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Ensinemos publicamente e de casa em casaA Sentinela — 1991 | 15 de janeiro
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Ensinemos publicamente e de casa em casa
“Em nada me descuidei . . . de instruir-vos, publicamente e de casa em casa.” — ATOS 20:20, Pontifício Instituto Bíblico.
1. Que disse certo sacerdote católico sobre a eficácia do ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová?
“CATÓLICOS Levam o Evangelho de Porta em Porta”. Assim dizia uma manchete no The Providence Sunday Journal, de 4 de outubro de 1987. Segundo o jornal, um dos principais objetivos dessa atividade era “convidar alguns de seus paroquianos inativos a retornarem a uma vida paroquial mais ativa”. O sacerdote John Allard, diretor do Centro de Evangelização da Diocese de Providence [EUA], foi citado como tendo dito: “Certamente haverá muito cepticismo. As pessoas vão dizer: ‘Lá vão eles, exatamente como as Testemunhas de Jeová.’ Mas, as Testemunhas de Jeová são eficazes, não são? Aposto que se pode ir a qualquer Salão do Reino no estado [de Rhode Island, EUA] e encontrar congregações repletas de ex-católicos.”
2. Que pergunta se faz apropriadamente?
2 Sim, as Testemunhas de Jeová são bem conhecidas pelo seu eficaz ministério de casa em casa. Mas, por que vão de casa em casa?
O Método Apostólico
3. (a) Que missão confiou Jesus Cristo a seus discípulos? (b) De que principal maneira os seguidores de Jesus cumpriram a sua missão?
3 Jesus Cristo confiou a seus seguidores a significativa missão: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mateus 28:19, 20) A principal maneira que seria empregada para realizar essa obra ficou evidente logo após o Pentecostes de 33 EC. “Cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus.” (Atos 5:42) Uns 20 anos depois, o apóstolo Paulo dedicava-se ao ministério de casa em casa, pois lembrou aos anciãos cristãos da cidade de Éfeso: “Não me refreei de vos falar coisa alguma que fosse proveitosa, nem de vos ensinar publicamente e de casa em casa.” — Atos 20:20.
4. Por que podemos dizer que Atos 5:42 e Atos 20:20 significam que a pregação dos seguidores de Jesus era ‘distribuída’ de casa em casa?
4 Em Atos 5:42, as palavras “de casa em casa” são traduzidas de kat’ oí·kon. A palavra ka·tá é usada ali no sentido “distributivo”. Assim, a pregação dos discípulos era ‘distribuída’ de uma casa a outra. Comentando sobre Atos 20:20, Randolph O. Yeager escreveu que Paulo ensinou “tanto em assembléias públicas [de·mo·sí·a] como de casa em casa (distributivo [ka·tá] com o acusativo). Paulo passara três anos em Éfeso. Visitou todas as casas, ou, pelo menos, pregou a todas as pessoas (Atos 20 versículo 26). Eis aqui o aval bíblico ao evangelismo de casa em casa, bem como ao promovido nas reuniões públicas”.
5. Em Atos 20:20, por que Paulo não se referia unicamente a visitas sociais a anciãos ou a visitas de pastoreio?
5 Um uso similar de ka·tá ocorre em Lucas 8:1, que diz que Jesus pregava “de cidade em cidade e de aldeia em aldeia”. Paulo usou a forma plural kat’ oí·kous em Atos 20:20. Ali, algumas traduções bíblicas dizem “em vossas casas”. Mas, o apóstolo não se referia unicamente a visitas sociais feitas a anciãos, ou a visitas de pastoreio nas casas de concrentes. As suas palavras seguintes mostram que ele se referia a um ministério de casa em casa entre descrentes, pois disse: “Dei cabalmente testemunho, tanto a judeus como a gregos, do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus.” (Atos 20:21) Os concrentes já se haviam arrependido e exercido fé em Jesus. Assim, tanto Atos 5:42 como Atos 20:20 têm a ver com a pregação a descrentes “de casa em casa”, ou, de porta em porta.
