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  • Aprenda a deleitar-se no temor de Jeová
    A Sentinela — 1995 | 15 de março
    • Aprenda a deleitar-se no temor de Jeová

      “Vinde, ó filhos, escutai-me; o temor de Jeová é o que vos ensinarei.” — SALMO 34:11.

      1. Como eliminará o Reino de Deus o temor, mas refere-se isso a todo tipo de temor?

      PESSOAS em toda a parte anseiam ficar livres do temor — temor do crime e da violência, temor do desemprego ou temor duma grave doença. Como será grandioso o dia em que esta liberdade se tornar uma realidade sob o Reino de Deus! (Isaías 33:24; 65:21-23; Miquéias 4:4) No entanto, nem todo tipo de temor será então eliminado, nem devemos tentar eliminar agora todo temor da nossa vida. Há um temor bom e há um temor ruim.

      2. (a) Que tipo de temor é ruim, e que tipo é desejável? (b) O que é temor piedoso, e como é isso indicado pelos textos mencionados?

      2 O temor pode ser um veneno mental, que paralisa a faculdade de raciocínio da pessoa. Pode minar a coragem e destruir a esperança. Tal temor pode ser sentido por alguém ameaçado fisicamente por um inimigo. (Jeremias 51:30) Pode ser sentido por alguém que dá importância demais a ter a aprovação de certos humanos influentes. (Provérbios 29:25) Mas existe também um temor salutar, o tipo de temor que nos impede de fazermos algo precipitado, de nos causar dano. O temor piedoso inclui até mesmo mais do que isso. Trata-se de um espanto reverente ante Jeová, de uma reverência profunda por ele, junto com um pavor salutar de desagradá-lo. (Salmo 89:7) Este temor, de incorrer no desagrado de Deus, vem do apreço pela sua benevolência e bondade. (Salmo 5:7; Oséias 3:5) Inclui também a percepção de que Jeová é o Juiz Supremo e o Todo-Poderoso, que tem o poder de infligir punição, até mesmo a morte, àqueles que se recusam a obedecer-lhe. — Romanos 14:10-12.

      3. Como se contrasta o temor de Jeová com o associado com algumas deidades pagãs?

      3 O temor piedoso é salutar, não mórbido. Motiva a se ficar firme a favor do que é direito, para não transigir por fazer o errado. Não é como o temor associado com uma antiga divindade grega, Fobos, descrito como deus sinistro que inspirava terror. E não é como o temor associado com a deusa hindu, Cali, que às vezes é retratada como sanguinária, usando cadáveres, cobras e caveiras como ornamentos. O temor piedoso atrai; não repele. Está interligado com o amor e o apreço. De modo que o temor piedoso nos atrai a Jeová. — Deuteronômio 10:12, 13; Salmo 2:11.

      Por que alguns o têm e outros não

      4. Conforme mostrado pelo apóstolo Paulo, a que condição chegou a humanidade e o que foi responsável por isso?

      4 A humanidade como um todo não é motivada pela qualidade do temor piedoso. Em Romanos 3:9-18, o apóstolo Paulo descreve o quanto os humanos decaíram da perfeição original. Depois de declarar que todos nós estamos em pecado, Paulo cita os Salmos, dizendo: “Não há um justo, nem sequer um só.” (Veja o Salmo 14:1.) Daí ele fornece detalhes, citando coisas tais como a negligência da humanidade em buscar a Deus, sua falta de benignidade, sua fala enganosa, a linguagem ofensiva e o derramamento de sangue. Com quanta exatidão isso descreve o mundo de hoje! A maioria das pessoas não se interessa por Deus e seus propósitos. Qualquer aparência de benignidade muitas vezes é reservada para as ocasiões em que se pode ganhar alguma coisa com isso. A mentira e a linguagem obscena são coisa comum. O derramamento de sangue é destacado não somente nas notícias, mas também no entretenimento. Qual é o motivo desta situação? É verdade que todos nós somos descendentes do pecador Adão, mas quando alguém adota como modo de vida as coisas descritas pelo apóstolo Paulo, há algo mais envolvido. O versículo 18 de Ro 3 explica o que é, dizendo: “Não há temor de Deus diante dos seus olhos.” — Veja o Salmo 36:1.

