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Os espiritualmente Ébrios — quem são eles?A Sentinela — 1991 | 1.° de junho
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Os espiritualmente Ébrios — quem são eles?
“Ai da coroa altaneira dos ébrios de Efraim.” — Isaías 28:1.
1. Que otimismo sentem muitos, mas, será que as suas esperanças se concretizarão?
VIVEMOS em tempos momentosos. Muitas pessoas se emocionam com as dramáticas mudanças políticas ocorridas em todo o mundo, e em ver um maior envolvimento por parte das Nações Unidas. Em dezembro de 1989, o jornal Detroit Free Press publicou: “Com a entrada do planeta nos anos 90, surge a paz.” Uma revista soviética anunciou: “Estamos nos preparando para transformar espadas em relhas de arado”, enquanto que o secretário geral das Nações Unidas declarou: “Não estamos mais na guerra fria.” Sim, as expectativas são elevadas, e, sem dúvida, o cenário mundial está mudando. Mais recentemente, a guerra no Golfo ilustrou quão rapidamente as mudanças podem ocorrer. Mas, será que o mundo atual algum dia estabelecerá uma era de verdadeira paz e segurança, com todos os seus acompanhantes benefícios? A resposta é não. Na verdade, está-se formando uma séria crise que abalará o mundo até os alicerces! É uma crise na qual a religião está profundamente envolvida.
2. Que paralelo tem a situação atual com os antigos Israel e Judá?
2 Esta crise foi prefigurada por eventos ocorridos nos antigos Israel e Judá durante o oitavo e o sétimo séculos AEC. Naquela época, as pessoas também pensavam que tinham alcançado a paz. Mas Deus, por meio de seu profeta Isaías, avisou que aquela esperança de paz era uma ilusão que logo seria exposta. Similarmente hoje, Jeová, por meio de suas Testemunhas, está avisando a humanidade que ela está enganada caso espere alcançar duradoura paz através de empenhos humanos. Leiamos o aviso profético de Jeová e vejamos como se aplica hoje. Encontra-se no capítulo 28 de Isaías e foi escrito antes de 740 AEC, provavelmente durante os reinados do iníquo Rei Peca, de Israel, e do obstinado Rei Acaz, de Judá.
Os “Ébrios de Efraim”
3. Que surpreendente denúncia fez Isaías?
3 No Isa. versículo 1 do capítulo 28, somos surpreendidos por uma declaração assustadora: “Ai da coroa altaneira dos ébrios de Efraim e da flor desvanecente do seu ornato de beleza que está na cabeceira do vale fértil dos que foram vencidos pelo vinho!” Quão chocados devem ter ficado os israelitas ao ouvirem esta contundente denúncia! Quem eram esses “ébrios de Efraim”? O que era a sua “coroa altaneira”? E o que é a “cabeceira do vale fértil”? Mais importante, o que significam essas palavras para nós hoje?
4. (a) O que eram Efraim e a cabeceira do vale fértil? (b) Por que Israel sentia-se seguro?
4 Visto que Efraim era a maior das dez tribos de Israel, o termo “Efraim” às vezes se refere ao inteiro reino setentrional. Portanto, os “ébrios de Efraim” eram na realidade os ébrios de Israel. A capital de Israel era Samaria, que se situava numa elevação privilegiada na cabeceira de um vale fértil. Portanto, a expressão “cabeceira do vale fértil” refere-se a Samaria. Quando tais palavras foram escritas, o reino de Israel era muito corrupto, em sentido religioso. Ademais, Israel fizera uma aliança política com a Síria, contra Judá e, assim, sentia-se seguro. (Isaías 7:1-9) Isto estava prestes a mudar. Avizinhava-se uma crise, razão pela qual Jeová declarou “ai da coroa altaneira dos ébrios de Efraim”.
5. (a) O que era a coroa altaneira de Israel? (b) Quem eram os ébrios de Efraim?
5 O que era a “coroa altaneira”? Uma coroa é símbolo de autoridade real. Evidentemente, a “coroa altaneira” era a posição de Israel qual reino separado, independente de Judá. Estava para acontecer algo que destroçaria a independência real de Israel. Quem, então, eram os “ébrios de Efraim”? Indubitavelmente, havia ébrios literais em Israel, visto que Samaria era um centro de adoração pagã licenciosa. Não obstante, a Bíblia fala de uma espécie pior de embriaguez. Em Isaías 29:9, lemos: “Ficaram embriagados, mas não de vinho; cambalearam, mas não por causa de bebida inebriante.” Era uma embriaguez espiritual, um inebriamento impuro e mortífero. Os líderes de Israel — especialmente os líderes religiosos — obviamente sofriam desse inebriamento espiritual.
6. O que fez com que o antigo Israel se embriagasse?
6 Qual era a causa da embriaguez espiritual do antigo Israel? Basicamente, era a sua aliança com a Síria contra Judá, que deu aos líderes daquela nação uma agradável sensação de segurança. Esta embriaguez espiritual colocou Israel fora da realidade. Como um bêbedo literal, ela sentia-se otimista, embora sem motivos. Ademais, Israel ostentava orgulhosamente a sua aliança inebriante com a Síria como se fosse uma “grinalda de beleza”. Mas, como diz Isaías, era uma grinalda desvanecente, que não duraria muito tempo.
7, 8. Apesar de sentir-se bem, pelo que passaria o antigo Israel?
7 Isaías frisa isto no Isa. capítulo 28, versículo 2: “Eis que Jeová tem alguém forte e vigoroso. Qual temporal trovejante de saraiva, uma tempestade destrutiva, qual temporal trovejante de fortes águas inundantes, ele certamente lançará por terra com força.” Quem era este “alguém forte e vigoroso”? Nos dias do antigo Israel, era o poderoso Império Assírio. Esta cruel e implacável potência mundial se abateria sobre Israel qual temporal trovejante de fortes águas inundantes. Com que resultado?
8 Isaías prossegue: “Com os pés serão pisadas as coroas altaneiras dos ébrios de Efraim. E a flor desvanecente do seu ornato de beleza, que está na cabeceira do vale fértil, terá de tornar-se como o figo temporão antes do verão, o qual, vendo-o aquele que o vê, ele engole enquanto ainda está na palma da sua mão.” (Isaías 28:3, 4) A capital de Israel, Samaria, era como um figo maduro para a Assíria, pronto para ser colhido e engolido. A aliança de Israel com a Síria, comparável a uma grinalda, seria pisoteada. Não teria valor algum quando chegasse o dia de ajuste de contas. Pior ainda, a glória de sua independência, comparada a uma coroa, seria esmagada sob os pés do inimigo assírio. Que catástrofe!
