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  • A promessa de um Príncipe da Paz
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
    • Uma terra ‘tratada com desprezo’

      13. O que era a “Galileia das nações”, e como veio a ser ‘tratada com desprezo’?

      13 A seguir, Isaías alude a um dos piores eventos cataclísmicos a assolar os descendentes de Abraão: “A obscuridade não será como quando a terra estava em aperto, como no tempo anterior, quando se tratava com desprezo a terra de Zebulão e a terra de Naftali, e quando, posteriormente, se fez que fosse honrada — o caminho junto ao mar, na região do Jordão, Galileia das nações.” (Isaías 9:1) A Galileia era um território no reino setentrional de Israel. Na profecia de Isaías incluía “a terra de Zebulão e a terra de Naftali” e também “o caminho junto ao mar”, uma antiga estrada que margeava o mar da Galileia e ia até o mar Mediterrâneo. Nos dias de Isaías, essa região chamava-se “Galileia das nações”, provavelmente porque muitas de suas cidades eram habitadas por não israelitas.c Em que sentido essa terra era ‘tratada com desprezo’? Os pagãos assírios a conquistaram, levaram os israelitas ao exílio e repovoaram toda a região com pagãos, não descendentes de Abraão. Assim, o reino setentrional de dez tribos desapareceu da História como nação própria! — 2 Reis 17:5, 6, 18, 23, 24.

      14. Em que sentido a “obscuridade” de Judá seria menor do que a do reino das dez tribos?

      14 Judá também estava sendo pressionada pelos assírios. Será que cairia numa “obscuridade” permanente, como o reino das dez tribos, representado por Zebulão e Naftali? Não. “Posteriormente” Jeová abençoaria a região do reino meridional de Judá, e até mesmo a terra governada antes pelo reino setentrional. Como assim?

      15, 16. (a) Em que época ‘posterior’ a situação dos “distritos de Zebulão e Naftali” mudou? (b) De que modo a terra que havia sido tratada com desprezo veio a ser honrada?

      15 O apóstolo Mateus responde a essa pergunta no seu registro inspirado do ministério terrestre de Jesus. Descrevendo os dias iniciais desse ministério, Mateus diz: “Depois de deixar Nazaré, [Jesus] veio morar em Cafarnaum, à beira do mar, nos distritos de Zebulão e Naftali, para que se cumprisse o que fora falado por intermédio de Isaías, o profeta, dizendo: ‘Ó terra de Zebulão e terra de Naftali, ao longo da estrada do mar, além do Jordão, Galileia das nações! O povo sentado na escuridão viu uma grande luz, e quanto aos sentados numa região de sombra mortífera, levantou-se sobre eles uma luz.’” — Mateus 4:13-16.

      16 Sim, o “posteriormente”, predito por Isaías, cumpriu-se no ministério terrestre de Cristo. Jesus passou a maior parte de sua vida terrestre na Galileia. Foi no distrito da Galileia que ele começou seu ministério e passou a anunciar: “O reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 4:17) Na Galileia ele proferiu seu famoso Sermão do Monte, escolheu seus apóstolos, realizou seu primeiro milagre e apareceu a cerca de 500 seguidores, depois de sua ressurreição. (Mateus 5:1–7:27; 28:16-20; Marcos 3:13, 14; João 2:8-11; 1 Coríntios 15:6) Por honrar “a terra de Zebulão e a terra de Naftali”, Jesus cumpriu essa profecia de Isaías. Naturalmente, Jesus não restringiu seu ministério ao povo da Galileia. Por pregar as boas novas em todo o país, Jesus “fez que fosse honrada” a inteira nação de Israel, incluindo Judá.

