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Um povo livre, mas responsávelA Sentinela — 1992 | 1.° de junho
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Um povo livre, mas responsável
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — JOÃO 8:32.
1, 2. (a) Como tem sido apresentada a liberdade na história humana? (b) Apenas quem é realmente livre? Queira explicar isso.
LIBERDADE. Que palavra poderosa! A humanidade tem suportado incontáveis guerras e revoluções, bem como incalculáveis distúrbios sociais, por causa do desejo dos humanos de ser livres. Sobre isso, The Encyclopedia Americana diz: ‘Na evolução da civilização, nenhum conceito tem desempenhado um papel mais importante do que o da liberdade.’
2 Não obstante, quantas pessoas são realmente livres? Quantas sequer sabem o que significa ter liberdade? A Enciclopédia Delta Universal diz: “Para que uma pessoa tenha liberdade completa, não deve haver restrições ao seu pensamento, expressão e ação. Deve saber quais são as suas opções e ter o poder de decisão sobre elas.” Encarando isso assim, conhece alguém que é verdadeiramente livre? Quem pode dizer que ‘não tem restrições ao seu pensamento, expressão e ação’? Realmente, apenas uma pessoa em todo o Universo se enquadra nesta descrição: Jeová Deus. Apenas ele tem liberdade absoluta. Somente ele pode adotar qualquer opção e executá-la apesar de todas as oposições. Ele é “o Todo-poderoso”. — Revelação (Apocalipse) 1:8; Isaías 55:11.
3. Em que condições costumam os humanos ter liberdade?
3 Para os humildes humanos, a liberdade só pode ser relativa. Costuma ser concedida ou garantida por alguma autoridade e relacionada com nossa sujeição a esta autoridade. Deveras, em quase todo caso, só é possível ser livre quando se reconhece a autoridade daquele que garante a liberdade. Por exemplo, os que moram no “mundo livre” têm muitos benefícios, tais como a liberdade de locomoção, a liberdade de palavra e a liberdade de religião. Quem garante essas liberdades? A lei do país. Só se pode usufruí-las quando se obedece à lei. Quando alguém usa mal a sua liberdade e viola a lei, ele é considerado responsável perante as autoridades, e sua liberdade pode ser drasticamente reduzida por uma sentença à prisão. — Romanos 13:1-4.
Liberdade Divina — com Responsabilidade
4, 5. Que liberdade usufruem os adoradores de Jeová, e de que terão de prestar contas a ele?
4 No primeiro século, Jesus falou sobre a liberdade. Ele disse aos judeus: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31, 32) Não estava falando da liberdade de palavra ou da liberdade de religião. Certamente não estava falando de ficar livre do jugo de Roma, algo ansiado por muitos judeus. Não, tratava-se de algo muito mais precioso, duma liberdade concedida, não por leis humanas ou pelo capricho de um governante humano, mas pelo supremo Soberano do Universo, Jeová. Tratava-se de ficar livre da superstição, livre da ignorância religiosa, e de muito, muito mais. A liberdade concedida por Jeová é a verdadeira liberdade, e persistirá por toda a eternidade.
5 O apóstolo Paulo disse: “Jeová é o Espírito; e onde estiver o espírito de Jeová, ali há liberdade.” (2 Coríntios 3:17) No decorrer dos séculos, Jeová tem lidado com a humanidade de tal modo, que os fiéis, por fim, poderão usufruir a melhor e maior liberdade humana, “a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. (Romanos 8:21) No ínterim, Jeová nos concede certa medida de liberdade por meio da verdade bíblica, e ele nos considera responsáveis quando usamos mal esta liberdade. O apóstolo Paulo escreveu: “Não há criação que não esteja manifesta à sua vista, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas.” — Hebreus 4:13.
6-8. (a) Que liberdades usufruíram Adão e Eva, e sob que condição podiam manter essas liberdades? (b) O que perderam Adão e Eva para si e para seus descendentes?
6 A prestação de contas a Jeová passou a destacar-se durante a vida de nossos primeiros pais humanos, Adão e Eva. Jeová criou-os com o precioso dom do livre-arbítrio. Enquanto usaram este livre-arbítrio com senso de responsabilidade, eles usufruíram outras bênçãos, tais como estar livres do medo, da doença, da morte, e ter livre acesso ao seu Pai celestial com consciência limpa. Mas, quando usaram mal seu livre-arbítrio, tudo isso mudou.