‘Sacerdote e Profeta Perderam-se’
9. Por que Judá talvez esperasse receber de Jeová uma mensagem melhor do que aquela que recebera o antigo Israel?
9 Sim, um terrível ajuste de contas aguardava Israel, e, como Jeová Deus avisara, esse ajuste de contas veio no ano 740 AEC, quando Samaria foi destruída pela Assíria e o reino setentrional deixou de existir como nação independente. O que aconteceu com o antigo Israel é um sombrio aviso para a infiel religião falsa hoje, como veremos. Mas, que dizer do reino-irmão de Israel no sul, Judá? Nos dias de Isaías, o templo de Jeová ainda funcionava em Jerusalém, a capital de Judá. O sacerdócio ainda operava ali, e profetas tais como Isaías, Oséias e Miquéias falavam em nome de Jeová. Que mensagem, então, tinha Jeová para Judá?
10, 11. Que repugnante situação existia em Judá?
10 Isaías prossegue dizendo-nos: “Também estes [isto é, os sacerdotes e os profetas de Jerusalém] — por causa do vinho, perderam-se, e por causa da bebida inebriante, andaram vagueando. Sacerdote e profeta — perderam-se por causa da bebida inebriante.” (Isaías 28:7a) Evidentemente, os líderes religiosos de Judá também estavam embriagados. Como em Israel, alguns provavelmente eram ébrios em sentido literal, o que, se assim foi, era uma vergonha. A Lei de Deus proibia especificamente o uso de bebida forte para sacerdotes quando servissem no templo. (Levítico 10:8-11) A embriaguez literal na casa de Deus seria uma chocante violação da Lei de Deus.
11 O que era mais sério, porém, havia embriaguez espiritual em Judá. Assim como Israel se aliara à Síria contra Judá, Judá buscou segurança por meio de uma aliança com a Assíria. (2 Reis 16:5-9) Apesar da presença do templo de Deus e de Seus profetas, Judá depositou fé em humanos, quando deveria ter confiado em Jeová. Ademais, tendo formado tal irrefletida aliança, seus líderes sentiam-se tão despreocupados quanto seus vizinhos espiritualmente embriagados do norte. A atitude irresponsável deles desagradou a Jeová.
12. O que resultaria da embriaguez espiritual de Judá?
12 Isaías prossegue: “Ficaram confusos em resultado do vinho, andaram vagueando em resultado da bebida inebriante; perderam-se na sua visão, vacilaram quanto à decisão, porque as próprias mesas ficaram todas cheias de vômito asqueroso — não há lugar sem ele.” (Isaías 28:7b, 8) E provável que, em seu estado de embriaguez, alguns literalmente vomitassem no templo. Mas, pior ainda, os sacerdotes e os profetas que deviam dar orientação religiosa vomitavam imundície espiritual. Ademais, com exceção de uns poucos fiéis, os julgamentos dos profetas eram pervertidos, e previam coisas falsas para a nação. Jeová puniria Judá por esta impureza espiritual.
Ébrios Espirituais da Atualidade
13. Que paralelo com a situação em Israel e em Judá existia no primeiro século da EC , e que paralelo existe hoje?
13 Será que as profecias de Isaías se cumpriram apenas nos antigos Israel e Judá? De modo algum. Tanto Jesus como o apóstolo Paulo citaram suas palavras a respeito de embriaguez espiritual e aplicaram-nas aos líderes religiosos de seus dias. (Isaías 29:10, 13; Mateus 15:8, 9; Romanos 11:8) Também hoje, tem-se desenvolvido uma situação semelhante a dos dias de Isaías — desta vez na cristandade, uma organização religiosa mundial que afirma representar a Deus. Em vez de adotar uma posição firme em favor da verdade e confiar em Jeová, a cristandade, tanto católica como protestante, deposita a sua fé no mundo. Assim, ela cambaleia vacilante, como os ébrios de Israel e de Judá. Os ébrios espirituais daquelas antigas nações prefiguraram muito bem os líderes espirituais da cristandade hoje. Vejamos exatamente de que maneira.
14. De que modo estão os líderes religiosos da cristandade tão embriagados quanto estavam os líderes das antigas Samaria e Jerusalém?
14 Como Samaria e Jerusalém, a cristandade tem bebido fartamente do vinho das alianças políticas. Em 1919, ela estava entre os principais patrocinadores da Liga das Nações. Ao passo que Jesus disse que os cristãos não fariam parte do mundo, os líderes da cristandade cultivam relações com líderes políticos. (João 17:14-16) O simbólico vinho dessa atividade é estimulante para o clero. (Compare isso com Revelação [Apocalipse] 17:4.) Os membros do clero gostam de ser consultados pelos políticos e de associar-se com os grandes deste mundo. Em resultado, eles não têm genuína orientação espiritual a oferecer. Vomitam impurezas, em vez de falar a pura mensagem da verdade. (Sofonias 3:9) Com visão turva e confusa, não são guias seguros para a humanidade. — Mateus 15:14.
“Ordem Sobre Ordem”
15, 16. Como reagiram aos seus avisos os contemporâneos de Isaías?
15 No oitavo século AEC, Isaías expôs o proceder errado dos líderes espirituais de Judá, em especial. Como reagiram eles? Com ódio! Tendo Isaías persistido em soar os avisos de Deus, os líderes religiosos replicaram: “A quem se instruirá em conhecimento e a quem se fará compreender o que se ouviu? Os que foram desmamados do leite, os que foram afastados dos peitos?” (Isaías 28:9) Sim, será que Isaías pensava que estava falando a bebezinhos? Os líderes religiosos de Jerusalém consideravam-se homens formados, plenamente capazes de tomar as suas próprias decisões. Não eram obrigados a ouvir os incômodos avisos de Isaías.
16 Aqueles religiosos até mesmo ridicularizavam a obra de pregação de Isaías. Salmodiavam-lhe: “Pois é ‘ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, cordel de medir sobre cordel de medir, cordel de medir sobre cordel de medir, um pouco aqui, um pouco ali.’” (Isaías 28:10) ‘Isaías repete sempre as mesmas coisas’, diziam. ‘Ele persiste em dizer: “Isto é o que Jeová ordenou! Isto é o que Jeová ordenou! Esta é a norma de Jeová! Esta é a norma de Jeová!”’ No hebraico original, Isaías 28:10 é um verso repetitivo, um tanto parecido com um versinho para crianças. E era assim que os líderes religiosos consideravam o profeta, repetitivo e infantil.
