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Temos razões para clamar de alegriaA Sentinela — 1996 | 15 de fevereiro
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Temos razões para clamar de alegria
“Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.” — ISAÍAS 35:10.
1. Quem tem hoje razões especiais para ter alegria?
É PROVÁVEL que já tenha observado que poucos são hoje realmente alegres. No entanto, as Testemunhas de Jeová, como verdadeiros cristãos, são alegres. E a perspectiva de ter a mesma alegria se apresenta a outros milhões de pessoas ainda não batizadas, jovens e idosas, que se associam com as Testemunhas. Estar você agora lendo estas palavras, nesta revista, indica que já tem esta alegria ou que ela está ao seu alcance.
2. Como se contrasta a alegria do cristão com a condição geral da maioria das pessoas?
2 A maioria sente que falta alguma coisa na sua vida. Que dizer de você? Pode ser que não tenha todas as coisas materiais que lhe seriam úteis, certamente nem todas as que os ricos e os poderosos possuem hoje em dia. E talvez gostaria de ter mais saúde e mais energia. Ainda assim, pode-se afirmar que, no que se refere à alegria, você é mais rico e mais saudável do que a maioria dos bilhões de habitantes da Terra. Em que sentido?
3. Que palavras significativas merecem nossa atenção, e por quê?
3 Lembre-se das palavras de Jesus: “Estas coisas eu vos falei para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria se torne plena.” (João 15:11) “A vossa alegria se torne plena.” Que descrição! Um estudo profundo do modo de vida cristão revela muitos motivos de nossa alegria ser plena. Mas, agora, note as palavras significativas de Isaías 35:10. São significativas porque têm muito que ver conosco hoje em dia. Lemos: “Retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião com clamor jubilante; e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido. Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.”
4. Que tipo de alegria é mencionado em Isaías 35:10 e por que devemos dar atenção a isso?
4 “Alegria por tempo indefinido.” A frase “por tempo indefinido” é o sentido exato do que Isaías escreveu em hebraico. Mas, conforme corroborado por outros textos bíblicos, este versículo quer dizer “para sempre”. (Salmo 45:6; 90:2; Isaías 40:28) De modo que a alegria será infindável, em condições que permitirão — sim, justificarão — uma alegria eterna. Não soa isso muito agradável? No entanto, este versículo talvez lhe pareça um comentário sobre uma situação abstrata, deixando-o com o sentimento: ‘Isto realmente não me envolve tanto quanto meus problemas e preocupações cotidianos.’ Mas os fatos mostram o contrário. A promessa profética de Isaías 35:10 é hoje importante para você. Para descobrir em que sentido, examinemos este belo capítulo 35 de Isaías, prestando atenção a cada parte no seu contexto. Pode estar certo de que vai gostar do que descobriremos.
Aqueles que precisavam alegrar-se
5. Em que cenário histórico se encontra a profecia do capítulo 35 de Isaías?
5 Para nos ajudar, examinemos as circunstâncias, o cenário histórico, desta fascinante profecia. O profeta hebreu, Isaías, escreveu-a por volta de 732 AEC. Isto foi décadas antes de os exércitos babilônicos destruírem Jerusalém. Conforme indica Isaías 34:1, 2, Deus predissera que iria vingar-se das nações, tais como Edom, mencionado em Isaías 34:6. Evidentemente, ele usou os antigos babilônios para isso. De modo similar, Deus fez com que os babilônios desolassem Judá, porque os judeus eram infiéis. Com que resultado? O povo de Deus foi levado cativo e sua pátria ficou desolada por 70 anos. — 2 Crônicas 36:15-21.
6. Que contraste há entre o que sobreviria aos edomitas e o que sobreviria aos judeus?
6 No entanto, havia uma significativa diferença entre os edomitas e os judeus. A retribuição divina aos edomitas foi infindável; com o tempo, deixaram de ser um povo. É verdade que ainda se podem visitar ruínas vazias na região em que os edomitas costumavam morar, tais como os mundialmente famosos restos de Petra. No entanto, hoje, não há nação nem povo que se possa identificar como ‘os edomitas’. Por outro lado, devia ser permanente a desolação de Judá pelos babilônios, deixando aquela terra eternamente sem alegria?
