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  • A abundante bondade de Jeová
    A Sentinela — 1991 | 15 de agosto
    • A abundante bondade de Jeová

      “Quão abundante é a tua bondade que entesouraste para os que te temem!” — SALMO 31:19.

      1, 2. (a) Que tremenda obra empreendeu Jeová algum tempo no passado distante? (b) Como descreveu Jeová o resultado de suas atividades criativas?

      HOUVE um tempo em que Deus começou a criar ‘os céus como Seu trono e a terra como Seu escabelo’. (Isaías 66:1) O registro divino não revela quando isto aconteceu. Diz simplesmente: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) Durante o período da criação foram formados incontáveis milhões de galáxias, muitas delas contendo bilhões de estrelas. Perto da beirada de uma dessas galáxias havia uma estrela radiante em torno da qual orbitavam muitos relativamente pequenos corpos celestes sem luz. Um deles veio a ser chamado de Terra. Em comparação com as grandes e luminosas estrelas, a Terra era insignificante. Não obstante, era ela que Jeová queria que fosse seu escabelo.

      2 Jeová passou então a direcionar as suas habilidades criativas ao planeta Terra. “O primogênito de toda a criação” estava ao seu lado como Mestre-de-Obras ao passo que essa pequena e escura massa era transformada no decorrer de seis longos “dias” criativos. Tornou-se, simbolicamente, uma adequada base de apoio para os pés de Deus. (Colossenses 1:15; Êxodo 20:11; Provérbios 8:30) Foi ali que Deus se propôs a colocar uma nova forma de vida inteligente: a humanidade. O primeiro casal humano, criado a partir de elementos encontrados no solo, foi colocado num lugar aprazível e paradísico. (Gênesis 1:26, 27; 2:7, 8) O resultado final desse notável ato de criação foi tão perfeito, tão belo, que a Bíblia revela o que Deus achava pela manhã — a parte final — do sexto dia criativo: “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” — Gênesis 1:31.

      A Bondade de Deus

      3. Que notável qualidade de Deus se revela na criação?

      3 Milhares de anos mais tarde, um descendente daquele primeiro casal humano remontou à época da criação e escreveu: ‘As qualidades invisíveis [de Deus] são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade.’ (Romanos 1:20) Sim, a superlativa excelência da Terra e das criaturas que nela viviam era deveras um maravilhoso reflexo das qualidades invisíveis de Deus — não menos importante entre elas sendo a sua abundante bondade. Quão apropriado, então, que Deus proclamasse que tudo o que ele criara era bom! — Salmo 31:19.

      4, 5. O que é bondade?

      4 A bondade é o sexto dos frutos do espírito de Deus mencionados pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5:22. Artigos anteriores na revista A Sentinela consideraram os primeiros cinco frutos do espírito, mostrando a importância destes no cultivo de uma personalidade cristã madura.a Mas, quão vital é que não nos esqueçamos da bondade! Apropriadamente, voltaremos então a nossa atenção para essa qualidade.

      5 O que é bondade? É a qualidade ou condição de ser bom. É excelência moral, virtude. Portanto, é uma qualidade positiva que se expressa na realização de atos bons e benéficos em favor de outros. Como podemos demonstrar essa cativante qualidade? Basicamente, por imitarmos a Jeová. Portanto, antes de entrarmos em pormenores sobre como nós quais cristãos individualmente podemos manifestar a bondade, examinemos a bondade que o nosso amoroso Deus, Jeová, tem demonstrado nos seus tratos e cuidados com a família humana.

      Bondade Manifestada na Criação

      6. O que levou Jeová a criar outras formas de vida inteligentes?

      6 O que foi que originalmente levou nosso Pai celestial a compartilhar seu usufruto da vida com criaturas vivas inteligentes? O apóstolo João responde a esta pergunta, quando diz: “Deus é amor.” (1 João 4:8) Sim, o amor altruísta induziu a grande Fonte da vida a criar outras formas de vida, providenciando para algumas delas um lar celestial e, para outras, um lar terrestre. Naturalmente, pouco sabemos sobre que aspecto tem o céu ou as criaturas celestiais. Estas são espíritos — invisíveis a olhos humanos — e seu lar é no domínio espiritual. Mas, observe o lar terrestre à sua volta, que Jeová preparou para seus filhos humanos. E considere a própria humanidade. Passará então a ver, com os seus próprios olhos, poderosas evidências da bondade de Deus.