      A “grande luz”

      17. Como foi que “uma grande luz” brilhou na Galileia?

      17 Mas que dizer da referência de Mateus a “uma grande luz” na Galileia? Isso também foi uma citação da profecia de Isaías, que escreveu: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz. Quanto aos que moram na terra de sombra tenebrosa, resplandeceu sobre eles a própria luz.” (Isaías 9:2) No primeiro século EC, as falsidades pagãs ocultavam a luz da verdade. Os líderes religiosos judaicos haviam agravado o problema por seguirem suas tradições religiosas através das quais haviam ‘invalidado a palavra de Deus’. (Mateus 15:6) Os humildes eram oprimidos e confundidos, seguindo “guias cegos”. (Mateus 23:2-4, 16) Quando veio Jesus, o Messias, os olhos de muitas pessoas humildes foram abertos maravilhosamente. (João 1:9, 12) A obra de Jesus na Terra, e as bênçãos resultantes de seu sacrifício, são bem descritas como “uma grande luz” na profecia de Isaías. — João 8:12.

      18, 19. Que motivos de grande alegria tinham aqueles que aceitaram a luz?

      18 Os que aceitaram a luz tinham muitos motivos para se alegrar. Isaías continua: “Fizeste populosa a nação; fizeste grande a alegria para ela. Alegraram-se diante de ti como que com a alegria no tempo da colheita, como os que jubilam ao dividirem o despojo.” (Isaías 9:3) Em resultado da pregação de Jesus e de seus seguidores, as pessoas sinceras se manifestaram, expressando seu desejo de adorar a Jeová com espírito e verdade. (João 4:24) Em menos de quatro anos, multidões aceitaram o cristianismo. Três mil pessoas foram batizadas no Pentecostes de 33 EC. Pouco depois, “o número dos homens chegou a cerca de cinco mil”. (Atos 2:41; 4:4) À medida que os discípulos refletiam zelosamente a luz, “o número dos discípulos multiplicava-se grandemente em Jerusalém; e uma grande multidão de sacerdotes começou a ser obediente à fé”. — Atos 6:7.

      19 Como aqueles que se alegram com uma colheita farta, ou que se deleitam com a divisão de espólio valioso depois de uma grande vitória militar, os seguidores de Jesus se alegraram com o aumento. (Atos 2:46, 47) Com o tempo, Jeová fez com que a luz brilhasse entre as nações. (Atos 14:27) Assim, pessoas de todas as raças se alegraram de que o caminho de aproximação a Jeová lhes fora aberto. — Atos 13:48.

      “Como no dia de Midiã”

      20. (a) Como os midianitas mostraram ser inimigos de Israel, e como Jeová acabou com a ameaça que representavam? (b) Num futuro “dia de Midiã”, como Jesus acabará com a ameaça representada pelos inimigos do povo de Deus?

      20 Os efeitos da atividade do Messias são permanentes, como mostram as próximas palavras de Isaías: “O jugo do seu fardo e o bastão sobre os seus ombros, a vara daquele que os compele a trabalhar, tu os fragmentaste como no dia de Midiã.” (Isaías 9:4) Séculos antes dos dias de Isaías, os midianitas conspiraram com os moabitas para atrair Israel ao pecado. (Números 25:1-9, 14-18; 31:15, 16) Mais tarde, por sete anos, os midianitas aterrorizaram os israelitas com incursões e saques contra suas aldeias e fazendas. (Juízes 6:1-6) Mas daí Jeová, por meio de seu servo Gideão, desbaratou os exércitos de Midiã. Não há evidência de que depois desse “dia de Midiã” o povo de Jeová tenha de novo sofrido às mãos dos midianitas. (Juízes 6:7-16; 8:28) No futuro próximo, Jesus Cristo, o Gideão maior, aplicará um golpe mortal contra os atuais inimigos do povo de Jeová. (Revelação 17:14; 19:11-21) Daí, “como no dia de Midiã”, será obtida uma vitória completa e duradoura, não por meio da bravura humana, mas pelo poder de Jeová. (Juízes 7:2-22) O povo de Deus nunca mais sofrerá sob o jugo da opressão!