7. Como talvez reagissem os judeus cativos em Babilônia ao que está escrito no capítulo 35 de Isaías?
7 Neste ponto, a maravilhosa profecia no capítulo 35 de Isaías assume um significado emocionante. Pode ser chamada de profecia de restauração, porque teve seu primeiro cumprimento quando os judeus retornaram à sua pátria em 537 AEC. Concedeu-se aos israelitas cativos em Babilônia liberdade para voltar à sua pátria. (Esdras 1:1-11) No entanto, até isso acontecer, os judeus cativos em Babilônia, considerando esta profecia divina, talvez pensassem nas condições que encontrariam na sua pátria, Judá. E em que condições estariam eles mesmos? A resposta relaciona-se diretamente com as próprias razões que temos para clamar de alegria. Vejamos.
8. Que condições encontrariam os judeus ao retornar de Babilônia? (Note Ezequiel 19:3-6; Oséias 13:8.)
8 A situação certamente não parecia nada promissora para os judeus mesmo quando souberam que poderiam retornar à sua pátria. A terra deles tinha ficado desolada por sete décadas, por toda uma vida. O que tinha acontecido àquela terra? Todo campo cultivado, os vinhedos e os pomares, devem ter ficado um matagal. Os jardins ou terrenos irrigados devem ter-se tornado terra agreste ou desértica. (Isaías 24:1, 4; 33:9; Ezequiel 6:14) Imagine também quantos animais selváticos haveria ali. Estes incluiriam carnívoros tais como leões e leopardos. (1 Reis 13:24-28; 2 Reis 17:25, 26; Cântico de Salomão 4:8) Tampouco poderiam desperceber os ursos, que podiam abater homem, mulher e criança. (1 Samuel 17:34-37; 2 Reis 2:24; Provérbios 17:12) E nem precisamos mencionar as víboras e outras serpentes venenosas, nem os escorpiões. (Gênesis 49:17; Deuteronômio 32:33; Jó 20:16; Salmo 58:4; 140:3; Lucas 10:19) Se você tivesse estado com os judeus que retornaram de Babilônia em 537 AEC, provavelmente teria hesitado em andar em tal região. Não era nenhum paraíso quando eles chegaram lá.
9. Por que motivo os que retornavam tinham base para ter esperança e confiança?
9 Ainda assim, fora o próprio Jeová quem conduzira seus adoradores para a sua terra, e ele tem a capacidade de reverter uma situação desolada. Não acredita que o Criador pode fazer isso? (Jó 42:2; Jeremias 32:17, 21, 27, 37, 41) Então, o que faria ele — o que fez ele — pelos judeus que retornaram e pela terra deles? Que relação tem isso com o povo de Deus nos tempos modernos e com sua situação pessoal — atual e futura? Vejamos primeiro o que aconteceu lá naquele tempo.
Alegria com a mudança da situação
10. Que mudança predisse Isaías 35:1, 2?
10 O que ia acontecer quando Ciro permitisse que os judeus voltassem àquela terra desolada? Leia a emocionante profecia em Isaías 35:1, 2: “O ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão. Sem falta florescerá e realmente jubilará com exultação e com grito de júbilo. Terá de se lhe dar a própria glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom. Haverá os que verão a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus.”
11. Em que conhecimento daquela terra baseava-se Isaías?
11 Nos tempos bíblicos, o Líbano, o Carmelo e Sarom eram famosos pela sua verdejante beleza. (1 Crônicas 5:16; 27:29; 2 Crônicas 26:10; Cântico de Salomão 2:1; 4:15; Oséias 14:5-7) Isaías aproveitou esses exemplos para descrever como seria aquela terra transformada com a ajuda de Deus. Mas afetaria isso apenas o solo? Claro que não!