      7-9. Como se manifesta a bondade de Deus na maneira em que ele criou a terra e o homem?

      7 Jeová deu a vida aos nossos primeiros pais. Mais ainda, tornou possível que a vida fosse muitíssimo agradável, deleitosa. Para começar, ele criou o lar deles, a terra, com rotação, limites de temperatura e atmosfera plenamente adequados às necessidades. Pôs em operação ciclos de água, nitrogênio e oxigênio que funcionavam com perfeição para o benefício e bem-estar dos humanos. Cobriu a superfície da terra com milhares de tipos de vegetação, alguns deles para servirem de alimento para o homem e outros que, de modo especial, deleitam os olhos. Povoou os céus com aves que proporcionam muito prazer com as suas cores e cantos. Encheu os mares com enxames de peixes e o solo com muitos tipos de animais, alguns selvagens e outros que podiam ser domesticados. Que prodigiosa generosidade! E que evidência da bondade de coração de Deus! — Salmo 104:24.

      8 Dê uma olhada agora na maneira em que Deus fez o homem. Seus braços, suas pernas e suas mãos são exatamente o que é necessário para que ele mantenha o equilíbrio e se locomova com facilidade. Assim, dos materiais tão abundantes no solo ao seu redor, ele pode obter o alimento e outras coisas de que necessita. Jeová proveu papilas gustativas, de modo que comer e beber não seriam meros atos mecânicos realizados para obter energia — como ligar um aparelho numa tomada elétrica. Não, o comer e o beber foram planejados para dar prazer, pois não apenas enchem o estômago como também estimulam o sentido do paladar. Jeová também dotou o homem de ouvidos e cercou-o de uma infinidade de sons para deleitar tais ouvidos. Quão deleitoso é ouvir o suave murmúrio de um riacho, o arrulho de uma rola ou a risadinha alegre de um bebê! Sim, graças à bondade de Deus, apesar de todas as coisas más que têm acontecido desde a criação, viver ainda é uma alegria.

      9 Considere, também, os nossos outros sentidos. Quantas variadas e deleitosas cores existem para agradar os nossos olhos! E quão satisfatório é sentir a suave fragrância de uma flor! Não é de admirar que o salmista exclamasse a Jeová: “Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos”! — Salmo 139:14.

      A Queda e o Resgate da Humanidade

      10. Maneira a maioria dos humanos têm reagido à bondade de Deus, não obstante, de que modo continuam a beneficiar-se dela?

      10 Infelizmente, com o tempo, os nossos primeiros pais passaram a demonstrar falta de apreço por toda essa bondade de Deus para com eles. Mostraram isso ao desobedecerem as ordens de Jeová e violarem a única restrição que ele lhes impusera. Em resultado, eles e sua prole vieram a conhecer a tristeza, o sofrimento e a morte. (Gênesis 2:16, 17; 3:16-19; Romanos 5:12) Durante todos os milênios que se seguiram àquele ato de desobediência, a maioria dos da humanidade têm sido indiferentes ou faltos de apreço para com a bondade de Deus. Mas, mesmo assim, pessoas ingratas e sem apreço ainda se beneficiam da bondade de Deus. Como? O apóstolo Paulo explicou aos habitantes de Listra, no Oriente Médio: “[Deus] não se deixou sem testemunho, por fazer o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo os vossos corações plenamente de alimento e de bom ânimo.” — Atos 14:17.

      11. De que modo a bondade de Deus vai além de apenas dar à humanidade um deleitoso lar?

      11 A bondade de Deus, porém, não se limita a ele continuar a suprir as deleitosas e vitalizadoras provisões, tão fartas na Terra. Não, ele foi além. Jeová dispôs-se a perdoar os pecados dos descendentes de Adão e a continuar a cultivar relações com os fiéis dentre a humanidade. Este aspecto da bondade de Deus foi trazido à atenção de Moisés quando Jeová prometeu ‘fazer toda a Sua bondade passar diante da face’ de Moisés. Daí Moisés ouviu a declaração: “Jeová, Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares, perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado.” — Êxodo 33:19; 34:6, 7.

