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  • O cristianismo inicial e o Estado
    A Sentinela — 1996 | 1.° de maio
    • O cristianismo inicial e o Estado

      POUCAS horas antes da sua morte, Jesus disse aos seus discípulos: “Não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.” (João 15:19) Significa isso, porém, que os cristãos adotariam uma atitude hostil para com as autoridades deste mundo?

      Não do mundo, mas não hostis

      O apóstolo Paulo disse aos cristãos que moravam em Roma: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores.” (Romanos 13:1) De forma similar, o apóstolo Pedro escreveu: “Pela causa do Senhor, sujeitai-vos a toda criação humana: quer a um rei, como sendo superior, quer a governadores, como enviados por ele para infligir punição a malfeitores, mas para louvar os que fazem o bem.” (1 Pedro 2:13, 14) A sujeição ao Estado e aos seus representantes devidamente nomeados era claramente um princípio aceito entre os primeiros cristãos. Eles se esforçavam a ser cidadãos acatadores da lei e a viver em paz com todos os homens. — Romanos 12:18.

      Sob o tópico “Igreja e Estado”, The Encyclopedia of Religion declara: “Nos primeiros três séculos AD, a igreja cristã ficou na maior parte isolada da sociedade romana, oficial . . . No entanto, os líderes cristãos . . . ensinavam a obediência à lei romana e a lealdade ao imperador, dentro dos limites da fé cristã.”

      Honra, não adoração

      Os cristãos não eram hostis ao imperador romano. Respeitavam sua autoridade e prestavam-lhe a honra devida à sua posição. Durante o governo do Imperador Nero, o apóstolo Pedro escreveu aos cristãos que moravam em diversas partes do Império Romano: “Honrai a homens de toda sorte, . . . dai honra ao rei.” (1 Pedro 2:17) A palavra “rei” era usada no mundo de língua grega não só para com os reis locais, mas também para com o imperador romano. O apóstolo Paulo aconselhou os cristãos que moravam na capital do Império Romano: “Rendei a todos o que lhes é devido, . . . a quem exigir honra, tal honra.” (Romanos 13:7) O imperador romano decididamente exigia honra. Com o tempo, até exigia adoração. Isto, porém, passava dos limites para os cristãos.

      Ao ser julgado perante um procônsul romano, no segundo século EC, Policarpo declarou, conforme se relata: “Sou cristão. . . . Somos ensinados a dar toda a devida honra . . . aos poderes e às autoridades, que são ordenados por Deus.” No entanto, Policarpo preferiu morrer a adorar o imperador. O apologista Teófilo de Antioquia, do segundo século, escreveu: “Antes honrarei o imperador, não por adorá-lo, mas orando por ele. Mas adoro a Deus, o Deus vivente e verdadeiro.”

      Orações apropriadas em favor do imperador de modo algum se relacionavam com a adoração dele ou com o nacionalismo. O apóstolo Paulo explicou sua finalidade: “Exorto, portanto, em primeiro lugar, a que se façam súplicas, orações, intercessões e se dêem agradecimentos com respeito a toda sorte de homens, com respeito a reis e a todos os em altos postos, a fim de que continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade.” — 1 Timóteo 2:1, 2.

      “À margem da sociedade”

      Esta conduta respeitosa por parte dos primeiros cristãos não lhes granjeava a amizade do mundo no qual viviam. O historiador francês A. Hamman conta que os primeiros cristãos ‘viviam à margem da sociedade’. Na realidade, viviam à margem de duas sociedades, da judaica e da romana, sofrendo muitos preconceitos e mal-entendidos de ambas.

      Por exemplo, quando o apóstolo Paulo foi acusado falsamente pelos líderes judaicos, ele declarou na sua defesa perante o governador romano: “Nem contra a Lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César cometi qualquer pecado. . . . Apelo para César!” (Atos 25:8, 11) Cônscio de que os judeus tramavam matá-lo, Paulo apelou para Nero, reconhecendo assim a autoridade do imperador romano. Subseqüentemente, no seu primeiro julgamento em Roma, parece que Paulo foi absolvido. Mais tarde, porém, foi novamente preso, e a tradição diz que ele foi executado às ordens de Nero.

      O sociólogo e teólogo Ernst Troeltsch escreveu a respeito da situação difícil dos primeiros cristãos na sociedade romana: “Vetavam-se todos os cargos e empenhos que tivessem alguma ligação com idolatria, ou com a adoração do Imperador, ou que tivessem algo que ver com derramamento de sangue ou com a pena capital, ou os que poriam os cristãos em contato com a imoralidade pagã.” Será que esta atitude não deixava nenhuma margem para um relacionamento pacífico e de respeito mútuo entre os cristãos e o Estado?

      Paga-se a César o que lhe é “devido”

      Jesus forneceu uma fórmula que ia governar a conduta cristã para com o Estado romano ou, quanto a isso, para com qualquer governo, ao declarar: “Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 22:21) Este conselho dado aos seguidores de Jesus estava em nítido contraste com a atitude de muitos judeus nacionalistas, que se ressentiam do domínio romano e contestavam a legitimidade de se pagarem impostos a uma potência estrangeira.

      Mais tarde, Paulo disse aos cristãos que moravam em Roma: “Há, portanto, uma razão compulsiva para que estejais em sujeição, não somente por causa desse furor, mas também por causa da vossa consciência. Pois é também por isso que pagais impostos; porque eles [i.e., as “autoridades superiores”, governamentais] são servidores públicos de Deus, servindo constantemente com este mesmo objetivo. Rendei a todos o que lhes é devido, a quem exigir imposto, o imposto; a quem exigir tributo, o tributo.” (Romanos 13:5-7) Embora os cristãos não fizessem parte do mundo, tinham o dever de ser cidadãos honestos, pagadores de impostos, pagando ao Estado pelos serviços prestados. — João 17:16.