      21. O que a profecia de Isaías diz a respeito do futuro das guerras?

      21 As demonstrações de poder divino não constituem uma glorificação da guerra. O ressuscitado Jesus é o Príncipe da Paz e, por aniquilar seus inimigos, estabelecerá a paz permanente. Isaías fala a seguir de a parafernália militar estar sendo totalmente destruída pelo fogo: “Toda bota daquele que anda pesadamente com tremores e a capa revolvida em sangue vieram a ser mesmo para a queima, para alimentar o fogo.” (Isaías 9:5) Nunca mais serão sentidos os tremores causados pelo pisar de botas de soldados em marcha. Não mais se verão uniformes manchados de sangue de guerreiros endurecidos pelo combate. Não haverá mais guerras! — Salmo 46:9.

      “Maravilhoso Conselheiro”

      22. Que múltiplo nome profético se dá a Jesus no livro de Isaías?

      22 Por ocasião de seu nascimento miraculoso, o nascido para ser o Messias recebeu o nome de Jesus, que significa “Jeová É Salvação”. Mas ele tem outros nomes, nomes proféticos que resumem seu papel-chave e sua posição elevada. Um desses nomes é Emanuel, que significa “Conosco Está Deus”. (Isaías 7:14, nota) A seguir, Isaías descreve outro nome profético: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6) Considere o amplo significado desse múltiplo nome profético.

      23, 24. (a) Em que sentido Jesus é um “Maravilhoso Conselheiro”? (b) Como podem os conselheiros cristãos hoje imitar o exemplo de Jesus?

      23 Conselheiro é aquele que dá conselhos, ou presta assessoria. Quando esteve na Terra, Jesus Cristo deu conselhos maravilhosos. Lemos na Bíblia que ‘as multidões ficavam assombradas com o seu modo de ensinar’. (Mateus 7:28) Ele é um Conselheiro sábio, usa de empatia e tem uma extraordinária compreensão da natureza humana. Seu aconselhamento não se resume a reprimendas ou punições. Na maior parte é em forma de instrução e de conselhos amorosos. Os conselhos de Jesus são maravilhosos porque são sempre sábios, perfeitos e infalíveis. Se forem acatados, conduzirão à vida eterna. — João 6:68.

      24 O aconselhamento de Jesus não é mero produto de sua mente brilhante. Em vez disso, ele disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Como no caso de Salomão, Jeová Deus é a Fonte da sabedoria de Jesus. (1 Reis 3:7-14; Mateus 12:42) O exemplo de Jesus deve motivar os instrutores e os conselheiros na congregação cristã a sempre basearem suas instruções na Palavra de Deus. — Provérbios 21:30.

      “Deus Poderoso” e “Pai Eterno”

      25. O que o nome “Deus Poderoso” nos revela a respeito do celestial Jesus?

      25 Jesus é também “Deus Poderoso” e “Pai Eterno”. Isso não significa que ele usurpa a autoridade e a posição de Jeová, que é “Deus, nosso Pai”. (2 Coríntios 1:2) “[Jesus] não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus.” (Filipenses 2:6) Ele é chamado de Deus Poderoso, não de Deus Todo-Poderoso. Jesus jamais se considerou Deus Todo-Poderoso, pois falou de seu Pai como “único Deus verdadeiro”, isto é, o único Deus que deve ser adorado. (João 17:3; Revelação 4:11) Nas Escrituras, a palavra “deus” pode significar “poderoso” ou “forte”. (Êxodo 12:12; Salmo 8:5; 2 Coríntios 4:4) Antes de vir à Terra, Jesus era “um deus”, ou ‘existia em forma de Deus’. Depois de sua ressurreição, ele voltou a uma posição ainda mais alta no céu. (João 1:1; Filipenses 2:6-11) Além disso, a designação “deus” tem ainda outro sentido. Os juízes em Israel eram chamados de “deuses” — certa vez pelo próprio Jesus. (Salmo 82:6; João 10:35) Jesus é o Juiz designado por Jeová, “destinado a julgar os vivos e os mortos”. (2 Timóteo 4:1; João 5:30) Obviamente, é bem apropriado que ele seja chamado de Deus Poderoso.