      5. Por que têm alguns temor piedoso, ao passo que outros não têm?

      5 Mas, por que alguns têm temor piedoso ao passo que outros não o têm? Em termos simples, é porque alguns o cultivam, ao passo que outros não o cultivam. Nenhum de nós nasceu com ele, mas todos nós temos a capacidade de exercê-lo. O temor piedoso é algo que temos de aprender. Daí, para que seja uma poderosa força motivadora na nossa vida, temos de cultivá-lo.

      Um convite cativante

      6. Quem nos faz o convite registrado no Salmo 34:11, e como mostra este texto que o temor piedoso tem de ser aprendido?

      6 O Salmo 34 nos faz um convite cativante para aprendermos o temor de Jeová. É um salmo de Davi. E a quem prefigurava Davi? Ao próprio Senhor Jesus Cristo. Uma profecia que o apóstolo João aplicou especificamente a Jesus está registrada no versículo 20 de Sal 34 deste salmo. (João 19:36) É Jesus quem, em nossos dias, faz um convite como aquele no versículo 11 de Sal 34: “Vinde, ó filhos, escutai-me; o temor de Jeová é o que vos ensinarei.” Isto mostra claramente que o temor piedoso é algo que se pode aprender, e Jesus Cristo é extremamente habilitado para nos instruir. Por que se dá isso?

      7. Por que é especialmente Jesus aquele de quem se deve aprender o temor piedoso?

      7 Jesus Cristo conhece a importância do temor piedoso. Hebreus 5:7 diz a seu respeito: “Cristo, nos dias da sua carne, ofereceu súplicas e também petições Àquele que era capaz de salvá-lo da morte, com fortes clamores e lágrimas, e ele foi ouvido favoravelmente pelo seu temor piedoso.” Esse temor piedoso era uma qualidade que Jesus Cristo manifestava mesmo antes de se confrontar com a morte na estaca de tortura. Lembre-se de que, no capítulo 8 de Provérbios, o Filho de Deus é descrito como a personificação da sabedoria. E Provérbios 9:10 nos diz: “O temor de Jeová é o início da sabedoria.” Portanto, este temor piedoso era uma parte fundamental da personalidade do Filho de Deus muito antes de ele vir à terra.

      8. O que aprendemos de Isaías 11:2, 3, a respeito do temor de Jeová?

      8 Além disso, a respeito de Jesus como Rei messiânico, Isaías 11:2, 3, declara: “Sobre ele terá de pousar o espírito de Jeová, o espírito de sabedoria e de compreensão, o espírito de conselho e de potência, o espírito de conhecimento e do temor de Jeová; e deleitar-se-á no temor de Jeová.” Que expressão bela! O temor de Jeová de forma alguma é desagradável. É positivo e construtivo. É uma qualidade que irá permear todo o domínio sobre o qual Cristo governa como Rei. Ele já governa, e, a todos os que estão sendo reunidos como seus súditos, ele está dando instruções no temor de Jeová. Como?

      9. Como nos ensina Jesus Cristo o temor de Jeová, e o que deseja que aprendamos disso?

      9 Por meio das nossas reuniões congregacionais, das assembléias e dos congressos, Jesus, como Cabeça designado da congregação e como o Rei messiânico, ajuda-nos a entender claramente o que é temor piedoso e por que é tão benéfico. Ele se esforça assim a aprofundar nosso apreço pelo temor de Jeová, a fim de que aprendamos a deleitar-nos neste temor, assim como ele se deleita.

      Fará você esse esforço?

      10. Quando assistimos às reuniões cristãs, o que temos de fazer para entender o temor de Jeová?

      10 Naturalmente, apenas lermos a Bíblia ou assistirmos às reuniões no Salão do Reino não garante que tenhamos temor piedoso. Note o que precisamos fazer se realmente havemos de entender o temor de Jeová. Provérbios 2:1-5 diz: “Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria, com o teu ouvido, para inclinares teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pela própria compreensão e emitires a tua voz pelo próprio discernimento, se persistires em procurar isso como a prata e continuares a buscar isso como a tesouros escondidos, neste caso entenderás o temor a Jeová e acharás o próprio conhecimento de Deus.” Portanto, quando assistimos às reuniões, temos de prestar atenção ao que se diz, fazer um esforço sério de nos concentrar nas idéias-chave e de lembrá-las, ponderando em como nosso sentimento a respeito de Jeová deve influenciar nossa atitude para com o conselho dado — sim, abrir nosso coração. Assim entenderemos o temor de Jeová.