      Mas, limitavam-se as palavras de Jesus apenas ao pagamento de impostos? Visto que Jesus não definiu com precisão o que é de César e o que é de Deus, há casos indefinidos que precisam ser decididos segundo o contexto ou segundo o entendimento da Bíblia como um todo. Em outras palavras, a decisão de quais as coisas que o cristão pode pagar a César envolveria às vezes a consciência do cristão, conforme esclarecida pelos princípios bíblicos.

      Bom equilíbrio entre duas reivindicações rivais

      Muitos tendem a esquecer-se de que, depois de declarar que se deve pagar a César as coisas dele, Jesus acrescentou: “Mas [pagai de volta] a Deus as coisas de Deus.” O apóstolo Pedro mostrou qual era a prioridade dos cristãos. Logo depois de aconselhar a sujeição ao “rei”, ou imperador, e a seus “governadores”, Pedro escreveu: “Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade, mas como escravos de Deus. Honrai a homens de toda sorte, tende amor à associação inteira dos irmãos, tende temor de Deus, dai honra ao rei.” (1 Pedro 2:16, 17) O apóstolo mostrou que os cristãos são escravos de Deus, não de um governante humano. Embora devam dar a devida honra e mostrar o devido respeito pelos representantes do Estado, devem fazer isso no temor de Deus, cujas leis são supremas.

      Anos antes, Pedro não deixara dúvida quanto à preeminência das leis de Deus sobre as do homem. O Sinédrio judaico era o corpo administrativo ao qual os romanos haviam concedido autoridade tanto civil como religiosa. Quando este ordenou aos seguidores de Jesus que parassem de ensinar em nome de Cristo, Pedro e os outros apóstolos responderam com respeito, mas com firmeza: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) É evidente que os primeiros cristãos tiveram de manter um bom equilíbrio entre a obediência a Deus e a devida sujeição às autoridades humanas. Tertuliano expressou isso do seguinte modo, no começo do terceiro século EC: “Se tudo for de César, o que sobrará para Deus?”

      Transigência com o Estado

      Com o passar do tempo, a posição adotada pelos cristãos, no primeiro século, com relação ao Estado enfraqueceu aos poucos. A apostasia predita por Jesus e pelos apóstolos se desenvolveu no segundo e no terceiro século EC. (Mateus 13:37, 38; Atos 20:29, 30; 2 Tessalonicenses 2:3-12; 2 Pedro 2:1-3) O cristianismo apóstata transigiu com o mundo romano, adotou suas festividades pagãs e sua filosofia, e aceitou não só cargos civis, mas também o serviço militar.

      O Professor Troeltsch escreveu: “A partir do terceiro século, a situação ficou mais difícil, pois os cristãos se tornaram mais numerosos nos altos escalões da Sociedade e nas profissões de mais destaque, no exército e nos círculos oficiais. Em diversas passagens de escritos cristãos [não-bíblicos] há protestos indignados contra a participação nessas coisas; por outro lado, encontramos também tentativas de transigência — argumentos destinados a sossegar consciências intranqüilas . . . A partir do tempo de Constantino, essas dificuldades desapareceram; a fricção entre cristãos e pagãos cessou, e todos os cargos no Estado estavam franqueados.”

      Perto do fim do quarto século EC, esta forma adulterada e transigente de cristianismo tornou-se a religião do Estado no Império Romano.

      No decorrer da sua história, a cristandade — representada pelas Igrejas Católica, Ortodoxas e Protestantes — tem continuado a transigir com o Estado, envolvendo-se profundamente na sua política e apoiando suas guerras. Muitos membros sinceros das igrejas, que haviam ficado chocados com isso, sem dúvida se agradariam de saber que existem hoje cristãos que mantêm a posição dos cristãos do primeiro século no seu relacionamento com o Estado. Os dois artigos seguintes considerarão este assunto em mais pormenores.

  • Deus e César
    A Sentinela — 1996 | 1.° de maio
    • Deus e César

      “De todos os modos, pois, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” — LUCAS 20:25.

      1. (a) Que posição elevada ocupa Jeová? (b) O que devemos a Jeová, que nunca podemos dar a César?

      QUANDO Jesus Cristo deu esta instrução, ele não tinha dúvida de que aquilo que Deus exige dos seus servos tem precedência a tudo o que César, ou o Estado, possa exigir deles. Jesus, melhor do que ninguém, reconhecia a veracidade da oração do salmista a Jeová: “Teu reinado é um reinado por todos os tempos indefinidos, e teu domínio [soberania]a é durante todas as gerações sucessivas.” (Salmo 145:13) Quando o Diabo ofereceu a Jesus a autoridade sobre todos os reinos da Terra habitada, Jesus respondeu: “Está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” (Lucas 4:5-8) Nunca se poderia adorar a “César”, quer o César fosse o imperador romano, quer outro governante humano, quer o próprio Estado.

      2. (a) Qual é a posição de Satanás para com este mundo? (b) Com a permissão de quem ocupa Satanás a sua posição?

