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  • Imite a Jeová, nosso Deus imparcial
    A Sentinela — 2003 | 15 de junho
    • Imite a Jeová, nosso Deus imparcial

      “Com Deus não há parcialidade.” — ROMANOS 2:11.

      1, 2. (a) Qual era o propósito de Jeová quanto aos cananeus em geral? (b) O que Jeová fez, e que perguntas isso suscita?

      ACAMPADO nas planícies de Moabe, em 1473 AEC, Israel escutou atentamente a Moisés. Do outro lado do rio Jordão, um desafio aguardava a nação. Moisés declarou que o propósito de Jeová era que Israel derrotasse as sete poderosas nações cananéias na Terra Prometida. Quão animadoras foram as palavras de Moisés: “Jeová, teu Deus, certamente tas entregará e terás de derrotá-las”! Israel não devia fazer nenhum pacto com elas, pois não mereciam nenhum favor. — Deuteronômio 1:1; 7:1, 2.

      2 No entanto, Jeová poupou uma família da primeira cidade que Israel atacou. Pessoas de outras quatro cidades também receberam a proteção de Deus. Por quê? O que os notáveis acontecimentos relacionados com a sobrevivência desses cananeus nos ensinam sobre Jeová? E como podemos imitá-lo?

      Reações à fama de Jeová

      3, 4. As notícias das vitórias dos israelitas tiveram que efeito sobre os habitantes de Canaã?

      3 Durante os 40 anos que Israel passou no ermo antes de entrar na Terra Prometida, Jeová protegeu seu povo e lutou por ele. Ao sul da Terra Prometida, Israel se confrontou com o rei cananeu de Arade. Com a ajuda de Jeová, os israelitas derrotaram a ele e seu povo em Hormá. (Números 21:1-3) Mais tarde, Israel contornou a terra de Edom e foi em direção ao norte, para uma região ao nordeste do mar Morto. Nesta região, antes habitada por Moabe, havia então os amorreus. O rei amorreu Síon não permitiu que Israel passasse pelo seu território. Travou-se uma batalha em Jaaz, evidentemente ao norte do vale da torrente do Árnon, onde Síon foi morto. (Números 21:23, 24; Deuteronômio 2:30-33) Mais ao norte, Ogue governava outros amorreus em Basã. Embora Ogue fosse um gigante, não se mostrou à altura de Jeová. Ogue foi morto em Edrei. (Números 21:33-35; Deuteronômio 3:1-3, 11) As notícias sobre essas vitórias, junto com as histórias sobre o Êxodo de Israel do Egito, exerceram um forte efeito sobre os que viviam em Canaã.a

      4 Quando Israel entrou em Canaã pela primeira vez, depois de atravessar o Jordão, acampou-se em Gilgal. (Josué 4:9-19) Não muito longe dali estava a cidade murada de Jericó. O que a cananéia Raabe sabia a respeito das ações de Jeová motivou-a a agir com fé. Em resultado disso, quando Jeová causou a destruição de Jericó, poupou a ela e os da sua casa. — Josué 2:1-13; 6:17, 18; Tiago 2:25.

      5.O que motivou os gibeonitas a agir com astúcia?

      5 A seguir, Israel subiu da baixada perto do rio Jordão para os montes centrais da região. Acatando a orientação de Jeová, Josué usou táticas de emboscada contra a cidade de Ai. (Josué, capítulo 8) A notícia sobre a resultante derrota induziu muitos dos reis de Canaã a se reunirem para a guerra. (Josué 9:1, 2) Os habitantes da vizinha cidade de Gibeão, dos heveus, reagiram de modo diferente. “Eles, de sua própria iniciativa”, relata Josué 9:4, “agiram com astúcia”. Assim como Raabe, souberam que Jeová libertara seu povo no Êxodo e por derrotar Síon e Ogue. (Josué 9:6-10) Os gibeonitas deram-se conta de que seria fútil resistir. De modo que, a favor de Gibeão e de três cidades vizinhas — Quefira, Beerote e Quiriate-Jearim —, enviaram delegados a Josué em Gilgal, disfarçados como viajantes duma terra distante. O estratagema funcionou. Josué concluiu com eles um pacto, que lhes garantiu a sobrevivência. Três dias depois, Josué e os israelitas souberam que haviam sido logrados. Todavia, haviam jurado por Jeová que guardariam o pacto, e eles o cumpriram. (Josué 9:16-19) Jeová aprovou isso?