      11. Para cultivar o temor piedoso, o que devemos fazer sincera e freqüentemente?

      11 O Salmo 86:11 chama atenção para outro fator importante, o da oração. “Instrui-me, ó Jeová, acerca do teu caminho. Andarei na tua verdade”, orou o salmista. “Unifica meu coração para temer o teu nome.” Jeová aprovou esta oração, pois fez com que fosse registrada na Bíblia. Para cultivarmos temor piedoso, nós também temos de orar a Jeová pedindo a sua ajuda, e seremos beneficiados por orar sincera e freqüentemente. — Lucas 18:1-8.

      Seu coração está envolvido nisso

      12. Por que se tem de dar atenção especial ao coração, e o que inclui isso?

      12 Há algo mais que devemos notar no Salmo 86:11. O salmista não estava simplesmente pedindo uma compreensão intelectual do temor de Deus. Ele faz menção do coração. O cultivo do temor piedoso envolve o coração figurativo, que exige atenção especial por ser a pessoa íntima conforme manifestada em todas as nossas atividades na vida, e inclui nossos pensamentos, nossas atitudes, nossos desejos, nossas motivações e nossos objetivos.

      13. (a) O que pode indicar que o coração da pessoa está dividido? (b) Ao passo que cultivamos o temor piedoso, que objetivos devemos procurar alcançar?

      13 A Bíblia adverte-nos de que nosso coração pode estar dividido. Pode ser traiçoeiro. (Salmo 12:2; Jeremias 17:9) Pode motivar-nos a participar em atividades salutares — freqüentar as reuniões congregacionais e sair no ministério de campo — mas também pode gostar de certos aspectos do modo de vida do mundo. Isto talvez nos refreie de promovermos de toda a alma os interesses do Reino. Daí, esse coração traiçoeiro talvez tente persuadir-nos de que, afinal, estamos fazendo tanto quanto muitos outros. Ou, talvez na escola, ou no nosso local de trabalho secular, o coração seja influenciado pelo temor do homem. Em resultado disso, nesses ambientes, talvez hesitemos em identificar-nos como Testemunhas de Jeová e até mesmo façamos coisas que não são apropriadas para os cristãos. Mas depois, a nossa consciência nos incomoda. Este não é o tipo de pessoa que desejamos ser. Portanto, oramos a Jeová como o salmista: “Unifica meu coração para temer o teu nome.” Queremos que a pessoa íntima, conforme manifestada em todas as nossas atividades na vida, evidencie que ‘tememos o verdadeiro Deus e guardamos os seus mandamentos’. — Eclesiastes 12:13.

      14, 15. (a) Quando Jeová predisse a restauração de Israel depois do cativeiro em Babilônia, o que prometeu dar ao seu povo? (b) O que fez Jeová visando implantar o temor de Deus no coração dos do seu povo? (c) Por que se desviou Israel dos caminhos de Jeová?

      14 Jeová prometeu que daria ao seu povo tal coração temente a Deus. Ele predisse a restauração de Israel e disse, conforme lemos em Jeremias 32:37-39: “Vou trazê-los de volta a este lugar e fazê-los morar em segurança. E eles hão de tornar-se meu povo e eu mesmo me tornarei seu Deus. E vou dar-lhes um só coração e um só caminho, a fim de me temerem para sempre, para o bem deles e dos seus filhos após eles.” No versículo 40 de Je 32, a promessa de Deus é reforçada: “Porei no seu coração o temor de mim para não se desviarem de mim.” Em 537 AEC, Jeová os trouxe mesmo de volta a Jerusalém, conforme prometera. Mas, que dizer do restante da sua promessa — de que lhes daria ‘um só coração, a fim de que o temessem para sempre’? Por que é que a antiga nação de Israel se desviou de Jeová depois de ele a ter trazido de volta de Babilônia, de modo que seu templo foi destruído em 70 EC, para nunca mais ser reconstruído?

