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“O povo cujo Deus é Jeová”A Sentinela — 2014 | 15 de novembro
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“O povo cujo Deus é Jeová”
“Feliz o povo cujo Deus é Jeová!” — SAL. 144:15.
1. O que alguns acham da ideia de Deus ter um povo na Terra?
MUITOS hoje reconhecem que as principais religiões — tanto as que se dizem cristãs como as outras — fazem pouco para ajudar a humanidade. Alguns concordam que essas religiões, por meio de suas doutrinas e conduta, passam uma ideia distorcida sobre Deus e por isso não podem ter a aprovação dele. Mas eles acreditam que há pessoas sinceras em todas as religiões e que Deus as aceita como seus adoradores. Eles não acham que essas pessoas precisam sair das religiões falsas para adorar a Deus como um povo à parte. Mas será que Deus também pensa assim? Vejamos a resposta por analisar um pouco da história dos verdadeiros adoradores de Jeová, conforme registrada na Bíblia.
UM POVO PACTUADO
2. Quem se tornou o povo de Jeová (veja a gravura no início do artigo), e o que os distinguia dos outros povos?
2 No século 20 AEC, Jeová já tinha um povo na Terra. Abraão, chamado de “pai de todos os que têm fé”, era o cabeça de uma grande família com centenas de servos. (Rom. 4:11; Gên. 14:14) Governantes em Canaã o consideravam “um poderoso maioral” e o tratavam com respeito. (Gên. 21:22; 23:6, nota) Jeová fez um pacto com Abraão e seus descendentes. (Gên. 17:1, 2, 19) Deus disse a Abraão: “Este é o meu pacto que guardareis entre mim e vós, até mesmo teu descendente depois de ti: Cada macho vosso terá de ser circuncidado. . . . E isso terá de servir de sinal do pacto entre mim e vós.” (Gên. 17:10, 11) Obedecendo a essa ordem, Abraão e todos os do sexo masculino de sua família foram circuncidados. (Gên. 17:24-27) A circuncisão era um sinal físico que distinguia os descendentes de Abraão como o único povo que estava numa relação pactuada com Jeová.
3. Como os descendentes de Abraão chegaram a ser um povo numeroso?
3 O neto de Abraão, Jacó — ou Israel —, teve 12 filhos. (Gên. 35:10, 22b-26) Com o tempo, eles se tornariam os cabeças patriarcais das 12 tribos de Israel. (Atos 7:8) Por causa de uma grande fome, Jacó e sua família se refugiaram no Egito, onde José, um dos filhos de Jacó, era o administrador de alimentos e o braço direito de Faraó. (Gên. 41:39-41; 42:6) Os descendentes de Jacó se tornaram muitos, uma “congregação de povos”. — Gên. 48:4; leia Atos 7:17.
UM POVO RESGATADO
4. A princípio, como era a relação entre os egípcios e os descendentes de Jacó?
4 Os descendentes de Jacó continuaram no Egito por pouco mais de dois séculos. Eles moravam em pequenas cidades e cuidavam de seus rebanhos numa região do delta do Nilo chamada Gósen. (Gên. 45:9, 10) Por cerca de cem anos, houve paz entre eles e os egípcios. Eles haviam sido bem acolhidos por Faraó, que conhecia José e o valorizava. (Gên. 47:1-6) Mas o povo egípcio tinha um profundo desprezo por pastores de ovelhas. (Gên. 46:31-34) Mesmo assim, eles tinham de tolerar os israelitas.
5, 6. (a) Como a situação do povo de Deus no Egito mudou? (b) Como a vida de Moisés foi poupada, e o que Jeová fez em favor de Seu povo?
5 Mas a situação do povo de Deus mudaria radicalmente. “Com o tempo se levantou um novo rei sobre o Egito, que não conhecia a José. E ele passou a dizer a seu povo: ‘Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós.’ Por conseguinte, os egípcios fizeram os filhos de Israel trabalhar como escravos sob tirania. E amarguravam-lhes a vida com dura escravidão, em argamassa argilosa e em tijolos, e com toda forma de escravidão no campo, sim, com toda sua forma de escravidão em que os usavam como escravos sob tirania.” — Êxo. 1:8, 9, 13, 14.
