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Acautele-se contra a falta de féA Sentinela — 1998 | 15 de julho
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Acautele-se contra a falta de fé
“Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente.” — HEBREUS 3:12.
1. Que realidade chocante trazem à nossa atenção as palavras de Paulo dirigidas aos cristãos hebreus?
QUE idéia amedrontadora, que aqueles que antes usufruíam uma relação pessoal com Jeová pudessem desenvolver um “coração iníquo” e ‘separar-se do Deus vivente’! E que aviso isso nos dá! Essas palavras do apóstolo Paulo não foram dirigidas a descrentes, mas àqueles que tinham dedicado sua vida a Jeová à base da fé no sacrifício resgatador de Jesus Cristo.
2. Que perguntas devemos considerar?
2 Como era possível que alguém em tal estado espiritual abençoado alguma vez desenvolvesse “um coração iníquo, falto de fé”? Ora, como é que podia alguém que já provou o amor e a benignidade imerecida de Deus separar-se deliberadamente dele? E poderia isso acontecer com alguém de nós? Essas são idéias que nos fazem refletir, e cabe a nós examinar o motivo deste aviso. — 1 Coríntios 10:11.
Por que um conselho tão forte?
3. Descreva as circunstâncias que afetavam os cristãos do primeiro século em Jerusalém e nas suas redondezas.
3 Parece que Paulo dirigiu sua carta aos cristãos hebreus na Judéia em 61 EC. Um historiador mencionou que esta era uma época em que “não havia paz ou segurança para qualquer homem sóbrio e honesto, nem na cidade de Jerusalém, nem em outra parte de toda a província”. Era uma época de violação da lei e de violência, fomentadas pela mistura da opressiva presença militar romana com a valentia dos zelotes judeus, anti-romanos, e com as atividades criminosas dos ladrões que se aproveitavam desse período caótico. Tudo isso dificultava em muito as coisas para os cristãos, que procuravam arduamente não se envolver em tais assuntos. (1 Timóteo 2:1, 2) Na realidade, eles eram encarados como socialmente desajustados, e até mesmo sediciosos, por causa da sua atitude neutra. Os cristãos muitas vezes eram maltratados, e sofriam perdas pessoais. — Hebreus 10:32-34.
4. Que pressão de natureza religiosa sofriam os cristãos hebreus?
4 Os cristãos hebreus sofriam também intensa pressão de natureza religiosa. O zelo dos discípulos fiéis de Jesus e a resultante expansão rápida da congregação cristã provocaram o ciúme e a ira dos judeus — em especial dos seus líderes religiosos. Nada os fazia parar de hostilizar e perseguir os seguidores de Jesus Cristo.a (Atos 6:8-14; 21:27-30; 23:12, 13; 24:1-9) Mesmo quando poupados de perseguição direta, alguns cristãos ainda assim eram escarnecidos e ridicularizados pelos judeus. O cristianismo era desprezado como religião recém-formada, a que faltava o esplendor do judaísmo, não tendo templo, nem sacerdócio, nem festividades, nem sacrifícios formais, e assim por diante. Até mesmo o líder deles, Jesus, foi morto como criminoso condenado. Para praticarem a sua religião, os cristãos tinham de ter fé, coragem e perseverança.
5. Por que era essencial que os cristãos na Judéia permanecessem espiritualmente alertas?
5 Acima de tudo, os cristãos hebreus na Judéia viviam numa época decisiva na história daquela nação. Muito daquilo que seu Senhor, Jesus Cristo, dissera que marcaria o fim do sistema judaico já havia ocorrido. O fim não podia estar longe. Para sobreviver, os cristãos tinham de permanecer espiritualmente alertas e prontos para “fugir para os montes”. (Mateus 24:6, 15, 16) Teriam eles a fé e o vigor espiritual necessários para agir imediatamente, conforme Jesus mandara? Parecia haver algumas dúvidas.
6. De que precisavam urgentemente os cristãos na Judéia?
6 Durante a última década antes da dissolução do inteiro sistema judaico de coisas, os cristãos hebreus claramente sofriam severa pressão dentro e fora da congregação. Precisavam de encorajamento. Mas também necessitavam de conselhos e de orientação para ajudá-los a compreender que o proceder que adotaram era o certo, e que eles não tinham sofrido e perseverado em vão. Felizmente, Paulo mostrou-se à altura da situação e os ajudou.