      15 Não foi por causa de alguma falha da parte de Jeová. Jeová realmente tomou medidas para incutir o temor de Deus no coração dos do seu povo. Pela misericórdia que teve com eles ao libertá-los de Babilônia e levá-los de volta à sua pátria, deu-lhes ampla evidência para que o encarassem com profunda reverência. Deus reforçou tudo isso por dar advertências, conselhos e repreensões por meio dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias; por Esdras, que lhes foi enviado como instrutor; por meio do Governador Neemias; e por Seu próprio Filho. Às vezes, os do povo prestaram atenção. Fizeram isso quando reconstruíram o templo de Jeová às instâncias de Ageu e de Zacarias, e quando despediram as esposas estrangeiras, nos dias de Esdras. (Esdras 5:1, 2; 10:1-4) Mas, na maioria das vezes, não obedeceram. Não persistiram em prestar atenção; não continuaram a ser receptivos a conselhos; não mantiveram aberto o seu coração. Os israelitas não cultivavam o temor piedoso, e, em resultado, este não era uma poderosa força motivadora na sua vida. — Malaquias 1:6; Mateus 15:7, 8.

      16. No coração de quem implantou Jeová temor piedoso?

      16 No entanto, a promessa de Jeová, de incutir o temor piedoso no coração dos do seu povo, não falhou. Ele fez um novo pacto com o Israel espiritual, aqueles cristãos a quem ele apresentou uma esperança celestial. (Jeremias 31:33; Gálatas 6:16) Em 1919, ele os libertou do cativeiro à Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Implantou-lhes firmemente no coração o temor dele. Isto trouxe consideráveis benefícios tanto para eles como para os da “grande multidão”, que têm a esperança de viver como súditos terrestres do Reino. (Jeremias 32:39; Revelação [Apocalipse] 7:9) O temor de Jeová também passou a estar no coração deles.

      Como o temor piedoso é implantado no nosso coração

      17. Como implantou Jeová temor piedoso no nosso coração?

      17 Como implantou Jeová este temor piedoso no nosso coração? Pela operação do seu espírito. E o que temos como produto do espírito santo? A Bíblia, a Palavra inspirada de Deus. (2 Timóteo 3:16, 17) Por meio do que ele fez no passado, pelos Seus tratos com os Seus servos agora, em cumprimento da Sua Palavra profética, e pelas profecias sobre coisas futuras, Jeová fornece uma base sólida para todos nós desenvolvermos temor piedoso. — Josué 24:2-15; Hebreus 10:30, 31.

      18, 19. Como nos ajudam os congressos, as assembléias e as reuniões congregacionais a adquirir temor piedoso?

      18 É digno de nota que, conforme relatado em Deuteronômio 4:10, Jeová disse a Moisés: “Congrega-me o povo, para que eu os deixe ouvir as minhas palavras, a fim de que aprendam a temer-me todos os dias em que estiverem vivos sobre o solo e para que ensinem seus filhos.” Similarmente, hoje, Jeová tem feito muitas provisões para ajudar os do seu povo a aprender a temê-lo. Nos congressos, nas assembléias e nas reuniões congregacionais relembramos as evidências da benevolência e da bondade de Jeová. É isto o que fizemos quando estudamos o livro O Maior Homem Que Já Viveu. Como afetou esse estudo a você e a sua atitude para com Jeová? À medida que viu várias facetas da grandiosa personalidade de nosso Pai celestial refletidas em seu Filho, não fortaleceu isso o seu desejo de jamais desagradar a Deus? — Colossenses 1:15.

      19 Nas nossas reuniões, estudamos também relatos de como Jeová libertou seu povo nos tempos passados. (2 Samuel 7:23) Ao estudarmos o livro bíblico de Revelação com a ajuda do livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, ficamos sabendo de visões proféticas que já se cumpriram neste século 20 e sobre eventos atemorizantes ainda futuros. O Salmo 66:5 declara a respeito de todos esses atos de Deus: “Vinde e vede as atividades de Deus. Atemorizante é a sua ação com os filhos dos homens.” Sem dúvida, quando encarados corretamente, esses atos de Deus implantam no nosso coração o temor de Jeová, uma profunda reverência. Compreendemos assim como Jeová Deus cumpre sua promessa: “Porei no seu coração o temor de mim para não se desviarem de mim.” — Jeremias 32:40.

      20. O que se requer de nós para que o temor piedoso fique profundamente implantado no nosso coração?

      20 É evidente, porém, que não passamos a ter esse temor piedoso no coração sem um esforço da nossa parte. O resultado não é automático. Jeová faz a parte dele. Nós temos de fazer a nossa por cultivar temor piedoso. (Deuteronômio 5:29) O Israel natural deixou de fazer isso. Mas, com confiança em Jeová, os israelitas espirituais e seus companheiros já sentem muitos dos benefícios recebidos por aqueles que temem a Deus. Consideraremos alguns desses benefícios no artigo que segue.

