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Famílias sem pai: sinal dos temposDespertai! — 2000 | 8 de fevereiro
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Famílias sem pai: sinal dos tempos
NA SUA opinião, qual é o problema social mais grave na atualidade? Numa pesquisa Gallup realizada nos Estados Unidos, quase 80% dos entrevistados responderam que achavam que era “a ausência física do pai, no lar”. Segundo a pesquisa, mais de 27 milhões de crianças nos Estados Unidos não moram com o pai biológico e o número aumenta rapidamente. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que cerca de 50% das crianças brancas nascidas nos Estados Unidos desde 1980 “passarão alguma parte da infância vivendo com apenas um dos pais. No caso de crianças negras, a proporção é de cerca de 80%”. Por isso, o jornal USA Today chama os Estados Unidos de “líder mundial de famílias sem pai”.
Porém, um artigo na revista The Atlantic Monthly comenta: “O crescimento da desintegração familiar não é exclusividade da sociedade norte-americana. É perceptível em praticamente todas as nações desenvolvidas, incluindo o Japão.” Embora seja difícil obter estatísticas a respeito, muitos países em desenvolvimento parecem estar passando pela mesma crise. Segundo a revista World Watch, “os homens [em países pobres] muitas vezes abandonam a esposa e os filhos devido às crescentes dificuldades econômicas”. De fato, uma pesquisa num país do Caribe revelou que apenas 22% dos pais de crianças de 8 anos realmente moravam com os filhos.
Mesmo nos tempos bíblicos, crianças que viviam sem pai eram comuns. (Deuteronômio 27:19; Salmo 94:6) Mas naquele tempo, a razão principal disso era a morte do pai. “Hoje”, diz o escritor David Blankenhorn, “a causa principal é o abandono”. De fato, como veremos, o número crescente de crianças cujo pai mora longe delas é evidência de que atualmente muitas pessoas não têm “afeição natural”. Segundo a Bíblia, essa é apenas outra prova de que vivemos “nos últimos dias”. — 2 Timóteo 3:1-3.
Contudo, para as crianças pequenas, viver longe do pai é uma tragédia que inicia um círculo vicioso de dor e sofrimento, que pode ter conseqüências duradouras. Portanto, nesta série analisaremos esse círculo vicioso, não para desanimar os leitores, mas para fornecer informações que podem ajudar as famílias a deter essa tendência destrutiva.
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O pai: por que está desaparecendoDespertai! — 2000 | 8 de fevereiro
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O pai: por que está desaparecendo
“Não me lembro de ter visto meu pai e minha mãe brigar. Só sei que eu tinha pai e aí, de repente, não tinha mais. Não sei onde ele está hoje. Só sei que não sinto nada por ele.” — Bruce.
“Eu era a única na escola que não tinha pai e que não morava numa casa . . . Sempre achava que os outros ficavam me olhando. Sempre me senti diferente dos outros jovens da minha idade.” — Patricia.
A CRISE de famílias sem pai tem suas origens na revolução industrial. Quando os empregos nas fábricas começaram a atrair os homens para longe de casa, a influência do pai na família começou a diminuir; a mãe assumiu um papel maior na criação dos filhos.a Mesmo assim, a maioria dos pais permanecia com a família. Em meados dos anos 60, porém, o índice de divórcios nos Estados Unidos passou a aumentar vertiginosamente. As barreiras religiosas, econômicas e sociais contra o divórcio começaram a cair. Incentivados pelos conselhos dos que se diziam especialistas — que afirmavam que o divórcio não só não prejudicava as crianças, mas poderia até ser bom para elas —, números recordes de casais optaram pelo divórcio. O livro Divided Families—What Happens to Children When Parents Part (Famílias Divididas: O Que Acontece com as Crianças quando os Pais Se Separam), de Frank F. Furstenberg Jr. e Andrew J. Cherlin, diz: “Na Bélgica, na França e na Suíça os índices [de divórcio] dobraram [desde os anos 60], ao passo que no Canadá, na Inglaterra e na Holanda eles triplicaram.”