7. Por que deve interessar-nos o que Paulo escreveu aos cristãos hebreus?
7 O que Paulo escreveu aos cristãos hebreus deve ser de imenso interesse para nós. Por quê? Porque vivemos numa época que é paralela à deles. Sentimos diariamente as pressões do mundo que está sob o controle de Satanás. (1 João 5:19) Diante dos nossos olhos cumprem-se as profecias de Jesus e dos apóstolos a respeito dos últimos dias e “da terminação do sistema de coisas”. (Mateus 24:3-14; 2 Timóteo 3:1-5; 2 Pedro 3:3, 4; Revelação [Apocalipse] 6:1-8) Acima de tudo, precisamos permanecer espiritualmente alertas, a fim de que ‘sejamos bem sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer’. — Lucas 21:36.
Alguém maior que Moisés
8. Por meio daquilo que está registrado em Hebreus 3:1, que exortou Paulo seus concristãos a fazer?
8 Mencionando um ponto vital, Paulo escreveu: “Considerai o apóstolo e sumo sacerdote que confessamos — Jesus.” (Hebreus 3:1) “Considerar” significa “perceber com clareza . . . , entender plenamente, considerar de perto”. (Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words [Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine]) Portanto, Paulo exortou seus concrentes a fazerem um esforço sério para chegar a reconhecer verdadeiramente o papel desempenhado por Jesus na fé e na salvação deles. Por fazerem isso, reforçariam sua resolução de se manter firmes na fé. Qual, então, era o papel de Jesus e por que devemos ‘considerá-lo’?
9. Por que chamou Paulo a Jesus de “apóstolo” e de “sumo sacerdote”?
9 Paulo aplicou os termos “apóstolo” e “sumo sacerdote” a Jesus. “Apóstolo” é alguém enviado, e aqui se relaciona com os meios de Deus se comunicar com a humanidade. “Sumo sacerdote” é alguém por meio de quem os humanos podem chegar-se a Deus. Estas duas provisões são essenciais para a verdadeira adoração, e Jesus é a personificação de ambas. Ele é o enviado do céu para ensinar à humanidade a verdade sobre Deus. (João 1:18; 3:16; 14:6) Jesus é também o designado como Sumo Sacerdote antitípico no arranjo do templo espiritual de Jeová para o perdão de pecados. (Hebreus 4:14, 15; 1 João 2:1, 2) Se realmente dermos valor às bênçãos que podemos obter por meio de Jesus, teremos a coragem e a determinação de nos manter firmes na fé.
10. (a) Como ajudou Paulo os cristãos hebreus a compreender a superioridade do cristianismo sobre o judaísmo? (b) Que verdade universal citou Paulo para reforçar seu ponto?
10 Para enfatizar o valor da fé cristã, Paulo comparou Jesus com Moisés, a quem os judeus encaravam como o maior profeta entre os seus antepassados. Se os cristãos hebreus pudessem compreender de pleno coração que Jesus é maior do que Moisés, então não teriam motivo para duvidar da superioridade do cristianismo sobre o judaísmo. Paulo salientou que, embora Moisés fosse contado digno de ser incumbido da “casa” de Deus — a nação ou congregação de Israel — ele era apenas um assistente ou servo fiel. (Números 12:7) Por outro lado, Jesus era o Filho, o senhor da casa. (1 Coríntios 11:3; Hebreus 3:2, 3, 5) Para reforçar este ponto, Paulo citou esta verdade universal: “Cada casa, naturalmente, é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.” (Hebreus 3:4) Ninguém questionaria que Deus é maior do que todos os demais, porque é o Construtor, ou Criador, de tudo. Portanto, é lógico que, visto que Jesus era colaborador de Deus, ele deve ser maior do que toda a outra criação, inclusive Moisés. — Provérbios 8:30; Colossenses 1:15-17.
11, 12. Paulo exortou os cristãos hebreus a se apegarem a que, ‘firmes até o fim’, e como podemos nós aplicar o conselho dele?