Não Há Substituto
6. Que se disse a respeito da natureza da pregação de Paulo em Éfeso?
6 Comentando sobre as palavras de Paulo em Atos 20:20, Abiel Abbot Livermore escreveu, em 1844: “Ele não se contentava em meramente proferir discursos na assembléia pública, dispensando outros meios, mas zelosamente realizava sua grande obra em particular, de casa em casa, e, literalmente, levava a verdade do céu ao lar e ao coração dos efésios.” Mais recentemente, foi dito: “A disseminação do evangelho de casa em casa caracterizava os cristãos do primeiro século desde o início (cf. Atos 2:46; 5:42). . . . [Paulo] cumprira cabalmente sua responsabilidade tanto para com os judeus como para com os gentios em Éfeso, e eles não teriam escusas, caso perecessem em seus pecados.” — The Wesleyan Bible Commentary, Volume 4, páginas 642-3.
7. Por que podemos dizer que Deus aprova o ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová?
7 Embora falar em público seja uma das maneiras de declarar as boas novas, isso não substitui o contato pessoal, às portas. Sobre isso, o erudito Joseph Addison Alexander disse: “A igreja ainda não inventou nada que tomasse o lugar ou que se comparasse com os efeitos da pregação na igreja e nos lares.” Como observou o erudito O. A. Hills: “O ensino público e o ensino de casa em casa têm de caminhar juntos.” As Testemunhas de Jeová dão instrução através de discursos em suas Reuniões Públicas semanais. Elas também têm clara evidência de que o método apostólico de divulgar a verdade bíblica de casa em casa é eficaz. E Jeová certamente o aprova, pois, em resultado de tal ministério, ele faz com que anualmente milhares de pessoas afluam à Sua enaltecida adoração. — Isaías 2:1-4; 60:8, 22.
8. (a) Que se disse sobre o motivo pelo qual a pregação de casa em casa é eficaz? (b) Como podem as Testemunhas de Jeová ser comparadas a Paulo no que tange à pregação às portas e outras maneiras de dar testemunho?
8 Outra autoridade disse: “As pessoas se lembram mais facilmente do que se lhes ensina às portas do que na igreja.” Bem, Paulo ia regularmente às portas, dando bom exemplo de ministro. “Ele não se contentava em ensinar e discursar na sinagoga e no mercado”, escreveu o erudito bíblico Edwin W. Rice. “Estava sempre diligentemente ‘ensinando’ ‘de casa em casa’. A luta contra o mal e para ganhar homens para Cristo, que ele travou em Éfeso, foi uma luta de casa em casa, de mão-a-mão e de face-a-face.” As Testemunhas de Jeová sabem que palestras individuais às portas são eficazes. Ademais, elas fazem revisitas e falam prazerosamente até mesmo com opositores, se estes derem condições de realizar palestras razoáveis. Quão semelhantes a Paulo! Sobre ele, F. N. Peloubet escreveu: “A obra de Paulo não se resumia a reuniões. Ele sem dúvida visitava muitos pessoalmente nas suas casas, sempre que soubesse de algum indagador, ou de alguém suficientemente interessado, ou mesmo opositor, que se dispusesse a falar sobre religião.”
Anciãos Devem Tomar a Dianteira
9. Que exemplo deu Paulo a co-anciãos?
9 Que exemplo deu Paulo a co-anciãos? Ele mostrou que devem ser destemidos e incansáveis proclamadores das boas novas de casa em casa. Em 1879, J. Glentworth Butler escreveu: “[Os anciãos efésios] sabiam que, na [sua] pregação, [Paulo] absolutamente não se deixou afetar por considerações sobre perigo pessoal ou popularidade; que nada omitiu em termos de verdades essenciais; que não se detivera, com parcialidade unilateral, em aspectos peculiares ou inusitados da verdade, mas que recomendou com insistência tão-somente e ao mesmo tempo tudo o que fosse proveitoso ‘a bem da instrução’, ou edificação: os inteiros desígnios de Deus em sua pureza e plenitude! E tal fiel ‘exposição’, tal ardoroso ‘ensino’ da verdade cristã era típico dele, não só na escola de Tirano e em outros pontos de reunião de discípulos, mas também em todo lar acessível. De casa em casa e de alma em alma, dia após dia, ele levava as jubilosas novas com desejo e anelo semelhantes ao de Cristo. A todas as classes e raças, ao hostil judeu e ao escarnecedor grego, seu tema único — que, plenamente explanado, inclui todas as outras verdades salvadoras — era o arrependimento para com Deus e a fé para com nosso Senhor Jesus Cristo.”
