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  • Motivado pela lealdade de minha família a Deus

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  • Motivado pela lealdade de minha família a Deus
  • Despertai! — 1998
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  • A prova de papai
  • A tristeza de mamãe
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Despertai! — 1998
g98 22/2 pp. 12-17

Motivado pela lealdade de minha família a Deus

CONFORME NARRADO POR HORST HENSCHEL

“Se receber esta carta, alegre-se de saber que perseverei até o fim. Daqui a duas horas serei executado.” Essas foram as palavras iniciais da última carta que recebi de meu pai. Em 10 de maio de 1944, ele foi executado por se recusar a servir no exército de Hitler. Sua lealdade a Deus, bem como a lealdade de mamãe e de minha irmã Elfriede, teve uma profunda influência em minha vida.

EM 1932, por volta da época em que nasci, meu pai começou a ler as publicações das Testemunhas de Jeová. Entre outras coisas, ele via a hipocrisia do clero. Em resultado disso, ele havia perdido todo o interesse nas religiões.

Logo após o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, papai foi convocado para servir no exército alemão. “De acordo com a Bíblia, eu não devia ir”, disse ele à minha mãe. “Esse negócio de matar não está certo.”

“Se você não for, eles vão matá-lo”, replicou ela. “E então o que vai ser de mim e de nossos filhos?” Foi assim que papai se tornou soldado.

Mais tarde minha mãe, que até então não havia estudado a Bíblia, procurou contatar as Testemunhas de Jeová, algo muito arriscado na época. Ela encontrou Dora, cujo marido estava num campo de concentração por causa de sua fé. Dora deu a minha mãe uma revista A Sentinela, mas avisou: “Não se esqueça de que se a Gestapo (polícia secreta) descobrir que lhe dei isso, eles podem me matar.”

Posteriormente, mamãe recebeu mais publicações das Testemunhas de Jeová e começou a apreciar as verdades bíblicas que elas continham. Com o tempo, Max Ruebsam, da vizinha Dresden, veio visitar-nos em casa, em Meissen. Ele estudou a Bíblia conosco correndo um grande risco. De fato, não muito tempo depois, ele foi preso.

Mediante o estudo da Bíblia, mamãe desenvolveu fé em Jeová e dedicou sua vida a ele, simbolizando isso pelo batismo em água, em maio de 1943. Eu e papai fomos batizados alguns meses mais tarde. Elfriede, minha irmã de 20 anos que trabalhava em Dresden, também se batizou por volta da mesma época. Assim, bem no meio da Segunda Guerra Mundial, nós quatro dedicamos nossas vidas a Jeová. Em 1943 nasceu Renate, a filha caçula.

Perseguidos por causa da fé

Antes de ser batizado, saí do movimento da Juventude Hitlerista. Quando eu me recusava a fazer a saudação hitlerista, que era uma exigência diária na escola, apanhava dos professores. Mas eu me alegrava de ter permanecido fiel, graças ao encorajamento recebido de meus pais.

Porém às vezes, por causa da punição física ou por medo, eu dizia “Heil Hitler!”. Quando isso acontecia, voltava para casa com os olhos cheios de lágrimas, e meus pais oravam comigo para que da próxima vez eu tivesse coragem de resistir aos ataques do inimigo. Não foi só uma vez que, por medo, deixei de fazer o que era correto, mas Jeová nunca me abandonou.

Certo dia, a Gestapo veio e vasculhou nossa casa. “A senhora é Testemunha de Jeová?”, perguntou um agente da Gestapo à minha mãe. Eu me lembro como se fosse hoje como ela, apoiando-se no batente da porta, disse com firmeza: “Sou”, embora soubesse que acabaria sendo presa por isso.

Duas semanas depois mamãe estava cuidando de Renate, que ainda nem tinha um ano de idade, quando a Gestapo veio prendê-la. Mamãe protestou: “Eu estou apenas dando de comer ao bebê!” Mas a mulher que veio com o policial tomou o bebê das mãos de mamãe e ordenou: “Apronte-se! A senhora tem de ir.” Certamente não foi nada fácil para mamãe ter de nos deixar.