      12. Que provisões da Lei mosaica revelam a bondade de Jeová?

      12 Nos dias de Moisés, Jeová estabeleceu um sistema legal para a nova nação de Israel, por meio do qual os pecadores não intencionais podiam obter um provisório, ou simbólico, perdão dos pecados. Por meio do pacto da Lei mediado por Moisés, os israelitas tornaram-se a nação especial de Deus e foram ensinados a oferecer a Jeová vários sacrifícios de animais que fariam expiação pelos seus pecados e atos impuros. Assim, apesar de sua natureza imperfeita, os israelitas arrependidos podiam continuar a aproximar-se de Jeová aceitavelmente, sabendo que a adoração que prestavam o agradava. O Rei Davi, membro dessa nação que estava sob a Lei, revelou estar ciente da bondade de Deus neste respeito: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade e das minhas revoltas. Lembra-te de mim segundo a tua benevolência, por causa da tua bondade, ó Jeová.” — Salmo 25:7.

      13. De que modo providenciou Jeová um meio mais eficaz do que os sacrifícios de animais para o perdão de pecados?

      13 Com o tempo, a bondade de Jeová levou-o a providenciar um meio mais eficaz e permanente de perdoar pecados. Isto seria por meio do sacrifício de Jesus, descendente do Rei Davi. (Mateus 1:6-16; Lucas 3:23-31) Jesus não pecou. Assim, quando morreu, sua vida dada em sacrifício tinha grande valor, e Deus aceitou-a como resgate que podia expiar toda a descendência pecaminosa de Adão. O apóstolo Paulo escreveu: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus. Deus o apresentou como oferta de propiciação por intermédio da fé no seu sangue.” — Romanos 3:23-26.

      14. Por meio do sacrifício de resgate, que maravilhosas esperanças se apresentam para os humanos?

      14 A fé no sacrifício de resgate de Jesus faz muito pelos cristãos, muito mais do que aqueles sacrifícios de animais sob o pacto da Lei faziam pelos israelitas. Resultou em que um limitado número de cristãos fossem declarados justos e adotados pelo espírito de Deus para se tornarem filhos de Deus. Deste modo, tornaram-se irmãos de Jesus e ganharam a esperança de serem ressuscitados como criaturas espirituais para participarem com ele no Seu Reino celestial. (Lucas 22:29, 30; Romanos 8:14-17) Quão espantoso é Deus abrir tais perspectivas celestiais a criaturas que vivem neste minúsculo planeta, a Terra! Há ainda um pequeno grupo remanescente que alimenta essa esperança. Mas, para milhões de outros cristãos, exercer fé no resgate abre o caminho para usufruir o que Adão e Eva perderam — a vida eterna num paraíso, uma terra semelhante a um jardim. O pacto da Lei por si só não podia apresentar aos seus aderentes quaisquer perspectivas futuras, celestiais ou terrestres.

      15. O que incluem as boas novas?

      15 Quão apropriado é que a mensagem a respeito dos novos arranjos que Deus pôs em operação por meio de Jesus Cristo seja chamada de “boas novas”, pois reflete a bondade de Deus. (2 Timóteo 1:9, 10) Na Bíblia, as boas novas às vezes são chamadas de “boas novas do reino”. Hoje, elas centralizam-se na verdade de que o Reino foi estabelecido sob a regência do ressuscitado Jesus. (Mateus 24:14; Revelação [Apocalipse] 11:15; 14:6, 7) Não obstante, as boas novas envolvem mais do que isso. Como as palavras de Paulo a Timóteo há pouco citadas indicam, elas incluem o conhecimento de que Jesus ofereceu um sacrifício de resgate em nosso favor. Sem esse sacrifício, a nossa relação com Deus, a nossa própria salvação — sem se mencionar o Reino de Jesus e 144.000 sacerdotes e reis escolhidos da Terra — não seria possível. Que maravilhosa manifestação da bondade de Deus é o resgate!

