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ReiEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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Reis Israelitas. Inicialmente, Jeová governou Israel como Rei invisível por vários meios, primeiro por meio de Moisés, e mais tarde por meio de juízes humanos, desde Otniel até Sansão. (Jz 8:23; 1Sa 12:12) Por fim, os israelitas clamaram por um rei, a fim de serem semelhantes às nações em sua volta. (1Sa 8:5-8, 19) Sob a provisão legal incorporada no pacto da Lei, que previa um rei humano divinamente nomeado, Jeová nomeou a Saul, da tribo de Benjamim, mediante o profeta Samuel. (De 17:14-20; 1Sa 9:15, 16; 10:21, 24) Devido à desobediência e à presunção, Saul perdeu o favor de Jeová e a oportunidade de fornecer uma dinastia de reis. (1Sa 13:1-14; 15:22-28) Voltando-se então para a tribo de Judá, Jeová escolheu a Davi, filho de Jessé, para ser o próximo rei de Israel. (1Sa 16:13; 17:12) Por apoiar fielmente a adoração e as leis de Jeová, Davi foi privilegiado de estabelecer uma dinastia de reis. (2Sa 7:15, 16) Os israelitas alcançaram um auge de prosperidade sob o reinado de Salomão, filho de Davi. — 1Rs 4:25; 2Cr 1:15.
Durante o reinado de Roboão, filho de Salomão, a nação se dividiu em dois reinos. O primeiro rei do reino setentrional de dez tribos, geralmente mencionado como Israel, foi Jeroboão, filho de Nebate, da tribo de Efraim. (1Rs 11:26; 12:20) Desobedientemente, ele dirigiu a adoração de seu povo para bezerros de ouro. Devido a este pecado, ele incorreu no desfavor de Jeová. (1Rs 14:10, 16) Um total de 20 reis governaram no reino setentrional, entre 997 e 740 AEC, começando com Jeroboão e terminando com Oseias, filho de Elá. No reino meridional, Judá, 19 reis reinaram entre 997 e 607 AEC, começando com Roboão e terminando com Zedequias. (Atalia, usurpadora do trono, e que não era rei, não é contada.) — Veja CRONOLOGIA; ENTERRO, LUGARES DE SEPULTAMENTO.
Representantes divinamente nomeados. Jeová nomeava os reis do seu povo, e eles deviam atuar como Seus agentes régios, sentando-se, não em seus próprios tronos, mas no “trono do reinado de Jeová”, isto é, como representantes de Seu governo teocrático. (1Cr 28:5; 29:23) Contrário ao costume de alguns povos orientais daqueles dias, a nação de Israel não deificava seus reis. Todos os reis de Judá eram considerados ungidos de Jeová, embora o registro não declare de maneira específica que cada um dos reis foi literalmente ungido com óleo ao ascender ao trono. Registra-se que se usou óleo literal de unção quando se estabeleceu uma nova dinastia, quando o trono foi disputado durante a velhice de Davi, bem como nos dias de Jeoás, e quando um filho mais velho foi passado por alto em favor de um filho mais moço, na época em que Jeoacaz foi entronizado. (1Sa 10:1; 16:13; 1Rs 1:39; 2Rs 11:12; 23:30, 31, 34, 36) No entanto, parece provável que tal unção era uma prática costumeira.
O rei de Judá era o principal administrador dos assuntos daquela nação, como um pastor do povo. (Sal 78:70-72) Ele geralmente tomava a dianteira nas batalhas. (1Sa 8:20; 2Sa 21:17; 1Rs 22:29-33) Também atuava como o tribunal de maior instância do judiciário, exceto que o sumo sacerdote consultava a Jeová para obter decisões sobre algumas questões de Estado e sobre certos assuntos em que a decisão era muito difícil, ou a evidência fornecida por testemunhas era insuficiente. — 1Rs 3:16-28.
Instrumentos limitadores do poder real. Os instrumentos limitadores impostos ao rei no exercício de sua autoridade eram o seu próprio temor de Deus, a lei de Deus, à qual tinha a obrigação de obedecer, e a influência persuasiva dos profetas e dos sacerdotes, bem como o conselho assessório dos anciãos. Exigia-se que escrevesse para si mesmo uma cópia da Lei e a lesse todos os dias de sua vida. (De 17:18, 19) Ele era, como servo especial e representante de Jeová, responsável perante Jeová. Infelizmente, houve muitos reis de Judá que extrapolaram tais limitações e governaram de forma despótica e iníqua. — 1Sa 22:12, 13, 17-19; 1Rs 12:12-16; 2Cr 33:9.
Líder religioso. Embora a lei impedisse que o rei fosse sacerdote, ele devia supostamente ser o principal apoiador não sacerdotal da adoração de Jeová. Às vezes, o rei abençoava a nação em nome de Jeová e representava o povo em oração. (2Sa 6:18; 1Rs 8:14, 22, 54, 55) Além de ser responsável por salvaguardar a vida religiosa do povo das intrusões idólatras, ele dispunha da autoridade para destituir o sumo sacerdote infiel, como fez o Rei Salomão quando Abiatar, o sumo sacerdote, apoiou a tentativa sediciosa de Adonias de apoderar-se do trono. — 1Rs 1:7; 2:27.
Esposas e propriedades. O casamento e os costumes familiares dos reis de Judá incluíam a prática de ter muitas esposas e concubinas, embora a Lei estipulasse que o rei não devia multiplicar esposas para si. (De 17:17) As concubinas eram consideradas propriedade da coroa, e eram repassadas para o sucessor ao trono, junto com os direitos e as propriedades do rei. Casar-se com uma concubina do rei falecido, ou tomá-la, equivalia a reivindicar publicamente o trono. Assim sendo, ter tido Absalão relações sexuais com as concubinas de seu pai, o Rei Davi, e ter Adonias solicitado como esposa a Abisague, enfermeira e companheira de Davi em sua velhice, equivaliam a uma reivindicação do trono. (2Sa 16:21, 22; 1Rs 2:15-17, 22) Tais atos representavam alta traição.