10, 11. (a) Com respeito ao ministério cristão, o que esperava Paulo dos anciãos efésios? (b) Como Paulo, em que tipo de pregação participam as Testemunhas de Jeová, incluindo os anciãos?
10 Em suma, pois, o que esperava Paulo dos anciãos efésios? O erudito E. S. Young parafraseou assim as palavras do apóstolo Paulo: “Não apenas falei em público, mas labutei de casa em casa, com todas as classes, tanto judeus como gentios. O tema do meu ministério a todas as classes era ‘arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo’.” Apresentando as palavras de Paulo de ainda outra maneira, W. B. Riley escreveu: “O pleno sentido era: ‘Espero que continueis o que comecei, que tanto façais como ensineis, e espero que resistais como eu resisti; que ensineis tanto em particular como publicamente, como eu fiz, nas ruas e de casa em casa, para dar testemunho tanto a judeus como a gregos sobre o arrependimento para com Deus e a fé para com nosso Senhor Jesus Cristo, pois estes são os essenciais!’”
11 Claramente, em Atos, capítulo 20, Paulo mostrava a co-anciãos que se esperava deles que fossem testemunhas de Jeová que trabalhassem de casa em casa. Neste respeito, os anciãos do primeiro século deviam tomar a liderança, dando o correto exemplo para outros membros da congregação. (Veja Hebreus 13:17.) Portanto, como Paulo, as Testemunhas de Jeová pregam de casa em casa, falando a pessoas de todas as nações sobre o Reino de Deus, o arrependimento para com Ele e a fé em Jesus Cristo. (Marcos 13:10; Lucas 24:45-48) E espera-se que os anciãos designados das Testemunhas de Jeová da atualidade liderem esse trabalho de casa em casa. — Atos 20:28.
12. O que se recusaram a fazer alguns anciãos no passado, mas, em que os anciãos tomam a dianteira hoje em dia?
12 Em 1879, Charles Taze Russell começou a publicar, em inglês, A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, agora chamada A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová. Russell e outros Estudantes da Bíblia declaravam a mensagem do Reino à maneira apostólica. Em anos posteriores, contudo, alguns anciãos congregacionais não viviam à altura de suas responsabilidades para com o testemunho. Por exemplo, certa Testemunha escreveu: “Tudo ia bem até que surgiu o anúncio de que todos deviam participar no testemunho de casa em casa com publicações e, em especial, no trabalho de casa em casa aos domingos — isto em 1927. Nossos anciãos eletivos se opuseram e tentaram desanimar a classe inteira de empreender ou de participar em qualquer modalidade desse trabalho.” Com o tempo, os varões que não pregavam de casa em casa não mais eram privilegiados de servir como anciãos. Também hoje, espera-se que os que servem como anciãos ou servos ministeriais liderem no testemunho de casa em casa e em outras facetas do ministério cristão.
Cada Qual É Uma Testemunha
13. (a) O que devemos fazer mesmo que as pessoas não escutem a mensagem do Reino? (b) Que comparação se fez entre Paulo e Ezequiel?
13 Com a ajuda de Jeová, os cristãos devem declarar a mensagem do Reino de casa em casa, mesmo que esta não seja recebida com apreço. Como vigia de Deus, Ezequiel devia alertar o povo, quer escutasse, quer não. (Ezequiel 2:5-7; 3:11, 27; 33:1-6) Traçando um paralelo entre Ezequiel e Paulo, E. M. Blaiklock escreveu: “Do [discurso de Paulo em Atos, capítulo 20], emerge um quadro claro do ministério em Éfeso. Note o seguinte: Primeiro, a preponderante fidelidade de Paulo. Ele não buscava popularidade nem aprovação pública. Constituído vigia, como Ezequiel, ele cumpriu seu dever com zelo e caráter honestos, apoiando o que dizia. Segundo, sua amorosa empatia. Não era do tipo de homem de cujos lábios saíam palavras de condenação sem emoção. Terceiro, seu infatigável evangelismo. Publicamente e de casa em casa, na cidade e em toda a província, ele pregara o evangelho.”
