conselho de Efésios 6:1-3: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’, que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.’” Cooperando com os pais, o jovem demonstra seu respeito por Jeová. Jesus Cristo era perfeito e facilmente poderia raciocinar que estaria abaixo de sua dignidade submeter-se a pais imperfeitos. Todavia, “continuou a estar-lhes sujeito. . . . E Jesus progredia em sabedoria e em desenvolvimento físico, e no favor de Deus e dos homens”. — Lucas 2:51, 52.
18, 19. (a) O que significa honrar os pais? (b) Como pode o lar tornar-se um lugar de refrigério?
18 Não deveria você também honrar seus pais? ‘Honrar’ aqui significa dar o devido reconhecimento à autoridade constituída. (Compare com 1 Pedro 2:17.) Na maioria dos casos tal honra é devida, mesmo que os pais sejam descrentes ou não dêem bom exemplo. Você deve honrar seus pais ainda mais se eles forem cristãos exemplares. Lembre-se, também, que a disciplina e a orientação que vêm de seus pais não visam restringir-lhe indevidamente. Ao contrário, visam protegê-lo, para que ‘continue vivendo’. — Provérbios 7:1, 2.
19 Portanto, que arranjo amoroso é a família! Quando maridos, esposas e filhos seguem as regras de Deus para a vida familiar, o lar se torna um refúgio, um lugar de refrigério. Não obstante, podem surgir problemas relacionados com a comunicação e com a educação de filhos. O próximo artigo considerará como resolver alguns desses problemas.
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Empenhe-se em preservar sua família para o novo mundo de DeusA Sentinela — 1992 | 15 de outubro
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Empenhe-se em preservar sua família para o novo mundo de Deus
“Tu mesmo, ó Jeová, os guardarás; a cada um preservarás desta geração por tempo indefinido.” — SALMO 12:7.
1, 2. (a) Como estão-se saindo algumas famílias sob as pressões dos últimos dias? (b) Como podem as famílias cristãs buscar a sobrevivência?
“MEU coração hoje está cheio de alegria!” exclamou certo ancião cristão de nome João. Qual era o motivo desse júbilo? “Meu filho de 14 anos e minha filha de 12 foram batizados”, disse ele. Mas sua alegria não terminava aí. “Meu filho de 17 anos e minha filha de 16 foram pioneiros auxiliares no ano que passou”, acrescentou.
2 Muitas famílias em nosso meio também estão colhendo excelentes resultados de sua aplicação de princípios bíblicos. Algumas, porém, têm problemas. “Temos cinco filhos”, escreveu certo casal cristão, “e é cada vez mais difícil lidar com eles. Já perdemos um deles para este velho sistema. Parece que os nossos adolescentes estão sendo agora o principal alvo de ataque de Satanás”. Há também casais com graves desavenças conjugais, que, às vezes, resultam em separação ou divórcio. Não obstante, famílias que cultivam qualidades cristãs poderão sobreviver à “grande tribulação” e entrar no vindouro novo mundo. (Mateus 24:21; 2 Pedro 3:13) Mas, então, o que pode você fazer para assegurar a preservação de sua família?
Melhorar a Comunicação
3, 4. (a) Quão importante é a comunicação na vida familiar, e por que são comuns os problemas nesse respeito? (b) Por que devem os maridos se esforçar em ser bons ouvintes?
3 A boa comunicação é a força vital de uma família sadia; sem ela, as tensões aumentam. “Há frustração de planos quando não há palestra confidencial”, diz Provérbios 15:22. É interessante o depoimento de certa conselheira matrimonial: “A queixa mais comum que ouço de esposas que atendo é ‘ele não fala comigo’ e ‘ele não me escuta’. E quando falo dessa queixa aos maridos, eles tampouco escutam a mim.”