      26. Por que se pode chamar Jesus de “Pai Eterno”?

      26 O título “Pai Eterno” refere-se ao poder e à autoridade do Rei messiânico de dar aos humanos a perspectiva de vida eterna na Terra. (João 11:25, 26) O legado de nosso primeiro pai, Adão, foi a morte. Jesus, o último Adão, “tornou-se espírito vivificante”. (1 Coríntios 15:22, 45; Romanos 5:12, 18) Assim como Jesus, o Pai Eterno, viverá para sempre, os humanos obedientes desfrutarão eternamente os benefícios de Sua paternidade. — Romanos 6:9.

      “Príncipe da Paz”

      27, 28. Que benefícios maravilhosos têm hoje e terão no futuro os súditos do “Príncipe da Paz”?

      27 Além de vida eterna, o homem também precisa de paz, com Deus e com o próximo. As pessoas que se sujeitam ao governo do “Príncipe da Paz” já agora ‘forjaram de suas espadas relhas de arado e de suas lanças, podadeiras’. (Isaías 2:2-4) Elas não abrigam rancores causados por divergências políticas, territoriais, raciais ou econômicas. Estão unidas na adoração do único Deus verdadeiro, Jeová, e se empenham por relações pacíficas com seus vizinhos, tanto dentro como fora da congregação. — Gálatas 6:10; Efésios 4:2, 3; 2 Timóteo 2:24.

      28 No tempo devido de Deus, Cristo estabelecerá na Terra uma paz global, estabelecida firmemente, para sempre. (Atos 1:7) “Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido.” (Isaías 9:7a) No exercício de sua autoridade como Príncipe da Paz, Jesus não recorrerá à tirania. Seus súditos não serão privados de seu livre-arbítrio e subjugados à força. Em vez disso, tudo o que ele conseguir será “por meio do juízo e por meio da justiça”. Que mudança reanimadora!

      29. O que devemos fazer se queremos a bênção da paz duradoura?

      29 Em vista das maravilhosas implicações do nome profético de Jesus, Isaías conclui essa parte de sua profecia de modo realmente emocionante. Ele escreve: “O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” (Isaías 9:7b) Sim, Jeová age com zelo. Ele nada faz de maneira irresoluta. Podemos ter certeza de que fará plenamente tudo o que prometeu. Portanto, quem almeja a paz duradoura, sirva a Jeová de todo o coração. Como Jeová Deus e Jesus, o Príncipe da Paz, que todos os servos de Deus sejam ‘zelosos de obras excelentes’! — Tito 2:14.

  • A promessa de um Príncipe da Paz
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
    • c Alguns opinam que as 20 cidades da Galileia que o Rei Salomão ofereceu a Hirão, rei de Tiro, provavelmente eram habitadas por não israelitas. — 1 Reis 9:10-13.

  • A promessa de um Príncipe da Paz
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
    • [Foto na página 127]

      Jesus era uma luz no país

  • Ai dos rebeldes
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
    • Capítulo Onze

      Ai dos rebeldes!

      Isaías 9:8–10:4

      1. Que erro terrível cometeu Jeroboão?

      QUANDO o povo pactuado de Jeová foi dividido em dois reinos, o reino setentrional de dez tribos veio a ser governado por Jeroboão. O novo rei era um governante capaz e dinâmico. Mas faltava-lhe verdadeira fé em Jeová. Isso o levou a cometer um erro terrível, que maculou toda a história do reino setentrional. Sob a Lei mosaica, os israelitas tinham de viajar três vezes por ano ao templo em Jerusalém, que ficava então no reino meridional de Judá. (Deuteronômio 16:16) Temendo que tais viagens periódicas levassem seus súditos a pensar numa reunificação com seus irmãos do sul, Jeroboão “fez dois bezerros de ouro, e disse ao povo: ‘É demais para vós subir a Jerusalém. Eis o teu Deus, ó Israel, que te fez subir da terra do Egito.’ Então colocou um em Betel e o outro em Dã”. — 1 Reis 12:28, 29.

      2, 3. Que efeitos teve sobre Israel o erro de Jeroboão?

