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IntroduçãoPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Introdução
Uma bênção de Deus! Milhões de hindus, jainistas e siques a desejam fervorosamente. Eles fazem diariamente atos de devoção e adoração para obter essa bênção. Tem o leitor também esse desejo de todo o coração?
2 Sábios indianos há muito vêm ensinando a importância de tais bênçãos divinas. No Brahma Purana, por exemplo, eles perguntaram: “Que deidade deve adorar um devoto que deseja libertação . . . ? De onde se obtém o bem-estar supremo? . . . Quem é o deus dos deuses?”1 Mais tarde, o guru Nanaque similarmente perguntou: “Como se tornará verdadeiro o homem perante Deus?”2 Obviamente, se conseguirmos responder a essas perguntas, podemos esperar receber muitas bênçãos de Deus para nós e para a nossa família.
3 O Bagavat Gita diz-nos que a única coisa que Deus pede de nós é simplesmente oferecermos nosso amor. Diz que “se conquista a mais elevada Pessoa com amor e adoração dirigidos a nenhum outro”.3 O sique Granth Sahib concorda com isso: “Servir a Deus é amá-lo, quando homens piedosos refletem sobre isto.”4 Certamente concordamos, mas que instruções nos foram dadas por Deus para sermos orientados na adoração verdadeira?
4 O objetivo desta brochura é conduzir o leitor à revelação que o próprio Deus fez a respeito de si mesmo, a fim de que possa adorá-lo com amor e verdade. Ela examina a busca da Sruti, as escrituras inspiradas por Deus, e mostra como o leitor poderá estar entre os milhões que se beneficiam agora de seus ensinamentos e recebem as bênçãos de Deus. Que Deus oriente o leitor e sua família na busca de eternas bênçãos e felicidade, para o louvor dele!
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Amar a Deus com obras e verdadePor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 1
Amar a Deus com obras e verdade
“Dê-me todo o seu coração, ame e adore-me”, diz a deidade no Bagavat Gita. Ele chama isto “a mais profunda de todas as verdades” no que diz respeito à religião suprema.1 Mas como podemos mostrar nosso amor e nossa devoção a Deus?
2 ‘Devoção significa obediência à vontade divina’, comenta o swami S. Radhakrishnan, porque todas as demais coisas que podemos oferecer a Deus já Lhe pertencem.2 Da mesma forma, o guru Nanaque declara que uma pessoa que ‘escuta, obedece e ama a Deus de coração’ tem maior mérito do que aquela que simplesmente dá esmolas ou pratica a austeridade.3
3 Concorda o leitor com esses comentários? A maioria dos que são sinceros concorda. Mas, antes de podermos obedecer a Deus, precisamos saber qual é a vontade divina. A que devemos recorrer para descobrir a verdade divina?
Será que a nossa própria pessoa nos revela a verdade?
4 Alguns sábios hindus afirmam que a verdade espiritual está oculta no nosso coração e é revelada por meio da meditação da ioga ou por cantar mantras. Por outro lado, o swami Satprakashananda sustenta que a meditação sem conhecimento prévio de Deus “com muita probabilidade fica sujeita à fantasia e não consegue remover a ignorância nem revelar a Verdade”.4
5 Ressaltando as limitações do raciocínio humano, o swami Vivekananda declara: “[As] perguntas quanto a se existe ou não alma imortal, . . . se existe ou não uma inteligência suprema que dirige este Universo, estão além do âmbito da razão. A razão jamais poderá responder a estas perguntas. . . . Entretanto, estas perguntas nos são muito importantes. Sem uma resposta adequada a elas, a vida humana fica sem objetivo.”5 Visto que não podemos responder a estas perguntas pelo raciocínio humano, a que podemos recorrer?
Escrituras Sagradas
6 Destacados sábios hindus sempre disseram que a escritura é o meio pelo qual Deus revela a sua verdade. ‘A escritura é a única fonte das verdades a respeito do supra-sensível’, diz Sankaracarya.6 O Gita também declara: “Seja a Escritura sua norma para determinar o que é certo e o que é errado. Ao chegar a saber o que a escritura pede que execute, deve realizar neste mundo as obras prescritas nela.”7
7 Tal como a abelha que deseja néctar precisa encontrar uma flor, assim uma pessoa que ama a Deus precisa buscar a Sua verdade. O swami Prabhavananda diz: “Acima de tudo, Deus é verdade. O homem que ama a verdade deve, por conseguinte, amar a Deus; o homem que não ama a verdade nunca vai amar a Deus.”8
8 Na sua busca da verdade, será que basta recorrer a si próprio? Por que não ir além de si mesmo e examinar a escritura? Existem, porém, muitas escrituras sagradas que afirmam proceder de Deus. Como pode identificar aquela que contém a Sua verdade?
[Quadro na página 5]
Podem os rituais aperfeiçoar nosso amor a Deus?
“Não devemos confundir [o gauni bacti] com os mesmos rituais, como a repetição dos nomes de Deus, dos hinos, das orações e do culto prestado pelos seguidores do Caminho do Desejo. . . . Eles querem algo tangível em troca do culto que prestam. O amor não pode desenvolver-se por meio desse tipo de transação.” — Hinduism at a Glance (Hinduísmo num Relance), do swami Nirvedananda, 1979, página 94.
[Foto na página 4]
É o homem capaz de determinar por si só o melhor modo de servir a Deus?
[Foto na página 5]
‘A escritura é a única fonte das verdades a respeito do supra-sensível’
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Como se pode identificar a verdade de Deus?Por Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 2
Como se pode identificar a verdade de Deus?
Como podemos distinguir entre a palavra de Deus e a palavra do homem — entre o certo e o errado? Ora, em qualquer disputa sobre os pesos usados por um comerciante, não conferiríamos a aferição oficial dos pesos para determinar a questão? Igualmente, para adorarmos nosso Criador com amor e verdade, precisamos verificar as credenciais básicas dos textos sagrados.
2 Conforme vimos, só Deus pode satisfazer nossas necessidades espirituais, de modo que é de esperar que exista uma escritura procedente dele para magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele, tais como: Quem é Deus? Por que nos criou? De que maneira devemos adorá-lo? Por que existe tanto sofrimento, e viverá algum dia a família humana com felicidade duradoura? Estas perguntas básicas dizem respeito a cada um de nós. Como responde Deus a elas?
3 Pais amorosos não desconsideram as necessidades de nenhum de seus filhos. Similarmente, era de esperar que Deus tornasse suas escrituras sagradas disponíveis a todos os membros de sua família humana. Se esses escritos estivessem disponíveis, digamos, apenas em sânscrito ou em gurmuqui, nem todas as pessoas se beneficiariam deles, não é verdade?
4 Um pai bondoso, mesmo que tenha muita cultura, fala sempre com seus filhos no nível de entendimento deles. Da mesma forma, as escrituras procedentes de Deus precisam ser fáceis de entender. Paulo, pregador do primeiro século de nossa Era Comum, disse: “Prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para ensinar também os outros, a dizer milhares de palavras em línguas estranhas.” — 1 Coríntios 14:19, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
5 Nós nos ressentimos quando somos defraudados e nos contam mentiras. Mas somos atraídos a pessoas que falam a verdade. A honestidade nos dá uma sensação de segurança e confiança. Visto que nosso senso do que é certo e do que é errado se origina de nosso Criador, é impossível que ele fale falsidades. Espera-se que ele ensine doutrinas certas e boa moral e que seja exato ao referir-se a eventos históricos.
6 Como devemos, então, considerar escrituras que apresentam mitos como sendo acontecimentos históricos? Conforme veremos, os mitos, ao contrário da verdade, diferem muito e às vezes representam a Deus como fraco ou imoral. A palavra de Deus tem de estar livre de mitos.
7 Muitas pessoas hoje procuram presságios, fazem feitiços e consultam médiuns espíritas. Os espíritos invocados secretamente por meio dessas práticas não raro prejudicam pessoas inocentes, o que inclui crianças. Visto que Deus não é mau, podem escrituras relacionadas com tais formas de demonismo originar-se dele? Todas as revelações do verdadeiro Deus estão livres de demonismo.