7 Jeová colocara Adão e Eva no jardim do Éden, e dera-lhes para seu uso os frutos de todas as árvores do jardim — exceto de uma. Esta ele guardou para si mesmo; era a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. (Gênesis 2:16, 17) Por se refrearem de comer do fruto desta árvore, Adão e Eva reconheceriam que apenas Jeová estava livre para fixar as normas do que é bom e do que é mau. Se agissem de modo responsável e se refreassem de comer do fruto proibido, Jeová continuaria a garantir-lhes as outras liberdades.
8 Lamentavelmente, Eva deu atenção à sutil sugestão da Serpente, de que ela deveria por conta própria ‘saber o que é bom e o que é mau’. (Gênesis 3:1-5) Primeiro ela, e depois Adão, comeram do fruto proibido. Disso resultou que, quando Jeová Deus veio falar-lhes no jardim do Éden, eles ficaram envergonhados e se esconderam. (Gênesis 3:8, 9) Eram então pecadores que haviam perdido o senso da liberdade de se chegar a Deus, que resulta duma consciência limpa. Por causa disso, nem eles mesmos, nem seus descendentes, estavam mais livres da doença e da morte. Paulo disse: “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12; Gênesis 3:16, 19.
9. Quem são alguns dos que sabemos que usaram bem a medida de liberdade que tinham?
9 Não obstante, a humanidade ainda tinha livre-arbítrio, e no decorrer do tempo, alguns humanos imperfeitos usaram-no de forma responsável para servir a Jeová. O nome de alguns desses foi preservado para nós desde a antiguidade. Homens tais como Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó (também chamado Israel) são exemplos de pessoas que usaram a medida de liberdade que ainda tinham para fazer a vontade de Deus. E por isso eram bem sucedidos. — Hebreus 11:4-21.
A Liberdade do Povo Escolhido de Deus
10. Quais eram os termos do pacto que Jeová fez com o seu povo especial?
10 Nos dias de Moisés, Jeová libertou da escravidão no Egito os filhos de Israel — que então ascendiam a milhões — e fez com eles um pacto, pelo qual se tornaram seu povo especial. Sob este pacto, os israelitas tinham um sacerdócio e um sistema de sacrifícios de animais, que cobriam seus pecados em sentido simbólico. De modo que tinham liberdade para se chegar a Deus em adoração. Tinham também um sistema de leis e regulamentos para mantê-los livres das práticas supersticiosas e da adoração falsa. Mais tarde receberiam a Terra Prometida como herança, com a garantia de terem ajuda divina contra seus inimigos. Sua parte do pacto exigia dos israelitas guardarem a Lei de Jeová. Os israelitas aceitaram voluntariamente esta condição, dizendo: “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer.” — Êxodo 19:3-8; Deuteronômio 11:22-25.
11. Qual foi o resultado quando Israel deixou de cumprir seu lado do pacto com Jeová?
11 Durante mais de 1.500 anos, os israelitas estiveram nessa relação especial com Jeová. Mas vez após vez deixaram de cumprir o pacto. Repetidamente deixaram-se seduzir pela adoração falsa e passaram a estar em servidão à idolatria e à superstição, de modo que Deus permitiu que fossem fisicamente escravizados pelos seus inimigos. (Juízes 2:11-19) Em vez de usufruírem as bênçãos libertadoras resultantes do cumprimento do pacto, foram punidos porque o violaram. (Deuteronômio 28:1, 2, 15) Por fim, em 607 AEC, Jeová permitiu que a nação ficasse escravizada em Babilônia. — 2 Crônicas 36:15-21.