      A Bondade de Deus Hoje

      16, 17. De que modo Oséias 3:5 cumpriu-se (a) em 537 AEC? (b) em 1919 EC?

      16 Antevendo os “últimos dias”, o apóstolo Paulo alertou: “Os homens . . . [não terão] amor à bondade.” (2 Timóteo 3:1-3) Até mesmo expressões normais de bondade, tais como a generosidade e a prestimosidade, não seriam prezadas. Quão encorajadora, portanto, é a acalentadora profecia de Oséias 3:5: “Os filhos de Israel voltarão e certamente procurarão a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei; e certamente virão trêmulos a Jeová e à sua bondade, na parte final dos dias.”

      17 Esta profecia teve seu primeiro cumprimento em 537 AEC, quando os judeus, saindo do exílio em Babilônia, retornaram à Terra da Promessa. Nos tempos modernos ela começou a cumprir-se em 1919, quando o restante do Israel espiritual se desvinculou totalmente da organização de Satanás e passou a buscar seriamente a Jeová e a sua bondade. Eles constataram que “Davi, seu rei”, reinava na pessoa de Jesus Cristo no poder celestial desde 1914. Sob a supervisão celestial Dele, aceitaram entusiasticamente a responsabilidade de anunciar essas boas novas às nações. Assim, passaram a cumprir a incumbência registrada em Mateus 24:14: “Estas boas novas do reino [estabelecido] serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.”

      18. Quem aderiu ao restante do Israel espiritual em declarar as boas novas?

      18 Atualmente, o restante dos ungidos recebe a adesão da “grande multidão”, que similarmente aclama a bondade de Jeová. (Revelação 7:9) Hoje, mais de quatro milhões de pessoas ecoam as palavras do anjo que o apóstolo João observou em visão, à medida que anunciam a todas as nações: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque já chegou a hora do julgamento por ele, e assim, adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” — Revelação 14:7.

      19. Cite uma das maiores evidências da bondade de Deus.

      19 Uma das maiores evidências da bondade de Deus é ele permitir-nos colaborar com ele nessa obra culminante. Que privilégio é ter-nos sido confiadas “as gloriosas boas novas do Deus feliz”! (1 Timóteo 1:11) Quando as pregamos ou as ensinamos a outros, manifestamos em elevado grau esse importante fruto do espírito de Deus, a bondade. Temos assim a mesma atitude do antigo servo de Deus, Davi, que disse: “Transbordarão com a menção da abundância da tua bondade, e gritarão de júbilo por causa da tua justiça.” — Salmo 145:7.

      20. Que outras informações sobre a bondade serão consideradas no próximo artigo?

      20 Mas, será que participar na pregação das boas novas é a única maneira de mostrar bondade na nossa vida? De modo algum! Somos incentivados a nos tornar “imitadores de Deus, como filhos amados”. (Efésios 5:1) A bondade de Deus se manifesta de várias maneiras. Assim, a nossa bondade também deve afetar muitos aspectos da nossa vida. Alguns destes serão examinados no próximo artigo.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Os frutos do espírito são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio.

  • Produzamos “toda sorte de bondade”
    A Sentinela — 1991 | 15 de agosto
    • Produzamos “toda sorte de bondade”

      “Os frutos da luz consistem em toda sorte de bondade.” — EFÉSIOS 5:9.

      1, 2. Que dois grupos têm existido desde os tempos antigos, e quão diferente entre si é a situação deles hoje?

      APÓS a rebelião no Éden, cerca de seis mil anos atrás, e de novo após o Dilúvio dos dias de Noé, a humanidade dividiu-se em dois grupos, ou organizações, um deles integrado pelos que se empenhavam em servir a Jeová e o outro pelos que seguiam a Satanás. Ainda existem essas organizações? Certamente que sim! O profeta Isaías mencionou esses dois grupos e predisse qual seria a condição deles em nossa época: “Eis que a própria escuridão cobrirá a terra e densas trevas os grupos nacionais; mas sobre ti raiará Jeová e sobre ti se verá a sua própria glória.” — Isaías 60:1, 2.