      6. Como Jeová reagiu ao pacto que Josué fez com os gibeonitas?

      6 Concedeu-se aos gibeonitas tornarem-se cortadores de lenha e carregadores de água para os israelitas, até mesmo “para o altar de Jeová” no tabernáculo. (Josué 9:21-27) Além disso, quando cinco reis amorreus e seus exércitos ameaçaram os gibeonitas, Jeová interveio milagrosamente. Pedras de saraiva mataram mais inimigos do que as tropas de Josué. Jeová até mesmo atendeu o pedido de Josué, para que o sol e a lua ficassem parados até a completa derrota dos inimigos. “Nenhum dia se mostrou igual a este, quer antes quer depois disso”, observou Josué, “tendo Jeová escutado a voz de um homem, pois o próprio Jeová lutava por Israel”. — Josué 10:1-14.

      7. Que verdade reconhecida por Pedro foi demonstrada no caso de certos cananeus?

      7 A cananéia Raabe e sua família, bem como os gibeonitas, temeram a Jeová e sentiram-se motivados a agir. O que aconteceu com eles demonstra claramente uma verdade que o apóstolo cristão Pedro declarou mais tarde: “Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável.” — Atos 10:34, 35.

      Tratos com Abraão e Israel

      8, 9. Como a imparcialidade de Jeová fica evidente nos seus tratos com Abraão e com a nação de Israel?

      8 O discípulo Tiago chamou atenção para a benignidade imerecida de Deus nos Seus tratos com Abraão e a descendência dele. Foi a fé que Abraão tinha, não a sua origem étnica, que o tornou “amigo de Jeová”. (Tiago 2:23) A fé que Abraão tinha em Jeová e seu amor por Ele resultaram em bênçãos para os seus descendentes. (2 Crônicas 20:7) Jeová prometeu a Abraão: “Seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei o teu descendente como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar.” Mas note a promessa no próximo versículo: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” — Gênesis 22:17, 18; Romanos 4:1-8.

      9 Longe de mostrar parcialidade, Jeová demonstrou pelos seus tratos com Israel o que pode fazer para os que lhe obedecem. Esses tratos são um exemplo de como Jeová expressa amor leal aos seus servos fiéis. Embora Israel fosse “propriedade especial” de Jeová, isto não significava que outros povos não pudessem ser beneficiados pela benevolência de Deus. (Êxodo 19:5; Deuteronômio 7:6-8) De fato, Jeová resgatou Israel da escravidão no Egito e por isso declarou: “Somente a vós vos conheci dentre todas as famílias do solo.” Mas, por meio do profeta Amós e por outros, Jeová prometeu também uma maravilhosa perspectiva a pessoas “de todas as nações”. — Amós 3:2; 9:11, 12; Isaías 2:2-4.

      Jesus, o instrutor imparcial

      10. Como Jesus imitou o seu Pai na questão da imparcialidade?

      10 Durante o seu ministério terrestre, Jesus, que é a representação exata de seu Pai, imitou a imparcialidade de Jeová. (Hebreus 1:3) Naquela época, sua principal preocupação era encontrar as “ovelhas perdidas da casa de Israel”. Todavia, não se refreou de dar testemunho a uma samaritana junto a uma fonte. (Mateus 15:24; João 4:7-30) Realizou também um milagre a pedido dum oficial do exército, que aparentemente não era judeu. (Lucas 7:1-10) Ele fez isso além de demonstrar pelas suas ações que amava o povo de Deus. Os discípulos de Jesus também pregavam em toda a parte. Tornou-se evidente que o critério para se receber a bênção de Jeová não estava ligado à nacionalidade, mas à atitude da pessoa. Os humildes e honestos, que ansiavam a verdade, acatavam as boas novas do Reino. Em contraste, os orgulhosos e arrogantes desprezavam a Jesus e a sua mensagem. “Eu te louvo publicamente, ó Pai, Senhor do céu e da terra”, declarou Jesus, “porque escondeste cuidadosamente estas coisas dos sábios e dos intelectuais, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque fazer assim veio a ser o modo aprovado por ti”. (Lucas 10:21) Quando tratamos os outros à base do amor e da fé, agimos de modo imparcial, sabendo que isso é o que Jeová aprova.