12. Por fim, o que se tornou evidente quanto ao pacto da Lei mosaica?
12 Isto foi uma lição dura. Deviam ter aprendido dela a importância de cumprir a Lei. No entanto, depois de 70 anos, quando os israelitas retornaram à sua própria terra, ainda não observaram corretamente o pacto da Lei. Quase cem anos depois do seu retorno, Jeová disse aos sacerdotes de Israel: “Vós, homens — vós vos desviastes do caminho. Fizestes muitos tropeçar na lei. Arruinastes o pacto de Levi.” (Malaquias 2:8) Realmente, nem mesmo os mais sinceros dos israelitas conseguiam estar à altura da Lei perfeita. Em vez de ela ser uma bênção, tornou-se, nas palavras do apóstolo Paulo, uma “maldição”. (Gálatas 3:13) É evidente que se precisava de algo mais do que o pacto da Lei mosaica para levar humanos fiéis, imperfeitos, à gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
A Natureza da Liberdade Cristã
13. Que base melhor para a liberdade se proveu por fim?
13 Este algo mais foi o sacrifício resgatador de Jesus Cristo. Por volta do ano 50 EC, Paulo escreveu à congregação dos cristãos ungidos na Galácia. Descreveu como Jeová os havia libertado da escravidão ao pacto da Lei, e então disse: “Para tal liberdade é que Cristo nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.” (Gálatas 5:1) Em que sentido libertara Jesus os homens?
14, 15. Em que sentidos maravilhosos libertou Jesus os judeus e os não-judeus crentes?
14 Depois da morte de Jesus, os judeus que o aceitaram como o Messias e se tornaram seus discípulos passaram a estar sob um novo pacto, o qual substituiu o antigo pacto da Lei. (Jeremias 31:31-34; Hebreus 8:7-13) Sob este novo pacto, eles — e os crentes não-judeus que mais tarde se juntaram a eles — tornaram-se parte duma nova nação espiritual que substituiu o Israel carnal como povo especial de Deus. (Romanos 9:25, 26; Gálatas 6:16) Como tal, usufruíam a liberdade que Jesus prometera ao dizer: “A verdade vos libertará.” Além de a verdade libertá-los da maldição da Lei de Moisés, ela libertou os cristãos judeus de todas as onerosas tradições que líderes religiosos lhes haviam imposto. E libertou os cristãos não-judeus da idolatria e das superstições da sua anterior adoração. (Mateus 15:3, 6; 23:4; Atos 14:11-13; 17:16) E havia mais.
15 Jesus, ao falar da verdade que liberta, disse: “Digo-vos em toda a verdade: Todo praticante do pecado é escravo do pecado.” (João 8:34) Desde que Adão e Eva pecaram, todos os que já viveram eram pecadores e assim escravos do pecado. A única exceção foi o próprio Jesus, e o sacrifício de Jesus libertou daquela escravidão os crentes. É verdade que estes, por natureza, ainda eram imperfeitos e pecadores. No entanto, agora podiam arrepender-se de seus pecados e pedir perdão à base do sacrifício de Jesus, confiantes em que suas petições seriam atendidas. (1 João 2:1, 2) Deus declarou-os justos à base do sacrifício resgatador de Jesus, e assim podiam chegar-se a ele com uma consciência limpa. (Romanos 8:33) Além disso, uma vez que o resgate abriu a perspectiva da ressurreição para uma vida sem fim, a verdade libertou-os até mesmo do medo da morte. — Mateus 10:28; Hebreus 2:15.
16. Em que sentido é a liberdade cristã mais abrangente do que qualquer liberdade oferecida pelo mundo?
16 A liberdade cristã foi tornada acessível de modo maravilhoso para homens e mulheres, sem distinção da sua situação em sentido humano. Os pobres, os presos, até mesmo os escravos podiam ficar livres. Por outro lado, os em altos postos das nações, que rejeitaram a mensagem a respeito de Cristo, continuaram em escravidão à superstição, ao pecado e ao medo da morte. Nunca devemos deixar de agradecer a Jeová esta liberdade que usufruímos. Nada daquilo que o mundo oferece chega perto de se igualar a ela.
Livres, mas Responsáveis
17. (a) No primeiro século, como perderam alguns a liberdade cristã? (b) Por que não devemos deixar-nos enganar pela aparente liberdade existente no mundo de Satanás?