11 Deveras, os cristãos hebreus eram muito favorecidos. Paulo lembrou-lhes que eram “participantes da chamada celestial”, um privilégio a ser prezado acima de tudo o que o sistema judaico podia oferecer. (Hebreus 3:1) As palavras de Paulo devem ter feito esses cristãos ungidos sentir-se gratos de que receberiam uma nova herança, em vez de ficar tristes de que haviam renunciado a coisas relacionadas com a herança judaica. (Filipenses 3:8) Exortando-os a se apegarem ao seu privilégio e a não o presumirem como automático, Paulo disse: “Cristo foi fiel como Filho sobre a casa Daquele. Nós somos a casa Daquele, se fizermos firme o nosso apego à nossa franqueza no falar e à nossa jactância a respeito da esperança firme até o fim.” — Hebreus 3:6.
12 Deveras, se os cristãos hebreus haviam de sobreviver à iminente terminação do sistema de coisas judaico, precisavam apegar-se à sua esperança dada por Deus, ‘firmes até o fim’. Nós precisamos fazer o mesmo hoje em dia, se quisermos sobreviver ao fim do atual sistema. (Mateus 24:13) Não devemos permitir que as ansiedades da vida, a apatia do povo ou as nossas próprias tendências imperfeitas nos façam vacilar na fé nas promessas de Deus. (Lucas 21:16-19) Prestemos atenção às palavras adicionais de Paulo, para ver como podemos fortalecer-nos.
“Não endureçais os vossos corações”
13. Que aviso deu Paulo e como aplicou ele o Salmo 95?
13 Depois de considerar a posição favorecida dos cristãos hebreus, Paulo deu o seguinte aviso: “Como diz o espírito santo: ‘Hoje, se escutardes a sua própria voz, não endureçais os vossos corações como na ocasião em que se causou ira amarga, como no dia em que se fez a prova no ermo.’” (Hebreus 3:7, 8) Paulo citava o Salmo 95, e por isso podia dizer que ‘o espírito santo diz’.b (Salmo 95:7, 8; Êxodo 17:1-7) As Escrituras foram inspiradas por Deus por meio do seu espírito santo. — 2 Timóteo 3:16.
14. Como reagiram os israelitas ao que Jeová fizera por eles, e por quê?
14 Depois de os israelitas terem sido libertados da escravidão no Egito, eles receberam a grande honra de entrar numa relação pactuada com Jeová. (Êxodo 19:4, 5; 24:7, 8) No entanto, em vez de mostrar apreço pelo que Deus fizera por eles, logo agiram com rebeldia. (Números 13:25-14:10) Como pôde isso acontecer? Paulo indicou a razão: o endurecimento do coração deles. Mas como podem corações sensíveis e responsivos à Palavra de Deus ficar endurecidos? E o que temos nós de fazer para impedir isso?
15. (a) Como se tem ouvido ‘a própria voz de Deus’ no passado e no presente? (b) Que perguntas temos de fazer a nós mesmos sobre a ‘voz de Deus’?
15 Paulo iniciou seu aviso com a frase condicional “se escutardes a sua própria voz”. Deus falou ao seu povo por intermédio de Moisés e de outros profetas. Depois, Jeová falou-lhe por meio do seu Filho, Jesus Cristo. (Hebreus 1:1, 2) Atualmente, nós temos a completa Palavra inspirada de Deus, a Bíblia Sagrada. Temos também “o escravo fiel e discreto”, designado por Jesus para fornecer o espiritual “alimento no tempo apropriado”. (Mateus 24:45-47) De modo que Deus ainda está falando. Mas, estamos nós escutando? Por exemplo, como reagimos a conselhos sobre nosso modo de vestir e de nos arrumar, ou sobre a escolha de diversão e música? Será que ‘escutamos’, quer dizer, prestamos atenção e obedecemos ao que ouvimos? Se tivermos o hábito de achar desculpas ou de objetar ao conselho, expomo-nos ao perigo sutil de endurecer o coração.
16. Qual é uma maneira em que nosso coração pode ficar endurecido?
16 Nosso coração pode também ficar endurecido se nos escusarmos de fazer o que podemos e devemos fazer. (Tiago 4:17) Apesar de tudo o que Jeová fez para os israelitas, eles deixaram de exercer fé, rebelaram-se contra Moisés, escolheram acreditar nos maus relatos a respeito de Canaã e negaram-se a entrar na Terra Prometida. (Números 14:1-4) Por isso, Jeová decretou que passariam 40 anos no ermo — o bastante para os membros sem fé daquela geração morrerem. Desagradando-se deles, Deus disse: “‘Eles sempre se perdem nos seus corações, e eles mesmos não chegaram a conhecer os meus caminhos.’ De modo que jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso.’” (Hebreus 3:9-11) Vemos nisso uma lição para nós?