17. Como reagem muitos hoje à mensagem alertadora proclamada pelas Testemunhas de Jeová?
17 No primeiro século EC, a pregação de Jesus e de seus discípulos também soava repetitiva e simplória. Os líderes religiosos judaicos encaravam os seguidores de Jesus como pessoas amaldiçoadas, simplórios caipiras, homens iletrados e comuns. (João 7:47-49; Atos 4:13) As Testemunhas de Jeová hoje não raro são encaradas da mesma maneira. Elas não cursaram os seminários da cristandade, e não usam títulos altissonantes nem terminologia teológica como o clero. Assim, os homens de destaque na cristandade desprezam-nas, achando que elas deviam conhecer o seu lugar e mostrar a tais líderes religiosos maior respeito.
18. O que despercebem os líderes religiosos da atualidade?
18 Contudo, há algo que esses líderes religiosos despercebem. Muito embora os homens de destaque nos dias de Isaías rejeitassem a sua mensagem, Isaías falava a verdade, e seus avisos se cumpriram! Similarmente, os avisos que as Testemunhas de Jeová dão hoje são verdadeiros, solidamente baseados na autêntica Palavra de Deus, a Bíblia. (João 17:17) Portanto, hão de se cumprir.
O Ajuste de Contas
19. Como foi Judá obrigado a escutar estrangeiros que falavam uma língua balbuciante ?
19 Em Isaías 28:11, lemos: “Porque por meio dos que gaguejam com os seus lábios e por uma língua diferente ele falará a este povo.” Para Judá, o ensino de Isaías soava como se ele estivesse balbuciando numa língua estrangeira. Embora Judá sobrevivesse à ameaça assíria que derrotara Israel, com o tempo Jeová agiu para com Judá por meio de outro estrangeiro, Nabucodonosor. (Jeremias 5:15-17) A língua babilônica soava dura e balbuciante para aqueles hebreus. Mas, foram obrigados a ouvi-la quando Jerusalém e seu templo foram destruídos, em 607 AEC, e seus habitantes foram arrastados para o exílio na Babilônia. Também hoje, a cristandade em breve terá de sofrer porque, como o antigo Judá, ela desconsidera as exortações de Jeová.
20, 21. O que proclamam incessantemente as Testemunhas de Jeová, mas o que se recusam a fazer os líderes da cristandade?
20 A profecia diz a respeito destes: “Aqueles a quem ele disse: ‘Este é o lugar de descanso. Dai descanso ao cansado. E este é o lugar de folga’, mas que não quiseram ouvir. E para eles a palavra de Jeová certamente se tornará ‘ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, cordel de medir sobre cordel de medir, cordel de medir sobre cordel de medir, um pouco aqui, um pouco ali, a fim de que vão e certamente tropecem caindo para trás, e realmente sejam quebrados, e enlaçados, e apanhados.” — Isaías 28:12, 13.
21 Incessantemente, assim como Isaías transmitiu a mensagem de Deus, as Testemunhas de Jeová dizem à cristandade que ela deve depositar a sua esperança na palavra de Jeová. Mas, ela se recusa a escutar. Para ela, as Testemunhas parecem estar balbuciando numa língua estrangeira. Falam uma língua que ela não entende. A cristandade recusa-se a dar descanso aos cansados, não lhes falando sobre a vinda do Reino de Deus e do novo mundo. Em vez disso, ela está embriagada com o vinho de sua relação com este mundo. Prefere apoiar soluções políticas para os problemas da humanidade. Como os judeus dos dias de Jesus, ela mesma não procurou o Reino como ponto de apoio, e não falará a outros sobre ele. — Mateus 23:13.
22. Do que deixa Jeová ciente os líderes da cristandade?
22 Assim, as palavras proféticas de Isaías deixam o clero ciente de que Jeová nem sempre falará por meio de Suas inofensivas Testemunhas. Em breve, Jeová executará sua “ordem sobre ordem, cordel de medir sobre cordel de medir”, e o resultado será catastrófico para a cristandade. Seus líderes religiosos e seus rebanhos serão “quebrados, e enlaçados, e apanhados”. Sim, como a Jerusalém da antiguidade, os sistemas religiosos da cristandade serão totalmente destruídos. Que acontecimento chocante e inesperado será este! E que terrível resultado de o clero ter preferido a embriaguez espiritual em vez de os avisos de Jeová!
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O refúgio deles — uma mentira!A Sentinela — 1991 | 1.° de junho
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O refúgio deles — uma mentira!
“Fizemos da mentira o nosso refúgio e nos escondemos na falsidade.” — Isaías 28:15.
1, 2. (a) Que organização hoje devia atentar ao que aconteceu com o antigo reino de Judá? (b) Que confiança mal depositada tinha Judá?
SERÁ que estas palavras se aplicam à cristandade dos nossos dias, assim como se aplicavam ao antigo reino de Judá, de duas tribos? Certamente que sim! E tal paralelo é um mau agouro para a hodierna cristandade. Significa que essa apóstata organização religiosa será em breve assolada pela catástrofe.
2 Ao norte de Judá situava-se o reino de Israel, de dez tribos. Quando Israel mostrou não ter fé, Jeová permitiu que o reino fosse conquistado pela Assíria, em 740 AEC. Seu reino-irmão, Judá, testemunhou este trágico evento, mas achava claramente que tal coisa jamais lhe aconteceria. ‘Ora’, jactavam-se seus líderes, ‘não está o templo de Jeová em Jerusalém? Não somos nós o povo favorecido de Deus? Não falam os nossos sacerdotes e os nossos profetas em nome de Jeová?’ (Compare isso com Jeremias 7:4, 8-11.) Tais líderes religiosos achavam estar seguros. Mas estavam enganados! Eles eram tão sem fé como seu reino-irmão no norte. Assim, o que aconteceu com Samaria aconteceria também com Jerusalém.
3. Por que a cristandade se sente confiante quanto ao futuro, mas, existe alguma boa razão para essa confiança?
3 Similarmente, a cristandade afirma ter uma relação especial com Deus. ‘Ora’, jacta-se ela, ‘temos dezenas de milhares de igrejas e um clero profissional, bem como centenas de milhões de adeptos. Além disso, temos a Bíblia, e usamos o nome de Jesus na nossa adoração. Certamente, somos favorecidos por Deus!’ Mas o que aconteceu com a antiga Jerusalém é um sombrio aviso. Apesar de recentes extraordinários acontecimentos políticos, sabemos que Jeová em breve agirá decisivamente contra a cristandade e contra todas as outras religiões falsas.