17 No primeiro século, pelo visto, a maioria dos cristãos ungidos se regozijava com a sua liberdade e mantinha a sua integridade a todo custo. Lamentavelmente, porém, alguns provaram a liberdade cristã com todas as suas bênçãos e depois a desprezaram, voltando à escravidão no mundo. Por que se deu isso? Sem dúvida, muitos enfraqueceram na fé, e eles simplesmente ‘se desviaram’. (Hebreus 2:1) Outros ‘repeliram a fé e uma boa consciência, e sofreram naufrágio no que se refere à sua fé’. (1 Timóteo 1:19) Talvez caíssem no materialismo ou num tipo de vida imoral. Quão importante é que resguardemos a nossa fé e a usemos como base, atarefando-nos no estudo pessoal, na associação com outros, na oração e nas atividades cristãs! (2 Pedro 1:5-8) Que nunca deixemos de dar valor à liberdade cristã! É verdade que alguns talvez sejam tentados pela displicência que observam fora da congregação, achando que as pessoas do mundo estão mais livres do que nós. Na realidade, porém, o que se parece à liberdade, no mundo, usualmente é apenas irresponsabilidade. Se não somos escravos de Deus, somos escravos do pecado, e esta escravidão nos paga um salário amargo. — Romanos 6:23; Gálatas 6:7, 8.
18-20. (a) Como foi que alguns se tornaram “inimigos da estaca de tortura”? (b) Como foi que alguns ‘mantiveram a sua liberdade como disfarce para a maldade’?
18 Além disso, Paulo escreveu na sua carta aos filipenses: “Há muitos, os quais eu costumava mencionar muitas vezes, mas agora os menciono também com choro, que estão andando como inimigos da estaca de tortura do Cristo.” (Filipenses 3:18) Sim, havia os que antes tinham sido cristãos que se tornaram inimigos da fé, talvez por se tornarem apóstatas. Quão vital é que não adotemos tal proceder! Pedro escreveu adicionalmente: “Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade, mas como escravos de Deus.” (1 Pedro 2:16) Como poderia alguém manter a sua liberdade como disfarce para a maldade? Por cometer um pecado grave — talvez secretamente — ao mesmo tempo associando-se com a congregação!
19 Lembre-se de Diótrefes. João disse a respeito dele: “Diótrefes, que gosta de ocupar o primeiro lugar [na congregação], não recebe nada de nós com respeito. . . . Também, não . . . recebe os irmãos com respeito, e, os que querem recebê-los, ele procura impedir e lançar fora da congregação.” (3 João 9, 10) Diótrefes usava a sua liberdade como disfarce para a sua própria ambição egoísta.
20 O discípulo Judas escreveu: “Introduziram[-se] sorrateiramente certos homens que há muito têm sido designados pelas Escrituras para este julgamento, homens ímpios, que transformam a benignidade imerecida de nosso Deus numa desculpa para conduta desenfreada e que se mostram falsos para com o nosso único Dono e Senhor, Jesus Cristo.” (Judas 4) Embora se associassem com a congregação, esses homens eram uma influência corrompedora. (Judas 8-10, 16) Lemos em Revelação que, nas congregações de Pérgamo e de Tiatira, havia sectarismo, idolatria e imoralidade. (Revelação 2:14, 15, 20-23) Que mau uso da liberdade cristã!
21. O que aguarda aqueles que usam mal a sua liberdade cristã?
21 O que aguarda aqueles que assim usam mal a sua liberdade cristã? Lembre-se do que aconteceu a Israel. Israel era a nação escolhida de Jeová Deus, mas ele finalmente a rejeitou. Por quê? Porque os israelitas usavam sua relação com Deus como disfarce para a maldade. Gabavam-se de ser filhos de Abraão, mas rejeitavam a Jesus, a Semente de Abraão e o Messias escolhido por Jeová. (Mateus 23:37-39; João 8:39-47; Atos 2:36; Gálatas 3:16) “O Israel de Deus”, como um todo, não se mostrará similarmente infiel. (Gálatas 6:16) Mas qualquer cristão individual, que causar poluição espiritual ou moral, por fim terá de enfrentar a disciplina, e até mesmo um julgamento adverso. Todos nós somos responsáveis pela maneira em que usamos a nossa liberdade cristã.
22. Que alegria está em reserva para os que usam a sua liberdade cristã para trabalhar como escravos de Deus?
22 Quanto melhor é ser escravo de Deus e assim ser verdadeiramente livre. Somente Jeová concede a liberdade de real valor. O provérbio diz: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.” (Provérbios 27:11) Usemos nossa liberdade cristã para a vindicação de Jeová. Se fizermos isso, nossa vida terá sentido, daremos prazer ao nosso Pai celestial e, por fim, estaremos entre aqueles que usufruirão a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
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Use sabiamente sua liberdade cristãA Sentinela — 1992 | 1.° de junho
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Use sabiamente sua liberdade cristã
“Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade . . . como escravos de Deus.” — 1 PEDRO 2:16.