6 Faraó chegou a ordenar que todos os bebês hebreus do sexo masculino fossem mortos ao nascer. (Êxo. 1:15, 16) Foi nessa época que Moisés nasceu. Quando tinha 3 meses de idade, ele foi escondido por sua mãe entre os juncos do Nilo, onde a filha de Faraó o encontrou. Mais tarde ela o adotou. Deus manobrou os assuntos para que Moisés, nos seus primeiros anos de vida, fosse criado por sua mãe, Joquebede, e ele se tornou um servo leal de Jeová. (Êxo. 2:1-10; Heb. 11:23-25) Jeová viu o sofrimento de seu povo e decidiu libertá-los de seus opressores por meio da liderança de Moisés. (Êxo. 2:24, 25; 3:9, 10) Desse modo, eles se tornaram um povo resgatado, ou ‘remido’, por Jeová. — Êxo. 15:13; leia Deuteronômio 15:15.
UM POVO SE TORNA UMA NAÇÃO
7, 8. Como o povo de Jeová se tornou uma nação santa?
7 Embora Jeová ainda não tivesse organizado os israelitas como nação, ele os reconhecia como seu povo. Vemos isso nas palavras de Moisés e Arão a Faraó: “Assim disse Jeová, o Deus de Israel: ‘Manda embora meu povo, para que me celebrem uma festividade no ermo.’” — Êxo. 5:1.
8 Foi só depois de dez pragas e da destruição de Faraó e seu exército no mar Vermelho que os filhos de Israel foram libertados da opressão egípcia. (Êxo. 15:1-4) Menos de três meses depois, Jeová concluiu um pacto com os israelitas no monte Sinai e lhes fez esta promessa histórica: “Se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos, . . . uma nação santa.” — Êxo. 19:5, 6.
9, 10. (a) De acordo com Deuteronômio 4:5-8, como a Lei distinguia os israelitas dos outros povos? (b) Como os israelitas mostrariam ser “um povo santo para Jeová”?
9 Enquanto estavam no Egito, antes de se tornarem escravos, os hebreus eram uma sociedade tribal, administrada por chefes de família, ou patriarcas. Esses chefes de família, assim como os servos de Jeová que viveram antes deles, agiam como governantes, juízes e sacerdotes para suas famílias. (Gên. 8:20; 18:19; Jó 1:4, 5) No entanto, isso mudou quando Jeová, por meio de Moisés, deu aos israelitas um código de leis que os distinguiria de todas as outras nações. (Leia Deuteronômio 4:5-8; Sal. 147:19, 20.) A Lei estabeleceu um sacerdócio separado, e a justiça passou a ser administrada pelos “anciãos”, que eram respeitados por seu conhecimento e sabedoria. (Deut. 25:7, 8) A Lei regulamentou as atividades religiosas e sociais daquela nação recém-formada.
10 Pouco antes de os israelitas entrarem na Terra Prometida, Jeová repetiu suas leis a eles. Moisés os lembrou de que haviam prometido a Jeová que se tornariam “seu povo, uma propriedade especial”, e que ‘observariam todos os seus mandamentos’. Jeová, por sua vez, os elevaria “acima de todas as outras nações que fez, resultando em louvor, e em fama, e em beleza” ao passo que se mostrassem “um povo santo para Jeová”. — Deut. 26:18, 19.
ESTRANGEIROS SÃO ACOLHIDOS
11-13. (a) Quem passou a se associar com o povo escolhido de Deus? (b) O que um não israelita precisava fazer se desejasse adorar a Jeová?
11 Embora Jeová agora tivesse uma nação escolhida na Terra, ele permitiu a presença de não israelitas entre o seu povo. Ele deixou que “uma vasta mistura” de não israelitas, incluindo egípcios, acompanhasse seu povo quando os libertou do Egito. (Êxo. 12:38, nota) Alguns “dentre os servos de Faraó”, ao saberem que haveria uma sétima praga, ‘temeram a palavra de Jeová’. Eles pelo visto estavam entre os que saíram do Egito com os israelitas. — Êxo. 9:20.