  • O proveito de se temer o verdadeiro Deus
    A Sentinela — 1995 | 15 de março
    • O proveito de se temer o verdadeiro Deus

      “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.” — ISAÍAS 48:17.

      1. Que calamidades poderiam ter sido evitadas pelo temor piedoso?

      SE Adão tivesse cultivado o temor piedoso, este o poderia ter refreado do pecado que resultou na sua própria morte eterna e em milhares de anos de pesar para a sua descendência. Se a antiga nação de Israel tivesse acatado o conselho de Jeová, de temê-lo e de amá-lo, essa nação não teria sido levada cativa a Babilônia, nem teria rejeitado o Filho de Deus e se tornado culpada de derramar o sangue dele. Se o mundo atual temesse a Deus, não haveria corrupção no governo nem no comércio, nem haveria crime ou guerra. — Provérbios 3:7.

      2. Apesar das condições existentes no mundo em nossa volta, por que devemos cultivar o temor de Jeová?

      2 No entanto, não importa o que o mundo em nossa volta faça, nós, individualmente, como família e como congregação de servos de Jeová, podemos tirar proveito do cultivo do temor do verdadeiro Deus. Isto está em harmonia com o lembrete que Moisés deu à nação de Israel: “Que é que Jeová, teu Deus, pede de ti senão que temas a Jeová, teu Deus, para andares em todos os seus caminhos e o amares, e para servires a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma; que guardes os mandamentos de Jeová . . . para o teu bem?” (Deuteronômio 10:12, 13) Que proveito tiramos de temer a Jeová, o verdadeiro Deus?

      Sabedoria, mais preciosa do que o ouro

      3. (a) Qual é o principal proveito que podemos tirar? (b) Qual é o significado do Salmo 111:10?

      3 O principal proveito é a verdadeira sabedoria. Salmo 111:10 declara: “O temor de Jeová é o princípio da sabedoria.” O que significa isso? A sabedoria é a capacidade de usar o conhecimento com êxito para solucionar problemas, evitar perigos e atingir certos objetivos. Envolve ter bom critério. O princípio dela, a primeira parte, a base desta sabedoria é o temor de Jeová. Por quê? Porque toda a criação é trabalho das suas mãos. Depende dele. Ele dotou a humanidade de livre-arbítrio, mas não com a capacidade de dirigir com êxito os seus próprios passos sem ser guiada por ele. (Josué 24:15; Jeremias 10:23) Podemos ter êxito duradouro apenas se reconhecermos esses fatos fundamentais da vida e se vivermos em harmonia com eles. Se o nosso conhecimento de Jeová nos der a convicção inabalável de que a vontade de Deus terá êxito certo, e que sua promessa e sua capacidade de recompensar a fidelidade são garantidas, então o temor piedoso nos motivará a agir com sabedoria. — Provérbios 3:21-26; Hebreus 11:6.

      4, 5. (a) Por que é que a educação universitária deixou certo jovem sem a verdadeira sabedoria? (b) Como obtiveram este homem e sua esposa depois a verdadeira sabedoria, e de que forma mudou isso a vida deles?

      4 Considere um exemplo. Algumas décadas atrás, um jovem cursava a Universidade de Saskatchewan, no Canadá. O currículo incluía Biologia, e foi-lhe ensinada a evolução. Depois da formatura, ele se especializou em física atômica, recebendo uma bolsa de estudos para continuar a estudar na Universidade de Toronto. Ao passo que estudava, via evidências maravilhosas de ordem e de projeto nas estruturas atômicas. Mas não havia respostas para as perguntas: quem projetou tudo isso? Quando? E por quê? Sem essas respostas, poderia ele usar seus conhecimentos sabiamente num mundo que então estava em guerra? O que o guiaria? O nacionalismo? O desejo de recompensas materiais? Havia ele realmente adquirido a verdadeira sabedoria?

