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  • Ele ‘lembrou-se de seu Criador nos dias de sua mocidade’
    Despertai! — 1994 | 22 de maio
    • Ele ‘lembrou-se de seu Criador nos dias de sua mocidade’

      ADRIAN sempre atraiu uma dose extra de atenção dos pais”, disse o pai dele. “Com quatro anos, ele bateu com o carro da família numa árvore, fazendo com que todo mundo chegasse atrasado à reunião congregacional. Aos cinco anos, ele juntou dezenas de rãs e as trouxe para dentro de casa. Levamos vários dias para nos livrar daquilo. Sentimo-nos como uma família egípcia durante a praga das rãs, mencionada na Bíblia.

      “Aos 11 anos, ele encontrou ao lado da rodovia três filhotes de uma espécie de guaxinim e os levou à escola dentro de sua mochila. Quando a professora chegou, a classe estava em alvoroço — os alunos se aglomeravam ao redor da mochila de Adrian, falando excitadamente. A professora olhou para dentro da mochila, viu os guaxinins, e levou Adrian e seus bichinhos de estimação para uma instituição que cuidava de animais órfãos. Adrian tinha lágrimas nos olhos, pensando na idéia de perder os filhotes, mas, depois de percorrer a instituição e ver filhotes de raposa e outros órfãos bem cuidados, ele deixou os guaxinins ali.”

      Seu pai continua: “Adrian não era um menino mau. Apenas um tanto elétrico. Tinha uma vívida imaginação, que cortava a monotonia da vida.”

      A mãe de Adrian mencionou outras facetas de sua personalidade — apegado à família, caseiro, um menino muito amoroso. Ela conta: “As crianças na escola falavam dele como pessoa que jamais seria capaz de magoar alguém. Uma menina de sua classe tinha limitações mentais, embora não fosse retardada. Ela pegava o mesmo ônibus escolar que o Adrian. Outras crianças caçoavam dela, mas a mãe dela nos disse que o Adrian sempre tratava a garota com respeito e bondade especial. Ele tinha o seu lado sério — um menino de reflexão, de sentimentos profundos que nem sempre expressava. Mas, quando o fazia, ele nos surpreendia com comentários que atingiam o âmago das questões.”

      Ela concluiu a avaliação de seu filho: “A doença dele o amadureceu rapidamente e produziu nele uma espiritualidade mais profunda.”

      Era inflexível: não queria sangue!

      A sua doença? Bem, começou em março de 1993, quando Adrian tinha 14 anos. Descobriu-se no estômago dele um tumor de evolução rápida. Os médicos queriam fazer uma biópsia, mas temiam uma hemorragia excessiva, dizendo que talvez fosse preciso uma transfusão de sangue. Adrian disse não. Ele era inflexível. Disse ele, com lágrimas nos olhos: “Jamais poderia viver bem comigo mesmo, se me fosse dado sangue.” Ele e sua família eram Testemunhas de Jeová, que rejeitam transfusões de sangue por razões bíblicas registradas em Levítico 17:10-12 e Atos 15:28, 29.

      Enquanto estava no Centro de Saúde Infantil Dr. Charles A. Janeway, em St. John’s, Terra Nova, Canadá, aguardando a biópsia — a ser feita sem sangue — o oncologista Dr. Lawrence Jardine pediu a Adrian que se manifestasse a respeito do sangue.

      “Olha”, disse Adrian, “não faria diferença se meus pais fossem Testemunhas de Jeová, ou não. De qualquer maneira eu não tomaria sangue”.

      O Dr. Jardine perguntou: “Você sabe que poderá morrer se não tomar uma transfusão?”

      “Sei.”

      “E você está disposto a isso?”

      “Se não houver outro jeito.”

      A mãe dele, também presente, perguntou: “Por que você assume essa posição?”

      Adrian respondeu: “Mamãe, isso não é um bom negócio. Desobedecer a Deus e prolongar a minha vida alguns anos agora e daí, por causa da minha desobediência a Deus, perder a ressurreição e a vida para sempre na Sua Terra paradísica — isto não é ser inteligente!” — Salmo 37:10, 11; Provérbios 2:21, 22.

      A biópsia foi feita no dia 18 de março. Constatou-se que Adrian tinha um grande linfoma. Uma posterior biópsia da medula óssea confirmou o temor de que ele havia contraído leucemia. O Dr. Jardine explicou então que a única chance de Adrian manter-se vivo seria um programa bem intensivo de quimioterapia, junto com transfusões de sangue. Mas, mesmo assim, Adrian continuou a recusar transfusões de sangue. Foi iniciada a quimioterapia, sem transfusões.

      Agora, porém, com essa fase crítica do tratamento em andamento, havia o temor de que o Departamento de Bem-Estar do Menor interviesse e obtivesse uma ordem judicial para ganhar a guarda do jovem e a autoridade de dar transfusões de sangue. A lei faculta a toda pessoa com 16 anos, ou mais, a fazer a sua própria decisão sobre tratamento de saúde. A única maneira de alguém com menos de 16 anos ter esse direito é ser classificado como menor amadurecido.