Visto que papai ainda não havia sido preso, ele ficou cuidando de mim e de minha irmãzinha. Certa manhã, cerca de duas semanas depois de mamãe ter sido levada embora, dei um abraço bem forte em papai antes de ir para a escola. Naquele dia papai foi preso por recusar-se a retornar para servir no exército. De modo que quando voltei da escola naquela tarde, ele não estava mais em casa, e nunca mais o vi.

Eu e minha irmãzinha ficamos aos cuidados de nossos avós e outros parentes, que não gostavam das Testemunhas de Jeová e alguns eram até membros do partido nazista. Eles não me deixavam ler a Bíblia. Mas depois de adquirir uma Bíblia às escondidas, de uma vizinha, eu a lia. Eu também fazia orações ajoelhado junto à cama de minha irmãzinha.

No ínterim, minha irmã Elfriede havia passado por muitas provas de fé. Ela se recusara a continuar trabalhando numa fábrica de munições em Dresden, mas conseguira um emprego de cuidar de parques e jardins em Meissen. Quando se dirigia ao escritório para receber o pagamento, ela se recusava a usar a saudação “Heil Hitler!”. Com o tempo, ela também foi presa.

Tragicamente, Elfriede contraiu difteria e escarlatina, e morreu poucas semanas depois de ter sido presa. Tinha apenas 21 anos. Em uma de suas últimas cartas, ela citou Lucas 17:10: “Quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.’” Sua lealdade a Deus tem sido uma constante fonte de encorajamento para mim. — Colossenses 4:11.

A prova de papai

Durante a prisão de meu pai, meu avô materno fez-lhe uma visita para tentar fazê-lo mudar de idéia. Papai foi colocado diante dele com as mãos e os pés acorrentados. Ele rejeitou com firmeza a sugestão de que devia servir no exército por causa dos filhos. Um dos guardas da prisão disse ao vovô: “Mesmo que esse homem tivesse dez filhos, ele não ia agir diferente.”

Vovô voltou para casa furioso. “Ele é um criminoso!”, gritou. “Um imprestável! Como pode abandonar os próprios filhos?” Embora vovô estivesse zangado, eu fiquei feliz de saber que papai permanecia fiel.

Por fim, papai foi sentenciado à morte e decapitado. Algum tempo depois, recebi dele aquela última carta. Ele escreveu para mim porque não sabia onde mamãe estava presa. Fui para o meu quarto no sótão e li aquelas primeiras palavras citadas no início do artigo. Fiquei triste e chorei, mas estava feliz de saber que ele tinha permanecido fiel a Jeová.

A tristeza de mamãe

Mamãe havia sido mandada para uma prisão no sul da Alemanha para aguardar o julgamento. Certo dia um guarda entrou na sua cela e disse em tom amistoso que ela permanecesse sentada. Mas mamãe se levantou e disse: “Sei que meu marido foi morto.” Mais tarde entregaram-lhe as roupas de papai manchadas de sangue, uma prova silenciosa de que fora torturado antes de ser morto.

Em outra ocasião, mamãe foi chamada ao escritório da prisão e lhe disseram de forma abrupta: “Sua filha morreu numa prisão. Como quer que ela seja enterrada?” A notícia foi tão súbita e inesperada que mamãe no início nem sabia o que dizer. Mas a sua forte fé em Jeová a sustentou.

Meus parentes, de modo geral, cuidavam bem de mim e de minha irmãzinha. Eles nos tratavam muito bem. Um deles até chegou a conversar com meus professores e pediu-lhes que tivessem paciência comigo. Assim os professores também ficaram muito amigáveis e não me castigavam quando eu não os cumprimentava com um “Heil Hitler!”. Mas toda aquela bondade tinha por objetivo me demover de minhas convicções baseadas na Bíblia. E, lamento dizer que, até certo ponto, eles conseguiram o que queriam.

Apenas alguns meses antes de terminar a guerra em maio de 1945, fui voluntariamente a alguns ofícios da organização Juventude Nazista. Escrevi à minha mãe sobre isso e, pelas minhas cartas, ela achou que eu havia abandonado meu objetivo de servir a Jeová. Mais tarde, ela disse que aquelas cartas a deixaram mais arrasada do que as notícias da morte de papai e de Elfriede.

Logo depois, a guerra terminou, e mamãe saiu da prisão. Com a ajuda dela recuperei o equilíbrio espiritual.