Uma lição para nós
17. Por que faltou fé aos israelitas, embora vissem os poderosos feitos de Jeová e ouvissem os pronunciamentos dele?
17 A geração de israelitas que saiu do Egito viu com os próprios olhos e ouviu com os próprios ouvidos os poderosos feitos e pronunciamentos de Jeová. Mesmo assim, não tinham fé em que Deus os pudesse levar a salvo para a Terra Prometida. Por que não? “Eles mesmos não chegaram a conhecer os meus caminhos”, disse Jeová. Sabiam o que Jeová tinha dito e feito, mas não criaram confiança nem fé na Sua habilidade de cuidar deles. Ficaram tão obcecados com as suas necessidades e desejos pessoais, que pensaram pouco nos modos e no propósito de Deus. Deveras, tinham falta de fé na promessa dele.
18. Segundo Paulo, que proceder resultará em se ter “um coração iníquo, falto de fé”?
18 As palavras adicionais dirigidas aos hebreus aplicam-se com força igual a nós: “Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente.” (Hebreus 3:12) Paulo tocou no âmago do assunto por salientar que “um coração iníquo, falto de fé”, resulta de “se separar do Deus vivente”. Anteriormente, na sua carta, ele falou de ‘se desviar’ por falta de atenção. (Hebreus 2:1) No entanto, o termo grego vertido ‘separar-se’ significa ‘apartar-se’ e está relacionado com a palavra “apostasia”. Denota resistir, retirar-se e desertar deliberada e conscientemente, com o sentido adicional de desprezo.
19. Que sérias conseqüências pode ter não se dar atenção a conselhos? Queira ilustrar isso.
19 Portanto, a lição é que, se criarmos o hábito de deixar de ‘escutar a própria voz’ de Jeová, desconsiderando o seu conselho dado por meio da sua Palavra e da classe do escravo fiel, não demorará muito até que nosso coração fique calejado e endurecido. Por exemplo, um rapaz e uma moça talvez fiquem um pouco íntimos demais. O que se daria se eles apenas não fizessem caso disso? Ficariam assim protegidos contra repetir o que fizeram, ou tornaria isso para eles ainda mais fácil fazê-lo de novo? De modo similar, quando a classe do escravo dá conselho sobre a necessidade de ser seletivo na escolha da música e da diversão, e assim por diante, aceitamo-lo com gratidão e fazemos os ajustes necessários? Paulo nos exorta a ‘não deixarmos de nos ajuntar’. (Hebreus 10:24, 25) Apesar deste conselho, alguns adotam um conceito indiferente sobre as reuniões cristãs. Acham que perder algumas delas ou mesmo não assistir a certas reuniões não tem importância.
20. Por que é essencial que acatemos o conselho bíblico de forma positiva?
20 Se não acatarmos positivamente a “voz” de Jeová, expressa de forma clara nas Escrituras e em publicações bíblicas, nos veremos logo ‘separados do Deus vivente’. Não ligar muito a conselhos pode facilmente passar a tornar-se menosprezo, crítica e rejeição. Se isso não for controlado, o resultado será “um coração iníquo, falto de fé”, e recuperar-se de tal proceder costuma ser muito difícil. (Note Efésios 4:19.) Jeremias escreveu aptamente: “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer?” (Jeremias 17:9) Por este motivo, Paulo instou com seus concrentes hebreus: “Persisti em exortar-vos uns aos outros cada dia, enquanto se possa chamar de ‘hoje’, para que nenhum de vós fique endurecido pelo poder enganoso do pecado.” — Hebreus 3:13.
21. Todos nós somos exortados a fazer o que, e com que perspectivas?
21 Como nos sentimos felizes de que Jeová ainda fala conosco hoje em dia por meio da sua Palavra e da sua organização! Somos gratos de que “o escravo fiel e discreto” continua a nos ajudar a ‘fazer firme o nosso apego à confiança que tivemos no princípio, firme até o fim’. (Hebreus 3:14) Agora é o tempo de correspondermos ao amor e à orientação de Deus. Procedendo assim, podemos usufruir outra das maravilhosas promessas de Jeová — a de ‘entrarmos’ no seu descanso. (Hebreus 4:3, 10) Este é o assunto que Paulo considerou a seguir com os cristãos hebreus, e é também o tema que consideraremos no próximo artigo.