12 Pouco tempo antes de os israelitas atravessarem o Jordão para tomar posse de Canaã, Moisés disse que eles deviam “amar o residente forasteiro” que havia entre eles. (Deut. 10:17-19) O povo escolhido de Deus devia aceitar em seu meio estrangeiros que estivessem dispostos a seguir as leis básicas dadas por Moisés, como os Dez Mandamentos. (Lev. 24:22) Alguns residentes forasteiros se tornaram adoradores de Jeová, demonstrando os mesmos sentimentos da moabita Rute, que disse à israelita Noemi: “Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus.” (Rute 1:16) Esses estrangeiros eram chamados de prosélitos, e os do sexo masculino eram circuncidados. (Êxo. 12:48, 49) Jeová os acolhia como membros de seu povo escolhido. — Núm. 15:14, 15.
Os israelitas amavam os residentes forasteiros (Veja os parágrafos 11-13.)
13 Quando o templo de Salomão foi dedicado a Jeová, a oração de Salomão deixou claro que os adoradores não israelitas também seriam beneficiados: “[Com respeito] ao estrangeiro que não faz parte do teu povo Israel e que realmente vem duma terra distante por causa do teu grande nome, e da tua forte mão, e do teu braço estendido, e eles realmente vêm e oram em direção a esta casa, então que tu mesmo ouças desde os céus, do teu lugar estabelecido de morada, e terás de fazer segundo tudo aquilo pelo qual o estrangeiro te invocar; para que todos os povos da terra conheçam o teu nome e te temam assim como teu povo Israel faz, e para que saibam que o teu nome tem sido invocado sobre esta casa que construí.” (2 Crô. 6:32, 33) Mesmo nos dias de Jesus, qualquer não israelita que desejasse adorar a Jeová precisava se associar com Seu povo pactuado. — João 12:20; Atos 8:27.
UMA NAÇÃO DE TESTEMUNHAS
14-16. (a) Em que sentido os israelitas deviam ser uma nação de testemunhas a favor de Jeová? (b) Assim como os israelitas, o que o povo de Deus nos tempos modernos tem a obrigação moral de fazer?
14 Os israelitas adoravam seu Deus, Jeová, ao passo que as outras nações adoravam suas próprias deidades. Quem era o Deus verdadeiro? Nos dias do profeta Isaías, Jeová desafiou os deuses das nações a apresentar testemunhas que pudessem confirmar sua divindade, como se estivessem num tribunal. Ele declarou: “Sejam reunidas todas as nações num só lugar e sejam ajuntados os grupos nacionais. Quem [dos deuses deles] pode contar isso? Ou podem fazer-nos ouvir mesmo as primeiras coisas? Forneçam as suas testemunhas, para que sejam declarados justos, ou ouçam e digam: ‘É verdade!’” — Isa. 43:9.
15 Os deuses das nações não conseguiram apresentar nenhuma prova de sua divindade. Eles não passavam de ídolos mudos que precisavam ser carregados por alguém. (Isa. 46:5-7) Por outro lado, Jeová disse ao seu povo Israel: “Vós sois as minhas testemunhas, . . . sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. . . . Portanto, vós sois as minhas testemunhas, . . . e eu sou Deus.” — Isa. 43:10-12.
16 Nesse caso jurídico universal sobre a questão “Quem é o Deus Supremo?”, o povo escolhido de Jeová devia declarar com convicção que Jeová era o único Deus verdadeiro. Ele havia formado esse povo “para que narrassem o [seu] louvor”. (Isa. 43:21) Eles eram o povo que levava o seu nome. Resgatados do Egito por Jeová, eles tinham a obrigação moral de apoiar Sua soberania diante dos outros povos da Terra. Sua posição devia ser semelhante à descrita mais tarde pelo profeta Miqueias, quando se referiu ao povo de Deus nos tempos modernos: “Todos os povos, da sua parte, andarão cada um no nome de seu deus; mas nós, da nossa parte, andaremos no nome de Jeová, nosso Deus, por tempo indefinido, para todo o sempre.” — Miq. 4:5.
UM POVO REBELDE
17. O que fez com que Israel se tornasse para Jeová ‘uma videira estrangeira em degeneração’?
17 Infelizmente, Israel não foi fiel ao seu Deus, Jeová. Eles se deixaram influenciar por nações que adoravam deuses de madeira e de pedra. No oitavo século AEC, o profeta Oseias escreveu: “Israel é uma videira em degeneração. . . . Multiplicou os seus altares . . . Seu coração tornou-se hipócrita; agora serão achados culpados.” (Ose. 10:1, 2) Cerca de um século e meio depois, Jeremias registrou estas palavras de Jeová ao Seu povo infiel: “Eu te tinha plantado como videira seleta de casta tinta, toda ela de semente verdadeira. Portanto, como é que te transformaste para mim em varas degeneradas duma videira estrangeira? . . . Onde estão os teus deuses que fizeste para ti? Que se levantem, se é que te podem salvar no tempo da tua calamidade. . . . Meu próprio povo — [eles] esqueceram-se de mim.” — Jer. 2:21, 28, 32.