      Na Suprema Corte da Terra Nova

      Assim, no domingo de manhã, 18 de julho, a diretora em exercício do Bem-Estar do Menor deu entrada no processo de obtenção da guarda. Rapidamente, um eminente e altamente respeitado advogado, o Dr. David C. Day, de St. John’s, Terra Nova, foi contratado para defender Adrian. Naquela mesma tarde, às 15h30, a Suprema Corte da Terra Nova se reuniu, presidida pelo Juiz Robert Wells.

      Durante a sessão vespertina, o Dr. Jardine deixou bem claro para o juiz que ele considerava Adrian um menor amadurecido, de profunda convicção contra o uso de sangue e que ele, o Dr. Jardine, havia prometido a Adrian que não incluiria transfusão de sangue em tratamento algum. O Juiz Wells perguntou ao médico se ele daria transfusão sob ordem judicial. O Dr. Jardine respondeu: “Não, pessoalmente não daria.” Ele mencionou que o Adrian achava que a sua esperança bíblica de ganhar a vida eterna estaria ameaçada. O depoimento sincero desse conceituado médico foi surpreendente e comovedor, provocando lágrimas de alegria nos pais de Adrian.

      “Por favor, respeitem a mim e a minha vontade”

      Quando a corte voltou a se reunir, na segunda-feira, 19 de julho, David Day apresentou cópias de um depoimento que Adrian — fisicamente incapaz de comparecer ao tribunal — havia preparado e assinado, declarando seu desejo de que o câncer fosse tratado sem sangue nem derivados dele. Disse Adrian:

      “A pessoa medita muito sobre as coisas quando está doente, e quando está com câncer, a pessoa sabe que pode morrer e pensa nisso. . . . Eu não concordo em receber sangue, ou em permitir que seja usado; de modo algum. Sei que posso morrer se não for usado sangue. Mas minha decisão é esta. Ninguém me forçou a isso. Confio muito no Dr. Jardine. Creio que ele é um homem de palavra. Ele disse que me dará um tratamento intensivo sem jamais usar sangue. Ele me falou dos riscos. Eu entendo isso. Sei do pior que me pode acontecer. . . . Penso que se me for dado sangue isso seria como que me violentar, molestar meu corpo. Rejeito meu corpo nessas condições. Não posso pagar esse preço. Não desejo tratamento algum que use sangue, nem mesmo que inclua essa possibilidade. Resistirei ao uso de sangue.” O depoimento de Adrian terminou com este apelo: “Por favor, respeitem a mim e a minha vontade.”

      Durante as sessões do tribunal Adrian estava confinado ao seu quarto de hospital, e o Juiz Wells mui bondosamente foi visitá-lo, na presença de David Day. Num relato sobre esse encontro, o Dr. Day falou sobre as incisivas e convincentes declarações de Adrian ao juiz a respeito desse único tema, em essência: “Sei que estou muito doente, e sei que posso morrer. Alguns médicos dizem que o sangue será de ajuda. Não acredito nisso, levando em conta todos os perigos sobre os quais eu li. Quer ajude, quer não, minha fé é contra o uso de sangue. Respeitem a minha fé e estarão respeitando a mim. Se não respeitarem a minha fé, eu me sentirei violentado. Se respeitarem a minha fé, posso enfrentar a minha doença com dignidade. A fé é quase tudo o que tenho, e agora é a coisa mais importante de que preciso para me ajudar a combater a doença.”

      O Dr. Day fez alguns comentários próprios a respeito de Adrian: “Ele era um cliente capaz de lidar com a sua doença crítica de maneira paciente, estóica e brava. Havia firmeza nos seus olhos; confiança maior do que a sua voz demonstrava; resolução nos seus modos. Acima de tudo, suas expressões verbais e corporais transmitiam uma fé inabalável. A sua marca registrada era a fé. Uma doença implacável obrigou-o a construir pontes entre os sonhos juvenis e a realidade adulta. A fé ajudou-o a fazer isso. . . . Ele era decididamente cândido e, na minha concepção, autêntico. . . . Eu estava atento à possibilidade de seus pais lhe terem imposto a objeção deles ao uso de sangue no tratamento médico. . . . Fiquei convencido de que ele exerceu o seu próprio critério ao expressar seu desejo de receber tratamento médico sem sangue.”

      Noutra ocasião, o Dr. Day disse que as crenças de Adrian “eram para ele mais preciosas do que a própria vida”, acrescentando: “Esse resoluto rapaz, diante de tais problemas, fez-me sentir que todos os males da minha vida não são nada. Ele ficará gravado na minha memória para sempre. Ele é um menor amadurecido de enorme coragem, perspicácia e inteligência.”