      11. Como se demonstrava imparcialidade na primitiva congregação cristã?

      11 Na primitiva congregação cristã, judeus e não-judeus eram iguais. “Glória, e honra, e paz para todo aquele que fizer o que é bom”, explicou Paulo, “primeiro para o judeu, e também para o grego. Pois, com Deus não há parcialidade”.b (Romanos 2:10, 11) O que determinava se eles seriam beneficiados pela benignidade imerecida de Jeová não era a sua origem étnica, mas a sua reação ao que aprendiam sobre Jeová e a perspectiva oferecida pelo resgate de seu Filho, Jesus. (João 3:16, 36) Paulo escreveu: “Não é judeu aquele que o é por fora, nem é circuncisão aquela que a é por fora, na carne. Mas judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito, e não por um código escrito.” Daí, fazendo um trocadilho com palavras que envolvem o termo “judeu” (significando “de Judá”, quer dizer, elogiado ou louvado), Paulo acrescentou: “O louvor desse não vem de homens, mas de Deus.” (Romanos 2:28, 29) Jeová elogia imparcialmente. Fazemos o mesmo?

      12. Que perspectiva Revelação 7:9 oferece, e a quem?

      12 Mais tarde, numa visão, o apóstolo João viu os fiéis cristãos ungidos retratados como uma nação espiritual de 144.000, “selados de toda tribo dos filhos de Israel”. Depois deles, João viu “uma grande multidão,  . . . de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos”. (Revelação [Apocalipse] 7:4, 9) De modo que não se exclui da atual congregação cristã nenhum grupo étnico ou lingüístico. Pessoas de todas as formações têm a perspectiva de sobreviver à vindoura “grande tribulação” e de beber de “fontes de águas da vida” no novo mundo. — Revelação 7:14-17.

      Efeitos positivos

      13-15. (a) Como podemos superar as diferenças raciais e culturais? (b) Cite exemplos dos benefícios resultantes de ser amistoso.

      13 Jeová nos conhece bem, assim como um bom pai conhece seus filhos. Do mesmo modo, quando passamos a compreender outros por nos interessarmos na cultura e na formação deles, as diferenças tendem a tornar-se insignificantes. As barreiras étnicas se desfazem, e os vínculos de amizade e de amor se fortalecem. Aumenta a união. (1 Coríntios 9:19-23) Isso é bem demonstrado pela atividade dos missionários que servem em designações no estrangeiro. Eles mostram interesse nas pessoas que vivem na sua designação, e em resultado disso, logo se sentem parte das congregações locais. — Filipenses 2:4.

      14 Os efeitos positivos de ser imparcial evidenciam-se em muitos países. Aklilu, originário da Etiópia, sentia-se solitário em Londres, a capital britânica. Sua solidão era agravada pela aparente frieza com que pessoas de outros países eram tratadas, algo que se sente em muitas cidades grandes da Europa moderna. Que contraste Aklilu sentiu quando foi a uma reunião cristã no Salão do Reino das Testemunhas de Jeová! Os presentes o acolheram bem, e em pouco tempo sentiu-se à vontade. Progrediu rapidamente em aprofundar seu apreço pelo Criador. Logo procurava oportunidades para transmitir as boas novas do Reino a seus vizinhos. De fato, certo dia, quando o companheiro de pregação de Aklilu lhe perguntou sobre os seus objetivos na vida, ele respondeu prontamente que esperava algum dia fazer parte duma congregação que falasse a sua língua, o amárico. Quando os anciãos da congregação local de língua inglesa souberam disso, eles prontamente providenciaram um discurso bíblico, público, na língua nativa de Aklilu. Em resultado disso, muitos estrangeiros e pessoas locais compareceram à primeira reunião pública em amárico na Grã-Bretanha. Atualmente, etíopes e outros, naquela região, estão unidos numa próspera congregação amárica. Muitos ali viram que nada os impedia de tomarem posição a favor de Jeová e simbolizar isso pelo batismo cristão. — Atos 8:26-36.

