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  • Há vida após a morte?
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Há vida após a morte?

      “Até mesmo para uma árvore há esperança. Se for decepada, brotará novamente . . . Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente?” — MOISÉS, PROFETA DA ANTIGUIDADE.

      1-3. Como é que muitos procuram consolo quando perdem um ente querido na morte?

      NUMA sala de velório, na cidade de Nova York, amigos e membros da família passam em silêncio pelo caixão aberto. Olham para o cadáver de um rapaz de 17 anos. Seus amigos de escola quase não o reconhecem. A quimioterapia reduziu-lhe os cabelos; o câncer o fez perder peso. Seria este mesmo o seu amigo? Apenas poucos meses antes, ele estava cheio de ideias, de perguntas, de energia — de vida! A mãe do rapaz, arrasada, procura obter alguma esperança e consolo com a ideia de que seu filho, de algum modo, ainda esteja vivo. Vez após vez ela repete com lágrimas o que lhe foi ensinado: “O Tom é agora mais feliz. Deus queria que Tom estivesse com ele no céu.”

      2 A uns 11 mil quilômetros dali, em Jamnagar, na Índia, os três filhos dum comerciante de 58 anos ajudam a deitar o cadáver do pai numa pira funerária. No forte sol do meio da manhã, o filho mais velho começa a cremação por acender com uma tocha as toras de madeira e derramar uma mistura de especiarias e de incenso, de cheiro suave, sobre o cadáver do pai. A crepitação do fogo é abafada pela voz do Brâmane repetindo mantras sânscritas, com o sentido: “Que a alma que nunca morre continue em seus esforços de se tornar um com a suprema realidade.”

      3 Enquanto os três irmãos observam a cremação, cada um deles se pergunta no íntimo: ‘Será que acredito na vida após a morte?’ Por terem sido educados em partes diferentes do mundo, têm respostas diferentes. O mais jovem confia que seu querido pai reencarnará para uma vida num nível mais alto. O irmão do meio acredita que os mortos em certo sentido estão adormecidos, não estando cônscios de nada. O mais velho simplesmente procura aceitar a realidade da morte, porque acha que ninguém sabe ao certo o que acontece conosco quando morremos.

      Uma pergunta, muitas respostas

      4. Que pergunta aflige a humanidade já por séculos?

      4 Há vida após a morte? Esta é uma pergunta que tem deixado a humanidade perplexa por milênios. “Até mesmo os teólogos ficam embaraçados quando se confrontam com [ela]”, diz Hans Küng, erudito católico. No decorrer dos tempos, as pessoas em todas as sociedades têm refletido sobre este assunto, e não faltam respostas a essa pergunta.

      5-8. Que ensinam diversas religiões a respeito da vida após a morte?

      5 Muitos cristãos nominais acreditam em céu e inferno. Os hindus, por outro lado, acreditam na reencarnação. Comentando o conceito muçulmano, Amir Muawiyah, assistente num centro religioso islâmico, diz: “Cremos que haverá um dia de julgamento após a morte, quando se comparecerá perante Deus, Alá, o que será assim como entrar num tribunal.” Segundo a crença islâmica, Alá avaliará então o proceder de cada um na vida e destinará a pessoa ao paraíso ou ao inferno.

      6 Em Sri Lanka, tanto os budistas como os católicos deixam as portas e as janelas bem abertas quando morre alguém de sua família. Acende-se uma lâmpada a óleo e o caixão é colocado de modo que os pés do defunto fiquem na direção da porta da frente. Eles acreditam que essas medidas facilitam a saída do espírito, ou alma, do defunto de dentro da casa.

      7 Os aborígines da Austrália, diz Ronald M. Berndt, da Universidade da Austrália Ocidental, acreditam que “os seres humanos são espiritualmente indestrutíveis”. Certas tribos africanas acreditam que, depois da morte, as pessoas comuns se tornam fantasmas, ao passo que as pessoas de destaque se tornam espíritos ancestrais, aos quais se dará honra e se farão súplicas como líderes invisíveis da comunidade.

      8 Em alguns países, as crenças referentes às supostas almas dos mortos são uma mistura de tradições locais com o cristianismo nominal. Por exemplo, entre muitos católicos e protestantes da África Ocidental é costume cobrir os espelhos quando alguém falece, para que ninguém olhe num espelho e veja o espírito da pessoa morta. Daí, 40 dias após o falecimento do ente querido, a família e os amigos celebram a ascensão da alma para o céu.

      Um tema comum

      9, 10. Com que crença fundamental concorda a maioria das religiões?

      9 As respostas à pergunta sobre o que acontece quando morremos são tão diversas como os costumes e as crenças das pessoas a quem se pergunta. No entanto, a maioria das religiões concorda com uma ideia fundamental: algo dentro da pessoa — uma alma, um espírito, um fantasma — é imortal e continua vivendo após a morte.

      10 A crença na imortalidade da alma é quase que universal nos milhares de religiões e seitas da cristandade. É também uma doutrina oficial do judaísmo. No hinduísmo, esta crença é a própria base do ensino da reencarnação. Os muçulmanos acreditam que a alma vem à existência junto com o corpo, mas continua vivendo depois de o corpo morrer. Outras crenças — o animismo africano, o xintoísmo e mesmo o budismo — ensinam variantes do mesmo tema.

      11. Como encaram alguns eruditos a ideia de que a alma seja imortal?

      11 Alguns adotam o ponto de vista oposto, de que a vida consciente termina por ocasião da morte. Para eles, a ideia de que a vida emocional e intelectual continue numa alma impessoal, indistinta, separada do corpo, parece não ser racional. O escritor e erudito espanhol Miguel de Unamuno, do século 20, escreve: “Crer na imortalidade da alma é querer que a alma seja imortal, mas querer isso com tanta determinação, que esta vontade pisoteia a razão e vai além dela.” Entre os que se negavam a crer na imortalidade pessoal estavam os famosos filósofos antigos Aristóteles e Epicuro, o médico Hipócrates, o filósofo escocês David Hume, o erudito árabe Averroés e o primeiro dos primeiros-ministros da Índia, após a independência, Jawaharlal Nehru.

      12, 13. Que perguntas importantes surgem a respeito do ensino da imortalidade da alma?

      12 A questão é: temos mesmo uma alma imortal? Se a alma realmente não é imortal, então como pode este ensino falso constituir uma parte importante da maioria das religiões atuais? Onde se originou esta ideia? E se a alma realmente deixa de existir por ocasião da morte, que esperança há para os mortos?

      13 É possível encontrar respostas verazes e satisfatórias a essas perguntas? Sim, é possível! Essas e outras perguntas serão respondidas nas páginas que se seguem. Primeiro, examinemos como surgiu a doutrina da imortalidade da alma.

  • A imortalidade da alma — a origem da doutrina
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A imortalidade da alma — a origem da doutrina

      “Nenhum assunto relacionado com a vida psíquica absorve tanto a mente do homem quanto sua condição após a morte.” — “ENCYCLOPÆDIA OF RELIGION AND ETHICS.”

      1-3. Como promoveram Sócrates e Platão a ideia de que a alma é imortal?

      UM PROFESSOR e erudito, de 70 anos, é acusado de irreverência e de corromper a mente dos jovens com o seu ensino. Embora ele faça uma defesa brilhante no seu julgamento, o júri preconceituoso o considera culpado e o sentencia à morte. Poucas horas antes da sua execução, o idoso professor fornece aos alunos em volta dele uma série de argumentos para afirmar que a alma é imortal e que não se deve temer a morte.

      2 O homem condenado foi o próprio Sócrates, o famoso filósofo grego do quinto século AEC.a Seu estudante, Platão, registrou esses incidentes nos ensaios Apologia e Fédon. Acredita-se que Sócrates e Platão estavam entre os primeiros a promover a ideia de que a alma é imortal. Mas eles não foram os originadores desse ensino.

      3 Conforme veremos, as origens da ideia da imortalidade humana remontam a tempos muito mais antigos. No entanto, Sócrates e Platão retocaram esse conceito e o transformaram num ensino filosófico, tornando-o assim mais atraente às classes cultas dos seus dias e depois.

      Desde Pitágoras até às pirâmides

      4. Antes de Sócrates, quais eram os conceitos dos gregos sobre o Além?

      4 Os gregos anteriores a Sócrates e Platão também criam que a alma continuava viva após a morte. Pitágoras, famoso matemático grego do sexto século AEC, sustentava que a alma era imortal e estava sujeita à transmigração. Antes dele, Tales de Mileto, considerado o mais antigo filósofo grego conhecido, achava que a alma imortal não existia apenas em homens, animais e plantas, mas também em objetos tais como um ímã, visto que pode mover ferro. Os antigos gregos afirmavam que as almas dos mortos eram transportadas através do rio Estige para um vasto domínio subterrâneo chamado de o mundo dos mortos. Ali, juízes sentenciavam as almas quer ao tormento numa prisão com muros enormes, quer à bem-aventurança no Elísio.

      5, 6. Que ideia formaram os persas sobre a alma?

      5 No Irã, ou Pérsia, ao leste, um profeta chamado Zoroastro surgiu no sétimo século AEC. Ele introduziu uma forma de adoração que veio a ser conhecida como zoroastrismo. Era a religião do Império Persa, que dominou o cenário mundial antes de a Grécia se tornar uma grande potência. As escrituras zoroastrianas dizem: “Na Imortalidade, a alma do Justo estará sempre em Alegria, mas a alma do Mentiroso estará certamente em tormento. E essas Leis foram decretadas por Auramazda [significando “um deus sábio”] pela Sua autoridade suprema.”

      6 O ensino da imortalidade da alma era também parte da religião iraniana antes de Zoroastro. Por exemplo, antigas tribos do Irã cuidavam das almas dos falecidos por oferecer-lhes comida e roupa, a fim de beneficiá-los no mundo do Além.

      7, 8. Que acreditavam os antigos egípcios a respeito de a alma sobreviver à morte do corpo?

      7 A crença na vida após a morte era fundamental para a religião egípcia. Os egípcios sustentavam que a alma da pessoa morta seria julgada por Osíris, o deus principal do mundo do Além. Por exemplo, um documento em papiro, supostamente do século 14 AEC, mostra Anúbis, deus dos mortos, levando a alma do escriba Hunefer perante Osíris. Numa balança, o coração do escriba, representando a sua consciência, é pesado contra a pena que a deusa da verdade e da justiça usa na cabeça. Tot, outro deus, registra o resultado. Visto que o coração de Hunefer não está pesado devido a culpa, pesa menos do que a pena, e permite-se que Hunefer entre no domínio de Osíris e receba a imortalidade. O papiro mostra também um monstro feminino parado ao lado da balança, pronto para devorar o falecido se o coração não passar pela prova. Os egípcios também mumificavam seus mortos e preservavam os cadáveres de faraós em impressionantes pirâmides, visto que achavam que a sobrevivência da alma dependia da preservação do corpo.

