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Ausência do pai — um problema crescenteDespertai! — 2004 | 22 de agosto
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Ausência do pai — um problema crescente
CRESCE o número de famílias que são abandonadas pelo pai. No final da década de 90, o jornal USA Today referiu-se aos Estados Unidos como “líder mundial de famílias sem pai”. A ausência do pai, no entanto, é um problema mundial.
No Brasil, um censo realizado em 2000 revelou que, do total de 44,7 milhões de famílias, 11,2 milhões eram dirigidas por mulheres. Na Nicarágua, 25% dos filhos moravam apenas com a mãe. Na Costa Rica, o número de crianças que não receberam filiação paterna aumentou de 21,1% para 30,4% na década de 90.
As estatísticas desses três países são apenas um exemplo da tendência mundial. Considere outro aspecto do problema da ausência do pai.
Presente, mas não disponível
Veja o quadro “Papai, quando você vai voltar?”. Nao, agora com 23 anos, diz: “Antes de entrar na escola primária, eu raramente via meu pai. Certa vez quando ele estava saindo, implorei: ‘Volte para casa, papai!’”
Relacionamentos familiares como o de Nao e seu pai levaram o escritor polonês Piotr Szczukiewicz a dizer: “O pai parece ser um fator importante, porém ausente, na família.” É verdade que muitos pais moram com a família e lhe dão apoio financeiro. Entretanto, conforme declarou a revista francesa Capital, “muitos pais se contentam em prover o alimento para os filhos sem lhes dar instrução”.
Muitas vezes o pai vive com a família, mas não se envolve na vida dos filhos. A atenção dele está em outra parte. “Mesmo que [o pai] esteja presente em sentido físico, pode estar ausente em sentido psicológico”, observa a revista francesa Famille chrétienne. Por que tantos pais hoje em dia estão mental e emocionalmente ausentes da família?
Como explica a revista mencionada, o motivo principal é que “ele não entende seu papel como pai ou marido”. Muitos chefes de família acham que ser um bom pai significa simplesmente trazer um salário adequado para casa. Conforme declarou o escritor polonês Józef Augustyn: “Muitos pensam que são bons pais porque dão dinheiro para a família.” Mas isso é apenas parte da responsabilidade do pai.
A verdade é que os filhos não avaliam o pai por seu salário ou pelo preço dos presentes que ele lhes dá. Em vez disso, o que os filhos querem mesmo — muito mais do que presentes — é o amor, o tempo e a atenção do pai. É isso o que realmente importa para eles.
Necessidade de uma reavaliação
Segundo um relatório do Conselho Central Japonês para Educação, “o pai deve reavaliar seu estilo de vida, que é excessivamente devotado ao trabalho”. A questão é: Será que o pai fará ajustes em prol dos filhos? O jornal alemão Gießener Allgemeine publicou uma reportagem sobre um estudo em que a maioria dos pais entrevistados se recusaram a pôr os filhos à frente da carreira.
Os jovens podem sentir-se profundamente magoados pela aparente falta de preocupação do pai para com eles. Lídia, da Polônia, agora com 21 anos, tem lembranças vívidas de como o pai agia quando ela era uma garotinha. Ela explica: “Ele nunca conversava conosco; vivíamos em mundos diferentes. Eu me divertia nas discotecas e ele nem sabia disso.” De modo similar, Macarena, de 21 anos e que mora na Espanha diz que, quando ela era criança, seu pai “saía nos finais de semana para se divertir com os amigos e muitas vezes ficava fora por vários dias”.
Estabelecer prioridades corretas
Muitos pais até se dão conta de que dedicam muito pouco tempo e atenção aos filhos. Um pai japonês com um filho adolescente disse: “Espero que meu filho entenda minha situação. Sempre penso nele, mesmo quando estou ocupado.” Mas será que simplesmente desejar que o filho entenda a ausência do pai é a solução do problema?
Não resta dúvida de que é preciso esforço sincero, até mesmo sacrifício, para atender às necessidades dos filhos. É evidente que não é fácil dar aos filhos o que eles mais precisam, ou seja, amor, tempo e atenção. Jesus Cristo disse: ‘O homem tem de viver não somente de pão [ou alimento físico].’ (Mateus 4:4) Também é verdade que a criação de filhos não pode ser bem-sucedida somente com coisas materiais. Pai, está disposto a sacrificar o que talvez lhe seja muito valioso — seu tempo ou talvez uma promoção no emprego — com a finalidade de estar disponível para seus filhos?