18, 19. (a) Como Jeová deixou claro que produziria um novo povo para o seu nome? (b) O que será estudado no próximo artigo?
18 Em vez de produzir frutos de excelente qualidade por praticar a adoração pura e agir como testemunhas fiéis de Jeová, Israel produziu o fruto podre da idolatria. Por isso, Jesus disse o seguinte aos hipócritas líderes judaicos de seus dias: “O reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza os seus frutos.” (Mat. 21:43) Apenas os incluídos no “novo pacto”, predito por Jeová por meio de seu profeta Jeremias, poderiam fazer parte dessa nova nação, o Israel espiritual. A respeito dos israelitas espirituais que seriam incluídos no novo pacto, Jeová profetizou: “Vou tornar-me seu Deus e eles mesmos se tornarão meu povo.” — Jer. 31:31-33.
19 Assim, depois que o Israel carnal se tornou infiel, Jeová fez do Israel espiritual seu povo no primeiro século.
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‘Agora vocês são povo de Deus’A Sentinela — 2014 | 15 de novembro
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‘Agora vocês são povo de Deus’
“Vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus.” — 1 PED. 2:10.
1, 2. Que mudança ocorreu no Pentecostes de 33 EC, e quem passou a fazer parte do novo povo de Jeová? (Veja a gravura no início do artigo.)
O PENTECOSTES de 33 EC foi um marco na história do povo de Jeová na Terra. Nesse dia, houve uma grande mudança. Por meio do seu espírito, Jeová produziu uma nova nação — o Israel espiritual, ou “o Israel de Deus”. (Gál. 6:16) Pela primeira vez desde os dias de Abraão, a circuncisão física não seria mais um requisito para o povo de Deus. Paulo escreveu o seguinte sobre os membros dessa nova nação: “A sua circuncisão é a do coração, por espírito.” — Rom. 2:29.
2 Os primeiros membros da nova nação de Deus foram os apóstolos e mais de cem discípulos de Cristo que estavam reunidos num sobrado em Jerusalém. (Atos 1:12-15) O espírito santo foi derramado sobre eles, tornando-os filhos de Deus gerados pelo espírito. (Rom. 8:15, 16; 2 Cor. 1:21) Isso provou que o novo pacto, mediado por Cristo e validado pelo seu sangue, havia entrado em vigor. (Luc. 22:20; leia Hebreus 9:15.) Aqueles discípulos se tornaram assim membros da nova nação, ou povo, de Jeová. O espírito santo os habilitou a pregar nas várias línguas faladas pelos judeus e prosélitos que tinham vindo de todo o Império Romano a Jerusalém para celebrar a Festividade das Semanas, ou Pentecostes. Essas pessoas puderam ouvir em sua própria língua “as coisas magníficas de Deus” ensinadas pelos cristãos gerados por espírito. — Atos 2:1-11.
O NOVO POVO DE DEUS
3-5. (a) O que Pedro disse aos judeus no dia do Pentecostes? (b) Que acontecimentos contribuíram para o crescimento da nova nação de Jeová durante os primeiros anos de sua existência?
3 Jeová usou o apóstolo Pedro para abrir o caminho para que judeus e prosélitos se tornassem membros daquela nação recém-formada, a congregação cristã. No dia do Pentecostes, Pedro disse destemidamente aos judeus que eles deviam aceitar a Jesus, o homem que eles haviam pregado “numa estaca”, porque “Deus o fez tanto Senhor como Cristo”. Quando a multidão perguntou o que eles deviam fazer, Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado no nome de Jesus Cristo, para o perdão de vossos pecados, e recebereis a dádiva gratuita do espírito santo.” (Atos 2:22, 23, 36-38) Naquele dia, cerca de 3 mil pessoas foram acrescentadas à nova nação, o Israel espiritual. (Atos 2:41) Depois disso, a pregação zelosa dos apóstolos continuou a produzir frutos. (Atos 6:7) A nova nação estava crescendo.