      8 Portanto, diversas civilizações antigas tinham um ensino em comum: a imortalidade da alma. Será que obtiveram este ensino da mesma fonte?

      O ponto de partida

      9. Que religião influenciou o mundo antigo do Egito, da Pérsia e da Grécia?

      9 “No mundo antigo”, diz o livro The Religion of Babylonia and Assyria (A Religião de Babilônia e Assíria), “o Egito, a Pérsia e a Grécia sentiram a influência da religião babilônica”. O livro prossegue, explicando: “Em vista do anterior contato entre o Egito e Babilônia, conforme revelam as tabuinhas El-Amarna, certamente havia muitas oportunidades para a infusão de conceitos e costumes babilônicos nos cultos egípcios. Na Pérsia, o culto de Mitra revela a inconfundível influência de conceitos babilônicos . . . A forte mistura de elementos semíticos, tanto na primitiva mitologia grega como nos cultos gregos, é agora tão geralmente admitida pelos eruditos que dispensa comentário adicional. Tais elementos semíticos são em grande parte mais especificamente babilônicos.”b

      10, 11. Que conceito tinham os babilônios sobre a vida após a morte?

      10 Mas será que o conceito babilônico sobre o que acontece após a morte não difere consideravelmente daquele dos egípcios, dos persas e dos gregos? Por exemplo, considere a babilônica Epopeia de Gilgamés. Seu herói idoso, Gilgamés, sentindo-se amedrontado pela realidade da morte, sai em busca da imortalidade, mas não consegue encontrá-la. Uma moça que servia vinho, que ele encontra durante a viagem, até mesmo o incentiva a aproveitar a vida ao máximo, porque não irá encontrar a vida infindável que procura. A mensagem de toda a epopeia é que a morte é inevitável e que a esperança da imortalidade é uma ilusão. Significa isso que os babilônios não acreditavam num Além?

      11 O Professor Morris Jastrow Jr., da Universidade de Pensilvânia, EUA, escreveu: “Nem o povo nem os líderes do pensamento religioso [em Babilônia] jamais encararam a possibilidade de aniquilamento total daquilo que uma vez veio a existir. A morte [no conceito deles] era uma passagem para outra espécie de vida, e negar a imortalidade apenas enfatizava a impossibilidade de se escapar da mudança na existência causada pela morte.” Deveras, os babilônios também acreditavam que alguma espécie de vida, em alguma forma, continuava após a morte. Expressavam isso por enterrar objetos junto com os mortos, para o uso deles no Além.

      12-14. (a) Depois do Dilúvio, onde se originou o ensino da imortalidade da alma? (b) Como se espalhou essa doutrina pela Terra?

      12 É evidente que o ensino da imortalidade da alma remonta à antiga Babilônia. Segundo a Bíblia, que é um livro de História exata, a cidade de Babel, ou Babilônia, foi fundada por Ninrode, bisneto de Noé.c Após o Dilúvio global dos dias de Noé, havia uma só língua e uma só religião. Pela fundação da cidade e pela construção duma torre nela, Ninrode iniciou outra religião. O registro bíblico mostra que, depois da confusão de línguas em Babel, os malogrados construtores da torre se espalharam e empreenderam novos começos, levando consigo a sua religião. (Gênesis 10:6-10; 11:4-9) O ensino religioso, babilônico, espalhou-se assim sobre a face da Terra.

      13 Segundo a tradição, Ninrode teve uma morte violenta. Depois da sua morte, é razoável pensar que os babilônios estivessem inclinados a tê-lo em alta estima como fundador, construtor e primeiro rei da sua cidade. Visto que o deus Marduque (Merodaque) era considerado o fundador de Babilônia, alguns eruditos sugeriram que Marduque representa o deificado Ninrode. Neste caso, a ideia de que a pessoa tem uma alma que sobrevive à morte deve ter sido comum pelo menos na época do falecimento de Ninrode. De qualquer modo, as páginas da História revelam que, depois do Dilúvio, o lugar de origem do ensino da imortalidade da alma foi Babel, ou Babilônia.

      14 No entanto, como esta doutrina se tornou fundamental na maioria das religiões do nosso tempo? A próxima seção examinará como ela se introduziu nas religiões orientais.

      [Nota(s) de rodapé]

      a AEC significa “Antes da Era Comum”. EC indica “Era Comum”, muitas vezes chamada de AD, ou Anno Domini, significando “no ano do Senhor”.

      b El-Amarna é o local das ruínas da cidade egípcia Akhetaton, que se afirma ter sido construída no século 14 AEC.

      c Veja o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, páginas 37-54, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      [Fotos na página 6]

      O conceito egípcio sobre as almas no Além

      [Foto na página 7]

      Sócrates argumentava que a alma é imortal

  • A ideia se introduz nas religiões orientais
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A ideia se introduz nas religiões orientais

      “Eu sempre achei que a imortalidade da alma era uma verdade universal, aceita por todos. Por isso fiquei realmente surpreso de saber que alguns intelectuais, tanto do Oriente como do Ocidente, têm argumentado fervorosamente contra esta crença. Agora eu me pergunto como a ideia da imortalidade penetrou no pensamento hindu.” — UM ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO, CRIADO COMO HINDU.

      1. Por que nos interessa conhecer o desenvolvimento e a difusão da doutrina da imortalidade humana em diversas religiões?

      COMO se introduziu no hinduísmo e em outras religiões orientais a ideia de que o homem tem uma alma imortal? Esta pergunta interessa até mesmo aos do Ocidente, que talvez não conheçam bem essas religiões, já que a crença afeta o conceito de todos sobre o futuro. Visto que o ensino da imortalidade humana é hoje um denominador comum na maioria das religiões, saber como este conceito se desenvolveu pode deveras promover melhor entendimento e comunicação.

      2. Por que a Índia se destacou como notável fonte de influência religiosa na Ásia?

      2 Ninian Smart, professor de estudos religiosos na Universidade de Lancaster, na Grã-Bretanha, menciona: “O centro mais importante de influência religiosa na Ásia tem sido a Índia. Isto se dá não apenas porque a própria Índia deu origem a várias crenças — hinduísmo, budismo, jainismo, siquismo, etc. — mas também porque uma delas, o budismo, passou a influenciar profundamente a cultura de virtualmente toda a Ásia Oriental.” Muitas culturas influenciadas assim “ainda consideram a Índia como sua pátria espiritual”, diz o erudito hindu Nikhilananda. Mas como se introduziu na Índia e em outras partes da Ásia este ensino da imortalidade?

      O ensino da reencarnação pelo hinduísmo

      3. De acordo com um historiador, quem possivelmente levou a ideia da transmigração da alma à Índia?

      3 No sexto século AEC, enquanto Pitágoras e seus seguidores, na Grécia, promoviam a teoria da transmigração da alma, alguns sábios hindus, que viviam à margem dos rios Indo e Ganges, na Índia, desenvolviam o mesmo conceito. O surgimento simultâneo desta crença “no mundo grego e na Índia dificilmente pode ter sido acidental”, diz o historiador Arnold Toynbee. “Uma possível fonte comum [de influência]”, salienta Toynbee, “é a sociedade nômade eurásica que, no oitavo e no sétimo séculos AEC, invadiu a Índia, o sudoeste da Ásia e as estepes ao longo da margem setentrional do mar Negro, e as penínsulas balcânica e anatólia”. As tribos eurásicas, migratórias, evidentemente trouxeram consigo à Índia a ideia da transmigração.

      4. Por que agradou aos sábios hindus o conceito da transmigração da alma?

      4 O hinduísmo tivera seu início na Índia muito antes, com a chegada dos arianos por volta de 1500 AEC. O hinduísmo, desde o começo, adotou a crença de que a alma diferia do corpo e que ela sobrevivia à morte. Os hindus praticavam assim o culto dos antepassados e ofereciam alimentos às almas dos seus mortos. Séculos mais tarde, quando a ideia da transmigração da alma chegou à Índia, deve ter agradado aos sábios hindus, que lutavam com o problema universal do mal e do sofrimento entre os humanos. Combinando-a com o que é chamado de lei do carma, a lei de causa e efeito, sábios hindus desenvolveram a teoria da reencarnação, pela qual os méritos e deméritos em uma vida são recompensados ou punidos na próxima.

      5. Segundo o hinduísmo, qual é o derradeiro objetivo da alma?

      5 No entanto, havia mais outro conceito que influenciou o ensino do hinduísmo sobre a alma. “Parece ser verdade que na própria época em que se desenvolveu a teoria da transmigração e do karma, ou mesmo antes”, diz a Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), “outro conceito . . . aos poucos tomava forma num pequeno círculo intelectual no Norte da Índia — o conceito filosófico de Brahman-Atman [o Brâmane supremo e eterno, a suprema realidade]”. Esta ideia foi combinada com a teoria da reencarnação para definir o derradeiro objetivo dos hindus — ficar livre do ciclo da transmigração, a fim de unir-se com a suprema realidade. Os hindus acreditam que isto é conseguido pelo esforço em prol dum comportamento socialmente aceitável e dum conhecimento hindu especial.

      6, 7. Qual é a crença do hinduísmo atual a respeito do Além?

      6 Os sábios hindus transformaram assim a ideia da transmigração da alma na doutrina da reencarnação por combiná-la com a lei do carma e o conceito do Brâmane. Octavio Paz, poeta ganhador do Prêmio Nobel e ex-embaixador mexicano na Índia, escreve: “Com a expansão do hinduísmo, também se expandiu uma ideia . . . que é básica para o bramanismo, para o budismo e para outras religiões asiáticas: a metempsicose, a transmigração da alma através de existências sucessivas.”

      7 A doutrina da reencarnação é o suporte principal do hinduísmo atual. Nikhilananda, filósofo hindu, diz: “Que alcançar a imortalidade não é prerrogativa de uns poucos escolhidos, mas o direito inato de todos, é a convicção de todo bom hindu.”

      O ciclo de renascimentos no budismo

      8-10. (a) Como é a existência definida pelo budismo? (b) Como é o renascimento explicado por um erudito budista?

      8 O budismo foi fundado na Índia por volta de 500 AEC. Segundo a tradição budista, um príncipe indiano de nome Sidarta Gautama, que passou a ser conhecido como Buda depois de receber iluminação, fundou o budismo. Visto que este se originou do hinduísmo, seus ensinos são de certa forma similares aos do hinduísmo. De acordo com o budismo, a existência é um ciclo contínuo de renascimentos e mortes, e como no hinduísmo, a condição de cada pessoa na vida atual é determinada pelo seu comportamento na vida anterior.