8 Podemos saber também se uma escritura procede de Deus ou de homem observando os frutos que ela produz na vida dos que seguem seus ensinamentos. São eles puros, honestos e diligentes, ou são fraudulentos, desonestos e corruptos? É o relacionamento deles na família caloroso e baseado no amor, ou aceitam maltratar mulheres e outros como coisa normal? Conhecem a Deus como pessoa, como amigo, ou são guiados unicamente por líderes religiosos? Um livro de origem divina deve fornecer soluções para nossos problemas e produzir um bom efeito em nossa vida.
9 Estes sete requisitos em conjunto fornecem a norma pela qual se pode testar todos os escritos sagrados. Quando um livro satisfaz todos estes, certamente se origina de Deus!
10 Examinemos agora juntos diversos textos sagrados para ver se estão à altura disto. Lembremo-nos de que nosso interesse é obter orientação divina. Nosso Criador, como pai cuidadoso, também quer que conheçamos a Sua vontade, a fim de que o amemos e o adoremos.
[Quadro na página 7]
Questões que devem ser examinadas
Ao ler esta brochura, verifique se os escritos religiosos estão à altura de todos ou de quaisquer dos sete critérios básicos.
Devem:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Estar disponíveis a todos
3. Ser fáceis de entender
4. Ensinar doutrinas certas e boa moral
5. Estar livres de mitos
6. Estar livres de demonismo
7. Fornecer soluções para nossos problemas e produzir um bom efeito em nossa vida
[Foto na página 6]
Em qualquer disputa sobre os pesos usados por um comerciante, conferimos a aferição oficial deles. O que identificará se determinadas escrituras procedem de Deus?
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Os escritos sagrados da ÍndiaPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 3
Os escritos sagrados da Índia
O GURU NANAQUE E O GURU GRANTH SAHIB
Segundo o Guru Granth Sahib, o guru Nanaque, fundador do siquismo, nunca reconheceu plenamente a autoridade das escrituras hindus, porque ele se opunha às cerimônias védicas, ao sistema de castas e à adoração de uma multidão de deuses. Remontando, porém, à origem das crenças de Nanaque, o escritor sique Khushwant Singh observa: “Mesmo uma leitura casual de seus hinos revela a influência do Rigveda, dos Upanixades . . . e do Bagavat Gita.” Portanto, para entendermos o Guru Granth Sahib, precisamos examinar as fontes de seus ensinamentos — os Vedas, os Upanixades e o Bagavat Gita. — The Sikh Gurus and Sikh Religion (Os Gurus Siques e a Religião Sique), de Anil Chandra Banerjee, 1983, páginas 133-4.
O BRAMI — A RAIZ DA ESCRITA DA ÍNDIA
As escritas das línguas indianas, como sânscrito, hindi, punjabi, marata, malaiala, tâmil e bengali, “originaram-se basicamente do brami, a escrita usada pelo imperador Asoka no terceiro século a.C., segundo as mais antigas inscrições indianas existentes”. — Indian Manuscripts, Biblioteca Britânica, 1977, página 1.
“O brami, protótipo tradicional de todas as escritas indo-arianas, talvez tenha sido introduzido no oitavo ou sétimo século a.C.” — A Dictionary of Hinduism, de Margaret e James Stutley, 1977, página 267.
OS VEDAS
Os mais antigos hinos dos quatro Vedas (Rig-Veda, Iajur-Veda, Sama-Veda e Atarva-Veda) foram compostos quase 3.000 anos atrás e foram transmitidos oralmente de professor para aluno. “Foi só no século quatorze d.C. que o Veda foi assentado por escrito.” — A History of India, P. K. Saratkumar, 1978, página 24.
OS UPANIXADES
Mais de cem tratados sobre filosofia e misticismo hindus foram compostos cerca de 2.500 anos atrás. “Embora os mais antigos Upanixades já estivessem compilados por volta do ano 500 a.C., continuaram a ser escritos até a época em que se espalhou a influência maometana na Índia.” — A History of Indian Philosophy, de Surendranath Dasgupta, edição indiana de 1975, volume 1, página 39.
OS PURANAS
Uma forma de escritos em sânscrito de antigas lendas e de mitologia hindu. “Nenhum dos dezoito principais Puranas é anterior ao período dos Guptas (320-480 d.C.), embora grande parte da matéria lendária seja mais antiga.” — Hinduism, de M. Stutley, 1985, página 37.
MAHAVIRA E OS ÁGAMAS
Os ensinamentos englobados nas escrituras jainistas, coletivamente chamadas de ágamas, são atribuídos em parte a Mahavira e seus discípulos. Qual era a fonte de seus ensinamentos?
“A filosofia do jainismo inspirou-se principalmente no sistema ateísta Sankhya”, observa Epics, Myths and Legends of India (Epopéias, Mitos e Lendas da Índia), de P. Thomas, 1980, página 132. A filosofia de Sankhya (também Samkhya), por sua vez, baseia-se nos Upanixades e ensina que é possível a libertação do sofrimento e o renascimento por meio de conduta correta e práticas do ascetismo. Portanto, para entender as crenças jainistas, precisamos considerar sua origem: os Upanixades.
O GURU GRANTH SAHIB
Uma coleção de quase 6.000 hinos compostos por vários gurus siques, bem como por místicos hindus e muçulmanos. “O Guru-Granth foi compilado pelo quinto guru sique, Arjun, em 1604 d.C.” — Sri Guru Granth Sahib (Mestre Guru Granth Sahib), traduzido pelo Dr. Gopal Singh, 1987, volume 1, página XVIII.
AS EPOPÉIAS
O Ramayana conta a história de Rama, um príncipe que mais tarde governou na capital Ajodhya, norte da Índia, e foi deificado como o sétimo avatar de Víxenu.
O Mahabharata descreve o conflito entre duas famílias pelo domínio da parte superior da Índia há uns 3.000 anos.
“Tanto o Rāmāyaṇa de Vālmiki como o Mahābhārata de Vyāsa devem ter sido concluídos entre os anos 500 a.C. e 200 d.C., o primeiro na primeira metade desse período e o último na segunda metade.” — Advanced History of India, de K. A. Nilakanta Sastri e G. Srinivasachari, 1982, página 59.
OS ÁGAMAS
Escrituras jainistas compiladas em sânscrito e em prácrito sobre a vida e os ensinamentos de Mahavira, que viveu há mais de 2.400 anos. “O cânon das escrituras de Svetambara, que não recebeu forma definida até quase o ano 500 d.C., consiste em aproximadamente quarenta e cinco textos, em seis grupos.” — Abingdon Dictionary of Living Religions (Dicionário Abingdon de Religiões Vivas), editado por Keith Crim, 1981, página 371.
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Os Vedas: a busca da verdadePor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 4
Os Vedas: a busca da verdade
De todas as escrituras hindus, as mais antigas e mais importantes são os Vedas. Até hoje são a principal fonte das cerimônias hindus, realizadas por ocasião do nascimento, do casamento e da morte. Seus hinos revelam como os adoradores buscam a bênção de Deus e a prosperidade no cotidiano.
2 Os hindus ortodoxos crêem que os Vedas são Sruti, revelação de Deus, e, por conseguinte, isentos de erro e de imperfeição. Por outro lado, Buda, que é reverenciado por muitos como a nona encarnação de Víxenu, rejeitou a autoridade deles, descrevendo-os como uma ‘selva inexplorada’. Há uma variedade de outras crenças entre esses conceitos opostos.
3 Os richis (videntes) disseram que compuseram os hinos védicos com a sua própria ‘habilidade e conhecimento’.1 Num hino dedicado a Agni, certo richi ora assim: “Inspirado pela poesia, compus este hino em seu louvor . . . , tal como um habilidoso artista modela uma carruagem.”2 Como acontece com poetas e artistas, os richis se sentiram impelidos no íntimo a compor mais de mil hinos védicos. Qual é a importância desses?
O código moral védico
4 Guiados pela consciência, os richis expõem a imoralidade como algo ruim. Aconselham ao jogador: “Não jogue mais com dados, mas cultive seu campo.”3 Quando perturbados por uma consciência pesada, eles oram: “Se nós, humanos, cometemos alguma ofensa contra os deuses, ó Varuṇa, ou por descuido violamos suas leis, não nos cause dano, ó deus, por esse pecado.”4
5 Alguns dos hinos dos richis são inspirados nas qualidades que temos, de amor e bondade. Por exemplo, os membros da família são exortados a ser “achegados uns aos outros como um recém-nascido bezerro o é à vaca. . . . Que a esposa fale ao marido palavras doces, sempre propícias. Irmão não odeie seu irmão, nem irmã sua irmã”.5
A busca da verdade por parte dos richis
6 Os Vedas revelam a notável sede dos richis pela verdade. Revelam também os limites de seu entendimento. Para descobrirem o significado da vida, perguntam-se sobre a origem do Universo: “De que madeira ou de que árvore [os deuses] esculpiram o céu e a Terra?”, pergunta um richi.6 Certos hinos indicam que a matéria existiu antes de Deus, ao passo que outros declaram que foi Deus quem produziu a matéria com que formou o Universo.