4 O que causa a falta de comunicação? Por um lado, homens e mulheres são diferentes, e não raro têm estilos de comunicação visivelmente diferentes. Certo artigo dizia que o marido “tende a ser direto e prático” nas suas conversações, ao passo “que aquilo que [a esposa] mais deseja é um ouvinte que mostre empatia”. Se isso for um problema no seu casamento, esforce-se em melhorar as coisas. O marido cristão talvez tenha de se empenhar a fundo para tornar-se melhor ouvinte. “Todo homem”, diz Tiago, “tem de ser rápido no ouvir, vagaroso no falar”. (Tiago 1:19) Aprenda a refrear-se de dar ordens, admoestar ou passar sermão quando sua esposa simplesmente deseja ‘compartilhar os sentimentos’. (1 Pedro 3:8) “Quem refreia as suas declarações é possuído de conhecimento”, diz Provérbios 17:27.
5. De que diversas maneiras podem os maridos melhorar em expressar seus pensamentos e sentimentos?
5 Por outro lado, há um “tempo para falar”, e talvez o marido tenha de aprender a expressar melhor seus pensamentos e sentimentos. (Eclesiastes 3:7) Por exemplo, é ele abundante nas expressões de louvor pelas realizações da esposa? (Provérbios 31:28) Mostra-se grato pelo trabalho árduo dela em dar-lhe apoio e em cuidar da família? (Compare com Colossenses 3:15.) Ou talvez o marido tenha de melhorar quanto a “expressões de afeto” verbais. (Cântico de Salomão 1:2) Fazer isso talvez lhe pareça difícil de início, mas pode contribuir muito para que a sua esposa tenha certeza de seu amor por ela.
6. O que podem as esposas fazer para melhorar a comunicação na família?
6 Que dizer das esposas cristãs? Certa esposa foi citada como tendo dito que seu marido sabe que ela o aprecia, de modo que não é preciso que ela lhe diga isso. Contudo, também para os homens faz bem ouvir palavras de apreço, elogio e louvor. (Provérbios 12:8) Precisa você ser mais espontânea nesse respeito? Ou talvez precise prestar mais atenção a como escuta. Se seu marido acha difícil discutir abertamente seus problemas, temores e ansiedades, aprendeu você a, com bondade e tato, induzi-lo a se expressar?
7. O que pode dar origem a rixas conjugais, e como podem ser evitadas?
7 Naturalmente, mesmo com casais que normalmente se dão bem pode uma vez ou outra ocorrer uma quebra na comunicação. A emoção pode obscurecer a razão, ou uma conversa calma pode rapidamente se transformar em discussão acalorada. (Provérbios 15:1) “Todos nós tropeçamos muitas vezes”; uma rusga marital, porém, dificilmente prenuncia o fim de um casamento. (Tiago 3:2) No entanto, ‘gritos e linguagem ultrajante’ são inoportunos e destrutivos para qualquer relacionamento. (Efésios 4:31) Façam rapidamente as pazes, se houve troca de palavras ofensivas. (Mateus 5:23, 24) Muitas vezes é possível evitar rixas se ambos aplicarem as palavras de Paulo em Efésios 4:26: “Não se ponha o sol enquanto estais encolerizados.” Sim, tentem resolver os problemas enquanto estes ainda são pequenos e controláveis; não esperem até que as suas emoções tenham chegado ao ponto de ebulição. Dedicar alguns minutos por dia para considerar assuntos de interesse pode ser muito útil para promover a boa comunicação e evitar mal-entendidos.
‘A Regulação Mental de Jeová’
8. Por que alguns jovens talvez se afastem da verdade?
8 Parece que alguns pais se contentam em deixar que seus filhos se desenvolvam quase que à deriva. Os filhos assistem às reuniões, têm certa participação no serviço de campo, mas em muitos casos não desenvolveram a sua própria relação com Deus. Com o tempo, ‘o desejo da carne e o desejo dos olhos’ poderiam desviar muitos desses jovens da verdade. (1 João 2:16) Quão triste seria para os pais sobreviverem ao Armagedom, mas, por causa de negligência passada, deixar seus filhos para trás como perdas!
