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UM GRANDE TERREMOTO ATINGE O JAPÃO
Notícias do mundo inteiro têm relatado uma onda de desastres naturais, incluindo terremotos, tsunamis, tornados, furacões, enchentes, incêndios e erupções vulcânicas. O espaço não permite mencionarmos todos os recentes desastres, mas o melhor exemplo da determinação das Testemunhas de Jeová em lidar com essas dificuldades é o de nossos irmãos no Japão.
Na tarde de sexta-feira, 11 de março de 2011, às 2 horas e 46 minutos, um terremoto de magnitude 9 atingiu o Japão. Os tsunamis resultantes devastaram muitas cidades e povoados na costa do Pacífico. Cerca de 20 mil pessoas morreram ou continuam desaparecidas. Na região afetada, quatro Salões do Reino foram destruídos, e outros quatro ficaram inutilizados. Mais de 230 casas de irmãos foram levadas pela água ou ficaram bastante danificadas, e mais de mil casas precisaram de reparos.
Uma usina nuclear foi tão danificada pelo terremoto e pelos tsunamis que liberou partículas radioativas. O governo ordenou que todas as pessoas que moravam perto da usina deixassem a região e, na manhã seguinte, muitos lugares pareciam cidades fantasmas. Os irmãos também tiveram de sair da região e, com isso, duas congregações deixaram de existir.
Das mais de 14 mil Testemunhas de Jeová que moravam nas áreas mais afetadas, 12 morreram e 5 ficaram gravemente feridas; 2 ainda estão desaparecidas. Muitos irmãos que sobreviveram a essa experiência traumatizante perderam suas casas, bens e, em muitos casos, pessoas queridas.
“Consegui colocar minha mãe, que é deficiente física, no carro”, explica Kiyoko, uma irmã da cidade de Ofunato. “Quando já estávamos a caminho do abrigo designado, senti cheiro de fumaça. Saí do carro e vi um paredão de água engolindo nossa casa. A água estava vindo em nossa direção! Ajudei minha mãe a subir no aterro da ferrovia. O carro foi arrastado pela água bem diante de nossos olhos.”
Depois do terremoto, um jovem irmão chamado Koichi tentou chegar à casa de seus pais, a cinco quilômetros do mar, em Ishinomaki. Mas, ao se aproximar, viu que a vizinhança inteira estava debaixo d’água. “Sem um barco eu não podia chegar mais perto da casa.” Três semanas depois, ele encontrou o corpo do pai num necrotério e, três semanas mais tarde, o de sua mãe.
Assim que o terremoto parou, Masaaki, um irmão da cidade de Shichigahama, estacionou o carro no Salão do Reino, a menos de um quilômetro do mar. Masaaki se lembra: “Encontrei uma irmã que também tinha fugido para lá. Eu não sabia que os tsunamis podiam chegar tão longe. Mas em pouco tempo a água escura cobriu o chão! Nossos carros começaram a flutuar. Eu saí pela janela do carro e subi no teto. Mas o carro da irmã foi levado pela água e desapareceu! Orei a Jeová pedindo para ajudá-la.
“Estava nevando, e eu fiquei ensopado e tremendo de frio. A neve parou, mas o ar estava gelado. Logo o sol se pôs, dando lugar à escuridão. As estrelas brilhavam, e o céu estava muito bonito. Continuei de pé em cima do carro, que parecia uma ilha no meio do mar gelado. Havia outras pessoas na mesma situação que eu, ilhadas em montes de entulho ou em telhados. Eu me perguntava se sobreviveria até o amanhecer. Para tentar me animar um pouco, decidi recitar de memória um discurso público que tinha dado apenas duas semanas antes. O tema era perfeito: ‘Onde encontrar ajuda em tempos de aflição?’ Em seguida, cantei o único cântico que sabia de cor: ‘Meu Deus, meu Amigo e Pai’. Eu o cantei várias vezes. Enquanto cantava, relembrei meus anos no serviço de Jeová e comecei a chorar.
“Então, alguém gritou da casa do outro lado da rua: ‘Tudo bem com você? Vou aí ajudá-lo!’” Ele havia feito uma jangada com madeiras trazidas pela água e estava resgatando as pessoas nas proximidades. Com sua ajuda, Masaaki conseguiu entrar pela janela do segundo andar de uma casa. Mais tarde, ele ficou aliviado ao saber que aquela irmã no outro carro também tinha sido resgatada.