7 Segundo ainda outro hino, os deuses fizeram o Universo imolando um homem cósmico. “A Lua foi produzida de sua mente (manas), o Sol (surya), de seu olho, . . . de sua cabeça, o céu, de seus pés, a Terra.”7 Dele surgiram também as diferentes castas e os animais.
8 Essas explicações, porém, não satisfizeram plenamente aos richis que desejavam conhecer a verdade. Por conseguinte, ao concluírem os Vedas, ainda se perguntam: “Quem sabe a verdade? Quem sabe dizer quando e como surgiu o Universo? Os deuses [védicos] são posteriores ao começo dele: quem sabe, portanto, de onde veio esta criação? Só aquele deus que vê do mais alto céu: só ele sabe de onde veio este Universo, e se foi feito ou é incriado. Só ele sabe, ou talvez não saiba.”8
9 Os richis dirigiram seus hinos a elementos naturais deificados como o sol, o céu, o vento e o fogo. Mas não consideravam nenhum destes a divindade suprema. Conseqüentemente, no último livro do Rig-Veda, eles perguntam: “Que Deus devemos adorar com a nossa oferenda?”9 Em outras palavras, qual dos 33 deuses dos Vedas é o Criador a quem devemos adorar com amor e verdade?
10 Ao completarem os Vedas, os richis não haviam encontrado o verdadeiro Deus para o adorarem. Ainda estavam em busca dele. Os Vedas, portanto, não são uma revelação da verdade de Deus, mas um registro da sincera busca dele por parte dos richis. Os Upanixades, o próximo grande conjunto de escrituras da Índia, dão prosseguimento à busca.
[Quadro na página 10]
Os Vedas: sabia que . . .
“O Atarva-Veda . . . não era originalmente reconhecido como sendo canônico como o eram os três outros Vedas. Desenvolveu-se quando o sacerdote Adhvaryu começou a procurar agradar o povo e a produzir encantamentos mágicos e feitiçaria contra doenças, inimigos e demônios.” — A New History of Sanskrit Literature (Nova História da Literatura Sânscrita), de Krishna Chaitanya, 1962, página 33.
[Quadro na página 11]
Como podem ser avaliados os Vedas segundo os seguintes critérios?
Devem:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Estar livres de mitos
3. Estar livres de demonismo
[Foto na página 10]
Os rituais hindus, como os que são realizados por ocasião do nascimento, do casamento e da morte (veja a página seguinte), baseiam-se nos Vedas
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Os Upanixades: o amor à filosofiaPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 5
Os Upanixades: o amor à filosofia
“Todos os sistemas filosóficos e as religiões da Índia, heréticas ou ortodoxas, surgiram dos Upanixades”, declara o livro The Vedic Age (A Era Védica).1 É nessas composições que se ensina primeiro o ciclo do carma e do renascimento — a crença comum dos hindus, dos jainistas e dos siques. Que mais ensinam?
Reflexões sobre o significado da vida
2 Os Upanixades continuam a busca da verdade, busca esta em que os richis se empenharam e que começou com os Vedas. “Nos Upaniṣads, os sábios partiram da idéia de que existe um controlador ou ente supremo que preside sobre o homem e sobre o Universo”, observa o Dr. S. Dasgupta. Ele acrescenta: “Mas qual era a sua natureza? Poderia ser identificado com qualquer . . . nova deidade ou não era de modo algum uma deidade? Os Upaniṣads nos apresentam a história dessa busca.”2
3 Nos retiros das florestas, os sábios meditavam e debatiam sobre perguntas tais como: “Qual é a origem do Universo? . . . De onde viemos? Que poder sustenta a nossa vida? Onde encontramos descanso [na morte]? Quem dirige nossas alegrias e nossas tristezas?”3 Esperando encontrar respostas por meio de seu próprio raciocínio e experiência, em vez de por meio de uma revelação divina, eles disseram: “Informem-nos isto, ó filósofos.”4
Os frutos da filosofia
4 Os sábios atribuem a criação do mundo a Brama que, segundo Isa Upanishad, é um ser à parte do Universo. (Versículo 1) O Mundaka Upanishad, por outro lado, considera Brama como o próprio Universo. Um terceiro conceito, baseado no Svetasvatara Upanishad, sugere que, embora Brama seja real, o Universo é simplesmente uma ilusão (maya).
5 Um relato sobre a criação, no Chandogya Upanishad, afirma que o mundo nasceu de um ovo gigantesco. Sobre a origem da vida, o Brihadarayanka Upanishad declara que o Criador, sentindo-se solitário e infeliz, “atingiu o tamanho de um homem e de uma mulher entrelaçados e, daí, dividiu-se em dois, criando um marido e uma mulher. . . . Deste modo, criou o macho e a fêmea de todas as criaturas, até das formigas”.5
6 O que acontece na morte? Segundo o Katha Upanishad, o jovem Nachiquetas aproxima-se de Iama, o deus da morte, e pede: “Quando um homem morre, surge esta dúvida: alguns dizem que ‘ele existe’ e outros que ‘ele não existe’. Ensine-me a verdade.” Iama responde: “Até mesmo os deuses tinham esta dúvida nos tempos antigos, pois é misteriosa a lei da vida e da morte. Peça outra graça.”6 Nachiquetas persiste, porém, e Iama por fim expõe a doutrina do renascimento.
7 Descrevendo esse ciclo de renascimentos, o Chandogya Upanishad relata que, na morte, a alma da pessoa vai para a Lua e permanece ali até que suas “boas obras sejam consumidas”.7 Depois disso, ela cai como chuva na Terra para “renascer aqui como arroz e cevada, como ervas e árvores”. Precisa então esperar para entrar num ventre até que “uma pessoa ou outra o ingira como alimento e o emita como sêmen”.8 Sua casta, ou forma de vida, é determinada quando renasce, segundo seu carma anterior.
Continua a busca
8 Como os Vedas, “os Upanixades deixaram algumas grandes questões não solucionadas”, observa o livro India. “O hindu individual ainda está livre para decidir se crê na Suprema Realidade como um espírito . . . impessoal . . . ou como um Deus pessoal. . . . Similarmente, o crente pode decidir crer que o mundo é um aspecto de Brama ou que é simplesmente Sua criação — ou pode permanecer indeciso.”9
9 Embora o ensinamento do carma e do renascimento seja considerado hoje pelos hindus devotos como verdade divinamente revelada, lemos no livro The Vedic Age que “os Upanixades não contêm ‘conceitos sobre-humanos’, mas humanos, tentativas absolutamente humanas de se aproximar da verdade”.10 Assim também, o livro Advanced History of India observa: “Os upanixades revelam a natureza das suposições sobre a Verdade, de pontos de vista diferentes, levando essas suposições por fim à evolução dos sistemas [indianos] de filosofia.”11
10 Portanto, para o leitor conhecer a verdade de Deus, é preciso que continue a busca em algo além dos Vedas e dos Upanixades. Se fizer isso, demonstrará que realmente ama a Deus e deseja adorá-lo com verdade. Portanto, examinemos a seguir as epopéias e o Bagavat Gita, tradicionalmente as principais entre as escrituras Smriti. Será que elas podem ajudar-nos em nossa busca?
[Quadro na página 13]
Os Upanixades: sabia que . . .
“Literalmente, [“Upanixade”] significa sentar-se perto devotadamente, e faz-nos lembrar de modo concreto de um discípulo aplicado que aprende de seu guru, seu mestre espiritual. Significa também ensinamento secreto — secreto, sem dúvida, porque é um ensinamento concedido apenas aos que estão espiritualmente preparados para recebê-lo.” — The Spiritual Heritage of India (A Herança Espiritual da Índia), do swami Prabhavananda, 1980, página 39.
[Quadro na página 13]
Como podem ser avaliados os Upanixades segundo os seguintes critérios?