      9 Mas o budismo não define a existência em termos de uma alma pessoal que sobrevive à morte. “[Buda] via na psique humana apenas uma transitória série de condições psicológicas descontínuas, mantidas unidas apenas pelo desejo”, observou Arnold Toynbee. No entanto, Buda acreditava que algo — alguma condição ou força — é transmitido de uma vida para outra. O Dr. Walpola Rahula, erudito budista, explica:

      10 “Um ser nada mais é senão uma combinação de forças ou energias físicas e mentais. O que chamamos de morte é o total não funcionamento do corpo físico. Será que todas essas forças e energias cessam completamente com o não funcionamento do corpo? O budismo diz: ‘Não.’ Vontade, volição, desejo, ânsia de existir, de continuar, de tornar-se sempre mais importante, é uma tremenda força que move inteiras vidas, inteiras existências, que move até mesmo o mundo inteiro. Esta é a maior força, a maior energia do mundo. Segundo o budismo, essa força não cessa com o não funcionamento do corpo, que é a morte; mas continua a manifestar-se em outra forma, produzindo a reexistência, chamada de renascimento.”

      11. Qual é o conceito budista sobre o Além?

      11 O conceito budista sobre o Além é o seguinte: a existência é eterna, a menos que a pessoa alcance o objetivo final do nirvana, estar livre do ciclo de renascimentos. O nirvana não é nem um estado de eterna felicidade, nem de ficar unido com a suprema realidade. É simplesmente um estado de inexistência — o “lugar sem morte” além da existência individual. O Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary define “Nirvana” como “lugar ou estado de desligamento da preocupação, da dor ou da realidade externa”. Os budistas, em vez de procurarem a imortalidade, são incentivados a transcendê-la por alcançar o nirvana.

      12-14. Como é a ideia da imortalidade transmitida por várias formas de budismo?

      12 Ao passo que o budismo se espalhou por vários lugares na Ásia, modificaram-se seus ensinos para ajustar-se às crenças locais. Por exemplo, o budismo maaiana, a forma predominante na China e no Japão, sustenta a crença em bodisatvas celestiais ou Budas futuros. Os bodisatvas adiam seu nirvana durante inúmeras vidas, a fim de servir outros e ajudá-los a alcançá-lo. De modo que se pode escolher continuar no ciclo de renascimentos mesmo depois de alcançar o nirvana.

      13 Outro ajuste que se tornou especialmente influente na China e no Japão é a doutrina da Terra Pura ao Oeste, criada pelo Buda Amitabha ou Amida. Aqueles que invocam o nome de Buda com fé renascem na Terra Pura, ou paraíso, onde as condições são mais propícias para se alcançar a iluminação final. O que se desenvolveu à base deste ensino? O Professor Smart, já mencionado, explica: “Como era de esperar, os esplendores do paraíso, descritos vividamente em algumas das escrituras maaianas, passaram a substituir o nirvana como objetivo derradeiro na imaginação popular.”

      14 O budismo tibetano incorpora outros elementos locais. Por exemplo, o livro tibetano dos mortos descreve a sorte da pessoa no estado intermediário antes de renascer. Diz-se que os mortos ficam expostos à luz forte da suprema realidade, e aqueles que não conseguem suportar essa luz não ganham a liberação, mas renascem. É evidente que o budismo, nas suas diversas formas, transmite a ideia da imortalidade.

      O culto dos antepassados no xintoísmo do Japão

      15-17. (a) Como se desenvolveu no xintoísmo o culto dos espíritos dos antepassados? (b) Em que sentido a crença na imortalidade da alma é fundamental no xintoísmo?

      15 Havia religião no Japão antes da chegada do budismo no sexto século EC. Era uma religião sem nome, e consistia em crenças associadas com a moral e os costumes do povo. No entanto, com a introdução do budismo, surgiu a necessidade de diferenciar a religião do Japão da estrangeira. E assim surgiu a designação “xintó”, que significa “caminho dos deuses”.

      16 Qual era a crença do xintoísmo original a respeito do Além? Com o advento do cultivo do arroz em terras pantaneiras, “a cultura da terra pantanosa necessitava de comunidades bem organizadas e estáveis”, explica a Kodansha Encyclopedia of Japan, “e os ritos agrícolas — que mais tarde desempenharam um papel importante no xintoísmo — se desenvolveram”. O medo das almas que partiam levou esse povo antigo a conceber ritos para apaziguá-las. Isto se desenvolveu num culto dos espíritos de antepassados.

      17 Segundo a crença xintoísta, a alma “que partiu” ainda conserva a sua personalidade, mas fica manchada por causa da morte. Quando os enlutados realizam ritos em memória do falecido, a alma é purificada a ponto de remover toda a maldade, e ela assume um caráter pacífico e benevolente. Com o tempo, o espírito ancestral alcança a posição de deidade ou guardião ancestral. Na coexistência com o budismo, o xintoísmo incorporou certos ensinos budistas, inclusive a doutrina do paraíso. Verificamos assim que a crença na imortalidade é fundamental no xintoísmo.

      A imortalidade no taoísmo,

      o culto dos antepassados no confucionismo

      18. Qual é o conceito taoísta sobre a imortalidade?

      18 O taoísmo foi fundado por Lao-Tsé (ou Lao-tzu), que supostamente viveu na China no sexto século AEC. O objetivo da vida, segundo o taoísmo, é harmonizar a atividade humana com Tao — o caminho da natureza. O modo de pensar taoísta a respeito da imortalidade pode ser resumido da seguinte forma: Tao é o princípio governante do Universo. Tao não teve princípio nem terá fim. Por se viver segundo Tao, a pessoa participa nele e se torna eterna.

      19-21. A que empenhos levou a especulação taoísta?

      19 Na sua tentativa de estar em união com a natureza, os taoístas, com o tempo, ficaram especialmente interessados na sua perenidade e resiliência. Especulavam que talvez, por se viver em harmonia com Tao, ou o caminho da natureza, pode-se de algum modo descobrir os segredos da natureza e tornar-se imune ao dano físico, a doenças e até mesmo à morte.

      20 Os taoístas passaram a fazer experiências com meditação, exercícios respiratórios e dieta, que supostamente podiam retardar a degeneração física e a morte. Logo começaram a circular lendas a respeito de imortais que podiam voar sobre nuvens, e aparecer e desaparecer a seu bel-prazer, e que viviam em montanhas sagradas ou em ilhas remotas por incontáveis anos, sustentados pelo orvalho ou por frutas mágicas. A história chinesa conta que, em 219 AEC, o imperador Ch’in Shih Huang Ti enviou uma frota de navios com 3 mil meninos e meninas para encontrar a lendária ilha de P’eng-lai, a morada dos imortais, para trazer de volta a erva da imortalidade. É desnecessário dizer que eles não retornaram com o elixir.

      21 A busca da vida eterna levou os taoístas a experimentar a produção de pílulas de imortalidade pela alquimia. No conceito taoísta, a vida resulta da combinação das forças opostas yin e yang (feminina e masculina). Assim, fundindo chumbo (escuro, ou yin) com mercúrio (claro, ou yang), os alquimistas estavam imitando o processo da natureza e pensavam que o produto seria uma pílula de imortalidade.

      22. Em que resultou a influência budista na vida religiosa chinesa?

      22 No sétimo século EC, o budismo já se tinha introduzido na vida religiosa chinesa. O resultado foi uma fusão que abrangia elementos do budismo, do espiritismo e do culto dos antepassados. “Tanto o budismo como o taoísmo”, diz o Professor Smart, “deram forma e substância às crenças a respeito da vida após a morte, que eram um tanto superficiais no antigo culto chinês dos antepassados”.

      23. Qual era a atitude de Confúcio para com o culto de antepassados?

      23 Confúcio, outro eminente sábio chinês do sexto século AEC, cuja filosofia tornou-se a base do confucionismo, não comentava muito sobre o Além. Em vez disso, enfatizava a importância da retidão moral e do comportamento socialmente aceitável. Mas ele tinha uma atitude favorável para com o culto dos antepassados e dava muita ênfase à observância dos ritos e das cerimônias relacionados com os espíritos dos antepassados falecidos.

      Outras religiões orientais

      24. O que ensina o jainismo a respeito da alma?

      24 O jainismo foi fundado na Índia no sexto século AEC. Seu fundador, Maavira, ensinava que todas as coisas vivas têm alma eterna e que salvar a alma dos laços do carma só é possível pela extrema abnegação e autodisciplina e pela rígida aplicação da não violência para com todas as criaturas. Os jainistas sustentam estas crenças até hoje.

      25, 26. Que crenças hindus se encontram também no siquismo?

      25 A Índia é também o berço do siquismo, religião praticada por 19 milhões de pessoas. Esta religião teve seu começo no século 16, quando o guru Nanaque decidiu juntar o melhor do hinduísmo e do islamismo e formar uma religião unificada. O siquismo adotou as crenças hindus da imortalidade da alma, da reencarnação e do carma.

      26 É evidente que a crença de que a vida continua após a morte do corpo constitui uma parte importante da maioria das religiões orientais. No entanto, que dizer da cristandade, do judaísmo e do islamismo?

      [Mapa na página 10]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ÁSIA CENTRAL

      CAXEMIRA

      TIBETE

      CHINA

      COREIA

      JAPÃO

      Banaras

      ÍNDIA

      Buddh Gaya

      MIANMAR

      TAILÂNDIA

      CAMBOJA

      SRI LANKA

      JAVA

      3.o SÉCULO AEC

      1.o SÉCULO AEC

      1.o SÉCULO EC

      4.o SÉCULO EC

      6.o SÉCULO EC

      7.o SÉCULO EC

      O budismo influenciou toda a Ásia Oriental

      [Foto na página 9]

      A reencarnação é o suporte principal do hinduísmo

      [Foto na página 11]

      O taoísta procura tornar-se eterno por viver em harmonia com a natureza

      [Foto na página 12]

      Confúcio tinha uma atitude favorável para com o culto dos antepassados

  • A ideia se introduz no judaísmo, na cristandade e no islamismo
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A ideia se introduz no judaísmo, na cristandade e no islamismo

      “Religião é, entre outras coisas, uma maneira de fazer as pessoas se resignarem com o fato de que algum dia terão de morrer, seja com a promessa de uma vida melhor no além, seja com o renascimento, ou com ambos.” — GERHARD HERM, AUTOR ALEMÃO.

      1. Em que crença fundamental a maioria das religiões baseia a sua promessa de vida após a morte?

      AO FAZEREM a promessa de haver vida após a morte, praticamente todas as religiões dependem da crença de que o homem tem uma alma que é imortal e que, na morte, ela viaja para outro domínio ou transmigra para outra criatura. Conforme mencionado na seção anterior, a crença na imortalidade humana tem sido parte integrante das religiões orientais desde o seu começo. Mas que dizer do judaísmo, da cristandade e do islamismo? Como se tornou este ensino um ponto central dessas crenças?