      2 Jesus não negou que os reinos do mundo fossem de Satanás. Mais tarde, ele chamou a Satanás de “o governante deste mundo”. (João 12:31; 16:11) Perto do fim do primeiro século EC, o apóstolo João escreveu: “Sabemos que nos originamos de Deus, mas o mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Isto não significa que Jeová tenha renunciado à sua soberania sobre a Terra. Lembre-se de que Satanás declarou, ao oferecer a Jesus o domínio sobre os reinos políticos: “Eu te darei toda esta autoridade . . . porque me foi entregue.” (Lucas 4:6) Satanás exerce autoridade sobre os reinos do mundo apenas pela permissão de Deus.

      3. (a) Que posição ocupam os governos das nações perante Jeová? (b) Como podemos dizer que a sujeição aos governos deste mundo não significa sujeitar-nos a Satanás, o deus deste mundo?

      3 De forma similar, o Estado exerce sua autoridade apenas porque Deus, como Governante Soberano, lhe permite isso. (João 19:11) Assim, pode-se dizer que “as autoridades existentes acham-se colocadas por Deus nas suas posições relativas”. Com relação à suprema autoridade soberana de Jeová, a delas é em muito uma autoridade inferior. No entanto, são “ministro de Deus”, “servidores públicos de Deus”, por prestar serviços necessários, manter a lei e a ordem, e punir malfeitores. (Romanos 13:1, 4, 6) Portanto, os cristãos precisam entender que, apesar de Satanás ser o governante invisível deste mundo, ou sistema, não se estão sujeitando a ele quando aceitam o fato de que estão em sujeição relativa ao Estado. Estão obedecendo a Deus. Neste ano de 1996, o Estado político ainda faz parte do “arranjo de Deus”, um arranjo temporário cuja existência Deus permite, e deve ser reconhecido como tal pelos servos terrestres de Jeová. — Romanos 13:2.

      Os servos antigos de Jeová e o Estado

      4. Por que permitiu Jeová que José obtivesse destaque no governo do Egito?

      4 Nos tempos pré-cristãos, Jeová permitiu que alguns dos seus servos ocupassem cargos de destaque em governos do Estado. Por exemplo, no século 18 AEC, José tornou-se primeiro-ministro do Egito, inferior apenas ao Faraó reinante. (Gênesis 41:39-43) Eventos subseqüentes tornaram evidente que Jeová manobrara isso, a fim de que José pudesse servir de instrumento para a preservação da ‘semente de Abraão’, os descendentes deste, para a realização dos Seus propósitos. É claro que é preciso lembrar que José foi vendido como escravo no Egito e que ele viveu numa época em que os servos de Deus não tinham nem a Lei mosaica, nem “a lei do Cristo”. — Gênesis 15:5-7; 50:19-21; Gálatas 6:2.

      5. Por que se ordenou aos exilados judeus a ‘buscar a paz’ de Babilônia?

      5 Séculos mais tarde, o fiel profeta Jeremias foi inspirado por Jeová para dizer aos exilados judeus que eles se deviam sujeitar aos governantes enquanto no exílio em Babilônia e até mesmo orar pela paz daquela cidade. Escreveu-lhes na sua carta: “Assim disse Jeová dos exércitos, o Deus de Israel, a todo o povo exilado . . . ‘Buscai a paz da cidade à qual vos exilei e orai por ela a Jeová, porque na sua paz se mostrará haver paz para vós mesmos.’” (Jeremias 29:4, 7) Os do povo de Jeová sempre têm motivo para ‘buscar a paz’ para si mesmos e para a nação em que vivem, a fim de ter liberdade para adorar a Jeová. — 1 Pedro 3:11.

      6. Embora Daniel e seus três companheiros recebessem postos elevados no governo, de que modo se negaram a transigir com respeito à Lei de Jeová?

      6 Durante o exílio babilônico, Daniel e mais três judeus fiéis, cativos em escravidão à Babilônia, submeteram-se a treinamento estatal e se tornaram servidores civis de postos elevados em Babilônia. (Daniel 1:3-7; 2:48, 49) No entanto, mesmo durante o seu treinamento, adotaram uma posição firme na questão da alimentação para não violar a Lei que seu Deus, Jeová, tinha dado por meio de Moisés. Eles foram abençoados por isso. (Daniel 1:8-17) Quando o Rei Nabucodonosor erigiu uma imagem do Estado, parece que os três companheiros hebreus de Daniel foram compelidos a ir à cerimônia, junto com os outros administradores estatais. No entanto, eles se negaram a “prostrar-se e adorar” o ídolo estatal. De novo, Jeová recompensou sua integridade. (Daniel 3:1-6, 13-28) De forma similar hoje, as Testemunhas de Jeová respeitam a bandeira da nação em que vivem, mas se recusam a realizar um ato de adoração para com ela. — Êxodo 20:4, 5; 1 João 5:21.

      7. (a) Que atitude excelente adotou Daniel, apesar de ter um posto elevado na estrutura governamental de Babilônia? (b) Que mudanças ocorreram nos tempos cristãos?

      7 Após a queda da dinastia neobabilônica, Daniel recebeu um alto posto governamental sob o novo regime medo-persa, que a substituiu em Babilônia. (Daniel 5:30, 31; 6:1-3) Mas ele não permitiu que seu alto cargo o fizesse transigir na sua integridade. Quando uma lei estatal exigiu que ele adorasse o Rei Dario, em vez de a Jeová, ele se negou a isso. Por causa disso, foi lançado aos leões, mas Jeová o libertou. (Daniel 6:4-24) Naturalmente, isso aconteceu nos tempos pré-cristãos. Depois do estabelecimento da congregação cristã, os servos de Deus passaram a estar sob a “lei para com Cristo”. Muito daquilo que se permitia sob o sistema judaico devia ser encarado de modo diferente, baseado no modo em que Jeová lidou dali em diante com o seu povo. — 1 Coríntios 9:21; Mateus 5:31, 32; 19:3-9.