12. Por que podemos dizer que a profecia no capítulo 35 de Isaías enfoca pessoas?
12 Isaías 35:2 diz que aquela terra ‘jubilava com exultação e com grito de júbilo’. Sabemos que o solo e as plantas não estavam literalmente ‘jubilando com exultação’. Mas a sua transformação, de se tornarem férteis e produtivos, podia fazer com que as pessoas se sentissem assim. (Levítico 23:37-40; Deuteronômio 16:15; Salmo 126:5, 6; Isaías 16:10; Jeremias 25:30; 48:33) As mudanças literais naquela terra corresponderiam às mudanças nas pessoas, porque estas são enfocadas por essa profecia. Por isso, temos motivos de entender as palavras de Isaías como enfocando primariamente as mudanças nos judeus que retornaram, em especial a sua alegria.
13, 14. Que mudança nas pessoas predisse Isaías 35:3, 4?
13 Portanto, examinemos mais desta profecia estimulante para ver como teve cumprimento depois da libertação dos judeus e da sua volta de Babilônia. Isaías fala nos Isa. 35 versículos 3 e 4 de outras mudanças nos que retornaram: “Fortalecei as mãos fracas e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos de coração ansioso: ‘Sede fortes. Não tenhais medo. Eis que vosso próprio Deus chegará com a própria vingança, Deus, até mesmo com retribuição. Ele mesmo chegará e vos salvará.’”
14 Não é fortalecedor pensar que nosso Deus, que pôde inverter a condição desolada do solo, está muito interessado nos seus adoradores? Não queria que os judeus cativos se sentissem fracos, desanimados ou ansiosos quanto ao futuro. (Hebreus 12:12) Pense na condição daqueles judeus cativos. A não ser pela esperança que podiam derivar das profecias de Deus quanto ao seu futuro, deve ter sido difícil para eles ser otimistas. Era como se estivessem numa masmorra escura, sem poder locomover-se e ser ativos no serviço de Jeová. Talvez lhes parecesse que não havia luz à frente. — Note Deuteronômio 28:29; Isaías 59:10.
15, 16. (a) O que podemos concluir que Jeová fez pelos que retornavam? (b) Por que não esperariam os que retornavam receber milagrosas curas físicas, mas o que fez Deus em harmonia com Isaías 35:5, 6?
15 No entanto, como isso mudou quando Jeová fez com que Ciro os libertasse a fim de voltarem para casa! Não há nenhuma evidência bíblica de que Deus abrisse ali milagrosamente olhos cegos de judeus que retornavam, de que destapasse os ouvidos de surdos, ou que curasse os aleijados ou os com falta dum membro do corpo. No entanto, ele fez realmente algo muito mais grandioso. Restaurou-os na luz e na liberdade da sua amada terra.
16 Não há nenhum indício de que os que retornavam esperassem que Jeová fizesse tais milagrosas curas físicas. Eles devem ter sabido que Deus não fizera isto com Isaque, Sansão ou Eli. (Gênesis 27:1; Juízes 16:21, 26-30; 1 Samuel 3:2-8; 4:15) Mas, se esperavam uma figurativa inversão divina da sua condição, não ficaram desapontados. Os Isa. 35 versículos 5 e 6, por certo, tiveram mesmo um cumprimento em sentido figurativo. Isaías predisse com exatidão: “Naquele tempo abrir-se-ão os olhos dos cegos e destapar-se-ão os próprios ouvidos dos surdos. Naquele tempo o coxo estará escalando como o veado e a língua do mudo gritará de júbilo.”
A transformação daquela terra num paraíso
17. Que mudanças literais causou Jeová evidentemente?
17 Os que retornaram certamente tinham razões para clamar alegremente por causa de condições tais como as que Isaías passou a descrever: “Pois no ermo terão arrebentado águas, e torrentes na planície desértica. E o solo crestado pelo calor se terá tornado como um banhado de juncos, e a terra sedenta, como fontes de água. No lugar de permanência de chacais, para eles um lugar de repouso, haverá grama verde com canas e plantas de papiro.” (Isaías 35:6b, 7) Embora talvez não vejamos isso hoje em toda aquela região, a evidência sugere que a região de Judá em certa época era “um paraíso pastoril”.a
18. Como devem ter reagido às bênçãos de Deus aqueles judeus que retornavam?
18 No que diz respeito a motivos de alegria, pense em como os do restante judeu devem ter-se sentido quando foram repatriados para a Terra Prometida! Estavam em condições de tomar conta da terra desolada, habitada por chacais e outros animais assim, e de transformá-la. Não se teria você alegrado de fazer tal restauração, especialmente sabendo que Deus abençoava seus esforços?