Embora os filhos em geral fiquem com a mãe depois do divórcio, na maioria dos casos, o pai quer manter um relacionamento com eles. Uma solução popular é a guarda conjunta. Porém, na maioria dos casos, o pai divorciado mantém pouco contato com os filhos. Uma pesquisa revelou que apenas 1 criança em cada 6 vê o pai divorciado semanalmente. Quase metade das crianças já não via o pai havia um ano!
Falhas da guarda conjunta
Para que a guarda conjunta dê certo, é preciso muita cooperação e confiança, qualidades que em geral faltam ao casal separado. Os pesquisadores Furstenberg e Cherlin explicam o problema da seguinte maneira: “Uma das principais razões de o pai parar de ver os filhos é não querer ter contato com a ex-mulher. E muitas mulheres têm a mesma atitude em relação ao ex-marido.”
É verdade que muitos pais divorciados vêem os filhos regularmente. Mas visto que não estão mais envolvidos no cotidiano dos filhos, é difícil para alguns se comportar como pai quando estão com eles. Muitos preferem desempenhar o papel de colega, passando praticamente todo o tempo com os filhos em recreação ou fazendo compras. Ari, de 14 anos, descreve assim as visitas do pai no fim de semana: “Não há uma programação definida, nenhuma regra do tipo: ‘Esteja em casa às cinco e meia.’ Vale tudo. Posso fazer o que quero. E meu pai está sempre comprando presentes para mim.” — How It Feels When Parents Divorce (Como É quando os Pais Se Divorciam), de Jill Krementz.
O pai amoroso deve ‘saber dar boas dádivas aos filhos’. (Mateus 7:11) Mas presentes não substituem a orientação e a disciplina necessárias. (Provérbios 3:12; 13:1) Se em vez de agir como pai, o homem desempenhar o papel de colega ou de visitante, a relação pai—filho acabará se deteriorando. Um estudo concluiu: “O divórcio pode romper permanentemente a relação pai—filho.” — Journal of Marriage and the Family, maio de 1994.
Magoados e irritados por terem sido afastados da vida dos filhos — ou simplesmente indiferentes —, alguns homens abandonam a família, não dando apoio financeiro.b (1 Timóteo 5:8) “Não consigo pensar em nada que eu goste no meu pai”, diz um adolescente amargurado. “Ele realmente não se importa conosco, não nos sustenta nem nada, e eu detesto isso.”
Pais solteiros
Números recordes de nascimentos ilegítimos causaram o maior aumento no número de crianças sem pai. “Atualmente, cerca de um terço de todos os nascimentos nos [Estados Unidos] ocorre fora do casamento”, diz o livro Fatherless America (Os Estados Unidos sem Pai). Todo ano, jovens entre 15 e 19 anos têm aproximadamente 500.000 bebês e 78% dessas adolescentes não são casadas. Mas a gravidez de adolescentes é um problema global. Programas que ensinam métodos de controle da natalidade ou promovem a abstinência mudaram pouco o comportamento sexual dos adolescentes.
O livro Teenage Fathers (Pais Adolescentes), de Bryan E. Robinson, explica: “A gravidez fora do casamento não é mais considerada vergonhosa ou humilhante como nos anos 60, devido às atitudes sociais mais liberais em relação ao sexo e à gravidez pré-marital. . . . Também, os jovens hoje são constantemente bombardeados por estímulos à sexualidade que vêm da propaganda, da música, dos filmes e da televisão. A mídia norte-americana diz aos adolescentes que o sexo é romântico, emocionante e agradável, mas jamais mostra as reais conseqüências do comportamento sexual impulsivo e irresponsável.”
Muitos jovens parecem desconhecer ingenuamente as conseqüências do sexo ilícito. Veja alguns comentários que o autor Robinson ouviu: “‘Ela não parecia o tipo de garota [que ficaria grávida]’; ‘Nós só fazíamos sexo uma vez por semana’; ou ‘Eu não sabia que a gente podia ficar grávida da primeira vez.’” Naturalmente, alguns rapazes sabem muito bem que as relações sexuais podem resultar em gravidez. O livro Young Unwed Fathers (Jovens Pais Solteiros) diz: “Para muitos rapazes [de bairros mais pobres], o sexo é um símbolo importante de status social na localidade; as conquistas sexuais valem pontos. Muitas garotas oferecem sexo como meio de obter a atenção de um rapaz.” Em alguns lugares, os outros até provocam os rapazes que ainda não são pais, chamando-os de “virgens”.