      2 Sim, a diferença entre essas duas organizações é tão grande como a diferença entre a luz e a escuridão. E, assim como um raio de luz atrai um homem perdido na escuridão, a luz de Jeová que brilha neste mundo em trevas tem atraído milhões de pessoas sinceras à Sua organização. Como Isaías disse a seguir: “Nações [outras ovelhas] hão de ir à tua luz e reis [herdeiros do Reino ungidos] à claridade do teu raiar.” — Isaías 60:3.

      3. De que maneiras os cristãos irradiam a glória de Jeová?

      3 De que modo os do povo de Jeová irradiam a glória de Jeová? Por um lado, eles pregam as boas novas do estabelecido Reino celestial de Deus. (Marcos 13:10) Mais do que isso, porém, eles imitam a Jeová, o exemplo superlativo de bondade, e, assim, por meio de sua conduta, atraem os mansos à luz. (Efésios 5:1) Paulo disse: “Outrora éreis escuridão, mas agora sois luz em conexão com o Senhor. Prossegui andando como filhos da luz.” Ele prosseguiu: “Os frutos da luz consistem em toda sorte de bondade, e justiça, e verdade. Persisti em certificar-vos do que é aceitável para o Senhor; e cessai de compartilhar com eles nas obras infrutíferas que pertencem à escuridão.” (Efésios 5:8-11) O que quis Paulo dizer com “toda sorte de bondade”?

      4. O que é bondade, e como é ela observada num cristão?

      4 Como mostrou o artigo anterior, bondade é a qualidade ou condição de excelência moral, virtude. Jesus disse que apenas Jeová é bom em sentido absoluto. (Marcos 10:18) Não obstante, o cristão pode imitar a Jeová por cultivar a bondade, que é um dos frutos do espírito. (Gálatas 5:22) Comentando a respeito de a·ga·thós, a palavra grega para “bom”, o Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine (em inglês), diz: “[Ela] designa aquilo que, sendo bom em seu caráter ou constituição, tem efeito benéfico.” Portanto, o cristão que cultiva a bondade tanto será bom como fará o que é bom. (Deuteronômio 12:28) Ao mesmo tempo, evitará as coisas que se opõem à bondade, as “obras infrutíferas que pertencem à escuridão”. “Toda sorte de bondade” a que Paulo se refere são as diferentes maneiras de o cristão demonstrar bondade na sua conduta. Quais são algumas destas?

      “Persiste em Fazer o Bem”

      5. Cite uma sorte de bondade, e por que deve o cristão cultivá-la?

      5 Paulo referiu-se a uma destas na sua carta aos romanos. Falando sobre sujeição às “autoridades superiores”, ele disse: “Queres tu, pois, não ter temor da autoridade? Persiste em fazer o bem, e terás louvor dela.” O “bem” a que ele se refere é a obediência às leis e aos arranjos das autoridades seculares. Por que deve o cristão sujeitar-se a tais? Para evitar conflitos desnecessários com as autoridades, com o risco de ser punido, e, o que é mais importante — para manter uma consciência limpa perante Deus. (Romanos 13:1-7) Ao passo que preserva a sua obediência primária a Jeová, o cristão ‘honra o rei’, ou seja, não se rebela contra autoridades que Jeová Deus permite que existam. (1 Pedro 2:13-17) Deste modo, os cristãos são bons vizinhos, bons cidadãos e bons exemplos.

      Mostrar Consideração Pelos Outros

      6. (a) Qual é outro aspecto da bondade? (b) Quem são mencionados na Bíblia como merecedores de nossa consideração?

      6 A bondade de Jeová se manifesta por ele suprir “chuvas do céu e estações frutíferas” para todos os habitantes da terra. Isto resulta numa ‘plenitude de alimento e bom ânimo’ e indica que é realmente um Deus que mostra consideração. (Atos 14:17) Podemos imitá-lo neste respeito mostrando consideração pelos outros em coisas grandes e pequenas. Para com quem, especificamente? Paulo refere-se em especial aos anciãos, “os que trabalham arduamente entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e que vos admoestam”. Ele insta os cristãos a dar a estes “mais do que extraordinária consideração em amor, por causa do seu trabalho”. (1 Tessalonicenses 5:12, 13) Como podemos fazer isso? Por cooperar plenamente com eles — por exemplo, ajudando na execução dos vários serviços necessários no Salão do Reino. Embora devamos sempre nos sentir à vontade para pedir ajuda aos anciãos quando for necessário, não devemos ser desarrazoadamente exigentes. Em vez disso, no que estiver ao nosso alcance, tentaremos aliviar a carga desses pastores diligentes, muitos dos quais têm responsabilidades familiares além de seus deveres congregacionais.