      O judaísmo absorve conceitos gregos

      2, 3. Segundo a Encyclopaedia Judaica, ensinavam os sagrados escritos hebraicos a imortalidade da alma?

      2 As raízes do judaísmo remontam a uns 4 mil anos, ao tempo de Abraão. Os escritos sagrados hebraicos tiveram início no século 16 AEC e estavam completos na época em que Sócrates e Platão deram forma à teoria da imortalidade da alma. Será que essas Escrituras ensinam a imortalidade da alma?

      3 A Encyclopaedia Judaica responde: “Somente no período pós-bíblico é que a crença firme e clara na imortalidade da alma se estabeleceu . . . e se tornou um dos fundamentos das crenças judaica e cristã.” Ela declara também: “No período bíblico, a pessoa era considerada como um todo. De modo que a alma não era nitidamente diferenciada do corpo.” Os judeus primitivos criam na ressurreição dos mortos, e isto “deve ser distinguido da crença [na] imortalidade da alma”, salienta esta enciclopédia.

      4-6. Como se tornou a doutrina da imortalidade da alma “um dos fundamentos” do judaísmo?

      4 Então, como se tornou esta doutrina “um dos fundamentos” do judaísmo? A História fornece a resposta. Em 332 AEC, Alexandre, o Grande, conquistou grande parte do Oriente Médio numa vitória rápida. Quando ele chegou a Jerusalém, os judeus o acolheram de braços abertos. Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, do primeiro século, eles até lhe mostraram a profecia do livro de Daniel, escrita mais de 200 anos antes, que descreve claramente as conquistas de Alexandre no papel de “o rei da Grécia”. (Daniel 8:5-8, 21) Os sucessores de Alexandre levaram avante seu plano de helenização, permeando todas as partes do império com a língua, a cultura e a filosofia gregas. A fusão das duas culturas — a grega e a judaica — foi inevitável.

      5 No começo do terceiro século AEC, foi iniciada a primeira tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, chamada de Septuaginta. Por meio dela, muitos gentios passaram a respeitar a religião judaica e a familiarizar-se com ela, alguns até mesmo se convertendo. Os judeus, por outro lado, tornaram-se entendidos no pensamento grego, e alguns se tornaram filósofos, algo inteiramente novo para eles. Filo de Alexandria, do primeiro século EC, foi um de tais filósofos judeus.

      6 Filo reverenciava Platão e se esforçava a explicar o judaísmo em termos da filosofia grega. “Por criar uma síntese ímpar de filosofia platônica e tradição bíblica”, diz o livro Heaven—A History (Céu — Uma História), “Filo preparou o caminho para posteriores pensadores cristãos [bem como judeus]”. E qual era a crença de Filo a respeito da alma? O livro prossegue: “Para ele, a morte restabelece a alma no seu estado pré-natal, original. Visto que a alma pertence ao mundo espiritual, a vida no corpo torna-se nada mais do que um episódio breve, muitas vezes desafortunado.” Outros pensadores judeus, que criam na imortalidade da alma, incluíam Isaac Israeli, bem conhecido médico judeu do décimo século, e Moisés Mendelssohn, filósofo judeu-alemão do século 18.

      7, 8. (a) Como é a alma descrita pelo Talmude? (b) O que diz a literatura judaica posterior, mística, sobre a alma?

      7 Um livro que também influenciou profundamente as ideias e a vida dos judeus é o Talmude — um resumo escrito, com posteriores comentários e explicações, da chamada lei oral, compilado por rabinos a partir do segundo século EC até a Idade Média. “Os rabinos do Talmude”, diz a Encyclopaedia Judaica, “criam na existência continuada da alma após a morte”. O Talmude até mesmo fala de os mortos contatarem os vivos. “Provavelmente pela influência do platonismo”, diz a Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), “[os rabinos] criam na preexistência das almas”.

      8 Posterior literatura judaica mística, a Cabala, até vai ao ponto de ensinar a reencarnação. Sobre esta crença diz The New Standard Jewish Encyclopedia (Nova Enciclopédia Judaica Padrão): “A ideia parece ter-se originado na Índia. . . . Na Cabala ela se apresenta pela primeira vez no livro Bahir, e depois, de Zohar em diante, foi comumente aceita por místicos, desempenhando um papel importante na crença e na literatura do hassidismo.” No Israel atual, a reencarnação é amplamente aceita como ensino judaico.

      9. Qual é o ponto de vista da maioria das facções do atual judaísmo a respeito da imortalidade da alma?

      9 Portanto, a ideia da imortalidade da alma foi introduzida no judaísmo através da influência da filosofia grega, e o conceito é hoje aceito pela maioria das suas facções. O que se pode dizer a respeito da introdução desse ensino na cristandade?

      A cristandade adota as ideias de Platão

      10. Qual foi a conclusão dum eminente erudito espanhol a respeito da crença de Jesus na imortalidade da alma?

      10 O cristianismo genuíno começou com Cristo Jesus. Miguel de Unamuno, eminente erudito espanhol do século 20, escreveu a respeito de Jesus: “Ele cria na ressurreição da carne, à maneira judaica, não na imortalidade da alma, à maneira platônica [grega]. . . . Podem-se ver as provas disso em qualquer livro de interpretação honesto.” Ele concluiu: “A imortalidade da alma . . . é um dogma filosófico pagão.”

      11. Quando começou a filosofia grega a infiltrar-se no cristianismo?

      11 Quando e como é que este “dogma filosófico pagão” se infiltrou no cristianismo? A New Encyclopædia Britannica salienta: “A partir de meados do 2.º século AD, os cristãos que tinham conhecimentos de filosofia grega passaram a sentir necessidade de expressar a sua fé em termos desta, tanto para a sua própria satisfação intelectual como para converter pagãos instruídos. A filosofia que mais lhes convinha era o platonismo.”

      12-14. Que papéis desempenharam Orígenes e Agostinho na fusão da filosofia platônica com o cristianismo?

      12 Dois desses antigos filósofos exerceram muita influência sobre as doutrinas da cristandade. Um deles foi Orígenes de Alexandria (c. 185-254 EC), e o outro, Agostinho de Hippo (354-430 EC). Sobre eles diz a New Catholic Encyclopedia: “Apenas com Orígenes no Oriente e com S. Agostinho no Ocidente é que a alma foi estabelecida como substância espiritual e se formou um conceito filosófico da sua natureza.” Em que base formularam Orígenes e Agostinho seus conceitos sobre a alma?

      13 Orígenes foi discípulo de Clemente de Alexandria, que foi “o primeiro dos Pais que explicitamente adotou a tradição grega referente à alma”, diz a New Catholic Encyclopedia. As ideias de Platão sobre a alma devem ter influenciado profundamente a Orígenes. “[Orígenes] introduziu na doutrina cristã todo o drama cósmico da alma, que ele adotou de Platão”, observou o teólogo Werner Jaeger em The Harvard Theological Review.

      14 Agostinho é encarado por alguns na cristandade como o maior pensador da antiguidade. Antes de se converter ao “cristianismo” à idade de 33 anos, Agostinho tinha profundo interesse na filosofia e se tornara neoplatônico.a Depois da sua conversão, continuou neoplatônico no seu modo de pensar. “Sua mente foi o cadinho em que a religião do Novo Testamento foi mais completamente fundida com a tradição platônica de filosofia grega”, diz The New Encyclopædia Britannica. A New Catholic Encyclopedia admite que a “doutrina [da alma, por parte de Agostinho], que até os fins do século 12 se tornou padrão no Ocidente, deve muito . . . ao neoplatonismo”.

      15, 16. Alterou o interesse que houve no século 13 nos ensinos de Aristóteles a atitude da Igreja para com o ensino da imortalidade da alma?

      15 No século 13, os ensinos de Aristóteles ficaram populares na Europa, na maior parte pela disponibilidade em latim das obras de eruditos árabes que haviam comentado extensamente os escritos de Aristóteles. Um erudito católico, de nome Tomás de Aquino, ficou profundamente impressionado com o pensamento aristotélico. Por causa dos escritos de Aquino, os conceitos de Aristóteles exerceram maior influência sobre o ensino da Igreja do que os de Platão. Esta tendência, porém, não afetou o ensino da imortalidade da alma.

      16 Aristóteles ensinava que a alma estava inseparavelmente ligada ao corpo e não continuava a ter existência individual após a morte, e que, se existia algo eterno no homem, era o intelecto abstrato, impessoal. Esta maneira de encarar a alma não estava em harmonia com a crença da Igreja, de que as almas pessoais sobrevivem à morte. Por isso, Aquino modificou o conceito de Aristóteles sobre a alma, afirmando que a imortalidade da alma pode ser provada pela razão. De modo que a crença da Igreja na imortalidade da alma continuou intacta.

      17, 18. (a) Causou a Reforma do século 16 uma reforma no ensino sobre a alma? (b) Qual é a posição da maioria das denominações da cristandade com respeito à imortalidade da alma?

      17 Nos séculos 14 e 15, no início da Renascença, reavivou-se o interesse em Platão. A famosa família Médici, na Itália, até mesmo ajudou a fundar uma academia em Florença, para promover o estudo da filosofia platônica. Nos séculos 16 e 17, o interesse em Aristóteles diminuiu. E a Reforma do século 16 não reformou o ensino a respeito da alma. Embora os Reformadores protestantes se opusessem ao ensino do purgatório, aceitaram a ideia de punição ou recompensa eternas.

      18 De modo que o ensino da imortalidade da alma prevalece na maioria das denominações da cristandade. Observando isso, um erudito norte-americano escreveu: “A religião, de fato, para a grande maioria da nossa própria raça, significa imortalidade, e nada mais. Deus é o produtor da imortalidade.”

      A imortalidade e o islamismo

      19. Quando foi fundado o islamismo, e por quem?

      19 O islamismo começou com a chamada de Maomé para ser profeta, quando tinha cerca de 40 anos. Os muçulmanos creem em geral que ele recebeu revelações durante um período de uns 20 a 23 anos, desde por volta de 610 EC até à sua morte em 632 EC. Essas revelações encontram-se registradas no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Na época em que o islamismo veio à existência, o conceito platônico sobre a alma já se tinha infiltrado no judaísmo e na cristandade.

      20, 21. Qual é a crença dos muçulmanos a respeito do Além?

      20 Os muçulmanos creem que sua crença é a culminação das revelações dadas aos fiéis hebreus e cristãos da antiguidade. O Alcorão cita tanto as Escrituras Hebraicas como as Gregas. Mas com respeito ao ensino da imortalidade da alma, o Alcorão diverge desses escritos. O Alcorão ensina que o homem tem uma alma que continua viva após a morte. Ele fala também da ressurreição dos mortos, dum dia de juízo e do destino final da alma — quer vida num celestial jardim paradísico, quer punição num inferno de fogo.