Devem:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Estar disponíveis a todos
3. Ser fáceis de entender
4. Ensinar doutrinas certas e boa moral
5. Estar livres de mitos
[Foto nas páginas 12 e 13]
O ensinamento do ciclo do carma e dos renascimentos originou-se dos Upanixades
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As epopéias: verdades e fábulasPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 6
As epopéias: verdades e fábulas
“Desde o começo, o Rāmāyana e o Mahābhārata exerceram profunda influência sobre a Índia”, observa o swami Prabhavananda. Suas lendas “forneceram a poetas e dramaturgos, teólogos e pensadores políticos, pintores e escultores, sua . . . inspiração que nunca falha”.1 Sem dúvida, muitas dessas lendas lhe são conhecidas. O que acha delas?
2 Atualmente, muitos hindus recorrem às epopéias como fonte de orientação moral e espiritual. Outros lhes atribuem primariamente valor histórico, em vez de valor religioso. Mas será que contêm verdades a respeito de Deus e da adoração dele?
Elementos de verdade
3 “A grande batalha descrita no Mahabharata pode ter base histórica na lembrança de uma batalha travada no norte da Índia, no décimo século a.C.”, sugere M. Stutley em Hinduism.2 Os arqueólogos comprovaram que alguns lugares mencionados nessa epopéia existiram realmente entre os anos 800 e 400 AEC. “A essência das epopéias foi, porém, aumentada e embelezada” ao longo dos séculos, para incluir “uma grande quantidade de lendas, de mitos e de fantasias mesclados com moralidade, religião e filosofia”, observa a obra History of Philosophy Eastern and Western (História de Filosofia Oriental e Ocidental).3
4 A história relatada no Mahabharata sobre Manu, que salvou a humanidade de um dilúvio global, contém também alguma verdade histórica. O dilúvio foi “o evento mais importante que marcou a história do mundo antigo, e as lendas comuns sobre o dilúvio sugerem que o mesmo evento foi descrito nos relatos indianos, hebraicos e babilônicos”, diz a obra The Vedic Age.4a
5 Esse mesmo livro diz que a história de Rama, quando “destituída de seus elementos miraculosos, fabulosos, incríveis e mitológicos, indica claramente que ele [Rama] era um grande rei que espalhou idéias e instituições arianas a regiões em toda a parte”.5
6 Além desses aspectos históricos, as epopéias contêm princípios morais e religiosos. Por exemplo, o Mahabharata incentiva as pessoas a ser hospitaleiras, dizendo: “Até mesmo aos adversários que nos visitam como hóspedes se deve demonstrar a devida hospitalidade; a árvore provê sombra com suas folhas ao homem que a derruba.”6 Em outra parte, diz: “O céu não se agrada tanto de dádivas dispendiosas, oferecidas com a esperança de uma recompensa futura, como das menores dádivas sinceras, retiradas de ganhos honestos e santificadas pela fé.”7
Contos imaginários
7 Em contraste com esses bons princípios, porém, as epopéias refletem às vezes as opiniões de seus compiladores. Por exemplo, no Ramayana, diz-se que a Terra é sustentada por oito elefantes que se movem quando cansados e assim causam terremotos. Os compiladores tampouco conheciam a fonte do rio Ganges, no Himalaia. Pensavam que destilava dos céus. — Ramayana 1:40-44.
8 Sabia o leitor que os escritores do Mahabharata adotaram o conceito prevalecente na época, de que as mulheres foram criadas só para corromper os homens castos, com o fim de impedi-los de ganhar a salvação? (Mahabharata 13:40) Até mesmo o Gita considera as mulheres como sendo de nascimento inferior e as classifica como escravas servis. Crê nisto? Parece-lhe isto justo e razoável? — Bagavat Gita 9:32.
9 A falta de uma inspirada Sruti levou os escritores épicos a criar fábulas para responder a perguntas. Por exemplo, para explicar a morte, o Mahabharata declara que houve época em que os humanos se multiplicaram sem morrer e se tornaram tantos que “não havia espaço para respirar”.8 Temendo que isto resultasse em ‘a Terra afundar-se nas águas’, o Criador produziu uma deusa para causar morte aos humanos, ou por doenças, ou por ferimentos. — Mahabharata 12:248-250.
10 Segundo os eruditos indianos, os compiladores das epopéias criaram também suas lendas. No Gita, Críxena afirma ser Deus. A respeito disto, o Dr. S. Radhakrishnan diz: “O poeta Vyasa [que o escreveu] imagina vividamente como Críxena, Deus encarnado, falaria sobre si mesmo.” Similarmente, o autor M. Hariharan observa que “outra pessoa deve ter deificado a Críxena, fazendo-o realizar obras sobrenaturais”.9 No Ramayana, Rama não afirma ser um deus, mas meramente um humano que sofre por causa de seus pecados. — Ramayana 3:63, 64.
As epopéias: a escolha
11 Os poemas épicos eram originalmente cantados nas cortes dos reis durante os grandes festivais realizados para proclamar a fama dos príncipes. Os compiladores lhes acrescentaram mais tarde fábulas religiosas.10 “O mais brilhante desses acréscimos”, observa D. D. Kosambi, “é o Bhagavad-Gītā, um discurso proferido presumidamente pelo deus Críxena pouco antes do combate. O próprio deus era novo, sua suprema divindade não seria reconhecida senão séculos mais tarde”.11 Deste modo, nas epopéias há lado a lado verdades históricas e fábulas religiosas.
12 Portanto, ao continuar a sua busca da Sruti, uma completa revelação da verdade de Deus, considere a seguir os Puranas, nos quais se baseia atualmente a adoração hindu.
[Nota(s) de rodapé]
a O relato hebraico, que é o mais antigo e o mais exato, aparece em Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, nos Gê capítulos 6, 7 e 8.
[Quadro na página 14]
As Epopéias: sabia que . . .
“Encerrado num livro da grande epopéia indiana, o Mahābhārata, acha-se o Bhagavad-Gītā, ou Canto de Deus, a obra mais popular de toda a literatura religiosa da Índia. . . . Sem incorrer em contradição, pode-se dizer que é a Bíblia Sagrada da Índia, embora, diferentemente dos Upaniṣads [Upanixades], não seja reconhecido como Śruti, ou escritura revelada, mas apenas como Smṛti, ou tradição que elabora as doutrinas dos Upaniṣads.” — The Spiritual Heritage of India, do swami Prabhavananda, 1980, página 95.
[Quadro na página 15]
Como podem ser avaliadas as epopéias segundo os seguintes critérios?
Devem:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Ensinar doutrinas certas e boa moral
3. Estar livres de mitos
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Os Puranas e a atual adoração hinduPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 7
Os Puranas e a atual adoração hindu
A adoração hindu atualmente baseia-se nas escrituras conhecidas como Puranas. Ao contrário dos Vedas, promovem o uso de imagens, rituais em templos e peregrinações a lugares sagrados. Por meio dessas práticas, os adoradores buscam a bênção de Deus para se livrar do ciclo de renascimentos.
2 “Os Purāṇas têm sido chamados ‘o Veda da plebe’, visto que apresentam muita matéria tradicional e ortodoxa em forma de mito e lenda, história e símbolo”, observa a obra Hindu World (O Mundo Hindu).1 Embora os Puranas não sejam de modo geral aceitos pelos brâmanes e reformadores ortodoxos, gozam de popularidade entre os hindus mais simples. Será que lhe podem ser de ajuda para adorar a Deus com verdade? Considere o que ensinam.
A Criação segundo os Puranas
3 Influenciados por idéias védicas, os compiladores do Víxenu Purana criam que o Universo consistia em sete níveis superiores, estando a Terra na base, e sete níveis inferiores, habitados por seres metade homens, metade serpentes.
4 No Bhagavata Purana, o Sol e a Lua, segundo se pensa, giram em torno da Terra. Diz-se que a Lua, ao descrever sua órbita, por ter velocidade maior, ultrapassa o Sol. A Terra, que descansa sobre uma cobra, é dividida em continentes que estão separados por oceanos de água, vinho e ghee (manteiga semilíquida de leite de búfala). — Bhagavata Purana 5:16-22, 25.
A busca de Deus
5 Os Puranas, como os Vedas e os Upanixades, continuam a busca do verdadeiro Deus. Embora os sábios adorem muitas deidades, desejam sinceramente saber: “Que deidade deve um devoto que deseja a libertação adorar . . . ? Quem é o deus dos deuses?” Como são importantes estas perguntas!