Um estudo realizado na Califórnia, em 1993, entre mães de idade escolar, ajuda a entender como a situação é crítica. Revelou que dois terços das garotas haviam ficado grávidas, não de namorados adolescentes, mas de homens com mais de 20 anos de idade. De fato, alguns estudos indicam que muitas mães solteiras adolescentes são vítimas de estupro presumido ou mesmo de molestamento de criança. Essa exploração generalizada revela como a sociedade moderna ficou corrupta e depravada. — 2 Timóteo 3:13.
Por que os rapazes abandonam os filhos
Rapazes adolescentes que têm filhos raramente assumem responsabilidades a longo prazo em relação à criança. Um rapaz cuja namorada ficou grávida disse: “Eu simplesmente disse para ela: ‘A gente se vê por aí.’” Contudo, como indicou um artigo na revista Family Life Educator, “a maioria dos jovens pais expressa o forte desejo de ter um relacionamento achegado com os filhos”. Um estudo realizado entre jovens pais solteiros revelou que 70% deles visitavam o filho uma vez por semana. “Porém”, alerta o artigo, “à medida que os filhos crescem, a freqüência das visitas diminui”.
Um pai de 17 anos resumiu a razão disso: “Se eu soubesse como ia ser difícil, nunca teria deixado isso acontecer.” Poucos jovens têm maturidade emocional ou experiência suficientes para enfrentar a paternidade. Muitos nem têm a instrução ou as habilidades profissionais necessárias para ganhar o sustento. Em vez de encarar a humilhação do fracasso, muitos rapazes simplesmente abandonam os filhos. “Minha vida é uma confusão”, admite um jovem pai. Outro lamenta: “Eu mal consigo cuidar de mim mesmo; não sei o que faria se também tivesse de cuidar do [meu filho].”
Uvas verdes
Nos tempos bíblicos, os judeus tinham um ditado: “Os pais comeram uvas verdes e são os dentes dos filhos que ficaram irritados.” (Ezequiel 18:2, Bíblia Mensagem de Deus) Deus disse aos judeus que não precisava ser assim, que não era preciso repetir os erros do passado. (Ezequiel 18:3) Contudo, milhões de crianças hoje parecem estar ‘com os dentes irritados’ por causa das “uvas verdes” dos pais — sofrem devido à imaturidade, à irresponsabilidade e ao fracasso conjugal dos pais. As pesquisas mostram sem sombra de dúvida que as crianças cujo pai não mora com elas ficam expostas a uma infinidade de riscos físicos e emocionais. (Veja o quadro na página 7.) Um fato especialmente perturbador é que muitas vezes a família sem pai se repete em uma geração após outra, num círculo vicioso de dor e sofrimento.
Será que as famílias sem pai estão fadadas ao fracasso? De modo algum. Na verdade, a boa notícia é que é possível romper o círculo vicioso de famílias sem pai. O próximo artigo explicará como.
[Nota(s) de rodapé]
a O interessante é que, antes da industrialização, os manuais de cuidados com os filhos publicados nos Estados Unidos em geral eram dirigidos ao pai, não à mãe.
b Segundo os pesquisadores Sara McLanahan e Gary Sandefur, nos Estados Unidos, “cerca de 40% das crianças que teoricamente poderiam receber pensão nem sequer têm uma pensão [estipulada pelo tribunal] e um quarto das que têm pensão não recebem nada. Menos de um terço das crianças recebe o total estipulado”.