1. Que liberdade perdeu Adão, e que liberdade devolverá Jeová à humanidade?
QUANDO nossos primeiros pais pecaram no jardim do Éden, perderam para seus filhos uma gloriosa herança: estarem livres do pecado e da corrupção. Em resultado disso, todos nós nascemos escravos da corrupção e da morte. Felizmente, porém, Jeová intenciona devolver aos humanos fiéis uma maravilhosa liberdade. Hoje em dia, os que são sinceros aguardam ansiosamente “a revelação dos filhos de Deus”, que resultará em eles ‘serem libertos da escravização à corrupção e terem a liberdade gloriosa dos filhos de Deus’. — Romanos 8:19-21.
‘Ungidos Para Pregar’
2, 3. (a) Quem são os “filhos de Deus”? (b) Que maravilhosa posição usufruem, acarretando que responsabilidade?
2 Quem são esses “filhos de Deus”? São os irmãos de Jesus, ungidos com o espírito, que serão governantes com ele no Reino celestial. Os primeiros deles surgiram no primeiro século EC. Aceitaram a verdade libertadora ensinada por Jesus, e a partir de Pentecostes de 33 EC, participaram dos gloriosos privilégios mencionados por Pedro quando lhes escreveu: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial’.” — 1 Pedro 2:9a; João 8:32.
3 Ser propriedade especial de Deus — que bênção maravilhosa! E o atual restante desses filhos ungidos de Deus usufrui perante Deus a mesma condição bendita. No entanto, esse elevado privilégio acarreta responsabilidades. Pedro chamou atenção para uma delas ao prosseguir, dizendo: “‘[É preciso] que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” — 1 Pedro 2:9b.
4. Como cumprem os cristãos ungidos com a responsabilidade que sua liberdade cristã acarreta?
4 Será que os cristãos ungidos se têm desincumbido desta responsabilidade de divulgar as excelências de Deus? Sim. Isaías, falando profeticamente a respeito dos ungidos desde 1919, disse: “O espírito do Soberano Senhor Jeová está sobre mim, visto que Jeová me ungiu para anunciar boas novas aos mansos. Enviou-me para pensar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos que foram levados cativos e ampla abertura dos olhos aos próprios presos; para proclamar o ano de boa vontade da parte de Jeová e o dia de vingança da parte de nosso Deus.” (Isaías 61:1, 2) Atualmente, os do restante ungido, que seguem o exemplo de Jesus, a quem este texto se aplicava principalmente, proclamam com zelo a outros as boas novas da liberdade. — Mateus 4:23-25; Lucas 4:14-21.
5, 6. (a) O que tem resultado da pregação entusiástica feita pelos cristãos ungidos? (b) Que privilégios e responsabilidades têm os da grande multidão?
5 Em resultado da sua entusiástica pregação, tem surgido nestes últimos dias, no cenário do mundo, uma grande multidão de outras ovelhas. Estas pessoas têm saído de todas as nações para se juntar aos ungidos em servir a Jeová, e a verdade também as libertou. (Zacarias 8:23; João 10:16) Iguais a Abraão, são declaradas justas à base da fé e entraram numa relação íntima com Jeová Deus. E iguais a Raabe, serem declaradas justas as habilita a sobreviver — no caso delas, a sobreviver ao Armagedom. (Tiago 2:23-25; Revelação [Apocalipse] 16:14, 16) Mas estes elevados privilégios acarretam também a responsabilidade de falar a outros sobre a glória de Deus. Foi por isso que João as viu louvar publicamente a Jeová, “[gritando] com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’” — Revelação 7:9, 10, 14.
6 No ano passado, os desta grande multidão, que ascendem agora a mais de quatro milhões, junto com o pequeno grupo remanescente de cristãos ungidos, gastaram quase um bilhão de horas divulgando as excelências de Jeová. Este foi o melhor uso possível da sua liberdade espiritual.
“Dai Honra ao Rei”
7, 8. Que responsabilidade para com a autoridade secular acarreta a liberdade cristã, e neste respeito, que atitude errada devemos evitar?