Havia muita expectativa por causa do casamento de Kohei e Yuko, que seria realizado no Salão do Reino de Rikuzentakata no sábado, 12 de março. Mas, depois do casamento civil na sexta-feira, aconteceu o terremoto. Kohei ouviu um alerta de tsunami e logo foi para um lugar elevado. “A cidade inteira estava coberta de fumaça”, lembra-se ele. “Não sobrou nada além de alguns prédios maiores. Até aquela hora, eu só tinha me preocupado com os preparativos do casamento, que seria realizado mais tarde, mas logo me dei conta de que algo gigantesco havia acontecido.”
Kohei e Yuko passaram o sábado ajudando os irmãos da congregação. “Nós recebemos itens de ajuda humanitária de congregações vizinhas”, disse ele. “Fiquei feliz quando minha esposa disse como estava contente por usarmos nosso tempo e energia para ajudar os irmãos. Agradeço a Jeová por ter uma esposa tão maravilhosa. O tsunami levou nossa casa nova, nosso carro e tudo o que tínhamos. Mas sou muito grato pelo amor que os irmãos mostraram por nós.”
Ajuda espiritual, física e emocional. A sede do Japão rapidamente organizou três Comissões de Ajuda Humanitária e várias vezes enviou representantes à região afetada. Quando os superintendentes zonais Geoffrey Jackson e Izak Marais, da sede mundial, visitaram o Japão em maio, eles também se reuniram com os irmãos numa das áreas mais afetadas. Foi programada uma reunião especial para as congregações dessas áreas, que seria transmitida por telefone. Assim, uns 2.800 irmãos em 21 Salões do Reino puderam sentir o amor e a preocupação da fraternidade mundial.
As Comissões de Ajuda Humanitária e outros voluntários continuaram ocupados em prover suprimentos. Os itens de primeira necessidade incluíam alimento, água e combustível. As comissões também providenciaram que roupas de todos os tamanhos fossem enviadas às congregações afetadas. Colocaram-se espelhos e araras com as roupas em alguns locais de reunião, que serviram de provadores temporários.
Depois de tanta aflição, os irmãos se sentiram muito gratos ao ver como Jeová cuidou de suas necessidades físicas e emocionais. As reuniões cristãs, em especial, foram muito fortalecedoras. “As reuniões me dão paz mental”, escreveu uma irmã da região afetada pelo desastre. “Para mim, elas são como uma boia salva-vidas espiritual.”
Uma mensagem de esperança. Os irmãos japoneses imediatamente começaram a compartilhar o consolo da Palavra de Deus com seus vizinhos, que estavam desalentados. Um grupo de publicadores de uma cidade não afetada pelo desastre decidiu dar testemunho nas ruas com um grande cartaz, que dizia: “Por que essa tragédia? A resposta está na Bíblia.” Muitas pessoas ficaram interessadas, e os irmãos distribuíram 177 livros Bíblia Ensina em apenas um dia e meio.
Nas áreas afetadas, os irmãos levaram palavras de consolo primeiro aos estudantes da Bíblia e pessoas interessadas; daí, fizeram o mesmo com seus vizinhos. “Quando li Mateus 6:34 para uma moradora, ela começou a chorar”, diz uma irmã chamada Akiko. “Ela parecia estar muito aflita. Expliquei que a Bíblia nos ajuda a ter paz mental, e ela logo concordou e me agradeceu. Isso renovou meu apreço pelo poder que as Escrituras têm de tocar o coração das pessoas.”
“Existem muitas religiões”, disse certo homem, “mas só vocês vieram nos visitar, mesmo com tudo o que aconteceu”. Outro homem disse de modo respeitoso: “Acho impressionante vocês continuarem com suas atividades mesmo durante esse período difícil.” Um ancião disse: “Muitas pessoas nos receberam bem e disseram: ‘Vocês foram os primeiros a nos visitar depois do desastre. Por favor, não deixem de voltar.’”
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[Foto na página 18]
Salão do Reino em Rikuzentakata, Japão
[Foto na página 22]
Acima: voluntários tirando entulho da casa de um irmão em Shibata, Miyagi
[Foto na página 22]
À esquerda: membro da Comissão de Filial dando um discurso na casa de um irmão em Rikuzentakata
[Foto na página 22]
Abaixo: voluntários preparando o almoço para os que assistiam ao dia de assembleia especial na região afetada pelo desastre
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