19. Em que sentido era condicional a volta de alguém do cativeiro babilônico?
19 Todavia, não era o caso de simplesmente qualquer judeu cativo em Babilônia poder voltar ou ter voltado mesmo, a fim de participar nesta transformação alegre. Deus estabeleceu condições. Ninguém que estivesse contaminado com práticas religiosas babilônicas, pagãs, tinha o direito de voltar. (Daniel 5:1, 4, 22, 23; Isaías 52:11) Tampouco podia voltar alguém que se entregasse tolamente a um proceder imprudente. Todos esses estavam desqualificados. Por outro lado, aqueles que satisfaziam as normas de Deus, que Ele considerava como santos em sentido relativo, podiam voltar a Judá. Podiam seguir como que um Caminho de Santidade. Isaías esclareceu isso no Isa 35 versículo 8: “Certamente virá a haver ali uma estrada principal, sim, um caminho; e chamar-se-á Caminho de Santidade. O impuro não passará por ela. E será para aquele que anda no caminho, e nenhuns tolos vaguearão nele.”
20. O que não precisavam temer os judeus no retorno, resultando em quê?
20 Os judeus que voltavam não precisavam temer algum ataque de homens animalescos ou de bandos de saqueadores. Por que não? Porque Jeová não permitiria que tais estivessem no Caminho dos do seu povo resgatado. De modo que estes podiam viajar com coração alegre e perspectiva feliz. Note como Isaías descreveu isso ao concluir esta profecia: “Ali não virá a haver leão e não subirá nele a espécie feroz de animais selváticos. Não se achará ali nenhum deles; e ali terão de andar os resgatados. E retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião com clamor jubilante; e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido. Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.” — Isaías 35:9, 10.
21. Como devemos nós, hoje, encarar o cumprimento do capítulo 35 de Isaías, que já ocorreu?
21 Que quadro profético! No entanto, não devemos encarar isso como apenas algo da história passada, como se fosse um relato peculiar, de pouca relação com a nossa situação ou o nosso futuro. Acontece que esta profecia tem hoje um espantoso cumprimento entre os do povo de Deus, de modo que envolve deveras a cada um de nós. Fornece-nos razões válidas para clamar de alegria. Estes aspectos, que envolvem a sua vida agora e no futuro, são tratados no artigo que segue.
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Alegres agora e para sempreA Sentinela — 1996 | 15 de fevereiro
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Alegres agora e para sempre
“Exultai e jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando. Pois eis que crio Jerusalém como causa para júbilo e seu povo como causa para exultação.” — ISAÍAS 65:18.
1. No decorrer dos séculos, como foram as pessoas afetadas pela adoração verdadeira?
NO DECORRER dos séculos, um incontável número de pessoas tem tido muita alegria em servir o verdadeiro Deus, Jeová. Davi foi apenas um dos que se alegravam com a adoração verdadeira. A Bíblia relata que, quando a arca do pacto foi levada a Jerusalém, “Davi e toda a casa de Israel faziam subir a arca de Jeová com gritos de alegria”. (2 Samuel 6:15) Essa alegria de servir a Jeová não é apenas algo do passado. Você pode tê-la. E poderá ter em breve até novos graus de alegria.
2. Além do cumprimento original do capítulo 35 de Isaías nos judeus que retornaram de Babilônia, quem está hoje envolvido em outro cumprimento dele?