      15 As características e a formação das pessoas variam. Elas não são indicadores de superioridade ou inferioridade; são apenas diferenças. Quando visitantes da Grã-Bretanha observaram o batismo dos recém-dedicados servos de Jeová na ilha de Malta, as lágrimas de alegria nos seus olhos foram complementadas pelo entusiasmo das Testemunhas locais. Tanto o grupo maltês como o britânico expressaram seus sentimentos, mas de modo diferente, e seu forte amor a Jeová fortaleceu os vínculos de associação cristã. — Salmo 133:1; Colossenses 3:14.

      Vencer os preconceitos

      16-18. Conte uma experiência que mostra como se pode vencer o preconceito na congregação cristã.

      16 Ao passo que nosso amor a Jeová e aos irmãos cristãos se aprofunda, podemos imitar mais de perto a Jeová pelo modo como encaramos os outros. Qualquer preconceito que talvez tenhamos tido para com certas nacionalidades, raças ou culturas pode ser superado. Por exemplo, veja o caso de Albert, que serviu no exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial e que foi capturado pelos japoneses, quando tomaram Cingapura em 1942. Mais tarde, ele passou uns três anos trabalhando na “ferrovia da morte”, perto do que passou a ser conhecido como a ponte sobre o rio Kwai. Ao ser libertado, no fim da guerra, ele pesava 32 quilos, estava com o maxilar e o nariz quebrados, e sofria de disenteria, dermatofitose e malária. Milhares de outros presos estavam em piores condições, e muitos deles não sobreviveram. Em resultado das atrocidades que viu e sofreu, Albert voltou para casa em 1945, um homem amargurado, não querendo saber nada de Deus ou de religião.

      17 A esposa de Albert, Irene, tornou-se Testemunha de Jeová. Para agradar a ela, Albert assistiu a algumas reuniões da congregação local das Testemunhas de Jeová. Um jovem cristão, chamado Paul, empenhado no ministério de tempo integral, visitou Albert para estudar a Bíblia com ele. Albert logo se deu conta de que Jeová encara as pessoas segundo a condição do coração delas. Ele dedicou a vida a Jeová e foi batizado.

      18 Paul mudou-se mais tarde para Londres, aprendeu japonês e associou-se com uma congregação de língua japonesa. Quando ele ofereceu levar algumas Testemunhas japonesas, que estavam de visita, à sua congregação anterior, os irmãos ali se lembraram do forte preconceito de Albert contra pessoas daquela nacionalidade. Desde a sua volta à Grã-Bretanha, Albert havia evitado contato com qualquer japonês, de modo que os irmãos se perguntavam como ele ia lidar com a situação. Eles nem precisavam ter-se preocupado — Albert recebeu os visitantes com incondicional afeição fraternal. — 1 Pedro 3:8, 9.

      “Alargai-vos”

      19. Que conselho do apóstolo Paulo pode ajudar-nos se tivermos alguma tendência a ser parciais?

      19 “Mostrar parcialidade não é bom”, escreveu o sábio Rei Salomão. (Provérbios 28:21) É fácil nos sentirmos achegados aos que conhecemos bem. Às vezes, porém, temos a tendência de mostrar pouco interesse pelos que não conhecemos muito bem. Tal parcialidade não condiz com um servo de Jeová. Certamente, todos nós faríamos bem em seguir o conselho claro de Paulo, de nos ‘alargar’ — sim, de alargar-nos no amor que temos pelos concristãos de formações diferentes. — 2 Coríntios 6:13.