      A decisão: Adrian é um menor amadurecido

      O julgamento terminou na segunda-feira, 19 de julho, e o Juiz Wells pronunciou a sua decisão, mais tarde publicada na Human Rights Law Journal (Revista Jurídica dos Direitos Humanos), de 30 de setembro de 1993. Alguns excertos:

      “Pelas seguintes razões, os pedidos da diretora do Bem-Estar do Menor não foram atendidos: o jovem não carece de proteção; não foi provado ser essencial o uso de sangue, ou de derivados dele, para fins de transfusão de sangue ou injeção, e, nas circunstâncias específicas deste caso, poderia ser prejudicial.

      “A menos que uma mudança de circunstâncias requeira outra ordem, está proibido o uso de sangue ou de derivados de sangue no seu tratamento: e o rapaz é declarado menor amadurecido, cujo desejo de receber tratamento médico sem sangue ou derivados do sangue deve ser respeitado. . . .

      “Não há dúvida de que esse ‘jovem’ é muito corajoso. Acho que ele tem o apoio de uma família amorosa e que se importa com ele, e acho que está enfrentando seu sofrimento com grande dose de coragem. Parte de sua crença religiosa diz que é errado para ele introduzir produtos de sangue no seu corpo, para quaisquer fins . . . Tive o benefício de ler um depoimento escrito de A— feito ontem, e o benefício de ouvir a mãe dele, que confirmou as informações, e tive o benefício de falar com o próprio A—.

      “Estou convicto de que ele crê de todo coração que tomar sangue seria errado e que ser forçado a tomar sangue nas circunstâncias a que nos referimos seria uma invasão de seu corpo, uma invasão de sua privacidade e uma invasão de todo o seu ser, a ponto de causar um severo impacto sobre a sua força e habilidade de enfrentar essa terrível provação que ele tem de passar, qualquer que seja o desfecho.

      “Concordo que o médico fez uma declaração de notável propriedade quando disse que o paciente precisa ter uma disposição mental cooperadora e positiva a respeito de quimioterapia e de outros tratamentos de câncer para que haja alguma esperança, alguma esperança real, de sucesso, e que o paciente a quem se força algo contrário às suas mais profundamente sustentadas crenças seria um paciente cuja adequabilidade para o tratamento ficaria drasticamente reduzida. . . .

      “Acho que o que aconteceu com A— amadureceu-o num grau que seria inimaginável para um jovem de 15 anos que não enfrentasse nem convivesse com o que ele está convivendo e com o que ele tem de enfrentar e está enfrentando. Acho que sua experiência é a pior que eu posso imaginar, e suspeito que a sua fé é uma das coisas que está sustentando a ele e a sua família. Acho que o que aconteceu amadureceu A— além de qualquer expectativa ou madureza normais num jovem de 15 anos de idade. Penso que o rapaz com quem falei esta manhã é muito diferente de um rapaz comum de 15 anos, por causa dessa trágica situação.

      “Acho que ele é suficientemente amadurecido para expressar um conceito válido, e ele o expressou para mim . . . Estou também convicto de que é próprio . . . para mim levar em conta a sua vontade, e é o que estou fazendo. O desejo dele é que não sejam administrados produtos de sangue, e estou convicto também de que se esses desejos forem de algum modo negados pela Diretora sob ordem deste Tribunal, os melhores interesses dele seriam negativamente afetados de maneira bem manifesta e num sentido muitíssimo real . . . Ademais, se — e isso é muito possível — ele vier mesmo a sucumbir a essa doença, ele faria isso num estado mental que, levando em conta suas crenças religiosas, seria muito triste, muito infeliz, e absolutamente indesejada. Estou levando tudo isso em consideração. . . .

      “Sob todas as circunstâncias, penso ser próprio para mim negar o pedido para serem administrados produtos de sangue no tratamento de A—.”

      A mensagem de Adrian ao Juiz Wells

      Foi de notável reflexão a mensagem que esse jovem, que sabia que estava morrendo, enviou ao Juiz Robert Wells, comunicada a ele pelo Dr. David Day, como segue: “Acho que eu seria relapso se não transmitisse, em nome de meu cliente, com quem falei brevemente depois que o meritíssimo deixou o hospital hoje, o agradecimento do fundo do seu coração, que é um coração muito grande, pelo fato de o meritíssimo ter tratado desse assunto com presteza, com sensibilidade e com grande justiça. Ele se sente muitíssimo grato ao senhor, meritíssimo juiz, e desejo que isso conste dos autos. Muito obrigado.”

      A mãe de Adrian conta os lances finais da história.