      5 Não muito depois da sua formatura, esse jovem e sua esposa começaram a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. À base da própria Palavra de Deus, passaram a obter as respostas que lhes faltavam. Vieram a conhecer o Criador, Jeová Deus. Ao estudarem sobre Moisés junto ao mar Vermelho, e a respeito de Daniel e seus companheiros em Babilônia, aprenderam a importância de não temer a homens, mas sim a Deus. (Êxodo 14:10-31; Daniel 3:8-30) Tal temor piedoso, junto com o genuíno amor por Jeová, começou a motivá-los. Em pouco tempo, a vida deles tomou um rumo completamente diferente. Por fim, esse jovem conhecia Aquele cujas obras estudara em Biologia. Passou a entender o propósito Daquele cuja sabedoria havia visto refletida nos seus estudos de física. Em vez de usar seus conhecimentos para produzir instrumentos que destruiriam o seu semelhante, ele, junto com a esposa, queriam ajudar outros a amar a Deus e a amar o próximo. Ingressaram no serviço de tempo integral como proclamadores do Reino de Deus. Mais tarde, cursaram a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, e foram enviados como missionários.

      6. Se tivermos a sabedoria arraigada no temor de Jeová, que empenhos míopes evitaremos, e o que faremos em vez disso?

      6 Naturalmente, nem todos podem ser missionários. Todos nós, porém, podemos usufruir a sabedoria arraigada no temor de Jeová. Se cultivarmos esta sabedoria, não ficaremos avidamente assimilando as filosofias de homens que realmente apenas estão conjecturando o sentido da vida. Concentrar-nos-emos no estudo da Bíblia, inspirada pela Fonte da vida, Jeová Deus, aquele que nos pode dar vida eterna. (Salmo 36:9; Colossenses 2:8) Em vez de nos tornarmos escravos dum sistema comercial que está à beira da ruína, acataremos o conselho de Jeová, de estar contentes com alimento e com que nos cobrir, ao passo que damos à nossa relação com Deus a primazia na vida. (1 Timóteo 6:8-12) Em vez de agir como se o nosso futuro dependesse de sermos prósperos neste mundo, cremos na Palavra de Jeová quando ela nos diz que o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas que aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. — 1 João 2:17.

      7. (a) Como nos ajuda Provérbios 16:16 a ter um equilibrado senso de valores? (b) Que recompensas resultam de darmos primazia a fazer a vontade de Deus na nossa vida?

      7 Provérbios 16:16 incentiva-nos por declarar verazmente: “Quanto melhor é obter sabedoria [a sabedoria que começa com o temor de Jeová] do que ouro! E obter compreensão deve ser preferido à prata.” Tal sabedoria e compreensão irão induzir-nos a dar primazia na vida a fazer a vontade de Deus. E de que incumbiu Deus suas Testemunhas neste período da história humana? De pregar o Seu Reino e de ajudar os sinceros a se tornarem discípulos genuínos de Jesus Cristo. (Mateus 24:14; 28:19, 20) Isto produz como recompensa verdadeira satisfação e muita felicidade. Portanto, é com bom motivo que a Bíblia diz: “Feliz o homem que achou sabedoria.” — Provérbios 3:13.

      Proteção contra transgressão

      8. (a) Mencione um segundo proveito de se temer a Deus. (b) Contra que somos protegidos? (c) De que modo se torna o temor piedoso uma poderosa força motivadora?

      8 Um segundo proveito de temermos a Deus é que assim somos protegidos contra fazer o que é mau. Aqueles que respeitam profundamente a Deus não decidem por si mesmos o que é bom e o que é mau. Não encaram como mau aquilo que Deus diz ser bom, nem consideram como boas as coisas que Deus diz que são más. (Salmo 37:1, 27; Isaías 5:20, 21) Além disso, a pessoa motivada pelo temor piedoso não se contenta em apenas saber o que Jeová diz que é bom e o que ele diz que é mau. Tal pessoa ama o que Jeová ama e odeia o que Jeová odeia. Em resultado disso, age em harmonia com as normas de Jeová. Assim, conforme declarado em Provérbios 16:6, “no temor de Jeová a pessoa se desvia do mal”. Tal temor piedoso torna-se uma poderosa força motivadora para realizar o que a pessoa não conseguiria fazer na sua própria força.

      9. Como foi que o forte desejo de não desagradar a Deus influenciou a decisão de certa mulher no México, e com que resultado?