      20. Em que campos da vida devemos imitar a Jeová, nosso Deus imparcial?

      20 Quer tenhamos o privilégio da chamada celestial, quer a perspectiva de viver para sempre na Terra, sermos imparciais nos habilita a usufruir a união de um só rebanho, de um só Pastor. (Efésios 4:4, 5, 16) Esforçarmo-nos a imitar a Jeová, nosso Deus imparcial, pode ajudar-nos no ministério cristão, na nossa família e nas congregações, sim, em todos os campos da vida. De que modo? O próximo artigo considerará esse assunto.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A fama de Jeová tornou-se mais tarde assunto de cânticos sagrados. — Salmo 135:8-11; 136:11-20.

      b Neste caso, o termo “grego” refere-se aos gentios em geral. — Estudo Perspicaz das Escrituras, publicado pelas Testemunhas de Jeová, Volume 2, página 261.

  • Procure ver o que há de bom em todos
    A Sentinela — 2003 | 15 de junho
    • Procure ver o que há de bom em todos

      “Lembra-te deveras de mim, ó meu Deus, para o bem.” — NEEMIAS 13:31.

      1. Como Jeová faz o que é bom para com todos?

      DEPOIS de muitos dias nublados e sombrios, a luz do sol é sempre bem-vinda. As pessoas ficam alegres e se sentem bem. Do mesmo modo, depois de longos períodos de sol causticante e de tempo seco, uma chuva leve ou até mesmo uma pancada de chuva traz refrigério e alívio. Nosso amoroso Criador, Jeová, projetou a atmosfera terrestre de tal forma que nos proporciona uma variedade agradável de condições climáticas. Jesus chamou atenção para a generosidade de Deus ao ensinar: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos.” (Mateus 5:43-45) De fato, Jeová faz o que é bom para com todos. Seus servos devem esforçar-se a imitá-lo por procurarem ver o que há de bom nos outros.

      2. (a) Em que se baseia a bondade de Jeová? (b) Em que sentido Jeová observa a nossa reação à sua bondade?

      2 Em que se baseia a bondade de Jeová? Desde que Adão caiu no pecado, Jeová não deixou de ver o que há de bom nos humanos. (Salmo 130:3, 4) Seu objetivo é devolver à humanidade obediente a vida no Paraíso. (Efésios 1:9, 10) A sua benignidade imerecida nos dá a perspectiva de livramento do pecado e da imperfeição por meio do Descendente prometido. (Gênesis 3:15; Romanos 5:12, 15) A aceitação do resgate prepara o caminho para um futuro retorno à perfeição. Jeová observa agora cada um de nós para ver, entre outras coisas, como reagimos à sua generosidade. (1 João 3:16) Ele observa tudo o que fazemos para demonstrar apreço pela sua bondade. “Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome”, escreveu o apóstolo Paulo. — Hebreus 6:10.

      3. Que pergunta faremos bem em considerar?

      3 Então, como podemos imitar a Jeová em procurar ver o que há de bom nos outros? Consideremos as respostas a essa pergunta em quatro campos da vida: (1) no ministério cristão, (2) na família, (3) na congregação e (4) no nosso relacionamento com outros.

      Na pregação e em fazer discípulos

      4. De que modo a participação no ministério cristão é uma forma de se procurar ver o que há de bom nos outros?

      4 “O campo é o mundo”, explicou Jesus em resposta à indagação dos seus discípulos sobre o significado da parábola do trigo e do joio. Nós, como discípulos de Cristo atualmente, reconhecemos essa verdade quando nos empenhamos no ministério. (Mateus 13:36-38; 28:19, 20) Nosso ministério de campo envolve a proclamação pública da nossa fé. O fato de que as Testemunhas de Jeová são agora bem conhecidas pelo seu ministério de casa em casa e nas ruas é prova da nossa diligência em procurar todos os que merecem receber a mensagem do Reino. De fato, Jesus ordenou: “Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai nela quem é merecedor.” — Mateus 10:11; Atos 17:17; 20:20.

      5, 6. Por que persistimos em fazer repetidas visitas às pessoas nos seus lares?

      5 Quando visitamos pessoas sem ter sido convidados, notamos a reação delas à nossa mensagem. Às vezes verificamos que um membro da família nos dá ouvidos, ao passo que outro, de dentro da casa, grita: “Não estamos interessados”, e a visita acaba. Como lamentamos que esta oposição ou falta de interesse da parte de uma pessoa afeta a reação de outra! Então, o que podemos fazer para não desistir de procurar o que há de bom em todos?