O jornal Mainichi Daily News de 10 de fevereiro de 1986 mencionou um pai que se deu conta de quanto seus filhos eram realmente importantes para ele. O jornal noticiou: “Executivo de alto escalão das Ferrovias Nacionais do Japão (FNJ) preferiu demitir-se a estar separado da família.” Daí o jornal citou as palavras do executivo: “O cargo de diretor-geral pode ser exercido por qualquer um. Mas eu sou o único pai de meus filhos.”
De fato, um dos primeiros passos para se tornar um bom pai é reconhecer que tipo de pai os filhos precisam. Examinemos o que está envolvido em ser esse tipo de pai.
[Quadro/foto na página 3]
“Papai, quando você vai voltar?”
Foi essa pergunta que Nao, uma japonesinha de 5 anos, fez ao pai quando certa vez ele estava saindo para o trabalho. Embora o pai morasse em casa, ela quase nunca o via. Ele chegava do trabalho quando Nao já estava dormindo e saía antes de ela acordar.
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O tipo de pai que os filhos precisamDespertai! — 2004 | 22 de agosto
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O tipo de pai que os filhos precisam
OS FILHOS precisam de um pai que os ame, apóie e que faça o que puder para ajudá-los a se tornar adultos responsáveis e dignos de confiança. Mas não se tem dado a devida importância a essa necessidade dos filhos.
De fato, visto que são as mães quem dão à luz os bebês, não se pode subestimar a importância de ser uma boa mãe. Mas a revista The Wilson Quarterly, mencionando o papel igualmente essencial que o pai desempenha, publicou que “a deterioração da paternidade é o principal motivo por trás de muitos problemas perturbadores que afligem a sociedade americana” e, podemos acrescentar, o resto do mundo.
Um estudo publicado no periódico brasileiro Jornal da Tarde concluiu que muitos problemas de comportamento entre jovens — tais como agressividade, indisciplina, baixo rendimento escolar e apatia — são muitas vezes o resultado da “ausência de um pai”. E o livro italiano Gli imperfetti genitori (Pais Imperfeitos), de Marcello Bernardi, enfatiza que, para os filhos se desenvolverem com êxito, o ideal é que tenham os dois genitores.
É possível melhorar a vida familiar
Mesmo que um pai negligente tenha contribuído para os problemas familiares ou tenha sido em grande parte responsável por eles, isso não significa que seja impossível corrigir a situação e melhorar a vida familiar. Mas como fazer isso? O que o pai precisa fazer?
É evidente que os filhos precisam de uma estrutura familiar e de sentir que quem está no controle pensa no seu bem-estar. Quando essa necessidade não é satisfeita, como ocorre hoje com freqüência, a vida dos filhos é afetada de modo adverso. Mas a situação nunca fica sem esperança, quer o pai esteja presente quer não. “Pai de meninos órfãos de pai”, diz a Bíblia no Salmo 68:5, “é Deus na sua santa habitação”.a
Como obter ajuda
Que a ajuda de Deus é essencial para se ter êxito e que ela está disponível, fica evidente na situação descrita por Lídia, a jovem polonesa mencionada no artigo anterior. Como era sua vida familiar? Como aquela família recebeu a ajuda de Deus?
O pai de Lídia, Franciszek, reconhece que negligenciava a família quando seus filhos eram pequenos, assim como a filha mencionou. Ele diz: “Eu não ligava para o que os meus filhos faziam. Não demonstrava afeição e não éramos muito achegados.” Assim, ele não sabia que quando Lídia tinha 14 anos, ela, o irmão e a irmã mais novos já fumavam, bebiam e se envolviam em farras e brigas.
Por fim, Franciszek passou a dar-se conta dos problemas em que seus filhos estavam se envolvendo e ficou tão chocado que decidiu fazer alguma coisa. “Orei a Deus pedindo ajuda”, diz ele. É incrível que logo depois as Testemunhas de Jeová passaram em sua casa e ele e a esposa concordaram em estudar a Bíblia. Com o tempo, começaram a aplicar em sua vida o que aprendiam. Que efeito teve isso sobre os filhos?