9, 10. (a) O que está envolvido em criar filhos “na disciplina e na regulação mental de Jeová”? (b) Por que é importante permitir que os filhos expressem livremente seus sentimentos?
9 Portanto, Paulo escreveu: “Vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová.” (Efésios 6:4) Para tanto, é preciso que os próprios pais conheçam bem as normas de Jeová. Precisam dar o exemplo correto em coisas tais como entretenimento, estudo pessoal, assistência às reuniões e serviço de campo. As palavras de Paulo também implicam que os pais precisam ser (1) observadores astutos de seus filhos e (2) manter boa comunicação com eles. Só assim podem saber em que áreas os filhos precisam da “regulação mental”.
10 É natural os adolescentes procurarem certo grau de independência. Contudo, os pais precisam estar alertas a detectar nos filhos qualquer sinal claro de influência mundana na linguagem, nos pensamentos, na maneira de se vestir e na escolha de amigos. Disse certo pai sábio, conforme registrado em Provérbios 23:26: “Filho meu, dá-me deveras teu coração.” Sentem seus filhos a liberdade de partilhar seus pensamentos e sentimentos com você? Quando os filhos não temem uma censura imediata, talvez se sintam mais inclinados a revelar o que realmente pensam a respeito de assuntos tais como atividades extracurriculares, namoro, instrução superior, ou a própria verdade bíblica.
11, 12. (a) Como podem as horas de refeição ser usadas para promover a comunicação na família? (b) Em que talvez resultem os persistentes esforços dos pais em promover a comunicação com seus filhos?
11 Em muitos países é comum os membros das famílias tomarem juntos as refeições. Assim, as refeições podem ser ótimas oportunidades para que todos na família participem em conversação edificante. Com muita freqüência, a refeição em família é posta de lado por causa da TV ou outras distrações. Mas, durante o dia, por horas a fio seus filhos são mantidos como que reféns na escola e expostos ao pensamento do mundo. As refeições são boas ocasiões para comunicar-se com os filhos. “Nós usamos a hora das refeições para falar sobre coisas que surgiram durante o dia”, diz certa mãe. No entanto, a hora das refeições não precisa transformar-se em embaraçosas sessões de disciplina ou interrogatórios minuciosos. Mantenha a ocasião descontraída e agradável!
12 Conseguir que os filhos dialoguem com você é desafiador e pode exigir infinita paciência. Mas, com o tempo, poderá obter resultados animadores. “Nosso filho de 14 anos vivia deprimido e retraído”, lembra-se uma mãe preocupada. “Por meio de nossas orações e persistência, ele está começando a se abrir e a falar!”
Estudo em Família Que Edifica
13. Por que é tão importante treinar os filhos desde bem cedo e como pode isso ser feito?
13 A “regulação mental” inclui também instrução formal na Palavra de Deus. Como no caso de Timóteo, esse treinamento deve começar na “infância”. (2 Timóteo 3:15) O treinamento desde bem cedo fortalece os filhos para os testes de fé que podem vir durante os anos escolares — celebração de aniversários, cerimônias patrióticas ou comemorações religiosas. Sem preparação para tais testes, a fé de uma criança pode ser esmagada. Portanto, faça bom uso dos instrumentos que a Sociedade Torre de Vigia preparou para crianças, tais como os livros Escute o Grande Instrutor e Meu Livro de Histórias Bíblicas.a
14. Como pode ser mantido regular o estudo em família, e o que você tem feito para ter um estudo regular em família?
14 Outra área que merece atenção é o estudo em família, que pode facilmente cair na irregularidade ou tornar-se algo monótono e mecânico, uma provação tanto para os pais como para os filhos. Como pode melhorar as coisas? Primeiro, é preciso ‘comprar o tempo’ para o estudo, sem permitir que este seja excluído por programas de TV ou outras diversões. (Efésios 5:15-17) “Foi difícil manter regular o nosso estudo em família”, admitiu certo chefe de família. “Tentamos vários horários, até que por fim encontramos um período, um pouco mais tarde na noite, que para nós deu certo. Agora o nosso estudo em família é regular.”