      9 Mesmo que este temor piedoso esteja apenas começando a se desenvolver na pessoa, ele pode fortalecê-la para evitar fazer algo que ela viria a lamentar pelo resto da vida. Por exemplo, certa mulher grávida, no México, indagou uma Testemunha de Jeová a respeito do aborto. A Testemunha leu vários textos bíblicos para ela, e depois argumentou: “A vida é muito importante para o Criador, mesmo a dos que ainda não nasceram.” (Êxodo 21:22, 23; Salmo 139:13-16) Um exame clínico havia dado a entender que o bebê poderia ser anormal. Mas então, motivada pelo que vira na Palavra de Deus, a mulher decidiu ter o bebê. Seu médico não quis mais atendê-la, e o marido ameaçou abandoná-la, mas ela ficou firme. Com o tempo, ela deu à luz uma menina — normal, sadia e bonita. Movida pela gratidão, ela procurou as Testemunhas, e essas passaram a estudar a Palavra de Deus com ela. Em um ano, essa mulher e seu marido foram batizados. Alguns anos mais tarde, num congresso de distrito, eles tiveram o prazer de encontrar-se de novo com a primeira Testemunha e apresentar-lhe sua linda filha de quatro anos. O correto respeito para com Deus e o forte desejo de não desagradá-lo certamente exercem poderosas influências na vida da pessoa.

      10. O temor piedoso pode fortalecer as pessoas a se livrarem de que formas de transgressão?

      10 O temor piedoso fortalece-nos contra uma ampla gama de transgressões. (2 Coríntios 7:1) Se for corretamente cultivado, pode ajudar a pessoa a deixar de praticar pecados secretos de que apenas ela e Jeová sabem. Pode ajudá-la a se livrar da escravidão ao abuso do álcool ou de drogas. Um ex-viciado em drogas, na África do Sul, explicou: “À medida que eu adquiria conhecimento de Deus, também desenvolvia um temor de magoá-lo ou de desagradar-lhe. Eu sabia que ele observava, e ansiava ser aprovado à vista dele. Isto me levou a destruir as drogas que estavam comigo, eliminando-as pela descarga do vaso sanitário.” O temor piedoso tem ajudado a milhares de outras pessoas de maneiras similares. — Provérbios 5:21; 15:3.

      Proteção contra tremer diante de homens

      11. Contra que laço comum pode proteger-nos o temor salutar de Jeová?

      11 O temor salutar de Deus protege-nos também contra ter medo de homens. A maioria das pessoas, em grau maior ou menor, tem medo de homens. Até mesmo os apóstolos de Jesus Cristo o abandonaram e fugiram quando ele foi preso por soldados no jardim de Getsêmani. Mais tarde, Pedro, desnorteado e cheio de medo, no pátio do sumo sacerdote, negou que fosse um dos discípulos de Jesus e que até mesmo o conhecesse. (Marcos 14:48-50, 66-72; João 18:15-27) Mas os apóstolos foram ajudados a recuperar o equilíbrio espiritual. Por outro lado, nos dias do Rei Jeoiaquim, Urijá, filho de Semaías, ficou tão cheio de medo, que abandonou seu serviço como profeta de Jeová e fugiu do país, mas assim mesmo foi capturado e morto. — Jeremias 26:20-23.

      12. (a) Que proteção contra ter medo de homens indica Provérbios 29:25? (b) Como se cria confiança em Deus?

      12 O que pode ajudar alguém a não ter medo de homens? Depois de advertir que “tremer diante de homens é o que arma um laço”, Provérbios 29:25 acrescenta: “Quem confia em Jeová será protegido.” A chave é confiar em Jeová. Esta confiança baseia-se em conhecimento e experiência. Pelo estudo da sua Palavra, vemos a evidência da justeza dos caminhos de Jeová. Ficamos conhecendo eventos que demonstram a fidedignidade dele, a certeza das suas promessas (inclusive a da ressurreição), seu amor e sua onipotência. Daí, ao pormos em prática este conhecimento, fazendo aquilo que Jeová manda fazer e rejeitando firmemente aquilo que ele nos adverte, começamos a sentir pessoalmente seu cuidado amoroso e sua fidedignidade. Vemos por nós mesmos a evidência de que seu poder atua para cumprir a sua vontade. Nossa confiança nele aumenta, e assim também nosso amor a ele e nosso sincero desejo de evitar desagradar-lhe. Esta confiança baseia-se num alicerce sólido. Serve de baluarte contra ter medo de homens.

      13. Como nos pode ajudar o temor piedoso no trabalho secular, em casa e na escola?

      13 Nossa confiança em Jeová, conjugada com o temor piedoso, nos fará firmes a favor do que é direito, caso o patrão nos ameace despedir do emprego por nos negarmos a participar em práticas comerciais desonestas. (Note Miquéias 6:11, 12.) Este temor piedoso habilita muitos milhares de cristãos a perseverar na verdadeira adoração em face da oposição de familiares descrentes. Dá também coragem aos jovens escolares para se identificar como Testemunhas de Jeová, e fortalece-os a enfrentar zombarias de colegas de escola, que fazem pouco das normas bíblicas. Neste respeito, uma adolescente disse: “O que eles pensam realmente não importa. O que importa é o que Jeová pensa.”