Franciszek explica: “Eles começaram a perceber que eu tinha parado de beber e que estava me tornando um pai melhor. Queriam conhecer mais as Testemunhas de Jeová. Também começaram a estudar a Bíblia e abandonaram as más companhias. Rafał, o filho, disse a respeito do pai: “Passei a amá-lo como a um amigo. A turma da rua logo deixou de ser importante. Estávamos ocupados com atividades espirituais.”
Franciszek agora é ancião numa congregação das Testemunhas de Jeová, mantém um excelente relacionamento com a família e se preocupa com o crescimento espiritual de cada um. Sua esposa e Lídia são pioneiras (evangelizadoras de tempo integral). Rafał e a irmã mais jovem, Sylwia, participam plenamente no estudo da Bíblia, comentam nas reuniões cristãs e falam a outros sobre sua fé.
Ele agia de acordo com o que ensinava
Considere também o que aconteceu com Luis, pai de Macarena. Lembre-se de que ela é a jovem de 21 anos citada no primeiro artigo. Luis havia seguido o estilo de vida do pai, que era alcoólatra. Conforme disse Macarena, ele ficava fora com os amigos por dias a fio. Além disso, tratava a esposa como uma empregada, em vez de como sua querida companheira. O casamento estava prestes a acabar, e Macarena e os irmãos mais novos estavam traumatizados pelos problemas.
Com o tempo, porém, Luis concordou em estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Ele explica: “Passei a gastar tempo com minha esposa e meus filhos. Conversávamos, tomávamos refeições e estudávamos a Bíblia em família. E também fazíamos as tarefas domésticas e nos divertíamos juntos.” Macarena diz: “Comecei a sentir a presença de um pai bondoso, que mostrava interesse genuíno na família.”
É significativo que Luis não apenas incentivava sua família a servir a Deus, mas agia de acordo com o que ensinava. Ele abandonou “um empreendimento comercial próspero”, explica Macarena, “porque consumia muito tempo e ele queria dar mais atenção aos assuntos familiares”. O efeito foi extraordinário. “Seu exemplo ensinou-me como manter o olho singelo e a colocar as coisas espirituais em primeiro lugar”, diz Macarena. Ela serve agora como pioneira; a mãe e os irmãos mais novos são membros ativos da congregação cristã.
A decisão do executivo das ferrovias
É evidente que o tipo de pai que os filhos precisam é aquele que toma decisões pensando no bem-estar deles. O filho adolescente de Takeshi Tamura, o executivo japonês mencionado no artigo anterior, tinha se envolvido com más companhias e parecia estar prestes a se meter em sérias dificuldades. Isso foi em 1986, o ano em que Takeshi decidiu renunciar ao cargo de responsabilidade nas Ferrovias Nacionais do Japão. O que Takeshi pensa de sua decisão atualmente, mais de 18 anos depois?
“Provavelmente foi a melhor decisão que já tomei”, disse ele recentemente. “Passar mais tempo com meu filho e fazer as coisas juntos, o que incluía estudar a Bíblia, teve um efeito espetacular. Ficamos amigos, ele abandonou as más companhias e também a conduta imprópria.”
A esposa de Takeshi havia se tornado Testemunha de Jeová alguns anos antes. Foi sua conduta exemplar que induziu o marido a examinar a Bíblia e a envolver-se mais com a família. Por fim, ele, o filho e a filha se tornaram Testemunhas. Takeshi e o filho servem atualmente como anciãos em suas respectivas congregações; a esposa e a filha são pioneiras.
O pai precisa de ajuda
Apesar de se aperceber que está negligenciando os filhos, muitas vezes o pai não sabe o que fazer por eles. O jornal espanhol La Vanguardia estampou a manchete: “42% dos pais [espanhóis] admitem que não sabem criar filhos adolescentes”. Pode-se dizer o mesmo, porém, com respeito ao pai de pré-adolescentes e ao de crianças pequenas. Diferentemente do que muitos pensam, esses mais novos também precisam da presença e da atenção dum pai dedicado.