[Quadro/Foto na página 7]
OS RISCOS DE CRESCER SEM A PRESENÇA DO PAI
Crescer sem o pai traz sérios riscos para a criança. Embora para alguns talvez seja doloroso analisar as informações a seguir, saber dos riscos é o primeiro passo para evitar ou pelo menos minimizar os danos. Lembre-se também de que as estatísticas referem-se a grupos, não a indivíduos. Muitas crianças crescem sem o pai e nunca passam por nenhum desses problemas. Como mostrará nosso último artigo, a supervisão dos pais e a aplicação dos princípios bíblicos podem contribuir muito para reduzir as possíveis dificuldades. Analise, então, alguns riscos que a criança que vive sem o pai pode enfrentar.
◼ Maior risco de molestamento sexual
As pesquisas mostram claramente que não ter o pai por perto aumenta o risco de a criança sofrer molestamento sexual. Um estudo revelou que, de 52.000 casos de molestamento de criança, “72% envolviam crianças que viviam sem um ou ambos os pais biológicos”. O livro Fatherless America afirma: “O risco cada vez maior de molestamento sexual de crianças na nossa sociedade vem primariamente da crescente ausência do pai casado e da crescente presença de padrastos, namorados e outros homens sem parentesco ou que têm relacionamentos com a mãe.”
◼ Maior risco de atividade sexual precoce
Visto que numa família com apenas um dos pais provavelmente há menos supervisão parental, os jovens muitas vezes têm mais oportunidades de se envolver em conduta imoral. Um fator também pode ser o pouco treinamento parental. “Garotas cujo pai não participa muito da sua vida têm duas vezes e meia mais probabilidades de ficar grávidas”, diz o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, dos EUA.
◼ Pobreza.
Um estudo entre adolescentes negras na África do Sul concluiu que a pobreza é uma conseqüência comum de se ser mãe solteira. “Em cerca de 50% dos casos”, disseram os autores do estudo, “a adolescente provavelmente não voltará para a escola”. Muitas mães solteiras acabam numa vida de prostituição e tráfico de drogas. A situação às vezes não é muito melhor em países ocidentais. Nos Estados Unidos, “[em 1995] 10% das crianças que viviam com ambos os pais eram pobres; em contraste, 50% das que viviam só com a mãe [eram pobres]”. — America’s Children: Key National Indicators of Well-Being 1997 (Crianças dos Estados Unidos: Principais Indicadores Nacionais de Qualidade de Vida, 1997).
◼ Negligência.
Obrigadas a ganhar o sustento, algumas mães sem cônjuge se sentem sufocadas por suas responsabilidades e não conseguem gastar tempo adequado com os filhos. Uma divorciada relembra: “Eu trabalhava de dia, ia para a escola à noite e ficava exausta. Sem dúvida, eu negligenciava meus filhos.”
◼ Problemas emocionais.
Contrário às afirmações de alguns especialistas que dizem que os filhos se recuperam rápido depois de um divórcio, pesquisadores, como a Dra. Judith Wallerstein, descobriram que o divórcio causa feridas emocionais que demoram para cicatrizar. “Dez anos depois do divórcio dos pais, mais de um terço dos rapazes e das moças de 19 a 29 anos tem pouca ou nenhuma ambição. Eles vivem sem rumo, sem objetivos específicos. . . e com uma sensação de desamparo.” (Second Chances [Segunda Chance], da Dra. Judith Wallerstein e de Sandra Blakeslee) Entre muitos filhos de pais divorciados, observaram-se baixa auto-estima, depressão, comportamento delinqüente e raiva persistente.
O livro The Single-Parent Family (Família Uniparental) diz: “Vários estudos demonstram que meninos criados sem uma forte presença masculina demonstram insegurança quanto à sua identidade sexual, baixa auto-estima e, mais tarde na vida, problemas em estabelecer relacionamentos achegados. Os problemas que as meninas podem desenvolver por não ter um exemplo masculino em geral só aparecem na adolescência ou mais tarde, e incluem dificuldade de estabelecer bons relacionamentos homem—mulher na vida adulta.”