“Um Pacto com a Morte”
4. Que pacto o reino de Judá achava ter feito?
4 Na antiguidade, a infiel Jerusalém recebeu muitos avisos por meio dos profetas verdadeiros de Deus, mas ela não acreditou neles. Antes, jactava-se de que a morte jamais a levaria ao Seol, a sepultura, assim como levara o reino setentrional de Israel. Isaías, o profeta, foi inspirado a dizer a Judá: “Portanto, ouvi a palavra de Jeová, ó fanfarrões, ó governantes deste povo que estais em Jerusalém: Visto que dissestes: ‘Concluímos um pacto com a Morte; e realizamos uma visão com o Seol; a enxurrada transbordante, caso ela passe, não chegará a nós, pois fizemos da mentira o nosso refúgio e nos escondemos na falsidade.’” — Isaías 28:14, 15.
5. (a) Qual era o suposto pacto de Judá com a morte? (b) Que aviso, dado ao Rei Asa, Judá havia esquecido?
5 Sim, os líderes de Jerusalém achavam ter um acordo, por assim dizer, com a morte e com o Seol, de modo que a sua cidade seria preservada. Mas, será que o suposto pacto de Jerusalém com a morte indicava que ela se arrependera de seus pecados e que agora confiava em Jeová para a salvação? (Jeremias 8:6, 7) De modo algum! Em vez disso, ela pediu ajuda a governantes políticos humanos. Mas, a sua confiança em aliados mundanos era uma ilusão, uma mentira. Os mundanos em quem ela confiava não a podiam salvar. E, visto que Jerusalém abandonara a Jeová, Jeová igualmente a abandonara. Aconteceu exatamente como o profeta Azarias advertira o Rei Asa: “Jeová está convosco enquanto mostrardes estar com ele; e se o buscardes, deixar-se-á achar por vós, mas se o abandonardes, ele vos abandonará.” — 2 Crônicas 15:2.
6, 7. Que passos deu Judá para garantir a sua segurança, mas com que resultado final?
6 Confiando em suas alianças políticas, os líderes de Jerusalém estavam certos de que nenhuma “enxurrada transbordante” de exércitos invasores se aproximaria deles para perturbar a sua paz e segurança. Ao se sentir ameaçado por uma aliança de Israel com a Síria, Judá recorreu à Assíria em busca de ajuda. (2 Reis 16:5-9) Mais tarde, quando ameaçado pelas forças militares de Babilônia, Judá apelou ao Egito em busca de apoio, e Faraó atendeu ao pedido enviando um exército para ajudar. — Jeremias 37:5-8; Ezequiel 17:11-15.
7 Mas, os exércitos de Babilônia eram poderosos demais, e as tropas do Egito tiveram de retirar-se. A confiança de Jerusalém no Egito mostrou ser um erro, e, em 607 AEC, Jeová abandonou-a à destruição que ele predissera. Portanto, os governantes e os sacerdotes de Jerusalém estavam errados! A confiança deles em alianças mundanas em prol de paz e segurança era uma “mentira” que foi varrida pela enxurrada dos exércitos de Babilônia.
A Rejeição da “Pedra Provada”
8. De que modo a cristandade assumiu uma posição muito semelhante à do antigo Judá?
8 Existe hoje uma situação paralela? Sim, existe. O clero da cristandade também acha que nenhuma calamidade lhe sobrevirá. De fato, eles dizem como Isaías predisse: “Concluímos um pacto com a Morte; e realizamos uma visão com o Seol; a enxurrada transbordante, caso ela passe, não chegará a nós, pois fizemos da mentira o nosso refúgio e nos escondemos na falsidade.” (Isaías 28:15) Como a antiga Jerusalém, a cristandade recorre a alianças mundanas em busca de segurança, e seu clero recusa-se a refugiar-se em Jeová. Ora, eles nem mesmo usam o nome de Jeová, e zombam dos que realmente honram esse nome, e os perseguem. O clero da cristandade tem feito exatamente o que fizeram os principais sacerdotes judeus, no primeiro século, quando rejeitaram a Cristo. Eles têm dito, efetivamente: “Não temos rei senão César.” — João 19:15.
9. (a) Quem está avisando a cristandade atualmente, assim como Isaías avisou a Judá? (b) A quem devia a cristandade recorrer?
9 Atualmente, as Testemunhas de Jeová avisam que uma enxurrada de exércitos executores em breve arrasará a cristandade. Ademais, elas apontam para o verdadeiro lugar de refúgio contra essa enxurrada. Citam Isaías 28:16, que diz: “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Eis que lanço por alicerce em Sião uma pedra, uma pedra provada, ângulo precioso de um alicerce seguro. Ninguém que exercer fé ficará em pânico.’” O que é esta ‘preciosa pedra angular’? O apóstolo Pedro citou estas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo. (1 Pedro 2:6) Se a cristandade tivesse buscado a paz com o Rei de Jeová, Jesus Cristo, ela teria evitado a vindoura enxurrada. — Compare isso com Lucas 19:42-44.
10. Que envolvimentos tem cultivado a cristandade?
10 Mas, ela não o fez. Em vez disso, na sua busca de paz e segurança, ela procura sinuosamente o favor dos líderes políticos das nações — apesar do aviso da Bíblia de que a amizade com o mundo é inimizade com Deus. (Tiago 4:4) Ademais, em 1919 ela defendeu firmemente a Liga das Nações como a melhor esperança de paz para o homem. Desde 1945 ela tem posto a sua esperança nas Nações Unidas. (Compare isso com Revelação [Apocalipse] 17:3, 11.) Quão profundo é o seu envolvimento com esta organização?
11. Que representação tem a religião na ONU?
11 Um livro recente dá-nos uma idéia, dizendo: “Nada menos de vinte e quatro organizações católicas estão representadas na ONU. Vários líderes religiosos do mundo já visitaram essa organização internacional. Mui memoráveis foram as visitas de Sua Santidade, o Papa Paulo VI, na Assembléia Geral, em 1965, e do Papa João Paulo II, em 1979. Muitas religiões têm súplicas, preces, hinos e cultos especiais em favor das Nações Unidas. Os mais importantes exemplos são os das fés católica, unitária-universalista, batista e behaísta.”
Vãs Esperanças de Paz
12, 13. Apesar de amplas esperanças de que a paz esteja à vista, por que as Testemunhas de Jeová estão confiantes de que seus avisos são verdadeiros?
12 Um dos mais poderosos líderes políticos do mundo refletiu as esperanças de muitos, quando disse: “É possível que a atual geração na terra veja o advento dum período irreversível de paz na história da civilização.” Estava certo ele? Será que os recentes acontecimentos significam que os avisos que as Testemunhas de Jeová têm soado concernente ao julgamento de Jeová contra as nações não se cumprirão? Estão erradas as Testemunhas de Jeová?
