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Por que estou tão doente?Despertai! — 1997 | 22 de abril
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QUANDO Jason tinha 13 anos, queria ser ministro de tempo integral em Betel, sede mundial das Testemunhas de Jeová, em Brooklyn, Nova York. Fez uma caixa de madeira e chamou-a de caixa de Betel. Ali ele guardava coisas que achava que seriam úteis quando começasse sua carreira em Betel.
Infelizmente, apenas três meses depois de fazer 18 anos, Jason ficou sabendo que tinha a doença de Crohn — distúrbio intestinal doloroso para o qual não há cura. “Fiquei arrasado”, recorda. “Só pude ligar para meu pai no trabalho e chorar. Sabia que, no mínimo, isso significava o fim do meu sonho de ir para Betel.”
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Por que estou tão doente?Despertai! — 1997 | 22 de abril
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“Quando se é jovem, a gente se sente invencível”, comenta Jason, já mencionado. “Aí, de uma hora para outra, uma doença grave o faz acordar. Parece que você ficou velho da noite para o dia, porque tem de ir mais devagar.” Realmente, não é fácil conviver com novos limites.
Jason descobriu que outra grande dificuldade é que os outros nem sempre entendem a situação. Jason tem o que muitos chamam de “doença invisível”. Sua aparência dá a falsa impressão de que ele não tem nada. “Meu corpo não faz a digestão direito”, explica, “por isso, preciso comer com mais freqüência e em maior quantidade do que muitos outros. E ainda assim, continuo magro. Também, às vezes fico tão cansado que não consigo ficar de olhos abertos na metade do dia. Mas as pessoas fazem comentários que dão a entender que eu sou muito mimado ou preguiçoso. Dizem coisas como: ‘Você sabe que tem condições de fazer melhor. Você não está nem tentando!’”
Jason tem irmãos e irmãs mais novos que nem sempre entendem por que ele não pode fazer as coisas que fazia antes, como levá-los para jogar bola. “Sei que se eu me machucar”, comenta, “posso levar meses para sarar. Eles tendem a comparar a dor que eu sinto com a deles e dizem: ‘Ele só está gemendo para chamar a atenção.’ A pior dor que eles sentem é provavelmente a de um mau jeito no pé, por isso eles simplesmente não conseguem imaginar como é a minha”.
Se a doença parece sobrecarregar a sua família, você talvez tenha de lutar contra sentimentos de culpa. Seus pais talvez também se sintam culpados. “Meus pais acham que podem ter me passado o problema”, diz Jason. “Os filhos em geral se ajustam à doença depois que aceitam a realidade. Mas para os pais é mais difícil. Estão o tempo todo me pedindo desculpas. Sempre tenho de fazer o máximo para tentar aliviá-los dos seus sentimentos de culpa.”
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