2 No artigo precedente, examinamos o cumprimento inicial da estimulante profecia registrada no capítulo 35 de Isaías. Podemos chamá-la corretamente de profecia de restauração, porque foi isso o que se deu com os judeus da antiguidade. Ela tem um cumprimento similar em nosso tempo. De que forma? Ora, começando com os apóstolos de Jesus e outros no Pentecostes de 33 EC, Jeová tem tratado com israelitas espirituais. Trata-se de humanos ungidos com o espírito santo de Deus, que se tornam parte do que o apóstolo Paulo chama de “o Israel de Deus”. (Gálatas 6:16; Romanos 8:15-17) Lembre-se também que, em 1 Pedro 2:9, estes cristãos são chamados de “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial”. Pedro passa a identificar a tarefa dada ao Israel espiritual: “‘Para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.”
Um cumprimento em nossos tempos
3, 4. Qual era a situação quando o capítulo 34 de Isaías teve cumprimento nos tempos modernos?
3 Houve uma época, no começo deste século, em que os do restante do Israel espiritual, na Terra, não estavam coerentemente ativos em divulgar essa mensagem. Não se alegravam plenamente com a maravilhosa luz de Deus. Na realidade, encontravam-se numa considerável escuridão. Quando se deu isso? E o que fez Jeová Deus a respeito?
4 Foi no período da Primeira Guerra Mundial, pouco depois do estabelecimento do Reino messiânico de Deus no céu, em 1914. As nações, com o apoio dos clérigos das igrejas em diversos países, estavam furiosas umas com as outras. (Revelação [Apocalipse] 11:17, 18) É claro que Deus era tão completamente contra a cristandade apóstata, com sua elevada classe clerical, como tinha sido contra a altiva nação de Edom. Por isso, a cristandade, o antitípico Edom, está destinada a sentir o cumprimento moderno do capítulo 34 de Isaías. Este cumprimento, por meio dum extermínio permanente, é tão certo como foi o primeiro cumprimento contra o antigo Edom. — Revelação 18:4-8, 19-21.
5. Que tipo de cumprimento teve o capítulo 35 de Isaías em nosso tempo?
5 Que dizer do Isa. capítulo 35 da profecia de Isaías, com sua ênfase na alegria? Isto também se cumpriu em nosso tempo. De que forma? Cumpriu-se no restabelecimento do Israel espiritual saindo dum tipo de cativeiro. Examinemos os fatos do que realmente é recente história teocrática, ocorridos no tempo de muitos dos que ainda vivem.
6. Por que se pode dizer que os do restante do Israel espiritual entraram numa condição de cativeiro?
6 Durante um período relativamente curto, na época da Primeira Guerra Mundial, os do restante do Israel espiritual não se mantiveram inteiramente puros e enquadrados na vontade de Deus. Alguns deles estavam manchados com erros doutrinais e transigiram por não adotarem uma posição clara a favor de Jeová quando sofreram pressões para apoiar as nações em guerra. Durante aqueles anos de guerra, sofreram todos os tipos de perseguição, em muitos lugares proscrevendo-se até mesmo suas publicações bíblicas. Por fim, alguns dos irmãos de mais destaque foram condenados e encarcerados sob acusações falsas. Em retrospecto, não é difícil ver que os do povo de Deus, em certo sentido, em vez de estarem livres, estavam numa condição cativa. (Note João 8:31, 32.) Tinham uma grave falta de visão espiritual. (Efésios 1:16-18) Ficaram relativamente calados quanto a louvar a Deus, o que resultou em serem espiritualmente infrutíferos. (Isaías 32:3, 4; Romanos 14:11; Filipenses 2:11) Nota como isso é paralelo à situação dos judeus antigos em cativeiro na Babilônia?
7, 8. Que tipo de restabelecimento tiveram os do restante hodierno?
7 Mas, deixaria Deus seus servos hodiernos continuar nesta situação? Não; ele estava decidido a restabelecê-los, em harmonia com o que se predisse por meio de Isaías. De modo que esta mesmíssima profecia, no Isa. capítulo 35, tem um nítido cumprimento no nosso tempo, com o restabelecimento da prosperidade e saúde do restante do Israel espiritual num paraíso espiritual. Em Hebreus 12:12, Paulo aplicou Isaías 35:3 em sentido figurado, confirmando a validade de fazermos uma aplicação espiritual desta parte da profecia de Isaías.