13 Não, elas não estão erradas. Elas sabem que estão falando a verdade porque depositam a sua confiança em Jeová e na Bíblia, que é a Palavra de verdade do próprio Deus. Tito 1:2 diz: “Deus . . . não pode mentir.” Assim, elas têm plena confiança de que, quando uma profecia bíblica diz que algo vai acontecer, isto sem falta acontecerá. O próprio Jeová declara: ‘Assim mostrará ser a minha palavra que sai da minha boca. Não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei.” — Isaías 55:11.
14, 15. (a) O que proclamavam os líderes de Judá pouco antes da destruição de Jerusalém em 607 AEC? (b) O que predisse Paulo seria proclamado antes da repentina destruição que se abateria contra este mundo? (c) O que podemos esperar no clímax da proclamação profetizada em 1 Tessalonicenses 5:3?
14 Nos anos que precederam à destruição de Jerusalém, em 607 AEC. Jeremias relatou que os líderes bradavam: “Há paz! Há paz!” (Jeremias 8:11) Contudo, aquilo era mentira. Jerusalém foi destruída em cumprimento de avisos inspirados dos profetas verdadeiros de Jeová. O apóstolo Paulo alertou que algo similar aconteceria em nossos dias. Ele disse que os homens estariam bradando “Paz e segurança!”. Mas daí, disse ele, “lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição”. — 1 Tessalonicenses 5:3.
15 Quando entrávamos nos anos 90, jornais e revistas em toda a parte diziam que a Guerra Fria acabara e que a paz mundial estava, finalmente, à vista. Mas, daí, estourou uma guerra real, no Oriente Médio. Contudo, mais cedo ou mais tarde, a situação do mundo chegará ao ponto em que o brado “Paz e segurança!”, profetizado em 1 Tessalonicenses 5:2, 3, atingirá um clímax. Com as nossas esperanças firmemente ancoradas na Palavra de Deus, sabemos que, quando esse clímax for atingido, os julgamentos de Deus serão executados rápida e infalivelmente. Nenhum improvisado pronunciamento sobre paz e segurança deve levar-nos a pensar que a destruição predita por Deus não ocorrerá. Os julgamentos de Jeová estão imutavelmente registrados na sua Palavra, a Bíblia. A cristandade, junto com todas as outras religiões falsas, será destruída. E em seguida os julgamentos destrutivos de Jeová serão expressos contra o restante do mundo de Satanás. (2 Tessalonicenses 1:6-8; 2:8; Revelação 18:21; 19:19-21) Visto que as Testemunhas de Jeová confiam que Jeová cumprirá sua palavra, elas continuam vigilantes sob a direção da classe do escravo fiel e discreto, e observam atentamente o desenrolar dos eventos mundiais. (Mateus 24:45-47) Por certo, nenhum esforço de paz por parte do homem deve levar-nos a pensar que Jeová abandonou seu propósito de trazer uma enxurrada de destruição sobre a pecaminosa cristandade.
‘Deus É Nosso Refúgio’
16, 17. Como respondem as Testemunhas de Jeová se alguns se ofendem com a franqueza de sua mensagem ?
16 Alguns talvez se ofendam com a franqueza das Testemunhas de Jeová em proclamar isto. Contudo, quando elas dizem que os governantes religiosos da cristandade refugiaram-se num arranjo mentiroso, elas meramente informam o que a Bíblia diz. Quando dizem que a cristandade merece punição porque tornou-se parte do mundo, elas meramente transmitem o que o próprio Deus diz na Bíblia. (Filipenses 3:18, 19) Ademais, visto que a cristandade põe a sua confiança nos esquemas propostos por este mundo, ela na realidade apóia o deus deste mundo, Satanás, o Diabo, que, como disse Jesus, é o pai da mentira. — João 8:44; 2 Coríntios 4:4.
17 Por conseguinte, as Testemunhas de Jeová declaram: Quanto a nós, não encorajamos falsas esperanças de paz mundial resultantes do cenário político em transformação. Em vez disso, reiteramos as palavras do salmista: “Deus é um refúgio para nós. . . . Os filhos do homem terreno são uma exalação, os filhos da humanidade são mentira. Deitados na balança são juntos mais leves do que uma exalação.” (Salmo 62:8, 9) Os esquemas humanos para promover e preservar a cristandade e o restante deste sistema de coisas são uma falsidade, uma mentira! Todos eles juntos não têm mais poder de impedir os propósitos de Jeová do que uma leve baforada!
18. Que alerta do salmista é apropriado hoje?
18 As Testemunhas de Jeová citam também o Salmo 33, versículos 17 a 19, que dizem: “Para a salvação, o cavalo [do Egito, simbolizando a guerra] é uma ilusão, e não oferece escape pela abundância de sua energia vital. Eis que o olho de Jeová está sobre os que o temem, os que esperam pela sua benevolência, para livrar a sua alma da própria morte e para preservá-los vivos na fome.” Sal 33:17-19 Hoje, os cristãos verdadeiros confiam em Jeová e em seu Reino celestial, o único arranjo que pode trazer paz permanente.
A Cristandade é “um Lugar Pisado”
19. Por que é uma ilusão confiar em organizações políticas para trazer a paz mundial?
19 Confiar em algum substituto de fabricação humana para o Reino de Deus faz deste substituto uma imagem, um objeto de adoração. (Revelação 13:14, 15) Assim, encorajar a confiança em instituições políticas, como as Nações Unidas, no sentido de que tragam paz e segurança, é uma ilusão, uma mentira. Sobre tais objetos de falsas esperanças, Jeremias diz: “A sua imagem fundida é uma falsidade, e não há espírito nelas. São vaidade, trabalho de zombaria. Perecerão no tempo de se fixar a atenção nelas.” (Jeremias 10:14, 15) Por conseguinte, os cavalos de guerra do antitípico Egito, isto é, o poderio político-militar das nações hoje, não protegerá o domínio religioso da cristandade em seu dia de crise. A aliança das religiões da cristandade com este mundo por certo não as protegerá.
20, 21. (a) O que aconteceu com a Liga das Nações, e por que as Nações Unidas não se sairão melhor? (b) Como mostrou Isaías que as alianças da cristandade com o mundo não a salvarão?