      “Depois do julgamento, Adrian perguntou ao Dr. Jardine: ‘Quanto tempo de vida ainda tenho?’ A resposta do médico: ‘Uma ou duas semanas.’ Vi meu filho derramar uma lágrima, que vazou espremida entre pálpebras bem cerradas. Quis colocar meus braços em volta dele, mas ele disse: ‘Não, mamãe. Eu estou orando.’ Depois de alguns momentos, eu perguntei: ‘Como você se sente, Adrian?’ ‘Mamãe, de qualquer maneira eu vou viver, mesmo que eu morra. E se eu tenho apenas duas semanas de vida, quero aproveitá-las. Portanto, você tem de se animar.’

      “Ele queria visitar a congênere da Torre de Vigia em Georgetown, Canadá. Ele fez isso. Ele nadou na piscina ali, com um de seus amigos. Foi assistir a um jogo de beisebol do time Blue Jays, e tirou fotos ao lado de alguns jogadores. Mais importante, no seu coração ele havia se dedicado para servir a Jeová Deus, e desejava agora simbolizar essa dedicação pela imersão em água. Mas a essa altura a sua situação se agravara, e ele estava de volta ao hospital, de onde não podia mais sair. Assim, as enfermeiras bondosamente providenciaram que ele usasse um dos tanques de aço inoxidável na sala de fisioterapia. Ele foi batizado ali no dia 12 de setembro; faleceu no dia seguinte, 13 de setembro.

      “O seu funeral foi o maior que a casa funerária já teve — enfermeiras, médicos, pais de pacientes, colegas de escola, vizinhos, e muitos irmãos e irmãs espirituais de sua congregação e de outras. Como pais, nunca nos havíamos dado conta de todas as qualidades maravilhosas que vieram à tona no nosso filho, à medida que ele suportava suas muitas provações, ou a bondade e reflexão que eram parte de sua personalidade cristã em formação. O salmista inspirado disse: ‘Os filhos são uma herança da parte de Jeová.’ Este certamente era, e aguardamos vê-lo no novo mundo de justiça, de Jeová, a ser estabelecido em breve numa Terra paradísica.” — Salmo 127:3; Tiago 1:2, 3.

      Aguardemos o cumprimento para Adrian da promessa de Jesus em João 5:28, 29: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão, os que fizeram boas coisas, para uma ressurreição de vida, os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.”

      Por rejeitar transfusões de sangue que poderiam possivelmente estender um pouco a sua vida atual, Adrian Yeatts mostrou ser um dos muitos jovens que colocaram Deus em primeiro lugar.

  • Jovens com “poder além do normal”
    Despertai! — 1994 | 22 de maio
    • Jovens com “poder além do normal”

      VOCÊ é jovem. Tem apenas 12 anos. Tem uma família a quem você ama. Tem bons amigos na escola. Participa de passeios à praia e às montanhas. Sente reverência ao contemplar um céu salpicado de estrelas. Você tem uma vida toda pela frente.

      Mas agora você tem câncer. Tal notícia é um golpe terrível quando se tem 60 anos. É totalmente devastadora quando se tem 12 anos.

      Lenae Martinez

      Foi assim para Lenae Martinez, de 12 anos. A esperança dela era viver eternamente num paraíso na Terra. Esta esperança se escudava no treinamento bíblico que ela recebera de seus pais, que são Testemunhas de Jeová. Não lera ela mesma na Bíblia que a Terra existirá para sempre, que foi criada para ser habitada para sempre, e que os mansos a herdarão para sempre? — Eclesiastes 1:4; Isaías 45:18; Mateus 5:5.

      Agora ela estava internada no Hospital Infantil Valley, em Fresno, Califórnia, EUA. Ela dera entrada ali pelo que parecia ser uma infecção nos rins. Mas os exames revelaram que ela tinha leucemia. Os médicos que cuidavam de Lenae determinaram que se transfundisse papa de hemácias e plaquetas e que se iniciasse imediatamente a quimioterapia.

      Lenae disse que não queria sangue nem derivados de sangue, e que lhe foi ensinado que Deus proíbe o uso disso, conforme indicam os livros bíblicos de Levítico e Atos. “Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação.” (Atos 15:28, 29) Os seus pais a apoiaram, mas Lenae frisou que a decisão era sua, e que lhe era muito importante.

      Os médicos falaram várias vezes com Lenae e seus pais. Mesmo assim, eles retornaram certa tarde. Lenae disse sobre essa visita: “Eu me sentia bem fraca por causa das dores e havia vomitado muito sangue. Eles fizeram-me as mesmas perguntas, só que dessa vez de maneira diferente. Eu lhes disse de novo: ‘Não quero nenhum sangue nem derivados de sangue. Eu prefiro aceitar a morte, se necessário, a violar a minha promessa a Jeová Deus de fazer a vontade dele.’”

      Lenae prosseguiu: “Eles retornaram na manhã seguinte. A contagem de plaquetas estava caindo, e a minha febre ainda era alta. Posso dizer que o médico me deu mais atenção dessa vez. Muito embora não gostassem da minha posição, eles disseram que eu era uma jovem de 12 anos bem amadurecida. Mais tarde, meu pediatra me disse que lamentava a situação, mas que nada me ajudaria senão a quimioterapia e as transfusões. Ele saiu e disse que voltaria mais tarde.