6 Em resposta, o Brahma Purana observa que, embora Brama, Víxenu ou Xiva sejam adorados, o verdadeiro Criador é outro.2 Confirmando este ponto, Brama declara no Bhagavata Purana que tanto ele como Xiva ainda precisam sondar a natureza do Criador. — Bhagavata Purana 2:6.
7 Efetivamente, sem uma revelação divina, era impossível aos sábios conhecer a Deus. Em resultado disso, alguns adoradores chegaram a imaginá-lo um humano, um animal ou até mesmo um ser metade homem, metade animal. O Bhagavata Purana descreve Víxenu como um peixe “de cor dourada, com chifre e corpo que se estende por dez milhões de yojanas”.3a O Vayu Purana retrata-o como um javali de cor escura, da altura de 6.400 quilômetros.
8 Os compiladores das lendas purânicas imaginavam também que os deuses tinham fraquezas humanas. O Brahmavai Purana declara que os sábios não adoram Brama porque ele foi amaldiçoado por ter cometido um grande erro.4b Outros Puranas descrevem Xiva como “um mau provedor [que] deixou sua família passar fome, ao passo que ele próprio era dado ao ópio e a outras drogas”, segundo a obra Hindu World.5
9 Incomodado com relatos sobre as relações de uma deidade com as ordenhadoras locais, um rei no Bhagavata Purana pergunta: ‘Como pode o senhor divino, que nasceu para estabelecer a virtude e reprimir vícios, praticar o oposto, a saber, a corrupção das esposas de outros homens?’7 A isto, o sábio responde que, se seres superiores se desviam da virtude, então não pode ser considerado pecado, assim como não se pode atribuir culpa ao fogo se este consumir coisas impuras.8
Métodos de adoração
10 A adoração purânica se centraliza em templos, ou santuários, cuidadosamente projetados. Seus projetos fundamentais seguem um mandala, que, segundo o swami Harshananda, “é um diagrama geométrico com poderes ocultos”.9 O objeto mais sagrado do templo é o iantra, uma placa de ouro com diagramas ocultistas. Era usado no passado pelos seguidores das seitas do tantrismo, que praticavam rituais eróticos, retratados nas paredes dos grandes templos hindus e jainistas.
11 Os ídolos são banhados em água ou em leite pelos adoradores que esperam ganhar riqueza ou boa saúde. Também, segundo o Brahmavai Purana aplicam-se tilakas na fronte das pessoas para assegurar o poder mágico dos rituais.10 Acendem-se lâmpadas e oferecem-se flores para afastar espíritos maus, ao passo que se decantam mantras que louvam as deidades ou suplicam seu favor.
12 O Skanda Purana remonta o uso de ídolos a uma maldição sobre os deuses lançada pela deusa Parvati por causa da intrusão deles na sua vida privada. A Encyclopaedia of Puranic Beliefs and Practices (Enciclopédia de Crenças e Práticas Purânicas) declara: “Isto parece explicar a prática [hindu] de adorar blocos de pedra como deuses e também ídolos bem esculpidos.”11
Qual será a sua escolha?
13 Os hindus classificam os Puranas como Smriti porque esses escritos não são de inspiração divina, mas são de origem humana. Portanto, se desejarmos sinceramente que Deus aceite nossa adoração e nos abençoe, precisamos continuar a buscar a Sruti. Que orientação nos podem dar os gurus?
[Nota(s) de rodapé]
a A yojana é uma antiga medida de distância, que variava entre seis e dezesseis quilômetros.
b “Em toda a Índia, apenas um templo importante — em Pushkar, Rajastã — é dedicado a Brama.”6 — India, 1986, Livros Time-Life, página 38.
[Quadro na página 17]
Como podem ser avaliados os Puranas segundo os seguintes critérios?
Devem:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Ensinar doutrinas certas e boa moral
3. Estar livres de mitos
4. Estar livres de demonismo
5. Fornecer soluções para nossos problemas e produzir um bom efeito em nossa vida
[Foto na página 16]
A adoração hindu nos templos e suas festividades religiosas baseiam-se nos Puranas
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Os gurus: seu papel na adoraçãoPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 8
Os gurus: seu papel na adoração
O swami Prabhavananda escreve: “Para alguém chegar a conhecer a Deus, é essencial a orientação de um instrutor competente, pois a religião é uma ciência prática, para a qual nem livros nem escrituras podem ser um guia completo.”1 Por esse motivo, muitos hindus buscam a orientação dos gurus que podem ajudá-los a elaborar um sistema de crença e de adoração.
2 É incontestável que precisamos de orientação para entender verdades espirituais. Visto que os gurus não dependem de escrituras, qual é a origem de seus ensinamentos e milagres?
A origem da ordem dos gurus
3 A ordem dos gurus foi introduzida nos Upanixades como um desafio à autoridade dos Vedas. Em substituição de dispendiosos rituais védicos, os Upanixades promoveram um ‘conhecimento secreto’ como meio de salvação.2
4 A rejeição dos Vedas fez aumentar a importância dos gurus. Afirmava-se que a libertação só podia ser alcançada depois de alguém ter sido iniciado por um guru e ter recebido uma mantra secreta ou algum outro expediente. A obra The World of Gurus (O Mundo dos Gurus) diz: “Sendo o guru indispensável, ele tendia também a se tornar supremo, até mesmo acima das escrituras. . . . Sua própria autoridade, derivada de sua experiência mística privada, era incontestável.”3
5 Tendo na realidade suplantado as escrituras, os gurus logo foram identificados com Deus. O guru é também Deus, e isto não deve ser contestado, afirma o Yogashikhopanishad.4 Na iniciação, diz-se que um guru recebe experiências sobrenaturais de sua deidade enquanto está em transe e ele é considerado depois disso a encarnação dessa deidade. “O Guru é o Próprio Deus que se manifesta em forma pessoal para guiar o aspirante”, explica o swami Sivananda.5
6 Além de afirmar igualdade com Deus, os gurus acrescentam nos Upanixades: “Deve-se adorar com extrema devoção o guru que transmite sabedoria divina, que é o guia espiritual e o Próprio Senhor Supremo.”6 De modo que a obra Hindu World observa: “Agitam-se velas diante dele, queima-se incenso na sua presença, cantam-se hinos e as pessoas se prostram. . . . Lavam-se os pés do guru e a água em que isto é feito é passada entre seus seguidores que a bebem.”7
Qual é a origem dos milagres?
7 Muitos seguem os gurus porque lhes impressionam os seus milagres que os devotos atribuem a Deus.a Nas escrituras hindus consta, porém, que pessoas más, como Ravana, possuíam poderes sobrenaturais similares. Têm, então, outra origem, que não seja de Deus, essas obras poderosas?
8 Os gurus adquirem poderes sobrenaturais praticando artes da ioga. Mas na Yoga Sutra, Patânjali, o pai da filosofia da ioga, atribui esses poderes a “seres celestiais” maus, cujo objetivo principal é, segundo o swami Vivekananda, “tentar o iogue” para que não ganhe a libertação perfeita.8 Assim, o swami “advertiu contra lidar com tais poderes mágicos e ressaltou a necessidade de evitá-los totalmente”, observa a obra Tantrism.9
Até que ponto é real a libertação?
9 Os antigos hindus recorriam à ioga para descobrir a verdade suprema que os Vedas não ensinaram. O Katha Upanishad diz que a verdade não pode ser aprendida pelas escrituras ou pela razão, mas apenas por meio de experiências místicas. (1:2:23) Por esse motivo, o swami hindu Sivananda declara: “O intelecto é um empecilho. O que separa a pessoa de Deus é a mente.”10 Portanto, os místicos praticam a meditação da ioga para entorpecer o intelecto e entrar em transes ou em sensações de êxtase. Diz-se que os que atingem esse estado encontraram a verdade e alcançaram a mocsa.
10 Esvaziando a mente e amortecendo os sentidos, o iogue pode ver e ouvir coisas estranhas. “Se, porém, a meditação [ioga] tiver sido combinada, como muitas vezes se dá, com outras técnicas, como jejuar, tomar drogas, isolar-se totalmente e práticas que se assemelham a torturas, o estado [mental] despojado pode causar alucinações estranhas. Podem também ocorrer acontecimentos ‘místicos’ do tipo kundalini”, declara a obra Understanding Yoga (Entenda Ioga).11b O iogue é levado a crer que as experiências estranhas que teve fora de seu estado racional são reais e boas.