      2 A curto prazo, o plano de Jeroboão parecia funcionar. Aos poucos, o povo deixou de ir a Jerusalém e passou a adorar os dois bezerros. (1 Reis 12:30) No entanto, essa prática religiosa apóstata corrompeu o reino de dez tribos. Em anos posteriores, até mesmo Jeú, que havia demonstrado um zelo tão elogiável em eliminar de Israel a adoração de Baal, curvava-se diante dos bezerros de ouro. (2 Reis 10:28, 29) O que mais resultou da decisão tão tragicamente errada de Jeroboão? Instabilidade política e sofrimento do povo.

      3 Visto que Jeroboão se tornara apóstata, Jeová disse que a descendência dele não reinaria sobre o país, e que o reino setentrional acabaria sofrendo um desastre terrível. (1 Reis 14:14, 15) A palavra de Jeová se cumpriu. Sete dos reis de Israel reinaram por dois anos, ou menos — alguns por apenas dias. Um rei se suicidou, e seis foram assassinados por homens ambiciosos que usurparam o trono. Especialmente depois do reinado de Jeroboão II, que findou por volta de 804 AEC (enquanto Uzias reinava em Judá), Israel foi afligido por insurreições, violência e assassinatos. Era essa a situação quando Jeová, por meio de Isaías, mandou um aviso direto, ou “palavra”, ao reino setentrional. “Havia uma palavra enviada por Jeová contra Jacó, e ela caiu sobre Israel.” — Isaías 9:8.a

      A altivez e a insolência provocaram a ira de Deus

      4. Que “palavra” Jeová proferiu contra Israel, e por quê?

      4 A “palavra” de Jeová não seria desconsiderada. “O povo certamente a saberá, sim, todos eles, Efraim e os habitantes de Samaria, por causa da sua altivez e por causa da insolência de seu coração.” (Isaías 9:9) “Jacó”, “Israel”, “Efraim” e “Samaria” referem-se todos ao reino setentrional de Israel, do qual Efraim era a tribo predominante e Samaria a capital. A palavra de Jeová contra esse reino era uma forte declaração judicial, pois Efraim se tornara implacável na apostasia e descaradamente insolente para com Jeová. Deus não protegeria o povo das consequências de seu comportamento perverso. Seriam obrigados a ouvir, ou atentar, à palavra de Deus. — Gálatas 6:7.

      5. Que insensibilidade mostravam os israelitas para com as ações punitivas de Jeová?

      5 Com a piora das condições, o povo sofria graves perdas, incluindo casas — em geral de adobe e de madeira barata. Abrandou isso o coração deles? Escutaram os profetas de Jeová e retornaram ao Deus verdadeiro?b Isaías registra a reação insolente do povo: “Tijolos é que caíram, mas é com pedra lavrada que construiremos. Sicômoros é que foram cortados, mas é com cedros que faremos a substituição.” (Isaías 9:10) Os israelitas desafiavam a Jeová e repeliam Seus profetas, que lhes diziam por que sofriam tais aflições. Na verdade, o povo dizia: ‘Talvez percamos casas de adobe perecível e de madeira barata, mas nós mais do que compensaremos essas perdas reconstruindo-as com materiais melhores — pedra lavrada e cedro!’ (Note Jó 4:19.) Deixaram Jeová sem alternativa senão discipliná-los ainda mais. — Note Isaías 48:22.

      6. Como Jeová minaria a trama siro-israelita contra Judá?

      6 Isaías continua: “Jeová porá alto os adversários de Rezim contra ele.” (Isaías 9:11a) Os reis Peca, de Israel, e Rezim, da Síria, eram aliados. Eles tramavam conquistar o reino de Judá, de duas tribos, e colocar no trono de Jeová em Jerusalém um rei fantoche — um certo “filho de Tabeel”. (Isaías 7:6) Mas a conspiração fracassaria. Rezim tinha inimigos poderosos, e Jeová ‘poria alto’ esses inimigos contra “ele”, Israel. A expressão “porá alto” significa que se lhes permitiria travar guerra que resultasse na destruição da aliança e de seus objetivos.

      7, 8. Para Israel, o que resultou da conquista da Síria pela Assíria?