      “Quando ele saiu, tive um forte acesso de choro, pois ele tinha cuidado de mim a vida toda, e agora parecia que me estava traindo. Quando ele voltou, eu lhe disse o quanto me magoara — que não mais se importava comigo. Ele ficou surpreso, e pediu desculpas. A sua intenção não era me magoar. Ele olhou para mim e disse: ‘Bem, Lenae, se é assim que tem de ser, eu a verei no céu.’ Tirou os óculos, e, com grandes lágrimas nos olhos, disse que me amava e me deu um forte abraço. Eu lhe agradeci, e disse: ‘Obrigada. Eu também o amo, Dr. Gillespie, mas minha esperança é viver numa Terra paradísica por meio da ressurreição.’”

      Daí vieram um médico e uma médica, e um advogado. Disseram aos pais de Lenae que gostariam de falar a sós com ela, e pediram aos pais que se retirassem, o que eles fizeram. Durante toda essa conversa os médicos mostraram muita consideração e foram bondosos, ficando impressionados com a desenvoltura de Lenae e sua convicção profunda.

      A sós com Lenae, eles a informaram de que ela estava morrendo de leucemia, e disseram: “Mas as transfusões de sangue prolongarão a sua vida. Se você recusar sangue, morrerá em poucos dias.”

      “Se eu tomar sangue”, perguntou Lenae, “por quanto tempo isso prolongará a minha vida?”

      “Uns três a seis meses”, responderam.

      “O que é que eu posso fazer em seis meses?”, ela perguntou.

      “Você ficará forte. Poderá fazer muitas coisas. Poderá visitar a Disney World. Poderá conhecer muitos outros lugares.”

      Lenae pensou um pouco, daí respondeu: “Durante toda a minha vida servi a Jeová, 12 anos. Ele me prometeu a vida eterna no Paraíso, se eu o obedecer. Não vou abandoná-lo agora por causa de seis meses de vida. Quero ser fiel até a morte. Sei que assim ele me ressuscitará e me dará a vida eterna. Daí terei muito tempo para fazer tudo o que quero fazer.”

      Os médicos e o advogado ficaram visivelmente impressionados. Eles a elogiaram, saíram e disseram aos pais que ela pensava e falava como adulto e era capaz de fazer suas próprias decisões. Recomendaram à comissão de ética do Hospital Infantil Valley que Lenae fosse considerada menor amadurecida. Esta comissão, composta de médicos e outros profissionais da saúde, junto com um professor de ética da Universidade Estadual de Fresno, decidiu permitir que Lenae fizesse suas próprias decisões sobre seu tratamento médico. Eles consideraram Lenae uma menor amadurecida. Não foram em busca de uma ordem judicial.

      Depois de uma noite longa e difícil, às 6h30, no dia 22 de setembro de 1993, Lenae faleceu nos braços de sua mãe. A dignidade e a serenidade demonstradas naquela noite ficaram gravadas na mente dos que estavam presentes. Houve 482 pessoas na palestra relativa ao falecimento, incluindo médicos, enfermeiras e professores, que haviam ficado impressionados com a fé e a integridade de Lenae.

      Os pais e os amigos de Lenae ficaram profundamente gratos de que os médicos, as enfermeiras e os administradores do Hospital Infantil Valley tiveram esse bom tino de discernir a madureza dessa menor e que não foi preciso nenhum processo judicial para se chegar a essa decisão.

      Crystal Moore

      Este mesmo reconhecimento não foi dado a Crystal Moore, de 17 anos, quando foi internada no Centro Médico Presbiteriano Columbia, em Nova York. Ela sofria de colite ulcerativa. Ao ser internada, Crystal, junto com seus pais, repetiu várias vezes a sua recusa em aceitar sangue. Ela não queria morrer; queria tratamento médico compatível com a ordem bíblica de abster-se do sangue. — Atos 15:28, 29.

      A equipe médica que cuidava de Crystal estava certa de que o seu estado exigia uma transfusão de sangue. Um médico foi taxativo: “Se Crystal não receber uma transfusão de sangue até quinta-feira, 15 de junho, então, na sexta-feira, 16 de junho, ela estará morta!” No dia 16 de junho Crystal não estava morta, e o hospital recorreu à Suprema Corte do Estado de Nova York em busca de poderes para forçar transfusões.

      Na audiência, providenciada às pressas no hospital naquela manhã, um dos médicos atestou que Crystal necessitava de duas unidades de sangue imediatamente e talvez pelo menos mais dez unidades depois. Ele disse também que se Crystal tentasse resistir às transfusões, ele a amarraria na cama, com os pulsos e as pernas presos, para efetivar o procedimento. Crystal disse aos médicos que ela iria “gritar e berrar” se eles tentassem transfundir-lhe sangue e que, como Testemunha de Jeová, encararia qualquer administração de sangue forçada tão repulsiva quanto o estupro.