11 Seguindo este proceder, alguns iogues afirmam ter alcançado a união com o mundo espiritual, que dizem ser Deus. No livro Mysticism Sacred and Profane (Misticismo Sagrado e Profano), R. C. Zaehner adverte: “Este estado vazio é perigoso, pois é uma ‘casa varrida e adornada’ e, embora seja possível Deus entrar nela se a mobília for bonita, é igualmente provável que os sete espíritos proverbiais entrem precipitadamente nela . . . se não houver nela nenhuma mobília.”12c Por este motivo, os gurus muitas vezes alertam seus novos discípulos de que a ioga pode expô-los à influência demoníaca. Seria necessário dar esse alerta se o verdadeiro Deus estivesse envolvido nessas práticas?
12 Muitos gurus promovem suas crenças pessoais, sustentando que se baseiam em escrituras confiáveis. Por exemplo, a Society for Krishna Consciousness afirma que suas crenças se baseiam nas ‘escrituras védicas’. Por outro lado, The World of Gurus declara: “Não se faz nenhuma tentativa de estabelecer a autenticidade das escrituras. . . . Se [os devotos] lessem as escrituras, saberiam que as histórias sobre Críxena e Rada não se baseiam em escrituras de peso, muito menos em fatos.”13
13 Visto que os gurus são guiados pela sua própria experiência e conhecimento, a que deve o leitor recorrer em busca da verdade revelada por Deus? Obviamente, precisa consultar escrituras que são realmente inspiradas por Deus. Onde pode encontrá-las?
[Nota(s) de rodapé]
a Eles incluem clarividência, curas, levitação e andar sobre fogo.
b Os iogues descrevem o kundalini como uma energia misteriosa que, como uma serpente enrolada, está dormente na base da coluna vertebral. Quando esta energia desperta, quer mediante exercícios físicos, quer sexuais, o iogue passa a ter sensações e visões estranhas, que ele interpreta como “libertação” ou fusão de seu ser com Deus.
c Zaehner faz aqui alusão às palavras de Jesus, registradas no livro bíblico de Lucas, capítulo 11, versículos 24-26.
[Quadro na página 19]
A ioga: sabia que . . .
“O que pode parecer uma participação superficial no pranaiama [exercícios de respiração] e em assanas [posturas da ioga], pode acabar sendo o primeiro passo no caminho do ocultismo, cercado de perigos em potencial para os incautos. Os exercícios físicos da ioga são especificamente elaborados para preparar o corpo para as mudanças psicoespirituais que se seguem. Ao longo dos séculos, a ioga tem sido usada primeiro e principalmente como vestíbulo que conduz ao santuário recôndito da experiência ocultista.” — Tantrism, de Benjamin Walker, 1985, página 125.
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Como se pode identificar a verdade inspirada por DeusPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 9
Como se pode identificar a verdade inspirada por Deus
Sabia que atuais reformadores hindus, como Ramakrishna e Vivekananda, foram influenciados pela Bíblia? Mohandas (Mahatma) Gandhi também afirmou que os ensinamentos dela podem ‘solucionar os problemas do mundo inteiro’. Tanto os hindus como os siques devem a ela seu conceito sobre bacti, que, diz a obra Hindu World, resultou do “impacto do cristianismo nos primeiros séculos da era atual”.1 Assim, a Bíblia ganhou o respeito de grandes pensadores indianos.
A Bíblia e a ciência
2 Escrito há quase 3.500 anos, o versículo inicial da Bíblia descreveu a origem do Universo, dizendo: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) Em harmonia com esta declaração, os cientistas reconhecem atualmente que o Universo teve realmente um começo, uma gênese.2
3 A origem da matéria do Universo, diz a Bíblia, é a “abundância de energia dinâmica” de Deus. (Isaías 40:26) Hoje, uns 2.700 anos depois de se escrever isto, a ciência moderna descobriu que toda a matéria é basicamente energia materializada.3
4 Numa época em que os homens criam que o Universo era composto de apenas alguns milhares de estrelas que podiam ver a olho nu, a Bíblia comparava o número das estrelas aos grãos de areia à beira do mar. (Gênesis 22:17) No passado, dizia-se que esta comparação era muito exagerada, mas hoje a evidência mostra que o número das estrelas é realmente incalculável.4 De modo similar, muito antes da ciência moderna, a Bíblia descreveu com exatidão a Terra como um “círculo”, ou globo, ‘suspenso sobre o nada’. — Isaías 40:22; Jó 26:7.
5 A Bíblia diz que Adão, o primeiro homem, foi criado “do pó do solo”. (Gênesis 2:7) Sabemos hoje que o corpo humano é composto de diversos elementos químicos, todos eles existentes no solo. Denota também um conhecimento surpreendente o comentário da Bíblia de que ‘as partes de um embrião em desenvolvimento estão assentadas por escrito num livro’. Isto foi 3.000 anos antes de a ciência moderna descobrir o código genético que, como um livro, contém todas as características de um embrião humano em crescimento. — Salmo 139:14-16.
Um registro autêntico
6 Muitas vezes, os que estudam a História ficam assombrados com a exatidão da Bíblia. O erudito indiano D. D. Kosambi disse: “O valor histórico do Veda é bastante pequeno em comparação com o do Velho Testamento da Bíblia, que foi sempre apresentado como história pelas pessoas que mantiveram contato com seu país. A arqueologia da Palestina . . . fornece ampla confirmação de muitos eventos bíblicos.”5
7 A Bíblia registra também eventos importantes da história mundial e como estes repercutiram em outras nações, incluindo a Índia. Considere, por exemplo, a invasão persa da Índia no quinto e sexto séculos AEC, em que Dario Histaspes obteve o controle de Sind e de partes do Punjab, como são conhecidos atualmente. Conforme observado em Advanced History of India, “esse território continuou a formar parte do império persa sob Xerxes”6. Este fato histórico foi registrado com precisão na Bíblia, em Ester 1:1, por volta do ano 475 AEC — uma das mais antigas referências à Índia de que se sabe.7
Uma forma de adoração limpa
8 A Bíblia nos diz que existe um só Deus verdadeiro. Apenas na Bíblia ele nos revelou seu nome: JEOVÁ. Ali ele declara: “Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum.” Portanto, Jeová não tem avatares, tampouco existe ele em aspectos diferentes. Todas as qualidades e forças necessárias para sustentar a criação existem apenas nele. “A quem é que podeis assemelhar Deus e que semelhança podeis comparar com ele?”, pergunta o profeta. — Isaías 40:18; 43:10.
9 No que diz respeito à adoração de Jeová, é conduta limpa, não rituais, que se exige para receber a bênção dele. Deus diz: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios? . . . Incenso — é algo detestável para mim. Lua nova e sábado, a convocação de um congresso — não posso tolerar o uso de poder mágico junto com a assembléia solene. . . . Embora façais muitas orações, não escuto; . . . cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem.” — Isaías 1:11-17.
10 Os que vivem segundo a Bíblia estão bem protegidos dos perigos do espiritismo. Ela aconselha: “Não se deve achar em ti alguém que faça seu filho ou sua filha passar pelo fogo, . . . quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamento, ou alguém que vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos, ou alguém que consulte os mortos. Pois, todo aquele que faz tais coisas é algo detestável para Jeová.” — Deuteronômio 18:10-12.
Um código moral superior
11 Outra diferença importante entre a Bíblia e outros livros sagrados é o poder que ela tem para ajudar-nos a levar uma vida melhor. Por exemplo, ela declara: “O gatuno não furte mais, antes, porém, trabalhe arduamente, fazendo com as mãos bom trabalho, a fim de que tenha algo para distribuir a alguém em necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra pervertida, mas a que for boa para a edificação, conforme a necessidade . . . Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, . . . junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros.” (Efésios 4:28-32) Que conselho excelente!
12 A superioridade do código moral da Bíblia é evidente também no fato de se fundamentar no amor da pessoa a Deus. Por exemplo, exorta as mulheres: “Não seja o vosso adorno o trançado externo dos cabelos e o uso de ornamentos de ouro ou o trajar de roupa exterior, mas, seja a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorruptível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus.” Os maridos são similarmente aconselhados a ‘atribuir honra’ a suas respectivas esposas ‘a fim de que as orações deles não sejam impedidas’. — 1 Pedro 3:3, 4, 7.