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Como romper o círculo vicioso de famílias sem paiDespertai! — 2000 | 8 de fevereiro
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Como romper o círculo vicioso de famílias sem pai
SE PERSISTIR a tendência atual, as famílias sem pai logo serão a norma. Um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, dos EUA, afirma: “Crianças criadas por apenas um dos pais tendem a tirar notas mais baixas, ter mais problemas de comportamento e índices mais elevados de problemas crônicos de saúde e distúrbios psiquiátricos. . . . Ser criado só com a mãe está associado a riscos elevados de ter filhos na adolescência, alta evasão escolar [e] prisão.”
Não admira então que cientistas sociais, conselheiros familiares, educadores e até políticos procurem desesperadamente maneiras de deter essa tendência devastadora. Grandes assembléias têm sido realizadas para promover entre os homens o orgulho pela paternidade e para exaltar o compromisso masculino com a família. Livros sobre paternidade invadem o mercado. Fazem-se esforços para obrigar o pai a cuidar de suas responsabilidades. Nos Estados Unidos, “pais caloteiros” são punidos por juízes, atacados em programas de TV e até sujeitos a humilhação pública. Mas esses esforços produziram poucos resultados.
Existem soluções fáceis?
Soluções fáceis podem também produzir resultados duvidosos. Por exemplo, uma mulher divorciada talvez se case de novo precipitadamente na esperança de dar aos filhos um novo pai. Mas embora casar-se novamente possa ter vantagens, podem surgir problemas. Os filhos às vezes resistem em aceitar outra pessoa como pai. Em alguns casos, nunca aceitam. Um estudo revelou que “quase dois terços das mulheres que viviam [em lares] com padrasto haviam saído de casa antes dos 19 anos . . . em comparação com 50% das mulheres de famílias unidas”. Mesmo em famílias com enteados bem-sucedidas, às vezes passam-se vários anos antes de o padrasto ser aceito pelas crianças.a
De modo similar, não existem soluções fáceis para o problema da gravidez na adolescência. O aborto, por exemplo, viola a lei de Deus e exige que a moça feche as portas de suas ternas compaixões para a minúscula vida que se desenvolve dentro dela. (Êxodo 20:13; 21:22, 23; Salmo 139:14-16; note 1 João 3:17.) Como praticar um aborto e não ficar com cicatrizes emocionais? Para muitos, entregar o filho para a adoção parece uma solução mais humana, mas isso também pode deixar cicatrizes emocionais, tanto na mãe quanto no filho.
Não, soluções fáceis não vão romper o círculo vicioso de famílias sem pai. A atual tendência que se observa nas famílias só será revertida se as pessoas se dispuserem a fazer mudanças profundas no modo de pensar, na atitude, no comportamento e na moral. É preciso algo mais do que palavras bonitas ou psicologia barata para motivar as pessoas a fazer essas grandes mudanças. Esse “algo mais” é encontrado na Palavra de Deus, a Bíblia. Afinal, foi o próprio Deus quem instituiu a família. (Efésios 3:14, 15) Ele sabe melhor do que ninguém de que os filhos precisam.
Os princípios bíblicos ajudam as famílias
Mas será que a Bíblia pode realmente ajudar as crianças com pai ausente? Será que elas não ficam irremediavelmente traumatizadas? Não, não ficam. No início deste artigo, citamos um relatório do governo norte-americano que alistava muitos riscos que essas crianças enfrentam. Apesar do tom pessimista, o relatório concluiu: “É verdade que a pesquisa traz provas consistentes de que filhos de famílias uniparentais correm mais riscos, mas ela também mostra que a maioria dessas crianças se desenvolve normalmente.” Assim, pode-se eliminar ou pelo menos amainar as conseqüências de não ter o pai por perto, especialmente se os princípios bíblicos forem aplicados na criação dos filhos.
Isso exige muito esforço da mãe sem cônjuge — uma idéia assustadora para muitas mulheres. Mas se você estiver nessa situação, poderá aprender a confiar plenamente em Jeová Deus. (Provérbios 3:1, 2) Algumas mulheres cristãs dos tempos bíblicos enfrentavam situações difíceis, como a viuvez. Sobre elas, a Bíblia diz: “A mulher que for realmente viúva e que tiver ficado sem recursos tem posto a sua esperança em Deus e persiste em súplicas e em orações, noite e dia.” (1 Timóteo 5:5) Lembre-se de que Jeová chama a si mesmo de “pai de meninos órfãos de pai”. (Salmo 68:5) Você pode estar certa de que ele apoiará a mulher que o teme, nos seus esforços de criar os filhos.