      A atitude de Jesus para com o Estado

      8. Que incidente mostra que Jesus estava decidido a evitar envolvimentos políticos?

      8 Quando Jesus Cristo esteve na Terra, ele estabeleceu normas mais elevadas para seus seguidores e se negou a ter qualquer envolvimento em assuntos políticos ou militares. Depois de Jesus ter alimentado milagrosamente alguns milhares de pessoas com uns poucos pães e dois peixinhos, homens judeus queriam apoderar-se dele e fazê-lo um rei político. Mas Jesus evitou-os por retirar-se rapidamente para as montanhas. (João 6:5-15) Sobre este incidente declara The New International Commentary on the New Testament (Novo Comentário Internacional sobre o Novo Testamento): “Entre os judeus daquele período havia ardentes anseios nacionalistas, e, sem dúvida, muitos daqueles que viram este milagre achavam que ali estava um líder divinamente credenciado, a pessoa certa que poderia guiá-los contra os romanos. De modo que decidiram torná-lo rei.” O Comentário acrescenta que Jesus “decididamente rejeitou” esta oferta de liderança política. Cristo não deu nenhum apoio a qualquer insurreição judaica contra o domínio romano. De fato, ele predisse qual seria o resultado da revolta que ia ocorrer depois da sua morte — indizíveis aflições para os habitantes de Jerusalém e a destruição desta cidade. — Lucas 21:20-24.

      9. (a) Como descreveu Jesus a relação do seu Reino com o mundo? (b) Que diretrizes deu Jesus aos seus seguidores sobre os seus tratos com os governos do mundo?

      9 Pouco antes da sua morte, Jesus disse ao representante especial do imperador romano na Judéia: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” (João 18:36) Até que seu Reino acabe com o domínio dos governos políticos, os discípulos de Cristo seguem o exemplo dele. Obedecem a essas autoridades constituídas, mas não interferem nos empreendimentos políticos delas. (Daniel 2:44; Mateus 4:8-10) Jesus deixou diretrizes para seus discípulos, declarando: “Portanto, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 22:21) Anteriormente, no seu Sermão do Monte, Jesus dissera: “Se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil.” (Mateus 5:41) No contexto deste sermão, Jesus ilustrou o princípio da sujeição voluntária a demandas legítimas, quer em relacionamentos humanos, quer em exigências governamentais que estão em harmonia com a lei de Deus. — Lucas 6:27-31; João 17:14, 15.

      Os cristãos e César

      10. Segundo certo historiador, que atitude conscienciosa adotavam os primeiros cristãos para com César?

      10 Estas breves diretrizes deviam governar o relacionamento entre os cristãos e o Estado. O historiador E. W. Barnes escreveu no seu livro The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo): “Sempre que, nos séculos subseqüentes, o cristão estivesse em dúvida sobre o seu dever para com o Estado, ele recorreria ao ensino qualificado de Cristo. Pagava impostos: as taxas cobradas às vezes eram pesadas — tornaram-se intoleráveis antes do colapso do Império Ocidental — mas o cristão os suportava. Do mesmo modo aceitava outras obrigações estatais, desde que não se exigisse dele dar a César as coisas que pertenciam a Deus.”

      11. Que conselho deu Paulo aos cristãos sobre como lidar com os governantes do mundo?

      11 Foi em harmonia com isso que, pouco mais de 20 anos depois da morte de Cristo, o apóstolo Paulo disse aos cristãos em Roma: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores.” (Romanos 13:1) Cerca de dez anos depois, pouco antes de seu segundo encarceramento e sua execução em Roma, Paulo escreveu a Tito: “Continua a lembrar-lhes [aos cristãos cretenses] que estejam sujeitos e sejam obedientes a governos e autoridades como governantes, que estejam prontos para toda boa obra, que não ultrajem a ninguém, que não sejam beligerantes, que sejam razoáveis, exibindo toda a brandura para com todos os homens.” — Tito 3:1, 2.

      Entendimento progressivo referente “às autoridades superiores”

      12. (a) Qual achava Charles Taze Russell ser a posição correta do cristão para com as autoridades governamentais? (b) Quanto a servir nas forças armadas, que atitudes diversas adotaram cristãos ungidos durante a Primeira Guerra Mundial?

      12 Já em 1886, Charles Taze Russell escreveu no livro The Plan of Ages (O Plano das Eras): “Nem Jesus nem os Apóstolos interferiram de algum modo nos assuntos dos governantes terrestres. . . . Ensinavam à Igreja a obedecer as leis e a respeitar os em autoridade por causa do seu cargo, . . . a pagar os impostos estipulados e, exceto onde estavam em conflito com as leis de Deus (Atos 4:19; 5:29), a não oferecer resistência a quaisquer leis estabelecidas. (Rom. 13:1-7; Mat. 22:21) Jesus e os Apóstolos, bem como a primitiva igreja, todos acatavam as leis, embora se mantivessem separados e não participassem nos governos deste mundo.” Esse livro identificou corretamente “os poderes superiores”, ou “as autoridades superiores”, mencionados pelo apóstolo Paulo como autoridades governamentais humanas. (Romanos 13:1, King James Version) Em 1904, o livro A Nova Criação declarou que os cristãos verdadeiros “devem estar entre os que no tempo atual mais acatam a lei — não devem ser agitadores, nem briguentos, nem críticos”. Alguns entendiam isso como significando sujeição total aos poderes existentes, mesmo a ponto de aceitar serviço nas forças armadas durante a Primeira Guerra Mundial. Outros, porém, encaravam isso como contrário à declaração de Jesus: “Todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.” (Mateus 26:52) É óbvio que se precisava dum entendimento mais claro da sujeição do cristão às autoridades superiores.