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Já entrou no descanso de Deus?A Sentinela — 1998 | 15 de julho
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Já entrou no descanso de Deus?
“O homem que entrou no descanso de Deus descansou também das suas próprias obras.” — HEBREUS 4:10.
1. Por que é o descanso tão desejável?
DESCANSO. Que palavra agradável e bonita! A maioria de nós concordaria que, por vivermos num mundo de ritmo acelerado e agitado, um pouco de descanso é muito bem-vindo. Tanto jovens como idosos, casados ou solteiros, talvez se sintam oprimidos e exaustos devido ao dia-a-dia. Para os que têm limitações físicas ou enfermidades, cada dia constitui um desafio. Conforme dizem as Escrituras, “toda a criação junta persiste em gemer e junta está em dores até agora”. (Romanos 8:22) Quem está descansando não é necessariamente preguiçoso. O descanso é uma necessidade humana que precisa ser satisfeita.
2. Desde quando tem Jeová repousado?
2 O próprio Jeová Deus tem repousado. Lemos no livro de Gênesis: “Foram acabados os céus, e a terra, e todo o seu exército. E ao sétimo dia Deus havia acabado sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a sua obra que fizera.” Jeová atribuiu significado especial ao “sétimo dia”, porque o registro inspirado prossegue, dizendo: “Deus passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado.” — Gênesis 2:1-3.
Deus descansou das suas obras
3. Quais não podem ser os motivos de Deus descansar?
3 Por que descansou Deus no “sétimo dia”? É claro que não descansou porque estava cansado. Jeová tem uma “abundância de energia dinâmica” e “não se cansa nem se fatiga”. (Isaías 40:26, 28) Nem passou Deus a descansar porque precisava duma interrupção ou duma mudança de ritmo, porque Jesus nos disse: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.” (João 5:17) De qualquer modo, “Deus é Espírito” e não é restrito pelos ciclos corporais e pelas necessidades das criaturas físicas. — João 4:24.
4. Em que sentido era o “sétimo dia” diferente dos seis ‘dias’ precedentes?
4 Como podemos chegar a compreender o motivo de Deus repousar “no sétimo dia”? Por notarmos que, embora Deus se agradasse muito do que tinha realizado durante o longo período dos seis ‘dias’ criativos precedentes, ele abençoou especialmente “o sétimo dia” e o declarou “sagrado”. O Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa define “sagrado” como “dedicado a Deus, a uma divindade ou a um desígnio religioso”. De modo que abençoar Jeová “o sétimo dia” e declará-lo sagrado indica que este e o “repouso” de Jeová devem ter alguma relação com a Sua vontade sagrada e Seu propósito, em vez de com alguma necessidade da sua parte. Qual é esta relação?
5. O que pôs Deus em funcionamento durante os primeiros seis ‘dias’ criativos?
5 Nos seis ‘dias’ criativos precedentes, Deus criara e pusera em funcionamento todos os ciclos e leis que governam a operação da Terra e de tudo em torno dela. Os cientistas aprendem agora quão maravilhosamente esses foram projetados. Perto do fim do “sexto dia”, Deus criou o primeiro casal humano e o colocou no “jardim do Éden, do lado do oriente”. Por fim, Deus declarou seu propósito para com a família humana e a Terra nas seguintes palavras proféticas: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” — Gênesis 1:28, 31; 2:8.
6. (a) No fim do “sexto dia”, o que achou Deus de tudo o que tinha criado? (b) Em que sentido é sagrado o “sétimo dia”?
6 Ao se aproximar o fim do “sexto dia” da criação, o relato nos conta: “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:31) Deus estava satisfeito com tudo o que havia feito. De modo que repousou, ou desistiu, de mais obras criativas com respeito à Terra. Embora o jardim paradísico fosse então perfeito e belo, abrangia apenas uma pequena área, e havia somente duas criaturas humanas na Terra. Levaria tempo para a Terra e a família humana atingirem a condição que Deus propusera. Por esta razão, ele designou um “sétimo dia”, que permitiria que tudo o que havia criado nos anteriores seis ‘dias’ se desenvolvesse em harmonia com a Sua vontade sagrada. (Note Efésios 1:11.) Ao passo que “o sétimo dia” se aproximar do seu fim, a Terra se terá tornado um paraíso global, habitado eternamente por uma família de humanos perfeitos. (Isaías 45:18) “O sétimo dia” é reservado ou dedicado à realização e ao cumprimento da vontade de Deus para com a Terra e a humanidade. Neste sentido, ele é “sagrado”.