8 No mundo do após-guerra, os ungidos remanescentes do Israel espiritual como que saíram do cativeiro. Jeová Deus usou a Jesus Cristo, o Ciro Maior, para libertá-los. Portanto, os do restante puderam fazer uma obra de reconstrução, comparável à obra do restante dos judeus antigos, que voltaram à sua terra para reconstruir o templo literal em Jerusalém. Além disso, esses israelitas espirituais, nos tempos modernos, puderam passar a cultivar e a produzir um verdejante paraíso espiritual, um figurativo jardim do Éden.
9. Como aconteceu em nosso tempo algo parecido ao descrito em Isaías 35:1, 2, 5-7?
9 Tendo em mente o acima, consideremos mais uma vez o capítulo 35 de Isaías e vejamos primeiro os Isa. 35 versículos 1 e 2. O que parecia ser uma região árida começou deveras a florescer e a ser produtivo assim como as antigas planícies de Sarom. Veja então os Isa. 35 versículos 5 a 7. Abriram-se os olhos de entendimento dos do restante, estando alguns deles ainda vivos e ativos no serviço de Jeová. Puderam entender melhor o sentido do que acontecera em 1914 e depois. Isso também tem influenciado aos muitos de nós que constituímos a “grande multidão”, servindo agora ao lado dos do restante. — Revelação 7:9.
Tem você parte no cumprimento?
10, 11. (a) Como esteve você envolvido no cumprimento de Isaías 35:5-7? (b) O que acha destas mudanças?
10 Tome a si mesmo como exemplo. Antes de entrar em contato com as Testemunhas de Jeová, será que lia regularmente a Bíblia? Caso o tenha feito, quanto entendimento obteve? Agora sabe, por exemplo, a verdade sobre a condição dos mortos. É provável que possa indicar a um interessado no assunto os textos relacionados do capítulo 2 de Gênesis, do capítulo 9 de Eclesiastes e do capítulo 18 de Ezequiel, bem como muitas outras passagens bíblicas. É possível que entenda o que a Bíblia ensina sobre muitos assuntos ou questões. Em poucas palavras, a Bíblia tem sentido para você e por isso consegue explicar grande parte dela aos outros, como sem dúvida já faz.
11 No entanto, cada um de nós faria bem em perguntar-se: ‘Como aprendi tudo o que sei da Bíblia? Antes de estudar com os do povo de Jeová, será que já conhecia todas as passagens que se acabam de mencionar? Compreendi-as e tirei as conclusões certas sobre o seu significado?’ A resposta franca a essas perguntas provavelmente é um não. Que ninguém se ofenda com esta declaração, mas pode-se dizer que você, basicamente, era cego quanto a estes textos e seu significado. Certo? Eles existiam na Bíblia, mas você não os enxergava, nem compreendia seu significado. Então, como lhe foram abertos os olhos em sentido espiritual? Foi por meio daquilo que Jeová fez para o restante ungido em cumprimento de Isaías 35:5. Você, por sua vez, teve os olhos abertos. Não está mais em escuridão espiritual. Consegue enxergar. — Note Revelação 3:17, 18.
12. (a) Por que podemos dizer que hoje não é o tempo para milagrosas curas físicas? (b) Como ilustra o caso do irmão F. W. Franz o modo de Isaías 35:5 se cumprir em nosso tempo?
12 Os atentos estudantes da Bíblia e das atuações de Deus no decorrer dos séculos sabem que o atual não é o período na História para haver milagres de curas físicas. (1 Coríntios 13:8-10) De modo que não esperamos que Jesus Cristo abra olhos cegos para provar que ele é o Messias, o Profeta de Deus. (João 9:1-7, 30-33) Nem habilita todos os surdos a ouvir de novo. Frederick W. Franz, um dos ungidos e então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), já perto dos 100 anos de idade, era quase cego e tinha de usar um aparelho auditivo. Já por alguns anos ele não conseguia mais ler; mas, quem pensaria nele como cego ou surdo no sentido de Isaías 35:5? Sua apurada visão espiritual era uma bênção para o povo de Deus em toda a Terra.