O que mais se pode aprender sobre como se tornar um bom pai? Quem são os melhores exemplos para o pai e o que se pode aprender deles? Nosso último artigo responderá a essas perguntas.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o capítulo “Famílias sem pai ou mãe podem dar certo!”, no livro O Segredo de Uma Família Feliz, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
[Fotos na página 7]
Pais que deram aos filhos o que eles precisavam
Franciszek e sua família
Luis e sua família
Takeshi e sua família
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Como ser um bom paiDespertai! — 2004 | 22 de agosto
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Como ser um bom pai
UM ARTIGO na revista The Economist sobre a decadência familiar começava com a interessante declaração: “Colocar filhos no mundo é fácil, difícil é ser um bom pai.”
Embora muitas coisas na vida sejam difíceis de fazer, uma das mais difíceis — e ao mesmo tempo uma das mais importantes — é ser um bom pai. Todo pai deveria ter o desejo de ser bom, visto que estão em jogo o bem-estar e a felicidade da família.
Por que não é fácil
Em termos simples, a dificuldade de ser um bom pai deve-se principalmente à imperfeição humana — tanto dos pais como dos filhos. “A inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade”, diz a Bíblia. (Gênesis 8:21) Assim, um escritor bíblico reconheceu: “Em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmo 51:5; Romanos 5:12) A inclinação para fazer o mal por causa do pecado herdado é apenas um dos obstáculos que torna difícil alguém ser um bom pai.
Este mundo, ou sistema de coisas, também é um enorme obstáculo. Por quê? Porque, como explica a Bíblia, “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”, ou do “Diabo e Satanás”, como ele é também conhecido. A Bíblia também o chama de “deus deste sistema de coisas”. Não é de admirar que Jesus tenha dito que, assim como ele, seus seguidores não devem ‘fazer parte do mundo’. — 1 João 5:19; Revelação (Apocalipse) 12:9; 2 Coríntios 4:4; João 17:16.
Para ser um bom pai é essencial ter sempre em mente a imperfeição herdada, Satanás e o mundo sob seu controle. Esses não são obstáculos imaginários; são reais! Mas a quem um homem pode recorrer para aprender a combatê-los e se tornar um bom pai?
Exemplos divinos
Para obter ajuda sobre como superar os obstáculos mencionados acima, o pai pode recorrer à Bíblia, que traz exemplos maravilhosos. Jesus identificou o melhor deles quando ensinou seus seguidores a orar: “Nosso Pai nos céus.” Ao descrever nosso Pai celestial, a Bíblia diz de forma simples: “Deus é amor.” Como um pai humano pode seguir esse exemplo amoroso? “Tornai-vos imitadores de Deus”, instou o apóstolo Paulo, “e prossegui andando em amor”. — Mateus 6:9, 10; 1 João 4:8; Efésios 5:1, 2.
Se você é pai, considere o que pode aprender de apenas um exemplo de como Deus lidou com seu Filho, Jesus. Mateus 3:17 nos diz que, por ocasião do batismo de Jesus em água, ouviu-se a voz de Deus vinda do céu dizer: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” O que podemos aprender disso?
Primeiro, pense no efeito sobre uma criança quando o pai, cheio de orgulho, diz a alguém: “Este é meu filho”, ou “esta é minha filha”. Os filhos se desenvolvem bem quando recebem atenção do pai ou da mãe, especialmente se for um reconhecimento por algo bom que tenham feito. É provável que o filho seja motivado a se esforçar ainda mais a fim de mostrar-se digno de receber elogios.
Segundo, Deus expressou seus sentimentos a respeito de Jesus ao se referir a ele como “o amado”. Essa expressão de carinho vinda de seu Pai deve ter feito Jesus se sentir muito feliz. Seus filhos também se sentirão animados se você demonstrar por palavras — bem como por seu tempo, atenção e preocupação — que os ama muito.
Terceiro, Deus disse ao Seu filho: “Eu te tenho aprovado.” (Marcos 1:11) É essencial que o pai faça isso, ou seja, dizer aos filhos que o que eles fazem o deixa feliz. Sim, o filho cometerá erros muitas vezes. Isso acontece com todos nós. Mas você, pai, procura oportunidades de mostrar que aprova as coisas boas que seu filho faz ou diz?