      14. Como conseguem os servos de Jeová ser vitoriosos mesmo quando sua vida é ameaçada?

      14 Esta mesma convicção fortalece os verdadeiros cristãos a se apegarem firmemente aos caminhos de Jeová, mesmo quando sua vida é ameaçada. Sabem que têm de esperar perseguição por parte do mundo. Reconhecem que os apóstolos foram chibateados, e que o próprio Jesus Cristo foi espancado e morto por homens iníquos. (Marcos 14:65; 15:15-39; Atos 5:40; note Daniel 3:16-18.) Mas os servos de Jeová têm plena confiança em que ele pode fortalecê-los para perseverarem; que, com a ajuda de Deus, podem ser vitoriosos; que Jeová, sem falta, recompensará os que permanecerem fiéis — se necessário, mesmo por ressuscitá-los para a vida no Seu novo mundo. O amor deles a Deus, conjugado com temor piedoso, motiva-os fortemente a evitar fazer algo que possa desagradá-lo.

      15. O que habilitou as Testemunhas de Jeová nos campos de concentração nazistas a manter a integridade?

      15 Esta motivação habilitou as Testemunhas de Jeová a suportar os horrores dos campos de concentração nazistas durante os anos 30 e 40. Tomaram a peito o conselho de Jesus, encontrado em Lucas 12:4, 5: “Eu vos digo, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada. Mas, eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo, temei a Este.” Neste respeito, Gustav Auschner, uma Testemunha que esteve no campo de concentração de Sachsenhausen, escreveu depois: ‘As SS fuzilaram August Dickmann e ameaçaram fuzilar os demais de nós, se não assinássemos um documento renunciando à nossa fé. Nenhum de nós o assinou. Tínhamos mais medo de desagradar a Jeová do que das balas deles.’ Ter medo de homens provoca transigência, mas o temor de Deus dá firmeza a favor do que é direito.

      A preservação da vida

      16. O que habilitou a Noé a continuar no proceder certo, década após década, até o Dilúvio, e o que resultou disso para ele e sua família?

      16 Noé viveu nos últimos dias do mundo antediluviano. Jeová decidira destruir o mundo iníquo daquele tempo por causa da maldade do homem. No ínterim, porém, Noé se encontrava naquele mundo que estava cheio de violência, de flagrante imoralidade e de indiferença para com a vontade divina. Apesar de Noé pregar a justiça, as pessoas “não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos”. (Mateus 24:39) No entanto, Noé não se deixou impedir de fazer o trabalho que Deus lhe dera. Ele fez “segundo tudo o que Deus lhe mandara. Fez exatamente assim”. (Gênesis 6:22) O que habilitou a Noé a continuar no proceder certo, ano após ano, até o Dilúvio? Hebreus 11:7 responde: “Pela fé Noé, depois de receber aviso divino de coisas ainda não observadas, mostrou temor piedoso.” Em resultado disso, ele, sua esposa e seus filhos, bem como as esposas desses, foram preservados durante o Dilúvio.

      17. (a) Não importa o que outros estejam fazendo, o que é que nós devemos fazer? (b) Por que são os que temem a Jeová os verdadeiramente felizes?

      17 Vivemos num período em muitos aspectos similar ao dos dias de Noé. (Lucas 17:26, 27) Dá-se novamente um aviso. Revelação (Apocalipse) 14:6, 7, fala sobre um anjo voando no meio do céu, exortando as pessoas de toda nação, tribo e língua a ‘temer a Deus e dar-lhe glória’. Não importa o que o mundo ao redor de você esteja fazendo, acate essas palavras, e depois faça este convite a outros. Igual a Noé, aja com fé e mostre que tem temor piedoso. Fazer isso pode resultar na preservação da sua vida e da vida de muitos outros. Ao observarmos os benefícios usufruídos por aqueles que temem o verdadeiro Deus, só podemos concordar com o salmista inspirado, que cantou: “Feliz o homem que teme a Jeová, de cujos mandamentos se tem agradado muito.” — Salmo 112:1.

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