      13. Que mudança no entendimento da identidade dos poderes superiores se apresentou em 1929 e como se mostrou isso benéfico?

      13 Em 1929, na época em que as leis de diversos governos começavam a proibir coisas que Deus ordena ou a exigir coisas que as leis de Deus proíbem, achava-se que os poderes superiores deviam ser Jeová Deus e Jesus Cristo.b Foi este o entendimento dos servos de Jeová durante o período crítico de antes e durante a Segunda Guerra Mundial, e ainda no tempo da Guerra Fria, com o seu equilíbrio do terror e sua prontidão militar. Olhando para trás, precisa-se dizer que esta maneira de encarar as coisas, que enaltecia a supremacia de Jeová e de seu Cristo, ajudou o povo de Deus a manter uma intransigente posição neutra durante esse período difícil.

      Sujeição relativa

      14. Como se lançou em 1962 uma crescente luz sobre Romanos 13:1, 2, e textos relacionados?

      14 Em 1961 completou-se a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Sua preparação exigira um estudo profundo da linguagem textual das Escrituras. A tradução exata das palavras usadas, não só no capítulo 13 de Romanos, mas também em textos tais como Tito 3:1, 2, e 1 Pedro 2:13, 17, tornou evidente que o termo “autoridades superiores” não se referia à Autoridade Suprema de Jeová e de seu Filho Jesus, mas às autoridades governamentais humanas. Perto do fim de 1962, artigos publicados em A Sentinela (em inglês, depois em português) apresentaram uma explicação exata do capítulo 13 de Romanos e forneceram também um conceito mais claro do que o tido no tempo de C. T. Russell. Esses artigos salientaram que a sujeição cristã às autoridades não pode ser total. Tem de ser relativa, condicionada a não levar os servos de Deus a estarem em conflito com as leis de Deus. Artigos adicionais em A Sentinela enfatizaram este ponto importante.c

      15, 16. (a) Que equilíbrio melhor se obteve pelo novo entendimento do capítulo 13 de Romanos? (b) Que perguntas restam para ser respondidas?

      15 Esta chave para o entendimento correto do capítulo 13 de Romanos habilitou o povo de Jeová a equilibrar o devido respeito às autoridades políticas com uma atitude intransigente baseada em princípios bíblicos, vitais. (Salmo 97:11; Jeremias 3:15) Permitiu-lhes ter o conceito correto da sua relação com Deus e de seus tratos com o Estado. Assegurou que, ao passo que eles pagam de volta a César as coisas de César, não deixam de pagar de volta a Deus as coisas de Deus.

      16 Mas exatamente quais são as coisas de César? Que exigências legítimas pode o Estado fazer ao cristão? Estas perguntas serão consideradas no próximo artigo.

  • Pagamos a César as coisas de César
    A Sentinela — 1996 | 1.° de maio
    • Pagamos a César as coisas de César

      “Rendei a todos o que lhes é devido.” — ROMANOS 13:7.

      1, 2. (a) Segundo Jesus, como devem os cristãos equilibrar suas obrigações para com Deus e para com César? (b) O que vem em primeiro lugar para as Testemunhas de Jeová?

      SEGUNDO Jesus, há coisas que devemos a Deus e coisas que devemos a César, ou ao Estado. Jesus disse: “Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” Com estas poucas palavras, ele desconcertou seus inimigos e resumiu bem a atitude equilibrada que temos de ter em nossa relação com Deus e em nossos tratos com o Estado. Não é de admirar que seus ouvintes ‘começassem a maravilhar-se dele’! — Marcos 12:17.

      2 Naturalmente, a preocupação primária dos servos de Jeová é pagar de volta a Deus as coisas de Deus. (Salmo 116:12-14) Ao fazerem isso, porém, não se esquecem de que Jesus disse que eles têm de render certas coisas a César. Sua consciência treinada pela Bíblia exige que considerem com oração até que ponto podem pagar de volta a César o que ele demanda. (Romanos 13:7) Nos tempos modernos, muitos juristas reconhecem que o poder governamental tem limites, e que o povo e os governos em toda a parte estão sujeitos à lei natural.

      3, 4. Que comentários interessantes foram feitos a respeito da lei natural, da lei revelada e da lei humana?

      3 O apóstolo Paulo referiu-se a esta lei natural quando escreveu a respeito das pessoas do mundo: “Aquilo que se pode saber sobre Deus é manifesto entre eles, porque Deus lho manifestou. Pois as suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade, de modo que eles são inescusáveis.” Quando descrentes aceitam a lei natural, esta até afeta a consciência deles. De modo que Paulo disse adicionalmente: “Sempre que pessoas das nações, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, tais pessoas, embora não tenham lei, são uma lei para si mesmas. Elas é que são quem demonstra que a matéria da lei está escrita nos seus corações, ao passo que a sua consciência lhes dá testemunho.” — Romanos 1:19, 20; 2:14, 15.