Além dos bens pessoais do rei, dos despojos de guerra e dos presentes (1Cr 18:10), criaram-se outras fontes de renda. Estas incluíam impostos especiais sobre os produtos da terra para a mesa real, tributos dos reinos subjugados, pedágios cobrados de mercadores viajantes que atravessavam o país, e empreendimentos comerciais, tais como as frotas de comércio de Salomão. — 1Rs 4:7, 27, 28; 9:26-28; 10:14, 15.
A Instabilidade do Reino Setentrional. No reino setentrional de Israel observava-se o princípio da sucessão hereditária, exceto quando interferido por assassinato ou revolta. A prática da religião falsa manteve o reino setentrional em constante estado de inquietação, o que contribuiu para frequentes assassínios de seus reis e para usurpações do trono. Apenas duas dinastias duraram mais de duas gerações, a de Onri e a de Jeú. Não estando sob o pacto davídico do reino, nenhum dos reis do reino setentrional se sentava no “trono do reinado de Jeová”, como o ungido de Jeová. — 1Cr 28:5.
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ReinoEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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O Reino Israelita. O pacto da Lei, dado por meio de Moisés à nação de Israel, fazia provisão para o governo dum reino. (De 17:14, 15) A pessoa que dirigia o reino era investido de poder e de dignidade real, não para exaltação pessoal, mas para servir para a honra de Deus e para o bem de seus irmãos israelitas. (De 17:19, 20; compare isso com 1Sa 15:17.) Todavia, quando os israelitas solicitaram com o tempo um rei humano, o profeta Samuel advertiu-os das exigências que um governante assim imporia ao povo. (1Sa 8) Os reis de Israel parecem ter sido mais abordáveis e acessíveis aos súditos do que os monarcas da maioria dos antigos reinos orientais. — 2Sa 19:8; 1Rs 20:39; 1Cr 15:25-29.
Embora o reino de Israel iniciasse com um rei da linhagem de Benjamim, Judá tornou-se depois a tribo real, em harmonia com a profecia de Jacó no leito de morte. (1Sa 10:20-25; Gên 49:10) Estabeleceu-se uma dinastia real na linhagem de Davi. (2Sa 2:4; 5:3, 4; 7:12, 13) Quando o reino foi ‘arrancado’ de Roboão, filho de Salomão, dez tribos formaram um reino setentrional, ao passo que Jeová Deus reteve uma tribo, Benjamim, para permanecer com Judá, “a fim de que Davi, meu servo, continue a ter sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para mim, a fim de pôr ali o meu nome”. (1Rs 11:31, 35, 36; 12:18-24) Embora o reino de Judá caísse diante dos babilônios em 607 AEC, o direito legal ao governo passou por fim ao legítimo herdeiro, o “filho de Davi”, Jesus Cristo. (Mt 1:1-16; Lu 1:31, 32; compare isso com Ez 21:26, 27.) Seu Reino havia de ser infindável. — Is 9:6, 7; Lu 1:33.
Criou-se em Israel uma organização régia para administrar os interesses do reino. Esta consistia dum círculo interno de conselheiros e ministros de estado (1Rs 4:1-6; 1Cr 27:32-34), bem como de vários departamentos governamentais com seus respectivos superintendentes para administrar as terras da coroa, supervisionar a economia e suprir as necessidades da corte real. — 1Rs 4:7; 1Cr 27:25-31.
Ao passo que os reis de Israel, da linhagem davídica, podiam emitir ordens específicas, o genuíno poder legislativo repousava em Deus. (De 4:1, 2; Is 33:22) Em todas as coisas, o rei era responsável perante o verdadeiro Soberano e Senhor, Jeová. A transgressão e a obstinação por parte do rei resultavam em sanções divinas. (1Sa 13:13, 14; 15:20-24) Às vezes Jeová se comunicava com o próprio rei (1Rs 3:5; 11:11); outras vezes ele dava instruções e conselhos, ou repreensão, por meio de profetas designados. (2Sa 7:4, 5; 12:1-14) O rei podia também recorrer ao sábio conselho do corpo de anciãos. (1Rs 12:6, 7) No entanto, a execução das instruções ou da repreensão dependia, não dos profetas nem dos anciãos, mas de Jeová.
Quando o rei e o povo aderiam fielmente ao pacto da Lei, que lhes fora dado por Deus, a nação de Israel usufruía certo grau de liberdade individual, prosperidade material e harmonia nacional jamais alcançadas por outros reinos. (1Rs 4:20, 25) Nos anos em que Salomão obedeceu a Jeová, o reino israelita tornou-se muito famoso e respeitado, possuindo muitos reinos tributários e beneficiando-se dos recursos de muitas terras. — 1Rs 4:21, 30, 34.
O reinado de Jeová Deus, embora durante algum tempo expresso visivelmente por meio do reino israelita, é um reino de soberania universal. (1Cr 29:11, 12) Quer os povos e os reinos da humanidade reconheçam, quer não, seu reinado é absoluto e inalterável, e toda a terra pertence ao seu domínio legítimo. (Sal 103:19; 145:11-13; Is 14:26, 27) Por ser o Criador, Jeová exerce sua vontade soberana no céu e na terra, segundo seus próprios propósitos, e não tem de prestar contas a ninguém (Je 18:3-10; Da 4:25, 34, 35), contudo sempre age em harmonia com suas próprias normas justas. — Mal 3:6; He 6:17, 18; Tg 1:17.
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