13. Que inversão ou restabelecimento teve o hodierno povo de Deus?
13 Que dizer da língua que você tem? Os ungidos de Jeová talvez tenham ficado calados durante o seu cativeiro espiritual. Mas, depois que Deus inverteu essa condição, sua língua começou a gritar de júbilo pelo que sabiam sobre o Reino estabelecido de Deus e Suas promessas quanto ao futuro. Talvez eles tenham também ajudado a você a soltar a língua. Quanto falava você sobre as verdades bíblicas a outros, no passado? Talvez, em algum ponto, você pensasse: ‘Gosto de estudar, mas nunca vou sair para falar a estranhos.’ No entanto, não é verdade que “a língua do mudo” está agora ‘gritando de júbilo’? — Isaías 35:6.
14, 15. De que forma têm andado muitos no “Caminho de Santidade” em nosso tempo?
14 Os antigos judeus que foram libertados de Babilônia tiveram de fazer uma longa viagem de volta à sua pátria. O que corresponde a isso no nosso tempo? Ora, veja Isaías 35:8: “Certamente virá a haver ali uma estrada principal, sim, um caminho; e chamar-se-á Caminho de Santidade. O impuro não passará por ela.”
15 Desde o seu livramento do cativeiro espiritual, os do restante ungido, agora acompanhados por milhões dos das outras ovelhas, saíram de Babilônia, a Grande, para uma figurativa estrada principal, um caminho limpo de santidade, que conduz a um paraíso espiritual. Fazemos todos os esforços para nos habilitar a tomar este Caminho de Santidade e a continuar nele. Pense na sua situação. Não são as suas normas de moral e os princípios a que você se apega muito mais elevados agora do que quando estava no mundo? Não faz agora muito mais esforço para harmonizar seu modo de pensar e sua conduta com os de Deus? — Romanos 8:12, 13; Efésios 4:22-24.
16. Que condições podemos usufruir ao andar no Caminho de Santidade?
16 Ao continuar neste Caminho de Santidade, você está basicamente livre de preocupações com humanos animalescos. Deve-se admitir que no mundo precisa ficar vigilante para não ser figurativamente devorado vivo por pessoas gananciosas ou cheias de ódio. Há muitos que são vorazes no modo em que tratam os outros. Que contraste com os do povo de Deus! Entre eles você está num ambiente protegido. Naturalmente, seus concristãos não são perfeitos; às vezes cometem um erro ou se ofendem. Mas você sabe que seus irmãos não pretendem prejudicá-lo ou devorá-lo. (Salmo 57:4; Ezequiel 22:25; Lucas 20:45-47; Atos 20:29; 2 Coríntios 11:19, 20; Gálatas 5:15) Antes, eles se interessam por você; têm ajudado a você; querem servir junto com você.
17, 18. Em que sentido já existe agora um paraíso e que efeito tem isso sobre nós?
17 Portanto, podemos examinar o capítulo 35 de Isaías pensando no cumprimento atual dos Isa. 35 versículos 1 a 8. Não se torna evidente que já encontramos o que é corretamente chamado de paraíso espiritual? Não, ele ainda não é perfeito. Mas, é deveras um paraíso, pois, conforme menciona o Isa. 35 versículo 2, já podemos ver “a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus”. E que efeito produz isso? O Isa. 35 versículo 10 diz: “Retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião com clamor jubilante; e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido. Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.” Deveras, termos saído da religião falsa e assumido a adoração verdadeira sob o favor de Deus inspira alegria.
18 A alegria relacionada com a adoração verdadeira continua a aumentar, não é verdade? Você vê recém-interessados fazer mudanças e se arraigar na verdade bíblica. Observa jovens crescer e progredir espiritualmente na congregação. Há batismos, em que vê conhecidos seus serem batizados. Não são estas razões para se ter alegria, uma alegria abundante hoje em dia? Sim, quanta alegria nos dá ver outros se juntarem a nós na nossa liberdade espiritual e na nossa condição paradísica!