      Apesar dos repetidos apelos de seu advogado na audiência, negou-se a Crystal a oportunidade de falar por si mesma perante o tribunal para mostrar sua capacidade de tomar decisões. Embora Crystal acabasse de receber um prêmio no Programa de Super-Jovens em reconhecimento de seu superior desempenho acadêmico e liderança na escola de 2.º grau que freqüentava, a juíza não permitiu que ela depusesse em juízo a respeito de sua recusa de receber sangue. Isto equivalia a negar a Crystal os direitos de um julgamento legal justo, de pleno direito sobre seu corpo, de privacidade pessoal e de liberdade religiosa.

      Embora o tribunal não permitisse que Crystal depusesse em juízo, os membros do tribunal visitaram Crystal sozinha no seu quarto por cerca de 20 minutos. Depois da visita, a juíza disse que Crystal era “obviamente muito inteligente” e “muito articulada” e mencionou que Crystal “certamente tinha sanidade mental” e era “capaz de se expressar plenamente”. Apesar dessas observações, o tribunal peremptoriamente recusou-se a dar a Crystal a oportunidade de decidir sobre seu próprio tratamento médico.

      No domingo de manhã, 18 de junho, Crystal necessitava de uma cirurgia de emergência, à qual deu consentimento, mas continuava a rejeitar sangue. Foram perdidos apenas 50-100 cc de sangue durante a intervenção. Todavia, os médicos afirmavam que talvez fosse necessária uma transfusão de sangue pós-operatória. Outro médico atestou que não havia necessidade de transfusão. Ele havia rotineiramente tratado de casos similares sem sangue nos últimos 13 anos, e jamais foram necessárias transfusões pós-operatórias.

      Em 22 de junho de 1989, o tribunal de primeira instância deu a guarda temporária de Crystal ao hospital para fins de transfusões de sangue a serem administradas apenas se forem “necessárias para proteger e salvar a vida”. Essa guarda terminou quando Crystal recebeu alta do hospital. Crystal nunca precisou de sangue, e nenhum sangue lhe foi transfundido, mas é chocante a maneira como o tribunal tratou Crystal.

      Depois que recebeu alta do hospital, Crystal formou-se com mérito na escola de 2.º grau. Pouco depois, tornou-se ministra de tempo integral como Testemunha de Jeová. Veio a servir como guia de visitantes no Salão de Assembléias de Jersey City, das Testemunhas de Jeová, e como voluntária de um grupo que constrói e reforma Salões do Reino.

      Todavia, os médicos no Centro Médico Presbiteriano Columbia haviam dito que se ela não recebesse uma transfusão no dia 15 de junho ela estaria morta no dia 16 de junho, e que, se resistisse à transfusão, ela seria imobilizada com os pulsos e as pernas amarradas. Quando médicos que desejam obter ordens judiciais para dar sangue declararem taxativamente que o paciente vai morrer caso o juiz não atenda imediatamente o pedido, seria bom que se lembrassem do caso de Crystal Moore.

      Lisa Kosack

      A primeira noite de Lisa no “Sick Children’s Hospital”, de Toronto, Canadá, foi pior do que um pesadelo. Ela deu entrada às quatro horas da tarde, e logo foi submetida a uma série de exames. Só foi internada às onze e quinze daquela noite. À meia-noite, — bem, deixemos que Lisa nos conte o que aconteceu. “À meia-noite, chegou uma enfermeira e disse: ‘Tenho de lhe dar um pouco de sangue.’ Eu bradei: ‘Não posso tomar sangue porque sou Testemunha de Jeová! Eu acho que você sabe disso! Eu acho que você sabe disso!’ ‘Bem, sim, eu sei’, disse ela, e imediatamente tirou a bolsa do soro para colocar a do sangue. Eu gritava e estava ficando histérica.”

      Que tratamento insensível e cruel a infligir no meio da noite a uma menina de 12 anos doente e assustada num ambiente estranho! Os pais de Lisa a haviam levado ao “Sick Children’s Hospital” de Toronto na esperança de encontrar médicos bondosos e cooperadores. Em vez disso a filha deles foi submetida àquela angustiante transfusão da meia-noite, apesar da posição, tanto de Lisa como de seus pais, de que o tratamento com sangue ou com derivados viola a lei de Deus e não deve ser usado. — Atos 15:28, 29.

      Na manhã seguinte, o hospital foi em busca de uma ordem judicial para dar transfusões. O julgamento durou cinco dias, presidido pelo Juiz David R. Main. Foi realizado numa sala do hospital, com a presença de Lisa todos os cinco dias. Lisa tinha leucemia mielóide aguda, um estado quase sempre fatal, embora os médicos afirmassem que o índice de cura era de 30 por cento. Eles prescreveram múltiplas transfusões de sangue e quimioterapia intensiva — um tratamento que envolve sofrimentos extremos e debilitantes efeitos colaterais.