      21 Os muçulmanos sustentam que a alma de uma pessoa falecida vai para o Barzakh, ou “Barreira”, “o lugar ou estado em que as pessoas estarão após a morte e antes do Julgamento”. (Surata 23:99, 100, The Holy Qur-an, nota de rodapé.) A alma está consciente, sofrendo ali o que se chama de “Punição do Túmulo”, se a pessoa tiver sido má, ou desfrutando a felicidade se tiver sido fiel. Mas os fiéis também têm de sofrer algum tormento, por causa dos seus poucos pecados cometidos enquanto vivos. No dia do juízo, cada qual encara seu destino eterno, que acaba com esse estado intermediário.

      22. Que teorias divergentes sobre o destino da alma foram apresentadas por alguns filósofos árabes?

      22 A ideia da imortalidade da alma, no judaísmo e na cristandade, surgiu por causa da influência platônica, mas esse conceito fez parte do islamismo desde o início. Isto não quer dizer que eruditos árabes não tenham tentado sintetizar ensinos islâmicos e a filosofia grega. Na realidade, o mundo árabe foi muito influenciado pela obra de Aristóteles. E famosos eruditos árabes, tais como Avicena e Averroés, expuseram e ampliaram o modo de pensar aristotélico. No entanto, na sua tentativa de harmonizar o pensamento grego com o ensino muçulmano sobre a alma, criaram teorias diferentes. Por exemplo, Avicena declarou que a alma da pessoa é imortal. Averroés, por outro lado, argumentou contra este conceito. Apesar destes pontos de vista, a imortalidade da alma continua a ser a crença dos muçulmanos.

      23. Qual é a posição do judaísmo, da cristandade e do islamismo na questão da imortalidade da alma?

      23 Portanto, é evidente que o judaísmo, a cristandade e o islamismo ensinam todos a doutrina da imortalidade da alma.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Adepto do neoplatonismo, uma nova versão da filosofia de Platão desenvolvida por Plotino, na Roma do terceiro século.

      [Foto na página 14]

      A conquista por Alexandre, o Grande, levou à fusão das culturas grega e judaica

      [Fotos na página 15]

      Orígenes, em cima, e Agostinho tentaram fundir a filosofia platônica com o cristianismo

      [Fotos na página 16]

      Avicena, no alto, declarou que a alma da pessoa é imortal. Averroés argumentou contra este conceito

  • Onde se obtêm as respostas
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Onde se obtêm as respostas

      “A teoria do sofrimento eterno não combina com a crença no amor de Deus pelas coisas criadas. . . . Crer na punição eterna da alma pelos erros de uns poucos anos, sem dar-lhe a chance de se corrigir, é contrário a todos os ditames da razão.” — NIKHILANANDA, FILÓSOFO HINDU.

      1, 2. Em vista da variedade de crenças sobre o Além, que perguntas surgem?

      ASSIM como o filósofo hindu Nikhilananda, muitos não se sentem hoje confortáveis com o ensino do tormento eterno. Da mesma forma, outros têm dificuldade de entender conceitos tais como alcançar o nirvana e estar em união com Tao.

      2 No entanto, por causa da ideia de que a alma é imortal, religiões tanto do Oriente como do Ocidente desenvolveram um caleidoscópio desconcertante de crenças a respeito do Além. Será que se pode saber a verdade sobre o que acontece conosco quando morremos? É a alma mesmo imortal? Onde podemos obter as respostas?

      Ciência e filosofia

      3. Podem a ciência ou o método científico de investigação dar as respostas às perguntas sobre a vida após a morte?

      3 Será que a ciência, ou o método científico de investigação, tem as respostas às perguntas referentes ao Além? Baseados em relatos recentes sobre experiências de quase morte ou ‘fora do corpo’, alguns pesquisadores têm tentado fazer observações sobre a vida após a morte. Examinando algumas dessas afirmações na sua palestra sobre “A morte é como entrar na luz?”, o teólogo católico Hans Küng concluiu: “Experiências deste tipo não provam nada a respeito duma possível vida após a morte: trata-se aqui dos últimos cinco minutos antes da morte e não de uma vida eterna após a morte.” Ele acrescentou: “A questão de uma possível vida após a morte é de enorme importância para a vida antes da morte. Requer uma resposta que precisa ser procurada em outra parte, se não puder ser dada pela medicina.”

      4. Pode a filosofia ajudar-nos a achar as respostas entre as muitas possibilidades de uma vida após a morte, oferecidas por diversas religiões?

      4 Que dizer da filosofia? Pode ela ajudar-nos a achar as respostas entre as muitas possibilidades de uma vida após a morte, oferecidas por diversas religiões? A investigação filosófica inclui “atividade especulativa”, diz o filósofo britânico Bertrand Russell, do século 20. A filosofia, segundo The World Book Encyclopedia (Enciclopédia World Book), é “uma forma de pesquisa — um processo de análise, de crítica, de interpretação e de especulação”. Sobre o tópico do Além, as especulações filosóficas têm variado desde classificar a imortalidade como mera ilusão a proclamá-la como direito inato de todo humano.

      Uma fonte ímpar de respostas

      5. Qual é o livro mais antigo já escrito?

      5 No entanto, há um livro que contém respostas verídicas às perguntas importantes sobre a vida e a morte. Trata-se do livro mais antigo já escrito, partes dele tendo sido compostas há uns 3.500 anos. A primeira parte desse livro foi escrita poucos séculos antes de se formularem os hinos mais antigos das escrituras hindus, os Vedas, e cerca de mil anos antes de Buda, Maavira e Confúcio andarem na Terra. Esse livro foi terminado em 98 EC, mais de 500 anos antes de Maomé fundar o islamismo. Essa fonte ímpar de sabedoria superior é a Bíblia.a

      6. Por que podemos esperar que a Bíblia nos diga o que é a alma?

      6 A Bíblia contém a História antiga mais exata do que a apresentada em qualquer outro livro existente. A História registrada na Bíblia remonta ao começo da família humana e explica como viemos a estar aqui na Terra. Até nos leva ao tempo antes de os humanos serem criados. Um livro assim deveras pode dar-nos compreensão de como o homem foi feito e o que é a alma.

      7, 8. Por que podemos com confiança recorrer à Bíblia em busca de respostas verídicas e satisfatórias sobre o que acontece quando morremos?

      7 Além disso, a Bíblia é um livro de profecias que tiveram infalível cumprimento. Por exemplo, ela predisse em muitos pormenores a ascensão e a queda dos impérios medo-persa e grego. Essas palavras mostraram-se tão exatas que alguns críticos tentaram em vão provar que foram escritas depois dos acontecimentos. (Daniel 8:1-7, 20-22) Algumas profecias registradas na Bíblia estão-se cumprindo em pormenores no nosso próprio tempo.b — Mateus, capítulo 24; Marcos, capítulo 13; Lucas, capítulo 21; 2 Timóteo 3:1-5, 13.

      8 Nenhum humano, não importa quão inteligente fosse, poderia ter predito com tanta exatidão acontecimentos futuros. Apenas o todo-poderoso e todo-sábio Criador do Universo o poderia fazer. (2 Timóteo 3:16, 17; 2 Pedro 1:20, 21) A Bíblia deveras é um livro da parte de Deus. Esse livro certamente pode dar-nos respostas verídicas e satisfatórias sobre o que acontece conosco quando morremos. Vejamos primeiro o que ela diz sobre a alma.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja a brochura Um Livro Para Todas as Pessoas, publicada pelas Testemunhas de Jeová.

      b Veja o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 18]

      O livro mais antigo já escrito

      [Foto na página 18]

      Um livro que fornece respostas fidedignas e satisfatórias

  • A alma segundo a Bíblia
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A alma segundo a Bíblia

      “O homem veio a ser uma alma vivente.” — GÊNESIS 2:7.

      1. O que precisamos examinar para saber o que a Bíblia ensina sobre a alma?

      CONFORME vimos, as crenças a respeito da alma são muitas e variadas. Mesmo entre os que afirmam basear suas crenças na Bíblia, há ideias divergentes sobre o que é a alma e o que acontece com ela quando morremos. Mas o que é que a Bíblia realmente ensina sobre a alma? Para descobrir isso, temos de examinar os significados das palavras hebraica e grega traduzidas “alma” na Bíblia.

      “Alma” como criatura vivente

      2, 3. (a) Que palavra é traduzida “alma” nas Escrituras Hebraicas, e qual é o significado básico desta palavra? (b) Como confirma Gênesis 2:7 que a palavra “alma” pode referir-se à pessoa como um todo?

      2 A palavra hebraica traduzida “alma” é né·fesh, e ela ocorre 754 vezes nas Escrituras Hebraicas (comumente chamadas de Velho ou Antigo Testamento). O que significa né·fesh? Segundo The Dictionary of Bible and Religion (Dicionário de Bíblia e Religião), “usualmente refere-se ao inteiro ser vivo, ao indivíduo como um todo”.

      3 Por exemplo, Gênesis 2:7 declara: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente.” Note que Adão não tinha uma alma; ele era uma alma — assim como alguém que se torna médico é médico. Portanto, a palavra “alma” pode descrever a pessoa como um todo.

      4, 5. (a) Cite exemplos que mostram que a palavra “alma” refere-se à pessoa como um todo. (b) Como apoia The Dictionary of Bible and Religion (Dicionário de Bíblia e Religião) o entendimento de que a pessoa é uma alma?

      4 Este entendimento é apoiado por todas as Escrituras Hebraicas, onde encontramos frases tais como “caso uma alma peque” (Levítico 5:1), “qualquer alma que fizer qualquer sorte de obra” (Levítico 23:30), “caso se encontre um homem raptando uma alma” (Deuteronômio 24:7), “a alma dele ficou impaciente” (Juízes 16:16), “até quando ficareis irritando a minha alma?” (Jó 19:2) e “minha alma, de pesar, tem passado em claro”. — Salmo 119:28.

      5 Nessas passagens não há nenhum indício de que a alma seja alguma entidade indistinta que continua viva após a morte. “Dizer em termos nossos que a ‘alma’ dum ente querido partiu para estar com o Senhor ou falar da ‘alma imortal’ simplesmente não seria compreensível na cultura do VT [Velho Testamento]”, diz The Dictionary of Bible and Religion.

      6, 7. Que palavra é traduzida “alma” nas Escrituras Gregas Cristãs, e qual é o sentido básico desta palavra?

      6 A palavra traduzida “alma” mais de cem vezes nas Escrituras Gregas Cristãs (costumeiramente chamadas de Novo Testamento) é psy·khé. Assim como né·fesh, esta palavra muitas vezes refere-se à pessoa como um todo. Por exemplo, considere as seguintes declarações: “Minha alma está aflita.” (João 12:27) “Sobre cada alma começou a cair temor.” (Atos 2:43) “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores.” (Romanos 13:1) “Falai consoladoramente às almas deprimidas.” (1 Tessalonicenses 5:14) “Poucas pessoas, isto é, oito almas, foram levadas a salvo através da água.” — 1 Pedro 3:20.