20 A cristandade depositou as suas esperanças na Liga das Nações, mas esta foi derrubada antes mesmo que viesse o Armagedom. Em seguida a cristandade transferiu a sua fidelidade para as Nações Unidas. Mas esta em breve terá de enfrentar “a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso” , e ela não sobreviverá. (Revelação 16:14) Até mesmo uma revivificada ONU jamais poderá trazer paz e segurança. A Palavra profética de Deus mostra que a organização das Nações Unidas com suas nações-membros “batalharão contra o Cordeiro [Cristo, no poder do Reino], mas, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, o Cordeiro os vencerá”. — Revelação 17:14.
21 As Testemunhas de Jeová dizem confiantemente que não existe salvação para a cristandade nas suas alianças com o mundo de Satanás. E quando dizem isto, elas meramente apontam o que a própria Bíblia diz. Isaías 28:17, 18 cita Jeová como dizendo: “Eu vou fazer do juízo o cordel de medir e da justiça o nível; e a saraiva terá de arrasar o refúgio da mentira e as águas é que levarão de enxurrada o próprio esconderijo. E vosso pacto com a Morte há de ser dissolvido e esta vossa visão com o Seol não ficará de pé. A enxurrada transbordante, quando passar — então tereis de tornar-vos para ela um lugar pisado.”
22. Quando a perfeita justiça for aplicada contra a cristandade, o que resultará disso?
22 Quando a decisão judicial de Jeová for executada, será segundo a justiça perfeita. E a base para a confiança da cristandade, seu “pacto com a Morte”, será completamente varrida, como que por uma enxurrada. Isaías prossegue: “Passará manhã após manhã, durante o dia e durante a noite; e terá de tornar-se nada mais que uma razão para estremecimento, para fazer outros compreender o que se ouviu.” (Isaías 28:19) Quão aterrador será para os observadores testemunharem o pleno poder do julgamento de Jeová! Quão terrível será para o clero da cristandade e seus seguidores descobrirem, tarde demais, que confiaram numa mentira!
“O Nome de Jeová É Uma Torre Forte”
23, 24. Em vez de buscar segurança neste mundo, o que farão as Testemunhas de Jeová?
23 Mas que dizer das Testemunhas de Jeová? Mesmo em face de ódio e perseguição internacionais, elas persistem em manter-se separadas do mundo. Jamais se esquecem que Jesus disse a respeito de seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:16) Durante todos estes últimos dias, elas têm confiado no Reino de Jeová, não em esquemas humanos. Por conseguinte, a calamidade que sobrevirá à cristandade não deixará as Testemunhas de Jeová aterrorizadas. Como Isaías predisse: “Ninguém que exercer fé ficará em pânico.” — Isaías 28:16.
24 Provérbios 18:10 diz: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.” Por conseguinte, convidamos todas as pessoas semelhantes a ovelhas a se refugiarem em Jeová e em seu Reino, por Cristo. Como esconderijo, Jeová não é nenhuma falsidade! Seu Reino por Cristo não é uma mentira! O refúgio da cristandade é uma mentira, mas o refúgio dos cristãos verdadeiros é a verdade.
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Continuemos avisando a respeito da obra incomum de JeováA Sentinela — 1991 | 1.° de junho
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Continuemos avisando a respeito da obra incomum de Jeová
“Jeová se levantará assim como no monte Perazim, ficará agitado como na baixada perto de Gibeão.” — Isaías 28:21.
1, 2. Que obra incomum realizou Jeová em favor de Seu povo nos dias de Davi?
UM ATO estranho! Uma obra muitíssimo incomum! Foi isto o que Jeová realizou em favor de seu povo dos tempos antigos, no século 11 AEC. E tal ato estranho é uma amostra de uma obra ainda mais incomum que ele está prestes a realizar no futuro próximo. Que antigo ato foi este? Pouco depois de Davi ter sido empossado como rei em Jerusalém, os vizinhos filisteus lançaram um ataque, que provocou o ato estranho de Jeová. Primeiro, os filisteus fizeram incursões na baixada de Refaim. Davi indagou de Jeová o que devia fazer, e foi instruído a tomar a ofensiva. Obedecendo a Jeová, Davi derrotou cabalmente o poderoso exército filisteu em Baal-Perazim. Mas os filisteus não admitiram a derrota. Pouco depois eles retornaram para novamente devastar e pilhar na baixada de Refaim, e Davi de novo buscou a orientação de Jeová.
2 Desta vez foi-lhe dito que fosse com as suas tropas para a retaguarda dos filisteus. Jeová disse: “Quando ouvires o ruído de marcha nas copas dos lentiscos, nesta hora age com determinação, porque nesta hora Jeová terá ido na tua frente para golpear o acampamento dos filisteus.” E assim se deu. Davi esperou até que Jeová produzisse o ruído de marcha nas copas dos lentiscos — talvez por meio de um forte vento. Imediatamente, Davi e suas tropas saíram do esconderijo e atacaram os distraídos filisteus, derrotando-os numa grande matança. Os ídolos religiosos que os filisteus deixaram no campo de batalha foram recolhidos e destruídos. — 2 Samuel 5:17-25; 1 Crônicas 14:8-17.
3. Por que o ato estranho de Jeová era de interesse para os judeus dos dias de Isaías, e por que devia ser de interesse para a cristandade hoje?
3 Tratava-se de uma obra incomum, um ato estranho, realizado por Jeová contra os filisteus e em favor de seu rei ungido. Este ato notável é de especial interesse porque o profeta Isaías avisou que Jeová faria algo igualmente estranho e poderoso contra os espiritualmente ébrios de Judá. Assim, os líderes religiosos infiéis dos dias de Isaías deviam atentar para este exemplo. Também a cristandade hoje devia atentar para isto, pois o que aconteceu com Judá é uma amostra de qual será o derradeiro destino da cristandade.
“O Leito Tornou-se Curto Demais”
4, 5. (a) Como ilustrou Isaías vividamente a incômoda situação dos líderes religiosos de seus dias? (b) Qual é a causa da incômoda situação da cristandade hoje?
4 Primeiro, Isaías expôs o fato de que os tratados em que aqueles antigos ébrios espirituais confiavam eram um engano, uma mentira. Daí, ilustrou vividamente a incômoda situação dos que confiavam nessa mentira. Ele disse: “O leito mostrou-se curto demais para se estirar nele, e o próprio lençol tecido é demasiado estreito para se enrolar nele.” (Isaías 28:20) Quem quer que se estire numa cama curta demais verifica que seus pés ficam de fora, expostos ao frio. Por outro lado, se a pessoa encolher os joelhos para ajustar-se à cama curta, o lençol será estreito demais e boa parte do corpo ainda assim ficará exposta. Não importa o que faça, parte de seu corpo fica desprotegida contra o frio.