15. Como se pode adaptar o estudo em família às necessidades da família?
15 A seguir, considere as necessidades específicas de sua família. Muitos gostam de preparar a lição semanal da Sentinela em família. De tempos em tempos, porém, é possível que sua família tenha assuntos específicos que precisam ser considerados, inclusive problemas que surgem na escola. O livro Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas e artigos de A Sentinela e Despertai! podem suprir essa necessidade. “Se percebemos em nossos garotos alguma atitude que precisa de correção”, diz um pai, “nós nos concentramos no capítulo do livro Os Jovens Perguntam que aborda a questão”. Sua esposa acrescenta: “Tentamos ser flexíveis. Se temos algo planejado para o nosso estudo, e surge a necessidade de considerar algo diferente, nós mudamos segundo a necessidade.”
16. (a) Como pode ter certeza de que seus filhos entendam o que estão aprendendo? (b) O que em geral deve ser evitado ao dirigir um estudo em família?
16 Como pode ter certeza de que seus filhos realmente entendem o que aprendem? O Instrutor por Excelência, Jesus, fazia perguntas de sondagem, tais como: “O que achas?” (Mateus 17:25) Fazendo o mesmo, tente descobrir o que seus filhos realmente pensam. Incentive cada um deles a responder nas suas próprias palavras. Naturalmente, se você reagir com ira ou ficar muito chocado com as expressões sinceras deles, é possível que pensarão duas vezes antes de serem novamente francos com você. Portanto, permaneça calmo. Evite transformar o estudo em família num foro de punição. O estudo deve ser agradável, edificante. “Se descubro que um de meus filhos tem um problema”, disse certo pai, “trato disso numa outra ocasião”. “Quando se trata com a criança em particular”, acrescenta certa mãe, “ela não fica embaraçada e tende a falar mais à vontade do que se for aconselhada durante o estudo em família”.
17. O que pode ser feito para tornar interessante o estudo em família, e o que tem dado certo na sua família?
17 Fazer com que todos participem num estudo em família pode ser um desafio, especialmente se estiver lidando com filhos de diferentes idades. Os mais novos talvez tendam a ser irrequietos, desassossegados, ou manifestem um período de concentração muito curto. O que pode fazer? Tente manter o estudo num clima descontraído. Se os períodos de concentração de seus filhos forem curtos, tente sessões mais breves, porém mais freqüentes. É também de ajuda ser entusiástico. “Aquele que preside, faça-o em verdadeira seriedade.” (Romanos 12:8) Faça com que todos participem. Os filhos menores podem comentar as ilustrações, ou responder a perguntas simples. A adolescentes pode-se pedir que façam pesquisa adicional, ou aplicação prática da matéria sob consideração.
18. Como podem os pais inculcar a Palavra de Deus em todas as oportunidades, e com que resultado?
18 Não limite a instrução espiritual a uma hora por semana, porém. Inculque a Palavra de Deus em seus filhos em todas as oportunidades. (Deuteronômio 6:7) Tire o tempo para escutá-los. Exorte-os e console-os, quando for necessário. (Compare com 1 Tessalonicenses 2:11.) Seja compassivo e misericordioso. (Salmo 103:13; Malaquias 3:17) Desse modo, ‘encontrará prazer’ em seus filhos e estará contribuindo para a preservação deles para o novo mundo de Deus. — Provérbios 29:17.
“Tempo Para Rir”
19, 20. (a) Que papel desempenha a recreação na vida familiar? (b) De que diversas maneiras podem os pais providenciar recreação para a família?