14. Por que dar testemunho é dever de todo aquele que faz uma dedicação a Jeová Deus em oração, através de Jesus Cristo?
14 As abundantes bênçãos de Deus sobre seus servos hoje não deixam dúvidas de que ele se agrada de que levem o nome Testemunhas de Jeová. (Isaías 43:10-12) Ademais, são também testemunhas de Cristo, pois Jesus disse a seus seguidores: “Recebereis poder e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Assim, dar testemunho é dever de todo aquele que faz uma dedicação a Jeová Deus em oração, através de Jesus Cristo.
15. Que se disse a respeito da obra de dar testemunho dos primitivos cristãos?
15 Foi dito a respeito de dar testemunho: “Envolvia a igreja inteira. O empreendimento missionário da igreja primitiva não era de responsabilidade da Sociedade Missionária Feminina ou da Junta de Missão no Estrangeiro. A obra de testemunho tampouco era confiada apenas a profissionais como anciãos, diáconos, ou mesmo apóstolos. . . . Naqueles dias primitivos a igreja era uma missão. O programa missionário da primitiva igreja baseava-se em duas premissas: (1) A tarefa principal da igreja é a evangelização mundial. (2) O dever de executar essa tarefa cabe à inteira comunidade cristã.” — J. Herbert Kane.
16. O que reconhecem até mesmo certos escritores da cristandade com respeito aos cristãos e o dar testemunho?
16 Embora os modernos escritores da cristandade não concordem com a mensagem do Reino, alguns deveras reconhecem que os cristãos tem a obrigação de dar testemunho. Por exemplo, no livro Everyone a Minister (Todo Mundo É Ministro), Oscar E. Feucht observa: “Pastor algum pode cumprir o ministério que Deus deu a cada um dos crentes. Infelizmente, séculos de conceitos errôneos na igreja transformaram as tarefas de 500 paroquianos na tarefa de um único pastor. Não era assim na primitiva igreja. Os que criam pregavam a Palavra em toda a parte.”
17. Que se pode dizer quanto ao lugar que o dar testemunho ocupava na vida dos primitivos cristãos?
17 Dar testemunho era fundamental na vida dos primitivos cristãos, como é entre o povo de Jeová hoje. “Em termos amplos”, escreveu Edward Caldwell Moore, da Universidade de Harvard, “os três primeiros séculos do movimento cristão se caracterizaram por um grande entusiasmo pela disseminação da fé. A paixão cristã era o evangelismo, falar sobre a mensagem de redenção. . . . A difusão da influência e dos ensinos de Jesus nos tempos bem primordiais se devia, em apenas pequena escala, a homens que chamaríamos de missionários. Era a consecução de homens de todas as profissões e ocupações, e de todas as categorias na sociedade. [Eles] levaram aos mais distantes limites do império [romano] esse segredo da vida íntima, essa nova atitude com relação ao mundo, que, na sua experiência, constituía a salvação. . . . [O primitivo cristianismo] estava profundamente convicto do iminente fim da presente ordem mundial. Cria no súbito e milagroso estabelecimento duma nova ordem mundial.”
18. Que grandiosa esperança ultrapassa em muito os sonhos de líderes políticos?
18 No testemunho de casa em casa e em outras facetas de seu ministério, as Testemunhas de Jeová alegremente dirigem a atenção de seus ouvintes para o novo mundo prometido por Deus. Suas preditas bênçãos de vida infindável ultrapassam em muito os mais acalentados sonhos dos atuais pretensos construtores de uma nova ordem mundial. (2 Pedro 3:13; Revelação [Apocalipse] 21:1-4) Embora pareça natural que todo mundo gostaria de viver no maravilhoso novo mundo de Deus, este não é o caso. Contudo, vejamos a seguir algumas maneiras eficazes pelas quais os servos de Jeová podem ensinar os que buscam a vida eterna.
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Procuremos os corretamente dispostos para a vida eternaA Sentinela — 1991 | 15 de janeiro
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Procuremos os corretamente dispostos para a vida eterna
“Todos os corretamente dispostos para com a vida eterna tornaram-se crentes.” — Atos 13:48.