Início do ministério de tempo integral

Em fins de 1949, quatro anos depois de terminar a Segunda Guerra Mundial, um superintendente viajante fez uma consideração do texto bíblico de Malaquias 3:10: “‘Trazei todas as décimas partes à casa do depósito para que venha a haver alimento na minha casa; e experimentai-me, por favor, neste respeito’, disse Jeová dos exércitos.” Aquilo me motivou a fazer uma petição para o serviço de pregação por tempo integral. Assim, em 1.º de janeiro de 1950, tornei-me pioneiro, como são chamados os ministros de tempo integral. Mais tarde mudei-me para Spremberg, onde havia mais necessidade de pioneiros.

Em agosto daquele ano, fui convidado para servir na filial das Testemunhas de Jeová em Magdeburgo, Alemanha Oriental. Mas apenas dois dias depois da minha chegada, em 31 de agosto, policiais entraram correndo em nossa propriedade, dizendo que havia criminosos escondidos ali.

A maioria das Testemunhas foram presas, mas eu consegui fugir e viajar para Berlim Ocidental, onde havia um escritório da Watch Tower. Ali, contei o que havia acontecido em Magdeburgo. Ao mesmo tempo, fui informado de que muitas Testemunhas estavam sendo presas na Alemanha Oriental. De fato, fiquei sabendo que a polícia estava à minha procura lá em Spremberg!

Detido e preso

Fui designado para ser pioneiro em Berlim Oriental. Alguns meses depois, quando servia de correio para levar publicações bíblicas de Berlim Ocidental para a Alemanha Oriental, fui detido e levado para a cidade de Cottbus, onde fui julgado e sentenciado a 12 anos de prisão.

Entre outras coisas, fui acusado de fomentar guerra. Ao ser julgado, eu disse no meu depoimento final: “Como posso eu, uma Testemunha de Jeová, ser condenado como fomentador de guerra quando meu pai se recusou a participar na guerra por ser Testemunha de Jeová, e foi decapitado por isso?” Mas, naturalmente, eles não estavam interessados na verdade.

Aos 19 anos, não foi fácil para mim aceitar a idéia de ficar na prisão por 12 anos. Mas eu sabia que muitos outros haviam recebido sentenças similares. Às vezes, as autoridades separavam as Testemunhas; mas quando faziam isso, falávamos sobre as verdades da Bíblia com outros presos, e alguns deles se tornaram Testemunhas de Jeová.

Outras vezes, as Testemunhas eram mantidas no mesmo bloco de celas. Nessas ocasiões nos concentrávamos em aumentar nosso conhecimento da Bíblia. Decorávamos capítulos da Bíblia e tentávamos memorizar até mesmo livros inteiros da Bíblia. Estabelecíamos certos alvos para nós quanto ao que fazer e o que aprender a cada dia. Às vezes ficávamos tão ocupados que dizíamos uns aos outros: “Não temos tempo”, embora estivéssemos passando o dia todo na cela sem nenhuma designação de trabalho.

Os interrogatórios da polícia secreta eram às vezes extenuantes. Podiam continuar dia e noite, com todo o tipo de ameaças. Certa vez, fiquei tão exausto e desanimado, que quase nem conseguia orar. Depois de dois ou três dias, sem nenhuma razão específica, removi da parede de minha cela um pedaço de papelão onde estavam escritos os regulamentos da prisão. Quando o virei, vi que tinha algo escrito no verso. Segurando-o contra o pouco de luz disponível, vi as palavras: “Não temais quem mata o corpo” e “Qual menina do meu olho, guardarei quem for fiel”. Essas palavras são agora parte do cântico número 27 do cancioneiro atual das Testemunhas de Jeová!

Evidentemente, outro irmão na mesma situação estivera naquela cela, e Jeová Deus o fortaleceu. Imediatamente recuperei a força espiritual e agradeci a Jeová pelo encorajamento. Jamais quero esquecer essa lição, pois me ensinou que, embora não possa ser bem-sucedido em minhas próprias forças, com a ajuda de Jeová Deus, nada é impossível.

Minha mãe havia se mudado para a Alemanha Ocidental, de modo que eu não tinha nenhum contato com ela na época. Mas havia Hanna, que crescera na mesma congregação que eu e era muito achegada à nossa família. Ela me visitava durante todos aqueles anos que eu estava na prisão, me escrevia cartas de encorajamento e me mandava alimentos de que tanto necessitava. Casei-me com ela quando fui libertado da prisão em 1957, depois de ter cumprido 6 anos da minha sentença de 12.