      6 A nossa próxima visita a essa casa, quando pregamos naquela região, pode oferecer-nos a oportunidade de falar diretamente com a pessoa que havia interrompido a nossa visita anterior. Lembrarmo-nos do que aconteceu naquela vez pode ajudar-nos a nos preparar. O opositor talvez tenha os seus motivos para ter agido daquela forma, achando que devia impedir que o ouvinte escutasse a mensagem do Reino. A opinião dele talvez tenha sido influenciada por informações falsas sobre as nossas intenções. Mas isso não impede que persistamos em pregar as boas novas do Reino naquela casa, procurando com tato corrigir quaisquer mal-entendidos. Estamos interessados em ajudar todas as pessoas a obterem conhecimento exato de Deus. Pode ser que Jeová então atraia a si aquela pessoa. — João 6:44; 1 Timóteo 2:4.

      7. O que pode nos ajudar a ser positivos ao falar com as pessoas?

      7 As instruções que Jesus deu aos seus discípulos levavam em conta a oposição familiar. Não declarou ele: “Vim causar divisão; o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a jovem esposa contra sua sogra”? Jesus acrescentou: “Os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família.” (Mateus 10:35, 36) Todavia, as situações e as atitudes das pessoas mudam. Uma doença repentina, a perda dum parente, catástrofes, crises emocionais e inúmeros outros fatores influenciam a reação delas à nossa pregação. Se tivermos um ponto de vista negativo — de que as pessoas às quais pregamos continuarão a não ser receptivas — será que estamos realmente procurando ver o que há de bom nelas? Por que não revisitá-las em outra ocasião com uma atitude positiva? Talvez encontremos uma reação diferente. Às vezes não é apenas o que nós dizemos, mas como o dizemos que muda a reação. Orarmos fervorosamente a Jeová antes de começarmos a pregar com certeza nos ajudará a ser positivos e a apresentar a mensagem do Reino a todos de forma atraente. — Colossenses 4:6; 1 Tessalonicenses 5:17.

      8. O que pode resultar quando cristãos procuram ver o que há de bom nos seus parentes descrentes?

      8 Em algumas congregações, muitos membros da mesma família servem a Jeová. O que muitas vezes suscitou a admiração e o respeito de familiares mais novos foi a perseverança dum parente de mais idade, cuja boa relação com a esposa e outros na família preparou o caminho para uma mudança de atitude nos mais jovens. Acatarem o conselho do apóstolo Pedro tem ajudado muitas esposas cristãs a ganhar o marido “sem palavra”. — 1 Pedro 3:1, 2.

      Na família

      9, 10. Como Jacó e José procuravam ver o que havia de bom na sua família?

      9 Os vínculos que mantêm os membros da família unidos são outro campo em que podemos procurar ver o que há de bom nos outros. Considere uma lição que aprendemos de como Jacó tratava os seus filhos. No capítulo 37 de Gênesis, versículos 3 e 4, a Bíblia indica que Jacó amava especialmente a José. Os irmãos de José reagiam com ciúme, a ponto de conspirarem matá-lo. Mas note a atitude de Jacó e de José mais tarde em suas vidas. Ambos procuravam ver o que tinha de bom na sua família.

      10 Quando José servia como administrador-chefe da alimentação no Egito, devastado pela fome, ele acolheu seus irmãos. Embora não revelasse imediatamente a sua identidade, manobrou os acontecimentos para garantir que todos fossem bem cuidados e tivessem alimentos para levar de volta ao seu pai idoso. De fato, apesar de ter sido vítima do ódio deles, José agiu nos melhores interesses deles. (Gênesis 41:53-42:8; 45:23) Do mesmo modo, Jacó, no leito de morte, proferiu bênçãos proféticas sobre todos os seus filhos. Embora suas ações erradas tenham resultado na perda de alguns privilégios, nenhum deles foi excluído de ter uma herança na terra. (Gênesis 49:3-28) Que maravilhosa expressão de amor duradouro da parte de Jacó!