1. Com relação ao coração humano, que habilidade tem Jeová?
JEOVÁ DEUS pode ler o coração. Isto ficou claro quando o profeta Samuel foi ungir um dos filhos de Jessé como rei de Israel. Vendo Eliabe, Samuel “disse imediatamente: ‘Seguramente está perante Jeová o seu ungido.’ Mas Jeová disse a Samuel: ‘Não olhes para a sua aparência e para a altura da sua estatura, pois o rejeitei. Porque não como o homem vê é o modo de Deus ver, pois o mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.’” Assim, ordenou-se que Samuel ungisse a Davi, que se mostrou ‘agradável ao coração de Deus’. — 1 Samuel 13:13, 14; 16:4-13.
2. O que está arraigado no coração figurativo da pessoa, e, assim, o que lemos a respeito disso nas Escrituras?
2 Cada pessoa exibe uma certa atitude dominante. Ela tem uma disposição peculiar arraigada no seu coração figurativo. (Mateus 12:34, 35; 15:18-20) Lemos, por exemplo, de alguém cujo “coração está disposto à peleja”. (Salmo 55:21) Diz-se-nos que “quem está disposto ao furor tem muita transgressão”. E lemos também: “Há companheiros dispostos a se fazerem mutuamente em pedaços, mas há um amigo que se apega mais do que um irmão.” (Provérbios 18:24; 29:22) Felizmente, muitos se mostram iguais a alguns gentios na antiga Antioquia, na Pisídia. Quando ouviram a respeito da provisão de Jeová para a salvação, “começaram a alegrar-se e a glorificar a palavra de Jeová, e todos os corretamente dispostos para com a vida eterna tornaram-se crentes”. — Atos 13:44-48.
Os Crentes São “Puros de Coração”
3, 4. (a) Quem são os puros de coração? (b) Em que sentido os puros de coração vêem a Deus?
3 Aqueles crentes em Antioquia se tornaram cristãos batizados, e os fiéis dentre eles podiam aplicar a si mesmos as palavras de Jesus: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5:8) Mas, quem são esses “puros de coração”? E, em que sentido eles ‘vêem a Deus’?
4 Os puros de coração são puros no íntimo. Têm pureza de apreço, de afeições, de desejos e de motivações. (1 Timóteo 1:5) Eles vêem a Deus agora no sentido de que o vêem agir em favor dos íntegros. (Veja Êxodo 33:20; Jó 19:26; 42:5.) A palavra grega aqui traduzida por ‘ver’ significa também “ver com a mente, perceber, saber”. Visto que Jesus refletiu com perfeição a personalidade de Deus, os “puros de coração” têm boa compreensão dessa personalidade, e eles exercem fé em Cristo e em seu sacrifício resgatador, obtêm o perdão de seus pecados e estão aptos a prestar adoração aceitável a Deus. (João 14:7-9; Efésios 1:7) Para os ungidos, ver a Deus atinge seu ápice quando eles são ressuscitados para o céu, onde realmente vêem a Deus e a Cristo. (2 Coríntios 1:21, 22; 1 João 3:2) Mas, ver a Deus através do conhecimento exato e da adoração verdadeira é possível para todos os que são puros de coração. (Salmo 24:3, 4; 1 João 3:6; 3 João 11) Estes estão corretamente dispostos para a vida eterna no céu ou numa terra paradísica. — Lucas 23:43; 1 Coríntios 15:50-57; 1 Pedro 1:3-5.
5. De que única maneira pode alguém tornar-se crente e verdadeiro seguidor de Jesus Cristo?
5 Os que não estão corretamente dispostos para a vida eterna não se tornarão crentes. Não lhes é possível exercer fé. (2 Tessalonicenses 3:2) Ademais, ninguém pode tornar-se seguidor de Jesus Cristo a menos que seja uma pessoa que se deixe ensinar e que Jeová, que vê o que o coração é, a atraia. (João 6:41-47) Naturalmente, na pregação de casa em casa, as Testemunhas de Jeová não prejulgam a ninguém. Elas não podem ler corações, de modo que deixam os resultados aos amorosos cuidados de Deus.
6. (a) O que se tem dito a respeito do contato pessoal no ministério de casa em casa? (b) Que provisões tem sido feitas para ajudar as Testemunhas de Jeová a encontrar os corretamente dispostos para a vida eterna?