7 Nossa liberdade cristã acarreta outras responsabilidades. Pedro salientou algumas quando escreveu: “Honrai a homens de toda sorte, tende amor à associação inteira dos irmãos, tende temor de Deus, dai honra ao rei.” (1 Pedro 2:17) O que está envolvido na expressão “dai honra ao rei”?
8 O “rei” representa governantes seculares. Atualmente, desenvolveu-se no mundo um espírito de desrespeito pela autoridade, e este pode facilmente afetar os cristãos. O cristão talvez até se pergunte por que deve honrar o “rei”, visto que “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”. (1 João 5:19) Em vista destas palavras, talvez ache que pode desobedecer a leis inconvenientes e não pagar impostos, se puder safar-se com isso. Mas assim violaria a ordem expressa de Jesus, de ‘pagar de volta a César as coisas de César’. Na realidade, significaria ‘usar a liberdade como disfarce para a maldade’. — Mateus 22:21; 1 Pedro 2:16.
9. Quais são dois bons motivos para se obedecer à autoridade secular?
9 Os cristãos têm a obrigação de honrar a autoridade e de estar sujeitos a ela — embora em sentido relativo. (Atos 5:29) Por quê? Pedro apresenta em 1 Pedro 2:14, 15 três motivos disso, ao dizer que os governantes são “enviados por [Deus] para infligir punição a malfeitores, mas para louvar os que fazem o bem”. O medo da punição já é motivo suficiente para se obedecer à autoridade. Que desgraça seria se uma Testemunha de Jeová fosse multada ou encarcerada por assalto, furto ou outro crime! Imagine como alguns se deleitariam em divulgar uma coisa dessas! Por outro lado, ao passo que criamos a reputação de obediência civil, somos louvados por administradores imparciais. Podemos até receber mais liberdade para fazer a nossa obra de pregação das boas novas. Além disso, ‘por fazer o bem, açaimamos a conversa ignorante dos homens desarrazoados’. (1 Pedro 2:15b) Este é o segundo motivo para obedecermos à autoridade. — Romanos 13:3.
10. Qual é o motivo mais forte para se obedecer à autoridade secular?
10 No entanto, há um motivo ainda maior. As autoridades existem pela permissão de Jeová. Conforme Pedro diz, os governantes políticos são “enviados por” Jeová, e é “a vontade de Deus” que os cristãos continuem sujeitos a elas. (1 Pedro 2:15a) De modo similar, o apóstolo Paulo diz: “As autoridades existentes acham-se colocadas por Deus nas suas posições relativas.” Portanto, nossa consciência treinada pela Bíblia nos induz a obedecer às autoridades. Se recusássemos sujeitar-nos a elas, teríamos “tomado posição contra o arranjo de Deus”. (Romanos 13:1, 2, 5) Quem de nós estaria disposto a tomar posição contra o arranjo de Deus? Que mau uso da liberdade cristã isso seria!
‘Tende Amor aos Irmãos’
11, 12. (a) Que responsabilidade para com concrentes acarreta nossa liberdade cristã? (b) Especialmente quem merece nossa amorosa consideração, e por quê?
11 Pedro disse também que os cristãos devem ter “amor à associação inteira dos irmãos”. (1 Pedro 2:17) Esta é outra responsabilidade associada com a liberdade cristã. A maioria de nós pertence a uma congregação. De fato, todos pertencemos à associação ou organização internacional de irmãos. Mostrar amor a tais é fazer uso sábio da nossa liberdade. — João 15:12, 13.
12 O apóstolo Paulo destacou um grupo de cristãos que merece nosso amor de forma especial. Ele disse: “Sede obedientes aos que tomam a dianteira entre vós e sede submissos, pois vigiam sobre as vossas almas como quem há de prestar contas; para que façam isso com alegria e não com suspiros, porque isso vos seria prejudicial.” (Hebreus 13:17) Os que tomam a dianteira na congregação são os anciãos. É verdade que esses homens não são perfeitos. Não obstante, são nomeados sob a supervisão do Corpo Governante. Tomam a dianteira por dar exemplo e mostrar consideração, e são designados para vigiar sobre as nossas almas. Que pesada responsabilidade! (Hebreus 13:7) Felizmente, a maioria das congregações tem um excelente espírito cooperativo, e é para os anciãos uma alegria cooperar com elas. É mais difícil quando alguém não quer cooperar. O ancião ainda assim faz o seu trabalho, mas, conforme diz Paulo, faz isso “com suspiros”. Nós certamente não queremos fazer os anciãos suspirar! Queremos que tenham alegria no seu trabalho, para que nos possam edificar!