      7 Psy·khé, assim como né·fesh, refere-se claramente à pessoa como um todo. Segundo o erudito Nigel Turner, esta palavra “significa aquilo que é caracteristicamente humano, o eu, o corpo material no qual se soprou o rûaḥ [espírito] de Deus. . . . A ênfase é no eu como um todo”.

      8. Os animais são almas? Queira explicar isso.

      8 Na Bíblia, a palavra “alma” não só se aplica aos humanos, mas também aos animais. Por exemplo, ao descrever a criação das criaturas marítimas, Gênesis 1:20 diz que Deus ordenou: “Produzam as águas um enxame de almas viventes.” E no próximo dia criativo, Deus disse: “Produza a terra almas viventes segundo as suas espécies, animal doméstico, e animal movente, e animal selvático da terra, segundo a sua espécie.” (Gênesis 1:24; note Números 31:28.) Portanto, “alma” pode referir-se a uma criatura viva, quer humana, quer animal.

      “Alma” como vida duma criatura

      9. (a) Que sentido mais amplo pode ser atribuído à palavra “alma”? (b) Entra isso em conflito com a ideia de que a alma é a própria pessoa?

      9 Às vezes, a palavra “alma” refere-se à vida que a pessoa ou o animal tem. Isto não altera a definição bíblica da alma como pessoa ou como animal. Para ilustrar isso: podemos dizer que alguém está vivo, querendo dizer que é uma pessoa viva. Poderíamos dizer também que ele tem vida. Do mesmo modo, a pessoa viva é uma alma. No entanto, enquanto viva, pode-se dizer que a “alma” é algo que ela tem.

      10. Cite exemplos que mostram que a palavra “alma” pode referir-se à vida que a pessoa ou o animal tem.

      10 Por exemplo, Deus disse a Moisés: “Todos os homens que estavam à caça da tua alma estão mortos.” (Êxodo 4:19) É evidente que os inimigos de Moisés estavam procurando tirar-lhe a vida. O uso similar da palavra “alma” é visto nas seguintes declarações. “Ficamos com muito medo pelas nossas almas.” (Josué 9:24) “Seguiram fugindo pela sua alma.” (2 Reis 7:7) “O justo importa-se com a alma do seu animal doméstico.” (Provérbios 12:10) “O Filho do homem . . . veio para . . . dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) “Ele chegou quase a morrer . . . , expondo a sua alma ao perigo.” (Filipenses 2:30) Em cada caso, a palavra “alma” significa “vida”.a

      11. O que se pode dizer a respeito do uso bíblico da palavra “alma”?

      11 De modo que a palavra “alma”, conforme usada na Bíblia, refere-se a uma pessoa ou a um animal, ou à vida que a pessoa ou o animal tem. A definição bíblica da alma é simples, coerente e livre das complicadas filosofias e das superstições dos homens. Mas o que acontece à alma por ocasião da morte? Para responder a esta pergunta, temos de entender primeiro por que morremos.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Mateus 10:28 também usa a palavra “alma” com o sentido de “vida”.

      [Fotos na página 20]

      Todos eles são almas

  • Por que morremos?
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Por que morremos?

      “Em todos os morros há sossego agora, no alto de todas as árvores mal se ouve um sopro; as aves estão dormindo nas árvores; espera; logo vais descansar assim como elas.” — JOHANN WOLFGANG VON GOETHE, POETA ALEMÃO.

      1, 2. (a) Com que desejo foram criados os humanos? (b) Que tipo de vida usufruía o primeiro casal humano?

      DEUS criou os humanos com o anseio de viver para sempre. Na verdade, a Bíblia diz que ele “colocou o senso da eternidade no coração do homem”. (Eclesiastes 3:11, Bíblia Sagrada, Edição Pastoral) No entanto, Deus fez mais do que dar aos humanos apenas o desejo de viver para sempre. Ele lhes deu também a oportunidade para isso.

      2 Nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram criados perfeitos, sem defeito mental ou físico. (Deuteronômio 32:4) Imagine só — sem aflições e dores crônicas, nem temores ou ansiedades mórbidas! Além disso, Deus os colocou num lindo lar paradísico. Deus propôs que o homem vivesse para sempre e que, com o tempo, a Terra ficasse cheia dos descendentes perfeitos dele. (Gênesis 1:31; 2:15) Então, por que é que morremos?

      A desobediência causa a morte

      3. De que dependia a vida eterna de Adão e de Eva?

      3 Deus ordenou a Adão: “De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gênesis 2:16, 17) De modo que a vida eterna para Adão e Eva era condicional; dependia da sua obediência a Deus.

      4. Quando Adão e Eva pecaram, por que perderam a perspectiva de viver para sempre no Paraíso?

      4 Tragicamente, porém, Adão e Eva desobedeceram à lei de Deus. (Gênesis 3:1-6) Procedendo assim, tornaram-se pecadores, porque “o pecado é aquilo que é contra a lei”. (1 João 3:4) Em resultado disso, Adão e Eva não tinham mais a perspectiva de ter vida eterna. Por que não? Porque “o salário pago pelo pecado é a morte”. (Romanos 6:23) Portanto, quando Deus sentenciou Adão e Eva, ele disse: “Tu és pó e ao pó voltarás.” Nossos primeiros pais foram então expulsos do seu lar paradísico. No dia em que pecaram, Adão e Eva começaram a sofrer o vagaroso, mas constante, processo de morrer. — Gênesis 3:19, 23, 24.

      “A morte se espalhou a todos os homens”

      5. Como se espalhou a morte por toda a raça humana?

      5 Adão e Eva tinham então o pecado profundamente gravado nos seus genes. Por isso não podiam produzir descendentes perfeitos, do mesmo modo que um molde imperfeito não pode produzir um objeto perfeito. (Jó 14:4) Deveras, cada nascimento humano confirma que nossos primeiros pais perderam a saúde perfeita e a vida eterna para si mesmos e para sua progênie. O apóstolo cristão Paulo escreveu: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12; note Salmo 51:5.

      6. Por que é que morremos?

      6 Atualmente, os cientistas não sabem exatamente por que os humanos envelhecem e morrem. A Bíblia, porém, explica que morremos porque nascemos pecaminosos, tendo herdado esta condição de nossos primeiros pais humanos. Mas o que acontece conosco quando morremos?

  • Que acontece à alma por ocasião da morte?
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Que acontece à alma por ocasião da morte?

      “A doutrina de que a alma humana é imortal e continuará a existir após a morte do homem e da dissolução do seu corpo é um dos fundamentos da filosofia e teologia cristãs.” — “NEW CATHOLIC ENCYCLOPEDIA”.

      1. O que admite a New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) a respeito de a alma sobreviver à morte?

      NO ENTANTO, a obra de referência citada acima admite que “a ideia de que a alma sobrevive após a morte não é prontamente discernível na Bíblia”. Então, o que é que a Bíblia realmente ensina a respeito do que acontece à alma por ocasião da morte?

      Os mortos estão inconscientes

      2, 3. Qual é a condição dos mortos e que textos bíblicos revelam isso?

      2 A condição dos mortos é tornada clara em Eclesiastes 9:5, 10, onde lemos: “Os mortos não sabem coisa nenhuma . . . Na sepultura, . . . não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” (Almeida, Edição Contemporânea) Portanto, a morte é o estado de inexistência. O salmista escreveu que, quando alguém morre, “ele volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus pensamentos”. — Salmo 146:4.

      3 Portanto, os mortos estão inconscientes, inativos. Quando Deus sentenciou Adão, ele declarou: “Tu és pó e ao pó voltarás.” (Gênesis 3:19) Antes de Adão ser formado por Deus do pó do solo e este dar-lhe vida, ele não existia. Quando Adão morreu, ele voltou à mesma condição. Sua punição foi a morte, não a transferência para outro domínio.

      A alma pode morrer

      4, 5. Cite exemplos da Bíblia que mostram que a alma pode morrer.

      4 Quando Adão morreu, que aconteceu com a sua alma? Ora, lembre-se de que, na Bíblia, a palavra “alma” muitas vezes simplesmente se refere a uma pessoa. Portanto, quando dizemos que Adão morreu, estamos dizendo que a alma chamada Adão morreu. Isso talvez pareça estranho a alguém que crê na imortalidade da alma. No entanto, a Bíblia declara: “A alma que pecar — ela é que morrerá.” (Ezequiel 18:4) Levítico 21:1 fala duma “alma falecida” (dum “cadáver”, A Bíblia de Jerusalém). E mandou-se aos nazireus que não se chegassem “a nenhuma alma morta” (“defunto”, Pontifício Instituto Bíblico). — Números 6:6.

      5 Uma referência similar à alma é encontrada em 1 Reis 19:4. O muito aflito Elias “começou a pedir que a sua alma morresse”. Do mesmo modo, Jonas “pedia que sua alma morresse e dizia repetidas vezes: ‘É melhor eu morrer do que ficar vivo.’” (Jonas 4:8) E Jesus usou a frase “matar uma alma”, que A Bíblia na Linguagem de Hoje verte por “deixar alguém morrer”. (Marcos 3:4) De modo que a morte da alma simplesmente significa a morte da pessoa.

      ‘Partir’ e ‘voltar’

      6. Que quer dizer a Bíblia quando diz que a alma de Raquel “partia”?

      6 Mas que dizer da morte trágica de Raquel, quando deu à luz seu segundo filho? Lemos em Gênesis 35:18: “Enquanto a sua alma partia (porque estava morrendo), ela chamou-o pelo nome de Ben-Oni; mas o seu pai chamou-o de Benjamim.” Será que esta passagem dá a entender que Raquel tinha no íntimo um ser que partiu quando ela morreu? De forma alguma. Lembre-se de que a palavra “alma” pode referir-se também à vida que a pessoa tem. Portanto, neste caso, a “alma” de Raquel simplesmente significava sua “vida”. É por isso que outras Bíblias vertem a frase “a sua alma partia” por “ela estava morrendo” (A Bíblia na Linguagem de Hoje), “no seu último suspiro” (Bíblia — Tradução Ecumênica) e “estando prestes a morrer” (Bíblia Vozes). Não há nenhum indício de que uma parte misteriosa de Raquel tenha sobrevivido à sua morte.

      7. Em que sentido é que a alma do filho ressuscitado da viúva “voltou para dentro dele”?

      7 Algo similar se deu com a ressurreição do filho duma viúva, registrada no capítulo 17 de 1 Reis. Lemos no versículo 22 que, enquanto Elias orava sobre o menino, “Jeová escutou . . . a voz de Elias, de modo que a alma do menino voltou para dentro dele e este reviveu”. Novamente, a palavra “alma” significa “vida”. De modo que a versão Almeida, Edição Contemporânea, reza: “A vida do menino tornou a entrar nele, e reviveu.” Sim, foi a vida, não alguma forma indistinta que retornou ao menino. Isso está em harmonia com o que Elias disse à mãe do menino: “Vê, teu filho [a pessoa como um todo] está vivo.” — 1 Reis 17:23.