5 Esta era a situação, simbolicamente falando, daqueles nos dias de Isaías que depositaram a sua confiança no refúgio de uma mentira. É também esta a incômoda situação dos que hoje põem a sua confiança no refúgio de uma mentira, da cristandade. Eles estão em maus lençóis, por assim dizer. Este não é tempo de se buscar bem-estar dentro de arranjos mundanos para paz e segurança. Sob o espectro de iminentes atos de julgamento da parte de Deus, as alianças com governantes políticos não significarão nenhum tépido bem-estar para a cristandade.
O Ato Estranho de Jeová
6. Como agiria Jeová contra Judá, e como agirá ele contra a cristandade?
6 Tendo vividamente descrito a incômoda situação da infiel Jerusalém de seus dias — e da moderna cristandade infiel — Isaías passou a dizer: “Jeová se levantará assim como no monte Perazim, ficará agitado como na baixada perto de Gibeão, para fazer o seu ato — seu ato é estranho — e para executar a sua obra — sua obra é incomum.” (Isaías 28:21) Sim, advertiu Isaías, logo Jeová se levantaria como fez em Baal-Perazim. Mas, desta vez, ele agiria contra seu povo sem fé, e faria isto como uma irresistível enxurrada saindo de uma brecha numa represa em colapso. O pacto de Jerusalém com a morte mostrar-se-ia nulo. Similarmente, Jeová agirá no futuro próximo contra a cristandade, que constatará que todos os seus inebriantes acordos com este mundo terão sido fúteis. A sua vasta organização será arruinada e seus adeptos serão dispersados. Seus deuses falsos serão totalmente queimados.
7. Por que os propósitos de Jeová com respeito a Judá foram chamados de ‘estranhos’ e ‘incomuns’?
7 Por que Isaías chamou o ato de Jeová contra Jerusalém de obra estranha e incomum? Bem, Jerusalém era o centro da adoração de Jeová e a cidade do Seu rei ungido. (Salmo 132:11-18) Como tal, nunca fora destruída. Seu templo nunca fora queimado. A casa real de Davi, uma vez tendo-se estabelecido em Jerusalém, nunca fora derrubada. Tais coisas eram inimagináveis. Seria altamente incomum que Jeová cogitasse permitir que coisas assim acontecessem.
8. Que advertência deu Jeová concernente a seu vindouro ato incomum?
8 Mas, por meio de seus profetas, Jeová advertiu amplamente que ocorreriam eventos chocantes. (Miquéias 3:9-12) Por exemplo, o profeta Habacuque, que viveu no sétimo século AEC, disse: “Vede entre as nações, e olhai pasmados um para o outro. Ficai pasmados; pois nos vossos dias se realiza uma atividade que não acreditareis, embora seja relatada. Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que vai aos lugares espaçosos da terra para tomar posse de residências que não lhe pertencem. Aterradora e atemorizante é ela.” — Habacuque 1:5-7.
9. De que modo Jeová tornou realidade seu aviso contra Jerusalém?
9 Em 607 AEC, Jeová fez com que os seus avisos se tornassem realidade. Tendo permitido que os exércitos babilônicos viessem contra Jerusalém, permitiu-lhes que destruíssem tanto a cidade como o templo. (Lamentações 2:7-9) Ademais, permitiu que Jerusalém fosse destruída uma segunda vez. Por quê? Bem, depois de 70 anos de exílio, judeus arrependidos retornaram à sua terra, e, com tempo, outro templo foi construído em Jerusalém. De novo, porém, os judeus desviaram-se de Jeová. No primeiro século EC, Paulo citou as palavras de Habacuque aos judeus de seus dias, deste modo alertando que haveria um futuro cumprimento dessa profecia. (Atos 13:40, 41) O próprio Jesus advertira especificamente que Jerusalém e seu templo seriam destruídos por falta de fé da parte dos judeus. (Mateus 23:37-24:2) Será que aqueles judeus do primeiro século acataram o aviso? Não. Assim como seus antepassados, eles rejeitaram totalmente o aviso de Jeová. Portanto, Jeová repetiu a sua obra estranha. Jerusalém e seu templo foram destruídos, em 70 EC, por legiões romanas.
10. Como agirá Jeová contra a cristandade no futuro próximo?
10 Por que, então, deveria alguém pensar que Jeová não fará algo similar em nossos dias? A verdade é que ele cumprirá seu propósito, ainda que isto pareça estranho e incomum para os que duvidam. Desta vez, o alvo de sua ação será a cristandade, que, como o antigo Judá, afirma adorar a Deus, mas tornou-se irremediavelmente corrupta. Por meio de seu Davi Maior, Cristo Jesus, Jeová virá contra os “filisteus” da cristandade numa hora inesperada para eles. Ele realizará a sua obra incomum a ponto de apagar totalmente os últimos vestígios dos sistemas religiosos da cristandade. — Mateus 13:36-43; 2 Tessalonicenses 1:6-10.
Aviso Quanto ao Ato de Jeová
11, 12. De que modo têm as Testemunhas de Jeová avisado a respeito dos vindouros julgamentos de Jeová?
11 Por muitos anos as Testemunhas de Jeová têm avisado a respeito desse vindouro ato de julgamento de Jeová. Elas têm salientado que a destruição de Jerusalém e de seu templo, em 607 AEC, e de novo em 70 EC, são avisos proféticos do que acontecerá com a cristandade. Ademais, elas têm demonstrado que a cristandade, por causa de sua apostasia, tornou-se parte do império mundial da religião falsa, Babilônia, a Grande. Por isso, os julgamentos de Deus contra Babilônia, a Grande, serão em especial aplicados contra a cristandade, visto que ela é a parte mais culpada desse conglomerado satânico. — Revelação (Apocalipse) 19:1-3.
12 As Testemunhas de Jeová têm apontado para o aviso profético da Bíblia, de que no tempo devido de Jeová, os amantes políticos de Babilônia, a Grande, voltar-se-ão contra ela. Simbolizando estes como os dez chifres de uma fera cor de escarlate, Revelação alerta: “Os dez chifres que viste, e a fera, estes odiarão a meretriz [Babilônia, a Grande] e a farão devastada e nua, e comerão as suas carnes e a queimarão completamente no fogo.” (Revelação 17:16) A religiosa cristandade será queimada e destruída junto com todas as outras religiões falsas. Este será o ato estranho de Jeová, sua obra incomum para os nossos dias.