      4 No século 18, o famoso jurista inglês, William Blackstone, escreveu: “Esta lei da natureza [a lei natural], sendo coeva da [mesma idade da] humanidade e ditada pelo próprio Deus, é, naturalmente, superior em obrigatoriedade a qualquer outra. É válida em todo o globo, em todos os países, em todas as épocas: não há leis humanas que sejam de qualquer validez se forem contrárias a esta.” Blackstone prosseguiu, falando sobre a “lei revelada”, conforme encontrada na Bíblia, e comentou: “Destas duas bases, a lei da natureza e a lei de revelação, dependem todas as leis humanas; quer dizer, não se deve admitir nenhuma lei humana que as contradiga.” Isto está em harmonia com o que Jesus disse sobre Deus e César, conforme registrado em Marcos 12:17. É evidente que há campos em que Deus limita o que César pode exigir do cristão. O Sinédrio desviou-se exatamente para tal campo quando ordenou aos apóstolos que parassem de pregar a respeito de Jesus. Por isso, os apóstolos responderam corretamente: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:28, 29.

      “As coisas de Deus”

      5, 6. (a) Em vista do nascimento do Reino em 1914, de que devem os cristãos estar mais cônscios? (b) Como evidencia o cristão que ele é ministro?

      5 Especialmente desde 1914, quando Jeová Deus, o Todo-Poderoso, começou a reinar por meio do Reino messiânico de Cristo, os cristãos tiveram de certificar-se de não dar a César as coisas de Deus. (Revelação [Apocalipse] 11:15, 17) A lei de Deus, como nunca antes, exige agora que os cristãos ‘não façam parte do mundo’. (João 17:16) Visto que estão dedicados a Deus, seu Dador da Vida, precisam demonstrar claramente que não pertencem mais a si mesmos. (Salmo 100:2, 3) Conforme Paulo escreveu, “pertencemos a Jeová”. (Romanos 14:8) Além disso, no batismo do cristão, ele é ordenado como ministro de Deus, de modo que pode dizer assim como Paulo: “Deus . . . deveras nos habilitou adequadamente para sermos ministros.” — 2 Coríntios 3:5, 6.

      6 O apóstolo Paulo escreveu também: “Glorifico o meu ministério.” (Romanos 11:13) Nós certamente devemos fazer o mesmo. Quer participemos no ministério por tempo integral, quer por parte do tempo, estamos cientes de que o próprio Jeová nos designou para o nosso ministério. (2 Coríntios 2:17) Visto que alguns talvez questionem nossa atitude, todo cristão dedicado e batizado tem de estar pronto para fornecer prova clara e positiva de que ele é mesmo ministro das boas novas. (1 Pedro 3:15) Seu ministério também deve ser evidenciado pela sua conduta. O cristão, como ministro de Deus, deve recomendar e praticar a boa moral, defender a união da família, ser honesto e respeitar a lei e a ordem. (Romanos 12:17, 18; 1 Tessalonicenses 5:15) A relação do cristão com Deus e com seu ministério divinamente designado são as coisas mais importantes na sua vida. Não pode renunciar a elas a pedido de César. É evidente que devem ser consideradas como “coisas de Deus”.

      “As coisas de César”

      7. Qual é a reputação das Testemunhas de Jeová quanto ao pagamento de impostos?

      7 As Testemunhas de Jeová sabem que devem ‘estar sujeitas às autoridades superiores’, os governantes. (Romanos 13:1) Portanto, quando César, o Estado, faz exigências legítimas, a consciência delas, treinada pela Bíblia, permite-lhes atender essas exigências. Por exemplo, os cristãos verdadeiros estão entre os mais exemplares contribuintes de impostos na Terra. Na Alemanha, o jornal Münchner Merkur disse a respeito das Testemunhas de Jeová: “São os mais honestos e os mais pontuais contribuintes de impostos da República Federal.” Na Itália, o jornal La Stampa observou: “São os cidadãos mais leais que se possa desejar: não sonegam impostos nem procuram esquivar-se de leis inconvenientes a seus próprios lucros.” Os servos de Jeová fazem isso ‘por causa da sua consciência’. — Romanos 13:5, 6.

      8. Limita-se aquilo que devemos a César aos impostos monetários?

      8 Limitam-se “as coisas de César” a pagar impostos? Não. Paulo alistou outras coisas, tais como temor e honra. O erudito alemão Heinrich Meyer escreveu na sua obra Critical and Exegetical Hand-Book to the Gospel of Matthew (Manual Crítico e Exegético do Evangelho de Mateus): “Não devemos entender que [as coisas de César] se refiram apenas ao imposto civil, mas sim a tudo aquilo a que César tem direito em virtude do seu governo legítimo.” O historiador E. W. Barnes, na sua obra The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo), mencionou que o cristão pagava os impostos se os devia e “do mesmo modo aceitava outras obrigações estatais, desde que não se exigisse dele dar a César as coisas que pertenciam a Deus”.

      9, 10. O que pode fazer o cristão hesitar em pagar a César o que lhe é devido, mas que fatos deve ele ter em mente?

      9 Quais são as coisas que o Estado talvez exija sem usurpar as coisas que legitimamente pertencem a Deus? Alguns achavam que podiam dar legitimamente dinheiro a César na forma de impostos, mas nada mais. Eles certamente não se sentiriam à vontade em dar a César algo que pudesse tomar tempo que se usaria para atividades teocráticas. No entanto, embora seja verdade que devemos ‘amar a Jeová, nosso Deus, de todo o nosso coração, alma, mente e força’, Jeová deveras espera que gastemos tempo em coisas além de nosso serviço sagrado. (Marcos 12:30; Filipenses 3:3) Por exemplo, aconselha-se ao cristão ou à cristã casados dedicar tempo a agradar ao cônjuge. Essas atividades não são ruins, mas o apóstolo Paulo declara que são “coisas do mundo” não “coisas do Senhor”. — 1 Coríntios 7:32-34; note 1 Timóteo 5:8.