      No quarto dia do julgamento, Lisa prestou depoimento. Uma das perguntas que lhe foram feitas foi sobre que efeito teve sobre ela aquela transfusão da meia-noite. Ela disse que se sentiu como um cão sendo usado num experimento, que sentia que estava sendo violentada e que, por ser menor de idade, algumas pessoas pensavam que poderiam fazer qualquer coisa com ela. Ela detestou ver o sangue de outra pessoa entrar nela, temendo pegar AIDS ou hepatite, ou outra doença infecciosa. E principalmente, estava preocupada com o que Jeová acharia de ela violar a Sua lei contra absorver o sangue de outra pessoa para dentro de seu corpo. Ela disse que se isso acontecesse de novo ela “resistiria e chutaria o suporte da bolsa de sangue e arrancaria a agulha do seu braço, não importa o quanto doesse, e faria furos na bolsa de sangue”.

      A sua advogada perguntou: “O que você acha do pedido dos membros da Sociedade de Ajuda à Criança de tirar de seus pais a guarda sobre você e transferi-la a eles?”

      “Bem, isto me deixa muito, muito irritada; faz-me pensar que essa gente é cruel, pois meus pais nunca me espancaram, sempre me amaram e eu os amo, e sempre que fiquei doente, com infecção na garganta, resfriados, ou o que quer que fosse, eles cuidaram de mim. Toda a vida deles gira em torno de mim, e agora, só porque aparece alguém, só porque alguém discorda . . . vir e querer simplesmente me separar deles, eu acho isso muitíssimo cruel, e me deixa muito abalada.”

      “Você deseja morrer?”

      “Não, eu acho que ninguém deseja morrer, mas, se eu tiver de morrer, isso não me apavora, porque sei que tenho a esperança de vida eterna numa Terra paradísica.”

      Havia poucos olhos que não se encheram de lágrimas à medida que Lisa falava corajosamente sobre sua iminente morte, sua fé em Jeová e sua determinação de permanecer fiel à lei da santidade do sangue.

      “Lisa”, prosseguiu a sua advogada, “faria alguma diferença você saber que o tribunal ordena que você tome transfusões?”

      “Não, porque ainda assim vou permanecer fiel ao meu Deus e obedecer aos seus mandamentos, pois Deus é muito superior a qualquer tribunal ou qualquer homem.”

      “Lisa, o que você gostaria que o juiz decidisse neste caso?”

      “Bem, o que eu gostaria que o juiz decidisse neste caso é simplesmente me devolver aos meus pais, e que eles recuperem a minha guarda, para que eu possa ser feliz e ir para casa e estar num ambiente feliz.”

      E foi exatamente isso o que o Juiz Main decidiu. Seguem-se alguns excertos de sua decisão.

      “L— informou a este tribunal clara e inequivocamente que, se for feita uma tentativa de transfundir sangue nela, ela lutará contra essa transfusão com todas as forças que puder reunir. Ela tem dito, e eu acredito nela, que gritará e lutará, e que arrancará o sistema endovenoso de seu braço e tentará destruir o sangue na bolsa acima de sua cama. Recuso-me a dar uma ordem que poderia submeter essa criança a tal provação.”

      A respeito da forçada transfusão da meia-noite, ele disse:

      “Concluo obrigatoriamente que ela sofreu discriminação à base de sua religião e de sua idade, em conformidade com a s[eção]. 15(1). Nestas circunstâncias, ao ser dada uma transfusão de sangue, seu direito à segurança de sua pessoa, em conformidade com a s. 7, foi infringido.”

      A sua impressão pessoal a respeito da própria Lisa é interessante:

      “L— é uma pessoa linda, extremamente inteligente, expressa-se bem, cortês, sensível e, o que é mais importante, corajosa. Ela é mais sábia e mais madura do que as pessoas de sua idade, e julgo que seria seguro afirmar que ela dispõe de todos os atributos positivos que qualquer genitor gostaria de ver num filho ou numa filha. Ela tem uma crença religiosa bem refletida, firme e clara. Em meu conceito, não existe nenhuma dose de aconselhamento, de qualquer fonte, ou de pressão por parte de seus pais, ou de outrem, inclusive um mandado emitido por este tribunal, que abalasse ou alterasse suas crenças religiosas. Decido que L. K. deve ter a oportunidade de combater esta doença com dignidade e paz mental.”

      “Pedido indeferido.”