      7 A dissolução dessa aliança começou quando a Assíria atacou a Síria. “O rei da Assíria subiu a Damasco [capital da Síria] e a capturou, e levou seu povo ao exílio em Quir e a Rezim entregou à morte.” (2 Reis 16:9) Tendo perdido seu poderoso aliado, Peca viu que seus planos com relação a Judá foram frustrados. De fato, pouco depois da morte de Rezim, o próprio Peca foi assassinado por Oseias, que depois usurpou o trono de Samaria. — 2 Reis 15:23-25, 30.

      8 A Síria, ex-aliada de Israel, passou a ser vassalo da Assíria, a potência dominante na região. Isaías profetizou como Jeová usaria esse novo alinhamento político: “Incitará os inimigos dele [de Israel], a Síria desde o oriente e os filisteus desde a retaguarda, e eles consumirão Israel de boca aberta. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:11b, 12) Sim, a Síria passou a ser inimiga de Israel, que agora tinha de se preparar para um ataque da Assíria e da Síria. A invasão deu certo. A Assíria fez do usurpador Oseias seu servo, exigindo um pesado tributo. (Algumas décadas antes, a Assíria recebera uma grande soma do Rei Menaém, de Israel.) Quão certas as palavras do profeta Oseias: “Estranhos consumiram-lhe o poder [de Efraim]”! — Oseias 7:9; 2 Reis 15:19, 20; 17:1-3.

      9. Por que se pode dizer que os filisteus atacaram pela “retaguarda”?

      9 Isaías não disse também que os filisteus invadiriam pela “retaguarda”? Sim. Antes da invenção das bússolas magnéticas, os hebreus indicavam a direção segundo a perspectiva de uma pessoa de frente para o nascente. Assim, o “oriente” era a frente, e o ocidente, a pátria costeira dos filisteus, era a “retaguarda”. O “Israel”, mencionado em Isaías 9:12, talvez incluísse Judá nesse caso, pois os filisteus invadiram Judá no reinado do contemporâneo de Peca, Acaz, capturando e ocupando várias cidades e fortalezas judaicas. Como Efraim, no norte, Judá merecia essa punição de Jeová, pois também estava impregnado de apostasia. — 2 Crônicas 28:1-4, 18, 19.

      Da ‘cabeça à cauda’— uma nação de rebeldes

      10, 11. Como Jeová puniria Israel por sua persistente rebelião?

      10 Apesar de todo seu sofrimento — e dos fortes pronunciamentos dos profetas de Jeová — o reino setentrional persistia na rebelião contra Jeová. “Os do próprio povo não retornaram Àquele que os golpeava, e não buscaram a Jeová dos exércitos.” (Isaías 9:13) Consequentemente, diz o profeta: “Jeová decepará de Israel cabeça e cauda, broto e junco, num só dia. O idoso e altamente respeitado é a cabeça, e o profeta que dá instrução falsa é a cauda. E os que encaminham este povo mostram ser os que o fazem vaguear; e os que estão sendo encaminhados são os que estão sendo confundidos.” — Isaías 9:14-16.

      11 A “cabeça” e o “broto” simbolizavam ‘os idosos e altamente respeitados’ — os líderes daquela nação. A “cauda” e o “junco” referiam-se aos falsos profetas que diziam coisas que os líderes gostavam de ouvir. Certo erudito bíblico escreveu: “Os falsos profetas são chamados de cauda, pois moralmente eram os mais degradados e porque seguiam servilmente e apoiavam governantes perversos.” O professor Edward J. Young diz a respeito desses falsos profetas: “Eles não eram líderes, mas, seguindo os líderes, simplesmente lisonjeavam e bajulavam, como a cauda balançante de um cão.” — Note 2 Timóteo 4:3.