      7. De que maneiras podemos mostrar consideração pelos idosos?

      7 Os idosos também merecem a nossa consideração. Certo mandamento da Lei mosaica dizia, especificamente: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso, e tens de ter temor de teu Deus. Eu sou Jeová.” (Levítico 19:32) Como se pode demonstrar essa consideração? Os mais jovens farão bem em oferecer-se para ajudar em fazer compras ou em outras pequenas tarefas. Os anciãos podem solicitamente verificar se algum idoso precisa de ajuda para assistir às reuniões. Nas assembléias, os jovens e vigorosos evitarão empurrar os mais lentos idosos numa impaciente tentativa de passar à frente deles, e serão pacientes caso um idoso seja um tanto lento em ocupar um assento ou obter alimento.

      8. Como podemos mostrar consideração para com outro grupo merecedor especificamente citado na Bíblia?

      8 O salmista menciona outro grupo que tem de ser tratado com consideração: “Feliz aquele que tiver consideração para com o de condição humilde.” (Salmo 41:1) Pode ser fácil mostrar consideração pelas pessoas de destaque ou ricas, mas, que dizer dos humildes, ou pobres? O escritor bíblico Tiago indicou que mostrar igual consideração para com estes é um teste de nossa justiça e amor cristão. Que sejamos bem-sucedidos neste teste, sendo solícitos para com todos, independentemente de suas circunstâncias! — Filipenses 2:3, 4; Tiago 2:2-4, 8, 9.

      “Continuai a Tornar-vos Misericordiosos”

      9, 10. Por que deve o cristão ser misericordioso, e como se pode mostrar essa sorte de bondade?

      9 Vê-se ainda outra sorte de bondade em algumas das parábolas de Jesus. Numa delas, Jesus falou sobre um samaritano que cruzou o caminho com um homem que fora assaltado, terrivelmente espancado e deixado prostrado na estrada. Um levita e um sacerdote haviam passado perto do ferido, mas não o ajudaram. Mas o samaritano parou e socorreu-o, fazendo mais coisas do que razoavelmente seria de esperar. Costuma-se chamar esse relato de parábola do Bom Samaritano. Que sorte de bondade mostrou ele? Misericórdia. Quando Jesus pediu a seu ouvinte que identificasse quem mostrou ser o próximo do homem ferido, foi dada a resposta correta: “Aquele que agiu misericordiosamente para com ele.” — Lucas 10:37.

      10 Os cristãos misericordiosos imitam a Jeová, sobre quem Moisés disse aos israelitas: “Jeová, teu Deus, é um Deus misericordioso. Não te desamparará, nem te arruinará, nem se esquecerá do pacto dos teus antepassados, que lhes jurou.” (Deuteronômio 4:31) Jesus mostrou como a misericórdia de Deus nos deve afetar: “Continuai a tornar-vos misericordiosos, assim como vosso Pai é misericordioso.” (Lucas 6:36) Como podemos mostrar misericórdia? Como a parábola de Jesus indicou, uma maneira é pela prontidão em ajudar o próximo, mesmo que isso acarrete riscos ou inconveniências. Quem é bom não ignora o sofrimento de seu irmão, caso possa fazer algo a respeito. — Tiago 2:15, 16.

      11, 12. Segundo a parábola de Jesus a respeito dos escravos, o que inclui a misericórdia, e como podemos manifestar isso hoje?

      11 Outra parábola de Jesus mostrou que a bondade misericordiosa inclui a prontidão de perdoar outros. Ele falou de um escravo que devia dez mil talentos a seu amo. Não podendo pagar, o escravo implorou misericórdia, e seu amo bondosamente perdoou aquela enorme dívida de 60.000.000 de denários. Mas o escravo foi atrás de outro escravo que lhe devia apenas cem denários. Sem misericórdia, o escravo que fora perdoado lançou o devedor na prisão até que este lhe pagasse. Obviamente, aquele escravo sem misericórdia não era um homem bom, e, quando o amo ouviu o que acontecera, convocou-o para um acerto de contas. — Mateus 18:23-35.