7. (a) Com relação a que repousou Deus no “sétimo dia”? (b) Como será tudo quando o “sétimo dia” acabar?
7 De modo que Deus repousou da sua obra criativa no “sétimo dia”. É como se tivesse parado e deixado que aquilo que pôs em funcionamento seguisse seu curso. Ele tem plena confiança de que, no fim do “sétimo dia”, tudo se terá tornado exatamente assim como se propôs que fosse. Mesmo havendo obstáculos, estes foram superados. Toda a humanidade obediente será beneficiada quando a vontade de Deus atingir sua plena realidade. Nada impedirá isso, porque a bênção de Deus está sobre o “sétimo dia” e ele o tornou “sagrado”. Que gloriosa perspectiva para toda a humanidade obediente!
Israel deixou de entrar no descanso de Deus
8. Quando e como passaram os israelitas a observar o sábado?
8 A nação de Israel foi beneficiada pelo arranjo de Jeová, de haver trabalho e descanso. Mesmo antes de dar aos israelitas a Lei no monte Sinai, Deus disse-lhes por meio de Moisés: “Notai o fato de que Jeová vos deu o sábado. É por isso que ele vos dá no sexto dia o pão para dois dias. Ficai sentados, cada um no seu próprio lugar. Ninguém saia do seu lugar [da sua localidade] no sétimo dia.” O resultado foi que “o povo passou a observar o sábado no sétimo dia”. — Êxodo 16:22-30.
9. Por que era a lei sabática, sem dúvida, uma mudança bem-vinda para os israelitas?
9 Este foi um arranjo novo para os israelitas, que acabavam de ser libertados da escravidão no Egito. Embora os egípcios e outros medissem o tempo em períodos de cinco a dez dias, é pouco provável que se tenha permitido um dia de descanso aos israelitas escravizados. (Note Êxodo 5:1-9.) Por isso é razoável concluir que os do povo de Israel aceitaram de bom grado esta mudança. Em vez de encarar o requisito do sábado como um fardo ou uma restrição, deviam ter-se alegrado de segui-lo. Na realidade, Deus disse-lhes mais tarde que o sábado servia de lembrete da sua escravidão no Egito e da sua libertação por ele. — Deuteronômio 5:15.
10, 11. (a) O que poderiam ter usufruído os israelitas se tivessem sido obedientes? (b) Por que os israelitas não chegaram a entrar no descanso de Deus?
10 Se os israelitas que saíram do Egito com Moisés tivessem sido obedientes, eles teriam tido o privilégio de entrar na prometida ‘terra que manava leite e mel’. (Êxodo 3:8) Ali teriam usufruído verdadeiro descanso, não apenas no sábado, mas durante toda a sua vida. (Deuteronômio 12:9, 10) No entanto, não foi o que aconteceu. O apóstolo Paulo escreveu a respeito deles: “Quem foram os que ouviram e ainda assim provocaram à ira amarga? Não fizeram isso, de fato, todos os que tinham saído do Egito, sob Moisés? Ainda mais, de quem ficou Deus aborrecido por quarenta anos? Não foi daqueles que pecaram, cujos cadáveres caíram no ermo? Mas, a quem jurou que não haviam de entrar no seu descanso, senão aos que agiram de modo desobediente? Vemos assim que não podiam entrar por causa da falta de fé.” — Hebreus 3:16-19.
11 Que forte lição para nós! Por causa da falta de fé em Jeová, aquela geração não obteve o descanso que ele lhe prometera. Em vez disso, pereceram no ermo. Não perceberam que eles, como descendentes de Abraão, estavam intimamente relacionados com a vontade de Deus, de dar bênçãos a todas as nações da Terra. (Gênesis 17:7, 8; 22:18) Em vez de agirem em harmonia com a vontade divina, deixaram-se distrair completamente por seus desejos mundanos e egoístas. Que nós nunca adotemos tal proceder! — 1 Coríntios 10:6, 10.
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