      Até ‘viúvas e órfãos’ eram rebeldes

      12. Quão arraigada estava a corrupção na sociedade israelita?

      12 Jeová é o Defensor das viúvas e dos órfãos. (Êxodo 22:22, 23) No entanto, ouça o que Isaías diz a seguir: “Jeová não se alegrará nem mesmo com os jovens deles, e não terá misericórdia com os seus meninos órfãos de pai e com as suas viúvas; porque todos eles são apóstatas e malfeitores, e cada boca fala insensatez. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:17) A apostasia havia corrompido todas as camadas da sociedade, incluindo as viúvas e os órfãos! Jeová enviava pacientemente seus profetas, na esperança de que o povo mudasse de comportamento. Por exemplo, “volta deveras a Jeová, teu Deus, ó Israel, pois tropeçaste no teu erro”, instava Oseias. (Oseias 14:1) Como deve ter sido doloroso para o Defensor das viúvas e dos órfãos ter de punir até mesmo esses!

      13. O que podemos aprender da situação existente nos dias de Isaías?

      13 Como Isaías, vivemos em tempos críticos que antecedem o dia de execução da sentença de Jeová contra os perversos. (2 Timóteo 3:1-5) Portanto, como é vital que os cristãos verdadeiros, independentemente de sua situação na vida, permaneçam espiritual, moral e mentalmente puros a fim de reter o favor de Deus! Que cada um de nós preserve zelosamente a sua relação com Jeová! Que ninguém que tenha saído de “Babilônia, a Grande”, jamais volte a “compartilhar com ela nos seus pecados”! — Revelação (Apocalipse) 18:2, 4.

      A adoração falsa gera violência

      14, 15. (a) O que resulta da adoração demoníaca? (b) Isaías profetizou que Israel experimentaria que crescente sofrimento?

      14 Adoração falsa é, na verdade, adoração de demônios. (1 Coríntios 10:20) Como se viu antes do Dilúvio, a influência demoníaca leva à violência. (Gênesis 6:11, 12) Assim, não é de admirar que quando Israel tornou-se apóstata e passou a adorar demônios, a violência e a perversidade tenham enchido o país. — Deuteronômio 32:17; Salmo 106:35-38.

      15 Com expressiva linguagem figurada, Isaías descreve a disseminação da perversidade e da violência em Israel: “A iniquidade ficou em chamas como um fogo; consumirá espinheiros e ervas daninhas. E pegará fogo nas moitas da floresta e elas serão levadas para cima como bulcão de fumaça. Na fúria de Jeová dos exércitos incendiou-se a terra, e o povo tornar-se-á como pasto para o fogo. Ninguém terá compaixão nem mesmo de seu irmão. E um cortará à direita e certamente passará fome; e outro comerá à esquerda, e eles certamente não se fartarão. Comerão cada um a carne de seu próprio braço, Manassés a Efraim, e Efraim a Manassés. Juntos serão contra Judá. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” — Isaías 9:18-21.

      16. Como se cumpriram as palavras de Isaías 9:18-21?

      16 Como uma chama que passa de um espinheiro para outro, a violência fugia ao controle e rapidamente alcançava as “moitas da floresta”, causando um pleno incêndio florestal de violência. Os comentaristas bíblicos Keil e Delitzsch descrevem esse nível de violência como “a mais desumana autodestruição durante uma anárquica guerra civil. Destituídos de quaisquer sentimentos de afeto, eles devoravam uns aos outros sem se saciarem”. Provavelmente, as tribos de Efraim e de Manassés são destacadas aqui porque eram as representantes principais do reino setentrional e, como descendentes dos dois filhos de José, eram as que tinham um parentesco mais forte entre si. Apesar disso, porém, elas interrompiam a sua violência fratricida apenas quando guerreavam contra Judá, no sul. — 2 Crônicas 28:1-8.

  • Ai dos rebeldes
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
    • a Isaías 9:8–10:4 compõe-se de quatro estrofes (trechos de um texto rítmico), cada qual terminando com o ominoso refrão: “Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:12, 17, 21; 10:4) Esse expediente literário interliga Isaías 9:8–10:4, formando uma só “palavra” composta. (Isaías 9:8) Observe também que a mão de Jeová ‘ainda estava estendida’, não para oferecer reconciliação, mas para julgar. — Isaías 9:13.

      b Entre os profetas de Jeová no reino setentrional de Israel havia Jeú (não o rei), Elias, Micaías, Eliseu, Jonas, Odede, Oseias, Amós e Miqueias.

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