6 Certo erudito disse apropriadamente: “[Paulo] ensinou a verdade publicamente e de casa em casa. Não apenas da tribuna, mas, em contato pessoal com indivíduos, ele pregou a Cristo. Não raro o contato pessoal é mais eficaz do que qualquer outra maneira ou método de alcançar almas.” (August Van Ryn) Publicações como Manual da Escola do Ministério Teocrático, Raciocínios à Base das Escrituras e Nosso Ministério do Reino, ajudam as Testemunhas de Jeová a proferir discursos e a obter os melhores resultados do contato pessoal no serviço de campo. Também úteis são as demonstrações na Reunião de Serviço e os conselhos na Escola do Ministério Teocrático. Os que assistem à Escola recebem valioso treinamento em qualidades oratórias tais como boas introduções, correto uso das Escrituras, desenvolvimento lógico, argumentos convincentes, uso de ilustrações e conclusões eficazes. Vejamos como a Bíblia amplia essa instrução que pode tornar o povo de Deus mais eficaz na sua procura dos corretamente dispostos para a vida eterna.
Introduções Que Estimulam o Raciocínio
7. As palavras de abertura do Sermão do Monte de Jesus nos ensinam o que a respeito de introduções?
7 Do exemplo de Jesus, os que se preparam para o testemunho de casa em casa podem aprender sobre introduções que suscitam interesse. Na abertura de seu Sermão do Monte, Jesus usou a palavra “felizes” nove vezes. Por exemplo, ele disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus. . . . Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” (Mateus 5:3-12) As sentenças eram diretas e claras. E essa introdução certamente despertou interesse e envolveu os ouvintes, pois, quem não deseja ser feliz?
8. No ministério de casa em casa, como deve ser introduzido o tópico para palestrar?
8 Qualquer tópico para palestrar que se use no ministério de casa em casa deve ser introduzido de modo positivo e agradável. Mas, ninguém deve usar uma introdução sensacionalista, como: “Trago-lhe uma mensagem do espaço sideral.” A fonte das boas novas é deveras celestial, mas, uma introdução assim bem que pode levar o morador a se perguntar se a Testemunha merece ser levada a sério ou se não é melhor despachá-la o mais rápido possível.
Manejando Corretamente a Palavra de Deus
9. (a) Como devem os textos bíblicos ser introduzidos, lidos e aplicados no ministério? (b) Que exemplo se menciona para mostrar como Jesus usava perguntas?
9 No ministério de campo, bem como na tribuna, os textos devem ser corretamente apresentados, lidos com apropriada ênfase e aplicados de modo claro e exato. Perguntas que levem o morador a pensar sobre pontos bíblicos também podem ser úteis. Também nesse ponto, os métodos de Jesus são instrutivos. Certa vez, um homem versado na Lei mosaica perguntou-lhe: “Instrutor, por fazer o que hei de herdar a vida eterna?” Em resposta, Jesus perguntou: “O que está escrito na Lei? Como é que lês?” Sem dúvida, Jesus sabia que era uma pergunta que aquele homem podia responder. E, de fato, respondeu corretamente: “‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força, e de toda a tua mente’, e, ‘o teu próximo como a ti mesmo.’” Jesus o elogiou por isso, e seguiu-se uma palestra adicional. — Lucas 10:25-37.
10. O que se deve ter em mente quanto ao tópico para palestrar, e o que se deve evitar ao fazer perguntas ao morador?
10 Os que dão testemunho de casa em casa devem acentuar o tema do tópico para palestrar, e tornar claro o motivo da leitura dos textos bíblicos que elucidam o assunto. Visto que a Testemunha tenta tocar o coração do morador, ela deve evitar fazer perguntas embaraçosas. No uso da Palavra de Deus, ‘que a nossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal’. — Colossenses 4:6.
11. Quanto ao uso das Escrituras para corrigir conceitos errados, que exemplo temos na tentação que Satanás moveu contra Jesus?