      Lisa e sua família deixaram o hospital naquele mesmo dia. Lisa realmente lutou contra a sua doença com dignidade e paz mental. Ela faleceu serenamente em casa, nos braços amorosos de seus pais, juntando-se assim às fileiras dos muitos outros jovens Testemunhas de Jeová que colocaram Deus em primeiro lugar. Assim, ela participará, junto com eles, no cumprimento da promessa de Jesus: “Quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á.” — Mateus 10:39, nota de rodapé.

      Ernestine Gregory

      Aos 17 anos de idade, Ernestine teve confirmado o diagnóstico de que sofria de leucemia. Ao ser hospitalizada, ela não consentiu no uso de derivados de sangue como reforço à planejada quimioterapia. Por causa da recusa de Ernestine e do apoio de sua mãe na escolha de tratamento sem sangue, o hospital levou o assunto às autoridades dos serviços de assistência social em Chicago, Illinois, EUA, os quais, por sua vez, procuraram obter uma ordem judicial para usar sangue. Providenciou-se uma audiência, na qual o tribunal ouviu o depoimento de Ernestine, de um médico, de um psiquiatra e de uma advogada, bem como de outros envolvidos.

      Ernestine disse ao médico que ela não queria sangue. Que essa era sua decisão pessoal baseada na sua leitura da Bíblia. Que uma transfusão involuntária, administrada sob ordem judicial, ainda assim seria um desrespeito à lei de Deus, e que ela considerava isso errado, independentemente da autoridade do tribunal. Que ela não se opunha a tratamento médico e que não queria morrer. Que a sua decisão não era por vontade de morrer, nem suicida; contudo, ela não temia a morte.

      O Dr. Stanley Yachnin atestou que estava “impressionado com a madureza de Ernestine, sua autenticidade”, e a sinceridade de suas crenças religiosas. Ele disse também que Ernestine entendeu a natureza e as conseqüências de sua doença. Devido ao entendimento que ela demonstrava, o Dr. Yachnin não achou necessário convocar um psiquiatra ou um psicólogo.

      Mas, mesmo assim, foi chamado um psiquiatra, o Dr. Ner Littner, que, depois de falar com Ernestine foi da opinião de que ela tinha a madureza de alguém entre 18 e 21 anos de idade. Ele declarou que Ernestine demonstrou entender as implicações de aceitar ou não transfusões de sangue. Ele disse que ela pensava assim, não porque estivesse sob o controle de outros, mas porque cria nisso por si mesma. O Dr. Littner disse que Ernestine devia ter permissão de decidir ela mesma esse assunto.

      Jane McAtee, uma advogada do hospital, atestou que, após tê-la entrevistado, cria que Ernestine entendia a natureza de sua doença e que “parecia plenamente capaz de entender a sua decisão e aceitar as conseqüências dela”.

      Os membros do tribunal também ficaram muito impressionados com o testemunho de Ernestine. Acharam que Ernestine era uma pessoa de 17 anos amadurecida, que a decisão dela foi independente e que ela entendia a sua situação aflitiva. Contudo, embora ela demonstrasse ser uma jovem mulher amadurecida, capaz de fazer por si mesma decisões esclarecidas e inteligentes a respeito de tratamentos médicos coerentes com seus valores e convicções profundas, o tribunal de primeira instância, surpreendentemente, concedeu uma ordem permitindo as transfusões de sangue.

      A apelação contra essa ordem do tribunal foi primeiro levada ao Tribunal de Recursos do Estado de Illinois. Numa decisão de dois contra um, o Tribunal de Recursos sustentou que Ernestine não podia ser forçada a receber transfusões de sangue contra a sua vontade. O tribunal ponderou que o direito de Ernestine ao livre exercício de religião que lhe faculta a Primeira Emenda [da Constituição americana], junto com o seu direito constitucional à privacidade, garantia o seu direito de, como menor amadurecida, recusar transfusões de sangue por razões religiosas.

      Os diretores do bem-estar do menor recorreram então da decisão do Tribunal de Apelação à Suprema Corte de Illinois. Esta confirmou a decisão, determinando que, mesmo sendo menor, Ernestine tinha o direito de recusar tratamento médico que lhe fosse objetável. Esta corte suprema fundou a sua decisão na lei do direito comum da autodeterminação corporal e na lei do menor amadurecido. A norma a ser aplicada em Illinois nos casos de menores amadurecidos foi sumariada pela Suprema Corte desse Estado, na seguinte declaração:

      “Se a evidência for clara e convincente de que a menor é suficientemente madura para avaliar as conseqüências de suas ações, e que a menor é suficientemente madura para o exercício do critério de um adulto, então o princípio do menor amadurecido concede-lhe o direito comum de consentir ou de recusar tratamento médico.”

      Ernestine não fez quimioterapia nem recebeu transfusões, mas ela não morreu de leucemia, como os médicos queriam que o tribunal acreditasse. Ernestine permaneceu firme e colocou Deus em primeiro lugar, como os outros jovens já mencionados. Cada qual recebeu “poder além do normal”. — 2 Coríntios 4:7.

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