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Gabão — um refúgio para a vida selvagemDespertai! — 2008 | janeiro
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Por que essas reservas são tão importantes? Cerca de 85% do país ainda é coberto por florestas, e 20% de suas espécies de plantas não são encontradas em nenhum outro lugar no mundo. Além disso, suas florestas equatoriais são um refúgio para gorilas-das-planícies, chimpanzés, elefantes-da-floresta e muitas outras espécies ameaçadas de extinção. Esses parques recém-criados vão fazer do Gabão um país que protege de modo notável a biodiversidade africana.
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Gabão — um refúgio para a vida selvagemDespertai! — 2008 | janeiro
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Dentro da floresta equatorial, macacos se movem com agilidade pelos galhos mais altos das copas das árvores, enquanto borboletas coloridas voam de modo suave nas clareiras ensolaradas. Morcegos frugívoros descansam de dia em suas árvores favoritas e, à noite, cumprem a função essencial de espalhar sementes por toda a floresta. Nas extremidades da floresta, brilhantes pássaros-sol bebericam o néctar das flores de árvores e arbustos. É por isso que Loango é corretamente chamado de “um lugar onde se pode experimentar o melhor da África equatorial”.
Lopé — um dos últimos habitats dos gorilas
O Parque Nacional de Lopé inclui áreas enormes de floresta pluvial virgem, e no norte do parque há trechos de savana e mata de galeria. É um lugar ideal para amantes da natureza que querem observar gorilas, chimpanzés ou mandris em seu ambiente natural. Existem entre 3 mil e 5 mil gorilas espalhados pelos 5 mil quilômetros quadrados de área protegida.
Augustin, um ex-funcionário do parque, relembra um encontro fora do comum que teve com gorilas em 2002. “Enquanto caminhava pela floresta, dei de cara com uma família de quatro gorilas”, ele se recorda. “O macho, um enorme gorila de costas prateadas com uns 35 anos, parecia um gigante em comparação comigo. Ele devia ter no mínimo três vezes o meu peso. Seguindo o procedimento recomendado, sentei-me imediatamente, abaixei a cabeça e olhei para o chão em sinal de submissão. O gorila chegou mais perto, sentou ao meu lado e pôs a mão no meu ombro. Daí ele pegou minha mão, abriu-a e examinou a palma. Convencido de que eu não representava perigo à sua família, ele entrou de modo tranqüilo na floresta. Naquele dia inesquecível descobri como é fascinante entrar em contato com animais em seu habitat. As pessoas matam gorilas para obter carne selvagem ou por terem a idéia errada de que são perigosos, mas eles são animais pacíficos que merecem ser protegidos.”
Em Lopé, os mandris, grandes babuínos, formam grupos enormes que às vezes chegam a ter mais de mil desses macacos. Essa é uma das maiores concentrações de primatas do mundo, e com certeza bem barulhenta. Veja como um visitante de Camarões descreveu seu encontro com um desses enormes grupos:
“Nosso guia localizou os mandris porque vários deles usam coleiras de monitoração. Passamos à frente do grupo e montamos logo um esconderijo camuflado, à espera dele. Durante 20 minutos, ficamos ouvindo a música da floresta, cantada por uma infinidade de aves e insetos. Essa tranqüilidade foi interrompida de modo repentino pela aproximação do bando de mandris. Por causa de seus gritos e do barulho de galhos sendo quebrados, tive a impressão de que uma grande tempestade se aproximava. Mas, quando vi os primeiros mandris chegarem, eles pareciam mais a guarda avançada de um exército. Os machos maiores iam na frente, andando rapidamente pelo chão da floresta, enquanto as fêmeas e os mais jovens iam por cima, pulando de galho em galho. De repente, um dos machos maiores parou e olhou ao redor com suspeita. Um mandril jovem, que se movia pelas copas das árvores, havia nos avistado e soado o alarme. O grupo inteiro apertou o passo e o barulho ficou ainda maior, pois eles gritavam com muita raiva, incomodados com nossa presença. Depois de alguns instantes, eles se foram. O guia calculou que uns 400 mandris haviam passado por nós.”
Os chimpanzés fazem tanto barulho quanto os mandris e são ainda mais difíceis de avistar porque se movem muito rápido pela floresta numa contínua busca por comida. Por outro lado, é comum os visitantes verem macacos-de-nariz-branco, que às vezes saltitam pela savana que beira a floresta. É provável que o habitante mais solitário de Lopé seja o macaco-de-cauda-dourada, uma espécie exclusiva da região, descoberta apenas uns 20 anos atrás.
As grandes e coloridas aves da floresta — como os turacos e os calaus-de-cara-prateada — anunciam sua presença com gritos estridentes. Cerca de 400 espécies de aves foram catalogadas nesse parque, o que faz dele um lugar popular para observadores de aves.
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