      O dilema do “estágio intermediário”

      8. Que acreditam muitos professos cristãos que acontecerá durante a ressurreição?

      8 Muitos professos cristãos acreditam que haverá uma ressurreição futura quando os corpos serão unidos com as almas imortais. Os ressuscitados serão então destinados à sua sorte — quer a uma recompensa para os que levaram uma vida boa, quer a uma retribuição para os iníquos.

      9. Que significa o termo “estágio intermediário”, e o que dizem alguns que acontece à alma durante este período?

      9 Este conceito parece simples. Mas os que aderem à crença na imortalidade da alma têm dificuldades em explicar o que acontece à alma entre a ocasião da morte e o tempo da ressurreição. Deveras, este “estágio intermediário”, como muitas vezes é chamado, por séculos tem suscitado especulações. Alguns dizem que durante esse período a alma vai ao purgatório, onde pode ser purificada de pecados veniais, a fim de se tornar apta para ir para o céu.a

      10. Por que não é bíblico crer que as almas após a morte ficam no purgatório, e como é isso confirmado pelo que se passou com Lázaro?

      10 No entanto, conforme já vimos, a alma simplesmente é a pessoa. Quando a pessoa morre, a alma morre. Portanto, não há existência consciente após a morte. Na realidade, quando Lázaro morreu, Jesus Cristo não disse que este estava no purgatório, no limbo ou em outro “estágio intermediário”. Antes, Jesus disse simplesmente: “Lázaro adormeceu.” (João 11:11, Nova Versão Internacional) É evidente que Jesus, que sabia a verdade sobre o que acontece à alma na morte, acreditava que Lázaro estava inconsciente, inexistente.

      O que é o espírito?

      11. Por que não pode a palavra “espírito” referir-se a uma parte desencarnada que sobrevive após a morte da pessoa?

      11 A Bíblia diz que, quando alguém morre, “sai-lhe o espírito, ele volta ao seu solo”. (Salmo 146:4) Significa isso que um espírito desencarnado parte literalmente e continua a viver após a morte da pessoa? Não pode ser assim, porque o salmista diz a seguir: “Neste dia perecem deveras os seus pensamentos” (“perecem todos os seus desígnios”, Almeida, revista e atualizada). Então, o que é o espírito e como “sai” da pessoa por ocasião da morte?

      12. Que dão a entender as palavras hebraica e grega traduzidas “espírito” na Bíblia?

      12 Na Bíblia, as palavras traduzidas “espírito” (hebraico: rú·ahh; grego: pneú·ma) significam basicamente “fôlego”. Assim, em vez de dizer “sai-lhe o espírito”, a versão dos Missionários Capuchinhos usa a frase “deixam de respirar”. (Salmo 146:4) Mas a palavra “espírito” envolve muito mais do que apenas o ato de respirar. Por exemplo, na descrição da destruição de vida humana e animal, por ocasião do Dilúvio global, Gênesis 7:22 diz: “Morreu tudo em que o fôlego da força [ou espírito; hebraico: rú·ahh] da vida estava ativo nas suas narinas, a saber, todos os que estavam em solo seco.” De modo que “espírito” pode referir-se à força de vida ativa em todas as criaturas vivas, tanto humanas como animais, e que é sustentada pela respiração.

      13. De que modo se pode comparar o espírito à corrente elétrica?

      13 Para ilustrar isso: a corrente elétrica energiza um equipamento. Quando a corrente para, o equipamento deixa de funcionar. A corrente não assume vida própria. De modo similar, quando alguém morre, seu espírito deixa de ativar as células do corpo. Não abandona o corpo, mudando-se para outro domínio. — Salmo 104:29.

      14, 15. Como é que na morte o espírito retorna a Deus?

      14 Então, por que diz Eclesiastes 12:7 que, quando uma pessoa morre, “o próprio espírito retorna ao verdadeiro Deus que o deu”? Significa isso que o espírito literalmente percorre o espaço até a presença de Deus? Nada disso está envolvido. Lembre-se de que o espírito é a força de vida. Uma vez que a força de vida desaparece, somente Deus tem a capacidade de restabelecê-la. Portanto, o espírito “retorna ao verdadeiro Deus” no sentido de que qualquer esperança que a pessoa tenha duma vida futura depende então inteiramente de Deus.

      15 Somente Deus pode restabelecer o espírito, ou a força de vida, fazendo a pessoa voltar a viver. (Salmo 104:30) Mas pretende Deus fazer isso?

      [Nota(s) de rodapé]

      a De acordo com a New Catholic Encyclopedia, “os Pais [da Igreja] em geral afirmam claramente a existência do purgatório”. No entanto, esta obra de referência admite também que “a doutrina católica do purgatório se baseia em tradição, não nas Escrituras Sagradas”.

      [Quadro na página 23]

      LEMBRANÇAS DUMA VIDA ANTERIOR

      SE NADA sobrevive à morte do corpo, então que dizer das lembranças duma vida anterior que alguns afirmam ter?

      O erudito hindu Nikhilananda diz que ‘experiências após a morte não podem ser comprovadas pela razão’. Na palestra “Modelos de crença na eternidade nas religiões”, o teólogo Hans Küng salienta: “Nenhum desses relatos — na maior parte de crianças ou procedentes de países em que se crê na reencarnação — sobre a recordação duma vida anterior pôde ser confirmado.” Ele acrescenta: “A maioria [dos pesquisadores séria e cientificamente empenhados neste campo] admite que as experiências verificadas por eles não fornecem nenhuma base para uma prova realmente convincente duma repetição da vida terrestre.”

      E se você acha que tem lembranças duma vida anterior? Tais sentimentos podem ser devidos a diversos fatores. Grande parte das informações que recebemos é guardada em alguma região oculta do nosso subconsciente, porque não temos nenhum uso direto ou imediato para elas. Ao surgirem lembranças esquecidas, alguns as interpretam como evidência duma vida anterior. Não obstante, acontece que não temos nenhuma experiência verificável duma vida a não ser daquela que vivemos agora. A maioria das pessoas vivas na Terra não tem nenhuma recordação de ter vivido antes; tampouco elas acham que tenham tido vidas anteriores.

  • Há uma esperança certa
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Há uma esperança certa

      “Desde o momento do nascimento há a constante possibilidade de que o ser humano morra a qualquer momento; e esta possibilidade inevitavelmente se tornará um fato consumado.” — ARNOLD TOYNBEE, HISTORIADOR BRITÂNICO.

      1. Que realidade teve de enfrentar a humanidade, suscitando que perguntas?

      QUEM pode negar esta verdade histórica acima mencionada? A humanidade sempre teve de enfrentar a terrível realidade da morte. E como nos sentimos impotentes quando morre alguém que amamos! A perda parece totalmente irreversível. Será possível sermos novamente reunidos com nossos entes queridos que faleceram? Que esperança oferece a Bíblia referente aos mortos? Considere o seguinte relato.

      ‘Nosso amigo morreu’

      2-5. (a) Quando seu amigo Lázaro faleceu, como demonstrou Jesus sua disposição e capacidade de ressuscitá-lo? (b) Além de fazer Lázaro reviver, que realizou este milagre da ressurreição?

      2 Era o ano 32 EC. Na pequena cidade de Betânia, a uns três quilômetros de Jerusalém, vivia Lázaro com suas irmãs Marta e Maria. Eles eram amigos achegados de Jesus. Certo dia, Lázaro adoeceu gravemente. Suas irmãs, preocupadas, mandaram prontamente avisar Jesus, que estava do outro lado do rio Jordão. Jesus tinha afeição por Lázaro e pelas irmãs dele, de modo que pouco depois foi a Betânia. Em caminho, Jesus disse aos seus discípulos: “Lázaro, nosso amigo, foi descansar, mas eu viajo para lá para o despertar do sono.” Visto que os discípulos não entenderam logo o sentido dessa declaração, Jesus disse francamente: “Lázaro morreu.” — João 11:1-15.

      3 Ouvindo que Jesus vinha a Betânia, Marta saiu correndo ao seu encontro. Comovido pelo pesar dela, Jesus assegurou-lhe: “Teu irmão se levantará.” Marta respondeu: “Sei que ele se levantará na ressurreição, no último dia.” Jesus disse-lhe então: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, viverá outra vez.” — João 11:20-25.

      4 Jesus foi então ao túmulo e mandou que se retirasse a pedra que fechava a entrada dele. Depois de orar em voz alta, ele ordenou: “Lázaro, vem para fora!” E ao passo que todos os olhos se fixavam no túmulo, Lázaro saiu! Jesus havia ressuscitado a Lázaro — devolvendo a vida a um homem morto já por quatro dias! — João 11:38-44.

      5 Marta já tinha fé na promessa duma ressurreição. (João 5:28, 29; 11:23, 24) O milagre da restauração da vida de Lázaro serviu para fortalecer-lhe a fé e incutir fé em outros. (João 11:45) Mas exatamente o que é que se quer dizer com o termo “ressurreição”?

      “Ele se levantará”

      6. Que significa o termo “ressurreição”?

      6 A palavra “ressurreição” traduz a palavra grega a·ná·sta·sis, que significa literalmente “ficar de pé de novo”. Tradutores hebreus do grego verteram a·ná·sta·sis pelas palavras hebraicas tehhi·yáth ham·me·thím, que significam “revivificação dos mortos”.a De modo que a ressurreição envolve levantar a pessoa da condição sem vida, da morte — reativar o padrão de vida da pessoa.

      7. Por que é que a ressurreição de pessoas não será problema para Jeová Deus e para Jesus Cristo?

      7 Visto que Jeová Deus é infinito em sabedoria e tem memória perfeita, ele pode facilmente ressuscitar alguém. Para ele não é problema lembrar-se do padrão de vida dos falecidos — de seus traços de personalidade, da sua história pessoal e de todos os pormenores da sua identidade. (Jó 12:13; note Isaías 40:26.) Jeová é também o Originador da vida. Por isso pode facilmente trazer de volta à vida a mesma pessoa, dando-lhe a mesma personalidade num novo corpo formado. Além disso, conforme a experiência de Lázaro indica, Jesus Cristo está tanto disposto como é capaz de ressuscitar os mortos. — Note Lucas 7:11-17; 8:40-56.

      8, 9. (a) Por que são incompatíveis a ressurreição e a ideia da imortalidade da alma? (b) Qual é a solução para a morte?