13. Quais são algumas maneiras em que podemos cooperar com os anciãos?
13 Quais são algumas das maneiras em que podemos cooperar com os anciãos? Uma delas é ajudar na manutenção e limpeza do Salão do Reino. Outra é cooperar na obra de visitar os doentes e ajudar os incapacitados. Além disso, podemos esforçar-nos a continuar espiritualmente fortes, para que não nos tornemos um fardo. Um campo importante de cooperação é conservar a pureza moral e espiritual da congregação, tanto por nossa própria conduta, como por relatarmos os casos de grave pecado que vêm à nossa atenção.
14. Como devemos cooperar com os anciãos em casos de ação disciplinar?
14 Às vezes, para manter a congregação pura, os anciãos têm de desassociar um transgressor impenitente. (1 Coríntios 5:1-5) Isto protege a congregação. Pode também ajudar ao transgressor. Freqüentemente, tal disciplina tem contribuído para fazer o pecador cair em si. O que se dá, porém, quando o desassociado é amigo íntimo ou parente nosso? Suponhamos que essa pessoa seja o pai ou a mãe, ou o filho ou a filha. Respeitamos, apesar disso, a ação tomada pelos anciãos? É verdade que isso pode ser difícil. Mas que mau uso da nossa liberdade seria se questionássemos a decisão dos anciãos e continuássemos a associar-nos espiritualmente com aquele que mostrou ser uma influência corrompedora na congregação! (2 João 10, 11) O povo de Jeová, como um todo, merece ser elogiado pela maneira em que coopera em tais assuntos. Em resultado disso, a organização de Jeová continua imaculada neste mundo impuro. — Tiago 1:27.
15. Quando alguém comete um pecado grave, o que devia ele fazer imediatamente?
15 O que se daria se nós cometêssemos um pecado grave? O Rei Davi descreveu aqueles que Jeová favorece, ao dizer: “Quem pode subir ao monte de Jeová e quem pode levantar-se no seu lugar santo? O de mãos inocentes e de coração limpo, que não levou Minha alma à mera futilidade, nem fez um juramento enganoso.” (Salmo 24:3, 4) Se nós, por algum motivo, não mais estivermos “de mãos inocentes e de coração limpo”, teremos de agir depressa. Nossa vida eterna está em perigo.
16, 17. Por que não deve o culpado de pecados graves tentar resolver o assunto por conta própria?
16 Alguns têm tentado ocultar pecados graves, talvez raciocinando: ‘Já fiz confissão a Jeová e me arrependi. Assim, por que envolver os anciãos?’ O transgressor talvez se sinta embaraçado ou temeroso do que os anciãos possam fazer. No entanto, devia lembrar-se de que, embora só Jeová possa apagar nossos pecados, Ele tornou os anciãos os primariamente responsáveis pela pureza da congregação. (Salmo 51:2) Eles existem para a cura, para “o reajustamento dos santos”. (Efésios 4:12) Não nos dirigirmos a eles quando necessitamos de ajuda espiritual é como não ir ao médico quando estamos doentes.
17 Alguns dos que procuram resolver sozinhos tais questões verificam meses ou anos depois que sua consciência ainda os perturba seriamente. Pior ainda, outros dos que ocultam um erro grave caem no pecado pela segunda e mesmo pela terceira vez. Quando o assunto finalmente chega à atenção dos anciãos, o caso é de transgressão repetida. Quanto melhor é seguir o conselho de Tiago! Ele escreveu: “Há alguém doente entre vós? Chame a si os anciãos da congregação, e orem sobre ele, untando-o com óleo em nome de Jeová.” (Tiago 5:14) Dirija-se aos anciãos enquanto ainda há tempo para a cura. Se esperássemos demais, poderíamos tornar-nos empedernidos no proceder do pecado. — Eclesiastes 3:3; Isaías 32:1, 2.
Aparência e Recreação
18, 19. Por que certo sacerdote fez um comentário favorável sobre as Testemunhas de Jeová?