Como minha querida esposa, Hanna tem servido fielmente ao meu lado em várias designações e sempre me tem dado grande apoio. Somente Jeová Deus poderá recompensá-la devidamente por tudo o que ela tem feito por mim no decorrer dos anos que temos passado juntos no serviço de tempo integral.

Ministério após sair da prisão

Eu e Hanna começamos o ministério de tempo integral juntos, no escritório então mantido pela Watch Tower em Berlim Ocidental. Fui designado para servir na construção como carpinteiro. Mais tarde começamos a trabalhar como pioneiros em Berlim Ocidental.

Willi Pohl, que na época supervisionava a obra em Berlim Ocidental, me incentivou a continuar a estudar inglês. “Não tenho tempo”, disse eu. Mas como foi bom acatar sua sugestão de continuar a estudar inglês! Em resultado disso, em 1962, fui convidado para um curso de dez meses como parte da 37.ª turma da Escola de Gileade, em Brooklyn, Nova York. Depois de voltar à Alemanha em 2 de dezembro de 1962, eu e Hanna passamos 16 anos no serviço de viajante, visitando congregações em toda a Alemanha. Daí, em 1978, fomos convidados a servir na filial em Wiesbaden. Quando a filial se mudou para os novos prédios em Selters, em meados da década de 80, servimos ali por vários anos.

Valioso privilégio de serviço

Em 1989, ocorreu algo totalmente inesperado — a queda do Muro de Berlim, que significou a liberdade de adoração para as Testemunhas de Jeová em países da Europa Oriental. Em 1992, eu e Hanna fomos convidados para Lviv, na Ucrânia, para ajudar o crescente número de publicadores do Reino naquela área.

No ano seguinte, fomos convidados a ir para a Rússia a fim de ajudar a organizar a obra do Reino naquele país. Em Solnechnoye, um povoado que fica a uns 40 quilômetros de São Petersburgo, estabeleceu-se um escritório para cuidar da atividade de pregação na Rússia e na maioria das outras repúblicas da ex-União Soviética. Quando chegamos, já havia começado a construção de prédios residenciais e de um grande complexo de escritórios e depósito de publicações.

Nosso coração transbordou de alegria por ocasião da dedicação dos novos prédios da filial, em 21 de junho de 1997. Um total de 1.492 pessoas, procedentes de 42 países, se reuniram em Solnechnoye para assistir ao programa especial de dedicação. No dia seguinte uma multidão de mais de 8.400 pessoas lotaram o Estádio Petrovsky, de São Petersburgo, para ouvir um resumo do programa de dedicação bem como relatórios encorajadores de visitantes de outros países.

Que maravilhosos aumentos têm havido nas 15 repúblicas da ex-União Soviética! Em 1946, havia cerca de 4.800 proclamadores do Reino ativos em todo aquele território. Quase 40 anos depois, em 1985, o número havia subido para 26.905. Hoje, há mais de 125.000 proclamadores do Reino nas dez repúblicas da ex-União Soviética sob a supervisão da filial aqui em Sonechnoye, e mais de 100.000 estão pregando nas outras cinco repúblicas! Como ficamos emocionados de saber que, nas 15 repúblicas da ex-União Soviética, mais de 600.000 pessoas assistiram à Comemoração da morte de Cristo em março do ano passado!

Fico maravilhado de ver a grandiosa orientação de Jeová Deus em ajuntar e organizar seu povo nestes “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1) Como diz o salmista bíblico, Jeová dá aos seus servos perspicácia, os instrui no caminho em que devem andar, e os aconselha com o olho fixo neles. (Salmo 32:8) Para mim, é um privilégio pertencer à organização internacional do povo de Jeová!

[Foto na página 13]

Com minhas duas irmãs, em 1943

[Foto na página 14]

Papai foi decapitado

[Foto na página 14]

Mamãe me ajudou a recuperar o equilíbrio espiritual

[Foto na página 15]

Com minha esposa, Hanna

[Foto na página 16]

No discurso de dedicação no Salão do Reino da filial da Rússia

[Fotos na página 17]

O pátio, e as janelas do refeitório, de nossa filial na Rússia

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