Um estudo bíblico regular em casa, com os filhos, é uma ótima maneira de ajudá-los a crescer como adultos equilibrados e maduros. (Deuteronômio 6:6-9) Entre as Testemunhas de Jeová muitos pais sem cônjuge usam publicações bíblicas especificamente preparadas para os jovens, como o livro Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas.b As informações contidas nele ajudam os jovens a desenvolver normas de moral que podem contribuir para que não cometam os mesmos erros que os pais. À medida que os filhos começam a conhecer Jeová Deus, passam a perceber que têm um Pai celestial que se importa muito com eles. (Salmo 27:10) Isso pode ajudá-los a lidar com sentimentos de abandono. Uma moça britânica que sofreu com a separação dos pais lembra: “Durante todo o tempo, mamãe me ajudou a entender a necessidade de orar e de confiar incondicionalmente em Jeová. Isso nos ajudou a enfrentar o problema.”
Manter o vínculo pai—filho
A Bíblia deixa claro que o filho deve honrar a mãe e o pai. (Êxodo 20:12) O divórcio não rompe o vínculo pai—filho. Embora o ex-marido não viva mais em casa, os filhos ainda podem se beneficiar de ter um relacionamento caloroso com ele.c O problema é que a mãe talvez esteja brava com ele e fique ressentida por ele ter contato com os filhos. Como ela pode lidar com esses sentimentos?
A Bíblia dá um bom conselho quando avisa: “Cuida de que o furor não te engode a [agir] por despeito . . . Guarda-te de não te virares para o que é prejudicial.” (Jó 36:18-21) É verdade que não é fácil falar bem de alguém que a magoou ou abandonou. Mas pergunte-se: “Será que minha filha aprenderá a confiar nos homens se eu lhe disser o tempo todo que o pai dela não presta? Será que meu filho desenvolverá uma personalidade masculina estável se, ao castigá-lo, eu lhe disser: ‘Você é igualzinho ao seu pai’? Será que meus filhos terão um conceito correto sobre a autoridade se eu lhes ensinar a desprezar o pai ou desencorajá-los de vê-lo?” Obviamente é prejudicial estragar o relacionamento dos filhos com o pai.
Você talvez fique surpresa de saber que a Bíblia não condena a indignação justa. “Ficai furiosos”, ela diz, “mas não pequeis”. (Efésios 4:26) O pecado não é de ficar furioso, mas de ser controlado pelo ‘furor, ira, maldade, linguagem ultrajante’. (Colossenses 3:8) Assim, evite criticar o pai na frente dos filhos. Se sente a necessidade de externar frustração, siga a sugestão da Bíblia de partilhar sua “ansiedade”, mas faça isso com outra pessoa — talvez uma amiga de confiança — não com seus filhos. (Provérbios 12:25) Tente manter uma atitude positiva e evite ficar remoendo o passado. (Eclesiastes 7:10) Fazer isso pode ajudá-la bastante a controlar a raiva.
Por fim, lembre-se de que a Bíblia ordena que os filhos respeitem o pai, mesmo que a conduta dele não tenha sido das melhores. (Efésios 6:2, 3) Assim, tente ajudar os filhos a encarar as falhas do pai na perspectiva certa. Uma mulher jovem que cresceu num lar desfeito diz: “Quando consegui encarar meu pai de forma objetiva — como humano imperfeito e falho — pude por fim fazer as pazes com ele.” Incentivando os filhos a respeitar o pai, você os ajudará a desenvolver um conceito correto sobre a sua autoridade parental.
É importante também que você preserve certos limites entre você e seus filhos. Eles ainda estão sob a ‘lei da sua mãe’. (Provérbios 1:8) Os filhos homens podem se sentir sobrecarregados se você esperar que eles ajam como ‘homem da casa’. As filhas também podem se sentir sobrecarregadas se tiverem de ser confidentes da mãe. É preciso assegurar aos filhos que, como mãe, você vai tomar conta deles, não eles de você. (Note 2 Coríntios 12:14.) Assim, eles poderão sentir-se seguros, embora sua situação familiar não seja ideal.