      11, 12. (a) Que exemplo profético enfatiza a importância de se procurar o que há de bom na família? (b) Que lição aprendemos do exemplo do pai na ilustração de Jesus a respeito do filho pródigo?

      11 A longanimidade de Jeová nos tratos com a infiel nação de Israel nos ajuda a entender ainda melhor como ele procura ver o que há de bom no seu povo. Usando a situação da família do profeta Oséias, Jeová ilustrou seu amor duradouro. Gômer, esposa de Oséias, cometeu adultério várias vezes. Apesar disso, Jeová orientou Oséias: “Vai mais uma vez, ama uma mulher amada por um companheiro e que comete adultério, como no caso do amor de Jeová para com os filhos de Israel, ao passo que eles se viram para outros deuses e amam bolos de passas.” (Oséias 3:1) Qual era o motivo dessas instruções? Jeová sabia que, dentro da nação que se havia desviado do caminho dele, haveria quem reagisse favoravelmente à sua paciência. Oséias declarou: “Depois, os filhos de Israel voltarão e certamente procurarão a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei; e certamente virão trêmulos a Jeová e à sua bondade, na parte final dos dias.” (Oséias 3:5) Esse certamente é um excelente exemplo a considerar quando confrontado com dificuldades na família. Continuar a procurar o que há de bom nos outros membros da família pelo menos dará um excelente exemplo de paciência.

      12 A parábola de Jesus a respeito do filho pródigo dá esclarecimento adicional de como podemos procurar o que há de bom na nossa própria família. O filho mais jovem voltou para casa depois de abandonar uma vida devassa. O pai o tratou com misericórdia. Como o pai reagiu diante das queixas do filho mais velho, que nunca havia deixado a família? Dirigindo-se ao seu filho mais velho, o pai disse: “Filho, tu sempre estiveste comigo e todas as minhas coisas são tuas.” Não era uma repreensão amarga, mas uma simples confirmação do amor do pai. “Nós simplesmente tivemos de nos regalar e alegrar”, prosseguiu dizendo, “porque este teu irmão estava morto, e voltou a viver, e estava perdido, mas foi achado”. Nós podemos similarmente continuar procurando o que há de bom nos outros. — Lucas 15:11-32.

      Na congregação cristã

      13, 14. Qual é um modo de se praticar a lei régia do amor dentro da congregação cristã?

      13 Nós, como cristãos, temos por objetivo praticar a lei régia do amor. (Tiago 2:1-9) É verdade que talvez acolhamos membros da nossa congregação cuja situação material seja diferente da nossa. Mas será que temos “distinções de classes” baseadas em formações raciais, culturais ou mesmo religiosas? Nesse caso, como podemos acatar o conselho de Tiago?

      14 Dar uma acolhida calorosa a todos os que assistem às reuniões cristãs evidencia nossa disposição generosa. Quando tomamos a iniciativa de falar com os novos que visitam o Salão do Reino, é possível que isso desfaça qualquer nervosismo ou inibição inicial da parte deles. Realmente, alguns que assistem pela primeira vez a uma reunião cristã comentam: “Todos foram muito amigáveis. Era como se todos já me conhecessem. Senti-me à vontade.”

      15. Como se pode ajudar os jovens na congregação a se interessar por pessoas de mais idade?

      15 Em certas congregações, no fim da reunião, alguns jovens talvez se juntem num grupo dentro ou fora do Salão do Reino, evitando a associação com pessoas de mais idade. Que ação positiva poderia ser tomada para corrigir essa tendência? O primeiro passo, naturalmente, é os pais treinarem os filhos em casa, preparando-os para as reuniões. (Provérbios 22:6) Podem dar-lhes a tarefa de separar as diversas publicações que levarão ao Salão, para que todos tenham consigo o que precisarão usar nas reuniões. Os pais também são os mais indicados para incentivar os filhos a conversar com os idosos e os doentes no Salão do Reino. Terem os filhos algo significativo para dizer a essas pessoas pode dar-lhes um senso de realização.

      16, 17. Como os adultos podem procurar o que há de bom nos jovens na congregação?