Um cumprimento ainda futuro
19. Que expectativa esperançosa nos dá o capítulo 35 de Isaías?
19 O que consideramos até agora no capítulo 35 de Isaías se relaciona com a volta dos judeus e com o cumprimento espiritual hoje em dia. Mas, este não é o fim. Há muito mais. Relaciona-se com a garantia bíblica do vindouro restabelecimento de literais condições paradísicas na Terra. — Salmo 37:10, 11; Revelação 21:4, 5.
20, 21. Por que é lógico e bíblico crer que ainda haverá outro cumprimento do capítulo 35 de Isaías?
20 Não seria coerente Jeová fornecer descrições tão vívidas dum paraíso e depois restringir os cumprimentos a coisas espirituais. Naturalmente, isto não quer dizer que os cumprimentos espirituais sejam insignificantes. Mesmo estabelecendo-se um paraíso literal, não nos satisfaria se no meio do belo cenário e de animais pacíficos ficássemos cercados por homens espiritualmente corruptos, humanos que agissem como animais selvagens. (Note Tito 1:12.) Deveras, o espiritual tem de vir primeiro, pois é de máxima importância.
21 No entanto, o vindouro Paraíso não ficará limitado aos aspectos espirituais que usufruímos agora e que usufruiremos ainda mais no futuro. Temos boas razões para esperar um cumprimento literal de profecias tais como Isaías 35. Por quê? Ora, no Isa capítulo 65, Isaías predisse “novos céus e uma nova terra”. O apóstolo Pedro aplicou este texto quando descreveu o que se segue ao dia de Jeová. (Isaías 65:17, 18; 2 Pedro 3:10-13) Pedro indicou que certos aspectos descritos por Isaías existirão realmente quando a “nova terra” se tornar realidade. Esses incluem descrições que você talvez conheça: construir casas e ocupá-las; plantar vinhedos e comer os frutos; usufruir plenamente o trabalho das próprias mãos; o lobo e o cordeiro vivendo juntos; e não se fazendo dano em nenhuma parte da Terra. Em outras palavras, vida longa, lares seguros, abundância de alimentos, trabalho satisfatório, e paz entre os animais, e entre animais e humanos.
22, 23. Que base para alegria haverá no futuro cumprimento do capítulo 35 de Isaías?
22 Não fica cheio de alegria com tal perspectiva? Ora, devia ficar, porque foi para viver assim que Deus nos criou. (Gênesis 2:7-9) Portanto, o que significa isso com relação à profecia no capítulo 35 de Isaías, que estamos considerando? Significa que temos razões adicionais para clamar de alegria. Os desertos literais e as regiões áridas florescerão, dando-nos motivos de alegria. Daí, pessoas de olhos azuis ou de olhos castanhos, ou de outra cor bonita, mas que agora são cegas, poderão enxergar. Nossos concristãos surdos, ou mesmo aqueles de nós que temos dificuldade de ouvir, poderão escutar bem. Quanta alegria dará usar esta faculdade para ouvir a Palavra de Deus lida e explicada, bem como escutar os sons deleitosos duma brisa nas árvores, a risada duma criança ou o canto dum passarinho!
23 Significará também que os coxos, inclusive os que sofrem de artrite, se locomoverão sem dor. Que alívio isso será! Daí, literais torrentes de água fluirão pelos desertos. Nós tanto veremos a água agitada como ouviremos seu som borbulhante. Poderemos andar por lá e tocar na grama verde e nas plantas de papiro. Será deveras o Paraíso restabelecido. Que dizer da alegria de estar com um leão ou com outro animal assim sem ter medo? Nem é necessário descrever esta cena, porque todos já a imaginamos.
24. Por que pode você concordar com a expressão em Isaías 35:10?
24 Isaías nos assegura: “Retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião com clamor jubilante; e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido.” Portanto, podemos concordar que temos razões para clamar de alegria. Alegria pelo que Jeová já está fazendo para seu povo no nosso paraíso espiritual e alegria pelo que podemos esperar no Paraíso literal, agora tão próximo. Falando dos alegres — de nós — Isaías escreve: “Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.” — Isaías 35:10.
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