      12 A nossa situação é similar à do escravo perdoado. À base do sacrifício de Jesus, Jeová nos perdoou uma enorme dívida de pecado. Certamente, pois, devemos estar dispostos a perdoar outros. Jesus disse que devemos estar dispostos a perdoar “até setenta e sete vezes”, isto é, sem limite. (Mateus 5:7; 6:12, 14, 15; 18:21, 22) Portanto, o cristão misericordioso não guardará rancor. Não abrigará ressentimentos nem deixará de falar com outro cristão por causa de mágoas. Tal falta de misericórdia não é marca da bondade cristã.

      Ser Generoso e Hospitaleiro

      13. O que mais inclui a bondade?

      13 A bondade se manifesta também através da generosidade e da hospitalidade. Certa vez, um jovem pediu um conselho a Jesus. Ele disse: “Instrutor, que preciso fazer de bom, a fim de obter a vida eterna?” Jesus disse-lhe que devia observar continuamente os mandamentos de Deus. Sim, a obediência aos mandamentos de Jeová é um dos aspectos da bondade. O jovem pensou que já estivesse fazendo isto a contento. É óbvio que para seus semelhantes ele já parecia ser uma pessoa boa, mas ele sentia que lhe faltava algo. Assim, Jesus disse: “Se queres ser perfeito, vai vender teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu, e vem, sê meu seguidor.” (Mateus 19:16-22) O jovem se afastou contristado. Ele era muito rico. Se tivesse seguido o conselho de Jesus, teria mostrado que não era materialista. E teria realizado um ato de genuína generosidade altruísta.

      14. Que excelente conselho deram tanto Jeová como Jesus a respeito da generosidade?

      14 Jeová instou os israelitas a serem generosos. Por exemplo, lemos: “Deves terminantemente dar [a teu semelhante empobrecido] e teu coração não deve ser mesquinho ao lhe dares, porque é por esta razão que Jeová, teu Deus, te abençoará em todo ato teu e em todo empreendimento teu.” (Deuteronômio 15:10; Provérbios 11:25) Jesus Cristo pessoalmente encorajou a prática da generosidade: “Praticai o dar, e dar-vos-ão. Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante.” (Lucas 6:38) Ademais, Jesus pessoalmente era muito generoso. Certa vez, ele havia reservado um tempo para descansar um pouco. As multidões descobriram onde ele estava e o procuraram. Jesus generosamente deixou de lado o descanso e deu de si à multidão. Mais tarde, mostrou notável hospitalidade ao fornecer alimento para aquela grande multidão. — Marcos 6:30-44.

      15. Que excelente exemplo de generosidade deram os discípulos de Jesus?

      15 Fiéis aos conselhos de Jeová e de Jesus, muitos dos discípulos de Jesus eram notavelmente generosos e hospitaleiros. Nos primeiros dias da congregação cristã, um grande número dos que haviam vindo para celebrar o Pentecostes de 33 EC ouviram a pregação dos apóstolos e tornaram-se crentes. Permanecendo por mais tempo no local após a festividade, para aprenderem mais, eles ficaram sem alimentos e outras necessidades básicas. Por conseguinte, crentes locais venderam suas propriedades e doaram o dinheiro para sustentar seus novos irmãos, de modo que estes pudessem firmar-se melhor na fé. Quanta generosidade! — Atos 4:32-35; veja também Atos 16:15; Romanos 15:26.

      16. Cite maneiras pelas quais podemos ser hospitaleiros e generosos.

      16 Atualmente, observa-se uma similar generosidade cristã quando cristãos contribuem de seu tempo e de seu dinheiro para as suas congregações locais e para a obra de pregação mundial. Ela torna-se evidente quando eles socorrem seus irmãos que sofrem por causa de desastres naturais ou de guerras. Manifesta-se quando se atende às necessidades do superintendente de circuito na sua visita costumeira. Ou, quando “meninos [ou meninas] órfãos de pai” são generosamente convidados a participar em recreação e em estudos bíblicos familiares com outras famílias cristãs, isto também é hospitalidade, uma manifestação da bondade cristã. — Salmo 68:5.