A maior de todas as evidências
13 Será que o Deus da Bíblia é o Deus verdadeiro e vivente? Para provar que ele é Deus, Jeová convoca os deuses das outras religiões para um teste. “Reúnam-se no tribunal, todas as nações”, diz ele. “Por acaso um dos seus deuses anunciou o que ia acontecer? Algum deles disse o que está acontecendo agora? Que eles tragam as suas testemunhas e provem que estão certos.” — Isaías 43:9, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
14 Quem tem sido capaz de explicar os eventos significativos no mundo atual? Quase 2.000 anos atrás, a Bíblia predisse com exatidão a agitação que o mundo tem presenciado desde 1914. Ela predisse: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino; e haverá grandes terremotos, e, num lugar após outro, pestilências e escassez de víveres.” (Lucas 21:10, 11) Em contraste com os ensinamentos hindus, a Bíblia, agora traduzida parcial ou totalmente em cerca de 2.000 línguas e dialetos, contém profecias verdadeiras, cujo cumprimento estamos vendo em nossos dias.
15 Décadas antes de estourar a Primeira Guerra Mundial em 1914, os adoradores de Jeová vinham divulgando a importância daquele ano. O jornal TheWorld, de Nova York, de 30 de agosto de 1914, explicava: “O horrível irrompimento da guerra na Europa tem cumprido uma profecia extraordinária. No último quarto de século, por meio de pregadores e pela imprensa, os ‘Estudantes Internacionais da Bíblia’ [como eram conhecidas as Testemunhas de Jeová naquela época] . . . têm proclamado ao mundo que o Dia da Ira profetizado na Bíblia amanheceria em 1914.”8 Desde os graves acontecimentos daquele ano, preditos com tanta precisão unicamente na Bíblia, o inteiro sistema mundial de coisas está nos seus “últimos dias”. — 2 Timóteo 3:1-5.
16 O cumprimento de muitas outras profecias bíblicas prova que ela “é inspirada por Deus”.a (2 Timóteo 3:16) Portanto, pode-se ter plena confiança nas coisas que ela ensina e prediz. Isto inclui o propósito de Deus de em breve eliminar da Terra todas as religiões que o desonram (como tem feito a cristandade que é culpada de sangue) e de estabelecer para sempre paz e harmonia entre todas as raças da humanidade. (Revelação [Apocalipse] 18:4, 5) É urgente acatar a exortação: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque já chegou a hora do julgamento por ele, e assim, adorai Aquele que fez o céu, e a terra.” (Revelação 14:7) O que isto requer?
[Nota(s) de rodapé]
a Para uma consideração pormenorizada do cumprimento de profecias bíblicas, veja as páginas 117-48 do livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, publicado em 1989 pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Quadro na página 21]
Em que sentido é Jeová diferente?
Comparando o conceito hindu sobre Deus com o de outras religiões, o Dr. S. Radhakrishnan observa: “O Deus dos hebreus [Jeová] é de um tipo diferente. Ele é uma pessoa, atua na História e se interessa nas mudanças e oportunidades deste mundo em desenvolvimento. Ele é um Ser que se comunica conosco.” — Hinduism and Its Rationalism (Hinduísmo e seu Racionalismo), de M. Hariharan, 1987, página 56.
[Quadro na página 23]
Como pode ser avaliada a Bíblia segundo os seguintes critérios?
Deve:
1. Magnificar a Deus e responder a nossas perguntas a respeito dele
2. Estar disponível a todos
3. Ser fácil de entender
4. Ensinar doutrinas certas e boa moral
5. Estar livre de mitos
6. Estar livre de demonismo
7. Fornecer soluções para nossos problemas e produzir um bom efeito em nossa vida
[Foto na página 21]
A Bíblia, parcial ou totalmente, pode ser lida agora em mais de 130 línguas indianas
[Fotos nas páginas 22, 23]
A Bíblia é o único livro sagrado que prediz os acontecimentos mundiais que têm ocorrido desde o ano de 1914!
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Os adoradores de Deus amam a Sua verdadePor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Capítulo 10
Os adoradores de Deus amam a Sua verdade
Pelo exame que fizemos de vários livros sagrados, vimos que a Bíblia é excepcional, sendo a Palavra inspirada de Deus. Não só é um livro sobre Deus, mas procede de Deus. Ela nos ensina tudo o que precisamos saber sobre a adoração verdadeira, nossa felicidade e o futuro.
2 Conforme vimos, para recebermos a bênção de Deus, precisamos adorá-lo não só com amor, mas também com verdade. A Bíblia declara: “Deus é Espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade.” (João 4:24) Jeová Deus é um “Espírito” invisível aos olhos humanos. Adorá-lo “com espírito” significa que nosso serviço sagrado a Deus é motivado por um coração cheio de amor e fé. (Mateus 22:37-40; Gálatas 2:16) Como adorar a Deus “com . . . verdade”? Rejeitando as falsidades e aprendendo a fazer a vontade de Deus, conforme é revelada nas páginas da Bíblia.
Ajuda para entender as Escrituras
3 Cada um de nós pode aprender muito pela leitura pessoal da Bíblia. Para obtermos entendimento de seus ensinamentos, porém, precisamos aceitar a ajuda dos verdadeiros servos de Deus. Quase 2.000 atrás, um etíope, oficial da corte, estava lendo trechos das profecias de Isaías quando Filipe, um discípulo de Jesus, se aproximou dele e lhe perguntou: “Sabes realmente o que estás lendo?” Humildemente, o homem respondeu: “Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?” Visto que Filipe estava associado com a verdadeira congregação cristã, pôde responder corretamente às perguntas desse homem. — Atos 8:27-38.
4 Atualmente as Testemunhas de Jeová, assim como Filipe, estão ajudando milhões de homens e mulheres no mundo inteiro a entender a Bíblia. Qualquer que seja a sua casta, cor ou credo, poderá também beneficiar-se de considerações bíblicas gratuitas, num horário que seja conveniente para você e para a sua família. Com a ajuda de publicações adequadas para estudo, poderá considerar assuntos que dizem respeito à sua fé e às pessoas a quem quer bem. À medida que for encontrando as respostas de Deus às suas perguntas, sentirá que ‘foram iluminados os olhos de seu coração’ e assim notará que se está achegando mais a ele. — Efésios 1:18.
Faça progresso espiritual
5 Há os que não gostam de estudar e outros que acham que estão velhos demais para aprender. Mas aprender sobre Deus não é um fardo quando desejamos aprofundar nosso amor por ele. Muitos entusiastas pelo cinema, que normalmente não gostam de ler, não raro ficam absortos em revistas da indústria cinematográfica. Por quê? Porque gostam de filmes. Similarmente, se você pensar no amor que Deus lhe tem e no privilégio que é servi-lo, poderá vencer quaisquer sentimentos negativos sobre ler e examinar a Palavra de Deus.
6 As pressões sociais ou seculares podem facilmente tirar-lhe o tempo que talvez reserve para considerar a Palavra de Deus. Em vez de deixar seu estudo entregue ao acaso ou adiá-lo, considere cuidadosamente o valor dele. Uma criança que encontra uma jóia pode facilmente perdê-la por desconhecer seu valor. Em contraste, um joalheiro a valorizará e gastará tempo para lapidá-la e dar-lhe polimento, a fim de aumentar seu valor. Do mesmo modo, reservando tempo para as coisas espirituais, o leitor demonstra a Deus que dá valor à verdade dele e não permitirá que ela lhe escape por causa de outras atividades menos importantes. — Veja Efésios 5:15-17.
7 A fim de aumentar seu conhecimento da verdade, cuide para não estragar seu apetite espiritual. A Bíblia é um guia completo e perfeito da parte de Deus e, por conseguinte, não há necessidade de algum outro livro sagrado para complementá-la. (Salmo 19:7; 2 Timóteo 3:16, 17) Em vez disso, ela exorta: “Acautelai-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia e de vão engano, segundo a tradição de homens.” (Colossenses 2:8) A pessoa que valoriza e ama a verdade de Deus não vê sabedoria alguma em continuar a seguir filosofias humanas.