18 Há cinco anos, numa revista paroquial, um sacerdote católico na Itália falou com apreço das Testemunhas de Jeová.a Ele disse: “Eu, pessoalmente, gosto das Testemunhas de Jeová; admito isso francamente. . . . Aquelas que eu conheço têm maneiras impecáveis, são afáveis . . . [e] bem persuasivas. Quando é que vamos compreender que a verdade precisa duma apresentação aceitável? Que os que anunciam a verdade não precisam ser indecisos, malcheirosos, desgrenhados, desleixados?”
19 Segundo estas palavras, o sacerdote ficou impressionado, entre outras coisas, com o modo de as Testemunhas se vestirem e apresentarem. É óbvio que aqueles que ele conheceu tinham acatado o conselho dado pelo “escravo fiel e discreto” no decorrer dos anos. (Mateus 24:45) A Bíblia diz que a vestimenta das mulheres deve ser ‘bem arrumada e modesta’. (1 Timóteo 2:9) Nestes tempos decadentes, este conselho também é necessário para os homens. Não é lógico que representantes do Reino de Deus se apresentem de modo decente aos de fora?
20. Por que deve o cristão sempre estar cônscio de como se veste?
20 Alguns talvez concordem que, nas reuniões e no serviço de campo, devem ter cuidado de como se vestem, mas talvez achem que os princípios bíblicos não se aplicam em outras ocasiões. No entanto, será que alguma vez deixamos de ser representantes do Reino de Deus? É verdade que as circunstâncias variam. Quando ajudamos na construção dum Salão do Reino, nós nos vestimos de modo diferente de quando assistimos a uma reunião naquele mesmo Salão do Reino. Quando estamos de folga, provavelmente nos vestimos de modo mais descontraído. Mas, sempre que somos vistos por outros, nossa roupa deve ser bem arrumada e modesta.
21, 22. Como fomos protegidos contra recreações prejudiciais, e como devemos encarar os conselhos sobre estes assuntos?
21 Outro campo que recebe muita atenção é a recreação. Os humanos — especialmente os jovens — precisam de recreação. Não é pecado, nem perda de tempo, programar descontração para a família. Até mesmo Jesus convidou seus discípulos a ‘descansar um pouco’. (Marcos 6:31) Mas tenha cuidado para que a recreação não abra a porta para uma contaminação espiritual. Vivemos num mundo em que a recreação destaca a imoralidade sexual, a crassa violência, o horror e o espiritismo. (2 Timóteo 3:3; Revelação 22:15) O escravo fiel e discreto está atento a tais perigos, e constantemente nos avisa contra eles. Acha que estes lembretes infringem a sua liberdade? Ou é grato que a organização de Jeová se interessa o bastante em você para trazer-lhe constantemente à atenção esses perigos? — Salmo 19:7; 119:95.
22 Nunca se esqueça de que, embora nossa liberdade proceda de Jeová, somos responsáveis pela maneira que a usamos. Se desconsiderarmos bons conselhos e fizermos decisões erradas, não poderemos lançar a culpa em outros. O apóstolo Paulo diz: “Cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.” — Romanos 14:12; Hebreus 4:13.
Esteja na Expectativa da Liberdade dos Filhos de Deus
23. (a) Que bênçãos usufruímos agora quanto à liberdade? (b) Que bênçãos aguardamos com grande expectativa?
23 Somos deveras um povo abençoado. Estamos livres da religião falsa e da superstição. Graças ao sacrifício resgatador, podemos chegar-nos a Jeová com uma consciência purificada, espiritualmente livres da escravização ao pecado e à morte. E em breve virá “a revelação dos filhos de Deus”. No Armagedom, os irmãos de Jesus, na glória celestial deles, serão revelados aos humanos como destruidores dos inimigos de Jeová. (Romanos 8:19; 2 Tessalonicenses 1:6-8; Revelação 2:26, 27) Depois, esses filhos de Deus serão revelados como canais das bênçãos que fluirão do trono de Deus para a humanidade. (Revelação 22:1-5) Por fim, esta revelação dos filhos de Deus resultará na bênção da humanidade fiel com a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Anseia você este tempo? Então use sabiamente a sua liberdade cristã. Trabalhe agora como escravo para Deus, e usufruirá aquela maravilhosa liberdade por toda a eternidade!
[Nota(s) de rodapé]
a O sacerdote, mais tarde, retratou-se deste elogio, aparentemente sob pressão.
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