Pais substitutos
Mas e se o pai não tiver contato nenhum com a família? Os especialistas dizem que os filhos podem se beneficiar de ter companhia masculina. Embora o interesse bondoso de um tio ou de um vizinho possa ser benéfico, os filhos tirarão mais proveito da companhia saudável de homens cristãos na congregação. Jesus prometeu que a congregação seria como uma família apoiadora. — Marcos 10:29, 30.
Nos tempos bíblicos, o jovem Timóteo cresceu e se tornou um notável homem de Deus, sem ter o apoio de um pai crente. A Bíblia diz que as maiores responsáveis por isso foram a mãe e a avó amorosas. (Atos 16:1; 2 Timóteo 1:1-5) Mas ele também se beneficiou da companhia de um homem cristão, o apóstolo Paulo. Este chamou Timóteo de seu “filho amado e fiel no Senhor”. (1 Coríntios 4:17) De modo similar hoje, as Testemunhas de Jeová são incentivadas a seguir o conselho bíblico de “cuidar dos órfãos e das viúvas”. (Tiago 1:27) São exortadas a ‘salvar os meninos órfãos de pai’ demonstrando interesse sincero e equilibrado por eles. (Jó 29:12) Uma mulher jovem chamada Annette lembra-se do interesse saudável que um ancião cristão demonstrou por ela, quando ela era mais jovem, dizendo: “Ele foi a única figura paterna que eu conheci.”
Como romper o círculo vicioso
Esses princípios podem ajudar as crianças que vivem sem o pai a ser bem-sucedidas. Apesar da infância atribulada, poderão tornar-se adultos equilibrados e produtivos, bem como pais amorosos, fiéis e responsáveis. Mesmo assim, é melhor prevenir do que remediar. Afinal, o círculo vicioso de famílias sem pai só pode ser rompido quando homens e mulheres decidem aplicar a Bíblia na sua vida, por exemplo, acatando a proibição bíblica de ter relações sexuais antes do casamento e as normas da Bíblia para maridos e esposas. — 1 Coríntios 6:9; Efésios 5:21-33.
Atualmente, muitas crianças vivem com o pai, mas mesmo assim é como se não o tivessem. Um especialista em assuntos familiares diz: “O maior problema que enfrentam . . . as crianças hoje é a falta de tempo e de atenção dos pais.” A Palavra de Deus trata diretamente desse assunto. Ela ordena aos homens que têm filhos: “Vocês devem criá-los com disciplina e de acordo com os ensinamentos cristãos.” (Efésios 6:4, A Bíblia na Linguagem de Hoje; Provérbios 24:27) Quando o pai segue o conselho bíblico, os filhos não têm medo de virem a ser abandonados.
Mas é realístico achar que as pessoas começarão a seguir a Bíblia em larga escala? Não, não é. (Mateus 7:14) Mas as Testemunhas de Jeová já ajudaram milhões a ter felicidade na vida familiar por meio de um programa de estudo bíblico em casa.d Naturalmente, a Bíblia avisa que todos os casais sofrerão “tribulação na sua carne” devido à imperfeição. (1 Coríntios 7:28) Mas aqueles que realmente respeitam a Palavra de Deus tentam resolver os problemas, não se divorciar ao primeiro sinal de dificuldade. É claro que há situações em que o cristão pode apropriadamente cogitar a separação ou até o divórcio. (Mateus 5:32) Mas sabendo do possível impacto que isso teria nos filhos, o cristão ou a cristã deve procurar meios de salvar o casamento, se possível.
Seguir o que a Bíblia diz não só poderá salvar sua família agora, como abrirá a possibilidade de todos vocês viverem para sempre! Jesus disse: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Ler e aplicar os conselhos da Palavra de Deus é uma das melhores maneiras de assegurar que sua família permaneça unida para sempre.
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