4 Mais tarde, a pregação se estendeu aos samaritanos, com bons resultados. Muitos foram batizados pelo evangelizador Filipe, mas não receberam o espírito santo de imediato. O corpo governante em Jerusalém enviou a esses samaritanos convertidos os apóstolos Pedro e João, que “impuseram-lhes então as suas mãos e eles começaram a receber espírito santo”. (Atos 8:5, 6, 14-17) Assim, esses samaritanos também se tornaram membros do Israel espiritual, ungidos por espírito.
Pedro pregou a Cornélio e aos de sua casa (Veja o parágrafo 5.)
5 Em 36 EC, Pedro foi novamente usado para estender a outros a oportunidade de fazer parte do Israel espiritual. Isso aconteceu quando ele pregou ao centurião romano Cornélio e à sua família e amigos. (Atos 10:22, 24, 34, 35) A Bíblia diz: “Enquanto Pedro ainda falava . . . , caiu o espírito santo sobre todos os [não judeus] que ouviam a palavra. E os fiéis que tinham vindo com Pedro, que eram dos circuncisos, ficaram pasmados, porque a dádiva gratuita do espírito santo estava sendo derramada também sobre pessoas das nações.” (Atos 10:44, 45) A partir de então, os gentios incircuncisos que se tornavam crentes podiam ser membros da nova nação do Israel espiritual.
“UM POVO PARA O SEU NOME”
6, 7. O que os membros da nova nação deviam fazer para agir como ‘um povo para o nome de Jeová’, e até que ponto fizeram isso?
6 Numa reunião do corpo governante do primeiro século, realizada em 49 EC, o discípulo Tiago disse: “Simeão [Pedro] tem relatado cabalmente como Deus, pela primeira vez, voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome.” (Atos 15:14) Esse novo povo para o nome de Jeová incluía tanto cristãos judeus como não judeus. (Rom. 11:25, 26a) Mais tarde, Pedro escreveu: “Vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus.” Pedro descreveu a missão deles: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” (1 Ped. 2:9, 10) Eles deviam divulgar as belas qualidades Daquele a quem representavam e glorificar seu nome publicamente. Deviam ser corajosas testemunhas a favor de Jeová, o Soberano Universal.
7 Assim como no caso do Israel carnal, Jeová considerava os membros do Israel espiritual como o ‘povo que ele havia formado para narrar o seu louvor’. (Isa. 43:21) Aqueles primeiros cristãos proclamaram corajosamente que Jeová era o único Deus verdadeiro, expondo assim todos os deuses falsos que eram adorados naquele tempo. (1 Tes. 1:9) Eles deram testemunho de Jeová e de Jesus ‘em Jerusalém, bem como em toda a Judeia e Samaria, e até à parte mais distante da terra’. — Atos 1:8; Col. 1:23.
8. Que alerta o apóstolo Paulo deu ao povo de Deus no primeiro século?
8 Um membro destemido desse ‘povo para o nome de Jeová’ foi o apóstolo Paulo. Diante de filósofos pagãos, ele defendeu com coragem a soberania de Jeová, “o Deus que fez o mundo e todas as coisas nele, . . . Senhor do céu e da terra”. (Atos 17:18, 23-25) Perto do fim de sua terceira viagem missionária, Paulo deu um alerta aos membros do povo de Deus: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lobos opressivos e eles não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” (Atos 20:29, 30) No fim do primeiro século, essa predita apostasia já era evidente. — 1 João 2:18, 19.
9. O que aconteceu com o ‘povo para o nome de Jeová’ após a morte dos apóstolos?
9 Após a morte dos apóstolos, essa apostasia se espalhou, resultando no surgimento das religiões da cristandade. Longe de ser um ‘povo para o nome de Jeová’, esses cristãos apóstatas chegaram a retirar o nome divino de muitas de suas traduções da Bíblia. Eles adotaram rituais pagãos e desonraram a Deus por meio de suas doutrinas antibíblicas, “guerras santas” e conduta imoral. Durante séculos, houve pouquíssimos adoradores sinceros de Jeová na Terra, e ele deixou de ter um povo organizado “para o seu nome”.