      10 Além disso, Cristo autorizou seus seguidores a “pagar” impostos, e isto certamente envolve usar do tempo que é dedicado a Jeová — visto que toda a nossa vida é dedicada assim. Se a média da tributação cobrada num país for 33 por cento da renda (em alguns países é mais elevada), isto significa que todo ano o trabalhador mediano paga ao Tesouro do Estado o salário de quatro meses. Expresso de outro modo, no fim de seus anos de trabalho, o trabalhador mediano terá gasto cerca de 15 anos trabalhando para ganhar o dinheiro dos impostos que “César” exige. Considere também a educação escolar. Na maioria dos países, a lei exige que os pais façam seus filhos freqüentar a escola por um mínimo especificado de anos. O número de anos de educação escolar varia de país em país. Na maioria dos lugares, envolve um período considerável. É verdade que esta educação escolar usualmente é proveitosa, mas é César quem decide que parte da vida dum jovem deve ser gasta assim, e os pais cristãos acatam a decisão de César.

      Serviço militar obrigatório

      11, 12. (a) Que exigência faz César em muitos países? (b) Como encaravam os primeiros cristãos o serviço militar?

      11 Outra exigência de César, em alguns países, é o serviço militar obrigatório. No século 20, este arranjo foi instituído pela maioria das nações em tempos de guerra, e por algumas também em tempos de paz. Na França, esta obrigação foi por muitos anos chamada de imposto de sangue, significando que todo jovem tinha de estar disposto a dar a sua vida em favor do Estado. É isto algo que os dedicados a Jeová podem conscienciosamente dar? Como era este assunto encarado pelos cristãos do primeiro século?

      12 Embora os primeiros cristãos se esforçassem a ser bons cidadãos, sua fé os impedia de tirar a vida de alguém ou de sacrificar sua própria vida em favor do Estado. The Encyclopedia of Religion declara: “Os primeiros pais da igreja, incluindo Tertuliano e Orígenes, afirmavam que os cristãos não podiam tirar uma vida humana, um princípio que os impedia de fazer parte do exército romano.” O Professor C. J. Cadoux escreve no seu livro The Early Church and the World (A Igreja Primitiva e o Mundo): “Até o reinado de Marco Aurélio, pelo menos, nenhum cristão se tornava soldado após seu batismo.”

      13. Por que não encara a maioria na cristandade o serviço militar assim como os primeiros cristãos?

      13 Por que é que os membros das igrejas da cristandade não encaram isso deste modo hoje em dia? Por causa duma mudança radical que ocorreu no quarto século. A obra católica A History of the Christian Councils (História dos Concílios Cristãos) explica: “Muitos cristãos, . . . sob os imperadores pagãos, tinham escrúpulos religiosos com o serviço militar e negavam-se terminantemente a pegar em armas, ou então desertavam. O Sínodo [de Arles, realizado em 314 EC], considerando as mudanças introduzidas por Constantino, estabeleceu a obrigação de que os cristãos tinham de servir na guerra, . . . por estar a Igreja em paz (in pace) sob um príncipe amigável aos cristãos.” Em resultado de se abandonar assim os ensinos de Jesus, os clérigos da cristandade, desde aquele tempo e até agora, têm incentivado seus rebanhos a servir nos exércitos das nações, embora algumas pessoas tenham adotado uma posição como objetantes por motivo de consciência.

      14, 15. (a) Em que base reivindicam os cristãos em alguns lugares a eximição do serviço militar? (b) Onde a eximição não estiver disponível, que princípios bíblicos ajudarão o cristão a fazer a decisão correta na questão do serviço militar?

      14 Têm os cristãos hoje a obrigação de seguir a maioria neste assunto? Não. Caso um cristão dedicado e batizado more num país onde se concede eximição do serviço militar aos ministros de religião, ele poderá aproveitar-se desta provisão, porque de fato é ministro. (2 Timóteo 4:5) Diversos países, inclusive os Estados Unidos e a Austrália, têm concedido tal eximição mesmo em tempo de guerra. E em tempos de paz, em muitos países que mantêm o serviço militar obrigatório, concede-se eximição às Testemunhas de Jeová, por serem ministros de religião. Podem assim continuar a ajudar pessoas com o seu serviço público.

      15 O que se dá, porém, quando o cristão mora num país que não concede eximição aos ministros religiosos? Então ele terá de fazer uma decisão pessoal, seguindo sua consciência treinada pela Bíblia. (Gálatas 6:5) Levando em conta a autoridade de César, examinará com cuidado o que ele deve a Jeová. (Salmo 36:9; 116:12-14; Atos 17:28) O cristão se lembrará de que o sinal do cristão verdadeiro é o amor a todos os concrentes, mesmo aos que vivem em outros países ou que pertençam a outras tribos. (João 13:34, 35; 1 Pedro 2:17) Além disso, não se esquecerá dos princípios bíblicos encontrados em textos tais como Isaías 2:2-4; Mateus 26:52; Romanos 12:18; 14:19; 2 Coríntios 10:4 e Hebreus 12:14.