      8 O ensino bíblico da ressurreição, porém, não é compatível com a doutrina da imortalidade da alma. Se uma alma imortal sobrevivesse à morte, ninguém precisaria ser ressuscitado ou trazido de volta à vida. Deveras, Marta não expressou nenhuma ideia a respeito duma alma imortal que após a morte vivesse em outro lugar. Ela não acreditava que Lázaro tivesse ido a algum domínio espiritual para continuar em existência. Ao contrário, ela mostrou ter fé no propósito de Deus, de reverter os efeitos da morte. Ela disse: “Sei que ele se levantará na ressurreição, no último dia.” (João 11:23, 24) Assim, também, o próprio Lázaro não contou nenhuma experiência duma vida após a morte. Não havia nada para contar.

      9 É evidente que, segundo a Bíblia, a alma morre e a solução para a morte é a ressurreição. No entanto, bilhões de pessoas morreram desde que o primeiro homem, Adão, andou na Terra. Então, quem será ressuscitado, e onde?

      ‘Todos nos túmulos memoriais’

      10. Que prometeu Jesus a respeito dos que estão nos túmulos memoriais?

      10 Jesus Cristo disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz [a de Jesus] e sairão.” (João 5:28, 29) Deveras, Jesus Cristo prometeu que todos os que estão na memória de Jeová serão ressuscitados. Bilhões de pessoas já viveram e morreram. Quem dentre elas está na memória de Deus, aguardando a ressurreição?

      11. Quem será ressuscitado?

      11 Aquelas que seguiram um rumo justo como servos de Jeová serão ressuscitadas. No entanto, milhões de outros morreram sem mostrar se acatariam as normas justas de Deus. Ou desconheciam os requisitos de Jeová ou lhes faltou tempo para fazer as necessárias mudanças. Esses também estão na memória de Deus e assim serão ressuscitados, porque a Bíblia promete: “Há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” — Atos 24:15.

      12. (a) Que visão recebeu o apóstolo João referente à ressurreição? (b) O que é ‘lançado no lago de fogo’, e o que significa esta expressão?

      12 O apóstolo João teve uma visão emocionante de ressuscitados em pé diante do trono de Deus. Descrevendo-a, registrou: “O mar entregou os mortos nele, e a morte e o Hades entregaram os mortos neles, e foram julgados individualmente segundo as suas ações. E a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Este significa a segunda morte, o lago de fogo.” (Revelação [Apocalipse] 20:12-14) Imagine o que isto significa! Todos os mortos que estão na memória de Deus serão libertados do Hades, ou Seol, a sepultura comum da humanidade. (Salmo 16:10; Atos 2:31) Depois, “a morte e o Hades” serão lançados no que é chamado “lago de fogo”, simbolizando a destruição completa. A sepultura comum da humanidade deixará de existir.

      Ressuscitados onde?

      13. Por que providenciou Jeová Deus que alguns fossem ressuscitados para o céu, e que espécie de corpo lhes dará ele?

      13 Um pequeno número de homens e mulheres será ressuscitado para a vida no céu. Eles governarão com Cristo quais reis e sacerdotes, e participarão em anular todos os efeitos da morte que a humanidade herdou do primeiro homem, Adão. (Romanos 5:12; Revelação 5:9, 10) Segundo a Bíblia, são apenas 144 mil em número, e são escolhidos dentre os seguidores de Cristo, a começar com os apóstolos fiéis. (Lucas 22:28-30; João 14:2, 3; Revelação 7:4; 14:1, 3) Jeová dará a cada um desses ressuscitados um corpo espiritual, para que possam viver no céu. — 1 Coríntios 15:35, 38, 42-45; 1 Pedro 3:18.

      14, 15. (a) Para que espécie de vida será ressuscitada a grande maioria dos que faleceram? (b) Que bênçãos terá a humanidade obediente?

      14 A vasta maioria dos que morreram, porém, será ressuscitada para a vida na Terra. (Salmo 37:29; Mateus 6:10) Que espécie de Terra? A Terra hoje está cheia de conflitos, derramamentos de sangue, poluição e violência. Se os mortos voltassem para a vida em tal Terra, certamente teriam felicidade por pouco tempo. Mas o Criador prometeu que dentro em breve acabará com a atual sociedade do mundo, que está sob o controle de Satanás. (Provérbios 2:21, 22; Daniel 2:44) A realidade será então uma nova sociedade humana justa — “uma nova terra”. (2 Pedro 3:13) Naquele tempo, “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” (Isaías 33:24) Até mesmo a angústia da morte será eliminada, porque Deus “enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram”. — Revelação 21:4.

      15 No novo mundo prometido de Deus, os mansos é que “deveras se deleitarão na abundância de paz”. (Salmo 37:11) O governo celestial de Cristo Jesus e de seus 144 mil associados restituirá progressivamente à humanidade obediente a perfeição perdida pelos nossos pais originais, Adão e Eva. Entre os habitantes da Terra estarão os ressuscitados. — Lucas 23:42, 43.

      16-18. Que alegria a ressurreição dará às famílias?

      16 A Bíblia fornece um vislumbre da alegria que a ressurreição dará às famílias. Imagine a felicidade da viúva de Naim quando Jesus parou a procissão fúnebre e ressuscitou o filho único dela! (Lucas 7:11-17) Mais tarde, perto do mar da Galileia, quando Jesus devolveu a vida a uma menina de 12 anos, os pais dela “ficaram logo fora de si com grande êxtase”. — Marcos 5:21-24, 35-42; veja também 1 Reis 17:17-24; 2 Reis 4:32-37.

      17 Para milhões dos que agora dormem na morte, a ressurreição significará vida num pacífico novo mundo. Imagine a perspectiva emocionante que isto abre para Tom e para o comerciante mencionados na seção inicial desta brochura! Quando Tom acordar para a vida no Paraíso na Terra, ele será o mesmo Tom que sua mãe conhecia — mas sem padecimentos. Ela poderá tocar nele, abraçá-lo e demonstrar seu amor por ele. De forma similar, em vez de ficar preso num quase infindável ciclo de renascimentos, o comerciante da Índia tem a maravilhosa perspectiva de abrir os olhos no novo mundo de Deus e rever os seus filhos.

      18 Saber a verdade sobre a alma, sobre o que acontece conosco quando morremos e sobre a esperança da ressurreição pode ter também um profundo efeito sobre os que hoje estão vivos. Vejamos como.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Embora a palavra “ressurreição” não ocorra nas Escrituras Hebraicas, a esperança da ressurreição é claramente expressa em Jó 14:13, Daniel 12:13 e Oseias 13:14.

      [Foto na página 26]

      A ressurreição dará alegria duradoura

  • Importa saber a verdade sobre a alma
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Importa saber a verdade sobre a alma

      “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — JOÃO 8:32.

      1. Por que é importante examinarmos nossas crenças sobre a alma e a morte?

      AS CRENÇAS referentes à morte e ao Além dependem na maior parte da formação religiosa e cultural que se tem. Conforme já vimos, elas abrangem desde a convicção de que a alma alcança seu objetivo final só depois de numerosos renascimentos, até a ideia de que uma única vida determina o destino final da pessoa. Por conseguinte, alguns talvez se sintam confiantes de que no fim, ao morrer, se unirão com a suprema realidade, outros, que alcançarão o nirvana, e ainda outros, que obterão uma recompensa celestial. Então, qual é a verdade? Visto que nossas crenças influenciam nossas atitudes, ações e decisões, não deveríamos preocupar-nos com encontrar a resposta a esta pergunta?

      2, 3. (a) Por que podemos confiar no que a Bíblia diz a respeito da alma? (b) Qual é a verdade sobre a alma, conforme declarada na Bíblia?

      2 O livro mais antigo no mundo, a Bíblia, remonta a história do homem à criação da primeira alma humana. Seus ensinos estão livres de filosofias e tradições de homens. A Bíblia define claramente a verdade sobre a alma: sua alma é você, os mortos estão completamente inexistentes, e os que estão na memória de Deus serão ressuscitados no devido tempo dele. Saber isso pode significar o que para você?

      3 “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, disse Jesus Cristo aos seus seguidores. (João 8:32) Deveras, a verdade liberta. Mas de que nos libertará a verdade sobre a alma?

      Livres do medo e do desespero

      4, 5. (a) Que temor é dissipado pela verdade sobre a alma? (b) Como deu a esperança da ressurreição coragem a uma adolescente com doença terminal?

      4 “A maioria das pessoas teme a morte e procura evitar pensamentos com ela relacionados”, diz a Enciclopédia Delta Universal. “A própria palavra ‘morte’ praticamente se tornou tabu no Ocidente”, observou certo historiador. E em algumas culturas, eufemismos tais como “ele partiu” e “ele descansou” usualmente descrevem o falecimento de alguém. Este medo da morte é na realidade o medo do desconhecido, visto que a morte é um mistério para a maioria das pessoas. O conhecimento da verdade sobre o que acontece quando morremos alivia este temor.

      5 Por exemplo, considere o estado mental de Michaelyn, de 15 anos. Ela tinha leucemia e se confrontava com uma morte trágica. A mãe dela, Paula, recorda: “Michaelyn disse que não se importava de morrer, porque sabia que a morte era apenas temporária. Falamos muito sobre o novo mundo de Deus e todos os que serão ressuscitados nele. Michaelyn tinha enorme fé em Jeová Deus e na ressurreição — sem um pingo de dúvida.” A esperança da ressurreição livrou essa jovem corajosa do sobrepujante medo da morte.

      6, 7. De que desespero nos liberta a verdade sobre a alma? Queira ilustrar isso.

      6 Como afetou a verdade os pais de Michaelyn? “A morte de nossa filhinha foi a coisa mais dolorosa que já nos aconteceu”, diz Jeff, seu pai. “Mas confiamos implicitamente na promessa de Jeová, de haver uma ressurreição, e esperamos um dia abraçar novamente nossa querida Michaelyn. Que reencontro este será!”

      7 Deveras, a verdade sobre a alma liberta a pessoa do desespero que a morte dum ente querido pode causar. É claro que nada pode eliminar completamente a dor e a tristeza sentidas quando um ente querido falece. No entanto, a esperança da ressurreição amaina o pesar e torna a dor bem mais fácil de suportar.

      8, 9. De que medo nos liberta a verdade sobre a condição dos mortos?

      8 A verdade bíblica sobre a condição dos mortos também nos liberta do medo dos mortos. Desde que aprenderam a verdade, muitos dos que antes estavam presos a ritos supersticiosos relacionados com os mortos não mais se preocupam com maldições, augúrios, amuletos e fetiches, nem oferecem sacrifícios caros para apaziguar seus antepassados e para impedir que voltem para assombrar os vivos. Na realidade, visto que os mortos “não estão cônscios de absolutamente nada”, essas práticas não têm efeito. — Eclesiastes 9:5.

      9 A verdade sobre a alma, encontrada na Bíblia, deveras liberta e é fidedigna. Mas considere também uma perspectiva ímpar que a Bíblia lhe oferece.

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