RENASCIMENTO DO POVO DE DEUS
10, 11. (a) O que Jesus predisse em sua parábola do trigo e do joio? (b) Como essa parábola se cumpriu depois de 1914, e com que resultado?
10 Em sua parábola do trigo e do joio, Jesus predisse o período de escuridão espiritual que resultaria da apostasia. Ele disse que, ‘enquanto os homens estivessem dormindo’, o Diabo semearia joio no campo onde o Filho do homem havia semeado sementes de trigo. Os dois tipos de semente cresceriam juntos até a “terminação do sistema de coisas”. Jesus explicou que a “semente excelente” representava “os filhos do reino”, e “o joio”, “os filhos do iníquo”. Durante o tempo do fim, o Filho do homem enviaria seus “ceifeiros”, os anjos, para separar o simbólico trigo do joio. Os filhos do Reino seriam ajuntados. (Mat. 13:24-30, 36-43) Como essa parábola se cumpriu, e como seu cumprimento possibilitou que Jeová tivesse novamente um povo na Terra?
11 A “terminação do sistema” começou em 1914, quando havia apenas cerca de 5 mil cristãos ungidos na Terra. Durante a guerra que se iniciou naquele ano, esses “filhos do reino” ainda estavam sob o cativeiro espiritual de Babilônia, a Grande. Em 1919, Jeová os libertou, fazendo uma clara distinção entre eles e “o joio”, ou cristãos de imitação. Ele ajuntou “os filhos do reino” num povo organizado em cumprimento da profecia de Isaías: “Porventura será uma terra dada à luz com dores de parto num só dia? Ou nascerá uma nação de uma só vez? Pois Sião teve dores de parto bem como deu à luz seus filhos.” (Isa. 66:8) Sião, a parte celestial da organização de Jeová, composta por criaturas espirituais, produziu seus filhos ungidos por espírito e os organizou numa nação.
12. Como os ungidos têm mostrado que são um ‘povo para o nome de Jeová’?
12 Assim como os primeiros cristãos, “os filhos [ungidos] do reino” deviam ser testemunhas de Jeová. (Leia Isaías 43:1, 10, 11.) Nesse papel, eles se destacariam como diferentes por causa de sua conduta cristã e por pregar as “boas novas do reino . . . em testemunho a todas as nações”. (Mat. 24:14; Fil. 2:15) Desse modo, eles já ajudaram muitas pessoas — na verdade, milhões delas — a ter uma posição justa perante Jeová. — Leia Daniel 12:3.
“IREMOS CONVOSCO”
13, 14. Para adorar a Jeová e servir a ele de modo aceitável, o que devem fazer os que não são israelitas espirituais, e como isso foi predito na Bíblia?
13 No artigo anterior, vimos que no Israel antigo os estrangeiros podiam adorar a Jeová de modo aceitável, desde que se associassem com o povo pactuado de Jeová. (1 Reis 8:41-43) Hoje, de modo similar, os que não são israelitas espirituais precisam se associar com o povo de Jeová, “os filhos do reino”, ou seja, as Testemunhas ungidas de Jeová.
14 O fato de muitas pessoas se juntarem ao povo de Jeová para adorá-lo nesta época do fim foi predito por dois profetas do passado. Isaías profetizou: “Muitos povos certamente irão e dirão: ‘Vinde, e subamos ao monte de Jeová, à casa do Deus de Jacó; e ele nos instruirá sobre os seus caminhos e nós andaremos nas suas veredas.’ Pois de Sião sairá a lei e de Jerusalém a palavra de Jeová.” (Isa. 2:2, 3) O profeta Zacarias também predisse: “Muitos povos e poderosas nações virão realmente para procurar a Jeová dos exércitos em Jerusalém e para abrandar a face de Jeová.” Ele os descreveu como “dez homens dentre todas as línguas das nações” que, simbolicamente falando, agarrariam a veste do Israel espiritual, dizendo: “Iremos convosco, pois ouvimos que Deus está convosco.” — Zac. 8:20-23.
15. As “outras ovelhas” se juntam aos israelitas espirituais para realizar que obra?
15 As “outras ovelhas” se juntam aos israelitas espirituais na obra de pregar as boas novas do Reino. (Mar. 13:10) Elas se tornam parte do povo de Deus, “um só rebanho” com os ungidos, sob “o pastor excelente” Cristo Jesus. — Leia João 10:14-16.
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