      Serviço civil

      16. Em alguns países, que serviço não-militar exige César daqueles que não aceitam o serviço militar?

      16 No entanto, há países em que o Estado, embora não conceda eximição aos ministros religiosos, reconhece que algumas pessoas podem ter objeção ao serviço militar. Muitos destes países têm providências para não obrigar essas pessoas conscienciosas a prestar serviço militar. Em alguns lugares, o serviço civil compulsório, tal como um trabalho útil na comunidade, é considerado como serviço não-militar, nacional. Pode o cristão dedicado prestar tal serviço? Novamente, o cristão dedicado e batizado terá de fazer a sua própria decisão à base da sua consciência treinada pela Bíblia.

      17. Há um precedente bíblico para serviço civil, não-militar?

      17 Parece que em tempos bíblicos se praticava o serviço compulsório. Certo livro de história declara: “Além dos impostos e dos tributos exigidos dos habitantes da Judéia, havia também uma corvéia [trabalho sem salário exigido pelas autoridades públicas]. Trata-se duma instituição antiga no Oriente, que as autoridades helênicas e romanas continuaram a manter. . . . O Novo Testamento, também, cita exemplos de corvéia na Judéia, mostrando que era muito difundida. De acordo com este costume, os soldados obrigaram Simão de Cirene a carregar a cruz [estaca de tortura] de Jesus (Mateus 5:41; 27:32; Marcos 15:21; Lucas 23:26).”

      18. Com que tipos de serviço comunitário não-militar, não-religioso, cooperam freqüentemente as Testemunhas de Jeová?

      18 De forma similar, o Estado ou as autoridades locais requerem hoje dos cidadãos de alguns países a participação em diversas formas de serviço comunitário. Às vezes se trata duma tarefa específica, tal como escavar poços ou construir estradas; outras vezes é de forma regular, tal como a participação semanal na limpeza de estradas, escolas ou hospitais. As Testemunhas de Jeová têm muitas vezes concordado em prestar tal serviço quando é para o bem da comunidade e não está ligado à religião falsa, nem é de outra maneira objetável à consciência delas. (1 Pedro 2:13-15) Isto usualmente tem resultado num testemunho excelente e às vezes tem silenciado os que acusam falsamente as Testemunhas de serem contra os governos. — Note Mateus 10:18.

      19. Como deve o cristão encarar o assunto quando César lhe pede prestar serviço nacional, não-militar, por um período de tempo?

      19 O que se dá, porém, quando o Estado exige que o cristão preste serviço civil durante um período como parte dum serviço nacional sob uma administração civil? Novamente, os cristãos têm de fazer a sua própria decisão baseada numa consciência informada. “Nós todos ficaremos postados diante da cadeira de juiz de Deus.” (Romanos 14:10) Os cristãos que se vêem confrontados com uma exigência de César devem com oração estudar o assunto e meditar sobre ele.a Pode ser também sábio conversar sobre o assunto com cristãos maduros na congregação. Depois tem de se fazer uma decisão pessoal. — Provérbios 2:1-5; Filipenses 4:5.

      20. Que perguntas e que princípios bíblicos ajudam o cristão a raciocinar sobre o assunto do serviço civil, nacional, não-militar?

      20 Enquanto fazem esta pesquisa, os cristãos devem considerar diversos princípios bíblicos. Paulo disse que temos de “[ser] obedientes a governos e autoridades como governantes, . . . prontos para toda boa obra, . . . [ser] razoáveis, exibindo toda a brandura para com todos os homens”. (Tito 3:1, 2) Ao mesmo tempo, os cristãos farão bem em examinar o proposto trabalho civil. Caso o aceitem, poderão manter a sua neutralidade cristã? (Miquéias 4:3, 5; João 17:16) Ficariam envolvidos em alguma religião falsa? (Revelação 18:4, 20, 21) Impediria ou os limitaria desarrazoadamente esse serviço de cumprirem com suas responsabilidades cristãs? (Mateus 24:14; Hebreus 10:24, 25) Por outro lado, poderão continuar a fazer progresso espiritual, talvez até mesmo participar no ministério de tempo integral enquanto prestam o serviço exigido? — Hebreus 6:11, 12.

      21. Qualquer que seja a sua decisão, como deve a congregação encarar o irmão que lida com o assunto do serviço civil, nacional, não-militar?

      21 Que fazer se as respostas honestas do cristão a essas perguntas o levem a concluir que o serviço civil, nacional, é uma “boa obra” em que ele pode participar em obediência às autoridades? Então a decisão cabe a ele perante Jeová. Os anciãos designados e outros devem respeitar plenamente a consciência deste irmão e continuar a considerá-lo como cristão de boa reputação. No entanto, se o cristão achar que não pode prestar este serviço civil, sua atitude também deve ser respeitada. Ele também continua a ter boa reputação e deve receber apoio amoroso. — 1 Coríntios 10:29; 2 Coríntios 1:24; 1 Pedro 3:16.

      22. Não importa com que situação nos confrontemos, o que continuaremos a fazer?

      22 Nós, cristãos, não deixaremos de dar “a quem exigir honra, tal honra”. (Romanos 13:7) Respeitaremos a boa ordem e procuraremos ser cidadãos pacíficos, acatadores da lei. (Salmo 34:14) Podemos até mesmo orar “com respeito a reis e a todos os em altos postos”, quando estes homens precisam tomar decisões que afetam a nossa vida e obra cristãs. Em resultado de pagarmos a César as coisas de César, esperamos ser possível “que continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade”. (1 Timóteo 2:1, 2) Acima de tudo, continuaremos a pregar as boas novas do Reino como única esperança da humanidade, conscienciosamente pagando de volta a Deus as coisas de Deus.

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