8 A Bíblia fala a respeito dos que acumulam para si instrutores, ‘para lhes fazerem cócegas nos ouvidos, que desviarão os seus ouvidos da verdade, ao passo que serão desviados para histórias falsas’. (2 Timóteo 4:3, 4) Como eles, o leitor também pode deixar de conhecer a verdade de Deus se der atenção a mitos e lendas religiosas. Por esse motivo, a Bíblia aconselha: “Recusa as histórias falsas que violam o que é santo . . . Treina-te com a devoção piedosa por teu alvo.” — 1 Timóteo 4:7.
Como vencer o desânimo
9 Embora muitas pessoas afirmem ter respeito pela verdade, nem sempre fazem esforço real em buscá-la. Alguns que procuram a verdade são desencorajados por outros. Caso encontre oposição por estar examinando a Bíblia, o que deve fazer? Continue a orar a Jeová, pedindo que lhe dê a coragem necessária para continuar a aprender a respeito dele. Também, aplique o conselho de Jesus: “Continuai a amar os vossos inimigos, a fazer o bem aos que vos odeiam, a abençoar os que vos amaldiçoam, a orar pelos que vos insultam”, pois esta é a coisa certa a fazer. — Lucas 6:27, 28.
10 Não estará sozinho, se decidir servir ao verdadeiro Deus. Terá o apoio de milhões de adoradores de Jeová, que são uma fraternidade internacional. Em comparação com quaisquer amigos que talvez perca por adorar a Jeová, receberá “cem vezes mais” na comunidade do povo de Deus. (Marcos 10:29, 30) Todos têm interesse, como uma família, pelo seu bem-estar. Para obter força, junte-se a eles quando se reúnem para orar e considerar a Bíblia.
11 Num mundo em que tantas pessoas estão sendo desencaminhadas, a verdade é uma possessão inestimável. Preze-a. (Mateus 7:13, 14) O conhecimento da verdade bíblica permitirá que demonstre a Deus que o ama de todo o coração e mente. Isso o levará a adorar a Deus da única maneira que é aprovada por ele, o que lhe trará abundantes bênçãos.
12 A verdadeira felicidade está com os que têm a verdade. Ela lhe dará a esperança segura de viver para sempre num novo mundo, onde os que adoram a Deus com amor e verdade permanecerão para sempre. Já existe o núcleo desse novo mundo: uma fraternidade de milhões de pessoas de todas as raças e línguas que adora atualmente a Jeová. Você e sua família têm o grande privilégio de serem contados entre eles! — 2 Pedro 3:13; 1 João 2:15-17.
[Quadro na página 25]
Levam todos os caminhos a Deus?
Dentre os muitos caminhos hindus hoje, quatro são considerados os principais: o carma (obras), o jnana (conhecimento), a ioga (meditação) e a bacti (devoção). Estes caminhos diferentes, acredita-se, não se excluem entre si, mas por fim todos ou qualquer deles podem levar ao mesmo destino. Como surgiram?
“O surgimento dos Upanixades, com ênfase no conhecimento e na meditação, e da literatura Bacti, com sua ênfase no amor e na adoração, eram revoltas contra o formalismo do sistema védico [o caminho do carma]”, diz o erudito hindu K. M. Sen. — Hinduism, K. M. Sen, 1981, páginas 45-6.
Kalidas Bhattacharyya, porém, contradiz o conceito de que os caminhos sejam complementares, quando diz: “Tanto o Jñāna como o carma rejeitam a bacti, mas a bacti é inteiramente indiferente a esses. O Jñāna, por sua vez, rejeita o carma.” — The Hindu Quest for the Perfection of Man (A Busca Hindu da Perfeição do Homem), de Troy Wilson Organ, 1980, página 341.
Os sábios que estabeleceram esses novos caminhos estavam em busca de um que fosse aceitável. Se pensassem que cada um dos caminhos existentes fosse certo e conduzisse a Deus, será que teriam achado necessário iniciar novos caminhos?
[Quadro na página 27]
A verdadeira religião sanatana
Os hindus crêem que a sua religião tem permanecido inalterada desde que Deus a revelou ao homem. Por este motivo, o hinduísmo da época atual é descrito como sanatana, que significa “eterno” ou “antigo”. Quão antigas são as crenças hindus?
O hinduísmo popular é de origem posterior à religião védica dos dias de Rama. Portanto, conforme observa a obra Hindu World, atualmente “os deuses védicos foram em grande parte abandonados e os sacrifícios védicos são hoje a bem dizer obsoletos”. A antiga religião védica, por sua vez, desenvolveu-se de ensinamentos religiosos anteriores que foram introduzidos pelos arianos quando estes começaram a se estabelecer na Índia. Suas “crenças e práticas eram bastante distintas das do hinduísmo posterior”, acrescenta Hindu World. — Hindu World, de Benjamin Walker, 1983, volume 2, páginas 558, 561.
À luz desses fatos, gerações sucessivas de indianos transmitiram evidentemente crenças diferentes das de seus antepassados. Como, então, podemos hoje redescobrir a verdadeira religião divinamente revelada? Só identificando a Sruti, a escritura inspirada por Deus, conforme fizemos nesses capítulos concludentes.
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GlossárioPor Que Devemos Adorar a Deus com Amor e Verdade?
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Glossário
Agni Deus do fogo.
Atarva-Veda Hinos que contêm feitiços, encantamentos e remédios.
Avatar Manifestação ou encarnação de uma deidade hindu.
Bacti Caminho da devoção que conduz à salvação.
Bagavat Gita Parte do Mahabharata.
Brama Deus Criador, o princípio da criação no Universo.
Brâmane Membro da casta sacerdotal.
Brâmane, ou Brama O supremo e onipresente do Universo. Alguns hindus consideram Brâmane um Princípio Divino ou a Realidade Suprema de natureza impessoal. É também chamado Atmã.
Carma O princípio de que toda ação tem suas conseqüências boas ou más na próxima vida da alma transmigrada.
Críxena A oitava encarnação de Víxenu e a deidade do Bagavat Gita.
Darma O dever do indivíduo que é cumprido pela observância de costumes ou de leis.
Epopéias O Ramayana e o Mahabharata, que contêm teologia, rituais, normas morais, ética e estadística.
Ghee Manteiga purificada.
Guru Guia ou instrutor espiritual.
Guru Granth Sahib Livro sagrado sique.
Iajur-Veda Manual sacerdotal para realizar sacrifícios.
Iama Deus da morte.
Iantra Diagrama místico ao qual se atribuem poderes ocultos da deidade que reside nele durante o culto.
Ioga Meditação ou exercícios físicos para conseguir união com um ser divino.
Ioga Sutra Manual sobre ioga, atribuído a Patânjali.
Iogue Quem pratica a ioga.
Jainistas Seguidores de uma religião indiana parecida com o hinduísmo.
Jnana Conhecimento.
Kundalini Energia oculta que se supõe existir em toda pessoa.
Mahabharata Epopéia hindu que contém o Bagavat Gita.
Mandala Diagrama representando os deuses e suas moradas.
Mantra Fórmula sagrada à qual se atribuem poderes mágicos, usada na iniciação numa seita e repetida em orações e encantamentos.
Manu Antepassado da raça humana, que foi salvo da destruição do Dilúvio por um grande peixe.
Mocsa Libertação do ciclo de renascimentos; união do indivíduo com o Ente Supremo, Brama.
Parvati Deusa consorte de Xiva.
Puranas Conjunto de escrituras que contêm mitologia hindu.
Rada Consorte de Críxena.
Rama A sétima encarnação do deus Víxenu e o herói do Ramayana.
Ramayana Epopéia que relata a história de Rama.
Ravana Arquiinimigo de Rama no Ramayana.
Richi Vidente hindu.
Rig-Veda Hinos em louvor às deidades védicas.
Sama-Veda Melodias para os sacrifícios védicos.
Sanatana Antigo, eterno. Os hindus se referem à sua crença como “sanatana darma”, que significa “lei ou ordem eterna”.
Sique Seguidor do guru Nanaque e de seus nove sucessores.
Smriti Escritura recebida por tradição humana.
Sruti Escritura revelada por Deus.
Swami Instrutor religioso hindu.
Tantra Escritos hindus que contêm misticismo e magia.
Tilaka Sinal sectário feito na fronte.
Upanixades Antigos escritos sagrados poéticos. Conjunto de escrituras que contêm filosofia hindu.
Vedas Primitivos escritos sagrados poéticos do hinduísmo.
Víxenu Deus preservador da vida.
Xiva Deus da fertilidade, da morte e da destruição.
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