Jesus aprendeu bem com Seu Pai celestial. Enquanto esteve na Terra, ele mostrou por palavras e exemplos exatamente o que Seu Pai acha de Seus filhos terrestres. (João 14:9) Mesmo estando ocupado e sob pressão, Jesus tomava tempo para se sentar e conversar com as crianças. “Deixai vir a mim as criancinhas”, disse ele aos seus discípulos, “não tenteis impedi-las”. (Marcos 10:14) Será que você, pai, pode seguir mais plenamente o exemplo de Jeová Deus e de Seu Filho?
O bom exemplo é essencial
Nunca é demais enfatizar a importância de dar um bom exemplo para os filhos. É provável que seus esforços em “criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová” tenham pouco efeito, se você mesmo não se sujeitar à disciplina de Deus e não permitir que sua vida seja governada por ela. (Efésios 6:4) No entanto, com a ajuda de Deus, você pode superar qualquer obstáculo para cumprir o mandamento Dele de cuidar dos filhos.
Considere o exemplo de Viktor Gutschmidt, uma Testemunha de Jeová da ex-União Soviética. Em outubro de 1957, foi sentenciado a dez anos de prisão porque pregava sobre a sua fé. Ele teve de deixar para trás duas filhas pequenas e sua esposa, Polina. Enquanto estava na prisão, permitiram-lhe escrever à sua família, mas proibiram-no de mencionar nestas cartas qualquer coisa sobre Deus ou assuntos religiosos. Mesmo diante dessa situação difícil, Viktor estava determinado a ser um bom pai e sabia que era de suma importância ensinar suas filhas a respeito de Deus. Assim, o que ele fez?
“Encontrei matéria nas revistas soviéticas Young Naturalist e Nature”, conta Viktor. “Eu desenhava animais e pessoas em cartões-postais e incluía uma história ou um relato sobre a natureza.”
“Assim que recebíamos os cartões-postais”, diz Polina, “imediatamente os relacionávamos com assuntos bíblicos. Por exemplo, quando os cartões retratavam a beleza da natureza, das florestas ou dos rios, eu lia Isaías capítulo 65”, que fala sobre a promessa de Deus de transformar a Terra num paraíso.
Uma das filhas de Viktor, Yulia, diz: “Mamãe então orava conosco e chorávamos. Esses cartões desempenharam um papel importante em nossa criação.” Polina diz que, em resultado disso, “desde a infância as garotas aprenderam a amar muito a Deus”. Qual é a situação dessa família atualmente?
Viktor explica: “Agora minhas filhas estão casadas com anciãos cristãos e ambas têm famílias espiritualmente fortes, com filhos que servem fielmente a Jeová.”
Estabelecer um bom exemplo muitas vezes requer não só criatividade, mas também grandes esforços. É provável que ver os pais realmente se esforçando toque o coração dos filhos. Um homem que passou muitos anos no serviço de tempo integral disse de modo apreciativo a respeito de seu pai: “Às vezes papai estava tão cansado do trabalho que mal conseguia ficar acordado, mas mesmo assim realizávamos nosso estudo familiar, o que nos ajudou a reconhecer a seriedade disso.”
É evidente que estabelecer um bom exemplo — tanto em palavras como em ações — é essencial para ser um bom pai. Você precisa agir assim se quiser comprovar a veracidade do provérbio bíblico, que diz: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” — Provérbios 22:6.
Portanto, lembre-se de que não é só o que você diz que importa, mas especialmente o que faz — o exemplo que dá. Um perito canadense em educação infantil escreveu: “A melhor maneira de fazer com que nossos filhos se comportem [como gostaríamos] é nós mesmos mostrarmos o comportamento desejado.” De fato, se quiser que seus filhos dêem valor a assuntos espirituais, é vital que você mesmo dê o exemplo.
Arranje tempo para eles
Seus filhos precisam ver seu bom exemplo. Isso significa que você precisa passar tempo com eles — bastante tempo, não apenas esporadicamente. Acate sabiamente o conselho bíblico de ‘comprar tempo’, ou seja, deixe de lado coisas menos importantes para poder ficar com eles. (Efésios 5:15, 16) Realmente, o que há de mais importante do que seus filhos? Uma TV de alta definição, uma partida de futebol, uma bela casa, seu emprego?