19 Há “tempo para rir . . . e tempo para saltitar”. (Eclesiastes 3:4) A palavra hebraica para “rir” pode também ser traduzida por termos tais como “festejar” ou “divertir-se”. (2 Samuel 6:21; Jó 41:5; Juízes 16:25; Êxodo 32:6; Gênesis 26:8) Brincar, ou divertir-se, cumpre um objetivo benéfico e é importante para crianças e adolescentes. Nos tempos bíblicos, os pais providenciavam entretenimento e recreação para suas famílias. (Lucas 15:25) Faz o mesmo?
20 “Nós aproveitamos os parques públicos”, diz certo marido cristão. “Convidamos alguns irmãos jovens, jogamos bola e fazemos um piquenique. Eles se divertem e usufruem boa associação.” Outro pai acrescenta: “Nós planejamos certas atividades para os nossos garotos. Nadar, jogar bola, tirar férias. Mas mantemos o entretenimento no seu devido lugar. Eu acentuo a necessidade de manter equilíbrio.” A recreação sadia, tais como reuniões sociais apropriadas, ou visitas a zoológicos e museus, pode contribuir muito para evitar que o jovem se sinta atraído aos prazeres do mundo.
21. Como podem os pais evitar que seus filhos se sintam privados de algo só porque não guardam dias comemorativos do mundo?
21 É também importante que seus filhos não se sintam privados de algo só porque não festejam aniversários natalícios ou dias comemorativos não-cristãos. Com algum planejamento de sua parte, eles podem aguardar muitas ocasiões prazerosas durante o ano. Ora, o bom pai ou a boa mãe não precisa de um dia comemorativo como desculpa para expressar seu amor em sentido material. Como seu Pai celestial, eles ‘sabem dar boas dádivas a seus filhos’ — espontaneamente. — Mateus 7:11.
Garanta um Futuro Eterno Para Sua Família
22, 23. (a) À medida que a grande tribulação se aproxima, de que podem estar certas as famílias tementes a Deus? (b) O que podem as famílias fazer quanto a se empenharem pela preservação para o novo mundo de Deus?
22 O salmista orou: “Tu mesmo, ó Jeová, os guardarás; a cada um preservarás desta geração por tempo indefinido.” (Salmo 12:7) Satanás com certeza aumentará sua pressão — em especial contra as famílias de Testemunhas de Jeová. Todavia, é possível fazer frente a esse ataque sempre crescente. Com a ajuda de Jeová, tenaz determinação e empenho árduo da parte de maridos, esposas e filhos, as famílias — inclusive a sua — podem ter a esperança de serem preservadas com vida na grande tribulação.
23 Maridos e esposas, tragam paz e harmonia ao seu casamento cumprindo seus papéis designados por Deus. Pais, continuem a dar o exemplo correto aos filhos, reservando tempo para dar-lhes o treinamento e a disciplina que eles tão desesperadamente necessitam. Dialogue com eles. Escute-os. A vida deles está em jogo! Filhos, escutem e obedeçam seus pais. Com a ajuda de Jeová, poderão ser bem-sucedidos e garantir um futuro eterno no vindouro novo mundo.
[Nota(s) de rodapé]
a Também disponíveis em fitas cassete.
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Empenhe-se em preservar sua família para o novo mundo de DeusA Sentinela — 1992 | 15 de outubro
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[Quadro na página 16]
MÚSICA — UMA PODEROSA INFLUÊNCIA
Diz o autor de um livro sobre como criar filhos: “Se eu me postasse diante de uma assistência . . . e defendesse as orgias regadas a bebida, o drogar-se com cocaína, com maconha, ou com qualquer outra droga alucinógena, as pessoas me olhariam atônitas. . . . [Todavia] os pais não raro dão dinheiro a seus filhos para comprar discos ou fitas cassete que abertamente defendem tais coisas.” (Raising Positive Kids in a Negative World, de Zig Ziglar) Nos Estados Unidos, por exemplo, versos de música rap a respeito de sexo explícito estão na boca de muitos jovens. Está você ajudando seus filhos a serem seletivos na escolha de música para que evitem tais laços demoníacos?
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