11 Em especial nas revisitas, talvez surja a necessidade de corrigir conceitos errôneos mostrando-se o que as Escrituras realmente dizem ou significam. Jesus fez algo similar quando repeliu a Satanás, que dissera: “Se tu és filho de Deus, lança-te para baixo [do parapeito do templo, como um suicida em potencial]; pois está escrito: ‘Dará aos seus anjos encargo concernente a ti, e eles te carregarão nas mãos, para que nunca batas com o pé contra uma pedra.’” O Salmo 91:11, 12, citado por Satanás, não justifica arriscar deliberadamente a vida, que é uma dádiva de Deus. Sabendo ser errado pôr Jeová à prova arriscando a vida, Jesus disse a Satanás: “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’” (Mateus 4:5-7) Naturalmente, Satanás não é alguém que busca a verdade. Mas, quando pessoas razoáveis expressarem conceitos que poderiam impedir seu progresso espiritual, o ministro da Palavra de Deus deve jeitosamente mostrar o que as Escrituras realmente dizem e significam. Tudo isto faz parte de ‘manejar corretamente a palavra da verdade’ — uma das importantes lições ensinadas na Escola do Ministério Teocrático. — 2 Timóteo 2:15.
A Persuasão Tem Seu Lugar
12, 13. Por que é correto usar persuasão no ministério?
12 A persuasão tem seu correto lugar no ministério cristão. Por exemplo, Paulo instou seu colaborador Timóteo a continuar nas coisas que aprendera e fora “persuadido a crer”. (2 Timóteo 3:14) Em Corinto, Paulo ‘dava um discurso na sinagoga todos os sábados e persuadia judeus e gregos’. (Atos 18:1-4) Em Éfeso, com bom êxito ele ‘proferia discursos e usava de persuasão a respeito do reino de Deus’. (Atos 19:8) E, quando estava sob prisão domiciliar em Roma, o apóstolo convocava pessoas e dava-lhes testemunho, ‘usando de persuasão’, e algumas se tornaram crentes. — Atos 28:23, 24.
13 Não importa quão persuasiva a Testemunha tente ser, naturalmente, apenas os corretamente dispostos para com a vida eterna se tornarão crentes. Argumentos convincentes e explicações claras, jeitosamente apresentadas, podem persuadi-las a crer. Mas, o que mais pode ser útil em persuadi-las?
Seja Lógico e Convincente
14. (a) O que envolve explanação lógica e coerente? (b) Argumentos convincentes exigem o que?
14 Uma das qualidades oratórias destacadas na Escola do Ministério Teocrático é o desenvolvimento lógico e coerente. Isto envolve pôr as idéias-chaves e a matéria relevante em ordem razoável. Também essencial é o argumento convincente, que exige lançar uma boa base e apresentar provas sólidas. Similar a isso é ajudar os ouvintes a raciocinar mantendo sempre uma base de consenso, desenvolvendo adequadamente os pontos e aplicando-os eficazmente. Também nisso as Escrituras dão orientação.
15. (a) De que modo captou Paulo a atenção e estabeleceu um consenso ao falar na Colina de Marte? (b) No discurso de Paulo, que evidência temos de explanação lógica e coerente?
15 Essas qualidades oratórias são evidentes no famoso discurso do apóstolo Paulo na Colina de Marte, na antiga Atenas. (Atos 17:22-31) Sua introdução captou a atenção e estabeleceu uma base de consenso, pois ele disse: “Homens de Atenas, eu observei que em todas as coisas pareceis mais dados ao temor das deidades do que os outros.” Para eles, isso sem dúvida soava como elogio. Depois de mencionar um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”, Paulo levou avante sua exposição lógica e coerente, e argumentação convincente. Destacou que esse Deus que eles não conheciam “fez o mundo e todas as coisas nele”. Diferente de Atena ou de outras deidades gregas, ‘ele não mora em templos feitos por mãos, nem necessita ser assistido por mãos humanas’. Daí o apóstolo indicou que esse Deus nos deu a vida e não nos faz andar tateando às cegas por ele. A seguir Paulo arrazoou que o nosso Criador, que não levou em conta os tempos de ignorância idólatra, ‘está dizendo à humanidade em toda a parte que se arrependa’. Isto levou logicamente ao ponto que ‘Deus julgará os habitantes da terra em justiça por meio de um homem designado a quem ressuscitou dentre os mortos’. Visto que Paulo andara ‘declarando as boas novas de Jesus e a ressurreição’, aqueles atenienses sabiam que esse Juiz seria Jesus Cristo. — Atos 17:18.