13. De que modo as reações aos avisos de Jeová hoje tem sido similares às com as quais Isaías se deparou?
13 Quando as Testemunhas de Jeová dão o aviso a respeito dessa vindoura catástrofe, não raro se deparam com risadas zombeteiras. As pessoas se perguntam quem são elas para dizer tais coisas. A cristandade parece tão estável, tão bem estabelecida. Ora, alguns acham que a situação dela está até mesmo melhorando. Governos que costumavam oprimi-la têm recentemente permitido maior liberdade de ação. Na verdade, porém, a cristandade devia acatar o conselho de Isaías: “Não vos mostreis zombadores, para que as vossas ligaduras não se tornem fortes, pois há um extermínio, sim, algo determinado, de que ouvi falar da parte do Soberano Senhor, Jeová dos exércitos, para toda a terra.” — Isaías 28:22; 2 Pedro 3:3, 4.
14. Em que sentido as ligaduras da cristandade se tornarão mais fortes e mais apertadas?
14 De modo geral, a cristandade continuará antagônica para com o Rei e o Reino. (2 Tessalonicenses 2:3, 4, 8) Ao mesmo tempo, porém, as suas ligaduras tornar-se-ão mais fortes e mais apertadas. Em outras palavras, a certeza da destruição dela se tornará cada vez mais forte. Jeová não desistirá de sua decisão de fazer com que a cristandade seja destruída, assim como não desistiu de sua decisão de permitir a destruição de Jerusalém e de seu templo, em 607 AEC.
“Saí Dela”
15. Que caminho de fuga está aberto para pessoas de coração reto?
15 Como pode alguém escapar do destino reservado à cristandade? Nos dias de Israel, Jeová enviou profetas fiéis para fazer retornar os de coração reto à adoração pura. Hoje, ele suscitou suas Testemunhas, que agora ascendem a milhões, para um objetivo similar. Elas expõem destemidamente a condição espiritualmente morta da cristandade. Assim agindo, elas fielmente reiteram os pronunciamentos semelhantes a pragas do ataques de trombeta angélicos de Revelação, capítulos 8 e 9. Ademais, elas têm diligentemente divulgado a exortação registrada em Revelação 18:4: “Saí dela, povo meu, . . . se não quiserdes receber parte das suas pragas.” “Dela”, aqui, se refere a Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, sendo a cristandade o seu membro mais destacado.
16. De que modo milhões de pessoas fugiram da religião falsa?
16 Desde 1919, e especialmente desde 1922, uma crescente multidão de pessoas mansas, atendendo a essa exortação, têm abandonado Babilônia, a Grande. Primeiro milhares, depois centenas de milhares e, agora, milhões, já se separaram da religião falsa, em especial da cristandade, refugiando-se na adoração pura. (Isaías 2:2-4) Sabem que apenas por assim saírem de Babilônia, a Grande, podem elas evitar sofrer as suas pragas, que culminarão na destruição dela quando chegar o tempo para que a obra incomum de Jeová se realize.
17, 18. Em que sentido tornou-se Jeová uma coroa de ornato e uma grinalda de beleza para seu povo?
17 O profeta Isaías descreve a feliz situação dos que tomam a sua posição em favor da adoração pura. Ele diz: “Naquele dia, Jeová dos exércitos tornar-se-á como coroa de ornato e como grinalda de beleza para os remanescentes do seu povo, e como espírito de justiça para o sentado em julgamento, e como potência para os que fazem recuar a batalha do portão.” — Isaías 28:5, 6.
18 Devido à lealdade deles para com a verdade, Jeová é a imperecível coroa de glória para os membros da classe do escravo fiel e discreto. Isto tem sido assim especialmente desde 1926. Naquele ano, a edição de 1.º de janeiro de A Sentinela [em inglês], frisou a necessidade vital de magnificar o nome de Jeová num emocionante artigo intitulado “Quem Honrará a Jeová?”. Desde então, os cristãos ungidos têm divulgado este nome mundialmente, como nunca antes. Em 1931, tornaram-se ainda mais intimamente identificados com Jeová por aceitarem o nome Testemunhas de Jeová. Ademais, a grande multidão de outras ovelhas também saiu da cristandade e do restante de Babilônia, a Grande. Estas também adotaram o nome de Deus. O resultado? O próprio Jeová — em vez de alguma temporária independência nacional — tornou-se coroa de ornato e grinalda de beleza para mais de quatro milhões de pessoas em cerca de 212 terras e ilhas do mar. Quão grande é a sua honra de portar o nome do único Deus vivo e verdadeiro! — Revelação 7:3, 4, 9,10; 15:4.
“Sobre Ele Terá de Pousar o Espírito de Jeová”
19. Quem é aquele sentado em julgamento, e como Jeová se tornou para ele um espírito de justiça?
19 Para Jesus, “o sentado em julgamento”, Jeová tornou-se “espírito de justiça”. Quando esteve na terra, Jesus recusou deixar-se vencer pelo inebriante espírito de alianças mundanas. Hoje, como Rei entronizado de Jeová, ele está cheio de espírito santo, que o dirige na tomada de decisões equilibradas e perceptivas. Tem-se cumprido em Jesus a profecia: “Sobre ele terá de pousar o espírito de Jeová, o espírito de sabedoria e de compreensão, o espírito de conselho e de potência, o espírito de conhecimento e do temor de Jeová.” (Isaías 11:2) Realmente, por meio de Jesus, Jeová ‘fará do juízo o cordel de medir e da justiça o nível’. (Isaías 28:17) Ao passo que os inimigos espiritualmente ébrios serão esmagados na destruição, far-se-á justiça ao santo nome e à soberania universal de Jeová.
20, 21. De que modo as palavras de Isaías 28:1-22 afetam a você?
20 Portanto, que grandioso significado tem para nós hoje esta profecia de Isaías, capítulo 28! Evitando os ébrios espirituais da cristandade e apegando-nos à adoração pura, estaremos protegidos quando Jeová praticar o seu estranho ato e a sua obra incomum. Quanto nos alegramos de saber disto! E quão felizes nos sentimos ao refletirmos que, quando estas coisas acontecerem, todos serão forçados a saber que Jeová dos exércitos agiu em favor de Seu povo fiel e em favor de Sua própria vindicação por meio de Jesus Cristo! — Salmo 83:17, 18.
21 Portanto, que todos os cristãos genuínos continuem a destemidamente avisar a respeito do estranho ato de Jeová. Que persistam em falar a respeito de sua obra incomum. Ao assim fazerem, que proclamem a todos que a sua inabalável esperança é o Reino de Deus sob Seu já entronizado Rei. Que o seu zelo, determinação e lealdade contribuam para o eterno louvor de nosso Todo-Poderoso Deus, Jeová. — Salmo 146:1, 2, 10.
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