Se o pai não reservar tempo para cuidar dos filhos enquanto ainda são crianças, ele sofrerá as conseqüências mais tarde. O pai cujos filhos se desviaram para um proceder imoral ou para um estilo de vida sem espiritualidade não raro sente profundo remorso. Lamenta não ter gastado mais tempo com seus filhos pequenos quando eles mais precisavam de um pai.
Lembre-se de que a hora de pensar nas conseqüências de suas escolhas é quando seus filhos são pequenos. A Bíblia chama os filhos de “uma herança da parte de Jeová”, algo que o próprio Deus lhe confiou. (Salmo 127:3) Portanto, nunca se esqueça de que você é responsável por eles perante Deus!
Há ajuda disponível
Um bom pai aprecia receber ajuda que será de benefício para os filhos. Após um anjo dizer à esposa de Manoá que ela daria à luz um filho, ele orou a Deus: “Por favor, deixa-o vir novamente a nós e instruir-nos quanto a que devemos fazer com o rapazinho que nascer.” (Juízes 13:8, 9) Assim como os pais hoje, que tipo de ajuda Manoá precisava? Vejamos.
Brent Burgoyne, professor na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, observou que “um dos maiores presentes que alguém pode dar a uma criança é ensinar-lhe um sistema de valores”. A necessidade de ensinar valores aos filhos pode ser vista numa reportagem do jornal japonês The Daily Yomiuri, que publicou: “[Uma] pesquisa mostra que 71% das crianças japonesas nunca foram instruídas pelo pai a não dizer mentiras.” Isto não é lamentável?
Quem pode prover um sistema de valores confiável? O mesmo que orientou Manoá — o próprio Deus! Para fornecer ajuda, Deus enviou Seu Filho amado, Jesus, como Instrutor — termo pelo qual ele era geralmente chamado. Atualmente o livro Aprenda do Grande Instrutor, cujas lições são baseadas nos ensinos de Jesus, está disponível em muitos idiomas para se usar ao ensinar os bem jovens.
Aprenda do Grande Instrutor não só explica valores tirados da Palavra de Deus, mas também ilustra o texto com mais de 160 gravuras acompanhadas de perguntas. Por exemplo, a gravura que você vê na página 32 desta revista é a do capítulo 22, intitulado “Por que não devemos mentir?”. O texto do livro onde aparece essa gravura diz: “Digamos que um menino fale para o pai: ‘Não, não fui eu que chutei a bola dentro de casa.’ Mas e se foi ele mesmo que fez isso? Será que é errado dizer que não fez?”
Outras lições valiosas são ensinadas nos capítulos intitulados “A obediência nos protege”, “Precisamos resistir às tentações”, “Uma lição de bondade”, “É errado roubar!”, “Será que Deus gosta de todo tipo de festa?”, “Como podemos deixar Deus feliz” e “Por que devemos trabalhar”, para se mencionar apenas alguns dos 48 que o livro contém.
O prefácio do livro conclui: “As crianças, em especial, precisam de orientação para recorrer à Fonte de toda a sabedoria: nosso Pai celestial, Jeová Deus. Jesus, o Grande Instrutor, sempre dava esse tipo de orientação. Esperamos sinceramente que este livro ajude você e sua família a levar a vida de um modo que agrade a Jeová. Isso lhes trará bênçãos eternas!”a
Vemos assim que ser um bom pai inclui estabelecer um bom exemplo para os filhos, passar bastante tempo com eles e ajudá-los a viver em harmonia com as normas de Deus, conforme reveladas na Bíblia.
[Nota(s) de rodapé]
a Meu Livro de Histórias Bíblicas, Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas e O Segredo de Uma Família Feliz são outros livros que as Testemunhas de Jeová publicam para ajudar as famílias.
[Foto na página 8]
Embora preso, Viktor Gutschmidt conseguiu ser um bom pai
[Fotos nas páginas 8, 9]
Enquanto estava preso por causa de sua fé, Viktor desenhou estas gravuras para ensinar suas filhas
[Foto na página 9]
As filhas de Viktor em 1965
[Foto na página 10]
O pai deve envolver-se ativamente na educação dos filhos
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