      16 Irmãos e irmãs de mais idade devem interessar-se pelos jovens na congregação. (Filipenses 2:4) Poderiam tomar a iniciativa de falar com os jovens de modo animador. Durante a reunião costumam destacar-se alguns pontos notáveis. Pode-se perguntar aos jovens se gostaram da reunião, e se houve algo que apreciaram especialmente e que poderiam usar. Os jovens, como parte importante da congregação, devem ser elogiados pela atenção que prestam, pelos comentários que fazem durante a reunião, ou pelas partes que apresentam no programa. A maneira de os jovens tratarem pessoas de mais idade na congregação e cuidarem de tarefas simples em casa indicará que provavelmente têm condições de cuidar bem de responsabilidades maiores mais adiante na vida. — Lucas 16:10.

      17 Alguns jovens, por aceitarem responsabilidades, progridem a ponto de suas qualificações espirituais os habilitarem a receber tarefas maiores. Terem algo para fazer também ajuda a refrear comportamentos tolos. (2 Timóteo 2:22) Tais tarefas podem servir para ‘examinar a aptidão’ de irmãos que procuram atuar como servos ministeriais. (1 Timóteo 3:10) Sua participação ativa nas reuniões e seu zelo no ministério, bem como seu interesse pessoal para com todos na congregação, habilitam os anciãos a ver o potencial deles ao terem em mente dar-lhes tarefas maiores.

      Procurando ver o que há de bom em todos

      18. Que armadilha se deve evitar no julgamento, e por quê?

      18 “Mostrar parcialidade no julgamento não é bom”, diz Provérbios 24:23. A sabedoria celestial requer que os anciãos evitem ser parciais ao julgarem assuntos na congregação. Tiago declarou: “A sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia.” (Tiago 3:17) É óbvio que os anciãos, ao procurarem ver o que há de bom nos outros, têm de certificar-se de que seu critério não seja influenciado por relacionamentos pessoais ou emoções. “Deus se põe de pé na assembléia do Divino”, escreveu o salmista Asafe. “Julga no meio dos deuses [“semelhantes a Deus”, nota, NM com Referências, referindo-se aos juízes humanos]: ‘Até quando continuareis a julgar com injustiça e sereis parciais para com os próprios iníquos?’” (Salmo 82:1, 2) Por isso, os anciãos cristãos evitam dar qualquer impressão de favoritismo, quando os assuntos envolvem um amigo ou parente. Assim preservam a união da congregação e permitem que o espírito de Jeová atue livremente. — 1 Tessalonicenses 5:23.

      19. Como podemos procurar ver o que há de bom nos outros?

      19 Ao procurarmos ver o que há de bom nos nossos irmãos, refletimos a atitude de Paulo, quando ele se dirigiu à congregação tessalonicense. Ele disse: “Ademais, temos confiança no Senhor, quanto a vós, de que fazeis e continuareis a fazer as coisas que ordenamos.” (2 Tessalonicenses 3:4) Estaremos mais inclinados a relevar as falhas dos outros quando procuramos ver o que há de bom neles. Procuraremos pontos pelos quais possamos elogiar nossos irmãos, fazendo questão de evitar um espírito crítico. “O que se procura nos mordomos”, escreveu Paulo, “é que o homem seja achado fiel”. (1 Coríntios 4:2) A fidelidade, não só dos que servem quais mordomos da congregação, mas de todos os nossos irmãos e irmãs cristãos, os torna queridos para nós. Somos assim mais atraídos a eles, o que fortalece os vínculos da amizade cristã. Encaramos os irmãos como Paulo o fazia nos seus dias. São “colaboradores pelo reino de Deus” e “um auxílio fortificante” para nós. (Colossenses 4:11) Manifestamos assim a atitude de Jeová.

      20. Que bênçãos terão os que procurarem ver o que há de bom em todos?

      20 Repetimos, sem dúvida, a oração de Neemias: “Lembra-te deveras de mim, ó meu Deus, para o bem.” (Neemias 13:31) Como nos alegra saber que Jeová procura ver o que há de bom nas pessoas! (1 Reis 14:13) Façamos o mesmo nos tratos com outros. Isso nos oferece a perspectiva de ter redenção e vida eterna no novo mundo, agora tão próximo. — Salmo 130:3-8.

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