16. De que modo o discurso de Paulo na Colina de Marte e o treinamento na Escola do Ministério Teocrático podem afetar o ministério da pessoa?
16 É verdade que Paulo não estava dando testemunho de casa em casa na Colina de Marte. Mas, à base de seu discurso e do treinamento na Escola do Ministério Teocrático, as Testemunhas de Jeová podem aprender muito que venha a aprimorar seu ministério de campo. Sim, tudo isso ajuda a fazer delas ministros mais eficazes, assim como a exposição lógica e a argumentação convincente de Paulo persuadiu alguns daqueles atenienses a se tornarem crentes. — Atos 17:32-34.
Use Ilustrações Instrutivas
17. Que tipo de ilustrações devem ser usadas no ministério?
17 A Escola do Ministério Teocrático também ajuda os ministros de Deus a usar boas ilustrações no testemunho de casa em casa e em outras facetas de seu ministério. Para frisar pontos importantes, devem-se usar ilustrações simples e de bom-gosto. A Testemunha deve baseá-las em situações conhecidas e cuidar de tornar clara a sua aplicação. As ilustrações de Jesus se ajustavam a todos esses requisitos.
18. Como pode Mateus 13:45, 46 mostrar-se útil no ministério?
18 Por exemplo, considere as palavras de Jesus: “O reino dos céus é semelhante a um comerciante viajante que buscava pérolas excelentes Ao achar uma pérola de grande valor, foi e vendeu prontamente todas as coisas que tinha e a comprou.” (Mateus 13:45, 46) Pérolas são gemas preciosas encontradas dentro de conchas de ostras e de outros moluscos. Mas, apenas algumas pérolas são “excelentes”. O comerciante teve o necessário discernimento para apreciar o valor superior dessa única pérola e dispunha-se a desfazer-se de tudo a fim de adquiri-la. Talvez numa revisita ou num estudo bíblico domiciliar, essa ilustração poderia ser usada para mostrar que a pessoa que realmente tiver apreço pelo Reino de Deus agirá como aquele comerciante. Tal pessoa dará prioridade ao Reino na sua vida, sabendo que isso vale qualquer sacrifício.
Conclua Com Motivação
19. No ministério de casa em casa, o que devem as conclusões mostrar ao morador?
19 Na Escola do Ministério Teocrático, o povo de Deus aprende também que a conclusão dum discurso ou palestra deve ter uma relação direta com o tema, e deve mostrar aos ouvintes o que fazer e incentivá-los a fazer isso. No ministério de casa em casa, deve-se mostrar claramente ao morador o que é que se espera dele, como, por exemplo, aceitar uma publicação bíblica ou concordar com uma nova visita.
20. Que excelente exemplo de conclusão motivadora temos em Mateus 7:24-27?
20 A conclusão do Sermão do Monte, de Jesus, serve de excelente exemplo. Por meio duma ilustração facilmente compreensível, Jesus mostrou que seria sábio acatar as suas palavras. Ele concluiu: Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e açoitaram a casa, mas ela não se desmoronou, pois tinha sido fundada na rocha. Além disso, todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem tolo, que construiu a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e bateram contra aquela casa, e ela se desmoronou, e foi grande a sua queda.” (Mateus 7:24-27) Quão bem isso mostra que os ministros de Deus devem empenhar-se em motivar os moradores!
21. O nosso estudo ilustrou o que, mas, o que tem de ser reconhecido?
21 Os pontos acima ilustram como a Escola do Ministério Teocrático pode ajudar a muitos a se tornarem proclamadores do Reino habilitados. Por certo, ser adequadamente qualificado depende primariamente de Deus. (2 Coríntios 3:4-6) E, independente de quão habilitado seja o ministro, ninguém pode persuadir as pessoas a se tornarem crentes a menos que sejam atraídas por Deus através de Cristo. (João 14:6) Todavia, os do povo de Deus devem certamente servir-se de todas essas provisões espirituais feitas por Jeová, à medida que procuram os corretamente dispostos para a vida eterna.
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