      Falar a Verdade

      17. Por que é um desafio praticar a veracidade hoje em dia?

      17 Quando Paulo descreveu os frutos da luz, ele relacionou a bondade com a justiça e a verdade, e seria correto dizer que a veracidade é outra sorte de bondade. Pessoas boas não mentem. Não obstante, falar a verdade é um desafio especial hoje em dia, quando mentir é tão comum. Muitos mentem ao preencher a sua declaração de renda. Empregados mentem a respeito do trabalho que executam. Estudantes trapaceiam nas lições e nos exames. Empresários mentem ao fechar negócios. Os filhos mentem para escapar da punição. Tagarelas maldosos arruínam a reputação de outros com mentiras.

      18. Como encara Jeová os mentirosos?

      18 Mentir é repugnante para Jeová. Entre as ‘sete coisas’ que ele odeia se encontram a “língua falsa” e “a testemunha falsa que profere mentiras”. (Provérbios 6:16-19) “Todos os mentirosos” estão alistados entre os covardes, os assassinos e os fornicadores, que não terão lugar no novo mundo de Deus. (Revelação [Apocalipse] 21:8) Ademais, diz-nos o provérbio: “Quem anda na sua retidão teme a Jeová, mas quem é sinuoso nos seus caminhos O despreza.” (Provérbios 14:2) O mentiroso é sinuoso nos seus caminhos. Assim, ele dá provas de que despreza a Jeová. Que coisa terrível! Falemos sempre a verdade, mesmo que isso nos resulte em disciplina ou prejuízo financeiro. (Provérbios 16:6; Efésios 4:25) Os que falam a verdade imitam a Jeová, o “Deus da verdade”. — Salmo 31:5.

      Cultivemos a Bondade

      19. O que às vezes se observa no mundo, coisa esta que reflete crédito ao Criador?

      19 Estas são apenas algumas dentre ‘as sortes’ de bondade que o cristão deve cultivar. É verdade que as pessoas do mundo manifestam bondade num certo grau. Algumas são hospitaleiras, por exemplo, outras misericordiosas. De fato, o que tornou tão notável a parábola do Bom Samaritano é que Jesus falou de um não-judeu que mostrou misericórdia ao passo que anciãos da congregação judaica não o fizeram. É deveras um tributo ao Criador do homem que tais qualidades ainda se manifestem espontaneamente em algumas pessoas, mesmo depois de seis mil anos de imperfeição.

      20, 21. (a) Por que a bondade cristã difere de qualquer bondade que observemos nas pessoas do mundo? (b) Como pode o cristão cultivar a bondade, e por que devemos diligentemente fazer isso?

      20 Não obstante, para os cristãos, a bondade é mais do que apenas uma qualidade que eles talvez tenham, talvez não. É uma qualidade que têm de cultivar em todos os seus aspectos, visto que precisam ser imitadores de Deus. Como é isso possível? A Bíblia diz que podemos aprender a bondade. ‘Ensina-me a bondade’, pediu o salmista em oração a Deus. Como? Ele continuou: “Pois tive fé nos teus mandamentos.” E acrescentou: “Tu és bom e fazes o bem. Ensina-me os teus regulamentos.” — Salmo 119:66, 68.

      21 Sim, se aprendermos os mandamentos de Jeová e os obedecermos, estaremos cultivando a bondade. Tenha sempre presente que a bondade é um dos frutos do espírito. Se buscarmos o espírito de Jeová através da oração, da associação e do estudo bíblico, certamente seremos ajudados a cultivar essa qualidade. Ademais, a bondade é poderosa. Pode até mesmo vencer o mal. (Romanos 12:21) Quão vital é, pois, que façamos o bem a todos, especialmente a nossos irmãos cristãos. (Gálatas 6:10) Neste caso, estaremos entre os que desfrutam da ‘glória, honra e paz’ prometida a “todo aquele que fizer o que é bom”. — Romanos 2:6-11.

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